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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eduardo Guimarães: Campanha tucana desmascarou elite paulista





São auspiciosas as notícias de que a estudante de Direito paulista Mayara Petruso (foto acima) pode ser processada criminalmente por racismo, crime que cometeu recentemente no Twitter. E de que outros que se juntaram a ela naquele crime estão sendo identificados para sofrerem o mesmo tipo de processo.

Os crimes de racismo e de discriminação na internet datam de muito tempo sem que jamais tenham ocorrido punições exemplares, de forma a pelo menos fazerem com que os racistas e discriminadores por orientação sexual, região do país etc. contenham as suas personalidades degeneradas.

No domingo à noite, usuários de redes sociais começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado da eleição presidencial à boa votação de Dilma na região. As mensagens foram desencadeadas após Mayara postar no Twitter a seguinte sentença:

@mayarapetruso: “Nordestisto não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado. #nordestisto”

Não satisfeita, Mayara terminou de expor suas perversões morais:

@mayarapetruso: “Brasileiros, agora fodam-se! Isso que da, dar direito de voto pra nordestino. #nordestisto”.

Essas postagens da moça no microblog foram o que bastou para desencadear uma onda surpreendente de mensagens furiosas contra negros e nordestinos que engolfou as redes sociais. Todavia, foram poucas dessas mensagens que se igualaram às da jovem paulista estudante de Direito em termos de perfil criminoso, pois ela pregou até assassinato.

Por chocante que seja, é preciso rever algumas dessas mensagens:
@dilma_Bebada: “Infelizmente quem decide eleição não é quem lê jornal, e sim quem limpa a bunda com ele. Quem perdeu foi o Brasil! #euquero45”

@emerlinlipe: “tem gente que fala que todos os brasileiros são iguais discordo… Não quero e não sou igual ao povo do Norte/nordeste”

@ClaytonAmerico: “Bem vou trabalhar porque não ganho bolsa família dos nordestinos. Nem faço 2 filhos por ano pra ter mais bolsa família #nordestisto

@Ju_Balog: “Enfie seu OXENTE no cu, vagabundos q vivem de bolsa miseria, vc’s não trabalham 1/3 do q a gente em SP #nordestisto

@carolsalgueiro: “Rindo muito da tag #nordestisto. Já vi nordestino dizendo que é educado e inteligente, AVÁ!”

@FerLeoni: “Para eleitores de merda, uma presidente de merda! #nordestisto”

@suhelen1: “80% do amazonas vota na Dilma… cambada de índio burrooooooooooooo”

@andrebittarello: “Me tornei RACISTA HOJE POR CAUSA DE VOCÊS PRETOS FEDIDOS QUE SÓ QUEREM TER FILHOS E ENCHER A BARRIGA COM O DINHEIRO DOS QUE TRABALHAM!!!”

@edujunior: “Sou bem a favor de um muro separando sul/sudeste do norte/nordeste”

@DeehSativa: “No Sul/Sudeste tem muito mais gente bonita do que no Norte/Nordeste”

@LorenzoC_: “ADOREI O QUE A MAYARA PETRUSO DISSE. E XENOFOBIA É O CARALHO, ISSO QUE ELA DISSE É SIMPLESMENTE A VERDADE!”

@Pedroo_MG: “A cmo eu Queria Q o sul/sudeste se separasse do Norte/Nordeste. Pra até Q enfim Governo ñ ganhar eleição por dar esmola, e sim por projetos.”

@tayane_monteiro: “só nordestinos fdp pra vota na Dilma! Nordestino num serve pra NADA DE UTIL vem pra SP ENCHE O SACO e vota na merDilma”

@Mikafrauzola: “Bando de nordestinos FDP …..são tão burros, que qlqr idiota faz a cabeça dles….por isso q eu odeio nordestino…..”

@Mikafrauzola: “Tbm esse país é cheio de baiano morte de fome… por isso q ela ganhou….”

O que chama a atenção nessas barbaridades é que foram proferidas todas por jovens brancos, ao menos de acordo com as fotos deles nos perfis no Twitter em que foram publicados os textos acima. E, pelo que escreveram, fica claro que são paulistas.

O fato de jovens terem posições políticas e preconceitos tão formatados sugere que essa mentalidade decorre da criação que receberam dos pais, até mesmo quando as posições políticas deles não sejam do mesmo jaez das dos filhos.

Ninguém que pertença às classes médias altas e altas de São Paulo terá sido surpreendido pelo nível de xenofobia, de racismo e de intolerância – e mesmo de ignorância – de jovens que se julgam “inteligentes e estudados”, mas que escreveram textos compatíveis com os mais baixos níveis de instrução ou de civilidade.

Desde que me conheço por gente – e tendo nascido e crescido na classe média alta paulistana, entre a qual vivo até hoje – que ouço preconceitos contra os nordestinos, os quais, em meu Estado e na minha cidade – e, sobretudo, no bairro paulistano em que resido –, sempre foram chamados de “baianos”, sendo-lhes atribuído tudo que há de ruim por aqui.

Esse preconceito extremamente arraigado entre a elite paulista sempre esteve lá e sempre ficou fora da imprensa, que jamais denunciou fenômeno que data de décadas e décadas e décadas. A campanha de José Serra à Presidência, porém, teve o “mérito” de expor à luz do dia essas perversões de classe, de etnia e geográficas.

Só uma punição exemplar dos que cometeram esses crimes, portanto, pode começar a inibir, se não o preconceito deles, a difusão aberta de suas “idéias” odiosas e repugnantes, vertidas por jovens que têm tudo na vida e que consideram natural externar os preconceitos que lhes foram incutidos no ambiente familiar enquanto cresciam.

FONTE: Blog da Cidadania

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ao leitor que reclama que eu sou parcial…

Hildegard Angel

Leitor reclama de minha parcialidade política, segundo ele sempre reservando as críticas do blog para José Serra. Entretanto, leitor, acho mais honesto isso do que se fingir de imparcial e escrever como parcial, manipulando a boa fé dos leitores. E nós sabemos como é fácil fazer isso, quando se é jornalista e não se tem grandes preocupações éticas...

Quem me acompanha sabe que sou voto declarado em Dilma, desde o princípio da campanha, não apenas agora, no segundo turno. Sou voto declarado, donde minha opinião é comprometida com a posição já assumida. E sou falante, gosto de me colocar. Mas respeito quem pensa diferente, e são muitos os meus amigos queridos que pensam diferente de mim na política. Porém, não desqualifico nem ofendo, como fazem alguns. Pra variar, vou me colocar hoje de novo a respeito dessa campanha do candidato tucano...


A gente ouve o horário eleitoral do Serra e tem vontade de vomitar. Ele diz que lutou pela esquerda e, ao mesmo tempo, tenta criminalizar Dilma por ter lutado à esquerda. Diz que criou o que os outros criaram (genéricos, lei pescadores etc.) e copia na maior desfaçatez a invenção alheia. Hoje, no rádio, como grande novidade, fala que seu programa de casas populares vai dar título de propriedade em nome das mulheres. O que o Minha Casa Minha Gente, do governo, faz desde o princípio...

Usa sistematicamente a tática do medo. Aproveita-se do fato de a grande imprensa estar fechada com ele (isto é, não repercute denúncias graves que envolvem seus parentes, gravíssimas – sigilos bancários, Banestado etc.) e procura responsabilizar Dilma por fatos não esclarecidos que nada têm a ver com ela...

É deselegante, mostra seu caráter com uma campanha que todo o tempo desqualifica uma mulher que o tratou com elegância desde o início. E, no momento em que finalmente Dilma, que é humana, reage com severidade, a imprensa-amiga-irmã-camarada de Serra diz que ela foi “agressiva”. Uma vergonha completa...

Serra é o Carlos Lacerda do Terceiro Milênio. O Corvo 2. Com a diferença que Lacerda mostrou competência como governador e Serra tirou nota 3,75 do Diap (baixíssima), como deputado constituinte, e foi um ministro da Saúde medíocre (dengue, sanguessugas etc.). Nós, aqui no Rio de Janeiro, bem vimos o estado calamitoso em que esteve a rede hospitalar pública à sua época. Os médicos e enfermeiros com memória e caráter sabem...

Serra, em vez de programa de governo, apresenta promessas, promessa vazias, muitas inviáveis, joga com a desinformação do eleitor, manipula, confunde ficção e verdade. Ele, por exemplo, denuncia que Dilma deu às empresas privadas e estrangeiros poços de petróleo, omitindo que foi o seu governo que mudou as regras nacionalistas anteriores, abrindo concessões para privadas e estrangeiros. Serra parece acreditar que o eleitor é um despreparado, mas nem todos, Serra, nem todos... 

Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito no país.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Kotscho: Agora até o Papa dá palpite na eleição

O Papa foi inconveniente, chegou atrasado na história e entrou de gaiato numa falsa polêmica que até a mídia já tinha esquecido. Deveria se preocupar mais com os casos de pedofilia envolvendo religosos que grassaram nos últimos anos em sua igreja, com a perda de fiéis para as seitas evangélicas e o esvaziamento dos seus templos. Não precisamos dos seus conselhos para saber como deveremos votar no domingo.

Balaio do Kotscho.

Agora até o Papa dá palpite na eleiçãoSó faltava ele! Pois ao abrir a capa (alguns preferem chamar de home page) do portal Estadão.com, a 72 horas das eleições presidenciais, tomo um susto ao ler a manchete: “Papa condena aborto e pede a bispos que orientem politicamente fíéis”.

