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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Azenha: São Paulo não consegue escoar chuva recorde
Aqui em São Paulo sabemos o motivo: o governador José Serra não fez a limpeza da calha do rio Tietê, não fez a manutenção da obra entregue por seu antecessor do mesmo partido, Geraldo Alckmin.
Como todos os caminhos fluviais de São Paulo levam ao rio Tietê, se o Tietê não dá vazão, os afluentes do Tietê transbordam.
É em parte por isso que o Tamanduateí transbordou, que o riacho do Ipiranga transbordou, que o próprio Tietê transbordou quatro vezes, três delas sob o governo de José Serra.
É por isso que, ao transbordar, o Tietê e outros rios espalharam coliformes fecais pela cidade, inclusive no grande centro de abastecimento de frutas, legumes e verduras, a CEAGESP.
Por isso e pelo fato de que a Sabesp joga o esgoto nos rios da cidade, embora faça propaganda milionária de seus serviços por todo o Brasil como se estivesse levando saúde aos paulistas.
É isso mesmo: a Sabesp ajuda a criar a mistura explosiva que escorre nos rios que atravessam São Paulo. À água dos rios se junta a água da chuva coletada pelas galerias pluviais da cidade e mais a água do esgoto coletado pela companhia de "saneamento"!
Ou seja, São Paulo não só não consegue escoar a chuva recorde, como a mistura com o esgoto e a transporta por rios assoreados que transbordam e distribuem água + coliformes fecais pelas ruas, avenidas, casas, parques, instalações industriais, comerciais e de abastecimento da população.
FONTE: Viomundo - Luiz Carlos Azenha
sábado, 30 de janeiro de 2010
Azenha: Empreiteira tem incentivo para manter reservatórios cheios
A empresa privada que controla os reservatórios do Alto Tietê tinha incentivos para manter as represas cheias mesmo antes do início do período de chuvas em São Paulo: ela recebe da Sabesp pelo fornecimento de 10 metros cúbicos de água tratada por segundo.
Isso fica claro no anúncio do fechamento do contrato, feito no Diário Oficial do Poder Executivo de 28 de fevereiro de 2009, um sábado.
Está lá, na capa: Estação de Taiaçupeba terá produção ampliada em 50% num prazo de dois anos.
Diz o texto, assinado por Otávio Nunes, da Agência Imprensa Oficial:
"A estação de tratamento de água (ETA) Taiaçupeba, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em Suzano, terá sua produção aumentada em 50% em dois anos, passando dos atuais 10 metros cúbicos por segundo para 15 metros cúbicos. Quando estiver pronta, será a segunda maior da empresa e irá responder por 15% da água consumida na Região Metropolitana de São Paulo. Hoje é a terceira, superada pelas ETAs Guaraú (Sistema Cantareira), com 33 metros cúbicos por segundo, e pela Alto da Boa Vista (Guarapiranga), que trata 14 metros cúbicos por segundo, ambas na capital. Outra novidade: a obra é a primeira da Sabesp feita na modalidade Parceria Pública e Privada (PPP)."
"A ETA Taiaçupeba é responsável pelo tratamento da água proveniente do Sistema Alto Tietê. Hélio Castro conta que todo este manancial é formado por cinco represas que armazenam água do Tietê e de seus afluentes locais, como os rios Jundiaí, Biritiba, Paraitinga e Taiaçupeba, onde está a estação, em Suzano.
A ligação entre as represas e as lagoas de tratamento de Taiaçupeba é feita através de canais e dutos. A obra, iniciada em meados de fevereiro, será tocada pelo consórcio CabSpat, formado pela Galvão Engenharia e Companhia Águas do Brasil (Cab Ambiental). O pool de empresas irá investir R$ 300 milhões nos dois primeiros anos de contrato na ampliação de Taiaçupeba e, também, na construção de 17,7 quilômetros de adutoras (canalização) de 400 a 1,8 mil milímetros de diâmetro e quatro reservatórios para armazenar 70 milhões de litros de água tratada, no processo de disposição final do lodo dos decantadores, na manutenção eletromecânica, na barragem e ainda nos serviços auxiliares de adução e entrega da água. O contrato tem validade de 15 anos".
"Nos dois primeiros anos de contrato, a parceira receberá da Sabesp valor contratual sobre 10 metros cúbicos por segundo de água tratada. Após a conclusão da obra, prevista para fevereiro de 2011, o pagamento será calculado com base no novo volume de tratamento em Taiaçupeba, de 15 metros cúbicos por segundo."
"Vantagens da PPP – O engenheiro Hélio Castro aponta as vantagens da modalidade PPP. Ele diz que a Sabesp não precisará arrumar verba para o empreendimento, ganhará experiência para participar de obras em outros países ou Estados brasileiros, dentro do novo modelo de parceria, e o consórcio trará novidades tecnológicas para o setor de tratamento de água. “Além disso, se a Sabesp tocasse sozinha a ampliação de Taiaçupeba pelo modelo tradicional, não conseguiria concluí-la em dois anos, devido aos processos de licitação que seriam realizados no período e que acabariam atrasando a obra. Transtorno que o consórcio não terá, por ser privado”, justifica o superintendente".
O texto, curiosamente, nada informa sobre o valor do contrato, estimado em quase um bilhão de reais durante 15 anos, mas deixa claro que se trata de um modelo paulista que a Sabesp pretende "exportar" para o restante do Brasil.
Fonte: Viomundo de Luiz Carlos Azenha
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Ambientalista explica a "realidade das cheias" em SP
O Viomundo do Luiz Carlos Azenha entrevista ambientalista especializado em recursos híbridos.
As informações sobre a gestão das águas são de arrepiar.
E o PIG insiste em tratar as pessoas como eles acham que são: "seres não pensantes". É isso que explica as notícias (?) dos veículos de comunicação que não informam nada sobre o que realmente está se passando.
A culpa é da chuva, pronto!
E o comandante em chefe do estado fica no tuitter dizendo que nunca viu tanta água....
"Viomundo – A Sabesp alega que as barragens foram mantidas cheias, por causa do risco de estiagem em 2009. Há também quem diga que não se poderia ter bola de cristal para prever as chuvas dos últimos dias.
José Arraes – Balela. A Sabesp e principalmente o Daee têm o registro das chuvas dos últimos 20, 30 anos. Todos sabem que são cíclicas. De cinco em cinco, de dez em dez anos, há um período de chuvas mais fortes. Então a Sabesp e o Daee deveriam ter se prevenido há muito mais tempo. Eu acho que não tem perdão para o que está acontecendo. É falta de gerenciamento mesmo."
Leia abaixo a matéria completa, seguida da entrevista.
