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domingo, 10 de outubro de 2010

Eduardo Guimarães: Ao marqueteiro do PT


Os jornais do domingo trazem uma sucessão de matérias sobre “desânimo” na campanha de Dilma Rousseff. Atribuem esse estado de espírito ao advento do segundo turno.  A profusão desse teor de matérias, muito além da conta, dá a medida não só de como esses veículos seguem atuando em grupo, mas do fato concreto de que tal desânimo é real.

Em vez da adoção das táticas difamatórias do adversário que alguns simpatizantes do PT pensam que é a solução neste momento, portanto, prefiro ocupar meu tempo com a elaboração de uma estratégia de esclarecimento dos fatos que considero limpa e eficaz.

Cena 1
Dois homens assistem a uma partida de futebol na tevê. São torcedores de um dos times em campo. A produção da cena trata de produzir algum diálogo casual entre eles de forma a tornar ainda mais verossímil uma situação que ocorre exaustivamente no cotidiano do brasileiro.

A partida começa. Logo nos primeiros segundos, o atacante do time para o qual os dois homens torcem dispara em direção à pequena área, dribla um, dribla dois e, enfim, é “calçado” por um zagueiro quando está prestes a marcar um gol diante de um goleiro que com seus dribles tirou da jogada.

Os jogadores dos dois times olham para o juiz, os dois homens que assistem à cena também olham para o canto da tela que enfocará a penalidade e o juiz observando-a. Em câmera lenta, o juiz não marca o pênalti. Das reações indignadas da equipe prejudicada, a câmera se volta para os dois homens que assistem à partida, que aparecem igualmente inconformados.

Cena 2
O atacante do time beneficiado uma vez pelo juiz recebe a bola em impedimento, dispara em direção ao gol adversário, dribla o goleiro e marca um tento. A câmera enfoca os dois torcedores do sofá correndo em direção à televisão, na qual também se pode ver os jogadores correndo em direção ao juiz.

A cena congela nesse ponto e entra o rapaz bonitão ou as duas garotas lindinhas da propaganda de Dilma Rousseff. Pode ser o rapaz, com aquele ar de moço sincero, ou aquela mocinha com ar angelical ou aquela bela negra de aparência franca e sagaz. Um deles diz a seguinte frase:
– Quando aquele que deveria zelar pela justiça em uma disputa resolve ser injusto ajudando um lado e prejudicando o outro fica mais difícil ganhar. Assim mesmo, muitas vezes uma equipe vence apesar da injustiça da arbitragem e das jogadas sujas do adversário.

Neste ponto, o escolhido para a locução aponta em direção à tela da TV.  Na cena seguinte, o atacante do time prejudicado dispara de novo em direção à área, sofre nova tentativa de pênalti, o juiz rouba de novo e não marca, mas o jogador se safa do zagueiro que tentou derrubá-lo, dribla o goleiro e marca o gol.

O moço e as duas moças da campanha de Dilma agora entram em frente da cena da comemoração do time injustiçado. E, um a um, vão dizendo o seguinte texto:
– Este jogo poderia ter sido resolvido no tempo regulamentar, mas jogadas sujas e uma arbitragem desonesta daquele que deveria zelar pela igualdade de oportunidades levaram a partida para a prorrogação.

– O que acontece no campo, muitas vezes pode acontecer na política. Os jogadores são os candidatos e os juízes são instituições como a imprensa e a Justiça. O povo fica na torcida, tanto nos estádios quanto nas eleições.

– Você não pode interferir como torcedor de futebol, mas pode interferir como eleitor. Ninguém quer tirar o juiz de campo em uma partida de futebol. O que se quer é que ele seja honesto. Mas como eleitor você pode contrariar a opinião do juiz e votar no injustiçado.

Nesta fase da campanha, esse comercial levaria as pessoas a refletirem sobre a equidade do jogo eleitoral que está sendo disputado entre Dilma Rousseff e José Serra. Não teria havido nenhum “ataque à imprensa” nem daria para chamar a peça de tentativa de censura.

Há meios de levar as pessoas a pensarem, de tirá-las do transe gerado pelo bombardeio midiático. E é preciso fazê-lo. Serra não tem apenas o horário eleitoral da TV, durante 30 minutos esquartejados e divididos ao longo da programação diária. Tem propaganda de toda a grande imprensa o tempo todo. Só que, em vez de falar bem dele, fala mal da adversária.

Não se pode deixar de reconhecer que esta eleição, até aqui, tem feito velhas estratégias funcionarem como não funcionaram em 2002 e em 2006. E o mais paradoxal nessa situação é que velhas estratégias como a da “terceira via” e a da maledicência ou dos escândalos pré-eleitores funcionaram. Até porque, o eleitor hoje não está mais no desespero…

Vejam só essa questão do aborto. Em 2002, por exemplo, não teria colado. A onda vermelha cobriu o Brasil porque ninguém estava ligando para o terrorismo eleitoral. O país estava arrasado. Não havia emprego, a inflação disparara, o clima era de tentar alguma coisa porque mais uma vez um governo salvacionista havia dado com os burros n’água.

Hoje, estamos nos dando ao luxo de sociedades desenvolvidas ao colocarmos os tabus moralistas acima do bolso. Parte da população se esqueceu do que foram os anos difíceis em que o PSDB governava. Novamente a campanha de Dilma não se lembra de lembrar à sociedade a situação da qual este governo a tirou.

Assim fica realmente difícil, não acha, sr. Marqueteiro do PT?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Aliados do PT propõem 'artilharia' contra ataques no 2º turno

Em reunião com governadores e parlamentares aliados eleitos, a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, e o presidente nacional petista, José Eduardo Dutra, discutiram nessa segunda-feira (4) a montagem de um "grupo de artilharia" para debater, na nova etapa do processo eleitoral, ataques que a presidenciável venha a sofrer até o dia 31 de outubro.

A estratégia, que englobaria tanto acusações da campanha do tucano José Serra quanto informações veiculadas pela imprensa, é semelhante ao que se chamou de "central anti-boatos" na campanha do ex-governador de São Paulo.

O grupo terá, além de ministros de Estado, governadores e parlamentares eleitos em primeiro turno, de acordo com avaliação petista, grande influência no combate à disseminação de notícias desfavoráveis à ex-chefe da Casa Civil.

O grupo de artilharia, sugerido por José Eduardo Dutra, atuaria de forma simultânea a um "grupo de diplomacia", que pode ter os mesmos aliados, para manter contatos com lideranças políticas e angariar apoio de setores que não votaram em Dilma no dia 3 de outubro.

FONTE: Terra

domingo, 3 de outubro de 2010

A eleição em SP não está decidida

Por Altamiro Borges

Apesar da torcida escancarada da mídia demotucana, a eleição em São Paulo não está decidida. Haverá muita adrenalina no processo da apuração. Segundo o Ibope, o ex-governador Geraldo Alckmin, seguidor do Opus Dei, aparece com 51% dos votos válidos; o petista Aloizio Mercadante subiu para 33%, numa expressiva arrancada na reta final; Celso Russomanno (PP)tem 8%; Paulo Skaf (PSB), 6%; e Fabio Feldman, 2%. Eles somam 49% dos votos válidos, numa pesquisa em que a margem de erro é de 2%.

Há uma evidente "fadiga de material" com os 16 anos de reinado do tucanato em São Paulo. Mas o primeiro turno ainda não foi suficiente para mostrar à sociedade todos os estragos causados pela hegemonia do PSDB, que travou o desenvolvimento do estado - emperrou a tal locomotiva - e agravou os problemas sociais do povo paulista.

O segundo turno teria o mérito de evidenciar os enormes danos causados, que a mídia demotucana sempre blindou, num impressionante processo de proteção aos tucanos. A militância nas ruas, principalmente nas abandonadas periferias, será decisiva neste dia do voto na urna eletrônica. Há espaço para reverter muitos votos.