Diz a nota que “em reunião em Roma na manhã desta quinta-feira, 28, o papa Bento XVI conclamou um grupo de bispos brasileiros a orientar politicamente fiéis católicos. Sem citar especificamente as eleições de domingo, o Papa reforçou a posição da Igreja a respeito do aborto e recomendou a defesa de símbolos religiosos em ambientes públicos”.

Além de condenar o aborto, como se alguém pudesse ser a favor do aborto, embora muitos defendam a sua descriminilização, o papa também cobrou o ensino religoso nas escolas públicas e defendeu a luta pela manutenção dos símbolos religosos, citando o monumento do Cristo Redentor no Rio, como se eles estivessem ameaçados.

O Brasil é um Estado laico e mantem relações diplomáticas com o Estado do Vaticano. Com que direito Sua Santidade vem meter o bedelho em questões internas de um país às vésperas das eleições presidenciais? Já não basta o papel impróprio e deprimente exercido por alguns dos seus bispos que, com esta falsa questão do aborto, transformaram seus altares em palanques contra uma candidatura e a favor de outra, distribuindo panfletos políticos em lugar de homilias?

Depois de ser explorado até a exaustão pelos bispos teefepeanos, telepastores dos dízimos e, principalmente, pela mídia, o assunto já tinha até saído de pauta, tão rapidamente quanto entrou, porque as últimas pesquisas mostraram que ele não estava mais rendendo nenhum resultado nas intenções de voto dos eleitores.

Em artigo publicado terça-feira no Observatório da Imprensa, o analista de mídia Cristiano Aguiar Lopes prova com números de uma pesquisa que “houve um esforço coordenado e eficiente dos principais jornais e revistas do país para insuflar a polêmica sobre o tema com vistas a um fim eleitoral mais que óbvio: roubar votos de Dilma entre eleitores conservadores contrários à descriminalização do aborto”.

Os números são impressionantes: a três dias do primeiro turno, no dia 30 de setembro, as principais publicações do país pesquisadas registraram 149 menções sobre o aborto, chegando a 430 no dia 8 de outubro, na primeira semana do segundo turno que foi dominada pelo tema.

“A primeira escalada ocorre pouco antes do primeiro turno e tem como objetivo conquistar os votos de indecisos e de dilmistas não muito convictos. A segunda, bem mais intensa, busca transferir para Serra os votos de um grande contingente de eleitores conservadores _ sobretudo católicos e evangélicos _ contrários à descriminalização do aborto”, conclui Cristiabno Aguiar Liopes.

A pesquisa prova também que não houve “onda verde” nenhuma que tenha provocado o segundo turno. Foi, na verdade, uma “onda religiosa” nas igrejas e nos subterrâneos da internet que beneficiaram a candidata evangélica Marina Silva e levaram a eleição ao segundo turno, usando a ameaça do aborto como instrumento eleitoral.

O Papa foi inconveniente, chegou atrasado na história e entrou de gaiato numa falsa polêmica que até a mídia já tinha esquecido. Deveria se preocupar mais com os casos de pedofilia envolvendo religosos que grassaram nos últimos anos em sua igreja, com a perda de fiéis para as seitas evangélicas e o esvaziamento dos seus templos. Não precisamos dos seus conselhos para saber como deveremos votar no domingo.

Fonte:Blog Balaio do Kotscho.

O país velho e conservador que emerge da campanha

Uma eleição para não ser esquecida | Valor Online

Maria Inês Nassif |

O novo presidente será conhecido já no domingo, tão logo contabilizados os votos das urnas eletrônicas. O novo Brasil político, no entanto, descortinou-se durante a campanha, é velho e conservador e merecerá certamente a atenção de especialistas depois do pleito. Os partidos, em especial os de oposição, conseguiram extrair da sociedade os seus mais primitivos preconceitos, por meio de uma agenda conservadora e religiosa. Qualquer que seja o resultado da eleição - e até esse momento não existem divergências entre as pesquisas dos institutos sobre o favoritismo da candidata Dilma Rousseff (PT) - o eleito terá de lidar com uma agenda de políticas públicas da qual foram eliminadas importantes conquistas para a sociedade como um todo, e na qual o elemento religioso passou a ser um limitador da ação do Estado.

A ação da igreja conservadora e de setores do pentecostalismo contra Dilma, por conta de sua posição sobre o aborto, é o exemplo mais gritante. No Brasil, a cada dois dias morre uma mulher em conseqüência de um aborto clandestino. A legislação brasileira ao menos conseguiu trazer mulheres que correm risco de vida em decorrência de um aborto que já foi malfeito para dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e garante que a rede pública faça com segurança os abortos aceitos legalmente - os de vítimas de estupro ou quando a gravidez coloca em risco a vida da mulher. Como assunto de saúde pública, o aborto não poderia ter ocupado o centro dos debates. Isso é uma questão de Estado. Como convicção moral, a mudança na legislação está na órbita do Congresso - e esses setores elegeram seus representantes. O debate eleitoral sobre o aborto, numa eleição para a Presidência, foi a instrumentalização política de um dogma - pelo menos dos setores religiosos conservadores - e excluiu do debate a maior interessada, a mulher. A eleição conseguiu retroceder décadas esse debate. O movimento feminista não agradece.

Campanha trouxe à tona preconceitos que pareciam abolidos

O país que se redemocratizou há um quarto de século e há 22 anos conseguiu entender-se em torno de uma Constituinte cujo produto final foi avançado politicamente, manteve uma reverência envergonhada aos atores políticos mais importantes do regime anterior - dos militares à Igreja conservadora - e um medo subjetivo de se contrapor de fato ao passado. Sem lidar com os seus fantasmas, tem reincorporado vários deles à vida política. É inadmissível que num país que viveu 21 anos sob o tacão militar, por exemplo, setores da sociedade (e os próprios militares) tenham reagido de forma tão desproporcional ao III Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), ou rejeitem de forma tão violenta o acerto com esse passado. Ao longo dos anos de democracia, determinados setores sociais passaram a reincorporar valores que pareciam ter sido abolidos do manual de como fazer política. Ao longo desses 25 anos que nos separam do último ditador militar, a direita, que se envergonhara no final da ditadura, lentamente desenterrou os velhos fantasmas e refez os preconceitos. Aliás, não apenas a velha direita. Uma nova direita, que se formou com atores que vinham também da resistência democrática, aceitou o caminho do conservadorismo ideológico para reaglutinar uma elite que ficou sem norte, e para a qual a emergência de grandes parcelas da população que estavam na base da estrutura social à classe média assusta - até porque a elite brasileira não tem historicamente experiência com realidades onde a disparidade de renda é menor e onde o aumento da escolaridade transforma pobres em cidadãos, e não em votos a serem manipulados.

Dentre todos os setores que atravessaram da esquerda para a direita nessas últimas duas décadas, o PSDB foi o que perdeu mais. Formado com um ideário social-democrático, mas sem experiência de articulação de política partidária e sem vocação para liderança de massas, chegou ao poder junto com o neoliberalismo tardio brasileiro, assimilou valores conservadores, incorporou-os ao seu tecido orgânico e sobreviveu, enquanto mantinha o governo federal, com a ajuda da política tradicional (e conservadora). Na oposição, não conseguiu voltar ao leito social-democrata. Deixou-se empurrar para a direita pelo PT, quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva assumiu o seu primeiro mandato, e se aproximou tanto do PFL que as divergências entre ambos se diluíram ao longo do tempo, ao ponto de canibalizarem votos uns dos outros. Incorporou o discurso neoudenista, transformou-se num partido de vida meramente parlamentar, não reorganizou o partido para formar militância. O PSDB, hoje, é um partido que aparece como tal para apenas disputar eleições.

Isso é péssimo. O primeiro turno já compôs o Legislativo federal. O PT saiu das eleições mais forte. O PMDB, que é o partido que todos falam mal, mas do qual nenhum governo consegue se livrar, continua forte com a sua fórmula de funcionar como uma federação de partidos regionais e tende a incorporar o DEM, ex-PFL, e ficará mais forte ainda. Os demais, inclusive o PSDB, serão partidos médios - com a diferença que o PSB, por exemplo, é um partido médio em crescimento, e o PSDB terá que se reinventar para voltar a crescer, se não voltar a ser governo. O PT se acomodou no espaço da social democracia e o PMDB permanece no centro, se é possível atribuir a esse partido uma posição ideológica que não seja a da fisiologia. O espaço que o PSDB tem para se reinventar fora da direita é mínimo. O DEM e o PSDB deram muito trabalho ao presidente Lula, em oito anos de governo, mas carregaram no jogo neoudenista e se desgastaram demais. Além disso, a hegemonia paulista no PSDB permanece, o que obstrui caminhos de líderes não paulistas que poderiam reduzir o desgaste neste momento, como Aécio Neves (MG).

Não é arriscado apostar na emergência de um novo partido de oposição. O PSDB precisaria de lideranças muito hábeis para se reinventar, e de uma solidariedade e organicidade que nunca cultivou. E precisaria enterrar de vez os preconceitos e preceitos conservadores que têm desenterrado a cada nova eleição. Enfim, empurrar-se de novo para uma posição de centro. O passado do partido, todavia, não recomenda que se trabalhe com essa hipótese.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

FONTE: Jornal Valor Economico - Lido no Blog Nassif Online

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eleições: Quando o Bandido agora é Santo

Estava hoje ouvindo rádio quando entrou no ar um direito de resposta do Serra á candidata Dilma autorizada pelo TSE. O mentiroso vem a público na maior cara lavada afirmar que é o pai da honestidade e que sua oponente está fazendo uma campanha baseada na mentira e no baixo nível.

