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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Miro: O contrabando ideológico da mídia golpista

Reproduzo artigo de Washington Araújo, publicado no Observatório da Imprensa:

Se existe um assunto que absolutamente não me apetece é essa conversa de que no Brasil se encontram ameaçadas a liberdade de expressão, liberdade de opinião e liberdade de imprensa. Primeiro porque a confusão é grande e nem o editorialista nem o comentarista designado para o mister faz o menor esforço para separar uma de outra, é tudo jogado no mesmo saco das intenções veladas.

Para aproveitar o bordão presidencial, tomo a liberdade de, solene como sói acontecer, declarar que nunca antes na história deste país se usufruiu de tanta liberdade – opinião, expressão, imprensa – como nos dias atuais. E nem se precisa ir muito longe para autenticar essa minha percepção já que se trata de algo facilmente verificável.

Se o leitor desejar fazer uma amostragem na seara das revistas semanais de informação, basta acessar o acervo digital de Veja ou de Época e, em rápido cotejo, verificará diversas matérias de capa ora condenando o presidente, ora o seu governo, ora o seu partido, ora a sua coligação. Algumas das recentes edições do carro-chefe da Editora Abril trouxeram na capa, sempre carregando na cor vermelho-escarlate, chamadas como “Lula, o mito, a fita e os fatos” (edição 2140), “O monstro do radicalismo” (edição 2173), “Ele cobra 12% de comissão para o PT” (edição 2156) ou “Caiu a casa do tesoureiro do PT” (edição 2155).

E até o mensalão candango, que engolfou a última cidadela governamental do Democratas em fins de 2009, mereceu capa que longe de trazer à mente o partido demista fazia nada sutil remissão ao partido do presidente. Oportuno recolher a desfaçatez com que vistoso colunista da revista Veja (26/11/2009) se referiu à candidata governista. Seu texto abria assim: “A fraude que virou candidata à presidência anda propondo que o país compare Fernando Henrique a Lula…”

Ficção e realidade

O mesmo poderá ser feito com os jornais de maior tiragem diária do país, como O Globo, a Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo. São mais de oito anos de luta cerrada, quando não agredido em editoriais sob medida para criticar essa ou aquela frase do presidente, sempre ânimo redobrado para fustigar essa ou aquela política pública.

Vejamos o que escreve o principal comentarista de política do jornal O Globo, Merval Pereira. Em apenas dois meses não deixou de vociferar o que crê seja digno de nota e remissões: a alcunha que criou para Dilma Rousseff, a laranja eleitoral. Destaco os seguintes excertos de sua coluna em que o tema é temperado e retemperado pelo maduro articulista:

* “Os discursos nas convenções do PT e do PSDB, no fim de semana passado, revelam com clareza qual será o tom da campanha presidencial daqui para a frente, quando já temos candidatos oficiais e não simples pré-candidatos, como a esdrúxula legislação eleitoral definia até então. De um lado, a candidata oficial, Dilma Rousseff, transformada pelo próprio Lula em sua ‘laranja’ eleitoral; de outro, o tucano José Serra atacando o PT, a falta de experiência da adversária, mas só se referindo a Lula de maneira indireta.” (“Meu nome é Dilma”, 15/6/2010)

* “A verdade, porém, é que mesmo que a candidata oficial Dilma Rousseff alegue que não compartilha essas propostas, elas fazem parte de uma espécie de código genético da ala mais radical do petismo, da qual ela já era figura proeminente antes mesmo de surgir do bolso do colete de Lula para ser impingida ao eleitorado como sua ‘laranja eleitoral’.” (“Contradições”, 06/7/2010)

* “A candidata petista, por seu turno, tem alguns desafios importantes pela frente, o principal deles o de convencer o eleitorado de que o seu eventual primeiro mandato será o terceiro de Lula, o que pode transformá-la em uma mera ‘laranja eleitoral’ do seu mentor. O que pode agradar a certo eleitorado, e afastar outro.” (“O predomínio eleitoral”, 16/7/2010)

* “Serra está à procura de temas que sirvam para atacar o governo Lula sem atacar o próprio, enquanto Dilma a cada dia valoriza mais o papel de ‘laranja eleitoral’ de Lula, recusando-se a aprofundar o debate de políticas governamentais, passando apenas a única mensagem que interessa, a da continuidade do governo Lula.” (“Quem é quem”, 11/8/2010)

* “É também importante frisar que, àquela altura, ainda com sequelas do mensalão, Lula tinha 55% de avaliação de ‘bom e ótimo’ nas pesquisas, e hoje tem 77%. Mas, como não é ele que concorre, e sim uma sua ‘laranja eleitoral’, a transferência de votos ainda não é total, e possivelmente não será.” (“Zona de conforto”, 17/8/2010)

E para defender sua ideologia liberal, vale tudo. Destaco o seguinte diálogo (que me foi enviado pelo leitor D.M.S.) de recente capítulo na novela Paraíso, da TV Globo. Observem como personagens de ficção avançam para além de qualquer trama para tratar do que consideram ser a realpolitik. E como vem sendo cada vez mais corriqueiro contrabandear ideologia e crítica política através de personagens que, bem ou mal, caem nas graças do povo:

Atriz: “Vamos perfurar um poço de petróleo aqui na cidade”

Ator: “Você não é candidata a presidente da república. Nem presidente da Petrobras”

Atriz: “Quanto custa pra perfurar um poço de petróleo?”

Ator: “Muito…”

Atriz: “Mais de mil escolas?”

Ator: “Bota mil nisso…”

Atriz: “Mais de mil hospitais?”

Ator: “Bota mil nisso… Em vez de gastar dinheiro perfurando poço de petróleo, a gente poderia encher de escolas, hospitais…”

(Pausa para os comerciais).

Irônico que a primeira empresa que surge fazendo seu comercial é a própria Petrobras, Coisas do Brasil?

Argumento anêmico

A revista Época também segue à risca o script que deseja cumprir. Para ilustrar cito recente edição (nº 639, de 14/8/2010) em que a capa é a foto da jovem Dilma Rousseff, em princípios dos anos 1960. A manchete é lúgubre: “O passado de Dilma”, com a explicação que mais ameaça que esclarece qualquer coisa: “Documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar” (ver, neste Observatório, “Revista ignora a anistia“).

A “matéria” lista perguntas que, segundo a revista, a candidata se recusa a responder. Tudo no elevado estilo “intimidação sempre rende resultados”. Ao leitor imparcial fica evidente e enorme forma de marginalização que a mídia tenta aplicar à figura da candidata. Até a ditadura brasileira é assumida pela revista, mesmo que indiretamente, como tendo ocorrido. As questões que a revista trata de cobrir – com o véu de suspeição em estado bruto – representam torpe tentativa de criminalizar a candidata e, para tanto, não hesitam em minimizar o contexto dando conta que o país vivia tenebroso período ditatorial. Escamoteou-se que Dilma desceu do muro e teve a coragem de decidir em que lado estava: a luta contra o arbítrio.

O colunista da Folha de S.Paulo Fernando Barros e Silva, na edição de 1/6/2010 do jornal, escreveu texto com o título “O Bolsa-Mídia de Lula”. Profissional talentoso, Fernando não é só um articulista, mas também editor. E, por ele passam as mais relevantes decisões editoriais do jornal paulista. Pois bem: no texto, Fernando repercute matéria da própria Folha, que demonstra como Lula pulverizou a verba publicitária do governo: em 2003, 179 jornais receberam verbas federais; em 2008, foram 1.273. Lula fez o mesmo com rádios e com a internet. Com esse raciocínio inicial era de se esperar qualquer coisa menos um petardo como o que ele arremessou a seguir:

“(…) a língua oficial chama [a tal pulverização de verbas] de regionalização da publicidade estatal e vende como sinal de ‘democratização’. Na prática, significa que o governo promove um arrastão e vai comprando a mídia de segundo e terceiro escalões como nunca antes nesse país.”

É daqueles casos em que o texto não faz jus ao talento do autor. Argumento tão raquítico, anêmico faria qualquer um de nós, Jecas Tatus do Brasil profundo, pensar com seus botões: “Ué, quer dizer que quando a verba ia só para o ‘primeiro escalão’ (onde, suponho, Fernando inclui a Folha, onde ganha o sustento diário) os governos anteriores a 2003 estavam simplesmente ‘comprando a mídia’? É isso mesmo? Tal pensamento não carrega em seu cerne a idéia de desejar ser comprado sozinho sem se expor às agruras de um capitalismo com concorrência?”

Contra e a favor

Dia sim e dia não também, incluindo telejornais noturnos e madrugadeiros, somos bombardeados aos longos das semanas, meses e anos com a mais ampla liberdade de expressão. É sob a égide dessa preciosa liberdade que proliferam os insultos de baixo e alto calados. Termina sendo também a inconfessável defesa de seus valores antípodas. Como o destempero verbal (e escrito), o ataque infamante – quando não apenas calunioso – busca a cabal sujeição de suas vítimas à mais completa impotência ante o formidável aparato de comunicação com suas sentenças formadas antes mesmo de o crime haver sido pensado. Sentença que será repercutida por seus pares à exaustão, dando assim ares de legitimidade ao que não passa de mera luta para manter seu poder nas auriverdes esferas da política e da economia.

Infelizmente tenho que reconhecer que nossos meios de comunicação de massa não revelam a realidade, mascaram-na; eles não ajudam a gerar mudança, transformações e, ao contrário, ajudam a evitá-la. Pior ainda, nossos meios estão bem longe de incentivar a participação democrática. São muito mais afeitos a nos levar à passividade, à resignação e ao egoísmo. Apropriam-se das bandeiras mais caras ao espírito humano – justiça, liberdade – para torná-las reles mercadorias de troca em sua incessante luta pelo poder, cada vez mais inconstante, cada vez mais fugidio.

Em 2002, em almoço nas dependências do jornal Folha de S.Paulo, seu diretor Otavio Frias Filho sapecou a questão para Lula: “Como é que o senhor vai governar o Brasil se não fala inglês?” Passados oito anos chegamos à conclusão que no caso talvez falar inglês pesasse contra, e não a favor, do então candidato à presidência do Brasil. É possível que, ainda nos próximos 40 dias, atendendo a convite para hipotético almoço no mesmo jornal, seu diretor de Redação sinta-se à vontade para perguntar a Dilma Roussef:

“Como é que a senhora vai governar o Brasil se não fala a nossa língua?”

Lula e o preconceito dos poderosos

Mais do Mesmo: A incansável imprensa golpista e sua falta de simancol

Que o PIG está cada dia mais perdido não restam dúvidas.
Mas insistir na imbecilidade de plantar vento, sem dúvidas os fazem colher somente furacões.

O tempo passa, o mundo evolui e a imprensa golpista brasileira em sua maioria, está presa nos anos 60 do século passado. Tudo o que pensam é em golpe de estado de direita. Não conseguem adaptar-se aos novos tempos do século XXI. Para eles o mundo ideal ainda está na Casa Grande & Senzala, onde quem pode manda e quem tem juízo obedece.
Coitados, dá até dó de vê-los assim chafurdando na lama.

Abaixo post do Blog da Cidadania:

Povo quer desenvolvimento e direita oferece ‘dossiês’


No mesmo dia em que sai mais uma pesquisa mostrando que a derrota de José Serra para Dilma Rousseff será, no mínimo, humilhante, a mídia tucana e seu candidato insistem na mesma fórmula que infestou o noticiário e o discurso da direita nos últimos anos, de tentar transformar o capo reacionário de São Paulo e sua quadrilha de dementes midiáticos de ultra-direita em “vítimas” de um “Estado policial” que não existe nem em suas mentes doentes.