Disputa para o Senado

Prova de que é possível uma surpresa na disputa para governador é que pela primeira vez o candidato da direita à sucessão, José Serra, deverá sofrer uma derrota no estado. No início da campanha, os tucanos avaliavam que teriam cinco milhões de votos a mais na disputa presidencial. Até os partidos da base de apoio do governo Lula trabalhavam com a hipótese de 2,5 milhões de votos de diferença para o tucano. Agora, porém, as pesquisas indicam vitória de Dilma Rousseff em São Paulo.

Outra prova contundente da "fadiga dos tucanos" no estado se dá na eleição para o Senado. As pesquisas já confirmam a vitória de Netinho do Paula, do PCdoB, e de Marta Suplicy, do PT. A direita fez de tudo para evitar ficar de fora do Senado. Na reta final, ela concentrou todas suas fichas na campanha do tucano Aloysio Nunes.

Orestes Quércia, do PMDB serrista, abandanou a disputa e cedeu seu tempo na TV para o tucano. A Folha de S.Paulo chegou a "matar" o senador Romeu Tuma, num dos maiores crimes da mídia demotucana, talvez para tentar ajudar o candidato do PSDB. A onda de baixarias contra Marta e, principalmente, contra Netinho, foi nojenta. Mesmo assim, o tucanato ficará de fora do Senado no mais importante estado da federação.

FONTE: Blog do Miro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Rejeição a Serra em SP pode eleger Mercadante



Por Eduardo Guimarães:

Há uma teoria ganhando corpo que, há algumas semanas, parecia-me totalmente inverossímil. Todavia, nos últimos dias deparei com indícios de que ela pode ter um quê de fundamento. É sobre a sucessão ao governo do Estado de São Paulo, a última cidadela do PSDB.

Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 4 revelou que a oposição pode sofrer uma hecatombe eleitoral. A rejeição de José Serra em seu Estado ultrapassou a de Dilma Rousseff – 29% e 26% dos paulistas não votariam, respectivamente, no ex-governador e em sua principal adversária.

O fenômeno revelado pelo Datafolha agora encontra correspondente no panorama político estadual.
Levantamento produzido pelo instituto de pesquisa paulista Ipespe divulgado no último sábado (18/09) mostra que a eleição para o governo de São Paulo está a 7 pontos do segundo turno.

Geraldo Alckmin aparece com 46% e Aloizio Mercadante, com 26%. Os demais candidatos têm 13%. Somando todo o bloco, são 39% das intenções de voto.

Vale uma informação: o instituto Ipespe é dirigido por Antonio Lavareda, especialista em pesquisa e marketing político. Ele trabalhou durante boa parte de sua carreira para o PSDB e segue tendo sólidas relações com o partido.

Feita a observação, analisemos os números da pesquisa. Como a sua margem de erro é de 3,2 pontos percentuais, Alckmin, no limite, pode ter 42,8% e os adversários, 42,2%, o que levaria a eleição paulista para muito perto do segundo turno.

Como várias outras sondagens revelam que as denúncias de Serra e da grande imprensa contra Dilma não produziram efeito, e que a rejeição do tucano continua subindo, é de supor que a persistência dele nessa campanha denuncista via mídia pode elevar ainda mais a sua rejeição.

Se Alckmin estiver mesmo sendo contaminado pela rejeição de Serra – e supondo que essa rejeição pode estar crescendo por força do bombardeio da mídia sobre Dilma –, o candidato tucano ao governo paulista poderá ver sua enorme vantagem se reduzir a nada em um eventual segundo turno.

Não é à toa que, por todo país, candidatos tucanos vêm escondendo Serra em suas propagandas e evitando ser vistos com ele. Há um sentimento de revolta no país com as táticas dele, sobretudo com aquela que lhe envolveu a própria filha. Isso ficará claro em 3 de outubro.

É uma boa notícia para São Paulo – ou uma boa hipótese –, se houver alternância de poder por aqui. A situação está catastrófica. Transporte, Saúde, Educação, Segurança… Tudo sucateado. Detalhe: são 16 anos de PSDB no Estado.

Se ocorrer um fenômeno dessas proporções, será um cataclismo político. Sem São Paulo, haverá uma desestruturação da oposição brasileira. Alijada de praticamente todas as administrações públicas de relevo, a oposição terá que se reinventar.

Todavia, de nada adiantará a oposição se reciclar se a mídia continuar cobrando ferocidade dos opositores de um provável governo Dilma como cobra dos tucanos e pefelês no governo Lula. Continuará a aposta no escândalo e no denuncismo como forma de retomada do poder.

Contudo, uma ressalva: a democracia é um sistema de pesos e contrapesos. Nenhum grupo político pode adquirir hegemonia. Como dizia John Emerich Edward Dalberg-Acton, primeiro Barão de Acton, “O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

O Brasil terá muito o que discutir depois que se extinguirem as chamas eleitorais.

FONTE: Blog da Cidadania

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Rodrigo Vianna: Os estragos que a velha mídia pode causar

Para atacar o centro do poder e da coligação lulo-dilmista, a velha mídia se aliou a um empresário que já passou dez meses na cadeia.

Nassif explicou quem é o empresário que serviu de “fonte” para a “Folha”, na nova denúncia a envolver o nome da (agora) ex-ministra Erenice Guerra. O tal empresário narra episódios ocorridos há meses e que, convenientemente, resssurgem agora – do nada – em plena reta final da eleição.

Acho normal que a imprensa vasculhe as relações de personagens próximos aos principais candidatos. É a tal função fiscalizadora do poder. O curioso é saber: por que a fiscalização é unilateral? Nos velhos jornais e revistas, nenhuma palavra sobre Ricardo Sérgio, sobre Preciado e tantos outros personagens próximos a Serra. Leandro Fortes escreveu sobre o silêncio generalizado - na velha mídia – a respeito da denúncia que ele, Leandro, levou ás páginas da CartaCapital: mostrou como a empresa de Verônica Serra, a Decidir, quebrou o sigilo de milhões de brasileiros.

Esse é o jogo. Sujo. Por isso, desde que Dilma passou Serra nas pesquisas, dedico-me a escrever aqui: calma, gente. Serra está em queda, a mídia já nao tem tanto poder. OK. Mas, juntos, podem sim provocar estragos. Meus argumentos estão num texto intitulado “Sobre fábulas e o menosprezo”.

Acabamos de ver comprovada minha tese. O governo Lula aceitou a pressão midiática, e Erenice se demitiu.

A “Folha” derrubou Erenice. Esse é o fato. Um jornal que perdeu muita força, mas que hoje – como “produtor de conteúdo” para as edições do “JN” e para os programas de Serra na TV – ainda tem algum peso.

As pesquisas mostram que grande parte do eleitorado não muda o voto em Dilma por conta do escândalo. Isso é fato.

Outros fatos:

- nas camadas médias, entre eleitores mais escolarizados e com renda mais alta, Dilma caiu sim após o bombardeio; se dependesse apenas desse segmento, a eleição iria pra segundo turno;

- nos setores populares e mais próximos do lulismo, a tática do escândalo não pega; o que poderia pegar é o terror religioso; e isso está em marcha, como escrevi aqui; nos últimos dias, tive relatos de gente que, no trabalho, já começou a ouvir de colegas (de origem humilde) que “o pastor pediu pra não votar na mulher do Lula, porque ela é a favor do aborto”.

Isso quer dizer o que? Por agora, os números indicam vitória no primeiro turno, e Serra ainda tem que pagar um preço alto por bater tanto: cresce a rejeição a ele. Isso é um “meio” problema. Para Serra forçar o segundo turno, basta que Dilma perca votos – mesmo que o tucano não os ganhe. Para isso, existe Marina Silva. Ela é claramente contra o aborto, evangélica, pode receber parte dos votos que Dilma venha a perder se a campanha do terror religioso prosperar.