Está tudo invertido nessas eleições. A banana está comendo o macaco. A hipocrisia está vencendo a verdade. 
Não sei se responder por pelo menos 17 processos na Justiça, pode atestar que alguém seja honesto, mesmo que não haja julgamento de culpa. Mas o simples fato de estar na justiça já é algo relevante.

São por essas e outras que as pessoas odeiam política e acabam por afastarem-se desse submundo obscuro, mas o duro é que essas pessoas com seus títulos de eleitores e amestrados pela mídia golpista, ainda votam em medíocres desse tipo. 

O sentimento de ódio e mentiras contra qualquer coisa do Lula, Dilma e PT está tão profundamente enraizado que uma boa parcela da sociedade vai ao pleito de domingo apertar o botão que não seja o 13, independentemente do que venha a ser o seu futuro.

Abaixo Artigo do Miro

Dossiê Serra: saúde terceirizada (1)

Por Altamiro Borges

Na propaganda eleitoral de rádio e TV, nos debates e nas suas andanças pelo país, o demotucano José Serra mostra São Paulo como se fosse o “paraíso na terra”, um modelo de gestão eficiente e vitorioso. Tudo funciona em perfeita harmonia – educação, saúde, transporte, segurança pública, habitação. Um desavisado seria induzido a pegar um avião da Europa direto para Congonhas ou Cumbica para curtir o “primeiro mundo”. Sorte que lá não passa a falsa propaganda do Serra.

Para os paulistas que vivem do trabalho – e não do rentismo e das migalhas jogadas à parcela da classe média que come mortadela e arrota caviar – esse cenário paradisíaco não existe. É obra de marqueteiro, que exibe o invólucro bonito e esconde o conteúdo podre. Tanto que já no primeiro turno da eleição, Dilma Rousseff obteve vitória nos bairros da capital e cidades mais carentes do interior. Serra, blindado pela mídia e com forte aparato, só venceu com folga nas áreas ricas.

O caos nos hospitais

Nesta série de artigos na reta final da eleição a idéia é mostrar os estragos causados pelas gestões tucanas em São Paulo. O PSDB detém a hegemonia no estado há 16 anos – por razões que serão apontadas no final da série. Com a eleição de Alckmin para governador, o partido completará 20 anos de domínio total do estado – logo ele que fala tanto em alternância no poder para fustigar o presidente Lula. Este pequeno dossiê visa denunciar o que a mídia demotucana oculta e ofusca.

Os efeitos mais graves do “modelo tucano de governar” se manifestam nas áreas sociais. Apesar de José Serra se jactar tanto dos seus feitos na saúde, o quadro em São Paulo é dramático. É só ir a um hospital público ou centro de saúde para esbarrar em pessoas, crianças e idosos, espalhadas em macas pelos corredores, gemendo pelos cantos, aguardando horas em filas quilométricas. Os médicos e enfermeiros, com seus péssimos salários, angustiam-se sem poder atender a demanda.

Corte nos investimentos

As carências na área decorrem da política de “ajuste fiscal” dos tucanos, com os seus constantes cortes de verbas. Pelo firmado no Sistema Único de Saúde (SUS), uma conquista da sociedade – consagrada na Constituição de 1988 e que passou a vigorar somente em 2000 –, os estados devem aportar, no mínimo, 12% das suas receitas líquidas neste setor vital. São Paulo, apesar de ser o estado mais rico da federação, não tem cumprindo com sua responsabilidade nesta área.

Para driblar os 12% fixados na Constituição, os governos tucanos baixaram decreto ampliando o conceito sobre investimentos na saúde, incluindo gastos na Agricultura, Gestão Pública e até na Justiça. No orçamento de 2010, os investimentos específicos na saúde foram de apenas 9,6% da receita. Com esta manobra contábil, os recursos são desviados para outros fins, como pagamento de aposentadoria ou no programa Viva Leite. Entre 2001 e 2009, o governo deixou de aplicar R$ 4,1 bilhões na saúde da população. Esse montante seria o suficiente para construir 82 hospitais

Terceirização criminosa

Para reduzir ainda mais os investimentos na saúde, os tucanos também inventaram as chamadas Organizações Sociais. Sem licitação pública ou mecanismos rígidos de fiscalização, o que abre brechas para inúmeras maracutaias, estas estranhas “organizações sociais” administram hoje 23 hospitais, todos os laboratórios e mais de uma dezena de ambulatórios especializados. Com o tempo, esta terceirização “disfarçada” da saúde pública deve gerar graves problemas sociais.

Em 2010, elas receberão R$ 1,96 bilhão (51,2% da verba total do setor), enquanto todo o restante gerido diretamente pelo estado receberá R$ 1,97 bilhão (48,8% da verba pública). Quem garante que os recursos serão usados no atendimento à população, que não serão desviados para engordar os lucros dos novos capitalistas do setor ou para financiar as campanhas tucanas? Enquanto isto, a população sofre com o péssimo atendimento e os servidores têm os seus salários arrochados.

Piora nos indicadores

Os indicadores revelam o crescimento das doenças medievais no estado. Em 2001, 2002 e 2006 ocorreram epidemias de dengue e a infecção pelo mosquito foi registrada em 75% das cidades – em 249 municípios. A própria Secretaria de Saúde estima a existência de 580 mil portadores crônicos do vírus da hepatite B e 420 mil de hepatite C. Há também deficiências nos programas de vigilância sanitária, vacinação, combate às endemias e no controle e uso do sangue. Já o número de leitos hospitalares teve queda de 11,5% na sua ocupação entre 2003 e 2006.

Ao mesmo tempo, cresce o número de doenças decorrentes da falta de saneamento, em especial na região metropolitana. As doenças diarréicas passaram de 403 mil, em 2004, para 617 mil, em 2007. A piora geral nas condições de saúde decorre do baixo investimento neste setor. São Paulo até possui uma extensa rede do SUS de serviços ambulatoriais e hospitalares, com mais de 4 mil unidades básicas, 1.277 unidades de atendimento de especialidades e 680 hospitais. Mas toda ela tem sido sucateada nos últimos anos, o que ocasiona a redução dos atendimentos.

FONTE: Blog do Miro

Conversa Afiada: Carta de um brasileiro a um blog limpo (ou serviçal)

Publicado no Tijolaço, de Brizola Neto:

Uma carta ao Noblat


Deus me livre de que o tempo me corroa a humildade e me faça querer ser dono da verdade, destes que não ouvem com o coração e não escrevem com alma.

E que me permita um dia, quando os cabelos – se restarem – ficarem brancos, escrever como o aposentado Carlos Moura, da mineira Além Paraíba, faz hoje numa carta aberta ao jornalista Ricardo Noblat, respondendo a uma agressão insólita e desnecessária que fez, ontem, em seu blog, a Lula, dizendo que lhe falta, desde que decidiu eleger Dilma, “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”.

A carta de Moura foi publicada no Escrevinhador, de Rodrigo Vianna, e eu a reproduzo aqui:


Noblat


Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha?


Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria,  jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Frequentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio.


Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente “brasileira”, da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial.


O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo, controlando também a maior  rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a  dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro.


O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho. O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita  (“esqueçam o que eu escrevi”, “ tenho um pé na senzala” “o resultado foi um trabalho de Deus”). O que vale é a forma, o estilo envernizado.


As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca.  A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas   e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, “manchetar”  a “queda” de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a “liturgia”  do cargo. Ao togado basta o cinismo.


Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História.  E ainda querem que, no final de mandato, o presidente aguente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV.


Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Índio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Monica Serra sobre a “matança de criancinhas”, enfiando o manto de Herodes em Dilma. Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é “acadêmica”.


A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”.


Você não vai “decidir” que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia  de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça,  sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado,  a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros.


Carlos Torres Moura


Além Paraíba-MG

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Kotscho: De guerra em guerra, escalada da intolerância

Da guerra santa à guerra suja, a campanha presidencial de 2010, que entra hoje em sua última semana, graças a Deus!, registrou uma inédita escalada de intolerância. Jogaram nos ventiladores da velha mídia e da jovem internet todos os preconceitos, ódios, medos, calúnias, mentiras, baixarias, tudo o que o ser humano pode produzir de pior.

Ainda bem que agora falta pouco. A cada dia, lendo o noticiário do jornal no café da manhã, meu estômago foi ficando mais embrulhado e teve dia em que nem me deu ânimo de escrever nada. Tentei mudar de assunto, falar sobre futebol e até do Mickey, mas não adianta. Parece que as pessoas não estão mais nem lendo o que os outros escrevem.

De nada adiantaram meus reiterados apelos para que os leitores se ativessem em seus comentários ao assunto tratado no post, evitassem agressões e ofensas, não usassem o espaço para fazer propaganda eleitoral nem escrevessem suas mensagens só com letras maiúsculas, em caixa alta, como se quisessem gritar suas verdades.

Pela primeira vez, neste domingo, fui obrigado a deletar mais comentários do que publicar. Procuro manter aqui um mínimo de civilidade, mas fico cada vez mais assustado e enojado com o que leio nas áreas de comentários em outros blogs e mesmo sobre as notícias publicadas nos diferentes portais. Em matéria de escatologia e desrespeito, chegamos ao fundo do posso.