O povo, no entanto, eufórico com os avanços inéditos e imensos que o país logrou sob o governo daquele que diziam que traria de volta a inflação e outras tragédias, caso fosse eleito, só pensa em manter o rumo, promessas de melhora de vida que não são nem Lula, nem Dilma que fazem, mas os fatos, o dia a dia.

E como é surrada estratégia da direita de usar seus jornais, televisões, rádios e portais de internet para caracterizarem como despótico um governo que respeitou as divergências comuns à democracia até um ponto em que deixaram de ser divergências para se transformarem em sabotagem e calúnias estarrecedoras, como nos casos da ficha falsa de Dilma e do “menino do MEP”.

A história tucano-midiática de que o governo Lula mandou a Receita Federal investigar  ilegalmente aliados de José Serra com vistas a atingi-lo é tão ridícula quanto as das outras vezes em que estratégias semelhantes foram usadas às portas de uma eleição.

A pergunta básica do direito criminal vem em latim: “Cui Prodest”, ou seja, a quem interessa. Ora, bolas, a quem interessam os dados fiscais dos tucanos vinculados a Serra? A Lula e Dilma?
O povo, obviamente, pergunta-se por que os petistas usariam uma estratégia dessas tendo uma força eleitoral como a que as pesquisas revelam. Não existe um pingo de lógica nessa história. Aliás, mesmo que tivesse, acredito que a sociedade não lhe daria a menor bola simplesmente porque o que está nas preocupações do brasileiro é impedir que voltem ao poder aqueles que o mantiveram na penúria por tanto tempo, antes de Lula.

Não sei se essa história da quebra de sigilo fiscal de tucanos a mando do governo Lula é a “bala de prata” que a direita estava preparando para evitar a eleição de Dilma no primeiro turno. Se for, combina plenamente com os programas eleitorais sofríveis do PSDB na tevê e no rádio e com a estratégia burra de seus meios de comunicação, que, ao tentarem erodir a popularidade de Lula e caluniar Dilma, obtiveram o efeito contrário.

E o pior é que a direita midiática parece não ter juízo e competência para, depois da derrota fragorosa que deverá sofrer inclusive nos Estados, reinventar seu jornalismo corporativo e a sua forma de fazer oposição. Deveremos, portanto, ter mais quatro anos durante os quais o Brasil crescerá e se desenvolverá apesar da mídia e da oposição.

FONTE: Blog da Cidadania

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ainda sobre Pesquisas

Até alguns meses atrás determinados institutos de pesquisa, principalmente os mais badalados como Ibope e Datafolha davam como certa a eleição de Zé Serra como presidente da república.
Inclusive o presidente do Ibope afirmou categoricamente que Dilma não ultrapassaria a casa de 15% da intenção de votos do eleitorado brasileiro, mesmo com toda a aprovação do presidente Lula que há muito tempo vive na casa de 80%.

Na mesma linha o Datafolha, instituto do Jornal Folha de São Paulo - dono também da Gráfica Plural, aquela que vazou as provas do ENEM - estampava em suas pesquisas Zé Serra na casa dos 45% por longo período.

Recentemente quando o Vox Populi e o Sensus apontaram uma outra realidade através de suas pesquisas de intenções de votos que apontavam Dilma numa subida constante, tanto Ibope como Datafolha caíram de pau em cima deles chegando ao ponto de desqualificá-los como institutos de pesquisa sem um mínimo de credibilidade.

De repente, não mais que de repente as coisas mudaram: Ibope e Datafolha foram obrigados a engolir seco a realidade das pesquisas de opinião pública apontando o chocolate que Dilma está dando no Zé.

Abaixo com a palavra Marcos Coimbra no Correio Brasiliense.

Pesquisas Polêmicas (Ou o vexame do Datafolha)

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las.
Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum.

Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

Neste fim de semana, a Folha de São Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara...”. “Dispara..”, “afunda...” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.

Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”?

Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse 9 pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses 9 pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira.

Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.

É impossível explicar a “disparada” pela simples razão de que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.

Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.

FONTE: Correio Brasiliense

MUDANDO O CURSO DA HISTÓRIA COM A ELEIÇÃO DE MERCADANTE

“O significado histórico da eleição de Mercadante (PT), no estado de São Paulo, precisa ser mais bem compreendido, e melhor dimensionado, para dar a verdadeira importância histórica.

Na superfície, vemos os 16 ou 24 anos de governo do grupo demo-tucano que está aí, deixando um legado de pedágios extorsivos, alagões, cracolândias, PCC's, crise na educação, engarrafamentos e escândalos de corrupção abafados, com polpudas contas bloqueadas na Suíça.

Mas o buraco é bem mais embaixo e tem impactos em todo o Brasil.

Os governos demo-tucanos paulistas têm a visão imperialista sobre os demais estados brasileiros por um lado, e a visão subalterna de colonizados diante dos países ricos, por outro lado.

São Paulo não deve ficar entrando em guerra fiscal com estados mais pobres do Brasil, impedindo seu desenvolvimento, como fizeram Serra e Alckmin.

Quando os outros estados se desenvolvem, São Paulo também ganha com o crescimento do mercado interno, vendendo aos outros produtos fabricados em solo paulista.

Por isso, São Paulo precisa entrar em outro patamar, na fase que o presidente Lula inseriu o Brasil internacionalmente, e pensar grande. Precisa competir com os países ricos, pelos mercados da América Latina, da África, do Oriente Médio, e também conquistar mercados dentro dos próprios países ricos.

José Serra (PSDB), como relator do capítulo tributário na constituinte, usou a lei do mais forte, de maior poder político e econômico, para saquear o ICMS do petróleo, prejudicando o Rio de Janeiro, Espírito Santo e Sergipe na constituinte. Saqueou também o ICMS da eletricidade de Itaipu, prejudicando o Paraná. Não precisava fazer isso, e só teria a ganhar se não tivesse saqueado. Estes estados, todos vizinhos de São Paulo, quando enriquecem, são também mercados consumidores de produtos paulistas.

Nos governos de Alckmin e Serra, eles achavam São Paulo pequeno para ter um banco como o Banespa. Venderam para os espanhóis. Achavam SP pequeno para ter companhias de energia. Venderam a Eletropaulo para a falida AES. Achavam São Paulo pequeno para ter uma empresa de telefonia e banda-larga, com tarifas que dão e sobra para amortizar qualquer investimento. Deixaram vender a Telesp para os espanhóis.

Não por acaso, o PIB da Espanha havia passado o do Brasil na época de FHC. São Paulo foi submisso diante de Madri, de Nova York, se comportando como Colônia diante da Metrópole.

Nos anos FHC, o escritório da GM para a América Latina chegou a fechar em São Paulo e atender em Miami, sem qualquer reação dos governadores demo-tucanos.

Empresas de informática saíam de São Paulo e iam para o Chile atender toda a América Latina. Alckmin, Serra e FHC não tinham coragem de taxar os produtos e serviços vindos do Chile, dessas empresas, mas Serra se fez de "macho" para sobretaxar os produtos da Zona Franca de Manaus, barrando sua entrada em São Paulo.

A Argentina já foi um dos países mais rico do mundo, e por acomodação e relações carnais com o neoliberalismo, empobreceu, enquanto outros países enriqueceram. Se São Paulo quiser viver do passado, se acomodando com a tradição de locomotiva do Brasil, também acabará ficando para trás, porque o Brasil tem muita riqueza para ser desenvolvida em todos os estados, e comporta várias locomotivas.

São Paulo com Mercadante crescerá de dentro para fora, como o Brasil de Lula e Dilma, sem ser imperialista sobre os demais estados brasileiros, pelo contrário, aproveitando as oportunidades de crescimento do mercado interno.

São Paulo, com Alckmin, continuará pensando pequeno, com guerrinhas fiscais contra estados do Nordeste, com o Amazonas, com o Espírito Santo, com Santa Catarina, e com a visão submissa diante dos países ricos, ficará vendo passivamente o Brasil e América do Sul crescer em torno de si.

Até para a reforma tributária sair, é mais viável um pacto nacional com Mercadante. Ele não deixaria São Paulo sofrer perdas, mas não teria a visão tacanha de obstruir o desenvolvimento de longo prazo. Com Alckmin, será repeteco das discussões que já foram emperradas por ele e Serra, durante o governo Lula.

São Paulo, com Alckmin, será como aquele vizinho de família rica, que recebeu uma boa herança e, em vez de trabalhar e estudar para prosperar também, fica revoltado com os vizinhos que enriquecem, e quase tem um ataque quando vê seu vizinho operário, no fim da rua, comprar um carro parecido com o dele.”

FONTE: blog “Os amigos do Presidente Lula”.

Emir Sader: O que é um tucano?

“Avis rara, animal político com grave risco de extinção, o tucano se diferencia dos outros animais. Identifiquemos suas características, antes que seja tarde demais:

O tucano tem certeza que tem razão em tudo o que diz e faz.

O tucano lê a Folha de São Paulo cedinho e acredita em tudo o que lê.

O tucano nunca foi à América Latina, considera o continente uma área pré-capitalista e, portanto, pré-civilizatória.

O tucano considera a Bolívia uma espécie de aldeia de xavantes e a Venezuela uma Albânia.

O tucano nunca foi a Cuba, mas achou horrível.

O tucano foi a Buenos Aires (fazer compras com a patroa), mas considera a Argentina uma província européia.

O tucano considera FHC merecedor de Prêmios Nobel – da Paz, de Literatura, de física, de química, quaisquer.

O tucano considera o povo muito ingrato, ao não reconhecer o bem que os tucanos – com FHC à cabeça - fizeram e fazem pelo país.

A cada derrota acachapante, o tucano volta à carga da mesma maneira: ele tinha razão, o povo é que não o entendeu.

O tucano acha o povo malcheiroso.

O tucano considera que São Paulo (em particular os Jardins paulistanos) o auge da civilização, de onde deve se estender para as mais remotas regiões do país, para que o Brasil possa um dia ser considerado livre da barbárie.

O tucano mora nos Jardins ou ambiciona um dia morar lá.

O tucano é branco ou se considera branco.

O tucano compra Veja, mas não lê. (Ele já leu a Folha).

O tucano tem esperança de retomar o movimento Cansei!

O tucano tem saudades de 1932.

O tucano venera Washington Luis e odeia Getúlio Vargas.

O tucano só vai a cinema de shopping.

O tucano só vai a shopping.

O tucano frequenta a Daslu, mesmo que seja por solidariedade às injustiças sofridas em função da ação da Justiça petista.

O tucano nem pronuncia o nome do Lula: fala Ele.

O tucano conhece o Nordeste pelas novelas da Globo.

O tucano dorme assistindo o programa do Jô.

O tucano acorda assistindo o Bom dia Brasil.

O tucano acha o Galvão Bueno a cara e a voz do Brasil.

O tucano recorta todos os artigos da página 2 da Folha para ler depois.

O tucano acha o Serra o melhor administrador do mundo.

O tucano acha Alckmin encantador.

O tucano tem ódio de Lula porque tem ódio do Brasil.

O tucano sempre acha que mereceria ter triunfado.