Sábado, 23 de janeiro. De barco, esta repórter percorreu, das 11 às 15hs, cerca de 7 quilômetros do rio Tietê na região do Pantanal. Primeiro, em companhia do líder comunitário Francisco Amaro Gurgel, coordenador do Movimento em Marcha. Depois, com Pedro Guedes, da Associação dos Moradores da Vila da Paz e do Movimento Unificado dos Moradores da Várzea do Tietê.
Passamos pelo Jardim Romano, Vila Aimorés, Fazenda Biacica, Cotovelo do Pantanal, Pantanal, vilas São Martins, da Paz, das Flores e Chácara Três Meninas. Não choveu durante o trajeto. Mas a correnteza maior – inabitual nesse trecho – chamou nossa atenção.
“O nível do rio também está bem mais alto”, acrescentou o barqueiro Sérgio Silvério Ferz, que fizera o mesmo percurso 15 dias antes.
Guedes reforçou: “Realmente, o Tietê subiu. Aqui, ele costuma ser ‘manso’ mas hoje [23 de janeiro] não está nem um pouco”.
Mal sabíamos que eram primeiros os alertas de um novo infortúnio. Nas horas seguintes, o Tietê transbordou e o Pantanal inundou muito mais do que em 8 de dezembro de 2009. As águas avançaram sobre pontos até então livres de alagamentos. Entre eles, a avenida de ligação de São Paulo com Guarulhos pela Vila Any e a rua Gruta das Princesas, percorridos pela repórter no sábado anterior com Ronaldo Delfino, do Movimento de Urbanização da Legalização do Pantanal (as fotos abaixo são dele).

Ligação de São Paulo com Guarulhos pela Vila Any: em 16 de janeiro, sequinha, no dia 24...

Rua Gruta das Princesas, onde fica o Colégio estadual Flávio Augusto Rosa. A inundação do sábado, 23 de janeiro, alagou inclusive a escola.
“Saí de casa no sábado, às 2 da tarde, estava seco. Voltei às 7, com água no joelho”, conta Maria das Mercedes Cavalcanti, 55 anos, sete filhos, que mora há quatro quadras do CEU do Jardim Romano. “Liguei para cá às quatro e meia, a minha casa já estava enchendo, ela nunca inundou. A água chegou até a coxa. Hoje, ainda está no joelho.”
“Ainda está tudo cheio. Nunca vi isso. Um conhecido nosso, o ‘seo’ Antonio, acabou de sair daqui. Perdeu tudo”, lamenta Maria Lúcia Farias, esposa de Ronaldo. “No sábado, a casa dele que não tinha enchido antes ficou com mais de 1 metro de água. ‘Seo’ Antonio e a família saíram com a roupa do corpo”.
“A parte da rua onde eu moro já estava alagada desde dezembro, mas a minha casa, não. Porém, desde sábado, estamos com água em todos os cômodos. Ficamos ilhados. Tive de chamar um guincho para tirar o carro, se não estragaria”, indigna-se Gurgel. “Como é o que o governo do Estado de São Paulo deixa a comunidade nessa situação e não se manifesta?”
“Desde a madrugada de domingo, colegas ligam desesperados, com água na altura do peito”, relata Ronaldo. “Estamos sem saber o que fazer nem o que começou a acontecer a partir de sábado. Pela nossa experiência não são as chuvas. Ouvi dizer que abriram as comportas das barragens do Alto Tietê, mas ninguém nos alertou nada antes.”
“O Pantanal inundou, de novo, porque as barragens do sistema do Alto Tietê estão excessivamente cheias para o verão, e a Sabesp abriu as comportas, contribuindo para alagar ainda mais região”, denuncia o economista e ambientalista José Arraes. “É uma irresponsabilidade a Sabesp e o Daee terem deixado a cheias chegar, para começarem a descarregar água dos seus reservatórios. É um crime. É um erro tremendo de gerenciamento”
Há 13 anos as enchentes em Mogi das Cruzes, município da Grande São Paulo, levou o ambientalista a se interessar pela questão de recursos hídricos. Ajudou a solucionar o problema do seu bairro e não parou mais. Atualmente, é membro do Comitê da Bacia do Alto Tietê, do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e do conselho gestor da APA (Area de Proteção Ambiental) da várzea do Tietê.
Viomundo – O senhor já fez essa denúncia aos órgãos públicos?
José Arraes – Claro. Denunciamos à Sabesp e ao Daee [Departamento de Águas e Energia Elétrica], órgãos do governo do Estado de São Paulo, que as barragens do Alto Tietê estavam excessivamente cheias para o verão. Fizemos isso no final de 2009.
Viomundo – E aí?
José Arraes – Nenhuma providência foi tomada. Aliás, em 2009, duas coisas muito estranhas ocorreram no gerenciamento das barragens do Alto Tietê. No início do ano, a Sabesp e o Daee praticamente secaram o Tietê e encheram os reservatórios. Em Mogi das Cruzes, o rio ficou vários meses com apenas 20 centímetros de lâmina de água. No final do ano, as barragens estavam muito lotadas para a época. Há 13 anos acompanhamos esse processo e sabemos que o Daee e a Sabesp reservam cotas nas barragens, prevendo as cheias do verão. Em 2009, não fizeram isso. Resultado: chegamos a dezembro com a quase a totalidade das principais barragens cheias. Um absurdo!
Viomundo – Por que a Sabesp e o Daee mantiveram as barragens lotadas?
José Arraes – Eu desconfio de um destes esquemas. Primeiro: para não faltar água para a Região Metropolitana de São Paulo. Assim, pode ter havido determinação governamental para estarem na cota máxima. Segundo: a Sabesp e o Daee já estarem aumentando o volume das represas, visando aumentar a produção da Estação de Tratamento de Água Taiaçupeba de 10 metros cúbicos por segundo para 15 metros cúbicos por segundo (10m³/s para 15m³/s) . Terceira: a privatização do Sistema Produtor de Água do Alto Tietê – chamado SPAT. Hoje é um consórcio de empresas privadas que regula, administra, mantém e fornece as águas que estão represadas nessas barragens.
Viomundo – Por favor, explique melhor isso.
José Arraes – Existe um consórcio de empresas – entre elas, uma empreiteira conhecida na nossa região, a Queiroz Galvão –, que hoje gerencia as águas reservadas nas represas em uma parceria público-privada. Toda a água represada em todas as barragens do Sistema do Alto Tietê são gerenciadas por esse consórcio. Quanto mais cheias as represas, mais interessantes para o consórcio. Interesse comercial, nada mais do que isso.
Viomundo – Quer dizer que as águas das barragens do Alto Tietê estão privatizadas?
José Arraes – Sim. As empresas do consórcio fazem a conservação das barragens e a intermediação com a necessidade da Sabesp que a trata e remete para a população. Logo, para o consórcio de empresas, quanto mais cheias estiverem as barragens, mais água fornece para a Sabesp. Mais ganhos financeiros, portanto.
Viomundo – Qual das três hipóteses é a mais provável?