Nem dá mais para saber o que é publicação da grande imprensa ou panfleto apócrifo distribuído nas ruas, nos templos e nos botecos. Virou tudo uma massa disforme, mal cheirosa, escondida no anonimato ou brandida por nobres colunistas. Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem o que foi esta eleição de 2010 vão ter que colocar aquelas máscaras hospitalares.

Do alto do seu mais de meio século de competente e honesto jornalismo, sábio criador de jornais e revistas, combatente da boa luta, Mino Carta resumiu em poucas linhas qual foi o papel da imprensa nesta triste história:
“Não hesito em afirmar que nunca, na história das eleições pós-guerra, a mídia nativa permitiu-se trair a verdade factual de forma tão clamorosa. Tão tragicômica. Com destaque, na área de comicidade, para a bolinha de papel que atingiu a calva de José Serra”.

De fato, os sete minutos produzidos pelo Jornal Nacional na semana passada para provar que o candidato José Serra foi duramente alvejado por manifestantes do PT, no Rio de Janeiro, ao contrário do que mostraram as imagens do SBT, deverão constar no futuro de qualquer antologia de jornalismo de ficção.

Ao ser surpreendido pelo furo do concorrente, mostrando que a arma utilizada no atentado se limitou a uma bolinha de papel, o JN recorreu a uma foto de celular fornecida pela Folha, em que não se conseguia ver nada direito e buscou o depoimento de um perito para ”provar” que num segundo “ataque” teria sido utilizada munição muito mais letal.

A guerra suja tomou então o lugar da guerra santa que vinha alimentando a campanha oposicionista na passagem do primeiro para o segundo turno. O que falta ainda? Esgotado o arsenal do bispo de Guarulhos e do telepastor Malafaia, os dois candidatos fizeram carreatas pacíficas neste domingo no Rio e se encontram novamente esta noite no debate da TV Record.

São os penúltimos lances de uma campanha presidencial brasileira que, pela primeira vez, utilizou massivamente a internet, mas a experiência não foi das mais edificantes. Mais do que um novo e democrático meio para divulgar propostas dos candidatos, mobilizar as militâncias e angariar recursos, a rede serviu para espalhar o horror religioso, desconstruir adversários, disseminar o ódio.

Sobrou espaço, no entanto, para reflexões muito lúcidas como a do leitor JG Schneider, em comentário enviado ao Balaio às 8h52 de hoje, o primeiro que li ao abrir o computador:
“Até parece que a web vai virar uma igreja, uma Santa Web ou Santa Rede Mundial ou Igreja Mundial do Santo E-Mail. A princípio, até achava que era uma brincadeira, mas nestes últimos dias a coisa piorou e os tais “crentes do e-mail” estão se superando”.

Sim, por mais absurdo que pareça, muita gente acredita nas barbaridades que circulam na grande rede e ajuda a espalhar este lixo eletrônico.

Se não temos mais a nossa velha mídia para separar o joio do trigo _ e publicar o joio, como brincávamos antigamente, e acabou virando verdade… _ pergunto-me o que acontecerá a partir da semana que vem, depois da apuração dos votos, quando a vida volta ao normal? Em quem ainda poderemos acreditar?

FONTE: Blog do Kotscho

domingo, 24 de outubro de 2010

Viomundo - Carlos Rodriguez: Quem semeia vento, colhe tempestade

A cada dia que passa, o cinismo do candidato tucano à presidência da República, José Serra, se supera. Totalmente obscena a sua declaração (feita após a patética encenação da bolinha de papel) de que o presidente Lula é o responsável pela violência na campanha eleitoral.

Este senhor se vale de velhos artifícios da direita. Primeiro, radicaliza em boatos, intrigas e desqualificações dos adversários, criando um clima pesado na campanha. Depois, despolitiza-a. Assim, não se discute a situação econômica  ou qualquer aspecto da vida do cidadão brasileiro. Ao contrário, envereda para temas que dizem respeito à vida íntima de cada um, como o aborto e a orientação sexual. A pauta passa a ser a baixaria e não o futuro do Brasil, a diminuição da miséria ou a melhoria da educação, da saúde e do desenvolvimento da sociedade brasileira. A oposição à Lula age assim, porque não tem projeto para o país e somente se vale do ódio e do rancor.

Aliás, o cinismo impera entre os demotucanos. No jornal Estado de S. Paulo de 24 de outubro, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, diz que “o PT é o partido da mentira, o PT é o partido da morte,  por causa do aborto. Engraçado, sobre o aborto feito por Dona Mônica Serra, mulher de José Serra, segundo relato de suas ex-alunas publicada no jornal Folha de São Paulo em 16 de outubro,o bispo de Guarulhos não abre o bico.

Curiosamente, o bispo D. Luiz é de São João da Boa Vista, onde atuava com o Sidney Beraldo, ex-deputado e ex-secretario de Gestão do então governador Serra, e mais recentemente um dos coordenadores da campanha a governador de Geraldo Alckmin, que tem fortes ligações com a Opus Dei, que age nas sombras. A omissão do bispo sobre o aborto de Monica Serra revela que essa questão é apenas um mote usado por esse grupo religioso para ir contra o PT.

Para completar o quadro dantesco, assistimos ao fundamentalismo religioso matar a religião e transformá-la em mero  instrumento eleitoral. Esta mistura acintosa de religião, num viés fundamentalista, e política é um perigo à sociedade brasileira, pois ameaça os pilares do Estado Laico.

O ódio contra o PT vem sendo trabalhado há pelo menos um ano. Todos devem se lembrar dos primeiros e-mails com a acusação ridícula de que Dilma seria terrorista. Por sinal, o termo terrorista, cunhado pelos militares durante a ditadura, é uma forma de adotar a ditadura militar. Aqui, vale lembrar que ao povo é dado o direito de resistir quando um governo se estabelece pela força das armas. Até na idade média, como é relatado na lenda  Robin Hood , já se sabia disso.

Homens e mulheres que foram torturados barbaramente e deram a sua vida pela democracia devem ser tratados como heróis. O termo terrorista significa aceitar que a tortura e barbárie sejam admissíveis como recursos para organizar uma sociedade. Claramente, para um republicano e democrata este argumento precisa ser rejeitado. Então perguntamos, por que os tucanos se valem de argumentos antidemocráticos para difamar uma heroína brasileira? Por que uma campanha baseada no ódio?

Há outros exemplos, como a campanha conservadora com uso da internet para difamar e caluniar e atacar a vida pessoal de Dilma Rousseff.

Lentamente a campanha de Serra pregou o ódio, inclusive de classe, e se valeu dele eleitoralmente para chegar ao segundo turno. Agora hipocritamente diz que o presidente da República faz uma campanha que estimula a violência, querendo se passar como vítima. Ora, Serra, quem semeia vento, só pode colher tempestade.

Se o candidato José Serra, em vez de despolitizar a campanha, discutisse projetos para o Brasil (o que ele infelizmente não possui), talvez os acontecimentos fossem outros.
Por fim, deixo para vocês este poema de Brecht, que mostra que a  violência não é o que os poderosos querem que seja visto como violento, mas as estruturas sociais ou situações plantadas com o apoio da mídia e da direita conservadora que resultam neste quadro conflituoso.

Pergunto, ainda, manipular informação e tentar reverter votos de forma abjeta não é uma violência?

PS: Curiosamente, a crítica contumaz da Globo sobre o episódio da violência da bolinha de papel , através do Jornal Nacional, ocorreu justamente no dia em que o Cade, órgão do governo federal, decidiu acabar com o monopólio da emissora  na transmissão do Campeonato Brasileiro.

Sobre a Violência, Bertolt Brecht
A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contém
Ninguém chama de violento.
A tempestade que faz dobrar as bétulas
É tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua
* Carlos Rodriguez , participante da Igreja Católica.

Miro: Revista Veja é criminosa. Processo já!

Por Altamiro Borges

Pela sexta vez em menos de dois meses, a revista Veja publica uma capa agressiva contra a candidata Dilma Rousseff. A famíglia Civita está obcecada e aciona os seus capachos - que envergonham o jornalismo - para produzir factóides. A edição desta semana, bem espalhafatosa, traz uma suposta escuta telefônica em que o secretário de Direitos Humanos, ligado ao Ministério da Justiça, teria reclamado das pressões que teria sofrido da ex-ministra para produzir dossiês contra José Serra.

"É grave usar esses métodos"

Dilma Rousseff, irritada, já rebateu as insinuações do panfleto serrista. "Eu nego terminantemente esse tipo de conversa às vésperas das eleições. Gostaria muito que houvesse, por parte de quem acusou, a comprovação e a prova de que alguma vez eu fiz isso. É muito fácil, na última hora, na semana da eleição, criar uma acusação contra a pessoa sem prova alguma. É grave usar esses métodos".

Mais indignado ainda, o secretário de Direitos Humanos, Pedro Abramovay, envolvido criminosamente pela revista no episódio, também repudiou as insinuações. Ele exigiu que a Veja apresente as provas. Já o ex-secretário, Romeu Tuma Junior, exonerado do cargo em agosto passado por suposta ligações com contrabandistas, não se pronunciou sobre o caso. Estranhamente, o seu telefonema é a prova principal da acusação.

Acusações sem prova e ilegais

Até agora, a revista não divulgou o áudio da conversa, não informou a fonte de sua informação - será uma escuta clandestina, ilegal? - e nem se dignou a ouvir os dois principais prejudicados pela acusação (Dilma e Abramovay). Disse apenas que a fita foi periciada pelo "especialista" Ricardo Molina, o mesmo que a TV Globo usou para falar sobre o segundo objeto que atingiu José Serra (além da bolinha de papel) e que ficou famoso por tentar incriminar o MST na chacina de Eldorado dos Carajás.