O tucano é mal humorado, nunca sorri e quando sorri – como diz ‘The Economist’ sobre o candidato tucano - é assustador.

O tucano não tem espírito de humor. Também não tem motivos para achar graças das coisas. É um amargurado com o mundo e com as pessoas pelo que queria que o mundo fosse e não é.

O tucano considera a Barão de Limeira sua Meca.

O tucano acha o povo brasileiro preguiçoso. Acha que há milhões de “inimpregáveis” no Brasil.

O tucano acha a globalização “o novo Renascimento da humanidade”.

O tucano se acha.

O tucano pertence a uma minoria que acha que pode falar em nome da maioria.

O tucano é um corvo disfarçado de tucano.”

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pesquisa CNT/Sensus: Dilma 46% x Zé 28%

Finalmente saiu o resultado da tão aguardada pesquisa CNT/Sensus. Nela é possível constatar que Dilma tem possibilidades de vencer no primeiro turno já que teria mais de 53% dos votos válidos. Interessante mesmo é a resposta do entrevistado na questão: Qual candidato você não votaria? O Zé aparece com rejeição superior a 40% e Marina beira os 50%.

Diria que falta muito tempo para as eleições, porém este quadro sofreria profundo revés apenas se um fato novo - um golpe terrorista do PIG, por exemplo para impactar a cabeça do eleitor - algo que considero ser uma possibilidade remota, pois o povo brasileiro já se acostumou ao jogo democrático e diante da realidade atual, não arriscaria cair na armadilha dos velhos meios de comunicação de massa.

CNT/Sensus: Dilma tem 46% e venceria no primeiro turno


Claudia Andrade
Direto de Brasília
Pesquisa do Instituto Sensus encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontou nesta terça-feira (24) liderança de Dilma Rousseff (PT) na corrida presidencial. A petista registra 46% da preferência do eleitorado, enquanto José Serra (PSDB), seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, tem 28,1%. A ex-ministra Marina Silva (PV), por sua vez, aparece com 8,1% dos votos, conforme o levantamento.

Os demais candidatos não pontuaram na pesquisa. Votos brancos e nulos somaram 5,1%, enquanto 11,7% não sabiam ou não responderam. Na pesquisa anterior CNT/Sensus, divulgada no dia 5 de agosto, Dilma aparecia com 41,6%, Serra tinha 31,6% e Marina aparecia com 8,5% dos votos.
Na pesquisa espontânea, sem a indicação do nome dos candidatos, Dilma Rousseff aparece com 37,2% da preferência do eleitorado, enquanto Serra soma 21,2% e Marina Silva totaliza 6%. Brancos e nulos somam 5,4% e indecisos, 25,2%. Na pesquisa anterior, Dilma tinha 30,4%, Serra somava 20,2% e Marina, 5%. O número de brancos e nulos era 3,8% e o de indecisos, 27,9%.

Primeiro turno
Dilma soma 55,3% dos votos válidos (descontando brancos e nulos), contra 44,7% dos demais candidatos - desse percentual, 33,7% referentes a José Serra. Essa contabilidade favorece a eleição da petista. "É uma eleição tecnicamente decidida em primeiro turno", diz o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes.

Segundo turno
A CNT/Sensus também fez um levantamento simulando um segundo turno entre Dilma e Serra. A petista aparece com 52,9% das intenções de voto, contra 34% do tucano. Na pesquisa anterior, os percentuais eram 48,3% e 36,6%, respectivamente.
O presidente da Confederação Nacional do Transporte, Clésio Andrade, credita a três fatores principais a vantagem da petista em relação aos adversários. "A candidata Dilma Rousseff consegui encarnar bem a pessoa que tem o presidente Lula como apoiador, presidente que tem uma popularidade alta. Também há os programas sociais como o Bolsa Família. E ela conseguiu colocar para as pessoas que foi o braço direito dele em todo esses resultados", afirmou.

Rejeição
Quando a pergunta feita é em quem não votaria de jeito nenhum, José Serra aparece com 40,7% de rejeição, contra 28,9% da candidata petista. Marina Silva tem 47,9% de rejeição. No levantamento anterior, a rejeição de Serra era de 30,8%, Dilma tinha 25,3% e Marina Silva, 29,7%.
Na avaliação do diretor do Instituto Sensus, o ponto crítico de rejeição é 35%. "Acima de 40%, é um candidato que perde um pouco a capacidade de ganhar a eleição".

Quando a pergunta é 'qual o único que votaria' da lista, Dilma soma 39,8%, José Serra, 22,6% e Marina Silva, 8,3%. Os números do levantamento anterior eram 34,6% para Dilma, 25,1% para Serra e 10,9% para Marina Silva. A expectativa de vitória também é liderada pela petista, com 61,8% das respostas à pergunta 'independente de quem vai votar, quem acha que vai ganhar as eleições?'. José Serra tem 21,9% e Marina Silva, 1,3%.

Encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, a pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 22 de agosto, com dois mil entrevistados, e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 18 de agosto de 2010, sob o número 24903/2010. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

FONTE: Terra

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Entenda a decadência do PIG, por Eduardo Guimarães


Nos mais de 1300 dias decorridos desde a segunda posse de Lula na Presidência, cada um deles foi dedicado pela mídia (Globo, Folha, Veja, Estadão e ramificações) à destruição da imagem de seu governo, com uma sucessão de campanhas acusatórias nos veículos de comunicação supra mencionados, compreendidos por televisões, rádios, jornais, revistas e portais de internet.

Uma busca no Google das palavras “Dilma, governo Lula, dossiê, FHC”, por exemplo, redunda em 603 mil resultados. Essas palavras remetem ao pseudo dossiê que o PT teria feito sobre os gastos de FHC com despesas da família presidencial durante o governo tucano.

O leitor pode escolher qualquer um dos muitos escândalos forjados e alardeados pela mídia desde que Lula chegou à Presidência e usar palavras-chaves do assunto para buscar no Google que encontrará centenas de milhares de matérias da grande mídia, todas elas dando de barato que Lula, Dilma ou o PT eram realmente culpados.

Como se não fosse suficiente, neste ano passaram até a falsificar pesquisas eleitorais para tentar eleger José Serra, que, desde que disputou a eleição presidencial de 2002 com Lula,  converteu-se em um novo Fernando Henrique Cardoso, o político que, antes de Serra, foi o que teve mais meios de comunicação a seu serviço desde que decidiu disputar a Presidência da República em 1994.
O governo FHC foi uma época de escuridão da democracia brasileira. Ao poder do Estado, somou-se o Quarto Poder, o poder discricionário de uma imprensa que criava crises ininterruptas para os adversários do PSDB, estivesse o partido no governo ou na oposição.

Esse fenômeno foi desencadeado pela anomalia que, em pleno século XXI, mantém o Brasil como o sétimo país mais desigual em um mundo com cerca de duas centenas de Estados soberanos. É o fenômeno pelo qual uma elite de ascendência indo-européia se tornou dona de pelo menos 30% do PIB. Uma elite que não congrega mais do que cinco mil famílias, conforme detectou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea.

Esse poder de uma elite étnica e geográfica ganhou nova roupagem a partir de meados do século XX graças ao fenômeno da comunicação de massas, que, diante da inevitabilidade da democracia, permitiu àquelas elites direcionarem o voto popular.

Esse processo de utilização da imprensa como arma da aristocracia dominante para eleger governos submissos chegou ao ápice em 1964, com um golpe militar forjado nas páginas dos mesmos Globos, Folhas, Vejas e Estadões já mencionados. Golpistas e imprensa atuaram em absoluta consonância para destituir um governo legitimamente eleito e implantarem uma ditadura de vinte anos no Brasil.
No pós-redemocratização, a partir de 1989, com a primeira eleição legítima para presidente da República em mais de duas décadas, o poder midiático novamente continuou elegendo seus candidatos até 1998, quando o candidato de plantão da elite indo-européia, Fernando Henrique Cardoso, praticou um dos maiores estelionatos eleitorais da história, que, inclusive, quatro anos depois sepultou o poder daquela elite de eleger governos nacionais.

FHC elegeu-se em 1998 prometendo manter o dólar valendo cerca de R$ 1,20 e pregando que, se Lula vencesse, desvalorizaria uma moeda que já não valia mais nada em meio a um processo de destruição econômica do país, o qual o mesmo FHC endividaria até o pescoço com o FMI, o Clube de Paris e o governo americano no ano seguinte.

A mídia supra descrita passou 1998 inteiro referendando o discurso tucano e fustigando a oposição petista. Inventaram mais um escândalo para Lula, referente a propina que teria recebido na forma de um automóvel Ômega, e pregando que sua eleição traria de volta uma inflação que já voltava sozinha por conta da débâcle econômica do país.

Ao fim do segundo governo tucano, a população assistiu, bestificada, a uma mídia que se calava enquanto o país, além da crise econômica, mergulhava em um racionamento de energia draconiano que multiplicou várias vezes as contas de luz e fez indústrias irem à beira da falência por falta de energia para produzir.

A partir dali, a mídia perdeu o poder de conduzir o eleitorado como gado. Passou 2002 inteiro repercutindo o discurso do medo de José Serra, com George Soros dizendo que era “Serra ou o caos” e tudo mais, mas o povo deu uma descomunal banana para Globos, Folhas, Vejas, Estadões e penduricalhos e elegeu o primeiro presidente oriundo do operariado.

Ocorre que esse poder aristocrático formado pela promiscuidade entre a elite indo-européia, a imprensa e o Estado acabou sofrendo uma sangria de recursos muito grande a partir da eleição de Lula. FHC doou aos grupos de comunicação já mencionados parte da roubalheira da privataria tucana nas comunicações e lhes entregava verbas públicas à farta. Lula pôs um freio no escândalo.
De 500 veículos de comunicação que dividiam toda a descomunal verba de publicidade oficial até 2002, hoje essas verbas são distribuídas a mais de cinco mil veículos – e acho que esse número pode estar defasado. Diante disso, a mídia que descrevi desencadeou uma guerra contra o governo Lula e, depois, contra a sua candidata a sucedê-lo.

Também porque a mídia precisa ter o que vender aos políticos de direita – se não tiver poder para influir nos processos eleitorais, não terá como barganhar para que o governo de São Paulo, por exemplo, compre milhares de assinaturas de uma Folha ou de um Estadão ou os livros escolares de geografia com mapas contendo dois Paraguais como os que a Veja editou e vendeu a Serra nos últimos anos, durante o seu mandato de governador.

Pela terceira vez no século XXI, Globos, Folhas, Vejas e Estadões vão perdendo uma eleição presidencial junto com um seu candidato tucano. Aliás, a preocupação com essa enorme derrota já está produzindo efeito. Com exceção da Globo, que continua tentando eleger Serra, os outros parecem estar desembarcando de sua candidatura como se nunca a tivessem integrado.

FONTE: Blog da Cidadania

Miro: 300 podem virar mil blogueiros

Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:

Foi um encontro vitorioso esse ocorrido no fim-de-semana em São Paulo. Reunimos, em dois dias de intensos debates, mais de 300 blogueiros progressistas de todo o país; havia gente de 19 Estados!

Vitorioso, em primeiro lugar, porque aconteceu. Conseguimos dar o primeiro passo. Conseguimos fazer a reunião, na raça. E saiu tudo direito: alimentação, hospedagem, estrutura para os debates. Em apenas 3 meses, botamos o Encontro de pé, contando “apenas” com a boa vontade geral e com o apoio material de 25 quotistas - em sua maioria, sites e sindicatos ou organizações de trabalhadores.

