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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dossiê do PSDB contra o PSDB - Entrevista com Alexandre Padilha

No ninho tucano hipocrisia pouca é bobagem - briga de cachorro grande

Até agora a grande mídia não trata o assunto do PSDB versus PSDB com a devida realidade de informações. Desde sempre tentou-se ao máximo jogar esse dossiê no colo do PT e da campanha de Dilma por várias razões. Hoje o jornalista Amaury Ribeiro Junior está prestando depoimento na Polícia Federal. Já se sabe há muito tempo na blogosfera que os dados levantados por Amaury já tranformou-se num precioso livro que não deixará pedra sobre pedra no PSDB quando for lançado após as eleições.

Afinal ele trata em pormenores de toda a sujeira de FHC, Serra e parentes na privataria que dominou o Brasil durante o Governo passado. Mas o que mais intriga e causa náuseas é observar que a grande mídia, o PIG não dá o nome correto ao caso que é sem sombra de dúvidas a criação de uma contra inteligência para proteger Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais do ex- governador de São Paulo e candidato da república José Serra. Simples assim: o dossiê da guerra interna do PSDB por poder.

Mas por que Globo, Folha, Estadão e Veja não colocam os pingos nos "is" e falam abertamente que é esse o nome do jogo? Alguém imaginaria o escarcéu que estaria no mundo do jornalismo tupiniquim se tal fato fosse por exemplo entre um Zé Dirceu e um Palocci?

Dá prá entender por que a nossa grande imprensa é medíocre a ponto de tornar-se piada nos veículos de comunicação mundo afora depois do caso "bolinha de papel"?

Abaixo entrevista ao Terra:

Para Padilha, "o feitiço vai virando contra o feiticeiro"


Juliana Prado
Direto de Belo Horizonte
Depois do susto assumido de não conseguir vencer as eleições presidenciais no primeiro turno, a campanha da petista Dilma Rousseff escalou alguns personagens para atuar na linha de frente na segunda etapa da disputa. Um dos escalados foi o ministro da Articulação Institucional, Alexandre Padilha, que chegou a se licenciar do cargo para atuar na campanha.

Homem de bastidores, conhecido pelo bom trânsito entre prefeitos, Padilha saiu do gabinete e foi parar nas ruas. Em Belo Horizonte, na sexta-feira (22) e no sábado (23), ele acompanhou Dilma em encontro com prefeitos e participou de um ato público na capital mineira. Mas, além de ir para uma pretendida linha de gol, também vem agindo como bombeiro. Nesta entrevista concedida ao Terra, na capital mineira, o ministro mostrou porque também foi chamado a apagar vários incêndios.

Repetindo um dos mantras preferidos do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores - "o nosso governo apura até o fim" - ele rebateu as investidas da campanha de Serra contra Dilma. Durante a conversa, provocou o adversário, insistindo na tese de que o tucano simulou uma agressão em evento na semana passada no Rio de Janeiro. Também voltou a questionar o fato de Serra não ter "explicado" a ligação com Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, e rebateu denúncias de que petistas teriam roubado um dossiê montado contra os tucanos. Sobre o caso, acusou de ser um "grande factóide" e de estar fazendo "o feitiço virar contra o feiticeiro".

Terra - Qual o motivo de a campanha investir tanto em Minas, uma vez que a candidata do PT apresenta vantagem no Estado, segundo as pesquisas?
Alexandre Padilha - Um evento como o que fizemos neste sábado em Belo Horizonte - mobilização em torno da Avenida do Contorno - mostra que os simpatizantes, os militantes, as pessoas de Belo Horizonte saem para a rua, vestem a camisa da Dilma e consolidam a imagem de que ela não só é mineira, de Belo Horizonte, mas que surge uma identidade dessa população com nossa candidata à presidência da República. É algo tradicional, que aconteceu nas várias campanhas que o PT fez em Belo Horizonte. A receptividade que nós sentimos nas pessoas, nos prédios, nas ruas é a mostra de que o clima mudou. Belo Horizonte virou. Existe agora um sentimento pró-Dilma muito forte, que os companheiros não viram no primeiro turno.

Terra - O sr. acredita que o fator Aécio Neves ainda preocupa, apesar de a campanha de Serra tê-lo tirado justamente do Estado em que ele tem mais influência, que é Minas, para atuar em outros locais do País?
Alexandre Padilha - O que eu acredito é que, no segundo turno, a relação é direta do candidato com o eleitor. As lideranças têm papel importante, respeito o papel de todas elas, principalmente aquelas que são de oposição, mas que buscam fazer uma campanha de alto nível, que não entram nos ataques, nas baixarias, mas a relação é mesmo direta com o eleitor. Este passa a ter a oportunidade no segundo turno de todo dia ver seu candidato na TV. Minas é a síntese do Brasil, que percebe que você não pode ter um projeto nacional pautado apenas e tendo como único horizonte a Avenida Paulista. O Estado percebe que tem que ter uma presidente da República que pense o Brasil como um todo e não com um horizonte restrito a uma parte do setor econômico do País.

Terra - A campanha tucana em Minas tem focado no movimento "Dilmasia", que pregou, no primeiro turno, o voto em Dilma e no governador eleito Antonio Anastasia (PSDB). Agora o PSDB tenta transferir esses votos para Serra...
Padilha - Eu tenho certeza que isso não dá certo, sabe por quê? Os prefeitos que votaram na Dilma no primeiro turno só têm agora mais motivos para votar nela no segundo. Quando um prefeito, inclusive de partidos de oposição, já optou pela Dilma no primeiro turno, ele tem mais motivos para optar por ela de novo. Acredito que não só vamos manter os que estiveram com ela no primeiro turno como também conseguir votos dos que apoiaram a Marina (Silva - PV).

Terra - Depois de investir pesado em Minas, existe alguma mudança de foco para a última semana de campanha?
Padilha - Temos algumas prioridades. Entre elas, consolidar a grande votação que tivemos no Norte e no Nordeste, e temos companheiros trabalhando nisso. A Dilma vai para o Nordeste essa semana, o presidente Lula também vai para o Nordeste esta semana...Também estamos disputando voto a voto em São Paulo e no Paraná, que são dois Estados em que o PSDB ganhou no primeiro turno, e, em Minas Gerais, temos essa grande prioridade por dois motivos. Primeiro, porque é o segundo maior colégio eleitoral do país, e segundo porque uma vitória em Minas é muito simbólica pois o Estado é a síntese deste Brasil diverso.

Terra - A presidenciável defendeu, em encontro com prefeitos, uma gestão municipalista. Por que então não fez uma investida nos municípios de médio e pequeno porte? Alguns prefeitos mineiros chegaram a dizer na campanha que o governo Lula só dá atenção a cidades com mais de 50 mil habitantes.
Padilha - Tanto fizemos para os municípios brasileiros que os prefeitos reconheceram o presidente Lula como o presidente mais municipalista da história desse país. Nós avançamos muito com os municípios. Nosso governo mudou a relação política, começou a respeitar todos os prefeitos e prefeitas independente dos partidos. Eu cuidei desde o início deste governo do Comitê da Articulação Federativa, que é uma instância que nós criamos, que pactuou os vários avanços. Para você ter uma ideia, o FPM (Fundo de Participação dos Municípios), quando a gente assumiu o governo, era de R$ 23 bilhões, agora é R$ 52 bilhões. Durante a crise econômica de 2009, pela primeira vez o governo federal tirou dinheiro do bolso para ajudar os municípios a recompor o FPM. Tem muito por fazer. E nós ajudamos os municípios com menos de 50 mil habitantes, tanto é que a Dilma está tendo a maior votação nestes municípios.

Terra - O presidente Lula adotou um discurso muito incisivo e duro na campanha, e por isso, foi muito criticado. Não houve certo exagero?
Padilha - Eu acredito que o povo brasileiro respeita muito o presidente Lula, tanto que as pesquisas todas de todos os institutos só mostram o crescimento da sua popularidade. O brasileiro entende as opiniões dele. E também, o presidente tem o direito de se indignar. Ele ficou indignado, num processo de debate para presidente da república - onde temos temas tão importantes para o país discutir, como o pré-sal, por exemplo -, com o fato de nosso adversário ocupar o programa eleitoral dele e os programas jornalísticos com uma grande encenação que ficou nítida, inclusive, pela internet. A internet e as redes sociais desmontaram a edição que foi feita, que tentou corroborar a encenação do adversário. O presidente se indignou naquele momento, porque, para nós, o mais importante é discutir as grandes questões.

Terra - Como o Planalto recebeu a decisão da justiça, divulgada neste sábado, de tornar o Gilberto Carvalho, que é chefe de gabinete do presidente Lula, réu no processo de cobrança de propina na prefeitura de Santo André?
Padilha - O Gilberto já respondeu e vai continuar respondendo e se defendendo na justiça e mostrando claramente que todas as acusações não conseguiram mostrar nenhuma prova. O nosso governo é um governo que apura até o fim. Mas quem denunciou tem que provar que é verdade. E se provar que é verdade, quem cometeu irregularidades vai ser punido prontamente. Nós apuramos até o fim. A Polícia Federal age para isso, tem autonomia para isso. Diferente do nosso adversário, que busca se esconder. Até hoje ele (Serra) não respondeu quais são as relações dele com o Paulo Vieira Souza, o Paulo Preto...Inclusive, toda vez que aparece o nome do Paulo Preto ele fica meio branco, assustado,dizem (riso). Uma hora fala que conhece, outra hora diz que não conhece...Ele tem que explicar. Ele tem um personagem que trabalhou no governo do Fernando Henrique Cardoso, trabalhou no governo de São Paulo, responsável por uma obra bilionária, o Rodoanel, e esse personagem diz "que não se larga um líder sozinho na estrada", e parece que eles não apuram nada. Não busca saber o que é isso. É uma frase que soa um pouco como chantagem...

Terra - E o que vocês têm a dizer sobre as declarações do jornalista Amaury Ribeiro Junior, que, em depoimento, jogou no colo de petistas a responsabilidade pelo roubo de um dossiê organizado por ele contra tucanos?
Padilha - Eu não vou interpretar qual o motivo por que essas coisas voltam a aparecer. Torço para que as pessoas não acreditem que isso possa mudar as eleições. Porque se acreditarem nisso vão ser derrotadas novamente. O que tenho absoluta consciência é de que as últimas revelações feitas pelo então jornalista do Estado de Minas só corroboram que a busca daquelas informações do candidato Serra não tinha nada a ver com a campanha da Dilma. Ele (Amaury) fez isso quando não existia ainda coordenação de campanha montada, a Dilma nem era a candidata do PT. Tinha até a candidatura do Ciro Gomes em jogo...Quando ele fez isso o que existia era uma disputa dentro do PSDB para definir quem seria o candidato deles...Não tinha nenhum vínculo com a campanha da Dilma ou do PT. Até a afirmação que atribuíram a ele no depoimento corrobora que ele não tinha essa ligação. Porque disse que alguém do PT foi lá e roubou as informações. Ora, se tinha ligação com a campanha, não precisava roubar. Eu acho que, de certa forma, a oposição tentou transformar isso num grande factóide e o feitiço vai virando contra o feiticeiro.