Vamos aos números. No DataFolha (com resultado muito parecido ao do Sensus), Dilma tem 51%, Serra 27% e Marina 11%. Se calcularmos que Plinio e os nanicos cheguem a 1%, teríamos o seguinte quadro: Dilma 51% x Todos os outros 39%. Parece muito, mas não é. A diferença é de 12 pontos. Portanto, bastaria Serra tirar 6 pontos de Dilma, transferindo esse total para Marina, Plinio e para o próprio tucano.

Como?

Paulo Henrique Amorim já avisou que Onésimo vem aí. Quem é ele? O tal araponga que a turma do PT – em dado momento- teria tentado contactar (e contratar?). Onésimo conversou com a “Veja” essa semana.

Portanto, teremos nos próximos dias o seguintes quadro:

- governo ainda a sangrar pelo escândalo de Erenice e a saída da ministra;

- novas denúncias do consórcio “Veja”/”Folha”, que ganharão farto espaço no “JN”;

- campanha terrorista nas Igrejas.

Serra não precisa de muito pra forçar o segundo turno: basta que ele chegue a 29%, Marina suba para 15% e Dilma caia para 45%.

Impossível? Eu não acho. Tenho dito isso há 3 meses. Ainda mais porque parte do eleitorado dilmista pode ter dificuldades com a exigência de dois documentos para votar.

O governo Lula não enfrentou o PIG durante 8 anos. Franklin Martins teve um papel importante, democratizando em parte o acesso às verbas públicas de publicidade. O PIG chiou, a grana agora vai para mais jornais, não só a velha turma. Isso foi feito.

Mas e o trabalho político e pedagógico de mostrar o que é essa velha mídia? Lula poderia ter travado esse combate. Não o fez. Tentou ganhar no gogó. Em parte teve sucesso, mas mesmo assim precisou encarar segundo turno em 2006 – graças a 15 dias de bombardeio, numa eleição que parecia ganha.

E se agora vierem mais 15 dias de bombardeio, como em 2006? Vocês acham impossível virar 6 pontos percentuais? O guru indiano, os pastores e padres de direita, os Civita, o Ali Kamel, a família Marinho e o Serra. Nem eu. Lamento estar em péssima compania.

Como enfrentar esse quadro? Com resposta política dos movimentos sociais. O ato público covocado pelo Barão de Itararé é só um exemplo. Mas falta o ator principal entrar em campo: Lula precisa vir a público e peitar a velha mídia.

Não o fez durante 8 anos. Fará isso agora em 15 dias? O futuro da eleição pode passar por aí.

E, para concluir: mesmo que Dilma vença no primeiro turno, terá que pagar um preço altíssimo pelo fato de Lula não ter usado sua força para enfrentar esse complexo midiático – transformado em partido politico. Dilma iniciaria o governo já na defensiva. Encurralada pela velha mídia, e sem o apelo da mística lulista.

Um quadro político complicado. Mesmo que os números das pesquisas e da economia, hoje, apontem o contrário.

FONTE: O Escrevinhador

Paulo Henrique Amorim: Sigilo, Erenice é a Operação Lunus - 2010

A Lunus terá sempre a missão de criminalizar o Lula para derrubá-lo

O Golpe da quebra do sigilo e o Golpe da Erenice têm a mesma matriz: a Operação Lunus de 2002.

Este post é produto, apenas, da utilização de um dos dois neurônios de que dispõe este ordinário blogueiro (um dos neurônios, como se sabe, dedica-se exclusivamente a Daniel Dantas).

Está em curso uma Operação Lunus 2010.

Em 2002, José Serra desmanchou a candidatura de Roseana Sarney à Presidência com uma Operação Lunus.

Ele contou com o apoio do Ministerio Público (cuidado, Dr Gurgel !) Federal, da Policia Federal, sob a batuta do Marcelo Itagiba, e do próprio presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Foi quando fotografaram as cédulas na empresa do marido da Roseana.

E o Presidente da República recebeu no fax do Palácio do Alvorada a mensagem tranqulizadora: missão cumprida !

Isso foi numa sexta feira à noite e, no sábado, a revista Época (da Globo), sob a direção iluminada de Paulo Moreira Leite, trazia na capa as fotos da grana em cima da mesa.

Um Golpe de Mestre.

Depois, Serra desmanchou Ciro e partiu para desmanchar o Lula.

O que, de fato, conseguiu.

Como se sabe, Serra deu uma surra no Lula por 39% a 61%.

A Operação Lunus se compõe de “vigilantes”, de operadores do bas-fond da comunidade de informações, policiais semi-analfabetos, políticos do baixo clero, e milionários desocupados.

Eles produzem dossiês, reportagens, testemunhas bombas, fitas, audios, fotos e cameras indiscretas.

O resultado de uma Operação Lunus vai para o PiG 1 e a repercussão imediata para o PiG 2.

Depois é o PiG 3 quem recebe e a repercussão sai no Pig 4.

Até que todos os PiGs se realimentem da Operação Lunus.

Quem poderia dar um depoimento interessante sobre isso seria Marcio Aith, hoje assessor de imprensa do Serra.

Ele conhece isso por dentro e poderia denunciar o esquema numa trepidante reportagem na Folha (**).

Em 2006, a mesma Operação Lunus conseguiu desmanchar a denuncia das ambulâncias super-faturadas na jestão de José Serra/Barjas Negri, no Ministerio da Saude.

E, em cima das ambulâncias, criou o Golpe dos Aloprados.

Um delegado da Policia Federal (onde anda ele, o delegado Bruno ?) providenciou as fotos que o inclito delegado Paulo Lacerda tinha mandado fechar a quatro chaves.

As notas foram apropriadamente “furtadas” de cima da mesa do delegado Bruno pela equipe da produção do programa do Serra/Alckmin na tevê – a primeira a chegar -, pela Folha e pela Globo.

Na Globo, o reporter/heroi, Rodrigo Boccardi, foi premiado com a correspondência em Nova York.

A imediata repercussão levou a eleição para o segundo turno, a master class da carreira de Ali Kamel.

Clique aqui para ler “O primeiro Golpe já houve – falta o segundo”.

O produto da Operação Lunus é distribuido gratuitamente aos diversos órgãos do PiG (*).

O resultado da investigação passa a ter a paternidade do reporter escalado para dar corpo e forma ao conjunto de “informações” que a Operação Lunus produz.

Como enfrentar isso, no plano policial ?

Primeiro, o Governo deveria dispor de uma ABIN eficiente e, não, da ABIN castrada que resultou da defenestração do inclito delegado Paulo Lacerda pelo ataque bi-frontal desfechado por Gilmar Dantas (***) e o ministro serrista Nelson Jobim.

A melhor fonte de informação do Governo Lula é a internet.

Segundo, se a Policia Federal voltasse a ser republicana.

Ela também foi castrada pela defenestração do dr Paulo Lacerda e o iminente encarceramento do inclito delegado Protogenes Queiroz por seu algoz, Luiz Fernando Corrêa, que ainda não achou o audio do grampo.

Se fosse um sistema republicano, a ABIN identificava a ação criminosa, passava à Policia Federal e os operadores da Operação Lunus e os jornalistas que a ela se submetem iam todos para o PF Hilton.

De resto, não há o que fazer.

A Operação Lunus está em marcha.

O Golpe de hoje – Erenice – deleta o de ontem – o sigilo.

O de amanhã deletará o da Erenice, já demitida.

E se encerrará na edição de 1o. de outubro do jornal nacional, para quando, provavelmente, se reservará o Golpe mais baixo – sem que a Dilma conte com o horário eleitoral para refutar.

Por enquanto, a Roseana Sarney de 2010 é a brava Erenice Guerra.

