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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Istituto de Pesquisa Deles - Por Marco Aurélio Mello

Marco Aurélio Mello é Jornalista e ex funcionário da Globo. Ele viveu tempo suficiente por lá e conhece muitíssimo bem o "modus operandi" do monopólio de comunicação. Transcrevo abaixo um post seu sobre o assunto "Pesquisas de Opinião Pública". Achei interessantíssimo porque corrobora e de certa maneira responde claramente meu post anterior sobre o mesmo assunto:Datafolha afirma: Bonner o 2.o brasileiro mais confiável.

O Instituto de Pesquisa - Deles

Da série se perguntar, eu nego.

Estamos em 2001. O diretor de programação vaidoso e exibicionista entra na redação de São Paulo, a maior do país, saca o celular de última geração e faz uma discagem rápida. Testemunhas ouvem o seguinte diálogo:
- É o Mont Blanc? (nome fictício, em homenagem às canetas que foram moda entre os emergentes, tempos atrás).
Do outro lado da linha, alguém responde e o tal diretor logo emenda:
- Oh Mont Blanc, assim não dá cara. Em terceiro lugar não dá. O Rio tá me enchendo o saco com essa história. Você precisa dar um jeito nisso.
O interlocutor parece argumentar, quando subitamente é interrompido:
- Não quero saber! Você precisa dar um jeito nisso! É ou não é por amostragem? Então, não tem probabilística coisa nenhuma. Do jeito que está não dá para ficar. Você vai ter que mudar isso! E desliga.

Curiosa, nossa testemunha, primeiro, quer saber se o tal Mont Blanc é quem está pensando e, em segundo lugar, se o diretor de programação da emissora teria mesmo poder para interferir no trabalho do homem que é avalista dos índices de medição de audiência, num sistema até hoje nebuloso, cuja a fórmula jamais foi bem explicada.
A testemunha conseguiu confirmar a identidade do sujeito, mas não se aquele telefonema tinha mesmo a implicação que suspeitou-se na época.

E qual seria? Naquele ano, outra emissora de televisão levou ao ar um programa que, aos domingos, batia recordes de audiência. Artistas foram confinados numa casa e monitorados 24 horas por dia.
O animador era o próprio patrão e a atração fez dos participantes celebridades da noite para o dia.

Aos domingos, quando havia as eliminações, não raro a emissora líder amargava um terceiro lugar, fato inédito até então. Coincidência ou não, depois daquele telefonema, os números da atração foram deixando a pujança de lado até que o segundo programa naufragou e o projeto foi engavetado.

O próprio patrão, desconfiado, estava decidido a mudar as regras do jogo e criar um instituto autônomo de medição. Foi quando o monopólio entrou no 'reality show'.

Numa ação intimidatória, enquadrou as agências de publicidade e o assunto do instituto independente logo caiu no esquecimento 'por pressão do mercado'.

A lógica se mantém a mesma até hoje.
E pior, todas as decisões são pautadas por esses números, tanto pela emissora líder, quanto pelas concorrentes e até, pasmem, pelos patrocinadores, entre eles estatais e Governos.

Portanto, nas próximas eleições, vale tomar todo o cuidado com aspectos como: metodologia, série histórica, margem de erro e, principalmente, os interesses ocultos.
Aí residem todos os sortilégios da manipulação.

Fonte: DOLADODELÁ

William Bonner será Presidente - Cuidado, Serra

Uma pesquisa divulgada no primeiro dia de 2010 pelo Datafolha leva-nos á reflexões sobre a veracidade dos resultados de pesquisas de opinião pública. Numa pesquisa que pretende apontar as pessoas que detém maior "Confiança e Credibilidade" por parte dos brasileiros, a lista espanta por todos os lados que se tenta olhar.

Por que diabos William Bonner pode ser considerado a 2.a pessoa de maior confiança no Brasil?

Por que o padre Marcelo Rossi da "Igreja Católica" está em 3.o lugar e o Bispo Edir Macedo da "Igreja Evangélica" está em 29.o?

Por que José Serra é o melhor colocado entre todos possíveis candidatos á presidencia?

A obviedade fica por conta da apresentação do Presidente Lula no 1.o lugar da lista. Isso foi apenas uma jogada do instituto de pesquisa para não bater de frente com a popularidade recorde do Lula, não só no Brasil, mas no mundo. O Datafolha utilizou desse expediente para dar credibilidade aos resultados de sua pesquisa "científica" (sic), desviando a atenção dos demais colocados (estratégicamente) na lista.
Alguém já ouviu falar em mensagem subliminar? Pois é!

Qual lugar estaria o jornal Folha de São Paulo numa pesquisa sobre a credibilidade dos veículos de comunicação no Brasil?

Será que o Serra sabe que levaria uma surra do Bonner nas urnas este ano?

Pesquisa Datafolha e os mais confiáveis do Brasil:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o apresentador do Jornal Nacional William Bonner, o padre Marcelo Rossi e os cantores Roberto Carlos e Ivete Sangalo são os brasileiros mais confiáveis entre 27 personalidades nacionais, segundo pesquisa do instituto Datafolha publicada nesta sexta-feira (1º) pelo jornal “Folha de S. Paulo”.


No levantamento, Lula obteve nota média de 7,9, numa escala de 0 (menos confiável) a 10 (mais confiável), seguido por William Bonner (7,78), Marcelo Rossi (7,62), Roberto Carlos (7,60) e Ivete Sangalo (7,35). O instituto ouviu 11.258 pessoas entre os dias 14 e 18 de dezembro. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.


A melhor avaliação de Lula é no Nordeste (8,74), contra 7,14 no Sul e 7,57 no Sudeste. O presidente é mais bem avaliado pelos mais velhos –segundo o jornal, no levantamento ele obteve 47% de notas 10 entre as pessoas com 60 anos ou mais. Entre os mais ricos e escolarizados, Lula cai para o quinto lugar no ranking de credibilidade.


Na outra ponta, as cinco piores médias foram dadas a quatro ex-presidentes da República –Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor de Melo.


Entre os pré-candidatos à Presidência em 2010, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), é o mais bem avaliado, com média de 6,23 e a 14ª posição no ranking geral. Em 19º aparece o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), com 5,45 de média. Em 20º, Ciro Gomes (PSB), com média de 5,41, seguido pela ministra Dilma Rousseff (PT), com 5,40, e pela senadora Marina Silva (PV), com 5,15.


Por ordem, o ranking da credibilidade foi o seguinte, de acordo com o Datafolha: Lula, William Bonner, Marcelo Rossi, Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Silvio Santos, Zezé Di Camargo, Dunga, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gugu Liberato, José Luiz Datena, Ronaldo, José Serra, Hebe Camargo, Fausto Silva, Paulo Coelho, Xuxa, Aécio Neves, Ciro Gomes, Dilma Rousseff, Marina Silva, Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney, Edir Macedo e Fernando Collor.