FONTE: Terra

Advogado do Rodoanel Trabalha para Paulo Preto

O escritório Edgard Leite Advogados, que presta serviço às empreiteiras que construíram o trecho Sul do Rodoanel, também trabalha para Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-assessor de José Serra (PSDB). De acordo com o Diário Oficial, Edgard Ermelino Leite, um dos responsáveis pelo escritório, defende Paulo Preto em ação contra Evandro Losacco, secretário estadual do PSDB. 

A filha de Paulo Preto, Priscila Arana, é uma das advogadas do escritório de Edgard Leite. O possível favorecimento na contratação das empreiteiras para o Rodoanel promovido por Paulo Preto, Priscila e Serra foi denunciado pelo PT ao MP (Ministério Público).

Edgard Leite defende Paulo Preto em ação de danos morais contra Lossaco, aberta após as declarações do tucano à revista “IstoÉ”. De acordo com a publicação, Losacco afirmou que Paulo Preto “sumiu” com R$ 4 milhões da campanha de Serra.

O advogado de Paulo Preto, José Luiz de Oliveira Lima, foi procurado e garantiu: “Não vejo problema nenhum na defesa. É normal, até porque a filha do Paulo Preto trabalha no escritório”.
Já o líder do PT na Assembleia Legislativa, Antônio Mentor, acredita que a contratação do escritório confirma a denúncia encaminhada pelo PT ao Ministério Público. “É a relação incestuosa que existe entre Paulo Preto, sua filha e o governo. É uma comprovação que existe jogo de interesses, o que reforça a nossa tese”, explica Mentor. 

A prestação de serviços do escritório de Edgard Leite às empreiteiras do Rodoanel foi confirmada em nota apresentada pelo próprio escritório. “O escritório presta, há mais de 10 anos, serviços jurídicos a praticamente todas as empresas privadas que compõem os consórcios contratados para a execução do trecho Sul do RODOANEL-SP”.

.Caso
;Paulo Preto entrou em cena na campanha após a candidata Dilma Rousseff (PT) citar reportagem da revista “IstoÉ” no debate da Band. Ex-diretor de Engenharia da Dersa, Paulo Preto teria feito caixa-dois com as empreiteiras e desaparecido com o dinheiro.
“Parece mesmo que ele sumiu. Desapareceu. Me falaram que ele foi para a Europa. Vi esse cara na inauguração do Rodoanel”, afirmou José Aníbal, ex-líder do PSDB na Câmara dos Deputados, à revista.

Meias
Em junho, Paulo Preto foi preso em flagrante com uma jóia roubada no shopping Iguatemi. No dia, o ex-deputado Celso Russomano (PP) encontrou Paulo Preto no 15° DP e afirmou: “Eu vi a prisão. Vi que a delegada estava sofrendo pressão para não mantê-lo preso. Parte do dinheiro apreendido com Paulo Preto estava em suas meias e no casaco, me apontaram os policiais”. O progressista afirma que encontrou Paulo Preto no DP por acaso”.

domingo, 24 de outubro de 2010

Folha de São Paulo: Paulo Preto mudou contrato no Rodoanel e acelerou obras

O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, fez mudanças no contrato original das obras do Rodoanel um dia após assumir a diretoria de engenharia da estatal, informa o jornal Folha de S.Paulo deste domingo (24). 
 
De acordo com a reportagem, a alteração contratual assinada por ele permitiu que as empreiteiras mudassem o projeto da obra e até usassem materiais mais baratos. Segundo a Folha, a medida, definida em 2007, em acordo da Dersa com as construtoras, foi tomada para "acelerar" a construção do trecho sul a fim de entregar a obra até abril deste ano, quando José Serra (PSDB) deixou o governo paulista para se candidatar à presidência da República.

O jornal afirma ainda que a mudança contratual no Rodoanel inviabilizou cálculos que poderiam dizer se os pagamentos das obras correspondiam ao que havia sido planejado e executado, de acordo com avaliação do Ministério Público Federal, feita dois anos mais tarde. Ainda segundo a Folha, a negociação com as empreiteiras envolvidas nas obras do Rodoanel foi a principal tarefa de Paulo Preto, que teve a missão de não permitir que a "vitrine política" de Serra sofresse atraso.

A reportagem afirma que o acordo mudou radicalmente as regras de pagamentos das construtoras, que tinham sido fixadas na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB). De acordo com a Folha, as empreiteiras passaram a receber um preço fechado no valor de R$ 2,5 bilhões, ao invés de serem pagos conforme quantidade e tipo de cada serviço ou material usado na obra.

Ao jornal, a Dersa e Paulo Preto negaram que a obra tenha irregularidades. Segundo o ex-diretor, a mudança contratual em 2007 apresentou vantagens e qualidade do empreendimento foi garantida.

FONTE: Terra

sábado, 23 de outubro de 2010

Privatizações do PSDB e espiões contra Aécio: alvos de Amaury


Nos trechos extraídos de depoimento de Amaury à PF, o jornalista detalha seu envolvimento no caso da quebra de sigilo de tucanos e familiares de Serra. Foto: Reprodução Nos trechos extraídos de depoimento de Amaury à PF, o jornalista detalha seu envolvimento no caso da quebra de sigilo de tucanos e familiares de Serra



O depoimento do jornalista Amaury Martins Ribeiro Júnior, dado à Polícia Federal no último dia 15 de outubro e publicado nesta sexta-feira (22) pelo site do jornal O Estado de S.Paulo, relata a investigação que ele diz ter feito sobre o processo de privatização das empresas de telecomunicações durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e o esquema de espionagem que teria sido montado por pessoas próximas ao candidato presidencial tucano José Serra contra o então governador de Minas Gerais Aécio Neves, ambos do PSDB.

O depoimento também detalha os contatos que Amaury diz ter mantido com o jornalista Luiz Lanzetta, da empresa Lanza Comunicações, segundo Amaury contratada para cuidar das comunicações da pré-campanha da candidata Dilma Rousseff. Esses trechos podem ser lidos na reportagem: Jornalista afirma que Falcão, do PT, copiou sua investigação.

Em seguida, trechos inicias do depoimento publicado nesta sexta-feira. Ao falar sobre o motivo das investigações, Amaury Júnior diz o seguinte:
"...esclarece que trabalhava na compilação dos dados das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso em que tinha Ricardo Sérgio de Oliveira como operador principal da formação dos consórcios que participaram das privatizações das teles, cobrança de propina e criação do modus operandi para para internar valores escusos das Ilhas Virgens Britanicas no Brasil, que inclusive se compromete a oferecer para a juntada dos autos o material coletado ao longo do seu trabalho, o qual esclarecerá o detalhadamente o esquema mencionado acima".

Segundo o jornalista, a investigação - iniciada por vontade dele - começou quando Amaury trabalhava para o jornal O Globo, na sucursal de São Paulo, há cerca de 10 anos. Depois disso, ele ingressou no Jornal do Brasil, onde publicou a primeira reportagem sobre o assunto, envolvendo Ricardo Sérgio.

Em seu relato, Amaury Júnior diz ainda que:
"...em 2003 teve acesso a dados enviados pela promotoria de Nova Iorque à CPI do Banestado e à Polícia Federal, dos quais constava que Ricardo Sérgio movimentava milhões de dólares, por meio de doleiros, no exterior, inclusive em paraísos fiscais.

Ele lembra que publicou matérias jornalísticas sobre tais documentos e fatos, na revista Isto É, no ano de 2003, tendo sido, então, processado judicialmente, por danos morais, por Ricardo Sérgio.

O relato prossegue:
"...na sua defesa, na exceção da verdade, obteve ordem judicial destinada à CPI do Banestado para que fossem entregues todos os documentos que apontassem movimentação de valores de Ricardo Sérgio de Oliveira no exterior, além de outras pessoas relacionadas ao processo de privatização de empresas estatais brasileiras, dentre elas Gregório Marin Preciado, Carlos Jereissati, Ronaldo de Souza, sócio de Ricardo Sérgio, sempre com apontamentos de transações financeiras entre elas no exterior".
 
Amaury afirma no depoimento que no final de 2003 parou de escrever sobre o assunto, apesar de não ter deixado de investigar o caso, já que pretendia escrever um livro sobre o tema. Depois disso, foi trabalhar no jornal Correio Braziliense e em seguida, após sofrer um atentado, transferido para o jornal O Estado de Minas.

O jornalista prossegue no depoimento publicado:
"...em dezembro de 2007, tendo tomado ciência de que um grupo clandestino de inteligência estaria seguindo o então governador do estado, Aécio Neves, decidiu investigar quem eram os integrantes de tal grupo e a motivação de seus trabalhos; que, recorrendo as suas fontes na comunidade de informações, dentre elas Idalberto Matias de Araújo, obteve informação de que se tratava de grupo que trabalhava para José Serra, sob o comando do deputado federal Marcelo Itagiba, sendo que faziam parte do grupo o agente do SNI Luiz Fernandes Barcelos, o delegado Federal Pedro Birvane e outros dois agentes, um do SNI que não se recorda o nome, e outro da PF de nome Darlan".

Amaury relata ainda que, durante o ano de 2008, e diante das informações obtidas de Idalberto e outros agentes, decidiu retomar as investigações das privatizaçoes, naquele momento focando também pessoas ligadas a José Serra. O jornalista afirmou no depoimento:

"...utilizando os mesmos métodos de investigação anteriores, passou obter documentos em cartório, juntas comercias, órgãos de Justiça no Brasil e EUA, tendo obtidas procurações e outros documentos que apontavam para a existência de empresas - off shores sediadas em paraísos fiscais, em nome da filha de José Serra, Verônica Allende Serra e de seu esposo Alexandre Bourgeois; que funcionavam no mesmo escritório operado por Ricardo Sérgio de Oliveira, nas Ilhas Virgens; que investigou tais empresas, tendo ficado evidente, para o declarante, que as mesmas foram utilizadas para internação de valores em território pátrio".

Ainda segundo ele: "...para realizar tais investigações, necessitou fazer várias viagens nos anos de 2008 e 2009, principalmente para São Paulo-Capital, algumas para Brasília, sendo que as despesas de viagem e de obtenção dos documentos foram custeadas pelo órgão de imprensa no qual trabalha, ou seja, O Estado de Minas."
 
O jornal divulgou nota negando que tenha pago viagens do jornalista no período em que, segundo investigação da Receita Federal, foram acessados dados fiscais de integrantes do PSDB e familiares do candidato José Serra, em setembro e outubro de 2009.

FONTE: Terra

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A Incansável História da Bolinha de Papel - Mais uma Armação dos Tucanos

Mais uma super produção Tucanus Brothers Television - Estrelando SerraRojas / Co-produção #globomente:

Privatização + Pirataria = Privataria ou o Lema do PSDB/DEM

Reportagem da Hora do Povo

O PSDB e a entrega das estatais paulistas
 
A política tucana de privatização, comandada por José Serra a partir do Conselho Nacional de Desestatização (CND), compreendia a venda de estatais federais e estaduais. Assim, em 1996, foi instituído em São Paulo o Programa Estadual de Desestatização (PED) que resultou na entrega de 13 estatais, entre dez empresas de energia elétrica e gás, Nossa Caixa Seguros e Previdência, Banespa e Fepasa. Foram tantos leilões de privatização que os tucanos perderam a conta.
 