Espera-se ardentemente que a Presidenta Dilma Rousseff instale uma banda larga neutra, universal e barata.

E aprove uma Ley de Medios.

O Brasil não pode ficar na mão do PiG e desses bandoleiros da Lunus.

Em tempo: convém lembrar que o FHC acabou de acusar o Lula de chefiar uma facção do tipo PCC.



Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) Clique aqui para ver como um eminente colonista (****) do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista (****) da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

(****) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Momento Histórico: Discurso da pré candidata Dilma Rousseff

"Queridas companheiras, Queridos companheiros

Para quem teve a vida sempre marcada pelo sonho e pela esperança de mudar o Brasil, este é para mim um dia extraordinário.

Meu partido -- o Partido dos Trabalhadores -- me confere a honrosa tarefa de dar continuidade à magnífica obra de um grande brasileiro.

A obra de um líder -- meu líder -- de quem muito eu tenho orgulho: o presidente Lula, o Lula.

Jamais pensei que a vida me reservasse tamanho desafio. Mas me sinto absolutamente preparada para enfrentá-lo - com humildade, com serenidade e com confiança.

Neste momento, ouço a voz da minha Minas Gerais, terra de minha infância e de minha juventude. Dessa Minas que me deu o sentimento de que vale a pena lutar, sim, pela liberdade e contra a injustiça. Ouço os versos de Drummond:
"Teus ombros suportam o mundo/ 
E ele não pesa mais do que a mão de uma criança"

Até hoje eu sinto o peso suave da mão de minha filha, quando nasceu.

Que força naquele momento ela me deu. Quanta vida ela me transmitiu. 

Quanta fé na humanidade me passou. Eram, naquela época, tempos difíceis.

Ferida no corpo e na alma, fui acolhida e adotada pelos gaúchos --- pelos gaúchos generosos, solidários, insubmissos, como são os gaúchos.

Naqueles anos de chumbo, onde a tirania parecia eterna, encontrei nos versos de outro poeta -- Mário Quintana -- a força necessária para seguir em frente. 

Mário Quintana disse:
"Todos estes que aí estão/
Atravancando o meu caminho,/ 
Eles passarão. 
Eu passarinho."

Eles passaram e nós hoje voamos livremente.

Voamos porque nascemos para ser livres.

Sem ódio, sem revanchismo e com serena convicção afirmo que nunca mais viveremos numa gaiola, numa jaula ou numa prisão.

Hoje estamos construindo um novo país na democracia. Um país que se reencontrou consigo mesmo. Onde todos, todos, mas todos mesmo, expressam livremente suas opiniões e suas idéias.

Mas um país que não tolera mais a injustiça social. Que descobriu que só será grande e forte se for de todos.

Vejo nesta manhã -- já quase tarde -- nos jovens que nos acompanham e nos mais velhos que aqui estão -- um extraordinário encontro de gerações. De gerações que, como a minha, levaram nosso compromisso do país e com o país às últimas consequências.

Amadureci. Amadurecemos nós todos.

Amadureci na vida. No estudo. No trabalho duro. Nas responsabilidades de governo no Rio Grande do Sul e, sobretudo, aqui no governo do Brasil.

Mas esse amadurecimento não se confunde com perda de convicções.

Não perdemos a indignação frente à desigualdade social, à privação de liberdade, às tentativas de submeter nosso país.

Não sucumbimos aos modismos ideológicos. Persistimos em nossas convicções, buscando, a partir delas, construir alternativas concretas e realistas.

Continuamos movidos a sonhos. Acreditando na força do povo brasileiro, em sua capacidade de construir um mundo melhor.

A história recente mostrou que estávamos certos.

Tivemos um grande mestre -- o Presidente Lula nos ensinou o caminho.

Em um país, com a complexidade e as desigualdades do Brasil, ele foi capaz de nos conduzir pelo caminho de profundas transformações sociais em um clima de paz, de respeito e fortalecimento da democracia.

Não admitimos, portanto, que alguém queira nos dar lições de liberdade. 

Menos ainda aqueles que não tiveram e não têm compromisso com ela.

Companheiras, Companheiros

Recebo com humildade a missão que vocês estão me conferindo. Com humildade, mas com coragem e determinação. Coragem e determinação que vêm do apoio que recebo de meu partido e de seu primeiro militante mais ilustre -- o Presidente Lula.

Do apoio que espero ter dos partidos aliados que, com lealdade e competência, também são responsáveis pelos êxitos do nosso Governo. Com eles quero continuar nossa caminhada. Participo de um governo de coalizão. 

Quero formar um Governo de coalizão.

Estou consciente da extraordinária força que conduziu Lula à Presidência e que deu a nosso Governo o maior respaldo da história de nosso país --a força do povo brasileiro. Esta é a força que nos conduziu até aqui e que nos mantém.

A missão que me confiam não é só de um partido ou de um grupo de partidos.

Recebo-a como um mandato dos trabalhadores e de seus sindicatos.

Dos movimentos sociais.

Dos que labutam em nossos campos.

Dos profissionais liberais.

Dos intelectuais.

Dos servidores públicos.

Dos empresários comprometidos com o desenvolvimento econômico e social do país.

Dos negros. Dos índios. Dos jovens.

De todos aqueles que sofrem ainda distintas formas de discriminação.
Enfim, das mulheres.

Para muitos, elas são "metade do céu". Mas queremos mesmo é metade da terra também. Com igualdade de direitos, salários e oportunidades.

E como disse o presidente Lula, não há limite para nós mulheres. É esse, inclusive, um dos preceitos da primeira vez nós termos uma candidata mulher.

Quero com vocês -- mulheres do meu país -- abrir novos espaços na vida nacional.

É com este Brasil que quero caminhar. É com ele que vamos discutir e seguir, avançando com segurança, mas com a rapidez que nossa realidade social exige sistematicamente de nós.

Nessa caminhada encontraremos milhões de brasileiros que passaram a ter comida em suas mesas e hoje fazem três refeições por dia.

Milhões que mostrarão suas carteiras de trabalho, pois têm agora emprego e melhor renda.

Milhões de homens e mulheres com seus arados e tratores cultivando a terra que lhes pertence e de onde nunca mais serão expulsos.

Milhões que nos mostrarão suas casas dignas e os refrigeradores, fogões, televisores ou computadores que puderam comprar.

Outros milhões acenderão as luzes de suas modestas casas, onde reinava a escuridão ou predominavam os candeeiros. E estes milhões de pontos luminosos pelo Brasil afora serão como uma trilha incandescente que mostra um novo caminho.

Nessa caminhada, veremos milhões de jovens mostrando seus diplomas de universidades ou de escolas técnicas com a convicção de quem abriu uma porta para o futuro, para o seu futuro.

Milhões -- mas muitos milhões mesmo -- expressarão seu orgulho de viver em um país livre, justo e, sobretudo, respeitado em todo o mundo.

Muitos me perguntam por que o Brasil avançou tanto nos últimos anos. Digo que foi porque soubemos construir novos caminhos, e ter a vontade política de um grande líder, como o presidente Lula com a sua vontade de fazer trilhar, derrubando velhos dogmas que funcionavam como barreiras nos caminhos do Brasil.

O primeiro caminho é o do crescimento com distribuição de renda -- o verdadeiro desenvolvimento. Provamos que distribuindo renda é que se cresce. 

E se cresce de forma mais rápida e sustentável.

Essa distribuição de renda permitiu construir um grande mercado de bens de consumo de massa, de consumo popular. Ele nos protegeu dos efeitos da crise mundial. O nosso consumo, o consumo do povo brasileiro sustentou o país diante do medo que se abateu sobre o sistema financeiro internacional e privado nacional.

