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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Filha do presidente Lula defende o pai em carta ao 'The New York Times'

Redação SRZD | Cinema | 27/01/2010 14:36
Uma das filhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta ao jornal americano "The New York Times" contestando uma reportagem publicada no último dia 11 sobre o filme "Lula, o filho do Brasil".

Segundo Lurian Lula da Silva, não é correta a informação de que o filme falhou ao não contar que o então metalúrgico abandonou a mãe de Lurian, Miriam Cordeiro, quando ela estava grávida de seis meses. "Primeiro, minha mãe não foi 'abandonada'.

Apesar do fim do relacionamento entre os dois, ele pagou todas as despesas médicas, incluindo a assistência pré-natal e parto. Além disso, ele registrou meu nascimento", declarou Lurian na carta enviada ao jornal.
Lurian recordou que nenhum filho do presidente foi citado na produção, porque a história é mais focada em sua trajetória profissional: "Por que eu deveria ser? Se o filme é sobre a trajetória do meu pai de um emigrante pobre a líder sindical. Onde meus irmãos e eu nos encaixamos? Lula é o cara!", indagou.

Em 1989, Miriam Cordeiro ficou conhecida em todo o Brasil depois de aparecer na campanha eleitoral do então candidato Fernando Collor de Mello. Ela disse que Lula ofereceu dinheiro para que abortasse. Para analistas, a aparição de Miriam na televisão foi um dos fatores que contribuiram para a derrota de Lula naquelas eleições. Lurian apareceu no programa eleitoral de Lula, para defender o pai. Miriam declarou arrependimento tempos depois.

Fonte: Sidney Rezende.com

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

NYT: "O BRASIL CHEGOU. MAS ONDE?"

Lí no Blog Democracia&Política:

"Não há marca mais quente no mercado mundial que o Brasil. Riqueza em matérias-primas, reservas de petróleo, algumas empresas de classe mundial e um presidente com uma séria reivindicação a ser o político mais hábil do mundo despertam paixão global.

Não mais considerado uma terra flagelada de samba e futebol, o Brasil é a potência do século 21 que todos querem cortejar. Vejam a concessão da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Confesso que estou esfregando os olhos. Desde que morei no Brasil, na década de 1980, fui otimista sobre as perspectivas brasileiras. Argumentei que o país deveria ser considerado uns EUA tropicais, e não apenas mais um país latino-americano.

Seu tamanho, sua capacidade de absorver imigrantes e sua cultura empreendedora o distinguem de seus vizinhos. Mas seus problemas -principalmente a pobreza e a violência- pareciam impedir uma reformulação radical da marca.

Esses problemas persistem. O recente tiroteio que deixou 40 mortos no Rio de Janeiro e derrubou um helicóptero da polícia foi dramático o suficiente para chamar a atenção à violência entre facções, que acaba com milhares de vidas todos os anos.

A pobreza e a grande riqueza estão lado a lado, com uma proximidade particular em muitas cidades brasileiras: o dinheiro da droga compra as armas que são as ferramentas (e símbolos de status) do negócio e corrompe a polícia mal paga.

Mas o capital internacional, intercambiável e móvel, ignora esse aspecto do Brasil.

Ele se concentra em outra realidade: a política estável sob Luiz Inácio Lula da Silva, uma economia que cresce 5% ao ano, um mercado de ações florescente, uma potência emergente do petróleo, um país rico em energia hidráulica e solar e pioneiro nos biocombustíveis.

O real avançou cerca de 35% em relação ao dólar neste ano. A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira.

O Brasil chegou, é o lugar aonde todos querem ir -e as crianças das favelas ainda morrem todos os dias em brigas por um par de tênis. Em certo sentido, o risco social foi descontado. Os administradores de fundos mundiais decidiram que o progresso do Brasil, sua "história de sucesso", não será desfeita pelas crianças das favelas com armas antiaéreas.

Dado que a passividade social parece ser uma condição contemporânea -a crise mundial não produziu grande rebelião social-, eles têm motivos para estar confiantes. A tecnologia amortece a raiva: ela isola e distrai.

Mas eu me preocupo. A crise global teve a ver com riscos subavaliados. Teve a ver com o contágio da dívida negociada em escala global. Teve a ver com cobiça enlouquecida entre aqueles com os meios para enlouquecer.

Foi sobre a compensação destinada a recompensar o retorno em curto prazo. Foi sobre dois mundos desconexos: o do árbitro de Wall Street e o do trabalhador de Detroit.
Um ano depois do início da crise, os mercados se recuperaram, e o capital flui novamente ao Brasil. Mas as divisões sociais são tão grandes como sempre.

Principalmente, nenhuma nova ideia sobre a economia global e suas inequidades ganhou força.

Até certo ponto, acho que o sucesso da Copa e da Olimpíada no Brasil dependerá do surgimento de um pensamento econômico factível e inovador -ou o mundo, em suas paixões, seguirá adiante cegamente."

FONTE: artigo de Roger Cohen, de Londres, publicado no The New York Times, e reproduzido hoje (02/11) na Folha de São Paulo.