O principal método dos tucanos para levar a cabo as privatizações foi retalhar as estatais paulistas, sendo que no caso do banco e da ferrovia foi o de federalizar antes de levar a leilão.
Das empresas de energia elétrica e distribuição de gás, apenas a CPFL, em leilão ocorrido em 1997, ficou sob controle de empresas brasileiras, com o consórcio VBC.
 
A Cesp foi divida em cinco: Elektro, açambarcada em 1999 pela Enron (EUA); Cesp Tietê, tomada pela AES (EUA), em 1999; Cesp Paranapanema, empalmada pela Duke Energy (EUA), em 1999; CTEEP, entregue à Interconexión Eléctrica S/A - ISA (Colômbia), em 2006; e Cesp Paraná, que os tucanos não conseguiram privatizar.
 
A Eletropaulo foi seccionada em quatro: Eletropaulo Metropolitana, vendida em 1999 à AES (EUA), que tomou emprestado dinheiro do BNDES para compra e ficou devendo ao banco; Bandeirante, que a EDP (Portugal) levou em 1999; EPTE, incorporada à CTEEP, antes da privatização; e EMAE, que continua estatal.
 
COMGÁS
 
A Comgás foi privatizada em 1999, em leilão vencido pela BG (Inglaterra) e Shell (Inglaterra/Holanda). Naquele ano, a Gás Noroeste-SP (Gás Brasiliano) foi entregue à Eni (Itália). No ano 2000, o leilão da Gás Sul foi vencido pela Gas Natural (Espanha).
 
Em maio de 2005, a espanhola Mapfre Vera Cruz Seguradora arrematou a Nossa Caixa Seguros e Previdência, subsidiária do banco Nossa Caixa constituída em 2002, em leilão na Bovespa. Um detalhe que mostra flagrante imoralidade tucana: Ruy Martins Altenfelder, ex-secretário de Ciência e Tecnologia do governo de São Paulo, era conselheiro Programa Estadual de Desestatização (PED) e também da Mapfre, isto é, privatizador e comprador ao mesmo tempo.
 
BANESPA
 
No dia 30 de dezembro de 1994, o então presidente do Banco Central Pedro Malan - já convidado para ministro da Fazenda de Fernando Henrique, que assumiria o governo dois dias depois – determinou a intervenção do Banespa. Para preparar a privatização, os tucanos tramaram a falsificação do balanço do banco paulista, conforme comprovou a revista Carta Capital. Em novembro de 2000, o governo Fernando Henrique/Serra entregou o Banespa para o espanhol Santander, por R$ 7 bilhões. Responsável pelo financiamento de quase toda a produção agrícola do Estado, o Banespa tinha na época um patrimônio líquido avaliado em mais de R$ 11 bilhões e ativos de mais de R$ 28 bilhões. O Santander ainda foi contemplado com isenção fiscal de R$ 5,15 bilhões, além de R$ 700 milhões em lucros de janeiro a setembro de 2000.
 
A Fepasa foi federalizada em 1998, passando a ser Malha Paulista da Rede Ferroviária Federal - RFFSA, que foi privatizada naquele mesmo ano.
 
Em 2007, ano em que assumiu o governo do Estado, Serra mostrou que sua índole é de privatizador. Abriu licitação para saber o valor de 18 empresas estatais que ainda não haviam sido vendidas: Cesp, Sabesp, Nossa Caixa, Metrô, CDHU, CPTM, Dersa, EMAE, Cosesp, CPP, Cetesb, Prodesp, Imesp, EMTU, CPOS, IPT, Codasp e Emplasa. Em outubro daquele ano o banco Fator foi escolhido para fazer a avaliação econômica e financeira das empresas e o Citibank, para fazer a modelagem de venda.
 
CESP
 
Inicialmente, Serra tentou privatizar a Cesp. A data do leilão foi marcada para 28 de março de 2008. Contudo, a mobilização popular e o veto federal a tarifas de escorcha impediram a privatização.
 
VALDO ALBUQUERQUE

FONTE: Hora do povo

Stanley Burburinho e as revelações do caso Amaury Ribeiro

Pelo Twitter o reparador de iniquidades detalha as idas e vindas envolvendo Serra e Daniel Dantas com a privataria do governo de fhc. O livro bomba de Amaury virá depois das eleições. A grande mídia está assustada e agora inicia uma manobra para abafar o estrago que há muito tempo já é de conhecimento da blogosfera. Paulo Henrique Amorim do Conversa Afiada trata do tema já faz muito tempo Leia Aqui.

Abaixo com a palavra Stanley Burburinho:

A ida de Amaury ao Caribe foi para desvendar a "compra" da casa no Alto de Pinheiros onde Serra mora há muitos anos "alugando" de um amigo.

Verificou q a casa estava no nome de Verônica Serra e foi atrás para dar munição à Andrea, p/ Aécio se defender doss dossiês de Serra.

1 - Operação Caribe mostrará que a casa do Serra foi dada pelo Daniel Dantas através da Veronica Serra e Veronica Dantas.

2 - A ida de Amaury ao Caribe foi para desvendar a "compra" da casa no Alto de Pinheiros onde Serra mora há mtos anos "alugando" de 1 amigo.

3 - Verificou q a casa estava no nome de Verônica Serra e foi atrás para dar munição à Andrea, p/ Aécio se defender doss dossiês de Serra.

4 - No Caribe Amaury desvendou tda a ligação de Serra com Dantasatravés das 2 Verônicas, socias em Miami. a casa foi 1 detalhe da operaçao

5 - que lhe chamou mais atenção. Tem tudo documentado. Uma cópia para O ESTADO DE MINAS, outra para quem pediu, outra na Policia Federal.

6 - A história de Rui Falcao é fumaça para esconder o verdadeiro fogo.Amaury está prestes a divulgar documentos que provam tudo.

7 - toda a documentação foi conseguida c promotores, juízes e advogados em Ilhas do Caribe e desvendam sistema de Cx 2 e lavagem d dinheiro.

8 - Segundo Amaury escreveu dias atrás num papel: Casamento do Careca com o Orelhudo, com comunhão de bens, através de 2 Veronicas numa ilha

9 - O problema maior de amaury é que o caso envolve a Bancada Dantas no Congresso com parlamentares de vários partidos! Vai ser uma bomba!

10 - 2a feira Amaury será ouvido pela 4a vez na Policia Federal e até lá a VEJA vai jogar o problema do sigilo no colo do Rui Falcao do PT.

11 - O estadao está tentando relacionar o fato de 1 Bradesco, de onde saiu dinheiro para despachante, estar perto do escritorio de Lanzetta.

12 - Veja procurou Lanzeta e Amaury para serem a capa dessa semana. Como negaram, vao jogar tudo no colo do Rui Falcao.

13 - Aqui esta a tentativa do Estadao! PF apura se saiu do PT pagamento p calar testemunha - brasil - Estadao.com.br -

14 - Entre os advogados que Amaury descobriu envolvimento estão deputados e senadores de varios partidos.

15 - Amaury teria mandado recado às redações dos jornais onde trabalhou e ganhou Premios Esso: Lembrem-se da rua Santa Efigienia!!!

16 - Como se sabe, na rua Sta Efigênia são comprados cds com sigilos fiscais, telefonicos, INSS e outros sigilos, por preços módicos. 

17 - Amaury está se sentindo acuado por colegas de redação que querem jogar nele e em Lanzetta a responsabilidade da quebra de sigilo.

FONTE: Twitter

Terra Magazine-Dutra: "Tinha uma central de espionagem comandada pelo PSDB"

Dayanne Sousa

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, contestou a versão do PSDB de que petistas e o presidente Lula estariam impedindo a divulgação de informações oficiais do inquérito da Polícia Federal sobre a quebra de sigilos de pessoas ligadas ao candidato tucano à presidência, José Serra. O ataque foi feito pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, durante entrevista no Rio de Janeiro e publicado em nota na noite desta quinta-feira (21). Dutra rebateu que as quebras foram motivadas por uma "central de espionagem comandada pelo PSDB e pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB - RJ)" .

- O que o Sérgio Guerra não quer levantar é que o depoimento do Amaury fala que começou a investigar esse assunto porque tinha uma central de espionagem comandada pelo PSDB e pelo Marcelo Itagiba.

Segundo Dutra, o PT pediu, nesta quarta (20), acesso à íntegra do depoimento do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, apontado pela PF como o mandante das quebras de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e da filha e genro de Serra, Verônica Serra e Alexandre Bourgeois. No Rio, Guerra confirmou que teve acesso ao depoimento de Amaury por intermédio de Eduardo Jorge.
- Ontem, nós entramos com um pedido para ter acesso aos autos, que nós não temos. Quem tem acesso aos autos e fica liberando o que lhe interessa é o Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB, que é parte no processo por ter tido seu sigilo fiscal quebrado.

Dutra afirma que o PSDB levanta suspeitas para desviar a atenção das notícias de que Amaury era funcionário do jornal O Estado de Minas em outubro de 2009, época em que houve as quebras de sigilo. Segundo publicou o jornal Folha de S.Paulo, Amaury também disse em seu depoimento que iniciou o processo das quebras de sigilo para proteger o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que disputava com Serra quem seria o candidato do PSDB à presidência.

- Na verdade Sérgio Guerra está incomodado porque o inquérito da PF comprovou que todas as acusações que eles faziam contra nós eram infundadas. O fato da quebra do sigilo aconteceu quando o Amaury era empregado do Estado de Minas, quando nós não tínhamos campanha nem pré-campanha ainda.

Guerra destaca que o depoimento de Amaury também responsabiliza o deputado estadual do PT, Rui Falcão, por roubar e vazar as informações sigilosas. "Primeiro eles nos acusam de ter mandado quebrar sigilo e fazer um dossiê, agora o PT está roubando um dossiê?", questiona Dutra.

Leia a entrevista de Dutra na íntegra.
Terra Magazine - Qual a sua reação e do PT à afirmação do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, de que o PT e o presidente Lula estariam impedindo a divulgação das informações da Polícia Federal?
José Eduardo Dutra - O depoimento do Amaury está sendo vazado para a imprensa por Eduardo Jorge. Nós entramos com uma ação pedindo para ter acesso aos autos. Na verdade Sérgio Guerra está incomodado porque o inquérito da PF comprovou que todas as acusações que eles faziam contra nós eram infundadas. O fato da quebra do sigilo aconteceu quando o Amaury era empregado do Estado de Minas, quando nós não tínhamos campanha nem pré-campanha ainda.
Eles criaram um factoide de que nós encomendamos. Essa pessoa que encomendou a quebra dos sigilos não tinha nenhuma relação conosco e na época da quebra dos sigilos tinha uma ligação com um órgão de imprensa. Então, ele está incomodado por isso. Engraçado é o seguinte: primeiro eles nos acusam de ter mandado quebrar sigilo e fazer um dossiê. Então, antes o PT tinha encomendado um dossiê, agora o PT está roubando um dossiê? É uma coisa sem pé nem cabeça.