Criamos 12 milhões de empregos formais. A renda dos trabalhadores aumentou. O salário mínimo real cresceu como nunca. Expandimos o crédito para o conjunto da sociedade. Estamos construindo um Brasil para todos. Não o Brasil para uma minoria, como fizemos sistematicamente desde os tempos da escravidão.

O segundo caminho foi o do equilíbrio macro-econômico e da redução da vulnerabilidade externa.

Eliminamos as ameaças de volta da inflação. Reduzimos a dívida em relação ao Produto Interno Bruto.

Aumentamos nossas reservas de 38 bilhões de dólares para mais de 241 bilhões. Multiplicamos por três nosso comércio exterior, praticando uma política externa soberana, que buscou diversificar mercados.

Deixamos de ser devedores internacionais e passamos à condição de credores. 

Hoje não pedimos dinheiro emprestado ao FMI. É o Fundo que pede dinheiro a nós.

Grande ironia é essa: os mesmos 14 bilhões de dólares que foram sacados do empréstimo, que antes o FMI nos emprestava, agora somos nós que emprestamos ao FMI.

E isso faz a diferença no que se refere à nossa postura soberana.

O terceiro caminho foi o da redução das desigualdades regionais. Invertemos nos últimos anos o que parecia uma maldição insuperável. Quando o país crescia, concentrava riqueza nos estados e regiões mais prósperos. Quando estagnava, eram os estados e regiões mais pobres que pagavam a conta.

Governantes e setores das elites viam o Norte e o Nordeste como regiões irremediavelmente condenadas ao atraso.

A vastos setores da população não restavam outras alternativas que a de afundar na miséria ou migrar para o sul em busca de oportunidades. É o que explica o inchaço das nossas grandes cidades e das médias também.

Essa situação está mudando por decisão do governo do presidente Lula que focou nessas questões, num grande conjunto de sua política de desenvolvimento.

O Governo Federal começou um processo consistente de combate às desigualdades regionais. Passou a ter confiança na capacidade do povo das regiões mais pobres. O Norte e o Nordeste receberam investimentos públicos e privados. O crescimento dessas duas regiões passou a ser sensivelmente superior ao do Brasil como um todo no período da crise.

Nós vamos aprofundar esse caminho e esse compromisso de acabar com esse desequilíbrio. O Brasil não mais será visto como um trem em que uma única locomotiva puxa todos vagões, como nos tempos da "Maria Fumaça". O Brasil de hoje é como alguns dos modernos trens de alta velocidade, onde vários vagões são como locomotivas e contribuem para que o comboio avance, se desenvolva e cresça. Nós queremos 27 locomotivas puxando o trem do Brasil.

O quarto caminho que trilhamos e continuaremos a trilhar é o da reorganização do Estado.

Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado. O resultado foi desastroso para muitos países.

Aqui, no Brasil, o desastre só não foi maior -- como em outros países -- porque os brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização parcial e integral da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de FURNAS.

Alguns falam todos os dias de "inchaço da máquina estatal". Omitem, no entanto, que estamos contratando basicamente médicos e profissionais de saúde, professores e pessoal na área da educação, diplomatas, policiais federais e servidores para as áreas de segurança, controle e fiscalização.

Escondem, também, que a recomposição do corpo de servidores do Estado está se fazendo por meio de concursos públicos.

Vamos continuar valorizando o servidor e o serviço público. Reconstituindo o Estado. Recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país.

É muito bom lembrar que diante da crise, quando o crédito secou, não sacrificamos os investimentos públicos e privados. Ao contrário, utilizamos nossos bancos para impulsionar o desenvolvimento e a garantia de emprego no País. Por isso, quando em muitos países, o emprego caia, em 2009, aqui, nós conseguimos criar quase um milhão de empregos.

Na verdade, quando a crise mundial apenas começava, Lula disse em seu discurso na ONU em 2008:

É chegada a hora da política!

Nada mais apropriado do que essa frase. A maior prova nós demos ao mundo: o Brasil só pôde enfrentar com sucesso a crise porque tivemos políticas públicas adequadas. Soubemos articular corretamente Estado e mercado, porque colocamos o interesse público no centro de nossas preocupações.

O quinto caminho foi o de nossa presença soberana no mundo.

O Brasil não mais se curva diante dos poderosos. Sem bravatas e sem submissão, o país hoje defende seus interesses e, como diz minha mãe, se dá ao respeito. É solidário com as nações pobres e em desenvolvimento. Tem uma especial relação com a América do Sul, com a América Latina e com a África. 

Estreita os laços Sul-Sul, sem abandonar suas relações com os países desenvolvidos. Busca mudar instituições multilaterais obsoletas, que impedem a democratização econômica e política do mundo.

Essa presença global, e o corajoso enfrentamento de nossos problemas domésticos em um marco democrático, explicam o respeito internacional que hoje gozamos.

O sexto caminho para onde convergem todos os demais foi o do aperfeiçoamento democrático.

No passado, tivemos momentos de grande crescimento econômico. Mas faltou democracia. E nós sabemos como faltou!

Em outros momentos tivemos democracia política, mas faltou democracia econômica e social. E sabemos muito bem que quando falta democracia econômica e social, é a democracia como um todo que começa a ficar ameaçada. O país fica à mercê das soluções de força ou de aventureiros.

Hoje nós estamos crescendo e distribuindo renda, com equilíbrio macro-econômico, com expansão da democracia, com forte participação social na definição das políticas públicas e com respeito aos Direitos Humanos.

Quem duvidar do vigor da nossa democracia que leia, que escute ou que veja o que dizem os jornais livremente, o que dizem nos jornais livremente as vozes oposicionistas. Mas isso não nos perturba. Preferimos as vozes dessas oposições -- ainda quando mentirosas, injustas e caluniosas -- ao silêncio das ditaduras.

Como disse o Presidente Lula, a democracia não é a consolidação do silêncio, mas a manifestação de múltiplas vozes defendendo seus direitos e interesses. Nela, vai desaparecendo o espaço para que velhos coronéis e os velhos senhores tutelem o povo. Este passa a pensar com sua cabeça e a se constituir uma nova e verdadeira opinião pública.

As instituições funcionam no país. Os poderes são independentes. A Federação é respeitada. Diferentemente de outros períodos de nossa história, o Presidente relacionou-se de forma republicana com governadores e prefeitos, não fazendo qualquer tipo de discriminação em função de suas filiações partidárias.

Não praticamos nenhum casuísmo. Basta ver a reação firme e categórica do 
Presidente Lula ao frustrar as tentativas de mudar a Constituição para que pudesse disputar um terceiro mandato. Não mudamos -- como se fez no passado -- as regras do jogo no meio da partida.

Como todos podem ver, temos um extraordinário alicerce e uma herança bendita sobre a qual construir o terceiro Governo Democrático e Popular. 

Temos rumo, experiência e impulso para seguir o caminho iniciado por Lula. 

Não haverá retrocesso, nem aventuras. Mas podemos avançar muito mais. E muito mais rapidamente.

Queridas companheiras, queridos companheiros.

Não é meu propósito apresentar aqui um Programa de Governo.

Este Congresso aprovou as Diretrizes para um programa que será submetido ao debate com os partidos aliados e com a sociedade.

Hoje quero assumir alguns compromissos como pré-candidata, para estimular nossa reflexão e indicar como pretendemos continuar este processo iniciado há sete anos.

Vamos manter e aprofundar aquilo que é marca do Governo Lula -- seu olhar social, seu compromisso social. Queremos um Brasil para todos. Nos aspectos econômicos e em suas projeções sociais, mas também um Brasil sem discriminações, sem constrangimentos. Ampliaremos e aperfeiçoaremos os programas sociais do Governo Lula, como o Bolsa Família, e implantaremos novos programas com o propósito de erradicar a miséria na década que se inicia.

