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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Terra Magazine - Movimento São Paulo para os "Paulistas": Querem vitimizar o Nordeste!

Eu nem sabia que aqui em São Paulo existisse um "movimento" com esse nome. De cara já se percebe o clima separatista que reina aqui há muitas, muitas, muitas e muiiiiitas décadas. Não me perguntem o motivo, mas que a dscriminação e o preconceito sempre andaram aqui de mãos dadas não há como negar. Mas agora a coisa descambou de vez. Se você estava, assim como eu desinformado sobre esse movimento defensor de uma causa da mais alta glória e deseja ter maiores informações siga este link: http://www.manifesto.rg3.net/ e informe as pessoas de bem ao redor de sí!

Reproduzo matéria do Terra Magazine seguido de uma entrevista com uma das articuladoras(??!) do MOVIMENTO SÃO PAULO PARA OS PAULISTAS!

Alerta aos navagantes: Antes da leitura tome um bom anti-ácido.

Ana Cláudia Barros
A atendente de suporte técnico Fabiana Pereira, 35 anos, uma das articuladoras do Movimento São Paulo para os Paulistas, sai em defesa da estudante de direito Mayara Petrusco, apontada como uma das responsáveis por desencadear a onda de manifestações preconceituosas contra os nordestinos na internet após a vitória de Dilma Rousseff (PT).

Na internet, Mayara declarou que "nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado", o que rendeu à universitária uma denúncia junto ao Ministério Público Federal, apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Pernambuco (OAB-PE). A entidade viu no ato a configuração dos crimes de racismo e de incitação pública à pratica delituosa, no caso, homicídio.

Para Fabiana, a estudante não se referiu a um assassinato literal e apenas estava "desabafando".
- Acho também que não estão sendo debatidas quais as causas da revolta dela. O fato de - não que justifique-, mas o fato de São Paulo sustentar o Bolsa Família, e aí esses beneficiários emergem e São Paulo fica subjugado a um governo que não elegeu, né?! - "advoga".
Na interpretação da representante do movimento - cujo abaixo-assinado virtual já conta com quase 1400 assinaturas -, o episódio foi usado para vitimizar o "pessoal do Nordeste". Segundo ela, a solução para acabar com a "guerra" seria "que cada Estado tivesse autonomia para administrar os seus recursos".
- Aí, ia parar essa guerra que existe. São Paulo sustenta e eles (nordestinos) decidem quem vai nos governar.
Ao ser lembrada que mesmo se fossem excluídos votos do Norte e do Nordeste Dilma venceria, Fabiana argumenta:
- O Brasil, na verdade, parece que é dividido em duas culturas. Minas é mais identificada com o Nordeste, não sei se é por motivos de colonização. Não sei quais as causas. Se você olhar aquele mapa que dá meio vermelho, meio azul do (José) Serra e da Dilma, é sempre assim. Parece que um se identifica mais com uma ideologia e outro, com outra ideologia. Então, mesmo que tirasse o Nordeste, talvez ela se elegesse da mesma forma. Mas o pessoal não deixa de culpar... Culpar entre aspas, né?! Sabe que lá (Nordeste) é um celeiro mesmo, que vota no assistencialismo, no populismo.

Confira a entrevista.
Você acompanhou a polêmica sobre as manifestações contra nordestinos na internet após a vitória da Dilma Rousseff?
Fabiana Pereira -
Dei uma olhada sim.

A OAB de Pernambuco acionou o Ministério Público Federal contra a estudante de direito Mayara Petrusco. A entidade considera que ela foi uma das responsáveis por ter desencadeado as manifestações de preconceito contra nordestinos. O que vocês, do movimento, acham dessa polêmica?
Acho que aquele negócio que ela falou de matar, afogar, é mais ou menos assim, que nem você fala: "Ah, mate todos os corintianos". Sabe? Num sentido assim. Claro que ela não estava falando literalmente em matar. Acho que foi um sentimento de revolta. No mesmo sentido de falar: "Eu mato aquele infeliz".

Então, você acha que ela falou aquilo como forma de expressar raiva?
É. Um desabafo ou algo assim.

Mas você acha que o tom foi exagerado?
Na internet, tem essas coisas dos dois lados. Acho também que não estão sendo debatidas quais as causas da revolta dela. O fato de - não que justifique -, mas o fato de São Paulo sustentar o Bolsa Família, e aí esses beneficiários emergem e São Paulo fica subjugado a um governo que não elegeu, né?!
Então, essa é a essência da coisa. Claro que eu achei que o que ela (Mayara) falou talvez... não, mal interpretada. Na internet é comum esse bate-boca. Você acha também contra paulista gente falando um monte. E acabaram usando isso até para fazer um pouco de vítima, eu acho.