Guerra levanta as novas informações sobre o depoimento do jornalista Amaury, de que ele estaria de férias do Estado de Minas na época e que os dados teriam sido roubados pelo deputado estadual do PT, Rui Falcão.
O que o Sérgio Guerra não quer levantar é que o depoimento do Amaury fala que começou a investigar esse assunto porque tinha uma central de espionagem comandada pelo PSDB e pelo Marcelo Itagiba. Por isso que nós fizemos um aditamento ao pedido do inquérito. Porque esse inquérito está acontecendo por um pedido nosso. Nós fizemos um aditamento para que se investigue essa tal central de espionagem. Nisso o Sergio Guerra não quer tocar.

O PSDB também questiona o fato de a candidata Dilma ter mencionado o depoimento de Amaury em público. O PT teve algum acesso ao depoimento?
Nós fizemos uma solicitação com base no que saiu na imprensa. Desde a primeira vez. Quando saiu a notícia da imprensa de que tinha havido a quebra do sigilo, fizemos a requisição com base no que saiu na imprensa. Depois, fizemos um aditamento também com base no que saiu na imprensa. Todas as ações foram baseadas no que saiu na imprensa. Ontem, nós entramos com um pedido para ter acesso aos autos, que nós não temos. Quem tem acesso aos autos e fica liberando o que lhe interessa é o Eduardo Jorge. Ele, como é parte, tem acesso aos autos. E fica vazando o que lhe interessa. Então, estamos solicitando acesso aos autos também.

FONTE: Terra Magazine

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Política: Entenda Porque Dois Bicudos se Odeiam

Mas ao mesmo tempo se suportam. Estou falando da dupla Serra x Aécio. Aqueles dois que posam de ilustres e amáveis correligionários do PSDB, mas que nos bastidores se engalfinham em buscar a melhor maneira de puxar o tapete e derrubar o outro. 

Leia na Revista Fórum revelações sobre a trama que envolve as duas figuras e que explica em partes o desfecho atual sobre a quebra de sigilo fiscal de familiares de Serra e os tais dossiês atribuidos ao PT e a campanha de Dilma. A sacanagem reside numa guerra interna do PSDB onde há muito chumbo trocado entre as duas figuras. 

Macartismo Mineiro - Revista Fórum

Por Pedro Venceslau
Nelson Rodrigues costumava dizer que toda unanimidade é burra. Em Minas Gerais, a unanimidade em torno do governador Aécio Neves vai mais longe. É, além de burra, truculenta, cega e venal. Nenhum outro governador brasileiro ostenta índices tão altos de aprovação e popularidade. Apontado como um dos favoritos ao Planalto em 2010, Aécio raramente aparece na mídia em situações desconfortáveis ou constrangedoras. Quando isso acontece, como no caso do “mensalão tucano”, a imprensa mineira é a última tocar no assunto. Via de regra, espera um sinal de fumaça do Palácio da Liberdade para entrar na pauta, sempre na esteira da defesa do governador. Mas de onde vem esse fervoroso engajamento jornalístico? Será bairrismo em torno da perspectiva de um mineiro na presidência? Ou é o fato de o governador ser jovem, boa pinta e austero com as finanças?

Nos bastidores do Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, existe uma azeitada máquina de comunicação e propaganda trabalhando a todo vapor para manter a imagem de Aécio intacta e em alta até as eleições de 2010. Esse projeto de poder, que começou a ser gestado em 2002, é baseado no binômio truculência e dinheiro. Em Minas, é proibido falar mal do governador. Casos de jornalistas que ousaram quebrar essa regra e foram demitidos ou ameaçados existem aos borbotões. O resultado, em muitos casos, é a opção pela auto-censura como forma de sobrevivência.

Esse consenso tem sido financiado por uma farta publicidade estatal. Não é a administração direta, mas as estatais que mais gastam em comunicação e publicidade. Com isso, fica mais difícil a fiscalização da Assembléia Legislativa, que ainda por cima conta com uma oposição pouco coesa. “Minas é um estado com alto grau de censura. A imprensa, aqui, é porta-voz do governo Aécio. Existem muitas denúncias de jornalistas perseguidos pelo Palácio da Liberdade. A intervenção do governo se dá de forma direta. Eles pedem a demissão de funcionários e, em muitos casos, são atendidos. Hoje, a censura é mais econômica, já que a cota de publicidade (estatal) nunca foi tão alta. O gasto de publicidade de Aécio cresceu 500% em relação a Itamar. Na execução fiscal de 2006, ele gastou 400% a mais que o previsto”, relata o deputado estadual Carlin Moura, do PCdoB.

A pedido da Fórum, Carlin enviou um requerimento ao governo pedindo uma planilha detalhada com todos os investimentos publicitários do estado, incluindo as estatais. Até o fechamento desta edição, esses dados ainda não haviam sido liberados. “Existe uma caixa preta, já que a maioria dos gastos é feita por empresas estatais, como a Cemig e a Copasa, sobre as quais a Assembléia não tem controle. Eles não dão as rubricas separadas”, conclui Carlin. Em tempo. Segundo dados do Diário Oficial de Minas, a Copasa gastou, só no primeiro trimestre de 2007, R$ 5.208.000. A estatal opera com duas agências, a 3P Comunicação e a RC Comunicação Ltda. No segundo trimestre, a estatal gastou mais R$ 6.615.000, sempre com as mesmas agências. “As empresas são obrigadas, por um dispositivo legal, a informar o volume de gastos, mas não temos como fazer o acompanhamento orçamentário”, informa um assessor da Assembléia Legislativa. O Diário Oficial informa, ainda, que, em 2007, a Secretaria de Estado de Governo já ultrapassou os R$ 30 mil.

Não foi por acaso que Minas Gerais foi o estado que registrou a maior adesão à Semana de Democratização da Mídia. No último dia 5 de outubro, cerca de mil manifestantes de entidades como Abraço, FNDC, Fenaj, CUT, UNE e MST se concentraram em frente ao Palácio da Liberdade. Além de pedir transparência nos processos de concessão de TV, os mineiros denunciaram a falta de liberdade de imprensa no estado. “Em Minas Gerais a liberdade de pensamento é muito mais atacada, pois vivemos sob uma pesada censura praticada pelo governo do estado em parceria com os donos dos principais veículos. Com o objetivo de promover a blindagem em torno da figura do governador Aécio Neves, vários jornalistas foram demitidos por produzirem matérias que desagradaram o Palácio da Liberdade. Depois dessa perseguição, nunca mais se viu ou se ouviu uma única reportagem que contrariasse o interesse da elite que governa Minas Gerais”, resumiu o manifesto batizado de “Carta de Belo Horizonte”, produzido pelos manifestantes.

“O maior jornal do estado, O Estado de Minas, eu chamo de ‘O Estrago de Minas’. Ele é totalmente ligado ao governador. A verdade é que todos estão comprometidos. Não sobra nenhum. Chamam o Aécio de ‘o filho do avô’. Ele não tem tradição nenhuma na política, mas é blindado. Por quê? Falam do mensalão mineiro, mas deviam investigar é o mensalão da mídia mineira”, diz José Guilherme Castro, coordenador de comunicação e cultura da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) e secretário geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). “Aqui em Minas não saiu nada sobre o mensalão mineiro. Só começaram a publicar essa história quando veio a reação do Aécio”, conclui Kerisson Lopes, um dos organizadores da manifestação do dia 5 de outubro, em Minas.

Neste último mês, Fórum conversou com jornalistas, políticos, pesquisou números e levantou histórias reveladoras sobre os bastidores de uma relação mais que promíscua entre o primeiro e o quarto poder em Minas Gerais. 

Coco e romance em Ipanema

Em plena tarde de quinta feira, três carros de luxo estacionam em frente a um quiosque de Ipanema, na altura do Jardim de Alah. Os curiosos param para ver a cena. Um casal desce cercado por seguranças e pede água de coco. No dia seguinte, os jornais cariocas revelam o nome dos pombinhos: Aécio Neves e a miss Natália Guimarães. A nota repercutiu no país inteiro, menos em Minas Gerais. Ocorre que, naquele mesmo dia, o governador tinha um importante compromisso – uma solenidade em homenagem à cultura mineira. Diante da inusitada ausência do governador, o vice Antônio Augusto Anastásia teve de improvisar o discurso. Esse pequeno episódio foi lembrado pelo deputado Carlin para um plenário vazio na Assembléia Legislativa de Minas.

Não houve repercussão. Ninguém tocou no assunto, nem mesmo nas colunas sociais locais. O “namoro” só veio à tona na base de Aécio quando sua assessoria achou conveniente. “O romance do governador com a miss Brasil”, estampou, na capa, a revista IstoÉ Gente do último dia 15 de outubro. O episódio é menor, mas cheio de significado. Apesar do clima de macartismo, alguns profissionais ousam revelar os bastidores do esquema. Fórum conversou com um dos editores de um dos maiores jornais mineiros. Por motivos óbvios, ele pede para não ter seu nome revelado. “As pautas chegam com algumas ‘rec’s’ (recomendações). É o editor-chefe quem administra isso. Ele precisa ter jogo de cintura. Para garantir essa blindagem, o governo ataca em massa e manda fazer cadernos especiais de estatais, especialmente da Copasa. Quem cuida dessa interlocução diretamente é a irmã do Aécio, Andrea Neves. É ela que manda na área de imprensa. O Aécio paira por cima. Andrea provocou a demissão de vários companheiros.”

O nome de Andrea Neves da Cunha, 48 anos, irmã mais velha de Aécio e chefe do serviço de assistência social do estado, causa calafrios nas redações mineiras, especialmente nas de Belo Horizonte. Apesar de, formalmente, ocupar um cargo que tradicionalmente pertence à primeira dama, na prática é ela a comandante de fato da área de comunicação da administração. Em reportagem publicada em outubro no jornal Valor Econômico, os repórteres César Felício e Ivana Moreira revelaram ao Brasil o que todo jornalista mineiro já sabia. Coube a Andrea o comando da operação colocada em curso para minimizar os danos do noticiário do mensalão tucano sobre seu irmão. Foi ela que decidiu pela estratégia de aguardar uma semana para que Aécio se pronunciasse oficialmente.

Além do serviço social, a irmã de Aécio também comanda o Grupo Técnico de Comunicação, uma equipe de 12 profissionais de mídia empregados na estrutura do estado e que determina as ações de marketing. Não é exagero dizer que esse é o quartel general da inquisição.

Andrea mãos de tesoura

Era para ser apenas um trabalho de conclusão de curso, mas se tornou um dos vídeos mais assistidos do site YouTube. Em 2003, o estudante de comunicação da UFMG, Marcelo Baeta, recebeu anonimamente uma lista de jornalistas demitidos a pedido do governador. Ficou com a pulga atrás da orelha e passou a prestar mais atenção no noticiário. A decisão definitiva de fazer um documentário foi tomada em novembro de 2004, quando o governo lançou uma campanha maciça para anunciar o “déficit zero”. Baeta notou que a matéria do repórter Ismar Madeira, no Jornal Nacional, era bem parecida com os anúncios publicitários do governo do intervalo, onde um ator-repórter anunciava que “Minas Gerais superou uma década no vermelho”. Um escândalo. No fim da noite, Aécio apareceu no programa Jô Soares, no qual foi fartamente elogiado pelo apresentador bonachão.