A matéria lembra outros factóide produzidos pela Veja, como a tal escuta telefônica contra o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Dantas (ou Mendes?), que até hoje não foi comprovada e até já caiu no esquecimento. A revista insiste em produzir material de campanha contra Dilma Rousseff. Não publica nenhuma capa em tom negativo contra o tucano Serra. E olha que não falta assunto - o homem-bomba Paulo Preto, a hipocrisia sobre o aborto de Monica Serra, as brigas Serra-Aécio.

A revista e o mensalão dos tucanos

Mas a Veja resolveu blindar, descaradamente, o demotucano. Até matérias publicadas no passado, com denúncias contra Serra, foram arquivadas. Não aparecem na campanha presidencial. As razões são evidentes. Em primeiro lugar, a revista defende a mesma plataforma política neoliberal. Em segundo, ela deve favores aos tucanos paulistas. Afinal, o governo Serra doou fortunas à Editora Abril, com a compra de assinaturas milionárias e farta publicidade. A promiscuidade lembra o pior tipo de "mensalão".

Na sua nota oficial, o secretário Pedro Abramovay exigiu a imediata apresentação de provas. "Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição", lamentou. Ele também ameaçou entrar com um processo contra a publicação da famiglia Civita. Não dá mais para aceitar calado os ataques irresponsáveis e criminosos da Veja. Isto só estimula a impunidade. A famiglia Civita precisa ser internada e a revista Veja merece ser processada, já!

A Folha dá Notícia e Ela mesma se Desmente na própria Matéria

É o ápice do jornalismo confuso, mentiroso e leviano que trás viés desinformante a lá Veja.
No post abaixo da Folha.Com a manchete informa quea campanha de Dilma limita os trabalhos de Marcelo Branco e no fim da matéria informa que nada mudou segundo a própria equipe de trabalho.

Para que passar 5 anos de sua vida numa faculdade de comunicação e no futuro precisar prestar-se a esse tipo de situação numa redação de jornal é o que minha fraca inteligência não consegue entender, mas deve ser degradante para qualquer ser humano com o mínimo de consciência fazer qualquer coisa por dinheiro. Lamentável usar seu talento dessa maneira com o simples intuíto de desconstruir os outros.

Campanha de Dilma limita ação de guru virtual

MÁRCIO FALCÃO
RANIER BRAGON

VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA 

 
Sem alarde, a coordenação da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência promoveu uma intervenção na área digital da campanha, especificamente na que faz a ponte com as redes sociais.
O setor era controlado até então pelo guru virtual Marcelo Branco, mas agora quem responde de fato pelas ações é a empresa Pepper Comunicação Interativa, que fez a campanha do presidente Lula em 2006, além de integrantes do próprio PT.

Outra mudança foi a contratação de João Wady Cury para mediar as demandas do marqueteiro João Santana com a equipe de informática.

A decisão foi motivada pela avaliação de que Branco e sua equipe não teriam identificado a campanha negativa contra Dilma na internet, apontada como um dos fatores para que a disputa fosse para o segundo turno.

Segundo essa avaliação, a equipe de Branco mostrou eficiência no contato com seus grupos nas redes sociais, mas não foi capaz de captar ações de "desconstrução de imagem" de Dilma.
Entre essas ações, estão os e-mails que acusavam a candidata de ter dito que nem Jesus Cristo lhe tiraria a vitória --fala que ela nega ter dito.

Agora, o comando das operações para identificar essas ações negativas está a cargo da equipe da Pepper, em conjunto com o marqueteiro João Santana.

Já a equipe de Marcelo Branco seguirá trabalhando nas redes sociais.
Ao longo da campanha, Branco proporcionou constrangimentos a Dilma, como promover uma mobilização pressionando para que ela participasse de um debate on-line e postar uma entrevista da candidata na qual ela cometia deslizes.

Ex-diretor-geral da Campus Party Brasil (evento de tecnologia), Branco, que foi levado à campanha por Dilma, também foi alvo constante de críticas por trabalhar isoladamente, sem harmonia com João Santana.

Ele não foi afastado, porém, por conta de sua boa relação com Dilma. 

Procurado pela Folha, Branco disse que estava em reunião e não poderia conversar com a reportagem. Coordenador-executivo do grupo ligado a Marcelo Branco, Roberto Andrade negou alterações na equipe. 

"Não fomos informados. Você deve perguntar [sobre a mudança] para quem te informou. A Pepper cuida do site oficial, nós continuamos cuidando das redes sociais. Tudo continua igual", disse. 

FONTE: Folha.Com

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Em Uberlândia, Lula dispara contra "verborragia de Serra"


Felippo Cecilio
Direto de Uberlândia
Ao lado de sua escolhida para disputar a presidência da República, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não poupou o candidato do PSDB, José Serra, de sua "verborragia". As declarações foram feitas na noite desta sexta-feira (22) em um comício na cidade mineira de Uberlândia.

Ao se referir ao episódio da última quarta-feira (20), quando Serra foi atingido na cabeça por objetos, Lula afirmou que a turma de Dilma é pacífica. "É uma vergonha a farsa que tentaram jogar na cabeça do povo. Tem muita gente que morre e não consegue fazer uma ultrassonografia em ressonância magnética de uma bolinha de papel jogada na cabeça de um adversário... meia hora depois, ele (Serra) descobriu que bateu a bolinha, aí ele recebeu um telefonema, deu dor de cabeça nele e disse que foi agressão da turma da Dilma. A turma da Dilma é a turma da paz, que trabalha, paga imposto de renda e sustenta esse País", disse Lula.

Fazendo uma comparação entre os seus oito anos de mandato e os oito anos da gestão de Fernando Henrique Cardoso, Lula disse que não se pode jogar fora o que foi conquistado, por "um bando de mentiras que tentaram inventar. Por isso, que querem disputar uma eleição que tenha a grandeza que eu tive em 1989, em 1994 e em 1998 quando perdi, sem fazer maracutaia, para acusar qualquer adversário".

Dilma dispara

Mesmo com a voz rouca e aparentando cansaço, Dilma também disparou contra seu adversário nas eleições do próximo dia 31. Ela disse que o que está em jogo nas urnas é a escolha da população brasileira entre "um Brasil que cresce e que desenvolve e outro que desce serra abaixo. Eu represento a continuidade do governo Lula. Meu adversário tem pele de cordeiro e diz que é ele quem representa, mas temos que lembrar que ele passou os últimos oito anos, ele e o partido dele, fazendo a oposição mais ferrenha contra nós".

A presidenciável do PT falou em tom de despedida, agradecendo o apoio que recebeu da base de políticos mineiros durante a sua campanha e também a expressiva votação obtida na região do Triângulo Mineiro, onde fica o município de Uberlândia. Segundo a polícia, cerca de 8 mil pessoas participaram do comício.

FONTE: Terra

Terra Magazine-Dutra: "Tinha uma central de espionagem comandada pelo PSDB"

Dayanne Sousa

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, contestou a versão do PSDB de que petistas e o presidente Lula estariam impedindo a divulgação de informações oficiais do inquérito da Polícia Federal sobre a quebra de sigilos de pessoas ligadas ao candidato tucano à presidência, José Serra. O ataque foi feito pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, durante entrevista no Rio de Janeiro e publicado em nota na noite desta quinta-feira (21). Dutra rebateu que as quebras foram motivadas por uma "central de espionagem comandada pelo PSDB e pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB - RJ)" .

- O que o Sérgio Guerra não quer levantar é que o depoimento do Amaury fala que começou a investigar esse assunto porque tinha uma central de espionagem comandada pelo PSDB e pelo Marcelo Itagiba.

Segundo Dutra, o PT pediu, nesta quarta (20), acesso à íntegra do depoimento do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, apontado pela PF como o mandante das quebras de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e da filha e genro de Serra, Verônica Serra e Alexandre Bourgeois. No Rio, Guerra confirmou que teve acesso ao depoimento de Amaury por intermédio de Eduardo Jorge.
- Ontem, nós entramos com um pedido para ter acesso aos autos, que nós não temos. Quem tem acesso aos autos e fica liberando o que lhe interessa é o Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB, que é parte no processo por ter tido seu sigilo fiscal quebrado.

Dutra afirma que o PSDB levanta suspeitas para desviar a atenção das notícias de que Amaury era funcionário do jornal O Estado de Minas em outubro de 2009, época em que houve as quebras de sigilo. Segundo publicou o jornal Folha de S.Paulo, Amaury também disse em seu depoimento que iniciou o processo das quebras de sigilo para proteger o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que disputava com Serra quem seria o candidato do PSDB à presidência.

- Na verdade Sérgio Guerra está incomodado porque o inquérito da PF comprovou que todas as acusações que eles faziam contra nós eram infundadas. O fato da quebra do sigilo aconteceu quando o Amaury era empregado do Estado de Minas, quando nós não tínhamos campanha nem pré-campanha ainda.

Guerra destaca que o depoimento de Amaury também responsabiliza o deputado estadual do PT, Rui Falcão, por roubar e vazar as informações sigilosas. "Primeiro eles nos acusam de ter mandado quebrar sigilo e fazer um dossiê, agora o PT está roubando um dossiê?", questiona Dutra.