Esse, aliás, é um aspecto simbólico que pode ter passado quase despercebido durante o fim-de-semana: mostramos a força dessa parceria entre movimentos sociais, sindicatos e blogueiros independentes. Como deixou claro a Debora Silva , do “Movimento Mães de Maio”, logo na mesa de abertura no sábado: a internet tem mais força se estabelecer essa parceria com as ruas, com a turma que se organiza em associações e sindicatos. A força da blogosfera progressista é a força dos movimentos sociais. Uma não existe sem os outros. A internet não substitui o combate nas ruas, na realidade concreta.

O Encontro foi também divertido. E isso é ótimo! É preciso haver algum prazer nessas atividades. Aquelas velhas assembléias da esquerda nos anos 70 e 80, em que todo mundo parecia sempre sofrer e arrastar sua cruz para provar uma militância destemida, não cabem mais no século XXI. Militância pode -e deve - ser feita com leveza e (sempre que possível) com bom-humor.

E essa foi uma reunião também emocionante! Muito legal encontrar as pessoas no auditório, ou nos grupos de debate, olhar pro crachá e dizer: “ah, você é o Roberto”; ah, você é a Marlúcia”; ou ”você é o Miguel do Rosário”. São apenas exemplos. São pessoas que eu leio sempre – como blogueiros ou comentaristas nos blogs (no meu e nos outros)- e que eu só conhecia no mundo virtual. Encontrar esse povo todo pessoalmente foi uma experiência riquíssima.

Aliás, esse pra mim foi um dos pontos fortes do Encontro: aproximar os blogueiros de todo país, para fortalecer essa rede virtual e horizontal que já se criou no Brasil.

Um dos momentos mais engraçados foi ver o editor-em-chefe do Cloaca News, todo tímido, recebendo o merecido reconhecimento dos presentes pela combatividade e criatividade. Ele ganhou o troféu Barão de Itararé – como blogueiro de 2010. Só faltou a gente descobrir agora quem é o Stanley Burburinho! Essa tarefa fica pra 2011.

Outro ponto importante foram os debates de política da Comunicação: a defesa firme do Plano Nacional de Banda Larga, a briga pela “neutralidade” da rede (não aceitar que sites grandes tenham condições técnicas de navegação melhores do que os pequenos) e o apoio à ADIN (Ação Direta de Constitucionalidade) que o professor Fabio Komparato vai mover no STF, exigindo a regulamentação dos artigos da Constituição que falam sobre Comunicação.

Tudo isso, e muito mais, está na Carta Final do Encontro – que sofreu várias emendas e deve ter sua redação divulgada nas próximas horas.

Por último, mas isso talvez seja o mais importante, conversou-se muito sobre as questões técnicas: como fazer um blog de qualidade, como usar vídeo, como aproveitar ferramentas como o twitter. Ficou claro que, nas próximas edições do encontro, a gente deve gastar mais tempo com essas questões práticas, e menos com o debate “político”. Não que a Política seja desimportane (e vocês saõ testemunhas de como eu gasto posts e mais posts falando de Política aqui); mas é que o povo está com sede de aprender, de fazer, de criar!

Acertamos, na Assembléia Final de domingo, que nos meses de março e abril de 2011 vamos priorizar os encontros estaduais (com foco nessas oficinas bem práticas, e também no debate sobre a realidade da comunicação em cada região), preparatórios para o Segundo Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que deve ocorrer em Maio de 2011.

A idéia é fazer a segunda edição numa cidade mais central do país (Brasília? Salvador? Rio?), pra facilitar o deslocamento da turma que vem do Nordeste, da Amazônia e do Centro-Oeste.

A Comissão Organizadora do Primeiro Encontro deve se reunir nas próximas semanas, pra fazer uma grande avaliação, e pra implementar algumas das sugestões que surgiram no debate - entre elas a de criar uma grande lista de blogs (que poderia ficar sob administração do Centro Barão de Itararé – será que é viável?).

São muitas idéias, muita coisa pra fazer! Uma delas, que me parece fundamental, é organizar um Encontro de Blogueiros sul-americanos. Surgiu a proposta de realizá-lo em Foz do Iguaçu, ano que vem, para aproveitar a efervescência política em todo o Continente.

Será que temos perna pra tanta coisa? Acho que sim. Em 3 meses, fizemos o primeiro Encontro – com 300 blogueiros. No segundo, com um pouquinho mais de trabalho, podemos chegar fácil a Mil blogueiros.

domingo, 22 de agosto de 2010

Viomundo: Serra ataca a blogosfera. Nós sabemos como é São Paulo de verdade

por Luiz Carlos Azenha
A São Paulo da propaganda eleitoral de José Serra é perfeita. Estradas, hospitais, escolas, clínicas de atendimento a alcoólatras e drogados, obras em rios etc. A São Paulo de verdade é outra: basta viajar alguns quilômetros a partir do centro da cidade para descobrir. Aliás, como notou um internauta quando escrevi isso outro dia, não precisa tanto: é só ir à cracolândia, que fica no centro. Todas as vezes que vou à periferia da cidade — e faço isso com bastante frequência — tomo um choque ao voltar ao centro. São dois mundos.
Os tucanos paulistas, que governam o estado há 16 anos, contam com a blindagem completa da grande mídia. Há problemas pontuais, aqui ou ali. Mas problemas estruturais… em São Paulo? Nunca. Há críticas aqui ou ali, na mídia. Críticas pontuais. Mas dizer que o governo Serra foi medíocre, na mídia?  Isso custaria o emprego. Foi um governo medíocre porque São Paulo dispõe de dinheiro, de saber e de dinamismo econômico. Mas os tucanos só estão no governo há 16 anos justamente por não fazerem os investimentos sociais que seriam necessários para acabar com a desigualdade no estado, que é profunda. Isso exigiria impostos e eles pregam o governo mínimo. São Paulo era para ser um exemplo para todo o Brasil. Há tanta força por aqui, tanta energia boa e tanto dinheiro que os tucanos poderiam ter detonado o governo Lula por comparação! Mas… vá à periferia de São Paulo, capital, como fui esta semana a Parelheiros e ao Grajaú. Ouça a população pobre: faltam vagas nas escolas, faltam creches, faltam vagas em hospitais, sobra trânsito e falta segurança.
Relativamente a outras regiões do Brasil, São Paulo pode mesmo ter avançado mais. Mas, não. Contando com a blindagem da mídia, os tucanos se preocuparam quase que exclusivamente com as oportunidades de negócios para os amigos e aliados. José Serra, especificamente, trata os movimentos sociais como inimigos. Os pobres são pobres, mas não bobos. Reside aí a chance de Dilma Rousseff de obter, em São Paulo, entre 30% e 40% dos votos. Entenderam como funciona a blindagem da mídia? É garantia de que os tucanos podem fazer seus negócios sem se incomodar com a clientela e sem que os demais brasileiros saibam exatamente o que se passa por aqui.
Mas o Marco Aurélio Mello, do Doladodelá, paga pedágio para chegar ao trabalho. O Rodrigo Vianna, do Escrevinhador, enfrenta o trânsito para chegar ao trabalho. O Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, vai ao Jardim Pantanal. O Eduardo Guimarães, do Cidadania, frequenta os hospitais por conta do quadro trágico de sua filha. O Luís Nassif, embora morador do Higienópolis, anda bastante por aí e frequenta os bastidores do poder. Isso explica porque esses blogueiros são uma ameaça a José Serra. Eles rompem, ainda que timidamente, já que a grande maioria dos brasileiros ainda não tem acesso à internet, a blindagem que a mídia oferece a José Serra.
Eles podem contar a outros brasileiros, através da rede, que São Paulo não é esse paraíso da propaganda eleitoral, ou pelo menos que é paraíso para alguns, para a minoria. É por isso que eles são os “blogueiros sujos”. Sujam a imagem do Zé.

FONTE: Viomundo

sábado, 21 de agosto de 2010

Eduardo Guimarães: A vingança de Luiz Inácio



Eduardo Guimarães

“Luis Inácio deve estar saboreando cada segundo da mais completa rendição de José Serra, do PSDB e da mídia àquele que mais odeiam, ele mesmo, um pernambucano que, na idade adulta, converteu-se em Lula, de longe o presidente da República mais popular da história do Brasil.

Os supracitados adversários políticos de Luiz Inácio passaram décadas insultando esse homem de todas as formas. Chamaram-no de ladrão (mensalão), de beberrão (Larry Rohter), de apedeuta (Esgoto da Veja), de anta (Diogo Mainardi), de assassino (Folha no desastre da TAM), de estuprador (Folha e o “menino do MEP”)…

Uma geração inteira cresceu lendo e escutando Luiz Inácio ser insultado de todas as formas e acusado de tudo o que se possa imaginar.

Depois de Collor, em 1989, e de FHC, em 1994, em 2002 José Serra “ascendeu” ao posto máximo da direita contemporânea, o de “anti-Lula”. Desde então, não desceu mais do pódio. Esteve por trás de todos os ataques mais virulentos feitos ao presidente da República durante os últimos sete anos e tanto.

As relações do tucano com os agressores mais contundentes do primeiro mandatário da República são tão conhecidas que é possível achar até fotos dele na internet abraçado a alguns.

Durante a maior parte da década de 1990 até início dos anos 2000, Luis Inácio sempre foi comparado com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, intelectual de renome internacional que o derrotou em duas eleições seguidas. A superioridade de FHC sobre ele foi cantada em verso e prosa até o limite do insuportável nos discursos tucano-midiáticos.

Luiz Inácio e seu povo chegam a 2010 com motivos para dar boas gargalhadas. Os que insultaram o mais eminente político petista durante décadas e que o preteriram tantas vezes em favor de FHC, hoje têm que homenagear o antigo desafeto em seus programas eleitorais e que esconder o antigo favorito.

A vingança de Luiz Inácio não poderia ser mais doce.”

FONTE: Blog da Cidadania

Serra: O adversário perfeito

Lí no Blog de Um Sem Mídia e posto excelente análise do Kotscho!

ELEIÇÕES - Tucanos agora buscam culpados.

Balaio do Kotscho.


Antes mesmo da divulgação do novo Datafolha na noite desta sexta-feira, com a disparada de Dilma abrindo 17 pontos de vantagem sobre Serra (47 a 30), os tucanos já tinham começado a temporada de caça aos culpados pelo desastre.

Como já tinha acontecido nas derrotas de 2002 e 2006, a aliança demotucana (PSDB-DEM-PPS-PTB) está se desmilinguindo, cada um colocando a culpa no outro e todos responsabilizando o candidato, que está sendo largado pelo caminho faltando ainda seis semanas para o primeiro turno das eleições de 2010.

O colapso na campanha de Serra ficou evidente esta semana quando resolveu adotar a esquisofrênica estratégia de atacar Dilma e o governo durante o dia e mostrar imagens do presidente Lula ao lado do ex-governador paulista à noite. O tucano conseguiu a proeza de não ser candidato nem da situação nem da oposição, muito ao contrário.

Tamanha lambança não pode ter apenas um culpado. Só pode ser resultado do conjunto da obra _ da absoluta falta de unidade na aliança, da falta de um projeto político, da escolha de um vice desconhecido e desastrado, da indigência dos discursos e das propostas do candidato, do cheiro de mofo do programa de televisão.