A apuração de Baeta revelou a faceta mais brutal do governo Aécio. Um dos entrevistados foi o jornalista Marco Nascimento, hoje diretor de jornalismo da TV Gazeta, em São Paulo. Ele conta, sem rodeios, que Andrea Neves pediu sua cabeça logo depois das eleições, quando Nascimento era diretor de jornalismo da Globo MG, em função de uma série de matérias “que estavam sendo ruins para o governo”. “Imaginei que contaria com o apoio da Globo no Rio, mas estava enganado”, disse a Baeta. Procurado por Fórum, Nascimento disse que prefere não falar mais sobre esse assunto. Ele não imaginava que um trabalho de conclusão de curso fosse ter tamanha repercussão, a ponto de ser citado em matérias publicadas na Europa.

Outro que denunciou os abusos de Aécio, mas acabou voltando atrás, foi o jornalista esportivo Jorge Kajuru. Em maio de 2004, ele ficou furioso na véspera de um jogo da seleção brasileira no Mineirão. Com o microfone em punho, esbravejou: “Sobra ingresso para os convidados do governador de Minas, falta para o torcedor”. Resultado: foi demitido no intervalo. Irado, Kajuru fez um desabafo no programa do apresentador Clodovil. “A irmãzinha dele (Aécio) pede a cabeça de jornalista. Tem jornalista em Belo Horizonte perdendo emprego por causa dela. A emissora sofreu uma pressão enorme. Aécio deve estar rindo agora.”

Não resta dúvida de que o período mais agressivo das investidas de Andrea Neves contra os jornalistas foi entre 2003 e 2004. “Nos primeiros anos de governo, recebíamos muitas denúncias graves de jornalistas que reclamavam de cerceamento por parte dos editores. Havia ingerência direta do governo e da assessoria na cobertura. Era escancarado. Os proprietários eram pressionados e pressionavam os editores para barrar a divulgação de matérias ruins para o governo”, revela Alexandre Campelo, diretor do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais. “Os repórteres denunciavam mudanças e distorções nas matérias que escreviam. Nos últimos dois anos, as queixas diminuíram. Na minha opinião, a pressão, hoje, é mais financeira. A conjuntura profissional – leia-se falta de emprego – colabora para deixar os jornalistas com medo. A cobertura, por sua vez, continua chapa branca. É difícil ver notícias de impacto contra o governo ou o governador. Denúncias só aparecem em veículos de outros estados”, completa.

O caso Lindemberg

Não é de hoje que a imprensa mineira mantém relações promíscuas com o governo estadual. Há quem diga que a tradição nasceu com Assis Chateubriand e seu império, os Diários Associados, grupo que ainda hoje é forte no estado – é dono do jornal O Estado de Minas. Especulações à parte, existe um episódio curioso que passou completamente batido pela grande imprensa nacional, mas que merece ser observado com lupa. No último dia 19 de setembro, a revista IstoÉ publicou uma reportagem explosiva: “Exclusivo: Os documentos do mensalão mineiro”.

A repercussão foi imediata em todo o país, menos em Minas. Mas isso não vem ao caso. O que chama atenção é o fato de que o documento que deu origem à matéria – um relatório da Polícia Federal – está, hoje, disponível na internet para quem quiser ler e repercutir. Mas, curiosamente, existe pouca gente interessada no assunto. Fórum imprimiu e esmiuçou as 172 páginas do relatório. E descobriu que ainda existe muita pauta quase inédita para ser publicada. Em linhas gerais, o relatório – que se refere ao período em que o tucano Eduardo Azeredo foi governador e candidato a reeleição – mostra que toda a estrutura de caixa dois criada por Marcos Valério passava pela comunicação, por meio da simulação de gastos com comunicação.

Mas isso também não é novidade. Na página 151, entretanto, um nome salta aos olhos: Carlos Lindemberg Spínola Castro. Para quem não sabe, ele era na época e ainda é editor do jornal Hoje em Dia, que pertence à Igreja Universal e é um dos maiores do estado. No período investigado, o ano de 1998, quando Azeredo tentou a reeleição, Lindemberg recebeu da SMP&B, portanto da campanha, R$130 mil para dar “opiniões políticas”. Em depoimento para a Polícia Federal, ele reconhece que recebeu R$ 50 mil. Existe algum problema no fato de Lindemberg ser o responsável por um dos principais jornais do estado e receber dinheiro da campanha do governador que tenta a reeleição? A imprensa mineira acha que não. Tanto é que apenas um site no estado, o Novo Jornal, tocou no assunto. Outros jornais e revistas do Brasil chegaram a ensaiar a publicação do caso, mas foram “convencidos” a deixar quieto.

Fórum conversou com Lindemberg, que se defende. “Não existe relação entre uma coisa (ser diretor de um jornal) e outra (prestar serviço como consultor). Sempre prestei consultoria. Não trabalho para nenhum político ou agência, fui pago por uma agência de forma limpa. Tanto é que não há ilicitude em relação a mim.” Além de dizer que toda unanimidade é burra, Nelson Rodrigues (sempre ele) também disse, certa vez, em sua Flor de Obsessão: “o mineiro só é solidário no câncer”. Dessa vez, contudo, parece que ele errou.

Jornal mineiro é o mais vendido do Brasil

Pela primeira vez na história da imprensa brasileira os mineiros têm um jornal que é líder de circulação no país. Informa o Instituto de Verificador de Circulação (IVC) de agosto que o Super Notícia, tablóide diário de 25 centavos, vem mantendo uma média diária de 300.322 exemplares distribuídos. Isso é mais que a Folha de S.Paulo (299.010), O Globo (276.733), Extra (238.937) e O Estado de S.Paulo (238.752). Com 32 páginas de editorial e 13 de anúncio, o Super se transformou em um fenômeno abusando de sangue, mulher e futebol e reciclando material editorial dos jornais O Tempo e Pampulha, que pertencem ao mesmo grupo. O pai da idéia e dono do jornal é o empresário e político Vittorio Medioli, ex-deputado federal pelo PSDB, atualmente no PV.

FONTE: Revista Fórum

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nepotismo e Corrupção no PSDB Paulista - Investigar Porque?

Ex Governador José Serra é o Defensor Público de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto acusado pelo sumiço de R$4.000.000,00 da campanha tucana. Para Serra, ele é inocente e o assunto está encerrado!

DOMINGO ESPETACULAR



JORNAL DA RECORD

terça-feira, 12 de outubro de 2010

BOMBA: Paulo Preto que o Serra não conhece (sic) abre o jogo

Publicado na Folha.Com hoje, entrevista de Paulo Vieira de Souza, aquele que o Serra não conhece e afirma ser um factóide criado pelo PT.


"Não somos amigos, mas ele [Serra] me conhece muito bem. Até por uma questão de satisfação ao país, ele tem que responder [...] Acho um absurdo não ter resposta, porque quem cala consente". 

 

Engenheiro citado por Dilma em debate cobra 'resposta pública' de Serra

ANDRÉA MICHAEL
DE SÃO PAULO

Citado pela candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) como o homem que "fugiu" com R$ 4 milhões da campanha de José Serra (PSDB), o ex-diretor de Engenharia da Dersa Paulo Vieira de Souza cobrou em entrevista à Folha que a petista apresente provas e que o tucano o defenda.
Paulo Preto, como o ex-executivo da empresa estatal é conhecido, disse que todas as suas "atitudes" foram informadas a Serra. Por isso, diz, o tucano deveria responder às acusações que vem sofrendo.

"Não somos amigos, mas ele [Serra] me conhece muito bem. Até por uma questão de satisfação ao país, ele tem que responder [...] Acho um absurdo não ter resposta, porque quem cala consente".


No domingo, Paulo Preto foi citado por Dilma durante o debate da Band para atacar Serra. A petista disse que o rival deveria "se lembrar" de "seu assessor que fugiu com R$ 4 milhões, dinheiro da sua campanha"

As denúncias contra o ex-executivo foram publicadas inicialmente pela revista "IstoÉ". Segundo a revista, tucanos relataram que Preto teria arrecadado R$ 4 milhões, mas o dinheiro não foi declarado pelo PSDB. Tanto Preto quando o partido negam.

Apesar de cobrar explicações de Dilma, afirma que não vai processá-la. "Ela foi pautada por falsas informações publicadas."

Por meio de sua assessoria, Dilma disse que as referências feitas por ela foram publicadas pela imprensa e são de conhecimento público. A assessoria de Serra não respondeu a recado deixado na noite de ontem.

Inconformado por ter sido retirado da direção da Dersa, segundo diz, por ex-colegas do governo de São Paulo, ele manda um recado para antigos companheiros:
"Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro".

Autodeclarado arrogante, Preto, 62, nega ter arrecadado recursos para o partido mas diz que criou as melhores condições para que houvesse aporte de recursos em campanhas.

Isso porque, diz ele, deu a palavra final e fez os pagamentos no prazo às empreiteiras terceirizadas que atuaram nas grandes obras de São Paulo, como o Rodoanel, a avenida Jacu-Pêssego e a ampliação da Marginal.

"Ninguém nesse governo deu condições das empresas apoiarem [sic] mais recursos politicamente do que eu [...]"

Ultramaratonista, ele renega o apelido Paulo Preto e diz que, desde criança, sabia o que seria na vida: "rico".

O engenheiro reafirma sua amizade pelo senador eleito por São Paulo Aloysio Nunes (PSDB), de quem foi assessor durante o governo FHC. Aloysio informou que não irá se pronunciar.
Preto virou réu em ação penal depois de mandar avaliar um bracelete de diamantes comprado sem nota fiscal. A joia havia sido furtada.

À Folha ele afirma que foi vítima de uma armação política por trás do evento. "Armaram, e eu caí, tudo bem. Mas esse negócio de caixa dois, isso não."

Abaixo, a entrevista que Souza concedeu à Folha.

Folha - A candidata Dilma Roussef disse que o sr. fugiu com R$ 4 milhões. O sr. pretende tomar alguma providência contra ela?
Paulo Preto - O que eu posso dizer é que a candidata Dilma só fala o que ela prova. Eu gostaria que ela provasse que eu sumi com o dinheiro e gostaria que o candidato Serra se posicionasse e dissesse se eu sumi com o dinheiro, porque ele é bem informado sobre minhas ações no governo. Por que eu? Porque eu cuidei das maiores obras. Fiz, paguei, terminei no prazo, os empresários tiveram lucro e doaram para a campanha muito mais do que R$ 4 milhões _isso é irrisório perto do que eles doaram. Acho leviano o pessoal do PSDB fazer essas acusações como fez na revista "IstoÉ". Tomei medidas judiciais contra Evandro Losacco e Eduardo Jorge que vão responder por danos morais. Os demais que me acusaram já se retrataram.
Não somos amigos, mas ele [Serra] me conhece muito bem. Até por uma questão de satisfação ao país, ele tem que responder. Não tem atitude minha que não tenha sido informada a ele. Acho um absurdo não ter resposta, porque quem casa consente.