José Arraes – Talvez a combinação das três. Cabe ao Ministério Público investigar. O fato é que as barragens do Alto Tietê estão excessivamente cheias e as comportas estão sendo abertas, contribuindo com as inundações em toda a calha do rio até a região do Pantanal.
Viomundo – Quantas barragens há no Sistema Alto Tietê?
José Arraes – Temos cinco: Paraitinga, Biritiba-Mirim, Ponte Nova, Jundiaí e Taiaçubepa, onde existe também uma estação de tratamento de água da Sabesp. As barragens são como caixas d’água para a cidade de São Paulo.
Viomundo – Qual a capacidade de cada uma?
José Arraes – A de Paraitinga [município de Salesópolis], tem capacidade para 37 milhões de metros cúbicos, e está com 92% da sua capacidade. A de Biritiba-Mirim [no município do mesmo nome], 35 milhões de metros cúbicos, está com 94%. A de Jundiaí [fica em Mogi das Cruzes], 84 milhões de metros cúbicos e 97% de cheia. A de Ponte Nova, 300 milhões de metros cúbicos; está com 73%. A de Taiaçubepa [entre Mogi das Cruzes e Suzano] tem capacidade para 82 milhões de metros cúbicos, está com 73% de cheia.
Viomundo – Quais estão soltando água?
José Arraes – Todas. No sábado, 23 de janeiro, a de Paraitinga estava vazando 5m³/ A de Jundiaí, 2m³/s. Biritiba-Mirim, 1m³/s. Taiaçupeba, 5m³/s. A de Ponte Nova, 0,5m³/s.
Viomundo – Mas as barragens normalmente liberam água o tempo todo?
José Arraes – Liberam, mas em pouquíssimas quantidades. É para o rio não perder as suas características. Em condições normais, liberam entre 0,5m³/s a 2 ou 3m³/s, no máximo.
Viomundo – Então quanto está sendo vazado?
José Arraes – Se você somar as vazões de Paraitinga, Taiaçupeba, Jundiaí e Biritiba-Mirim, são 12m³/s. É bem maior que os 10m³/s que a Sabesp está tratando em Taiaçupeba. É uma enormidade de água. Para você ter uma dimensão do volume, você abastece toda a cidade de Mogi, que tem 400 mil habitantes, com 3m³/s.
E o mais complicado é que as barragens de Paraitinga, Biriba-Mirim, Jundiaí e Taiaçupeba vazam para rios afluentes diretos do rio Tietê. É por isso que o Pantanal está cheio. As águas vazadas já chegaram até aí. Se você libera pouca água no rio, não causa transtorno nenhum. Agora, o transtorno é liberar 5, 6, 12m³/s no rio. É água demais! Acrescida das quantidades das chuvas deste verão, piora a situação.
Viomundo – É preciso liberar as águas das barragens?
José Arraes – Agora, tem de abrir as comportas, não tem outro jeito, pois as barragens estão cheias e vão transbordar. O grande erro foi deixar as barragens acumularem tanta água antes das chuvas do verão. No momento, estão tendo de soltar muita água.
Viomundo – Ou seja, estão abrindo as comportas na época errada. Quando isso deveria ter começado?
José Arraes – O normal seria o vazamento controlado ter começado por volta de agosto, setembro, para que, agora, no verão, as barragens estivessem mais vazias para receber as águas das chuvas e não transbordar.
Viomundo – Não fizeram isso?
José Arraes – Não, não fizeram. Ou se fizeram, não foi corretamente. O fato é que as nossas barragens não poderiam chegar à época de chuvas com 90% da sua capacidade preenchida. De forma que o Pantanal provavelmente ainda vai ter muita enchente, porque as chuvas vão continuar. A Sabesp e o Daee não vão parar de vazar agora, pois há risco de essas barragens extravasarem e inundar toda a região de Mogi das Cruzes, Paraisópolis, Ferraz de Vasconcellos, Suzano, Biriti-Mirim e até São Paulo.
Viomundo – É verdade que essas barragens podem se romper se as comportas não são abertas?
José Arraes – Romper, eu não acredito. Mas poderiam extravasar, ou seja, passar por cima da barragem. Se isso acontecer, você pode perder o controle da vazão. Diferentemente de quando você abre as comportas e limita a vazão do quanto é necessário. Por isso, a nossa preocupação é também com o extravasamento dessas barragens. Elas podem encher tanto que a água começará a passar por cima dos vertedouros. Isso é perigoso. Se vier a acontecer, as águas chegariam fatalmente a São Paulo.
Viomundo – A Sabesp alega que as barragens foram mantidas cheias, por causa do risco de estiagem em 2009. Há também quem diga que não se poderia ter bola de cristal para prever as chuvas dos últimos dias.
José Arraes – Balela. A Sabesp e principalmente o Daee têm o registro das chuvas dos últimos 20, 30 anos. Todos sabem que são cíclicas. De cinco em cinco, de dez em dez anos, há um período de chuvas mais fortes. Então a Sabesp e o Daee deveriam ter se prevenido há muito mais tempo. Eu acho que não tem perdão para o que está acontecendo. É falta de gerenciamento mesmo.
Viomundo – Com que volume as barragens deveriam ter entrado na estação chuvosa?
José Arraes – Do jeito que está chovendo este ano, elas deveriam estar bem baixas. Questão de prevenção. Há cálculos matemáticos para se estabelecer esses níveis, mas eu não saberia fazê-los e te dizer quanto.
Viomundo – Será que pensaram que São Pedro fosse dar uma mãozinha para São Paulo?
José Arraes – Como poderiam aguardar a ajuda de São Pedro, se a Sabesp e o Daee sabem que chove bastante de períodos em períodos. Foi uma grande irresponsabilidade.
Viomundo – A Sabesp e o Daee só se preocuparam com o abastecimento de água e se descuidaram das enchentes?
José Arraes – Aparentemente é o que aconteceu. Lembre-se de que a água tratada gera lucro.
Viomundo – A região do Pantanal encheu, de novo, de repente, a partir do sábado no final da tarde. Para isso ter ocorrido no sábado, quando as comportas começaram a ser abertas?
José Arraes – O dia exato eu não saberia dizer, mas foi mais ou menos há 20 dias. Foi mais ou menos quando o governador José Serra noticiou que havia autorizado a abertura das comportas.
Viomundo – Demora tanto tempo para chegar aqui embaixo, na capital, na região do Pantanal?
José Arraes – Demora. Não é imediatamente. O Tietê é um rio de planície, não tem velocidade e correnteza. Tem uma vazão muito pequena. Quando são abertas as comportas, as águas demoram mais ou menos 10 a 15 dias para chegar a São Paulo, dependendo ainda do assoreamento do rio. O fato é que as comportas já estão abertas há vários dias.