O que aconteceu? Apenas um mês atrás, o Datafolha de 20-23 de julho ainda anunciava um empate técnico (37 a 36 para Serra), alimentando as esperanças de uma campanha que já vinha fazendo água, como apontavam os outros institutos de pesquisas.

Não aconteceu nada de importante para justificar esta violenta inversão da curva do Datafolha. Como era de se esperar, o diretor do instituto, Mauro Paulino, colocou a culpa no horário eleitoral que entrou no ar esta semana.

“Palco da TV explica disparada de Dilma”, diz a manchete da Folha sobre a nova pesquisa. Se é só isso, me desculpem, mas não dá para entender. Foram ao ar até agora apenas dois programas dos candidatos à presidência da República, na terça e na quinta, justamente quando os pesquisadores do Datafolha já estavam nas ruas entrevistando os eleitores.

Ao esconder sua principal liderança, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e tentar, já no despespero, ligar sua imagem à de Lula, Serra comete o desatino de não só não tirar votos de Dilma como o de perder aqueles dos tucanos mais fiéis.

Na marcha batida para o abismo, o candidato da oposição sofre mais com o fogo amigo do que nos embates com sua principal adversária. Se nem o presidente do PSDB, o pernambucano Sergio Guerra, quis usar a imagem do candidato tucano em sua campanha para deputado federal, que tipo de fidelidade se poderia esperar dos outros? Serra escondeu FHC e os candidatos da aliança demotucana esconderam Serra.

É verdade que o programa de Dilma, comandado por João Santana, dá de 10 a 0 no programa de Serra, sob a responsabilidade de Luiz Gonzalez, tanto na forma como no conteúdo, mas isso é muito pouco para explicar uma diferença tão grande entre uma pesquisa e outra no espaço de apenas quatro semanas.

O que tenho escrito aqui, desde o início da atual campanha eleitoral, não é muito diferente do que leio em colunas e blogs não engajados, que procuram lidar apenas com os fatos, não com os desejos. Depois de alguns atropelos no início, como registrei aqui, a campanha de Dilma se aprumou, botou ordem no comando, no discurso e na agenda, enquanto a de Serra se desmanchava no ar.

Não é preciso ser nenhum gênio da política para constatar que, a esta altura do campeonato, como o próprio Datafolha já admite, a eleição poderá ser decidida no primeiro turno. A tendência natural é Dilma subir e Serra cair cada vez mais até o dia 3 de outubro, por mais que alguns coleguinhas não se conformem com isso e ainda se esforcem para negar o óbvio.

Encontrar os culpados por esta situação adversa parece ser agora a única ocupação dos apoiadores de uma campanha sem rumo, que pode jogar a oposição numa crise sem precedentes. Já se sabia que seria difícil derrotar uma candidatura, qualquer que fosse, apoiada pelo presidente Lula, com seus quase 80% de aprovação popular, mas ninguém poderia prever que a corrida eleitoral se transformasse neste passeio sem muitas emoções.

Há muitas formas de se ganhar ou perder uma eleição. Serra escolheu a pior.
Fonte: Balaio do Kotscho.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Miro: A UDN no shopping e nas eleições

Reproduzo artigo de Laurez Cerqueira, publicado no sítio Carta Maior:

Há muito tempo a “velha UDN” trocou os oratórios de madeira, que faziam parte do mobiliário das salas das residências, por aparelhos de televisão. As orações da boca da noite deram lugar às telenovelas e aos telejornais. As telenovelas passaram a ser referências tão fortes que são visíveis as mudanças de comportamento provocadas nas famílias. Como diz o compositor Jorge Mautner, em uma de suas músicas: “a telenovela é a educação sentimental da classe média nacional”.

A “velha UDN”, em tempos idos, era uma matriarca católica, dessas de penugem nos cantos da boca, se vestia de preto, andava de bordão de jacarandá com brasão da família, cravejado em latão. Ainda hoje, fotos amareladas, emolduradas, de famílias aristocráticas, cobrem paredes de casas e apartamentos ou ocupam lugar de destaque sobre os móveis das salas, nas modernas cidades brasileiras.

Uma parte da “velha UDN” e seus descendentes migraram do campo para as cidades muito antes de se tornar uma sigla, uma agremiação partidária, muito antes do PSD se enraizar no coração e na mente dos fazendeiros. Construiu fortuna e se tornou a matrona do sistema financeiro. Quis desfrutar dos produtos do ciclo de industrialização do Brasil, andar de automóvel, beber coca-cola, ir ao cinema, entregar seu coração a Hollywood, ler Seleções Reader's Digest, revista O Cruzeiro, Veja, Caras, O Globo, Folha, Estadão, dar revistas em quadrinhos da Disney aos filhos e incentivá-los a cultivar valores aristocráticos.

A UDN se encastelou na política, se apoderou do Estado e dos meios de comunicação como se fossem propriedades suas. Rotulou o governo de Getúlio Vargas de “mar de lama”, levou-o ao suicídio. Tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek, organizou a famosa “Marcha da família com Deus pela liberdade”, em 1964, na capital paulista, para derrubar João Goulart e apoiou o golpe militar que levou o Brasil a um dos mais obscuros períodos de nossa história. Impediu a reforma agrária, ajudou a organizar o latifúndio, mecanizou a produção agrícola com crédito subsidiado pelo Banco do Brasil e com as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. Conseguiu banir das fazendas para as periferias das grandes cidades, onde vivem em condições sub-humanas, um contingente populacional gigantesco de remanescentes da escravidão.

A cara da "nova UDN"

No campo ou nas cidades, hoje a “velha UDN” ainda dispõe de uma cultura política e ideológica poderosíssima. A UDN urbanizada, que poderia ser chamada de “nova UDN” tem casas e apartamentos com todos os eletrodomésticos disponíveis. Carros de luxo nas garagens, viaja de férias todo ano, tem celular, computador plugado na Internet e tv a cabo. Busca a paz em templos de consumo (shopping-centers) e em igrejas. Uma parte se “modernizou” em relação à fé. Trocou a igreja católica por igrejas evangélicas. A “nova UDN”, quando não está diante da tv ou na internet, alimentando a alma com programação de entretenimento, também vaga pelos shoppings ou por feiras de produtos de contrabando, comprando um pirata qualquer. A “velha UDN” está por aí, travestida, clandestina.

Nas praças de alimentação dos shoppings se empanturra nos fast-foods com sanduiches, pizzas e refrigerantes. A balança, a academia, as revistas de boa forma e o colesterol são seu inferno. Um “sofrimento doce” - coisa do “status quo” - assuntos para longas conversas nas tardes tediosas e nos finais de semana, nos encontros de família. A “nova UDN” é “chique”. “Chique” é diferente de elegante. A “nova UDN” é rastaquera.

Nas casas e apartamentos “modernos”, a arquitetura mantêm a senzala, a “dependência de empregados”. Um cubículo onde enfiam os novos escravos que cozinham, lavam, passam e cuidam dos filhos. A “ama-seca” virou “babá”, baby-sitter.

Livro, revista e jornal, em casa? Às vezes. Ler dá sono. Prefere uma espiada no Jornal Nacional depois da novela. É o melhor horário para ver os anúncios de carros novos, telefones celulares e bancos. Aqueles filmes publicitários que embalam os sonhos de tornar-se uma daquelas personagens chiques e bem sucedidas na vida. A maior aspiração da “nova UDN” é ser rica, manter o “status”, entranhado nas profundezas de sua alma, ter o controle moral da sociedade e recuperar o poder político perdido com a democratização do país. Para a “nova UDN” a democracia a leva à ruína política. Na democracia ela perde sempre.

O mesmo ódio de classe persiste

Mantém latente o mesmo ódio de classe que levou o ex-governador do antigo Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, seu ídolo maior, ao escândalo da “operação mata-mendigo”, realizada pelo Serviço de Recuperação de Mendigos. Os agentes desse serviço foram flagrados jogando mendigos no rio da Guarda, na Baixada Fluminense, depois de denúncias de desaparecimento de grande número deles. Esse serviço foi o embrião da ideologia do “Esquadrão da Morte”. Outro escândalo foi a queima de favelas como a do Pasmado, no Rio, para expulsar os moradores, coordenada pela Secretária de Assuntos Sociais, Sandra Cavalcanti, ex-deputada constituinte, em 1987, pelo PFL.

Uma parte da “nova UDN” passou pela universidade, ficou “ilustrada”. Participou, tempos atrás da campanha Diretas Já, com novo verniz, mas preferiu juntar-se aos de cima na defesa do projeto neoliberal, do sucesso profissional, da escalada do enriquecimento e na redução dos sonhos da juventude ao fetiche de um automóvel. Luta para manter privilégios de classe e nada mais, fecha o vidro do carro quando mendigos se aproximam.

Para ela os de baixo são invisíveis. Não vê lixeiros, garçons, frentistas, taxistas, mantém disdância das pessoas que andam de transporte coletivo. Sabe que essas pessoas existem quando necessitam de seus serviços. Vê o noticiário policial nos telejornais, viaja de avião e olha lá de cima o amontoado de barracos das periferias das grandes cidades como se as favelas fizessem, naturalmente, parte da paisagem. No parlamento ou na imprensa, como jornalista e comentarista preferidos dos impérios de comunicação, ladram como cães amestrados com o mesmo ódio que movia Carlos Lacerda.

Os candidatos da nova UDN

Nas eleições, a “nova UDN” costuma optar por candidatos que representam o ideário aristocrático, meritocrático, condizente com sua escala de valores, de matriz religiosa. Muitos, em 2002, fizeram uma concessão, votaram em Lula para presidente, depois dele penar sob a violência da discriminação de classe. Um dos mais fortes fatores que o levou à derrota em três eleições. O preconceito foi rompido momentaneamente. Certamente pelo fato de votar num “vencedor”, num homem de mérito, que saiu de Garanhuns, em Pernambuco, enfrentou a pobreza em São Paulo e se tornou um líder respeitado não só no Brasil, mas reconhecido nos fóruns internacionais como um líder mundial. Logo depois que ele tomou posse foi chacoteado.

Diziam que ele não tinha qualificação para governar. Não falava inglês. Diziam que ele era nordestino, cachaceiro e analfabeto. Quem não se lembra da zombaria da imprensa do “aeroLula”? Como se ele não tivesse o direito de usar o avião presidencial. FHC licitou o avião, mas Lula foi quem sofreu as críticas.

Outro fator que deve ser considerado, quando analisamos a eleição de Lula, é que em 2002 a “nova UDN” estava inconformada com o governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. O governo que, na época da paridade do Real com o Dólar, levou-a ao paraíso do consumo de produtos importados, a viagens internacionais - estava acabando em grave crise econômica e financeira - sob denúncias graves de corrupção, sem permitir investigações, principalmente denúncias sobre o processo de privatização das empresas estatais. Aquele paraíso de ilusões ruiu. Em resumo, em 2002, era “chique” votar em Lula. Afinal, o vencedor tem seu lugar na escala de valores da “nova UDN” como competidor.

A descoberta de um novo partido

Logo depois da democratização política do país, na década de 80, após a promulgação da Constituição de 1988, a “nova UDN” ganhou um presente da elite intelectual paulistana. Um partido político pensado para ela. O PSDB. Um partido para a chamada “classe dos formadores de opinião”. O PFL, neto da velha Arena, que deu sustentação à ditadura militar, andava em dificuldades para se tornar um partido que atendesse às aspirações da “nova UDN”. O PMDB avançava no controle institucional do país e os partidos de esquerda, liderados pelo recém-criado PT, avançavam na organização da população operária urbana e no movimento dos trabalhares rurais sem terra. Foi nesse contexto que surgiu o PSDB, vendido à opinião pública como um partido moderno.