Folha - Por que o sr. acha que dirigentes tucanos disseram à imprensa que o sr. arrecadou dinheiro de empresários e não repassou ao PSDB?
Ninguém nesse governo deu condições das empresas apoiarem mais recursos politicamente do que eu, ninguém fez mais do que eu fiz. O que é o gestor público, o que é a empresa privada? Todas elas, sabidamente, desde D. Pedro, apoiam campanha política. Eu vou falar da campanha política oficial. Como é que as empresas apoiam? Apoiam porque prestam um serviço tanto para a iniciativa privada quanto para o governo. E o que eles esperam do gestor público? Que seja cumprido o que é combinado com eles: prazo e pagamento. Para cumprir prazo, o gestor público tem que providenciar o que? Frente de obra nas condições.... meio ambiente, desapropriação, reassentamento, deixar os caras entrarem, cumprir o prazo e receber. Então, eu sou o gestor público que mais condições deu a eles. Se quiserem, é um direito deles, de propiciarem, terem recursos para apoiar politicamente quem eles quiserem. É um direito deles.

Então, por ter honrado esses compromissos de prazo e investimento, o sr. seria a pessoa mais credenciada...
Eu fui o cara desse governo mais bem-sucedido em entrega de empreendimentos. Não tenha dúvidas disso. Não sou interlocutor [das empresas]. O governo nunca me pediu isso. Eu estive com o governador Serra umas dez vezes, ele nunca me pediu nada disso. Se o empresário tiver lucro, ele apoia. Se não tiver, não apoia. Na lista de apoio aos candidatos estará o nome de todas essas empresas [que trabalharam no Rodoanel, Marginal e Jacu Pêssego].
Dia 11 de agosto sai uma matéria dizendo que os senadores, candidato a governador viraram as costas para o Serra. No dia 18, o Eduardo Jorge, que nunca me viu na vida, Evandro Losacco, que nunca me viu, José Aníbal, que nunca me cumprimentou, nunca trocou uma palavra comigo.... Uma semana depois soltam uma matéria dizendo que eu arrecadei R$ 4 milhões, mais que o PSDB nacional, e ainda no caixa dois. Sai a entrevista, uma semana depois o EJ vem e diz que não falou nada daquilo. Foi a primeira vez que me chamaram de Paulo Preto. Eu nunca tinha ouvido ninguém me chamar assim. O apelido ou é depreciativo ou é carinhoso. Não sou um alemão...
O que me espanta nesse sr Eduardo Jorge, que eu não conheço, é que ele processou todos os veículos de comunicação por terem feito com ele o que ele fez comigo agora. A mesma coisa o sr. Losacco. Ele é candidato. Eu fico abismado... Eu só fiz o bem para esse pessoal. No primeiro dia que saiu, eu me reuni com o meu advogado e disse: quero processar esses caras. Eu trabalhei para um governo que eu imagino honesto até hoje. O governador é correto. O Aloysio, o [Francisco] Luna, [secretário de Planejamento,] são corretos. Os caras mentiram.

Eu procurei o sr. Aloysio. Por meio da assessoria, ele disse que não tinha declarações a dar a seu respeito, que tudo que tinha a dizer sobre esse assunto ele já havia dito em uma nota no ano passado. Isso é amigo?
Eu sei que eu sou amigo dele. E a mim ele sempre deu demonstração de amizade. Fui com o Aloysio para Brasília, quando ele assumiu a Secretaria Geral da Presidência. Precisava tocar os programas do presidente, o Brasil Empreendedor Rural, micro, pequenas e médias empresas, crise energética. Fui trabalhar com Pedro Parente, puta executivo. O cara que falar mal dele e do Lula para mim tá condenado. Os incompetentes não me entendem, só os competentes.
O povo não podia entrar no Palácio [do Planalto]. Eu disse: "Aloysio, o povo tem que entrar no Palácio". É isso que esse presidente [Lula] faz. É o "Cara". E não sou eu quem diz isso, é o [presidente dos EUA,] Barack Obama.
Eram 17 ministérios, e eu só sentava com o cara abaixo do ministro, gente que tinha comando. Recebia em Brasília todos os executivos de todos os órgãos públicos do Brasil inteiro. Fui à casa do presidente duas ou três vezes, mas ele não me conhece.
Depois eu não quis vir para a Prefeitura [de São Paulo, com José Serra] porque eu achava que não tinha uma coisa dentro da minha capacidade para realizar.
Aloysio é o braço direito do Serra, o número um. O Aloysio foi o braço direito dele. É impossível ter acontecido alguma coisa nesse governo Serra sem Francisco Vidal Luna, [secretário de Planejamento]. Aliás, governo Serra é Francisco Vidal Luna, Mauro Ricardo, [secretário de Fazenda] e Aloysio Nunes Ferreira. Só a eles que que me reportava. Mais ao Luna, que é técnico, menos ao Aloysio, que é político.
Aí o mercado queria fazer a Marginal --as empresas Andrade, Camargo.... precisavam de um profissional. Eu ia ser vice-presidente da Dersa, que é o pior cargo do mundo. Eu não aceito ser vice em lugar nenhum. A Marginal começou a ir pra frente. Conheci o Luna, e aí dei a ideia da Jacu-Pêssego, parada desde Jânio Quadros, com problemas no TCU. Consegui fazer um convênio e trazer a obra para a Dersa. Negociei, reduzi em 23% o preço. Foi a primeira, a única obra inaugurada na Dersa nesse período. Eu era diretor de Relações Institucionais. Criou-se essa diretoria, que fazia os convênios das obras, como a Marginal e a Jacu-Pêssego.
Acabou o governo do Alckmin e eu continuei na administração. Não digo que gosto de todos, mas fui o único que continuei no governo.

E quem não queria?
Eu já estava lá na transição. Eu queria ter sido diretor de Engenharia da Dersa. Quem entrou na época foi o Thomaz de Aquino... toda a equipe do [governador Alberto] Goldman. No princípio, eu não era da equipe deles, não fui indicado por eles. O Mauro Arce, [secretário de Transportes], indicou o diretor de engenharia, uma pessoa honesta, mas, sinto muito, ele não tinha condição de ser diretor de engenharia. O setor público, quando se faz a nomeação de uma pessoa, tem que ver a vida pregressa dela. Será que alguém acreditava que o Dunga poderia dar certo se ele nunca foi técnico de nada? E o Maradona? Foram grandes jogadores.
Nessa época não se falava em Rodoanel. O governo achava que era impossível fazer o Rodoanel. Nem vou falar mal do [Mauro] Arce, ele sempre acha tudo impossível. Para que colocar data se você pode só colocar meta? Eu disse ao governo: eu faço o Rodoanel.

Quando o sr. entrou na Dersa?
Em 2005, no governo Alckmin, para cuidar da Marginal. Em 2007 veio o Rodoanel. Aí o pessoal que estava lá começou a me respeitar. Eu coloquei data: 27 de março de 2010, às 11h45 --porque eu gosto de quarto de hora, não porque 45 tenha simbologia com alguma coisa. Todas as obras que eu coordenei tinham data e hora para terminar. Já ouvi declaração do governador atual [Alberto Goldman] que não é isso: que o importante é ter meta. Para mim, o importante é ter data.

Por que tiraram o sr. da Dersa?
Porque eu sou uma ameaça para os incompetentes.
Pela minha maneira de ser, de eu me posicionar. Acredito que o próprio governador, o meu estilo não era o estilo dele, não era o estilo do Arce. Eu recebi por escrito aqui os cinco mandamentos que regem a vida do Mauro Arce: "Não pense. Se pensar, não fale. Se falar não escreva. Se escrever, não assine. Se escrever e assinar, aguente as consequências". Ele é um sábio. Tudo isso aconteceu comigo.

O sr. já levantou fundos para campanhas políticas?
Nenhuma vez, para ninguém, nem para o Aloysio.

Já recebeu dinheiro de empreiteiro?
Nem uma única vez.

Já pediu?
Nunca.

Já ofereceram?
A mim? Não.

Nunca arrecadou recursos mesmo?
Não.

E de onde o sr. acha que surgiu a história desse caixa dois de R$ 4 milhões?
Eles pediram para os empresários, que não quiseram dar. Esse cara cuidou das [estradas] vicinais [Losacco], por indicação do governador. Eu acho que quem criou a matéria foi ele. Acho que não foi Eduardo Jorge. Acho que quem criou esse assunto não foi a imprensa. Eu tenho um raciocínio íntimo. Qual o cara que mais apareceu no governo Serra? Qual o único cara que foi demitido? Eu. Qual o único cara que entregou todas as obras no horário marcado? Eu.

E agora o que o sr. está fazendo?
Eu agora só vivo por conta de entrevista, bracelete da [joalheria] Gucci....

O sr. foi denunciado criminalmente à Justiça e hoje responde a ação penal em decorrência de tentar avaliar uma joia que teria sido roubada.
Se fosse autêntico e se valesse aquilo eu ia comprar aquele bracelete e daria pra minha mulher no final do ano. Comprei uma joia, sem nota _quem disser que dá nota está mentindo. Fui para o meu carro e, quando vi que era da Gucci, decidi saber se era autêntico. Cheguei na Gucci e disse: "é possível você avaliar a autenticidade dessa joia"? A vendedora pegou a joia e foi lá para dentro. Eu fiquei experimentando sapato. Chamaram a polícia. Me pediram documento. Eu não ando com documento. Assinei um termo dizendo que me dispunha a ir à delegacia prestar esclarecimento como testemunha. Fui para a delegacia com meu carro, dirigindo. Depois chegou a delegada e disse "tá todo mundo preso". Armaram e eu caí, tudo bem. Mas esse negócio de caixa dois, isso não.

FONTE: Folha de São Paulo

domingo, 10 de outubro de 2010

20 anos de PSDB em SP: litoral norte bate em 2010 recorde de praias impróprias

É o (des)Governo de São Paulo Trabalhando por Você!

O litoral norte de São Paulo registrou neste ano o maior número de praias em condições impróprias para banho desde o início da década. Levantamento feito a partir dos boletins semanais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) aponta que 56 dos 83 pontos medidos pela estatal nos municípios de São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba receberam bandeiras vermelhas até a primeira semana de outubro, o que equivale a 67,4% do total de praias da região.

A bandeira vermelha indica na praia a presença de uma bactéria que se prolifera no esgoto em quantidade suficiente para fazer mal à saúde dos banhistas. Até este ano, o recorde anterior havia sido registrado em 2008, quando 50 praias foram reprovadas pela Cetesb (60,2%).

Este ano, o município em situação mais preocupante é o de Ilhabela, onde 92,3% das praias apresentaram condições impróprias para banho ao menos uma vez neste ano. Apenas o Saco da Capela esteve livre das bandeiras vermelhas.

O município de São Sebastião também contribuiu para a marca negativa de 2010, com 24 de suas 29 praias impróprias para banho ao longo deste ano (82,75%). As únicas praias livres das restrições da Cetesb foram a praia Grande, Guaecá, Santiago, Paúba e Boracéia, na altura da rua Cubatão.