Como é? Desculpe, não entendi.
Acabaram usando tudo isso para colocar até um pouco como vítima, né?!

Colocar quem como vítima?
O pessoal do Nordeste. Olhando ao pé da letra, parece radical o que ela disse, mas eu creio que ela não foi literal. Foi um desabafo.

Você falou que não estão sendo discutidos os motivos da revolta dela (Mayara). Na sua opinião, quais seriam esses motivos?
Então, essa questão de São Paulo, que fornece recursos para o Bolsa Família, por exemplo. E o pessoal de lá (do Nordeste) acaba elegendo um governo que... São Paulo fica subjugado a um governo que não elegeu, na verdade.
Qual seria a solução? Seria que a democracia fosse mais subsidiária, que cada Estado tivesse autonomia para administrar os seus recursos. Aí, ia parar essa guerra que existe. São Paulo sustenta e eles (nordestinos) decidem quem vai nos governar.

Mas os recursos do Bolsa Família também vêm de outros Estados...
Os impostos federais, no site da Receita, São Paulo fornece 40% sozinho. Contando com tudo. Isso dá R$ 200 bilhões/ano e voltam 4%, segundo o Portal Transparência. E o Bolsa Família já custou mais de R$ 50 bilhões desde o começo. Uma coisa assim... Então, na prática, é São Paulo que sustenta mesmo. Tem sete Estados que pagam mais impostos do que recebem. Do Sul, Amazonas...

Então, você entende o sentimento de revolta da Mayara. É isso?
Entendo. Olhando ao pé da letra parece agressivo. Mas não foi literal.

Um levantamento de Terra Magazine mostra que, mesmo sem os votos do Norte e do Nordeste, Dilma venceria. O que você acha disso?
O Brasil, na verdade, parece que é dividido em duas culturas. Minas é mais identificada com o Nordeste, não sei se é por motivos de colonização. Não sei quais as causas. Se você olhar aquele mapa que dá meio vermelho, meio azul do (José) Serra e da Dilma, é sempre assim. Parece que um se identifica mais com uma ideologia e outro, com outra ideologia.
Então, mesmo que tirasse o Nordeste, talvez ela se elegesse da mesma forma. Mas o pessoal não deixa de culpar... Culpar entre aspas, né?! Sabe que lá (Nordeste) é um celeiro mesmo, que vota no assistencialismo, no populismo.

Na sua avaliação a Dilma ganhou por causa do Bolsa Família?
Não só do Bolsa Família, mas de toda essa ideologia populista. Mas o Bolsa Família interfere muito. Com certeza.

Em quem você votou para presidente?
Eu votei no Serra, porque me identifico mais com o livre mercado, com essa ideologia mais do progresso, de menos intervenção estatal na economia.

O Tiririca (PR), deputado federal eleito por São Paulo, teve uma votação expressiva. Como você vê isso?
Acho que não foi só o migrante. Com certeza houve muitos votos dos nordestinos, mas muito paulista que não tem muita consciência... A própria estrutura de educação no Brasil faz com que o paulista não ligue muito... Eu mesma, há três anos, não estava nem aí com nada. Então, muitos votaram de zoeira, não levaram muito a sério ou como protesto mesmo, mas acabaram dando um tiro no pé.

A propaganda do Tiririca foi muito contestada. No Ministério Público Eleitoral, houve várias ações contra ela. Todas negadas. Em uma das ações, a pessoa contestava porque o Tiririca dizia que iria defender os nordestinos, priorizava os nordestinos. Você avalia da mesma forma ou acha que há um exagero nessa interpretação?
Acho que até li isso em algum lugar. Então, se um candidato no Rio de Janeiro falasse que ia defender os direitos dos mineiros. Ou em Minas, um candidato que falasse que ia defender os direitos dos gaúchos. É mais ou menos assim. Ele está em São Paulo, dizendo que vai defender os direitos dos nordestinos. Tá certo, os que moram aqui. Mas São Paulo já tem representação inferior na Câmara, já é discriminado e aí ele fala que vai defender...
A prefeitura da cidade dele também comemorou, porque ele falou que ia ajudar a prefeitura de lá. Então, não se sabe se ele vai tirar recursos de São Paulo para enviar para lá, defendendo outros lugares.