Leia a entrevista de Dutra na íntegra.
Terra Magazine - Qual a sua reação e do PT à afirmação do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, de que o PT e o presidente Lula estariam impedindo a divulgação das informações da Polícia Federal?
José Eduardo Dutra - O depoimento do Amaury está sendo vazado para a imprensa por Eduardo Jorge. Nós entramos com uma ação pedindo para ter acesso aos autos. Na verdade Sérgio Guerra está incomodado porque o inquérito da PF comprovou que todas as acusações que eles faziam contra nós eram infundadas. O fato da quebra do sigilo aconteceu quando o Amaury era empregado do Estado de Minas, quando nós não tínhamos campanha nem pré-campanha ainda.
Eles criaram um factoide de que nós encomendamos. Essa pessoa que encomendou a quebra dos sigilos não tinha nenhuma relação conosco e na época da quebra dos sigilos tinha uma ligação com um órgão de imprensa. Então, ele está incomodado por isso. Engraçado é o seguinte: primeiro eles nos acusam de ter mandado quebrar sigilo e fazer um dossiê. Então, antes o PT tinha encomendado um dossiê, agora o PT está roubando um dossiê? É uma coisa sem pé nem cabeça.

Guerra levanta as novas informações sobre o depoimento do jornalista Amaury, de que ele estaria de férias do Estado de Minas na época e que os dados teriam sido roubados pelo deputado estadual do PT, Rui Falcão.
O que o Sérgio Guerra não quer levantar é que o depoimento do Amaury fala que começou a investigar esse assunto porque tinha uma central de espionagem comandada pelo PSDB e pelo Marcelo Itagiba. Por isso que nós fizemos um aditamento ao pedido do inquérito. Porque esse inquérito está acontecendo por um pedido nosso. Nós fizemos um aditamento para que se investigue essa tal central de espionagem. Nisso o Sergio Guerra não quer tocar.

O PSDB também questiona o fato de a candidata Dilma ter mencionado o depoimento de Amaury em público. O PT teve algum acesso ao depoimento?
Nós fizemos uma solicitação com base no que saiu na imprensa. Desde a primeira vez. Quando saiu a notícia da imprensa de que tinha havido a quebra do sigilo, fizemos a requisição com base no que saiu na imprensa. Depois, fizemos um aditamento também com base no que saiu na imprensa. Todas as ações foram baseadas no que saiu na imprensa. Ontem, nós entramos com um pedido para ter acesso aos autos, que nós não temos. Quem tem acesso aos autos e fica liberando o que lhe interessa é o Eduardo Jorge. Ele, como é parte, tem acesso aos autos. E fica vazando o que lhe interessa. Então, estamos solicitando acesso aos autos também.

FONTE: Terra Magazine

ELEIÇÕES - A tomografia da fita crepe..

Paulo Nogueira

Imagens da televisão – não da Globo, naturalmente — parecem mostrar que Serra foi, na verdade, vítima de um atentado de bolinha de papel. Quando parecia impossível superar a infâmia de Monica Serra na “morte das criancinhas”, eis que seu marido aparece e a bate. Serra optou pelo pior caminho: o da derrota associada a abjeção. Como disse Cícero a Catilina na Roma antiga, até quando ele continuará a abusar de nossa paciência? Agradeço os esclarecimentos. Decidi manter o texto original, acompanhado desse intróito, por refletir minha visão no calor dos acontecimentos.

Alguém se surpreendeu com as últimas pesquisas, que parecem consolidar a caminhada de Dilma rumo ao Palácio do Planalto?

Eu não.

A campanha de Serra é repulsiva, e acabou por afugentar do PSDB gente que, como eu, tradicionalmente opta pelo partido.

O episódio de ontem no Rio é apenas mais um de uma lista de pequenas trapaças de Serra. Ele é provavelmente a primeira pessoa no mundo a fazer tomografia por receber uma fita crepe na cabeça. O médico que o atendeu disse, constrangido, que o exame acusara o que todo mundo já sabia. Não havia problema nenhum.

Serra aproveitou para fazer fotos no hospital, em meio a extemporâneas e descabidas declarações de paz e amor hippie. “Não entendo política como violência”, disse ele. Serra entende política como uma forma de triturar todo mundo para chegar à presidência. O melhor quadro do PSDB para suceder FHC era Pedro Mallan, que foi sabotado de todas as formas por Serra.

Serra quer ser muito ser presidente. O problema é que os brasileiros não querem que ele seja.

Em farisaísmo, a tomografia da fita crepe equivale à célebre frase de Monica Serra segundo a qual Dilma é a favor de matar criancinhas. Não conheceríamos a capacidade de jogar baixo de Monica se um repórter não estivesse presente para registrar a ação maldosa da candidata a primeira-dama.

Dilma deve ganhar menos pelos seus méritos e até menos pelo apoio do Lula do que pelos vícios da campanha vale-tudo de Serra.

Ele tem que sair de cena para que o PSDB se renove.

É possível que ele arraste Aécio na queda, agora que repousam sobre o mineiro as esperanças de operar uma reviravolta. Dilma bateu Serra no primeiro turno, e Aécio disse que vai mudar isso. Faz alguns mandatos já que quem ganha em Minas leva a presidência, e por isso as esperanças se reabriram.

Só falta Aécio combinar com os mineiros.

A última pesquisa mostra que a distância de Dilma sobre Serra em Minas se ampliou em vez de diminuir.

Serra talvez possa culpar Aécio se a virada não aparecer, e assim prosseguir, como um interminável Galvão da política, mais alguns anos em sua louca cavalgada rumo à presidência, num titânico duelo de vontades contra os brasileiros.

FONTE: Blog de Um Sem Mídia

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Carta Maior: Campanha de Serra é flagrada distribuindo alimentos no RS

Caminhão carregando sacolas com alimentos e propaganda do candidato tucano foi apreendido no final da tarde desta quinta feira, entre os municípios de Coxilha e Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul. Três pessoas foram presas e encaminhadas à Polícia Federal. Segundo denúncia encaminhada ao MP Eleitoral, caminhão saiu do comitê central de Serra em Passo Fundo carregado de sacolas com alimentos para serem distribuídos na periferia do vizinho município de Coxilha. Junto com a sacola pessoas recebiam bandeira de Serra.
A Polícia Rodoviária Estadual do Rio Grande do Sul prendeu no final da tarde desta quinta-feira um caminhão da campanha de José Serra (PSDB) e três pessoas que foram flagrados distribuindo sacolas com alimentos no bairro Cohab, município de Coxilha, próximo a Passo Fundo. Há alguns dias, um caminhão de som da campanha de Serra foi visto circulando em Passo Fundo carregando sacolas com alimentos. Militantes da campanha de Dilma Rousseff (PT) conseguiram fotografar o caminhão transportando ranchos e comunicaram a polícia e o Ministério Público Eleitoral.

Nesta quinta, o caminhão saiu do comitê central da campanha de Serra em Passo Fundo e foi até Coxilha onde, no bairro Cohab, distribuiu cerca de 30 sacolas de alimentos. Tudo foi devidamente fotografado. No retorno a Passo Fundo, o caminhão acabou sendo parado em um posto de pedágio e foi apreendido, ainda carregando sacolas com alimentos. Três pessoas foram detidas e encaminhadas à Polícia Federal de Passo Fundo. O delegado Celso André está cuidando do caso.

O promotor eleitoral Paulo Cirne recebeu a denúncia de que um caminhão estaria percorrendo a periferia de Coxilha, distribuindo alimentos. Junto com a sacola de alimentos, os beneficiados estariam recebendo uma bandeira da campanha de José Serra. Paulo Cirne alertou para o posto do Comando Rodoviário da Brigada Militar que interceptou o caminhão carregado ainda com várias sacolas de alimentos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Política: Semear Ódio não Ajuda

Ladislau Dowbor

Há momentos de posições declaradas. E há limites para tudo. Segundo o video de Arnaldo Jabor, está sendo preparada uma ditadura, e os culpados seremos nós, se votarmos na Dilma. Isto com dramático acompanhamento musical, o Jabor parecendo aqueles antigos personagens do Tradição, Família e Propriedade dos anos 1960 anunciando a apocalipse política.
Caso mais sério, segundo a CBN, o futuro governo Dilma seria dirigido pelo José Dirceu, isto dito em tom pausado de reportagem séria. Nos e-mails religiosos aprendo que o futuro governo vai matar criancinhas. Quanto à Veja, não preciso ser informado, pois já a capa mostra um monstruoso polvo que vai nos engolir. E naturalmente, temos o aborto, último reduto da direita, instrumento político de profunda covardia, para quem sabe o que é a indústria do aborto clandestino. Aborto aliás já utilizado na campanha do Collor contra o Lula, anos atrás.

Argumentos patéticos desta mídia podem ser rejeitados como fruto de uma fase histérica de quem quer recuperar o poder a qualquer custo. Mas há uma dimensão que assusta. Muitos dos textos e vídeos exalam e estimulam um ódio doentio. E são produzidos e reproduzidos aos milhões, coisa que as tecnologias modernas permitem. Os grandes grupos da mídia, e em particular as quatro grandes familias que os controlam, não só aderiram de maneira irresponsável à fogueira ideológica, como jogam com gosto lenha e gasolina, ainda que sabendo que se trata de comportamentos vergonhosos em termos éticos, e perigosos em termos sociais. O poder a qualquer custo, vale a pena?