Vamos dar prioridade à qualidade da educação, essencial para construir o grande país que almejamos, fundado no conhecimento e na justiça social. Mas a educação será, sobretudo, um meio de emancipação política e cultural do nosso povo. Uma forma de pleno acesso à cidadania. Daremos seguimento à transformação educacional em curso -- da creche ao pós-graduação.

Os jovens serão os primeiros beneficiários da era de prosperidade que começamos a construir no primeiro governo do presidente Lula, que continuamos no segundo e que continuaremos. Nosso objetivo estratégico é oferecer a eles a oportunidade de começar a vida com segurança, liberdade, trabalho e realização pessoal.

No Brasil temos hoje 50 milhões de jovens, entre os 15 e os 29 anos de idade. 

Mais de um quarto da nossa população. É para eles que estamos construindo um Brasil melhor. Eles têm direito a um futuro melhor.

O Brasil precisa muito da juventude. De profissionais qualificados. De mulheres e homens bem formados.

Isto se faz com escolas que propiciem boa formação teórica e técnica, com professores contratados, concursados, bem treinados e bem remunerados. Isso não é inchaço da máquina, é imprescindível para todos. Com bolsas de estudo e apoio para que os alunos não sejam obrigados a abandonar a escola. Com banda larga gratuita para todos, computadores para os professores, salas de aula informatizadas para os estudantes. Com acesso a estágios, cursos de especialização e ajuda para entrar no mercado de trabalho.
Serão esses jovens bem formados e preparados que vão nos conduzir à sociedade do conhecimento nas próximas décadas.

Protegeremos as crianças e os mais jovens da violência, do assédio das drogas, da imposição do trabalho em detrimento da formação escolar e acadêmica.

As crianças e os mais jovens devem ser, sim, protegidos pelo Estado, desde a infância, para que possam se realizar, em sua plenitude, como brasileiros.
Companheiros e companheiras,

Um País se mede pelo grau de proteção que dá a suas crianças. São elas a essência do nosso futuro. E é na infância que a desigualdade social cobra seu preço mais alto. Crianças desassistidas do nascimento aos cinco anos serão jovens e adultos prejudicados nas suas aptidões e oportunidades. Cuidar delas adequadamente é combater a desigualdade social na raiz.

Vamos ampliar e disseminar por todo o Brasil a rede de creches, pré-escolas e escolas infantis. Um tipo de creche onde a criança tem acesso à socialização pedagógica, aos bens culturais e aos cuidados de nutrição e saúde indispensáveis ao seu pleno desenvolvimento. E o governo federal vem fazendo isso. E é isso é o que está previsto no PAC 2.

Vamos resolver os problemas da saúde, pois temos um incomparável modelo institucional -- o SUS. Com mais recursos e melhor gestão vamos aprimorar a eficácia do sistema. Vamos reforçar as redes de atenção à saúde e unificar as ações entre os níveis de governo. Darei importância às Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs --pretendemos chegar até 2010, até o fim do governo do presidente Lula, a 500 UPAs. Daremos prioridade também ao SAMU, aos hospitais públicos e conveniados, aos programas Saúde da Família, Brasil Sorridente, que o presidente Lula tanto se empenha para implantar, e Farmácia Popular.

Vamos cuidar das cidades brasileiras. Colocar todo o empenho do Governo Federal, junto com estados e municípios, para promover uma profunda reforma urbana, que beneficie prioritariamente as camadas mais desprotegidas.
Vamos melhorar a habitação e vamos perseguir a universalização do saneamento. Implantar transporte seguro, barato e eficiente. Tudo isso está previsto no chamado PAC 2.

Vamos reforçar, também, os programas de segurança pública.

A conclusão do PAC 1 e a implementação do PAC 2, junto com a continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida serão decisivos para realizar esse compromisso. Serão decisivos para melhorar as condições de vida dos brasileiros. Naquilo que é talvez uma das maiores chagas da história do Brasil, que é o fato de uma parte da população ter sido obrigada a morar em favelas, em áreas de riscos, como beiras de córregos e, quando caem as grandes chuvas, são eles os mais afetados e os que mais sofrem conseqüências dramáticas, incluindo a morte.

Vamos fortalecer a proteção de nosso meio ambiente. Continuaremos reduzindo o desmatamento e impulsionando a matriz energética mais limpa do mundo. Vamos manter a vanguarda na produção de biocombustíveis e desenvolver nosso potencial hidrelétrico. Desenvolver sem agredir o meio ambiente, com usinas a fio d'água e utilizando o modelo de usinas-plataforma. 

Aprofundaremos nosso zoneamento agro-ecológico. Nossas iniciativas explicam a liderança que alcançamos na Conferência sobre a Mudança do Clima, em Copenhague. As metas voluntárias de Copenhague, assumidas pelo Brasil, serão cumpridas, haja ou não acordo internacional. Este é o nosso compromisso haja, ou não, acordo internacional. Esse é o compromisso do presidente Lula e o meu compromisso.

Vamos aprofundar os avanços já alcançados em nossa política industrial e agrícola, com ênfase na inovação, no aperfeiçoamento dos mecanismos de crédito, aumentando nossa produtividade.

Agregar valor a nossas riquezas naturais é fundamental numa política de geração de empregos no País. Tudo que puder ser produzido no Brasil deve ser -- e será -- produzido no Brasil. Sondas, plataformas, navios e equipamentos aqui produzidos, para a exploração soberana do Pré-sal. Essa decisão vai gerar emprego e renda para os brasileiros. Emprego e renda que virão também da produção em indústrias brasileiras de fertilizantes, combustíveis e petroquímicos derivados do óleo bruto. Assim, com este modelo soberano e nacional, a exploração do Pré-sal dará diversidade e sofisticação à nossa indústria.

Os recursos do Pré-sal, aplicados no Fundo Social, sustentarão um grande avanço em nossa educação e na pesquisa científica e tecnológica. Recursos que também serão destinados para o combate à pobreza, para a defesa do meio ambiente e para a nossa cultura.

Vamos continuar mostrando ao mundo que é possível compatibilizar o desenvolvimento da agricultura familiar e do agronegócio. Assegurar crédito, assistência técnica e mercado aos pequenos produtores e, ao mesmo tempo, apoiar os grandes produtores, que contribuem decisivamente para o superávit comercial brasileiro.

Todas as nossas ações de governo têm, sem sombra de dúvida, uma premissa: a preservação da estabilidade macro-econômica.

Vamos manter o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a política de câmbio flutuante.

Vamos seguir dando transparência aos gastos públicos e aperfeiçoando seus mecanismos de controle.

Vamos combater a corrupção, utilizando todos os mecanismos institucionais, como fizemos até agora.

Vamos concretizar, junto com o Congresso, as reformas institucionais que não puderam ser completadas ou foram apenas parcialmente implantadas, como a reforma política e a tributária.

Uma coisa é estratégica. Vamos aprofundar nossa postura soberana no complexo mundo de hoje. É como diz o presidente Lula: "Quem não se respeita, não pode ser respeitado". Seremos intransigentes na defesa da paz mundial e de uma ordem econômica e política mais justa.

Enfim, vamos governar para todos. Com diálogo, tolerância e combatendo as desigualdades sociais e regionais.

Companheiras e companheiros,

Faremos na nossa campanha um debate de idéias, com civilidade e respeito à inteligência política dos brasileiros e das brasileiras. Um debate voltado para o futuro.

Nós somos aqueles que temos o que apresentar.

Recebo essa missão especialmente como um mandato das mulheres brasileiras, como mais uma etapa no avanço de nossa participação política e como mais uma vitória contra a discriminação secular que nos foi imposta. 

Gostaria de repetir: quero com vocês, mulheres do meu País, abrir novos espaços na vida nacional.

Queridas amigas e amigos

No limiar de uma nova etapa de minha vida, quando sou chamada a tamanha responsabilidade, penso em todos aqueles que fizeram e fazem parte de minha trajetória pessoal.