FONTE: Terra Magazine

Direita raivosa: Uma Neurose Urbana (ou) Demonização Social?

Seguindo sugestão de link de Stanley Burburinho (Vejam isso: )  me deparei com a criatividade de um twitteiro que se chama Henrique Fittipaldi. Caso seja excluído ou a página não apareça mais, abaixo coloco um print-screen da filosofia apresentada:

Miro: O significado da vitória de Dilma

A vitória de Dilma Rousseff no segundo turno das eleições presidenciais possui uma dimensão histórica, transcendental. Ela revela os avanços da democracia brasileira e abre uma nova fase na luta por mudanças no país. Após eleger Lula – retirante nordestino, metalúrgico, acidentado, líder grevista e preso pela ditadura militar –, num fato inédito na história, o povo brasileiro repete a façanha e escolhe a primeira mulher presidenta da República. A cultura machista, preconceituosa e tacanha, sofreu a maior derrota da sua longa existência.

Dilma teve 55.752.493 de votos, o que equivale a 56,05% dos votos válidos – contra 43.711.299 de votos dados ao demotucano José Serra (43,95%). A vitória comprova o prestígio do governo Lula, que goza atualmente de 83% de popularidade. Noutro fato inédito, é a primeira vez na história republicana que um presidente consegue fazer o seu sucessor. Mas a eleição de Dilma não revela apenas a capacidade de transferência de votos do atual governante. Ela indica a elevação do nível de consciência dos brasileiros.

O povo reconheceu na ex-ministra uma pessoa que teve o papel de liderança no atual governo, encabeçando seu ministério de maior peso e seus principais projetos – o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Minha Casa, Minha Vida e a descoberta do pré-sal. Com a sua vitória, novos horizontes se abrem para a luta dos trabalhadores por seus direitos imediatos e futuros. A derrota de José Serra, candidato das elites e do atraso, expressão do receituário neoliberal regressivo e destrutivo, representa uma vitória dos brasileiros e mais um passo no prolongado processo de acumulação de forças na luta pela superação da miséria e da exploração capitalista.

Mudança da correlação de forças

Além da eleição presidencial, os brasileiros também escolheram os novos governadores das 27 unidades da federação (26 estados e Distrito Federal), 54 senadores (que se unirão aos 27 eleitos em 2.006), 513 deputados federais e 1.059 deputados estaduais. Neste democrático processo de renovação, ocorreu uma guinada relativa na correlação de forças políticas no Brasil. As forças de direita, ligadas às elites da cidade e do campo, sofreram uma queda na sua representação. Já os candidatos vinculados às lutas sociais ganharam maior espaço no cenário político.

No caso do Senado, a mudança foi mais sensível. Inimigos jurados do sindicalismo e dos direitos trabalhistas foram surrados nas urnas – como Arthur Virgilio (AM), o valentão que ameaçou dar “uma surra no Lula”, o jagunço Tasso Jereissati (CE) e Marco Maciel (PE), eterno senador e duas vezes vice de FHC, entre outros notórios direitistas. Já na Câmara Federal, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) constatou a redução da bancada dos ruralistas e o ligeiro aumento do número de deputados oriundos do movimento sindical.

Na disputa aos governos estaduais, os tucanos ampliaram sua força, elegendo oito governadores, mas os setores de esquerda também elevaram a sua presença, em especial o PT e o PSB – que elegeram, respectivamente, cinco e seis governadores. Em síntese, a eleição de outubro alterou, mesmo que timidamente, o tabuleiro político, tornando-o mais favorável à luta por mudanças no país. As elites empresariais, porém, ainda preservam ampla maioria no Congresso Nacional.

Radicalização da forças de direita

As eleições também serviram para evidenciar uma nova ofensiva da direita, mais radicalizada e perigosa. Sem ter como defender o legado neoliberal de FHC, que jogou milhões de brasileiros no desemprego e na miséria e quase destruiu a nação, as forças direitistas apelaram para o discurso conservador mais tacanho e raivoso. Na total ausência de propostas concretas, os demotucanos usaram antigos e arraigados preconceitos, religiosos e morais, para promover uma das campanhas eleitorais mais sujas da história do país.

Uma onda de boatos difamatórios, que circulou pela internet e nas igrejas e templos, contaminou o processo político, estimulando o ódio e a divisão da sociedade. Grupos fascistas, como a Tradição, Família e Propriedade (TFP) e a seita Opus Dei, foram ressuscitados para defender José Serra e para promover ataques caluniosos. Setores religiosos conservadores financiaram publicações e usaram os espaços da fé popular na campanha, num nítido caso de crime eleitoral.