Viomundo – Conversei com várias lideranças comunitárias sobre isso. Nenhuma foi comunicada da abertura das comportas. Segundo Ronaldo Delfino, do Pantanal, talvez a Defesa Civil também não tenha sido alertada, pois muitos moradores acionaram-na e não foram socorridos. Ligavam, ligavam, ligavam, só dava ocupado, “como se o telefone estivesse fora do gancho”.
José Arraes – Infelizmente, em geral, as populações não são comunicadas com antecedência. São alertadas pela televisão, mas só DEPOIS. É um erro muito grave, que pode custar vidas.
Viomundo – Pelo noticiário, as chuvas dos últimos dias são apontadas pelas autoridades como as responsáveis pela nova e maior inundação do Pantanal. O que o senhor acha?
José Arraes – As chuvas podem até ter contribuído, mas a causa mais importante dessa nova inundação é que as barragens do sistema do Alto Tietê estão vazando água. E como Tietê está assoreado, o rio extravasa, inundando a várzea.
Viomundo -- Reportagem publicada pelo Viomundo denunciou que o Tietê da barragem da Penha até o Cebolão pode ter ficado sem ser desassoreado em 2006, 2007 e 2008 (até outubro) e contribuído para as enchentes históricas de 8 de setembro e 8 de dezembro? Como está o rio acima da barragem da Penha?
José Arraes – De Biritiba-Mirim até barragem da Penha está um horror, todo assoreado. Há muitos anos não são retirados os resíduos acumulados no fundo do Tietê. São mais ou menos uns 70 quilômetros de extensão. É um Deus nos acuda tentar convencer os órgãos do governo do Estado de que é preciso desassorear o rio.
Viomundo – O que fazer agora?
José Arraes – O que o Daee e a Sabesp estão fazendo é fruto de uma irresponsabilidade total. Nós temos denunciado isso, mas a nossa voz ainda é muito incipiente. Até as autoridades do governo do Estado levarem em consideração o que dissemos mais inundações ocorrerão, mais pessoas perderão pertences, algumas até a própria vida. O único caminho que nós temos é denunciar ao Ministério Público do Estado. Se for o caso, até ao Ministério Público Federal. É, insisto, o nosso único caminho.
As informações sobre a gestão das águas são de arrepiar.
E o PIG insiste em tratar as pessoas como eles acham que são: "seres não pensantes". É isso que explica as notícias (?) dos veículos de comunicação que não informam nada sobre o que realmente está se passando.
A culpa é da chuva, pronto!
E o comandante em chefe do estado fica no tuitter dizendo que nunca viu tanta água....
"Viomundo – A Sabesp alega que as barragens foram mantidas cheias, por causa do risco de estiagem em 2009. Há também quem diga que não se poderia ter bola de cristal para prever as chuvas dos últimos dias.
José Arraes – Balela. A Sabesp e principalmente o Daee têm o registro das chuvas dos últimos 20, 30 anos. Todos sabem que são cíclicas. De cinco em cinco, de dez em dez anos, há um período de chuvas mais fortes. Então a Sabesp e o Daee deveriam ter se prevenido há muito mais tempo. Eu acho que não tem perdão para o que está acontecendo. É falta de gerenciamento mesmo."
Leia abaixo a matéria completa, seguida da entrevista.
Ambientalista: Governo paulista abre comportas de barragens e não avisa moradores, que perdem tudo
Atualizado em 28 de janeiro de 2010 às 01:39 | Publicado em 27 de janeiro de 2010 às 22:31
por Conceição LemesSábado, 23 de janeiro. De barco, esta repórter percorreu, das 11 às 15hs, cerca de 7 quilômetros do rio Tietê na região do Pantanal. Primeiro, em companhia do líder comunitário Francisco Amaro Gurgel, coordenador do Movimento em Marcha. Depois, com Pedro Guedes, da Associação dos Moradores da Vila da Paz e do Movimento Unificado dos Moradores da Várzea do Tietê.
Passamos pelo Jardim Romano, Vila Aimorés, Fazenda Biacica, Cotovelo do Pantanal, Pantanal, vilas São Martins, da Paz, das Flores e Chácara Três Meninas. Não choveu durante o trajeto. Mas a correnteza maior – inabitual nesse trecho – chamou nossa atenção.
“O nível do rio também está bem mais alto”, acrescentou o barqueiro Sérgio Silvério Ferz, que fizera o mesmo percurso 15 dias antes.
Guedes reforçou: “Realmente, o Tietê subiu. Aqui, ele costuma ser ‘manso’ mas hoje [23 de janeiro] não está nem um pouco”.
Mal sabíamos que eram primeiros os alertas de um novo infortúnio. Nas horas seguintes, o Tietê transbordou e o Pantanal inundou muito mais do que em 8 de dezembro de 2009. As águas avançaram sobre pontos até então livres de alagamentos. Entre eles, a avenida de ligação de São Paulo com Guarulhos pela Vila Any e a rua Gruta das Princesas, percorridos pela repórter no sábado anterior com Ronaldo Delfino, do Movimento de Urbanização da Legalização do Pantanal (as fotos abaixo são dele).
Ligação de São Paulo com Guarulhos pela Vila Any: em 16 de janeiro, sequinha, no dia 24...
Rua Gruta das Princesas, onde fica o Colégio estadual Flávio Augusto Rosa. A inundação do sábado, 23 de janeiro, alagou inclusive a escola.
“Saí de casa no sábado, às 2 da tarde, estava seco. Voltei às 7, com água no joelho”, conta Maria das Mercedes Cavalcanti, 55 anos, sete filhos, que mora há quatro quadras do CEU do Jardim Romano. “Liguei para cá às quatro e meia, a minha casa já estava enchendo, ela nunca inundou. A água chegou até a coxa. Hoje, ainda está no joelho.”
“Ainda está tudo cheio. Nunca vi isso. Um conhecido nosso, o ‘seo’ Antonio, acabou de sair daqui. Perdeu tudo”, lamenta Maria Lúcia Farias, esposa de Ronaldo. “No sábado, a casa dele que não tinha enchido antes ficou com mais de 1 metro de água. ‘Seo’ Antonio e a família saíram com a roupa do corpo”.
“A parte da rua onde eu moro já estava alagada desde dezembro, mas a minha casa, não. Porém, desde sábado, estamos com água em todos os cômodos. Ficamos ilhados. Tive de chamar um guincho para tirar o carro, se não estragaria”, indigna-se Gurgel. “Como é o que o governo do Estado de São Paulo deixa a comunidade nessa situação e não se manifesta?”
“Desde a madrugada de domingo, colegas ligam desesperados, com água na altura do peito”, relata Ronaldo. “Estamos sem saber o que fazer nem o que começou a acontecer a partir de sábado. Pela nossa experiência não são as chuvas. Ouvi dizer que abriram as comportas das barragens do Alto Tietê, mas ninguém nos alertou nada antes.”