Em meus queridos pais.

Em minha filha, meu genro e em meu futuro neto ou neta.

Nos tantos amigos que fiz.

Nos companheiros com quem dividi minha vida.

Mas não posso deixar de ter uma lembrança especial para aqueles que não mais estão conosco. Para aqueles que caíram pelos nossos ideais. Eles fazem parte de minha história.

Mais que isso: eles são parte da história do Brasil.

Quero recordar três companheiros que se foram na flor da idade.

Carlos Alberto Soares de Freitas.

Beto, você ia adorar estar aqui conosco.

Maria Auxiliadora Lara Barcelos

Dodora, você está aqui no meu coração. Mas também aqui com cada um de nós.

Iara Yavelberg.

Iara, que falta fazem guerreiras como você.

O exemplo deles me dá força para assumir esse imenso compromisso.

A mesma força que vem de meus companheiros de partido, sobretudo daquele que é nosso primeiro companheiro -- o presidente Lula.

Este ato de proclamação de minha candidatura tem uma significação que transcende seu aspecto eleitoral.

Estamos hoje concluindo o Quarto Congresso do Partido dos Trabalhadores.
Mais do que isso: estamos celebrando os Trinta Anos do PT.

Trinta anos desta nova estrela que veio ocupar lugar fundamental no céu da política brasileira.

Em um período histórico relativamente curto mudamos a cara de nosso sofrido e querido Brasil.

O PT cumpriu essa tarefa porque não se afastou de seus compromissos originais. Soube evoluir. Mudou, quando foi preciso.

Mas não mudou de lado.

Até chegar à Presidência do país, o PT dirigiu cidades e estados, gerando práticas inovadoras políticas, econômicas e sociais que o mundo observa, admira e muitas vezes reproduz. Fizemos isso, preservando e fortalecendo a democracia.

Mas, a principal inovação que o PT trouxe para a política brasileira foi colocar o povo -- seus interesses, aspirações e esperanças -- no centro de suas ações.

Olhando para este magnífico plenário o que vejo é a cara negra, branca, índia e mestiça do povo brasileiro.
Esta é a cara do meu partido.

O rosto daqueles e daquelas que acrescentam à sua jornada de trabalho, uma segunda jornada -- ou terceira, no caso das mulheres: a jornada da militância.

Quero dizer a todos vocês que tenho um enorme orgulho de ser petista. De militar no mesmo partido de vocês. De compartilhar com Lula essa militância.
Companheiros e companheiras,

Estou aceitando a honrosa missão que vocês me delegam com tranquilidade e determinação.

Sei que não estou sozinha.

A tarefa de continuar mudando o Brasil é uma tarefa de milhões. Somos milhões.

Vamos todos juntos, até a vitória.

Viva o povo brasileiro!"

FONTE: Viomundo - Luiz Carlos Azenha

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mais um Tucano Humorista

Essa é mais uma para a coleção de piadas proferidas por figurinhas da nossa política.
Com a palavra: Álvaro Dias.

Vice-líder tucano: Governo Lula instalou um regime corrupto

Eliano Jorge
Mais uma decisão do governo federal promete esquentar os ataques mútuos entre PT e PSDB. As reações dos oposicionistas surgiram imediatamente ao anúncio de que o presidente Lula retirou, da lista de projetos com suspeita de irregularidades feita pelo Tribunal de Contas da União, quatro obras da Petrobrás, nesta quinta-feira, 28.

Ouvido por Terra Magazine, o vice-líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PR), disparou, de cara: "Isso vem na esteira de outras atitudes que consagram a improbidade administrativa".
- Se este governo fosse perfeito em todas as outras áreas, ele teria que ser condenado por ser tão adepto a corrupção, por passar a mão na cabeça dos desonestos e por instalar um regime corrupto no País - conclui.


Veja também:
» Lei é para todos, diz procurador sobre decisão de Lula
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O tucano tenta firmar uma pecha de corrupção no governo Lula. "Num primeiro momento, ele dominou de forma absoluta a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás para evitar uma investigação e acobertar irregularidades. Depois avançou sobre o TCU, num esforço incomum, procurando limitar sua capacidade de fiscalizar. E agora passa, de uma só vez, sobre o Tribunal de Contas e o Congresso Nacional, liberando obras superfaturadas", historia.
Em meio ao bate-boca eleitoral antecipado, Dias aponta um motivo para a medida polêmica: "Isso significa consagrar a imoralidade na administração pública, com viés eleitoreiro, porque o objetivo é manter as obras durante a campanha eleitoral".

As palavras do parlamentar do PSDB têm o tom até acima do que vinha sendo empregado pela oposição. "A Petrobrás é uma empresa que tem um caixa significativo, expressivo, de valores gigantescos, essas obras consomem bilhões. Só numa delas, a de Abreu e Lima, há previsão de superfaturamento da ordem de 2 bilhões de dólares. E o presidente fecha os olhos, não dá a menor importância à questão ética, escancara as portas do governo para a corrupção. Isto é um mal enorme ao País", afirma Alvaro Dias.
- Este estímulo à corrupção, à impunidade, é que faz hoje ser possível fazer três vezes mais o que fazem com o mesmo dinheiro - detona.

Legal
Consultada por Terra Magazine, a Controladoria Geral da União confirmou a legalidade do ato presidencial.
Dias não adiantou se a oposição pensa em tomar alguma medida contra a atitude do presidente. "Sob o ponto de vista da legalidade, eu tenho dificuldade de questionar e discutir. Agora, sob o ponto de vista da moralidade, não tem dúvida nenhuma. Nem tudo que é legal é moral. É deplorável usar estes artifícios da legislação para abrir portas à corrupção".

Diante das estratégias eleitorais de comparação entre as gestões tucanas e petistas desde 1995 no Palácio do Planalto, parece claro que a oposição se apegará à suposta permissividade governista com a corrupção. Como indica Alvaro Dias: "Foi o governo (do PT) quem rasgou de forma definitiva a bandeira da ética e jogou na lata do lixo da história".

Fonte: Terra Magazine do Bob Fernandes

 

domingo, 24 de janeiro de 2010

Zé Dirceu: O Fracasso da Estratégia Tucana

Você encontra abaixo ponto de vista de Zé Dirceu sobre o momento do PSDB e os chiliques verbais nas notas oficiais do partido contra a candidata Dilma Roussef. Incluo ainda observação de Eduardo Guimarães explicando o porque de tanto nervosismo.

Do Blog do Zé Dirceu
O Fracasso da Estratégia Tucana
A atual postura, totalmente fora do controle do PSDB e de seus líderes, precisa ser entendida. Os tucanos traçaram um cenário para as eleições de 2010 que não se concretizou, uma vez que apostaram na crise internacional, fizeram de tudo -- boicotando, combatendo e votando contra as medidas do governo Lula contra a crise --, como continuam contra o Pré Sal, na expectativa de que 2010 seria um ano de recessão e desemprego, cenário que não se confirmou, pelo contrário: o governo e o presidente Lula conquistaram seu maior grau de aprovação e apoio em plena crise internacional ano passado.

O segundo cenário era que Lula não ia transferir votos para Dilma Roussef e o PT se dividiria, não construindo alianças e palanques regionais para sua candidata. Chegaram a avaliar que o PT não aceitaria Dilma como candidata. O PT não se dividiu, pelo contrário, fez uma eleição exitosa de sua direção, apoiou Dilma praticamente por unanimidade e a candidata tem hoje 25% de votos e já empata com José Serra na espontânea; não tem rejeição superior a dos outros três candidatos; já ultrapassa Ciro Gomes em 10 pontos no primeiro turno e o vence no segundo; já tem o apoio do PMDB, e do PDT, caminhando para ter o do PC do B e PR e mesmo do PP e PRB.