O PSDB vestiu como uma luva o ideário da “nova UDN”. Em 1989, liderado por Mário Covas, que parecia um pássaro fora do ninho, por ter posições à esquerda do partido, o PSDB foi às urnas e no segundo turno até subiu no palanque de Lula, candidato do PT, quando este disputou com Collor. No segundo turno, a grande maioria dos votos do PSDB foi para Collor.

Collor teve o apoio majoritário da “nova UDN”, que se referenciava no PFL, no PL e no PSDB, em verdadeiro revival da era lacerdista. Era o voto anti-Lula. Aquela parte que se engajou na eleição do “caçador de marajás” queria ver “Frei Damião andando de jet-ski”, como disse Mercadante, quem sabe, exportar Padre Cícero robotizado. Ou seja, a “velha UDN”, que veio do interior para os grandes centros urbanos, em tempos idos, deixou aflorar seu desejo de ser norteamericana, enfim, pertencer ao primeiro mundo e, quem sabe até dar a mão a um astronauta e sair por aí, a passeio, pelo espaço sideral. Queria se desgarrar definitivamente do outro Brasil, aquele da herança colonial, das pessoas invisíveis. Esse parece um desejo latente da “nova UDN”.

Nos anos 90, quem defendia interesses nacionais era chamado de dinossauro, xenófobo e outros adjetivos não menos pejorativos. A ordem era globalizar, seguindo orientações das agências internacionais que pregavam o chamado “Consenso de Washington”. Collor foi afastado sob acusação de corrupção, sobretudo, por falta de confiança das grandes corporações financeiras internacionais, que tinham projetos prontos para compra das estatais brasileiras e realização de outros negócios no país. O PSDB tratou de articular a herança do legado político do governo Collor. Começou um namoro firme com o PFL. Noivou, casou-se em 1994, e do casamento nasceram dois mandatos para Fernando Henrique Cardoso. Casamento perfeito. A “nova UDN” urbana, representante do capitalismo financeiro, foi ao altar, sob as bênçãos do império.

O PFL reúne desde o setor financeiro, passando pelas corporações dos meios de comunicação até o agronegócio. O PSDB entrou com a tecnocracia formada em famosas escolas internacionais como a escola de Chicago e de Harvard, com apoio do sistema financeiro nacional e internacional, que tinham seus interesses, evidentemente, na moeda e no livre mercado comercial (ALCA), desde que a meca fosse os EUA.

Um modelito estadunidense

Esse casamento é a cara da “nova UDN”, cuja estética pode ser percebida nas grandes cidades litorâneas do país, que se transformaram em caricaturas de Miami. Já as cidades do interior, andam com a cara do Texas. Os rodeios dão o tom da música, da vestimenta e do comportamento. Essa estética pode ser vista também em coisas simples como num maço de cigarros de palha fabricado em Minas Gerais. O maço é ilustrado, na parte frontal, com desenho de um cowboy de chapéu texano, óculos Ray Ban, calça e jaqueta jeans. Um modelito estadunidense. Por que não um mineiro pescando num rio, fumando seu cigarrinho de palha? Outro exemplo é a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma caricatura de Miami. Lá tem até estátua da liberdade.

Esse pequeno exemplo parece suficiente para imaginar o ideário da “nova UDN” em ebulição no Brasil. No parlamento e na grande imprensa é fácil ver Carlos Lacerdas inconformados com o novo Brasil, espalhando preconceitos, principalmente o preconceito de classe, numa rede de comunicação conservadora, autista, fora do contexto, presa num discurso dos anos 90, atrasado, superado pelos fatos que culminaram na crise financeira internacional atual.

A imprensa conservadora, num verdadeiro ciclo de retroalimentação com a “nova UDN” constrói um outro Brasil só para eles. Tanto que atacaram o presidente Lula e o seu governo durante os dois mandatos e ele está com 80% de aprovação. Entretanto, nunca se debateu tanto os problemas do país como hoje. Foram realizadas mais de 90 conferências setoriais, na maioria das vezes ignoradas ou atacadas pela imprensa. Educação, saúde, meio ambiente, cultura, comunicação, defesa civil, enfim, as conferências mobilizaram milhões de brasileiros desde os municípios, passando pelos estados até as conferências nacionais de cada setor. Existem outras redes de comunicação construídas pelos movimentos que debatem as políticas públicas do governo e dinamizam a informação. Existe outro Brasil emergindo e rompendo com as cercas que o isolaram por tantos séculos. É esse Brasil que causa tanto incômodo à “nova UDN” e a faz tão raivosa.

Na eleição de 2006, causou perplexidade a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o Brasil estaria precisando de um novo Carlos Lacerda. Essa declaração escapou num ímpeto de intolerância, quando se confirmava a força da liderança de Lula ao resistir os ataques da “nova UDN” e revelar seu favoritismo nas urnas. O Brasil não é mais o mesmo. Esse caminho não tem mais volta. Resta saber se a “nova UDN” sobreviverá.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Blog do Miro: O sentido histórico de uma candidatura

Reproduzo artigo de Marco Aurélio Weissheimer, publicado no sítio Carta Maior:

O primeiro programa de TV da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República calou fundo. E a emoção que despertou não foi resultado de um truque de marketing. A excelência técnica, neste caso, foi submissa ao sentido histórico da candidatura. Entregou-se por inteiro, de joelhos – a qualidade de imagem, de edição, de som, de roteiro –, para narrar um pedaço da história recente do Brasil e para apresentar uma importante personagem dessa história. A imagem de abertura é simples e poderosa: uma estrada, um veículo e somos convidados a seguir em frente com as nossas crenças, paixões e compromissos. Essa jornada, no programa, não é uma invenção aleatória, mas sim um trajeto muito bem situado historicamente. Tem passado, presente e futuro. E estabelece nexos entre eles.

Há vários detalhes que devem ser destacados. Nos programas vitoriosos de Lula, em 2002 e 2006, a ditadura militar não foi tema no debate eleitoral. Agora, aparece já no primeiro programa de Dilma. Por duas razões. Os adversários de Dilma querem usar contra ela seu passado na luta armada contra a ditadura militar, apresentando-a como uma “terrorista”. O expediente, explicitado didaticamente na capa da revista Época, já depõe contra o candidato José Serra que, supostamente, também foi perseguido pela ditadura militar. Se não foi supostamente, ou seja, se foi de fato, não deveria jamais autorizar esse tipo de argumento autoritário e aliado do fascismo que governou o país por aproximadamente duas décadas.

Mas o tiro da Época saiu pela culatra e ajudou a consolidar, na figura pública de Dilma, uma dimensão histórica que não era desejada por seus adversários (não deveria ser ao menos). A capa da revista vai, entre outras coisas, inundar o país com milhares de camisetas como a fotografia de uma mulher que entregou-se de corpo e alma na luta em defesa da democracia. Então, ela não é apenas uma “gerentona linha dura”, sombra de Lula, sem história nem passado. A candidata não só tem passado, como o resgate desse passado parece incomodar o candidato Serra, ele também, supostamente, um resistente da ditadura.

Isso não é pouca coisa. Como tantos outros brasileiros e brasileiras valorosos, Dilma participou da resistência armada contra um regime criminoso que pisoteou a Constituição brasileira e depôs um presidente legitimamente eleito. E a palavra legitimidade adquire um sentido muito especial neste caso. A transição da ditadura para a democracia, como se sabe, ocorreu com muitos panos quentes e mediações. Muita coisa foi varrida para debaixo do tapete por exigência dos militares e seus aliados civis conservadores. E agora, uma filha da geração dos que lutaram contra a ditadura apresenta-se como candidata a disputar o posto mais alto da República. Mais ainda, como candidata a dar prosseguimento ao governo do presidente com a maior aprovação da história do país. Um presidente saído das fileiras do povo pobre, sindicalista, que também participou da luta contra o regime militar e ajudou a acelerar a transição para a democracia.

Dilma representa, portanto, a linha de continuidade de uma luta interrompida pelo golpe de 1964, retomada no processo de redemocratização e que hoje materializa-se em um governo com aproximadamente 75% de aprovação popular. Ela representa também a possibilidade de outras retomadas para fazer avançar a democracia brasileira. Em outras palavras, é uma candidatura com sentido histórico bem definido, um sentido que remonta a um período anterior inclusive ao golpe militar de 1964. Quando Dilma diz que olha o mundo com um olhar mineiro e que pensa o mundo com um pensamento gaúcho, não está fazendo um gracejo regionalista, mas sim retomando uma referência histórica que remonta à primeira metade do século XX e que, ainda hoje, causa calafrios nas elites econômicas e políticas de São Paulo.

Essas são algumas das razões pelas quais o programa de Dilma calou fundo. Ele fala da história do Brasil, de algumas das lutas mais caras (na dupla acepção da palavra, querida e custosa) do povo brasileiro, de vitórias e derrotas. Isso transparece em suas palavras e em seu olhar. Há verdade aí, não invenção de propaganda eleitoral. Ela viveu aquilo tudo e tem hoje a oportunidade de conduzir o Brasil nesta jornada, na estrada que nos leva todos para o futuro.

Passado, presente e futuro não são categorias isoladas e aleatórias. Um não existe sem outro. São diferentes posições que assumimos nesta estrada que aparece no programa. É um programa que cala tão mais fundo quanto mais percebemos os elos de ligação nesta jornada e a oportunidade histórica que essa eleição oferece de religar alguns fios dessa trama que, em função de algumas doloridas derrotas, acabaram ficando soltos pelo caminho.

FONTE: Blog do Miro

Nassif: ELEIÇÕES - O desdobramento das pesquisas eleitorais

Nassif esquadrinha perfeitamente o futuro oposicionista brasileiro. O resultado é lamentável pois os que se acostumaram, guardadas as devidas proporções, a ser governo a vida toda não soube, não sabe e provavelmente jamais saberá se comportar positivamente neste jogo maravilhoso chamado "Democracia" fazendo parte da oposição. Seria cômico se não fosse trágico!

Com a palavra Luis Nassif:

A grande tragédia política dessas eleições será o fim quase completo da frente PSDB-DEM, a única que poderia oferecer uma oposição consistente ao novo governo, que será empossado em 1º de janeiro de 2011. Não existe governo, por mais virtuoso, que resista a um mandato sem oposição. E este é o risco que o Brasil corre, com os erros cometidos pela oposição nas atuais eleições. A avaliação é de João Francisco Meira, diretor-presidente do Instituto Vox Populi.

Em meados do ano passado, a partir de conversas com Meira e de reflexões próprias, parlamentares do DEM – como o ex-deputado Saulo Queiroz – alertaram para as dificuldades que haveria em uma provável candidatura José Serra. Estava claro para eles a quase impossibilidade de vitória de Serra, por um conjunto de fatores.

O alerta de nada adiantou.

Em março, durante Congresso da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), Meira alertou mais uma vez que a eleição já estava decidida para Dilma Rousseff. Tanto o Vox Populi quanto o Instituto Sensus trabalhavam com modernas técnicas de pesquisa, visando antecipar tendências do eleitorado.