“O Pantanal inundou, de novo, porque as barragens do sistema do Alto Tietê estão excessivamente cheias para o verão, e a Sabesp abriu as comportas, contribuindo para alagar ainda mais região”, denuncia o economista e ambientalista José Arraes. “É uma irresponsabilidade a Sabesp e o Daee terem deixado a cheias chegar, para começarem a descarregar água dos seus reservatórios. É um crime. É um erro tremendo de gerenciamento”
Há 13 anos as enchentes em Mogi das Cruzes, município da Grande São Paulo, levou o ambientalista a se interessar pela questão de recursos hídricos. Ajudou a solucionar o problema do seu bairro e não parou mais. Atualmente, é membro do Comitê da Bacia do Alto Tietê, do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e do conselho gestor da APA (Area de Proteção Ambiental) da várzea do Tietê.
Viomundo – O senhor já fez essa denúncia aos órgãos públicos?
José Arraes – Claro. Denunciamos à Sabesp e ao Daee [Departamento de Águas e Energia Elétrica], órgãos do governo do Estado de São Paulo, que as barragens do Alto Tietê estavam excessivamente cheias para o verão. Fizemos isso no final de 2009.
Viomundo – E aí?
José Arraes – Nenhuma providência foi tomada. Aliás, em 2009, duas coisas muito estranhas ocorreram no gerenciamento das barragens do Alto Tietê. No início do ano, a Sabesp e o Daee praticamente secaram o Tietê e encheram os reservatórios. Em Mogi das Cruzes, o rio ficou vários meses com apenas 20 centímetros de lâmina de água. No final do ano, as barragens estavam muito lotadas para a época. Há 13 anos acompanhamos esse processo e sabemos que o Daee e a Sabesp reservam cotas nas barragens, prevendo as cheias do verão. Em 2009, não fizeram isso. Resultado: chegamos a dezembro com a quase a totalidade das principais barragens cheias. Um absurdo!
Viomundo – Por que a Sabesp e o Daee mantiveram as barragens lotadas?
José Arraes – Eu desconfio de um destes esquemas. Primeiro: para não faltar água para a Região Metropolitana de São Paulo. Assim, pode ter havido determinação governamental para estarem na cota máxima. Segundo: a Sabesp e o Daee já estarem aumentando o volume das represas, visando aumentar a produção da Estação de Tratamento de Água Taiaçupeba de 10 metros cúbicos por segundo para 15 metros cúbicos por segundo (10m³/s para 15m³/s) . Terceira: a privatização do Sistema Produtor de Água do Alto Tietê – chamado SPAT. Hoje é um consórcio de empresas privadas que regula, administra, mantém e fornece as águas que estão represadas nessas barragens.
Viomundo – Por favor, explique melhor isso.
José Arraes – Existe um consórcio de empresas – entre elas, uma empreiteira conhecida na nossa região, a Queiroz Galvão –, que hoje gerencia as águas reservadas nas represas em uma parceria público-privada. Toda a água represada em todas as barragens do Sistema do Alto Tietê são gerenciadas por esse consórcio. Quanto mais cheias as represas, mais interessantes para o consórcio. Interesse comercial, nada mais do que isso.
Viomundo – Quer dizer que as águas das barragens do Alto Tietê estão privatizadas?
José Arraes – Sim. As empresas do consórcio fazem a conservação das barragens e a intermediação com a necessidade da Sabesp que a trata e remete para a população. Logo, para o consórcio de empresas, quanto mais cheias estiverem as barragens, mais água fornece para a Sabesp. Mais ganhos financeiros, portanto.
Viomundo – Qual das três hipóteses é a mais provável?
José Arraes – Talvez a combinação das três. Cabe ao Ministério Público investigar. O fato é que as barragens do Alto Tietê estão excessivamente cheias e as comportas estão sendo abertas, contribuindo com as inundações em toda a calha do rio até a região do Pantanal.
Viomundo – Quantas barragens há no Sistema Alto Tietê?
José Arraes – Temos cinco: Paraitinga, Biritiba-Mirim, Ponte Nova, Jundiaí e Taiaçubepa, onde existe também uma estação de tratamento de água da Sabesp. As barragens são como caixas d’água para a cidade de São Paulo.
Viomundo – Qual a capacidade de cada uma?
José Arraes – A de Paraitinga [município de Salesópolis], tem capacidade para 37 milhões de metros cúbicos, e está com 92% da sua capacidade. A de Biritiba-Mirim [no município do mesmo nome], 35 milhões de metros cúbicos, está com 94%. A de Jundiaí [fica em Mogi das Cruzes], 84 milhões de metros cúbicos e 97% de cheia. A de Ponte Nova, 300 milhões de metros cúbicos; está com 73%. A de Taiaçubepa [entre Mogi das Cruzes e Suzano] tem capacidade para 82 milhões de metros cúbicos, está com 73% de cheia.
Viomundo – Quais estão soltando água?
José Arraes – Todas. No sábado, 23 de janeiro, a de Paraitinga estava vazando 5m³/ A de Jundiaí, 2m³/s. Biritiba-Mirim, 1m³/s. Taiaçupeba, 5m³/s. A de Ponte Nova, 0,5m³/s.
Viomundo – Mas as barragens normalmente liberam água o tempo todo?
José Arraes – Liberam, mas em pouquíssimas quantidades. É para o rio não perder as suas características. Em condições normais, liberam entre 0,5m³/s a 2 ou 3m³/s, no máximo.
Viomundo – Então quanto está sendo vazado?
José Arraes – Se você somar as vazões de Paraitinga, Taiaçupeba, Jundiaí e Biritiba-Mirim, são 12m³/s. É bem maior que os 10m³/s que a Sabesp está tratando em Taiaçupeba. É uma enormidade de água. Para você ter uma dimensão do volume, você abastece toda a cidade de Mogi, que tem 400 mil habitantes, com 3m³/s.
E o mais complicado é que as barragens de Paraitinga, Biriba-Mirim, Jundiaí e Taiaçupeba vazam para rios afluentes diretos do rio Tietê. É por isso que o Pantanal está cheio. As águas vazadas já chegaram até aí. Se você libera pouca água no rio, não causa transtorno nenhum. Agora, o transtorno é liberar 5, 6, 12m³/s no rio. É água demais! Acrescida das quantidades das chuvas deste verão, piora a situação.
Viomundo – É preciso liberar as águas das barragens?
José Arraes – Agora, tem de abrir as comportas, não tem outro jeito, pois as barragens estão cheias e vão transbordar. O grande erro foi deixar as barragens acumularem tanta água antes das chuvas do verão. No momento, estão tendo de soltar muita água.
Viomundo – Ou seja, estão abrindo as comportas na época errada. Quando isso deveria ter começado?
José Arraes – O normal seria o vazamento controlado ter começado por volta de agosto, setembro, para que, agora, no verão, as barragens estivessem mais vazias para receber as águas das chuvas e não transbordar.
Viomundo – Não fizeram isso?