Também ao contrário do que previam os tucanos e o DEM, os palanques estaduais de Dilma se consolidam e, mesmo no Rio Grande do Sul, onde eles apostavam no rompimento com o PMDB, as notícias não são boas para eles: José Serra está perdendo o PMDB gaúcho. O candidato do PMDB ao governo, José Fogaça, tem dito que pode apoiar Dilma se esta for a decisão de seu partido, a senha é “Dilma não é PT, é antes de tudo gaúcha”.

Nos outros estados a situação não é diferente, não se entendem em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, não chegaram a um acordo com Aécio Neves, o que pode lhes custar uma derrota em Minas Gerais, o segundo eleitorado do país.

Assim, os ataques desesperados e desqualificados do presidente do PSDB ao governo, a candidata e ao PT se explicam pelo fracasso da estratégia tucana, pela crise sem precedentes do DEM e pela falta de propostas e programa da oposição. Daí a desastrada entrevista a revista Veja de Sergio Guerra e a ressurreição de Gustavo Franco, o do câmbio fixo e dos juros reais de 27,5%, o que dobrou a dívida interna e fez uma farra fiscal no primeiro governo FHC, até que o país quebrou e o FMI obrigou os tucanos a aceitarem a câmbio flutuante, deixando para o governo Lula a tão falada Herança Maldita.

Do Blog do Eduardo Guimarães
Por Que os Tucanos Estão Nervosos

Leiam, abaixo a locução de Fernando Mitre, âncora do Jornal da Noite, da TV Bandeirantes, com uma tremenda cara de enterro, no fim da noite da última quinta-feira.
Transcrição textual da fala do âncora da emissora paulista:

Uma nova pesquisa nacional de intenção de votos começa a ser fechada pelo instituto Vox Populi para ser divulgada na próxima segunda-feira (25/01).
 No terceiro maior colégio eleitoral (do Brasil), o Rio de janeiro, os resultados já computados trazem uma surpresa nada agradável para os tucanos. Os números mostram um empate entre Dilma Rousseff e José Serra quando Ciro Gomes entra na lista.
Serra fica com 27% e Dilma com 26%; Ciro com 14 e Marina com 9.
Na última pesquisa, Serra mantinha uma boa vantagem, que perde agora, no momento em que a popularidade do presidente Lula está ‘bombando’ no Rio. A avaliação de seu governo subiu para 69% de ótimo e bom.
O ‘cabo eleitoral’ está funcionando...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Governo x Oposição - Briga de Foice no Escuro

Tudo começou com uma entrevista nas páginas amarelas da Veja onde o presidente do PSDB Sergio Guerra afirma com todas as letras que Serra irá acabar com o PAC, que é na verdade aos olhos do PSDB, uma fantasia do Governo Lula para iludir o povo brasileiro. Diz mais: haverá mudanças substanciais na economia.
Leia aqui o que disse Sérgio Guerra na Veja:Mais uma da série eu disse mas não disse
A ministra Dilma Roussef em inauguração de uma obra do PAC comentou que é estarrecedora a posição do PSDB em querer acabar com o PAC. O presidente do PSDB soltou nota onde chama a ministra de "mentirosa" por esse comentário. Pronto: o circo foi armado e o debate desceu a ladeira.

Leia a entrevista do Presidente Eleito do PT ao Terra Magazine

Presidente eleito do PT: Se PSDB quiser, "vamos para o pau"

Marcela Rocha
"Cangaceiro, sertanejo aguerrido e valente. Capanga, guarda-costas, valentão". Essas são as definições para "jagunço" no dicionário Michaelis. No dicionário petista, a palavra serviu para adjetivar o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), o que acarretará em processo à legenda de Lula.
"É risível a justificativa deles (PSDB). É de morrer de rir", diz José Eduardo Dutra, presidente eleito do PT que, junto ao atual, deputado Ricardo Berzoini (SP), cunhou o termo "jagunço político" ao tucano por ter chamado a pré-candidata petista e ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, de "mentirosa".

Veja também:
» Oposição representa contra Lula e Dilma no TSE
» "Dilma mente", diz presidente do PSDB em nota
» Berzoini: PSDB demonstra estar descontrolado
» Dilma diz que oposição quer acabar com PAC; PSDB reage
» Siga Bob Fernandes no twitter

Os petistas, na mesma oportunidade, chamaram o pré-candidato tucano ao Planalto, governador José Serra (SP), de "hipócrita" por não entrar no debate político e deixar que o senador Guerra entre em seu lugar. O secretário nacional do PSDB, deputado Rodrigo de Castro (MG), afirmou, em nota divulgada nesta quinta-feira, que o partido vai processar os dois por calúnia e difamação.

A Terra Magazine, o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, remonta a cronologia dos acontecimentos e justifica o teor da nota divulgada por ele e Berzoini. Argumenta que não se trata de preconceito, como acusam os tucanos, e dá um recado: "Nós queremos um debate de alto nível, mas também não vamos correr do pau. Se quiserem (PSDB) ir pro pau, vamos também".
Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - O PSDB quer processar o senhor e o deputado Ricardo Berzoini por calúnia e difamação...
José Eduardo Dutra -
É risível a nota. É de morrer de rir. Em primeiro, porque eu sou de Sergipe. E mais, dizer que é preconceito usar um termo desde sempre muito usado no nordeste é de morrer de rir. Não entendi onde ele foi buscar o preconceito nisso aí. Onde está o preconceito quando se usa o termo jagunço?

Mas, o senhor...
Onde vai o preconceito contra o povo nordestino? A não ser que o senador Sérgio Guerra ache que ele é o povo nordestino. Em segundo, usamos um termo muito usado no nordeste e o relativizamos: "jagunço político". Ou seja, está vinculado ao teor da nota que ele soltou. Então, a nossa nota precisa bem em que circunstâncias está o termo. E se eu disser que Dilma é uma candidata arretada? Eu estou sendo preconceituoso? O argumento deles é risível. Se for para julgar qual nota seria cabível de ir na justiça, seria a do Sérgio Guerra contra Dilma.

Por quê?
Ali sim os termos são grosseiros e caluniosos. A nossa nota, não. Nós somente afirmamos que ele se comportou como um jagunço político ao soltar a nota anterior. Agora, querem entrar na Justiça? Paciência, é um direito deles. Mas deveriam arrumar argumentos melhores.

O senhor não acredita que esses argumentos estejam vinculados, de certa forma, ao fato de o partido carecer de maior inserção no nordeste? 
Olha, se isso for uma estratégia de inserção, eles estão mal de estratégia.

O senhor acha que essa troca de notas entre os altos escalões do partido sejam positivas ou negativas para a imagem de ambos em ano eleitoral? 

Nós vamos dançar de acordo com a música. Se tocar valsa, dançaremos valsa. Se tocar heavy metal, dançaremos heavy metal. Isso começou com a entrevista de Guerra na revista Veja, dizendo que iria acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Respondemos.

A ministra Dilma respondeu, certo?
A ministra Dilma rebateu politicamente. Guerra, por sua vez, soltou uma nota naqueles termos, acusando a ministra de mentirosa. Nós respondemos, ao meu ver, muitos tons abaixo à nota do presidente do PSDB. Estranhamos que, no mesmo dia em que o governador José Serra (SP) disse que não entraria em baixaria, o presidente da sigla soltou uma nota nesses termos. Nós queremos um debate de alto nível, mas também não vamos correr do pau. Se quiserem ir pro pau, vamos também.

Abaixo, as notas trocadas pelos partidos:
» Nota do PT - 19 de janeiro de 2010
» Nota PSDB - 20 de janeiro de 2010
» Nota PT - 21 de janeiro de 2010
» Nota PSDB - 21 de janeiro de 2010 

Fonte: Terra Magazine