Segundo o boletim da Cetesb para esta semana, 12 pontos de medição do litoral norte estão em condições impróprias: Iperoig, Itaguá, Enseada, Perequê-Mirim, Lázaro e a foz do rio Itambuca, em Ubatuba; Indaiá, em Caraguatatuba; São Francisco, Arrastão e Pontal da Cruz, em São Sebastião; Armação e Pinto, em Ilhabela.

Na Baixada Santista, 40 pontos estão com bandeira vermelha: todas as praias de Mongaguá, de Praia Grande, São Vicente e de Santos, sete em Itanhaém, uma em Peruíbe e uma no Guarujá. No litoral sul, todas as praias têm boas condições.

FONTE: Site Terra

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Jogo Sujo: Uma Especialidade do PSDB?

Beto Richa perde inserções de rádio e TV até o fim da campanha

Roger Pereira
Direto de Curitiba
O candidato do PSDB ao governo do Paraná, Beto Richa, perdeu por decisão do juiz Luciano Carrasco, proferida na tarde desta terça-feira (28), todas as inserções gratuitas de 30 segundos dentro da programação das emissoras de rádio e televisão até o final da campanha eleitoral, na próxima quinta-feira (30).

Beto foi condenado por ter invadido o horário dos candidatos ao Senado de sua chapa, Gustavo Fruet (PSDB) e Ricardo Barros (PP), para atacar seu principal adversário, Osmar Dias (PDT).

Nas inserções dos candidatos ao Senado de sábado (25) e domingo (26), em vez de aparecerem Fruet ou Barros fazendo sua propaganda, foi mostrado um vídeo com o ex-governador Roberto Requião (PMDB), hoje candidato ao Senado na chapa de Osmar Dias, fazendo duras críticas ao senador, seu adversário em 2006 e hoje seu aliado, para questionar a coerência da chapa adversária.

No vídeo, de 2006, usado pela campanha tucana, Requião, então governador reeleito, diz ter recebido denúncias sobre um negócio ilícito em que Osmar Dias teria adquirido sua fazenda em Tocantins. No horário eleitoral do pedetista, Requião apareceu para dizer que, na época, fez o que todos devem fazer: "recebi uma denúncia e encaminhei ao Ministério Público, que constatou que a compra foi legal. Eu sei disso, o Beto sabe disso", declara.

O ex-prefeito de Curitiba está sujeito, ainda, a uma multa de R$ 500 mil caso volte a usar o tempo dos candidatos de seu partido ao Senado ou às proporcionais.

FONTE: Redação Terra

sábado, 25 de setembro de 2010

Economista Preparado, Serra demonstra que sabe fazer conta

Abaixo vídeo do mais preparado para ser Presidente da República, o economista (ainda não vimos o seu diploma), José Serra explica como irá aumentar o salário mínimo para R$ 600,00 para o Brasil todo á partir de Janeiro/2011. Como diz o Paulo Henrique Amorim: Ele é um JENIO"




Seria Cômico se não fosse Trágico!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Rejeição a Serra em SP pode eleger Mercadante



Por Eduardo Guimarães:

Há uma teoria ganhando corpo que, há algumas semanas, parecia-me totalmente inverossímil. Todavia, nos últimos dias deparei com indícios de que ela pode ter um quê de fundamento. É sobre a sucessão ao governo do Estado de São Paulo, a última cidadela do PSDB.

Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 4 revelou que a oposição pode sofrer uma hecatombe eleitoral. A rejeição de José Serra em seu Estado ultrapassou a de Dilma Rousseff – 29% e 26% dos paulistas não votariam, respectivamente, no ex-governador e em sua principal adversária.

O fenômeno revelado pelo Datafolha agora encontra correspondente no panorama político estadual.
Levantamento produzido pelo instituto de pesquisa paulista Ipespe divulgado no último sábado (18/09) mostra que a eleição para o governo de São Paulo está a 7 pontos do segundo turno.

Geraldo Alckmin aparece com 46% e Aloizio Mercadante, com 26%. Os demais candidatos têm 13%. Somando todo o bloco, são 39% das intenções de voto.

Vale uma informação: o instituto Ipespe é dirigido por Antonio Lavareda, especialista em pesquisa e marketing político. Ele trabalhou durante boa parte de sua carreira para o PSDB e segue tendo sólidas relações com o partido.

Feita a observação, analisemos os números da pesquisa. Como a sua margem de erro é de 3,2 pontos percentuais, Alckmin, no limite, pode ter 42,8% e os adversários, 42,2%, o que levaria a eleição paulista para muito perto do segundo turno.

Como várias outras sondagens revelam que as denúncias de Serra e da grande imprensa contra Dilma não produziram efeito, e que a rejeição do tucano continua subindo, é de supor que a persistência dele nessa campanha denuncista via mídia pode elevar ainda mais a sua rejeição.

Se Alckmin estiver mesmo sendo contaminado pela rejeição de Serra – e supondo que essa rejeição pode estar crescendo por força do bombardeio da mídia sobre Dilma –, o candidato tucano ao governo paulista poderá ver sua enorme vantagem se reduzir a nada em um eventual segundo turno.

Não é à toa que, por todo país, candidatos tucanos vêm escondendo Serra em suas propagandas e evitando ser vistos com ele. Há um sentimento de revolta no país com as táticas dele, sobretudo com aquela que lhe envolveu a própria filha. Isso ficará claro em 3 de outubro.

É uma boa notícia para São Paulo – ou uma boa hipótese –, se houver alternância de poder por aqui. A situação está catastrófica. Transporte, Saúde, Educação, Segurança… Tudo sucateado. Detalhe: são 16 anos de PSDB no Estado.

Se ocorrer um fenômeno dessas proporções, será um cataclismo político. Sem São Paulo, haverá uma desestruturação da oposição brasileira. Alijada de praticamente todas as administrações públicas de relevo, a oposição terá que se reinventar.

Todavia, de nada adiantará a oposição se reciclar se a mídia continuar cobrando ferocidade dos opositores de um provável governo Dilma como cobra dos tucanos e pefelês no governo Lula. Continuará a aposta no escândalo e no denuncismo como forma de retomada do poder.

Contudo, uma ressalva: a democracia é um sistema de pesos e contrapesos. Nenhum grupo político pode adquirir hegemonia. Como dizia John Emerich Edward Dalberg-Acton, primeiro Barão de Acton, “O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

O Brasil terá muito o que discutir depois que se extinguirem as chamas eleitorais.

FONTE: Blog da Cidadania

O que pensa o príncipe dos sociólogos que afundou o Brasil 3 vezes?

Para FHC as massas colocam a democracia em risco

Em entrevista a O Estado de S. Paulo, o ex-presidente tucano expõe o temor que a participação popular na política causa em líderes da oposição conservadora, como ele.

Por José Carlos Ruy

O debate político vai deixando cada vez mais claro o udenismo do PSDB, com ênfase no núcleo paulista do tucanato. Um aspecto dele ficou claro na entrevista que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu a O Estado de S. Paulo no domingo (19), onde expõe com clareza seu desprezo contra a massa e, simultaneamente, o temor de uma democratização mais profunda que assegure seu maior protagonismo.

Entre 1945 e 1965 a UDN (União Democrática Nacional) foi o partido do grande capital, dos banqueiros, dos aliados do imperialismo norte-americano e de amplos setores conservadores da classe média.

Seu programa tinha a mesma marca neoliberal do PSDB, se opunha ao desenvolvimento industrial e à incorporação dos trabalhadores à política. Defendia a integração subordinada do Brasil à divisão internacional do trabalho e às ordens do imperialismo norte-americano. Na oposição aos presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart (que lutaram para desenvolver e democratizar o país e afirmar a soberania nacional) a UDN destacou-se em campanhas de mídia movidas à base de denúncias de falcatruas, como as que a oposição promove hoje contra o governo Lula. Elas deram à UDN o mesmo caráter “moralista” que distingue seus atuais descendentes agrupados no PSDB e aqueles que giram em seu entorno.

A UDN foi a responsável direta pelo suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, no clímax de uma campanha que acusava o presidente de estar imerso num “mar de lama”, e pela deposição do presidente João Goulart, em 1964, acusado de montar uma “republica sindicalista”, de corrupção e, também, de comprometer a neutralidade e a imponência do cargo.

O caráter golpista e reacionário da UDN foi reconhecido por Afonso Arinos de Melo Franco que, embora líder daquela agremiação, era um democrata e um homem de bem. “Por trás da luta pela legalidade e contra Getúlio, de quem fui porta-voz, havia” disse ele em uma citação lembrada pela reportagem desta semana em CartaCapital sobre o udenismo dos tucanos, “também, a recusa do partido, militarista e conservador, em aceitar a fatalidade de certas mudanças”.

É contra a “fatalidade” de mudanças semelhantes às que o povo já exigia há mais de meio século, que o tucanato enfeita-se com o traje de vestais puras e honestas e reitera campanhas caluniosas contra o governo Lula e a candidata das forças de esquerda, Dilma Rousseff.

A entrevista de Fernando Henrique Cardoso a O Estado de S. Paulo tem o mérito de expor estes preconceitos antidemocráticos com clareza. Ele acusa Lula de juntar-se ao que “há de pior na cultura do conservadorismo” na política brasileira, quando o presidente aliou-se ao PMDB, o partido formado pelos democratas que lutaram contra a ditadura militar de 1964. Mas omite que ele próprio, FHC, se aliou àqueles que, na ditadura, estavam do outro lado, e apoiavam a perseguição policial contra os democratas, o atual DEM (que já foi Arena, depois PDS, depois PFL, antes de virar DEM).

No modo de ver de FHC não é daqueles herdeiros da perseguição política e da tortura que vem o risco para a democracia, mas... das massas populares. Ele investe contra a “democracia popular” afirmando que “democracia é mais do que ter maioria”, que é conquistada “à força pelas ditas democracias populares. Democracia também é respeito à lei, respeito à Constituição, respeito às minorias e à diversidade. Tudo isso é obscurecido nas democracias populares, onde se entende que, se você tem a maioria, você tem tudo e pode tudo”. Em outro ponto da entrevista, diz ser preciso demonstrar que “o sentimento popular, a incorporação da massa à política e a incorporação social podem conviver com a democracia”.

É preciso decifrar o que ele diz. Ele, que como presidente da República comandou os ataques que desfiguraram a Constituição de 1988, pede respeito à Constituição, às leis, às minorias e à diversidade. Até onde se sabe, no Brasil de hoje não há ameaças à legalidade, exceto o eterno sonho golpista da aliança entre a mídia e o tucanato; o respeito às minorias e à diversidade é manifesto, e qualquer mudança constitucional só pode ser feita alcançando as maiorias qualificadas exigidas pela Carta Magna.

O que aflige FHC, quando fala de “minorias”, “diversidade” e respeito “às leis” é a iminência de um tsunami que vai varrer do cenário setores da oposição e da direita, entre eles parcela significativa do atual núcleo de resistência direitista contra as mudanças, formado justamente pelo PSDB, DEM e PPS.

A ironia é assistir ao ex-presidente campeão de mudanças constitucionais e alterações institucionais clamar por garantias de imobilismo ante a ameaça do “sentimento popular” e da “incorporação da massa à política”.