José Arraes – Não, não fizeram. Ou se fizeram, não foi corretamente. O fato é que as nossas barragens não poderiam chegar à época de chuvas com 90% da sua capacidade preenchida. De forma que o Pantanal provavelmente ainda vai ter muita enchente, porque as chuvas vão continuar. A Sabesp e o Daee não vão parar de vazar agora, pois há risco de essas barragens extravasarem e inundar toda a região de Mogi das Cruzes, Paraisópolis, Ferraz de Vasconcellos, Suzano, Biriti-Mirim e até São Paulo.
Viomundo – É verdade que essas barragens podem se romper se as comportas não são abertas?
José Arraes – Romper, eu não acredito. Mas poderiam extravasar, ou seja, passar por cima da barragem. Se isso acontecer, você pode perder o controle da vazão. Diferentemente de quando você abre as comportas e limita a vazão do quanto é necessário. Por isso, a nossa preocupação é também com o extravasamento dessas barragens. Elas podem encher tanto que a água começará a passar por cima dos vertedouros. Isso é perigoso. Se vier a acontecer, as águas chegariam fatalmente a São Paulo.
Viomundo – A Sabesp alega que as barragens foram mantidas cheias, por causa do risco de estiagem em 2009. Há também quem diga que não se poderia ter bola de cristal para prever as chuvas dos últimos dias.
José Arraes – Balela. A Sabesp e principalmente o Daee têm o registro das chuvas dos últimos 20, 30 anos. Todos sabem que são cíclicas. De cinco em cinco, de dez em dez anos, há um período de chuvas mais fortes. Então a Sabesp e o Daee deveriam ter se prevenido há muito mais tempo. Eu acho que não tem perdão para o que está acontecendo. É falta de gerenciamento mesmo.
Viomundo – Com que volume as barragens deveriam ter entrado na estação chuvosa?
José Arraes – Do jeito que está chovendo este ano, elas deveriam estar bem baixas. Questão de prevenção. Há cálculos matemáticos para se estabelecer esses níveis, mas eu não saberia fazê-los e te dizer quanto.
Viomundo – Será que pensaram que São Pedro fosse dar uma mãozinha para São Paulo?
José Arraes – Como poderiam aguardar a ajuda de São Pedro, se a Sabesp e o Daee sabem que chove bastante de períodos em períodos. Foi uma grande irresponsabilidade.
Viomundo – A Sabesp e o Daee só se preocuparam com o abastecimento de água e se descuidaram das enchentes?
José Arraes – Aparentemente é o que aconteceu. Lembre-se de que a água tratada gera lucro.
Viomundo – A região do Pantanal encheu, de novo, de repente, a partir do sábado no final da tarde. Para isso ter ocorrido no sábado, quando as comportas começaram a ser abertas?
José Arraes – O dia exato eu não saberia dizer, mas foi mais ou menos há 20 dias. Foi mais ou menos quando o governador José Serra noticiou que havia autorizado a abertura das comportas.
Viomundo – Demora tanto tempo para chegar aqui embaixo, na capital, na região do Pantanal?
José Arraes – Demora. Não é imediatamente. O Tietê é um rio de planície, não tem velocidade e correnteza. Tem uma vazão muito pequena. Quando são abertas as comportas, as águas demoram mais ou menos 10 a 15 dias para chegar a São Paulo, dependendo ainda do assoreamento do rio. O fato é que as comportas já estão abertas há vários dias.
Viomundo – Conversei com várias lideranças comunitárias sobre isso. Nenhuma foi comunicada da abertura das comportas. Segundo Ronaldo Delfino, do Pantanal, talvez a Defesa Civil também não tenha sido alertada, pois muitos moradores acionaram-na e não foram socorridos. Ligavam, ligavam, ligavam, só dava ocupado, “como se o telefone estivesse fora do gancho”.
José Arraes – Infelizmente, em geral, as populações não são comunicadas com antecedência. São alertadas pela televisão, mas só DEPOIS. É um erro muito grave, que pode custar vidas.
Viomundo – Pelo noticiário, as chuvas dos últimos dias são apontadas pelas autoridades como as responsáveis pela nova e maior inundação do Pantanal. O que o senhor acha?
José Arraes – As chuvas podem até ter contribuído, mas a causa mais importante dessa nova inundação é que as barragens do sistema do Alto Tietê estão vazando água. E como Tietê está assoreado, o rio extravasa, inundando a várzea.
Viomundo -- Reportagem publicada pelo Viomundo denunciou que o Tietê da barragem da Penha até o Cebolão pode ter ficado sem ser desassoreado em 2006, 2007 e 2008 (até outubro) e contribuído para as enchentes históricas de 8 de setembro e 8 de dezembro? Como está o rio acima da barragem da Penha?
José Arraes – De Biritiba-Mirim até barragem da Penha está um horror, todo assoreado. Há muitos anos não são retirados os resíduos acumulados no fundo do Tietê. São mais ou menos uns 70 quilômetros de extensão. É um Deus nos acuda tentar convencer os órgãos do governo do Estado de que é preciso desassorear o rio.
Viomundo – O que fazer agora?
José Arraes – O que o Daee e a Sabesp estão fazendo é fruto de uma irresponsabilidade total. Nós temos denunciado isso, mas a nossa voz ainda é muito incipiente. Até as autoridades do governo do Estado levarem em consideração o que dissemos mais inundações ocorrerão, mais pessoas perderão pertences, algumas até a própria vida. O único caminho que nós temos é denunciar ao Ministério Público do Estado. Se for o caso, até ao Ministério Público Federal. É, insisto, o nosso único caminho.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Uma realidade: Em SP Bebemos Água de Esgoto (sem tratamento)
É inacreditável a situação que envolve a empresa pública paulista que cuida, ou deveria cuidar do saneamento básico de água e esgoto da população do Estado de São Paulo, a SABESP.
Como devem lembrar os queridos leitores deste blog, até pouco tempo atrás esta empresa era o cartão de visitas do governador Serra, que investiu pesado na divulgação desta marca e vendia a imagem da Sabesp país afora.
O Brasil passou a conhecer a eficiência administrativa do Governo de São Paulo - trabalhando por você. Uma administração tão linda quanto as peças publicitárias encomendadas a peso de ouro para mostar uma São Paulo que não existe.
Mas voltando á Sabesp, de uma hora para outra ela passou á ser alvo até mesmo de ações judiciais por parte de prefeituras da grande São Paulo e culminou no descrédito generalizado por parte de seus milhares de usuários insatisfeitos.
A coisa é grave. Tão grave que até o reduto da elite de SP - as praias do Guarujá - foi alvo do péssimo serviço prestado pela Estatal a ponto das clínicas particulares da cidade afirmarem que nunca viram tantas pessoas em suas salas de atendimento como no final de 2009. São inúmeras as denúncias contra a Sabesp.
