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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Chega a ser hilário constatar PSDBistas que votaram na "Petista Verde" contra Dilma

                Quando se deram conta de que o Zé levaria um chocolate no primeiro turno, os muitos PSDBistas que conheço ou mesmo aquela turma que nem é favorável ao Zé, mas que se autodenomina "Anti-PT" voaram em peso para os braços da petista verde, Marina Silva que tem mais de 30 anos de história de vida ligada ao PT.

                Claro que Marina após desligar-se foi buscar vida própria e se alinhou no PV, porém não acredito que ela tenha passado por uma lagavem cerebral tão eficaz ou que tenha realmente ficado tão deslumbrada com o poder capitalista, a ponto de abandonar suas convicções esquerdistas de uma fiel lutadora pelo bem estar social.

               De que adianta pregar que devemos olhar o planeta e buscar a sustentabilidade, se utilizamos ferramentas capitalistas e econômicas que colaboram o tempo todo para exterminar a sua espécie mais importante: o ser humano?

               Sem dúvidas voar num jatinho de 50 milhões de dólares é de balançar o caráter de qualquer ser humano, ser vista e aclamada como uma celebridade sem dúvidas mexe profundamente no égo até da mais puritana evangélica, mesmo porque ela nunca foi uma Madre Tereza de Calcutá.

               Mas daí a se render definitivamente a sedução do poder e das benesses que o capital oferece em detrimento de sua conduta e posições durante uma vida toda, é outra história.

                A própria bíblia nos lembra claramente o que acontece com determinadas pessoas que são apresentadas e alçadas ao patamar da fama, luxo e dinheiro:

"Deus conhece o pensamento dos homens que são "a vaidade"Salmo 94

Abaixo reportagem do Terra:

Lula entra nas negociações por apoio de Marina a Dilma


Laryssa Borges
Direto de Brasília
Principal puxador de votos para a campanha da petista Dilma Rousseff à presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrará nas negociações em busca do apoio da senadora verde Marina Silva, detentora de mais de 19% dos votos válidos no primeiro turno das eleições e responsável por barrar a vitória da ex-ministra da Casa Civil no último domingo (3).

"A coordenação de campanha, o presidente, todo mundo vai conversar. Vamos fazer conversas com a Marina, tanto os ministros que foram colegas dela e os governadores que foram colegas dela", disse o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

"Entendemos que o eleitorado que foi às urnas no domingo votar em Marina tem muito mais identidade com a nossa história. Vamos mostrar que foi bom, por tudo que vivemos nesses últimos 40 dias de muitos ataques, sofremos. Na verdade devemos fazer uma autocrítica. Alimentamos um debate que terminou por produzir um sentimento na sociedade de que era bom ter um segundo turno para todo mundo aprender, poder fazer um debate muito mais tranquilo no segundo turno", disse o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos.

O presidente Lula, cujo temperamento de ataque ao tucano José Serra foi condenado por aliados, deverá, além de ser um dos principais interlocutores junto a Marina, retomar um clima mais ameno na segunda etapa do processo eleitoral, nos moldes do "Lulinha Paz e Amor" em 2002.

"O Brasil vai ver no segundo turno um presidente Lula muito paz, amor e vitória", disse o governador pernambucano. Ele afirmou que, em eventos da campanha, "a participação do presidente no segundo turno se dará na mesma proporção que se deu no primeiro turno".

Entre aliados, não há a preocupação de que os tucanos tenham escalado o presidente Fernando Henrique Cardoso como interlocutor junto a Marina Silva. "Toda vez que o FHC entra na campanha a gente comemora", resumiu um interlocutor de Lula.

Lição
Apesar de a candidata Dilma Rousseff ter negado um clima de "já ganhou" durante a reta final do primeiro turno, o governador Eduardo Campos admitiu que a realização de um segundo turno representa "uma lição" para a campanha de Dilma.

"Uma lição no Brasil para que a gente pudesse ter mais debate no segundo turno, esclarecesse mais. (A campanha foi alvo de) muitos ataques (...), fomos vítimas de uma campanha que lembra o século 19, uma campanha fascista de calúnias. Isso fez com que parte do eleitorado que estava nos apoiando desse um passo atrás para dizer 'eu tenho oportunidade de ter mais 30 dias de debate, por que não vou ter?' Pediram debate", disse, destacando que a nova rodada de disputa rumo ao Palácio do Planalto será "uma oportunidade de desfazer muitas das versões de uma campanha fascista que tomou conta do Brasil nos últimos dez dias, com mentiras, com agressões colocadas em relação a nossa candidata".

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Emir Sader: Contra os três grandes monopólios: do dinheiro, da terra, da palavra

Três grandes monopólios articulam as estruturas de poder das minorias na nossa sociedade e tem que ser quebrados, para que possamos seguir avançando na construção de uma sociedade econômica, social, política e culturalmente democrática.

O primeiro é o poder do dinheiro, monopolizado nas mãos de algumas instituições financeiras, nacionais e estrangeiras, que se apropriam dele para multiplicar seus lucros especulativos. As altas taxas de juros, o Banco Central independente de fato, contribuem para a manutenção e incremento desse monopólio, ao invés de colocar os recursos financeiros a serviço do desenvolvimento econômico e social de todo o país.