Este tipo de campanha, que apela aos piores preconceitos, não é novidade do Brasil. É importado das nações que vivem um processo de fascistização política, como na Europa, com a perseguição racista aos imigrantes, e nos EUA, com o surgimento do Tea Party, grupo de extrema-direita do Partido Republicano. Ele também traz à lembrança o período da preparação do golpe militar de 1964 no Brasil, com suas “marchas com Deus”, financiadas por empresários e insufladas pelos EUA. Este tipo de campanha fascistóide indica uma tendência de radicalização da luta de classes no país.

Papel nefasto da mídia

Por último, nesta avaliação preliminar, vale destacar o papel cada vez mais influente da mídia no processo eleitoral. Vários especialistas apontam que os jornais, as revistas e as emissoras de TV e rádio se comportaram como partido político, transformando-se em comitês eleitorais de José Serra. O jornal Estadão foi o único que assumiu explicitamente, em editorial, seu apoio ao candidato demotucano. Já o jornal Folha, a revista Veja e a TV Globo, entre outros veículos, usaram velhos padrões de manipulação para ludibriar a sociedade.

Críticas ao governo Lula, mesmo que justas, viraram manchetes e foram bombardeadas durante toda a campanha – como nos casos da quebra do sigilo fiscal e das irregularidades na Casa Civil. Já o candidato Serra foi totalmente blindado, com a mídia ocultando suas falhas na administração de São Paulo ou seus podres de campanha, como o caixa-dois organizado por Paulo Preto, ex-diretor do Dersa.

Contra Dilma Rousseff, a imprensa inventou uma falsa ficha policial, acusou-a de ser favorável ao aborto, culpou-a até pelo apagão elétrico herdado do presidente FHC. Contra Serra, tudo foi abafado ou omitido. A TV Globo, maior império midiático do país, nada falou sobre o aborto de sua mulher, Monica Serra, relatado por ex-alunas, e tentou esconder as suspeitas de maracutaias nas obras viárias em São Paulo.

A manipulação da mídia nestas eleições foi vergonhosa, criminosa, e coloca na ordem do dia o debate sobre o novo marco regulatório das comunicações no país – a exemplo do que já foi feito até nos EUA e Europa e que hoje é discutido na Argentina, Venezuela e em outros países da América Latina. Não dá mais para tolerar a ditadura midiática! É urgente democratizar os meios de comunicação no país, pondo fim aos monopólios e estimulando a pluralidade informativa.

FONTE: Altamiro Borges - Blog do Miro

Conversa Afiada: O AI-5 digital avança. Eles preferem o PiG (*)

Azeredo e Serra: internet, só pelas costas

O Conversa Afiada reproduz post do Viomundo, de Luiz Carlos Azenha:

CUT: O AI-5 digital avança


Democracia tucana


27/10/2010


Na calada da noite, avança projeto de deputado do PSDB para censurar internet e quebrar sigilo de internautas


por Luiz Carvalho, no site da CUT


No início de outubro, em um Congresso Nacional esvaziado enquanto o Brasil discute as eleições, o Projeto de Lei (PL) 84/99 do senador Eduardo Azeredo, do PSDB de José Serra, foi aprovado em duas comissões na Câmara.


Também conhecido como “AI-5 digital”, uma referência ao Ato Institucional nº 5 que o regime militar baixou em 1968 para fechar o parlamento e acabar com a liberdade de expressão, o PL permite violar os direitos civis, transfere para a sociedade a responsabilidade sobre a segurança na internet que deveria ser das empresas e ataca a inclusão digital.


O projeto de Azeredo passa também a tratar como crime sujeito a prisão de até três anos a transferência ou fornecimento não autorizado de dado ou informação. Isso pode incluir desde baixar músicas até a mera citação de trechos de uma matéria em um blog.


Conheça os principais pontos do projeto do Azeredo.


1. Quebra de sigilo


Ironicamente, o PL do parlamentar ligado ao partido que se diz vítima de uma suposta quebra de sigilo nas eleições, determina que os dados dos internautas possam ser divulgados ao Ministério Público ou à polícia sem a necessidade de uma ordem judicial. Na prática, será possível quebrar o sigilo de qualquer pessoa sem autorização da Justiça, ao contrário do que diz a Constituição.