Ele duvida que as massas populares possam conviver com a democracia. É preciso "ter limites", reclama, mirando a ação do presidente da República que, tendo justamente origem popular, conduz as massas para avanços que, na opinião do dirigente tucano, são ameaçadores.

Neste ponto FHC revela, em linguagem contemporânea, a mesma oposição udenista contra o protagonismo político do povo e dos trabalhadores. Na década de 1950 muitos udenistas defendiam a adoção do voto qualificado. Um deles, o jornalista Afonso Henriques, um chamado “voto cultural progressivo”: o voto do eleitor meramente alfabetizado valeria um; se ele tivesse diploma do curso primário, valeria dois; se tivesse escolaridade média ou superior incompleto, valeria três; se tivesse diploma do curso superior, valeria quatro.

A contradição que FHC identifica entre “democracia” e “incorporação das massas” tem um sentido excludente e elitista semelhante-. É o udenismo com feição contemporânea que, no dia 3 de outubro, o eleitor brasileiro vai derrotar e alojar no restrito lugar da história, e da política, que corresponde á sua decadente força social.


FONTE: Portal Vermelho

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Aécio Neves deixará o PSDB! Alguma surpresa?

Alguém imagina a possibilidade de um político como Aécio Neves continuar de parceria com Serra, FHC e Cia. ltda depois do chocolate que os Tucanos levarão nas próximas eleições?

Analistas isentos acreditam até mesmo na dissolução do PSDB como partido político. Se é exagero eu não sei, mas diante das manobras e baixarias impetradas pelo mesmo nessas eleições, demonstrando não ter uma plataforma política viável, talvez o fim esteja mais próximo do que se imagine.

Abaixo entrevista de Bob Fernandes no Terra com o Maurício Dias da Carta Capital que essa semana trás a bomba sobre a saída de Aécio e a deposita no colo do Serra, ou do Zé, sei-lá mais como ele quer ser chamado.

Autor da matéria da Carta Capital: "Aécio disse que vai sair do PSDB"

Bob Fernandes
Direto de São Paulo

Maurício Dias, editor especial, é o autor da capa da Carta Capital que chegou às bancas nesta sexta-feira (17) com o título: "Aécio deixará o PSDB. O ex-governador de Minas pretende fundar um novo partido e comandar uma oposição moderada". Conversei há pouco com Maurício Dias.

Terra - Maurício, embora a pergunta seja óbvia, você tem segurança sobre essa informação que publicou?
Mauricio Dias - Óbvio, óbvio, óbvio. Foi um jantar há duas semanas em Copacabana e tenho testemunhas.

Terra - Na casa de quem?
Maurício Dias - Isso eu não posso falar, mas tenho certeza de que vocês conseguem essa informação muito rapidamente.

Terra - Qual é o miolo da sua matéria?
Maurício Dias - Trata de um jantar que houve há duas semanas em Copacabana na casa de um empresário.

Terra - Sim, estou aqui com a revista. Você diz que em algum momento desse jantar, ele teria dito: "eu vou sair do PSDB", essa é a informação nuclear?
Maurício Dias - Essa é a informação central.

Terra - Falei com Aécio há pouco, e ele desmente cabalmente.
Maurício Dias - Claro que a reação do Aécio teria que ser essa de ficar bravo, isso cria algum constrangimento para ele, imagino.

Terra - O que mais você conclui nessa sua matéria?
Maurício Dias - Se a gente fosse se mover pela lógica, não há nenhuma novidade em o Aécio sair do PSDB, e é um jeito parecido com o do avô dele, Tancredo, que um dia disse "o meu MDB não é o MDB de (Miguel) Arraes", e daí ele saiu para fundar o PP.

Em tempo, o jantar teria ocorrido na residência do empresário Alexandre Accioly

FONTE: Terra

Maria Frô: Novo Brasil não comporta mais esse modelo de oposição golpista e elitista

Estou em Brasília desde terça-feira e conversei com muitas pessoas, muitas mesmo. Em todas as conversas o tema central era a eleição. Pessoas de todos os extratos sociais, vários da Classe C, entre elas o índice de rejeição a Serra é gigantesco. Pareceu-me claríssimo para a população que os factóides criados por Veja, Folha, reverberados em O Globo, na Globo e Estadão não convencem ninguém a não ser uma camada conservadora, despolitizada e que tem preconceitos em relação a Lula, Dilma, PT e o projeto político que eles representam.
A grande maioria da população brasileira não engole mais um candidato incompetente, autoritário, cuja vaidade está acima da atitude republicana, alimentado por uma mídia velha, igualmente golpista que está morrendo de medo de perder publicidade e que fala sempre para os mesmos.

Os brasileiros de bem, que amam o país, a democracia verdadeira, já decidiram seu voto e não querem retornar ao atraso e ao modo profundamente elitista e apartador de governar dos tucanos de São Paulo.

Falando em São Paulo, ontem com um carro emprestado rodei 230 quilômetros na BR060, estrada federal, ótimo estado de conservação, nenhum pedágio. Em São Paulo não andamos 50 quilômetros e gastamos em torno de 19 reais. Todo paulistano deveria fazer um favor a si mesmo, sair um pouco de São Paulo para conhecerem outras realidades. Veriam que outro mundo (e bem melhor) é possível.
No texto a seguir Maria Inês Nassif faz uma boa análise da capacidade que os brasileiros adquiriram de formar a sua opinião, independente do golpismo midiático, partidarizado. É a mesma sensação que tem Eduardo Guimarães ao escrever “Eu confio no povo brasileiro” argumentando que nestas eleições não vencerá um candidato ou um partido, mas a vontade popular que aprendeu que a política é crucial e pode mudar suas vidas.

Um modelo partidário trazido do atraso

Por Maria Inês Nassif, no Valor Econômico, via Diap

A “mexicanização” do quadro partidário brasileiro é um debate a ser colocado em devidos termos. A ameaça de que o PT, depois das eleições de outubro, se transforme num Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000, é apresentada como “denúncia”. Isso é, no mínimo, um equívoco.

A questão merece ser tratada criticamente por todos os atores do cenário político, sob pena de a eleição consolidar, de fato, e por um bom tempo, um único partido com condições de acesso ao poder pelo voto.

Essa perspectiva está colocada não porque o PT trapaceou, mas porque a oposição acreditou demais no seu poder de influenciar massas via convencimento das elites.

É uma estratégia medíocre de ação política, num mundo onde o acesso à informação tem aumentado e ao mesmo tempo saído da órbita exclusiva da influência dos grandes grupos, e num Brasil onde um grande número de cidadãos-eleitores deixou a pobreza absoluta, outro tanto ascendeu à classe média, a escolaridade aumentou, o acesso à internet é maior e a influência das elites sobre os mais pobres tornou-se muito, muito relativa.

Dos partidos na oposição, apenas o PSol, em passado recente, e o PPS, quando remotamente era PCB, conseguiram pelo menos formular idealmente um conceito de partido de massas.

O PSol fracassou porque foi criado na contramão de um crescimento espantoso do PT, partido do qual se originou, e do recuo de setores que, durante o mensalão, ensaiaram abandonar o partido de Lula. Amedrontados com a retórica pré-64 da oposição, esses setores acabaram lentamente retornando à órbita do petismo.

O PCB conseguiu a façanha de ser um partido de massas apenas quando tinha um líder carismático, Luiz Carlos Prestes. Como viveu boa parte de sua existência na clandestinidade, é difícil saber se teria vocação para sair da política de vanguarda e ganhar substância em setores mais amplos. O PPS, que o sucedeu, certamente não mostra essa capacidade.

O PT continua a exceção no quadro partidário. A estrutura montada pelo partido nacionalmente, quando começava a se perder na burocratização da máquina, foi salva pelo lado popular do governo Lula e pela ofensiva oposicionista. O partido não é mais o que era quando foi fundado, mas é certo que tem uma representação social.

As demais legendas, em especial as de oposição, não conseguiram sair da camisa de força dos partidos de quadros. O PSDB, que catalisou a oposição a Lula, e o DEM, com o qual é mais identificado, terceirizaram a ação partidária para uma mídia excessivamente simpática a um projeto que, mais do que de classes, é antipetista.

Todo trabalho de organização partidária, de formulação ideológica e de articulação orgânica foi substituído por uma única estratégia de cooptação, a propaganda política assumida pelos meios de comunicação tradicionais.

A vanguarda oposicionista tem sido a mídia. Esta, espelhando-se na velha estrutura social do país, tem praticado uma conversa exclusiva com os seus: assumiu um discurso para agradar a elite, que por sua vez perdeu quase totalmente seu poder de influência sobre os menos ricos e escolarizados. Os partidos de oposição e a mídia falam um para o outro. Pouco têm agregado em apoio popular, que significaria voto na urna e, portanto, vitória eleitoral.

A ideia de propaganda política via mídia, que para a esquerda pré-Muro de Berlim era uma parte da estratégia de tomada do poder, e para os social-democratas a estratégia de conquista do poder pelo voto, tornou-se a única ação efetiva da oposição brasileira, exercida, porém, de fora dos partidos.

Teoricamente, a mídia tradicional brasileira não é partidária. Na prática, exerce essa função no hiato deixado pela deficiente organização dos partidos que hoje estão na oposição ao presidente Lula. E o produto final não é exatamente a agregação de adeptos, mas uma conversa entre iguais, que se autoalimenta de um discurso trazido do udenismo, pouco propenso a conduzir um debate propriamente ideológico.

Esse não é um fenômeno pós-Lula simplesmente, embora os dois governos do presidente petista tenham dado grande contribuição a esse descolamento entre a “opinião pública” e a “opinião dos pobres”. Logo no início da redemocratização, foi instituído o voto do analfabeto.

Ao longo dos dois últimos governos – portanto, nos últimos 15 anos – ocorreram ganhos de cidadania via aumento de escolaridade e renda que, por si só, incentivam a autonomia do voto. Nos últimos sete anos, os programas de transferência de renda reforçaram essa tendência.

Esse contingente de novos eleitores ganhou autonomia de voto e se descolou da mídia tradicional. Nesse universo, os formadores de opinião pública – por sua vez formados pela mídia – não têm o mesmo acesso que tinham antigamente.

O ingresso dos antigos desletrados na era da informação tem se dado pela televisão – e aí o horário eleitoral gratuito é neutralizador – e um pouco pela internet, mas a decisão política ocorre por ganhos de cidadania.

Como a mídia tradicional é a única a operar como “propagandista” dos partidos de centro e de direita que nunca acharam necessário incorporar militância, formar quadros ou mesmo publicizar ideário, é de se supor que a capacidade de formação de consensos da mídia tradicional seja pouco significativa numa parcela do eleitorado que ascendeu recentemente ao mercado consumidor.

O bloco oposicionista, que inclui não apenas os partidos, mas a mídia tradicional, não entendeu as mudanças que ocorreram no país. O modelo partidário que trazem na cabeça é um que pressupõe alinhamento automático de parcelas da população com líderes distantes ou donos de votos locais, ou a submissão da “ignorância” popular à opinião formada por iluminados.

O novo Brasil não comporta mais isso. Esse modelo de política é elitista, porque não parte do princípio que as pessoas são iguais inclusive no direito de formar uma opinião própria.

FONTE: Blog Maria Frô