Até bem pouco tempo atrás pelo menos, tudo era mantido no mais absoluto sigilo pela mídia.
Claro, entendemos como seres não pensantes - (é isso o que o PIG acha), que não é possível a mídia receber MILHÕES DE REAIS todos os meses dos cofres públicos com publicidade e ao mesmo tempo apresentar para a opinião pública matérias com a realidade nua e crua dessas empresas.
Mas fazer vista grossa para uma questão de saúde pública é no mínimo prova de insensibilidade e insensatez com seu público. Ao mesmo tempo que acoberta péssimos administradores públicos, no caso o Governo de São Paulo, que agora busca desvincular sua imagem da Sabesp. Assim como ele faz com tudo que é negativo a sua imagem. Mas não canso de repetir: Ele é péssimamente assessorado em Marketing. Se bem que sinceramente como pessoa do Marketing posso afirmar: esse produto nem o Dr. Kotler consegue vender!
Abaixo reproduzo matéria da Folha de Alphaville de Outubro passado onde descobrimos que:
"50% do esgoto coletado "deve"?? ser tratado já em dezembro de 2010" ???
Eu pergunto: de cada litro d´agua que bebo da torneira hoje, mais da metade é esgoto?
Será que o Governador do Estado de São Paulo poderia me esclarecer por favor?
A série de reportagens exibida pela Rede Globo sobre a situação do rio Tietê, que recebe o despejo de quase 100% do esgoto produzido nas 39 cidades da região metropolitana e da capital, desperta a atenção para dois problemas crônicos na região.
Primeiro, a falta de tratamento de esgoto das cidades e, segundo para a poluição do Tietê, que não só provoca um visual horrível, como afasta investimentos, aumenta os casos de doenças respiratórias da população, corrói equipamentos eletrônicos, entre tantos outros problemas.
Só que a situação do rio não é uma responsabilidade das prefeituras. Embora as cidades sejam cortadas pelo Tietê, a coleta e o tratamento de esgoto é uma responsabilidade da Sabesp (Companhia Paulista de Saneamento Básico), que detém contrato de concessão para a prestação desse serviço nos municípios.
E críticas não faltam aos serviços prestados pela Sabesp. A companhia cobra a taxa de água e esgoto de todas as residências, empreendimentos, empresas, todavia não reverte essa arrecadação para as obras necessárias.
É justamente por isso que os prefeitos de Santana de Parnaíba, Silvinho Peccioli, e de Barueri, Rubens Furlan, decidiram, novamente, declarar guerra à companhia. Silvinho cobrou, publicamente, a Sabesp pela lamentável situação de coleta e tratamento de esgoto em Santana de Parnaíba. Silvinho foi entrevistado nesta terça-feira, 29, ao vivo, no programa SPTV 1ª edição da Rede Globo.
"A Sabesp é inimiga número 1 dos municípios de São Paulo. O serviço prestado por ela é de má qualidade, seja no fornecimento de água, seja no fornecimento de esgoto. Ela não faz a coleta, e quando faz, não trata", esbravejou. De acordo com ele, 75% da situação vista hoje no trecho do rio que corta a cidade é de responsabilidade da Sabesp.
Questionado sobre a manutenção do contrato de concessão à empresa, ele explicou que a Sabesp cobra cerca de R$ 9 milhões, por ano, para realizar um serviço de coleta e tratamento de esgoto e não o faz. "Algumas propostas de ações contra a companhia já foram enviadas ao Ministério Público, mas ainda não há definição alguma", explicou o prefeito.
De acordo com ele, romper o contrato com a Sabesp é inviável para o poder público local, pois toda a rede de abastecimento de água, já implantada pela companhia, teria de ser adquirida da empresa.
Para se ter uma ideia, em Alphaville e Tamboré, onde os residenciais constroem suas próprias redes de coletas de esgoto, elas são "doadas" à Sabesp. Mesmo assim, o esgoto é coletado e não é tratado.
Silvinho, novamente, defendeu a união de forças de todas as prefeituras, do estado e da União para viabilizar recursos financeiros, inclusive com empréstimos internacionais, que façam frente ao volume de obras necessárias, sem esquecer os investimentos pesados em projetos de educação ambiental.
Barueri
O prefeito de Barueri, Rubens Furlan, decidiu dar um ultimato à empresa e tem cobrado uma solução definitiva para os problemas de saneamento. "Há anos temos dificuldades de diálogo e de soluções junto à Sabesp", disse, durante reunião realizada com seus secretários municipais e representantes da concessionária na última segunda-feira.
De acordo com Furlan, a prefeitura tem feito sua parte, com a limpeza de córregos, o desassoreamento e o tamponamento, só que a Sabesp é responsável pela coleta e o tratamento de esgoto.
O superintendente da Unidade de Negócio Oeste da Sabesp, Milton Oliveira, afirmou que a previsão da concessionária é tratar 40% do esgoto coletado de Barueri até o final de 2009 e, em 2012, elevar o índice para 50%. Milton Oliveira disse ainda que será mantido o plano de investimento para o município, que atinge R$ 47 milhões.
Contudo, devido à pressão do prefeito e à parceria que a prefeitura propôs com a empresa, 50% do esgoto coletado deve ser tratado já em dezembro de 2010 e, até 2012, o número deve saltar para 70%.
A prefeitura agendou nova reunião com a Sabesp para a próxima semana. "Não há descanso. Quero todo mundo se movimentando até que estejamos tratando 100% do esgoto produzido na cidade", disse.
Retrato do rio
Parnaíba é uma das cidades que mais sofrem com a poluição do Tietê.
Parnaíba recebe 50 metros cúbicos, por segundo, de água poluída, vinda de vários locais, entre eles, São Paulo, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Osasco, municípios da região do ABC e do próprio rio Pinheiros, que tem o seu curso desviado para que não haja poluição na represa de Guarapiranga.
Os gases produzidos por essa poluição, como o Sulfídrico (H2S), são danosos tanto à saúde da população - a cidade apresenta um dos maiores índices de doenças respiratórias da região, em crianças e adultos - quanto aos equipamentos elétricos, fiação e dos metais em geral, que são corroídos.
Outro grande problema é a espuma que se forma abaixo da Barragem Edgard de Souza, provocando um desconforto ainda maior. Todos esses problemas, aliados ao mau cheiro, castigam, em demasia, os milhares de moradores da cidade.
Fonte: Folha de Alphaville - (negritos deste blog)
Como devem lembrar os queridos leitores deste blog, até pouco tempo atrás esta empresa era o cartão de visitas do governador Serra, que investiu pesado na divulgação desta marca e vendia a imagem da Sabesp país afora.
O Brasil passou a conhecer a eficiência administrativa do Governo de São Paulo - trabalhando por você. Uma administração tão linda quanto as peças publicitárias encomendadas a peso de ouro para mostar uma São Paulo que não existe.