O segundo grande monopólio é o da terra, nas mãos de elites minoritárias que a exploram, por exemplo, sob forma de agronegócios de exportação de soja, com transgênicos, concentrando ainda mais a terra em poucas mãos, deteriorando as condições de cultivo, enquanto outros simplesmente mantém latifúndios improdutivos e uma grande massa de trabalhadores continua sem terra e não temos autosuficiência alimentar. É preciso democratizar o acesso à terra, gerar empregos e alimentos para o mercado interno, o que é feito pela pequena e média empresa.

O terceiro é o monopólio da palavra, exercido pelas famílias proprietárias da velha imprensa, que dirigem empresas sem nenhuma democracia, financiada pelas agências de publicidade e as grandes empresas que colocam anuncio nesses órgãos.

São três grandes monopólios privados, que resistem ao imenso processo de democratização em curso na sociedade brasileira. Esses monopólios têm que ser rompidos, com a democratização do uso dos recursos financeiros, da terra e dos meios de comunicação, para que o Brasil se torne, definitivamente, uma sociedade democrática.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Plínio de Arruda Sampaio: A hora da verdade

Lí no blog Viomundo do Azenha.
Simples, didático e direto ao ponto.
Assim é condensado o pensamento de Plínio de Arruda Sampaio neste artigo que sem dúvidas, vale a pena ler e refletir.

Sinceramente, há muito tempo não vejo uma frase tão maravilhosamente contruída e explicativa como a que faz parte deste artigo, destacada abaixo:

"Uma população condicionada ao conformismo não se arrisca a exigir seu direito nem consegue solidarizar- se com os demais para enfrentar coletivamente a dominação."

Ela será adicionada imediatamente a descrição do meu blog.

A hora da verdade
Por
Plínio de Arruda Sampaio

No caso das enchentes, há um bloqueio da opinião pública quanto a medidas fora daquilo que o senso comum considera razoável

Enchentes e desabamentos de morros monopolizam o noticiário. São cenas recorrentes em todos os verões, agravadas agora pelas transformações ambientais e pelo acúmulo de pessoas sem condições de morar em lugares adequados.

Recorrentes também são as críticas da oposição e as justificativas dos governos. Contudo, ambas apresentam as mesmas propostas: remoção de populações, auxílio monetário para alojamento, verbas para afundamento da calha dos rios, obras de proteção de encostas. Paliativos logo esquecidos.

O diagnóstico do problema é simples: “alagamentos decorrem da ocupação do leito dos rios; desabamentos, da ocupação de terrenos impróprios para a construção de casas. Só que não há nada a fazer, porque obviamente não é possível desocupar as casas nas áreas de risco nem construir outras para todos os moradores ameaçados. O custo ultrapassaria o limite do possível”.

Resposta padrão, repetida monotonamente para todos os demais problemas do país: violência nas favelas e morros, situação dos presos, abandono dos menores, fracasso do sistema educativo etc.
Resposta que revela a incapacidade das classes dominantes de resolver qualquer problema que implique a restrição de seus privilégios.

Mais grave, porém, é o bloqueio da opinião pública a respeito de qualquer medida fora daquilo que o senso comum considera razoável. Qualquer proposta que saia desse script é logo descartada por reducionista, propagandística, radical.

Num quadro desse tipo, não haverá possibilidade de solucionar o problema das enchentes e dos desabamentos, bem como todos os outros graves problemas que caracterizam a situação de barbárie social em que se encontra o país.

É indispensável, por isso, enfrentar esse bloqueio e propor as soluções efetivas dos problemas nacionais, ainda que, num primeiro momento, elas possam não ser entendidas pela maioria do eleitorado.
Por exemplo: no caso das enchentes, é preciso propor a desocupação da calha dos rios.

No caso das favelas, é preciso propor o adensamento da malha urbana, com a construção de edifícios para abrigar a população das áreas impróprias nas zonas centrais das cidades, perto de seus locais de trabalho.

Mas atenção! Primeiro proporcionar habitações aos moradores dessas áreas de risco, depois efetuar a operação de devolução do leito e das encostas à natureza. Novamente, atenção! Não apenas os moradores devem sair. Empresas como a Bauduco, a Votorantim e várias outras que se estabeleceram nessas várzeas também devem ser retiradas desses lugares.

Mas e o dinheiro para isso? O dinheiro virá das mesmas fontes que irrigaram o sistema financeiro para evitar o colapso dos bancos e para premiar especuladores.

Uma população condicionada ao conformismo não se arrisca a exigir seu direito nem consegue solidarizar- se com os demais para enfrentar coletivamente a dominação.

Caio Prado Jr. e Celso Furtado mencionaram várias vezes que o maior problema brasileiro era a ignorância acerca de suas limitações e de suas possibilidades. Por isso, alimenta ilusões de grandezas que não tem e descarta as ações que estão dentro das suas possibilidades.

Dispomos de todos os recursos necessários para resolver o nosso gravíssimo problema social. Mas, como esses mesmos autores esclareceram, a decisão de resolver os problemas implica o enfrentamento com adversários externos e internos e, consequentemente, o risco de sofrer retaliações.

É o preço da independência. Um povo que descarte essa hipótese, na verdade, não a merece.

PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO 79, advogado, é presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária) e Diretor do “Correio da Cidadania”. Foi deputado federal pelo PT-SP (1985-91) consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

Fonte: Folha de São Paulo/Tendências e Debates

Lido no Viomundo