Semear e estimular o ódio é perigoso. Porque com o atual domínio de tecnologias de comunicação, o ódio pode ser espalhado aos grandes ventos, e os órgãos que controlam a mídia não se privam. Espalhar o ódio pode ser mais fácil do que controlá-lo. O tom da grande mídia se assemelha de forma impressionante aos discursos às vésperas da ditadura. Que aliás foi instalada em nome da proteção da democracia. Fernando Henrique Cardoso, que não teve grandes realizações a apresentar, entregou o governo dizendo que tinha consolidado a democracia. Herança importante. Vale a pena colocá-la em risco?

O governo Lula tem méritos indiscutíveis. Abriu espaço não só para os pobres, mas para todos. À dimensão política da democracia acrescentou a dimensão econômica e social. Tornou evidente para o país que a massa de pobres deste país desigual, é pobre não por falta de iniciativa, mas por falta de oportunidade. E que ao melhorar o seu nível, pelo aumento do salário mínimo, pelo maior acesso à universidade, pelo maior financiamento da agricultura familiar, pelo suporte aos municípios mais pobres, e até por iniciativas tão elementares como o Bolsa Família ou o Luz para Todos, mostrou que esta gente passa a consumir, a estudar, a produzir mais. E com isto gera mercado não só no andar de baixo, mas para todos.

Esta imprensa que tantas manchetes publicou sobre o “aerolula”, hoje sabe que a diversificação do nosso comércio internacional, a redução da dependência relativamente aos Estados Unidos, e a prudente acumulação de reservas internacionais, que passaram de ridículos 30 bilhões em 2002 para 260 bilhões atualmente, nos protegeram da crise financeira internacional. Adquirimos uma soberania de verdade.

E no plano ambiental, só em termos da Amazônia o desmatamento foi reduzido de 28 para 7 mil quilómetros quadrados ao ano. Continua a ser uma tragédia, mas foi um imenso avanço. Realização onde o trabalho de Marina Silva foi importante, sem dúvida, como foi o de Carlos Minc. Mas foi trabalho deste governo, que nomeou na área ambiental realizadores e não ministros decorativos. E a sustentabilidade ambiental não é apenas verde.

Os investimentos do PAC nas ferrovias e nos estaleiros são vitais para mudar a nossa matriz de transporte, hoje dependente de caminhões. A construção de casas dignas é política ambiental, que não pode ser dissociada do social. Os investimentos em saneamento do programa Territórios da Cidadania, em cerca de 2 mil municípios, articulam igualmente soluções ambientais e sociais, como o faz o programa Luz para Todos. Tentar dissociar o meio ambiente e o progresso social é um feito real que a direita conseguiu, divide pessoas que batalhavam juntas por um futuro mais decente. Mas é ruim para todos.

O bom senso indica claramente o caminho da continuidade, equilíbrando as dimensões econômica, social e ambiental. Absorver a dimensão crescente dos desafios ambientais, e expandir as dinâmicas do governo atual articulando os três eixos. Mas discutir isto envolveria uma campanha política em torno de argumentos e programas, onde a direita só tem a oferecer o argumento de que seria mais “competente”. O importante, é saber a serviço de quem seria esta competência.

A continuidade das políticas é vital para o Brasil. O que tem a direita a oferecer? Mais privatizações? Mais concentração de renda? Mais pedágios de diversos tipos? Leiloar o Pre-Sal? A última iniciativa do Serra foi tentar privatizar a Nossa Caixa, felizmente salva pelo governo federal. Como teria sido o Brasil frente à crise sem os bancos públicos? Os jornalistas sabem, mas quando falam, como Maria Rita Kehl, e escrevem o que sabem, são sumariamente demitidos. Que recado isto manda para o jornalismo?

A opção adotada foi bagunçar os argumentos políticos, buscar a desestabilização, assustar as pessoas, semear ódio. Qualquer coisa que tire da eleição a dimensão da racionalidade, da opção cidadã. Porque pela racionalidade, o próprio povo já sabe onde estão os seus interesses, e os resultados são evidentes. O caminho adotado é baixar o nível, sair da cabeça, ir para as tripas. Não o próprio candidato, porque este precisa parecer digno. Mas os esperançosos herdeiros de poder em torno dele, ou a própria família. O ódio que esta gente espalha está aí, palpável. E funciona. A maior vítima desta campanha eleitoral ainda pode ser o resto de credibilidade deste tipo de mídia, e os restos de ilusão sobre este tipo de política.

Eu voto na Dilma com a consciência tranquila. Fiz inúmeras avaliações de governos, profissionalmente, no quadro das Nações Unidas. E fiz a avaliação de políticas sociais do governo de FHC, a pedido de Ruth Cardoso, nas reuniões que tínhamos com pessoas de peso como Gilberto Gil e Zilda Arns. Sem remuneração, e com isenção, como o faço hoje. Eram políticas que nunca se tornaram políticas de governo, porque a base política não permitia que ultrapassassem a dimensão da boa vontade real da primeira dama. A base política do candidato Serra, desde a bancada ruralista até os negociantes das privatizações, é a mesma. E se assumir o vice, como tantas vezes já aconteceu, não será apenas um atraso generalizado para o país, será uma vergonha mundial. 

FONTE: Carta Maior

Terra Magazine: A pior eleição dos últimos tempos, por Marcelo Semer


Serra e Dilma na reta final da campanha (Fotos: Terra)

Segundo os indicativos das pesquisas, não é possível saber com segurança, antecipadamente, quem ganhará as eleições.

Independente de quem vença, no entanto, uma coisa é certa: todos perderam.

A campanha eleitoral nos revelou várias surpresas, mas nenhuma delas agradável.
O panorama da eleição, visto de seu início, apresentava uma perspectiva de amadurecimento democrático.

Nenhum dos principais candidatos à presidência tinha vínculos com o regime militar. Um quarto de século depois da redemocratização e os políticos egressos da ditadura não mostram forças para disputar a presidência.
O que parecia ser vitória da democracia revelou-se uma farsa.

A condição de oponente à ditadura de Dilma Rousseff foi empregada à exaustão como forma de sua desmoralização pelos adversários.
Fichas policiais apócrifas foram distribuídas pela Internet, atribuindo à candidata ações das mais diversas e irreais, moldando falsamente os adjetivos de terrorista e assassina que se fariam circular pelo submundo da eleição.

2010 poderia ter sido o ano de resgate da verdade sobre o regime militar e as torturas praticadas em nome do Estado. Longe disso.

O STF pôs uma pedra sobre os fatos no julgamento da anistia, supostamente com o pretexto da cordialidade do povo e a necessidade de esquecimento do passado em nome da paz social. Mas impunes os agentes da ditadura, iniciou-se a desconstrução daqueles que lutaram pela liberdade.
A campanha eleitoral atingiu picos elevados de despolitização, em grande parte porque o alto prestígio do governo Lula desestimulou os candidatos de oposição a criticá-lo abertamente. Serra chegou a introduzi-lo em sua própria propaganda de TV.

Se a eleição teve um início morno, seu final tem se mostrado exageradamente caliente, mas sem perder a despolitização jamais. A campanha tratou de submergir na baixaria, na propagação de preconceitos e no estímulo ao ódio.
Uma visita tétrica ao passado que pretendíamos esquecer.

Em 1985, Fernando Henrique Cardoso era candidato a prefeito de São Paulo pelo PMDB, quando foi surpreendido no debate por uma pergunta do mediador Boris Casoy, indagando se acreditava em Deus. Hesitou na resposta e reclamou com o jornalista que lhe prometera não fazer essa pergunta de caráter íntimo. Candidatos nanicos a serviço do adversário lhe aplicaram a pecha de comunista e ateu e o sociólogo perdeu a eleição para um decadente Jânio Quadros.

Na disputa presidencial de 1989, o até então desconhecido Fernando Collor contou com a simpatia e algo mais da TV Globo, ensinando a todos o quanto a ajuda dos meios de comunicação podia desequilibrar uma eleição.

Mesmo assim, no segundo turno, seu adversário havia encostado nas pesquisas. A partir de então, Lula foi taxado de comunista e confiscador. Era representado como diabo vermelho nos cordéis nordestinos e se dizia que fecharia igrejas pelo país afora.
E se não bastasse o boca-a-boca maldito, uma ex-companheira foi contratada pelo adversário para expor intimidades no horário eleitoral.

Passadas mais de duas décadas, os fantasmas de Jânio e Collor voltam a assombrar marqueteiros em desespero.
Mentiras são disparadas por e-mails e as correntes do mal atingem em chofre o eleitorado classe média, onde estaria a maior parte dos indecisos.

Dilma foi a opção preferencial das pirâmides da infâmia: de matadora de crianças ao satanismo, passando por aleivosias sexuais, a candidata foi acusada de quase tudo.

No final, como bumerangue, partiu das redes sociais a revelação de um suposto aborto praticado pela esposa de Serra, que em campanha teria criticado Dilma por apoiar a 'matança de criancinhas'.
Mas se a tecla do vale-tudo, usada como nunca nestas eleições, não fosse suficiente para degradá-las, ainda restava um último pesar.

Esvaziada das comparações ideológicas entre os candidatos, por opção ou incompetência, a campanha do segundo turno foi inteiramente tomada pela pauta religiosa. Proporcionou-se um atraso secular, que manchará a biografia de quem a introduziu como última cartada.

Mais de um século depois da separação de Estado e Igreja, a religião passou a ser a falsa questão central da eleição, desde que as pesquisas constataram que o tema sangrara Dilma às vésperas do primeiro turno.

Os candidatos comungaram, fizeram testemunhos de fé nas igrejas, beijaram terços e batinas e encheram propagandas de televisão com referências aos valores dignos da família cristã. Ao final, estavam comprometidos em manter o aborto como um caso de polícia.