A metodologia era simples. Parte relevante do eleitorado não sabia ainda que Dilma era candidata de Lula. Mas certamente saberá no dia das eleições. A técnica consistia em antecipar aos pesquisados as informações. A partir daí, se chegaria a um resultado muito mais próximo do resultado final das urnas.

No encontro, houve um forte questionamento do Instituto Datafolha, para quem pesquisas não deveriam antecipar tendência.

É uma bela discussão conceitual. O que interessa em uma pesquisa eleitoral: saber qual o resultado se a eleição fosse hoje ou tentar antecipar o resultado final da eleição? A fronteira da pesquisa de mercado é justamente antecipar tendências, explica Meira.

Nos meses seguintes, um inferno se abateu sobre os Institutos que seguiram essa nova metodologia – Sensus e Vox Populi. Foram atacados pelos jornais.

O momento mais dramático dessa história foi quando, estimulado pelas matérias da Folha, o PSDB entrou na justiça eleitoral exigindo a auditagem da pesquisa do Sensus. O Instituto amanheceu com um estatístico convocado em São Carlos, com a polícia, para garantir a vistoria, e com um repórter da Folha (empresa proprietária do Datafolha) para escandalizar o acontecimento.

Não se encontrou nenhuma irregularidade na pesquisa. Mais que isso, à medida que os dias iam passando, confirmava-se integralmente o acerto do Sensus e do Vox.

O próximo desafio de Meira será produzir um trabalho acadêmico a respeito das conseqüências do viés das pesquisas. Em um primeiro momento, aumentou a desinformação da opinião pública. Agora, há muita gente perplexa com um resultado que já era previsível desde o ano passado.

Ao comprar a ideia de que Serra era competitivo, contra toda a evidência de um ano atrás, a oposição acabou indo para o caminho que Lula queria.

Meira equipara esse episódio às grandes tragédias shakespeareanas, de desdobramentos terríveis quando se toma a decisão errada na política, na guerra e no amor. Os fatos acabam voltando no meio da sua testa, com fúria redobrada.

Caminhos alternativos

Se não se tivesse embarcado nessa armadilha das pesquisas com viés, a oposição teria tomado outro caminho. Constataria que Lula inaugurou um novo tempo na política brasileira e tentaria se adequar a esse novo cenário, pensando em um pacto progressista, que permitisse reformas estruturais do Judiciário, reforma fiscal, estrutura tributária. Não venceria as eleições, mas sairia preservada.

A queima das caravelas

Em vez disso, queimaram-se as caravelas e se chegou ao final da tragédia, com a aniquilação quase completa da estrutura DEM-PSDB. Vai sobrar Aécio Neves, em Minas, Kátia Abreu em Tocantins, talvez Roseane Sarney (embora no PMDB) no Maranhão. Cesar Maia corre o risco de não se eleger, assim como Agripino Maia e outros caciques. A nova geração de centro-direita, esperança de um revigoramento da oposição, será arrasada nas eleições.

O final da tragédia

Levará no mínimo oito anos para se recompor a oposição, com todos os inconvenientes que trará para o aprimoramento democrático do país. O final da tragédia será em São Paulo. Geraldo Alckmin será eleito, possivelmente com folga. Mas há grande probabilidade de Serra perder no seu próprio estado, a partir do qual se produziu a fantasia que liquidou com a oposição em todo país.
Fonte: Luis Nassif online.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Horário Eleitoral: Agora é tudo ou nada!

Dentre as diversas opiniões que lí ao navegar pela blogosfera ou portais da internet de maneira geral repercutindo e analisando a inauguração do horário eleitoral gratuito para as eleições 2010, um que particularmente me chamou muito a atenção foi o de Luiz Carlos Azenha do Viomundo, o qual reproduzo abaixo.

Dentre os demais lidos que também demonstraram elevado nível de conteúdo e informação, este a meu ver é o que descreve da melhor maneira possível a realidade histórica que vivemos neste momento democrático brasileiro.

João Santana acerta no essencial para o PT: Dilma é Lula



por Luiz Carlos Azenha
Trinta anos de experiência como repórter de TV me permitem dizer que televisão é emoção e calor humano. Se a internet se baseia na escrita e, portanto, é o meio da razão, na TV as palavras são subsidiárias. Elas se prestam apenas a sustentar o que vemos na tela. Michael Deaver, o marqueteiro do presidente Ronald Reagan nos anos 80, costumava dizer — para desespero dos jornalistas que eram setoristas na Casa Branca — que não se importava com o texto das reportagens de TV sobre Reagan, desde que ele controlasse as imagens. E ele controlava. As aparições de Reagan eram milimetricamente organizadas para ressaltar o melhor ângulo, a melhor luz e um cenário que reforçasse as palavras do presidente.

Curiosamente, o presidente septuagenário era vendido como um jovem a energizar um país que lidava com a sindrome da decadência relativa. O “vigor” de Reagan não derivava de seu estado de saúde (ele tinha enfrentado vários problemas, inclusive câncer de pele), mas da associação do presidente aos caubóis míticos do Oeste. Sempre que aparecia em seu rancho Reagan tinha nas mãos alguma ferramenta a sugerir que estivesse preparando terreno ou cortando lenha. Em viagens para o interior, dava entrevistas ou fazia discursos cercado por fardos de feno. Usava chapéu, botas, cinturões e a camisa de flanela xadrez dos interioranos.

Não por acaso, Reagan foi chamado de presidente de teflon. É como se ele tivesse sido recoberto por uma película impermeável a críticas.

As pessoas simplesmente não conseguiam atribuir a ele os problemas enfrentados no dia-a-dia — e não eram poucos. Reagan presidiu um período de precarização das condições de trabalho, de concentração de renda e de ganhos extraordinários para os de cima. Mas se elegeu, se reelegeu e fez o sucessor.

O perigo do marketing eleitoral reside justamente nisso: em dissociar a disputa eleitoral da disputa política entre distintos projetos de governo.

Foi penoso ouvir hoje o candidato José Serra dizer, no debate do UOL, que dedicou a vida a beneficiar “a não-elite”. Aparentemente, o candidato tem dificuldades em dizer que ajudou os pobres.
Do outro lado, Lula não tem qualquer dificuldade em dizer e mostrar que ajudou os pobres.
Foi esse o eixo do programa eleitoral da candidata Dilma Rousseff que assisti e que reproduzo acima.

Para os fins a que se destina o programa, ganhar uma eleição, foi muito bem feito.
Motivos:
1. Didatismo ao apresentar os resultados do governo Lula;
2. A ênfase em mudança com continuidade, que tira oxigênio da oposição — normalmente associada à ideia de mudança;
3. Imagens de avanço em linha reta, que sugerem ir em frente sem rompimento;
4. Cenas de intimidade de Lula, nunca vistas antes, sugerindo que Lula está abrindo sua intimidade ao eleitor que está em casa;
5. A exploração do sentimento de saudade de Lula, de forte apelo emocional, conectada à passagem de bastão para a sucessora.

Além disso, como vacina preventiva, o programa uniu as biografias de Lula e Dilma, ao enfatizar que ambos foram vítimas do regime militar.
Podemos discordar do conteúdo informativo do programa, mas como peça de televisão e de marketing foi brilhante.

É preciso considerar que o povo brasileiro não é politizado e que o próprio governo Lula, ao longo dos dois mandatos, não investiu nessa politização.

A relação da grande maioria dos brasileiros com a política é de desdém, para não dizer que é hostil.
Ao presidir avanços incontestáveis — no salário mínimo, nos empregos com carteira assinada, no acesso à universidade, nos programas sociais –, Lula se destacou deste quadro geral.

Apesar das incontestáveis carências do Brasil, de nossa imensa dívida social e dos muitos erros do governo Lula, o presidente da República rompeu com a ideia de que política não importa.
Para alguns milhões de brasileiros, beneficiados diretamente pelo governo dele, política passou a importar.

O apelo essencial do programa de João Santana ficou claro: Lula fez e Dilma é Lula.

FONTE: VIOMUNDO

Marco Aurélio Melo: Direto ao Ponto!

A turma do contra

Não sou radical. Nunca fui. Aliás, passei minha infância e adolescência aprendendo a encontrar um caminho para o diálogo, como forma de evitar conflitos, explosão e ruptura. Ainda hoje, quando o país parece andar nos trilhos, com um presidente que deixará o poder com popularidade maciça, na casa do 80%, me inquieta as vozes dos que falam para poucos, perfilados do outro lado do muro, algo em torno de 5%. Tento entender que razões há para tanta inquietação e medo. Será que eles (e só eles) vêem o que ninguém vê? Será que vislumbram um caos que só eles conseguem enxergar, oito anos depois de um governo petista? O que suas vidas demonstram - curiosamente - é que perfilados com eles estão os verdadeiros donos do poder político e econômico nos últimos 100 anos, no minimo! E me pergunto por que seus discursos estão cheios de ódio, preconceito e intolerância? O que eles perdem, quando tantos ganham? Há pouco lia a coluna de Arnaldo Jabor, no Estadão. Sim, de vez em quando leio Jabor, sempre que posso vejo Noblat, Kibe Loko e outros críticos de oposição ao Governo. Não tenho medo de conhecer o contraditório, nunca tive. Acho que a crítica é necessária, porque a unanimidade é burra, como nos alertava Nelson Rodrigues. É claro que precisamos fiscalizar o poder e os governantes. Afinal, todo adesismo entusiasta é perigoso, mas a questão não é esta. Uma sociedade em mudança tão rápida quanto a nossa traz à cena novos atores, personagens esquecidos, ou que não tiveram oportunidade de aparecer antes. Eles passam a dividir a atenção com os galãs e as madames de outrora e isso é o que mais os incomoda. A turma dos cinco por cento não gosta e não está acostumada a dividir, por vaidade, egoísmo ou soberba. É difícil mesmo. Dividir significa renunciar uma parte e se regojizar em ver o outro usufuir a parte que você acabou de deixar de ter. E é contra esta lógica distributiva que eles se insurgem. E é contra esta nova competitividade que eles se levantam. Lamento mas sim, nós podemos!

Globo continua a mesma, mas o país mudou...

Ao completar 45 anos de atividades, a Rede Globo tentou colar sua marca a candidatura de José Serra no intuito de levá-lo a presidencia da republica.

Na oportunidade um video comemorativo dos seus 45 anos - (45 é o número do Serra/PSDB) - e um desfile dos mais renomados globáveis afirmando que "O Brasil pode Mais" - (mesmo slogan da campanha do Serra) veio confirmar abertamente quem seria, é e sempre será o candidato preferido da Toda Poderosa:
Qualquer UM que não seja do PT ou demais partidos representantes das classes sociais abominadas pela galera do Cosme Velho.

A Globo definitivamente comprova que apesar de viver das mazelas do povo, odeia o povo!

Abaixo post lido no Blog do Miro:

Reproduzo artigo de Idelber Avelar, publicado no sítio da Revista Fórum:

William Bonner e Fátima Bernardes com certeza não terão percebido a ironia involuntária, mas os grotescos espetáculos das entrevistas (agressiva e mal educada) com Dilma Rousseff e (subserviente e omissa) com José Serra marcaram a “maioridade”, por assim dizer, o vigésimo-primeiro aniversário da manipulação mãe de todas, a fabricação de outro debate Lula x Collor (diferente do debate que aconteceu) nas salas de edição de vídeo das Organizações Globo em 1989. O show de grosseria com Dilma e o show de subserviência com Serra foram indicação de que tudo continua o mesmo na Globo, mas tudo mudou no mundo que a rodeia. O seu poder de moldar a realidade nem de longe é o mesmo.