Mas voltando á Sabesp, de uma hora para outra ela passou á ser alvo até mesmo de ações judiciais por parte de prefeituras da grande São Paulo e culminou no descrédito generalizado por parte de seus milhares de usuários insatisfeitos.
A coisa é grave. Tão grave que até o reduto da elite de SP - as praias do Guarujá - foi alvo do péssimo serviço prestado pela Estatal a ponto das clínicas particulares da cidade afirmarem que nunca viram tantas pessoas em suas salas de atendimento como no final de 2009. São inúmeras as denúncias contra a Sabesp.
Até bem pouco tempo atrás pelo menos, tudo era mantido no mais absoluto sigilo pela mídia.
Claro, entendemos como seres não pensantes - (é isso o que o PIG acha), que não é possível a mídia receber MILHÕES DE REAIS todos os meses dos cofres públicos com publicidade e ao mesmo tempo apresentar para a opinião pública matérias com a realidade nua e crua dessas empresas.
Mas fazer vista grossa para uma questão de saúde pública é no mínimo prova de insensibilidade e insensatez com seu público. Ao mesmo tempo que acoberta péssimos administradores públicos, no caso o Governo de São Paulo, que agora busca desvincular sua imagem da Sabesp. Assim como ele faz com tudo que é negativo a sua imagem. Mas não canso de repetir: Ele é péssimamente assessorado em Marketing. Se bem que sinceramente como pessoa do Marketing posso afirmar: esse produto nem o Dr. Kotler consegue vender!
Abaixo reproduzo matéria da Folha de Alphaville de Outubro passado onde descobrimos que:
"50% do esgoto coletado "deve"?? ser tratado já em dezembro de 2010" ???
Eu pergunto: de cada litro d´agua que bebo da torneira hoje, mais da metade é esgoto?
Será que o Governador do Estado de São Paulo poderia me esclarecer por favor?
Silvinho e Furlan declaram guerra à Sabesp
Prefeitos querem solução para a coleta e tratamento de esgoto
Simone Trino
Primeiro, a falta de tratamento de esgoto das cidades e, segundo para a poluição do Tietê, que não só provoca um visual horrível, como afasta investimentos, aumenta os casos de doenças respiratórias da população, corrói equipamentos eletrônicos, entre tantos outros problemas.
Só que a situação do rio não é uma responsabilidade das prefeituras. Embora as cidades sejam cortadas pelo Tietê, a coleta e o tratamento de esgoto é uma responsabilidade da Sabesp (Companhia Paulista de Saneamento Básico), que detém contrato de concessão para a prestação desse serviço nos municípios.
E críticas não faltam aos serviços prestados pela Sabesp. A companhia cobra a taxa de água e esgoto de todas as residências, empreendimentos, empresas, todavia não reverte essa arrecadação para as obras necessárias.
É justamente por isso que os prefeitos de Santana de Parnaíba, Silvinho Peccioli, e de Barueri, Rubens Furlan, decidiram, novamente, declarar guerra à companhia. Silvinho cobrou, publicamente, a Sabesp pela lamentável situação de coleta e tratamento de esgoto em Santana de Parnaíba. Silvinho foi entrevistado nesta terça-feira, 29, ao vivo, no programa SPTV 1ª edição da Rede Globo.
"A Sabesp é inimiga número 1 dos municípios de São Paulo. O serviço prestado por ela é de má qualidade, seja no fornecimento de água, seja no fornecimento de esgoto. Ela não faz a coleta, e quando faz, não trata", esbravejou. De acordo com ele, 75% da situação vista hoje no trecho do rio que corta a cidade é de responsabilidade da Sabesp.
Questionado sobre a manutenção do contrato de concessão à empresa, ele explicou que a Sabesp cobra cerca de R$ 9 milhões, por ano, para realizar um serviço de coleta e tratamento de esgoto e não o faz. "Algumas propostas de ações contra a companhia já foram enviadas ao Ministério Público, mas ainda não há definição alguma", explicou o prefeito.
De acordo com ele, romper o contrato com a Sabesp é inviável para o poder público local, pois toda a rede de abastecimento de água, já implantada pela companhia, teria de ser adquirida da empresa.
Para se ter uma ideia, em Alphaville e Tamboré, onde os residenciais constroem suas próprias redes de coletas de esgoto, elas são "doadas" à Sabesp. Mesmo assim, o esgoto é coletado e não é tratado.
Silvinho, novamente, defendeu a união de forças de todas as prefeituras, do estado e da União para viabilizar recursos financeiros, inclusive com empréstimos internacionais, que façam frente ao volume de obras necessárias, sem esquecer os investimentos pesados em projetos de educação ambiental.
Barueri
O prefeito de Barueri, Rubens Furlan, decidiu dar um ultimato à empresa e tem cobrado uma solução definitiva para os problemas de saneamento. "Há anos temos dificuldades de diálogo e de soluções junto à Sabesp", disse, durante reunião realizada com seus secretários municipais e representantes da concessionária na última segunda-feira.
De acordo com Furlan, a prefeitura tem feito sua parte, com a limpeza de córregos, o desassoreamento e o tamponamento, só que a Sabesp é responsável pela coleta e o tratamento de esgoto.
O superintendente da Unidade de Negócio Oeste da Sabesp, Milton Oliveira, afirmou que a previsão da concessionária é tratar 40% do esgoto coletado de Barueri até o final de 2009 e, em 2012, elevar o índice para 50%. Milton Oliveira disse ainda que será mantido o plano de investimento para o município, que atinge R$ 47 milhões.
Contudo, devido à pressão do prefeito e à parceria que a prefeitura propôs com a empresa, 50% do esgoto coletado deve ser tratado já em dezembro de 2010 e, até 2012, o número deve saltar para 70%.
A prefeitura agendou nova reunião com a Sabesp para a próxima semana. "Não há descanso. Quero todo mundo se movimentando até que estejamos tratando 100% do esgoto produzido na cidade", disse.
Retrato do rio
Parnaíba é uma das cidades que mais sofrem com a poluição do Tietê.
Parnaíba recebe 50 metros cúbicos, por segundo, de água poluída, vinda de vários locais, entre eles, São Paulo, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Osasco, municípios da região do ABC e do próprio rio Pinheiros, que tem o seu curso desviado para que não haja poluição na represa de Guarapiranga.
Os gases produzidos por essa poluição, como o Sulfídrico (H2S), são danosos tanto à saúde da população - a cidade apresenta um dos maiores índices de doenças respiratórias da região, em crianças e adultos - quanto aos equipamentos elétricos, fiação e dos metais em geral, que são corroídos.
Outro grande problema é a espuma que se forma abaixo da Barragem Edgard de Souza, provocando um desconforto ainda maior. Todos esses problemas, aliados ao mau cheiro, castigam, em demasia, os milhares de moradores da cidade.
Fonte: Folha de Alphaville - (negritos deste blog)
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