As milhares e milhares de mulheres que morrem anualmente no país pela realização de procedimentos clandestinos, por falta de auxílio do poder público, que esperem mais quatro anos por outra oportunidade.

Vidas continuarão a ser desperdiçadas banalmente, porque um candidato achou que podia ganhar com esses votos e uma candidata receou perder por causa deles.

Recordações desonrosas da ditadura, invertendo os papéis da história. Fantasmas da infâmia elevando o submundo à condição de estratégia eleitoral. O Estado laico em risco, pela busca desesperada de um punhado de votos crentes.

Ganhe quem ganhar, esta terá sido, sem exageros, a pior eleição dos últimos tempos.


Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.



FONTE: Terra Magazine

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Economia e Eleições: Jornalista mostra que promessas de Serra são impraticáveis e contraditórias


CARTA CAPITAL

André Siqueira, sub-editor de Economia da Carta Capital, fez as contas e mostra que Serra não tem como cumprir as promessas de elevar o salário mínimo para 600 reais, instituir 13° para o Bolsa Família e reajustar em 10% as aposentadorias. Ele teria que rasgar a cartilha de gestão pública do PSDB e nem assim conseguiria. Mesmo fazendo um corte drástico de 30% nos gastos federais, Serra só conseguiria metade do dinheiro necessário para cumprir suas promessas.“E ele continua a criticar o endividamento público. Ao mesmo tempo em que promete elevar gastos sociais, ampliar investimentos e cortar impostos. Como, José?”, indaga Siqueira.

O jornalista André Siqueira, sub-editor de Economia da revista Carta Capital, decidiu fazer algumas contas e demonstrou objetivamente que o candidato à presidência da República do PSDB, José Serra, não tem como cumprir uma série de promessas que vem fazendo na campanha eleitoral. Em primeiro lugar, Serra teria que rasgar a cartilha de gestão pública de seu partido, que critica os gastos públicos do governo Lula. E nem assim o tucano conseguiria elevar o salário mínimo para 600 reais, instituir um 13° pagamento para o Bolsa Família ou reajustar em 10% as aposentadorias. “É de causar espanto a falta de olhar crítico da mídia para as promessas do candidato José Serra, impraticáveis diante dos paradigmas de gestão tucanos”, escreve Siqueira. Trata-se de um devaneio do candidato, acrescenta.

Vamos aos números analisados por André Siqueira:

“Consta no Orçamento de 2011 a proposta de elevar o salário mínimo para 538,14 reais. Serra propõe desembolsar 61,86 reais a mais por assalariado, para atingir os 600 reais. Apenas essa promessa de campanha custaria, portanto, 12,3 bilhões de reais. O montante é próximo ao orçamento total do programa Bolsa Família, atualmente em 13,7 bilhões de reais. Aliás, criar uma parcela a mais para o programa acrescentaria 1,14 bilhão de reais ao cálculo – em valores correntes. Finalmente, há o reajuste dos benefícios da Seguridade Social. Nesse caso, apelo ao cálculo do economista do Ipea, Marcelo Caetano, que avaliou em 6,2 bilhões de reais o esforço adicional exigido pelo presente oferecido pelo tucano aos aposentados e pensionistas”.

No total, assinala o jornalista da Carta Capital, as promessas de Serra custariam cerca de 19,6 bilhões de reais aos cofres públicos. André Siqueira consultou, então, o especialista em contas públicas, Amir Khair, ex-secretário de Finanças de São Paulo, para indagar sobre a viabilidade das promessas de Serra, que batem de frente, sempre é bom lembrar, com as críticas que o próprio candidato e seu partido fazem ao que consideram ser “excesso de gastos” do governo Lula. Em primeiro lugar, Khair lembra que o gasto federal corresponde a uma parcela de 43% dos desembolsos totais do setor público. O restante fica a cargo das prefeituras e estados. Em segundo, assinala, cerca de 80% do orçamento federal está legalmente engessado com salários e outras obrigações constitucionais.

Considerando a pouca margem de manobra que resta ao Executivo, Khair imagina que um “choque de gestão”, - a receita preferida do PSDB – permitiria um corte de aproximadamente 30%. Seria um “sacrifício extraordinário”, diz o economista, e equivaleria a 2,58% do gasto público nacional, algo em torno de 9,9 bilhões de reais. Ou seja, mesmo se fizesse isso, Serra estaria conseguindo apenas a metade dos recursos necessários para cumprir suas promessas de aumentar o salário mínimo para 600 reais, de reajustar em 10% as aposentadorias e de conceder um 13° pagamento ao Bolsa Família. “E ele continua a criticar o endividamento público. Ao mesmo tempo em que promete elevar gastos sociais, ampliar investimentos e cortar impostos. Como, José?”, indaga o jornalista.
 
FONTE: Carta Capital

Em nome de Deus, o Golpe!

Transformado em produto ou prestação de serviços, o nome de Deus é usado de maneira leviana em pról de uma casta que agride de forma covarde milhões de pessoas ao redor do mundo. Donos de um raciocínio, inteligência e conhecimentos apurados, líderes religiosos tranformam a fé dos indivíduos em um dos principais negócios que movimentam anualmente bilhões de dólares no mundo inteiro

Usar a boa fé das pessoas sob qualquer argumento, com fins de levar alguma vantagem, é prática inscrita no código penal brasileiro no Artigo 171 -Estelionato: "Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento" .

Abaixo reportagem da Folha.Com:

Serra diz que é irrelevante gráfica de tucana ter feito panfletos anti-Dilma

CATIA SEABRA


O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira que é irrelevante o fato de pertencer à irmã de um coordenador de sua campanha a gráfica que imprimia panfletos contra a adversária Dilma Rousseff (PT).

"O fato de gráfica ser de parente de alguém ligado à campanha é totalmente irrelevante", disse o tucano em São Paulo.

Para ele, fazer uma associação entre a gráfica e sua campanha é "procurar pelo em casca de ovo".


Ontem, a Polícia Federal apreendeu, por determinação da Justiça Eleitoral, cerca de 1 milhão de panfletos. A gráfica que imprimia os jornais pertence à irmã do coordenador de infraestrutura da campanha, Sérgio Kobayashi.

Arlety Satiko Kobayashi é dona de 50% da Editora Gráfica Pana Ltda, localizada no Cambuci, na capital paulista. A empresária é filiada ao PSDB desde março de 1991, segundo registro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"Há uma relação lícita entre um cliente e uma gráfica e nossa campanha não tem nada a ver com isso", afirmou Serra.

Responsável pelo contato com a gráfica, Kelmon Luís de Souza afirmou que encomendou 20 milhões de panfletos em nome da Mitra Diocesana de Guarulhos.

Questionado se o caso poderia afetar sua campanha como o da ex-ministra Erenice Guerra fez na de Dilma, o tucano afirmou que a situação é totalmente diferente.
"Um envolve dinheiro público e o outro é factoide", respondeu.

Ontem, o ministro do TSE Henrique Neves concedeu liminar para a apreensão dos panfletos atendendo a representação do PT para apuração de crime de difamação. O partido também pede investigação sobre quem pagou a impressão do material.

Sérgio Kobayashi atribuiu a uma coincidência o fato de a gráfica Pana ter sua irmã como sócia. A assessoria da campanha de Serra negou qualquer relação entre o candidato e a produção dos panfletos, nem por meio de encomenda, financiamento ou indicação de gráfica.

"A campanha de José Serra não aceita a insinuação de conluio de qualquer tipo entre a atividade eleitoral e a Igreja Católica. É um desrespeito à Diocese de Guarulhos e à própria Igreja imaginar que possam ser correia de transmissão de qualquer candidatura. A Igreja Católica não é a CUT", diz a nota.

Parte dos panfletos, que reproduz um "apelo a brasileiros e brasileiras" para que os eleitores não votem em quem é a favor da descriminalização do aborto, é assinado pela Regional Sul I da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), responsável pelo Estado de SP.
Os papéis foram distribuídos no dia 12 de outubro, em missas em Aparecida (SP) e Contagem (MG). Em julho, o bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, foi pivô de uma polêmica mobilização contra a petista.

Bispos da regional divulgaram nota ontem na qual dizem que "não patrocinam a impressão e a difusão de folhetos". Contudo, o bispo que assina a nota de ontem, dom Nelson Westrupp (de Santo André), presidente a Regional Sul 1 da CNBB, é um dos que assina o texto reproduzido nos panfletos apreendidos.

"O Regional Sul 1 da CNBB desaprova a instrumentalização de suas declarações e notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos", diz a nota divulgada ontem em Indaiatuba (SP). Os bispos que comandam a regional não quiseram falar após a apreensão dos panfletos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nepotismo e Corrupção no PSDB Paulista - Investigar Porque?

Ex Governador José Serra é o Defensor Público de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto acusado pelo sumiço de R$4.000.000,00 da campanha tucana. Para Serra, ele é inocente e o assunto está encerrado!

DOMINGO ESPETACULAR



JORNAL DA RECORD

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Record trás informação sobre Paulo Vieira de Souza ex presidente da DERSA

Já a campeã de audiência do horário nobre nem uma só palavra sobre o assunto no principal telejornal do país.
Imagino que a GLOBO não esteja informada sobre o assunto bombástico que povoa a campanha tucana através de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto.
Mas é a velha história. Não se atira em quem lhe paga, não se cospe no prato que come.
Qual Governador mesmo que presenteou a Globo com um terreno que pertencia ao Estado de São Paulo?