Aqui, como em qualquer outro campo, não convém ceder ao otimismo exagerado. De todos os conglomerados máfio-midiáticos do país, a Globo é o única que mantém inegável capilaridade nacional e poderes de fogo e de barganha. Não é absurdo supor que ela foi a principal causadora da ida das eleições de 2006 para o segundo turno, com as bombásticas fotos ilegalmente obtidas de um delegado da Polícia Federal, cuja exibição exigiu que o Jornal Nacional ignorasse o maior acidente aéreo da história do Brasil.

Mas de 1989 a 2006 a 2010 o país cumpriu um ciclo, amadureceu e não é absurdo supor também que, para a maioria dos telespectadores da entrevista com Dilma Rousseff, tenha sido William Bonner quem “pagou o mico”, pareceu sem argumentos, desequilibrado e anti-jornalístico. Dilma, que havia conseguido no debate da Band um 0 x 0 que já havia estado, para ela, de bom tamanho, deu um salto no JN: educada e ao mesmo tempo firme (para lidar com tantas interrupções), amparada nos números, sabendo diferenciar fatos de factoides, a candidata marcou—e acho que pouca gente comentou isso—uma data histórica para a mulher brasileira na política.

Foi o dia em que uma candidata a presidente enfrentou ao vivo a oposição do conglomerado midiático, temperado com sexismo, respondeu à altura e deixou o atacante dando vexame, ao ponto de que a co-âncora tenha tido que lhe dar um cala a boca, com um gesto que nitidamente dizia deixe que eu a interrompo agora, você está fazendo papelão.

O fato dos co-âncoras serem um casal (o casal da TV brasileira) acrescentava um delicioso toque de ironia ao momento. Se essa não foi uma noite histórica na luta contra o sexismo na política, não sei o que foi. Portanto, ao se criticar a Globo e notar o vexame de Bonner, não há que se perder de vista o que disse NPTO no Twitter: De qualquer maneira, para quem viu 89, ver agora o JN com os caras ao vivo, sem edição, é um progresso imenso. A Globo não mudou nada mas, no mundo ao seu redor, esse “progresso imenso” fez com que o embate desta vez se desse em condições muito mais favoráveis. O jogo está longe de ter terminado, mas as trapalhadas da candidatura Serra são tais que já há indícios (não no JN, claro, mas na GloboNews) de que a própria Globo está pronta para desembarcar. É claro que, se há uma coisa que a história recente ensina, é que é sempre bom estar atento e forte.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Achar que o povo é idiota sempre foi o principal papel dos formadores de opinião

Seriam os formadores de opinião realmente tão formadores de opinião assim?
Pergunto isso porque é indiscutivelmente estranho e soa como desbunde o confronto do noticiário da grande mídia e a realidade vivida por milhares de pessoas no seu dia a dia de cidadão brasileiro.

Certo sujeito assiste ao telejornal e é informado que o governo Lula é um "trapalhão" no quesito relações exteriores e que seu governo é um fiasco absoluto. Afirma que Lula (e o Brasil) é amigo do Chaves da Venezuela e do ditador (isso ditador) iraniano Ahmanidejad (o que a maioria nem sabe ao certo pronunciar) e isso é um perigo porque os EUA são inimigos do Irã e não gostam do Chaves.

Mas no dia seguinte esse sujeito vai até uma concessionária de veículos comprar o seu tão sonhado carro zero Km e é recebido com as melhores ofertas e facilidades de crédito jamais vistas no país e dessa maneira pode realizar um sonho que até então não havia sido possível. Então muito feliz pela aquisição ele se dá conta de que algo mudou no país, na sua vida e na de outras pessoas ao seu redor.

Será mesmo que esse sujeito é realmente um idiota como pensam os formadores de opinião do PIG ao centrarem fogo cerrado contra o presidente mais bem avaliado em toda a história da nossa república?

MÍDIA - O que teria sido, se não fosse.

Do Blog do Emir.

Este é um momento bom para ler a imprensa – que é a pior coisa que o Brasil tem. Um momento cômico.

Como explicar que, tendo razão em tudo o que escrevem há anos, e dispondo de um candidato insuperável, contra um “poste”, se aproximam de uma catástrofe irremediável?

As explicações não faltam, algumas conhecidas, outras criativas. A imaginação e a racionalização não têm limites para quem não quer reconhecer que estão de costas para a realidade.

Para alguns, apegados a uma leitura esperançosa do final do primeiro turno de 2006, nem tudo estaria perdido. Não se dão conta do que mudou de 2006 para 2010 no Brasil. Se apóiam na suposta onipotência da manipulação midiática, que lhes rendeu frutos, quando a Globo deixou de dar o até então mais grave acidente aéreo no Brasil, para ressaltar um foto que teria lhes rendido o segundo turno. Não se dão conta que o seu repertório se esgotou – repetem “a terrorista”, as Farc, etc., etc., - e já não surte efeitos.

É que o problema de fundo: a situação social do país mudou e isso é o fator fundamental da vitória da Dilma. às vezes tentam negar o óbvio – os programas sociais do governo são uma farsa – outras, se atribuem os méritos – fomos nós (eles) que estabilizamos a economia e começamos essas políticas. Então resta ao povo mal agradecido ou enganado, não reconhecer esses méritos.

Desalento, bronca com os partidos do bloco direitista, denúncia da suposta utilização da máquina do Estado – esse o tom atual, quando a derrota de avizinha de forma irremediável. Artigos dirigidos diretamente ao candidato, à direção dos partidos que o apóiam. Outros, de ódio, dirigidos ao Lula, à Dilma, aos que a apóiam.

Mas o principal é que lhes falta a consciência de classe do que fizeram com este país ao longo do tempo. Com ditadura e com democracia, com a direita tradicional e com a nova direita, com os militares, com Sarney, com Collor e com FHC. Governavam aparentemente sem riscos, primeiro com a força das armas, depois com a força dos monopólios, em particular com a da imprensa. Quase tudo parecia sob controle.

A virada internacional de 1989 lhes deu ainda mais segurança de que seus tempos seriam infinitos. A esquerda parecia derrotada e desmoralizada. Já não era necessário nem o Estado de bem estar social, nenhum risco os assustaria mais. Poderiam aparecer agora como os “modernos”, deixaram para os outros o passado, acusá-los de “jurássicos”.

Foram vitimas dos seus próprios enganos. A esquerda nasce e renasce das próprias contradições do capitalismo, o socialismo é antes de tudo o anti-capitalismo. Inconscientes, promoveram o capitalismo no seu estado mais puro: a generalização das relações mercantis. Chega de Estado, de regulação econômica, de políticas sociais, de concessões a forças populares que já não teriam futuro. Trataram de fazer com que, definitivamente, nossas sociedades passassem a ser verdadeiros shopping-centers, em que tudo se vende, tudo se compra, tudo tem preço, tudo é mercadoria. Voltada para poucos, mas exibindo as riquezas e o luxo para todos, para mantê-los atrelados à quimera de um dia ter acesso e acenando sobre a única felicidade possível – a de ter acesso a esses bens de ultima geração.

Até intelectuais, outrora críticos, foram se conformando a ter que conviver com o capitalismo, que passava a parecer então um destino inexorável. Optam pelo liberalismo, como se se tratasse da forma mais “civilizada” do capitalismo, dão as costas para a grande maioria da nossa população, produzida e reproduzida como pobre pelo capitalismo.

A mídia coopta os que se deixam levar pela vaidade de uma aparição pública, ao preço de voltar-se contra a esquerda, contra os sindicatos, contra as lutas populares. No caso do Brasil, contra o governo Lula, contra o PT, contra as centrais sindicais, contra o MST, contra as universidades públicas, contra tudo que apareça como alternativa à sociedade mercantil que eles produzem e reproduzem.

Há um coro de choradeira, de desalento, de frustrações, que prenuncia uma derrota de grandes proporções.

Eles não podem se dar conta do essencial: os brasileiros caíram na real. Se deram conta que o principal problema do país é a desigualdade, a injustiça. Se deram conta, na comparação entre o governo FHC e o governo Lula, das diferenças substanciais, em todos os planos, a favor deste. Que o primeiro governou para poucos e que Lula governa para todos, privilegiando os mais necessitados. Simples. Inquestionável. Essa a causa do apoio inédito do governo Lula e da liderança da Dilma nas pesquisas.
Fonte:Blog do Emir

Horário Eleitoral Gratuito - Uma obrigação dos Concessionários de Telecomunicações

Começou a fase que a mídia terrorista adora falar mal. O horário político gratuíto. Só que eles não explicam que este horário gratuíto na verdade é uma obrigação da parte deles em conceder, já que são concessionários das telecomunicações do país. Mas como eles adoram falar mal da política em geral - da qual eles são os maiores beneficiários - fazem um jogo duplo. O primeiro de vender uma falsa imagem da realidade a população e o segundo de pousarem de paladinos da moral e da ética e coitadinhos que precisam ceder seu espaço na programação para os políticos.

Quem não os conhecem, que os comprem. PIG cada dia mais pig!

Mas vamos ao que interessa. Abaixo post lido no Conversa Afiada.

Programa de Serra
no rádio começou mentindo


    Como é que ele saiu do Allende direto para os EUA ?

    O Conversa Afiada reproduz post do blog Amigos do Presidente Lula:

    Programa no rádio de Serra começou mentindo

    A propaganda no rádio de José Serra (PSDB/SP) foi inaugurada com mentiras.

    A primeira delas foi quando tentou contar uma estorinha de que o demo-tucano “estudou em escola pública”… É uma forma de escamotear a verdade, porque o curso mais caro e supostamente mais importante da carreira dele, foi numa universidade privada nos Estados Unidos.

    Ciro Gomes foi desconstruído pela imprensa em 2002 por dizer o mesmo

    Na eleição presidencial de 2002, o então candidato a presidente Ciro Gomes, foi atacado por Serra e pela imprensa demo-tucana, injustamente, por uma frase enviesada, apenas por dizer que havia estudado em escola pública, quando foram 13 anos em escola pública, e apenas 3 anos do ensino médio cursado em escola particular.

    Como pau que bate em Chico, também deve bater em Chirico, vamos ver se a imprensa demo-tucana dará um tratamento pelo menos igual ao que concedeu a Ciro Gomes, em 2002.

    Aliás, Serra esconde também de sua biografia, o mistério de como o golpe de estado no Chile contra o governo de Salvador Allende, apoiado e promovido pelos Estados Unidos, abriu as portas justamente dos EUA, para um suposto militante da esquerda no Chile, na época, como era a imagem que Serra tinha.

    Biografia de Serra não tem nada de “brasileiro comum”

    Outra mentira no programa de rádio foi dizer “… o Serra tem a história de um brasileiro comum”.

    Quantos “brasileiros comuns” estudaram nas caríssimas universidades dos EUA, ainda mais na época da ditadura, e fugido de golpes de estado apoiados pelos EUA, tanto no Brasil como no Chile?

    Quantos “brasileiros comuns” arranjaram um cobiçado emprego de professor na Universidade de Campinas, sem enfrentar concurso público, por indicação de “pistolão”, ainda na época da ditadura (em 1978), e sem diploma de graduação em economia reconhecido no Brasil?