2. Internet para ricos


Azeredo quer ainda que os provedores de acesso à Internet e de conteúdo (serviços de e-mail , publicadores de blog e o Google) guardem o registro de toda a navegação de cada usuário por três anos, com a origem, a hora e a data da conexão.


Além de exemplo de violação à privacidade, o projeto deixa claro: para os tucanos, internet é para quem pode pagar, já que nas redes sem fio que algumas cidades já estão implementando para aumentar a inclusão digital, várias pessoas navegam com o mesmo número de IP (o endereço na internet).


3. Ajudinha aos banqueiros


Um dos argumentos do deputado ficha suja reeleito em 2010 – responde a ação penal por peculato e lavagem ou ocultação de bem –, é que o rastreamento das pessoas que utilizam a internet ajudará a acabar com as fraudes bancárias. Seria mais eficaz que os bancos fossem obrigados a adotar uma assinatura digital nas transações para todos os clientes. Mas, isso geraria mais custos aos bancos e o parlamentar não quer se indispor com eles.


O que acontece agora?


Atualmente, o “PL Azeredo” tramita na Câmara de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara e aguarda a posição do relator Júlio Semeghini, do PSDB-RJ.


A má notícia é que foi esse deputado que garantiu, em outubro de 2009, que o projeto aguardaria o desenrolar dos debates para seguir tramitando. Mas, Semeghini fez o contrário do prometido e tocou o projeto adiante.


Com a provável aprovação, a última alternativa para evitar que vire lei e acabe com a democracia digital no Brasil será o veto do próximo presidente.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

FONTE: Conversa Afiada

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eduardo Guimarães: Campanha tucana desmascarou elite paulista





São auspiciosas as notícias de que a estudante de Direito paulista Mayara Petruso (foto acima) pode ser processada criminalmente por racismo, crime que cometeu recentemente no Twitter. E de que outros que se juntaram a ela naquele crime estão sendo identificados para sofrerem o mesmo tipo de processo.

Os crimes de racismo e de discriminação na internet datam de muito tempo sem que jamais tenham ocorrido punições exemplares, de forma a pelo menos fazerem com que os racistas e discriminadores por orientação sexual, região do país etc. contenham as suas personalidades degeneradas.

No domingo à noite, usuários de redes sociais começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado da eleição presidencial à boa votação de Dilma na região. As mensagens foram desencadeadas após Mayara postar no Twitter a seguinte sentença:

@mayarapetruso: “Nordestisto não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado. #nordestisto”

Não satisfeita, Mayara terminou de expor suas perversões morais:

@mayarapetruso: “Brasileiros, agora fodam-se! Isso que da, dar direito de voto pra nordestino. #nordestisto”.

Essas postagens da moça no microblog foram o que bastou para desencadear uma onda surpreendente de mensagens furiosas contra negros e nordestinos que engolfou as redes sociais. Todavia, foram poucas dessas mensagens que se igualaram às da jovem paulista estudante de Direito em termos de perfil criminoso, pois ela pregou até assassinato.

Por chocante que seja, é preciso rever algumas dessas mensagens:
@dilma_Bebada: “Infelizmente quem decide eleição não é quem lê jornal, e sim quem limpa a bunda com ele. Quem perdeu foi o Brasil! #euquero45”

@emerlinlipe: “tem gente que fala que todos os brasileiros são iguais discordo… Não quero e não sou igual ao povo do Norte/nordeste”

@ClaytonAmerico: “Bem vou trabalhar porque não ganho bolsa família dos nordestinos. Nem faço 2 filhos por ano pra ter mais bolsa família #nordestisto

@Ju_Balog: “Enfie seu OXENTE no cu, vagabundos q vivem de bolsa miseria, vc’s não trabalham 1/3 do q a gente em SP #nordestisto

@carolsalgueiro: “Rindo muito da tag #nordestisto. Já vi nordestino dizendo que é educado e inteligente, AVÁ!”

@FerLeoni: “Para eleitores de merda, uma presidente de merda! #nordestisto”

@suhelen1: “80% do amazonas vota na Dilma… cambada de índio burrooooooooooooo”

@andrebittarello: “Me tornei RACISTA HOJE POR CAUSA DE VOCÊS PRETOS FEDIDOS QUE SÓ QUEREM TER FILHOS E ENCHER A BARRIGA COM O DINHEIRO DOS QUE TRABALHAM!!!”

@edujunior: “Sou bem a favor de um muro separando sul/sudeste do norte/nordeste”

@DeehSativa: “No Sul/Sudeste tem muito mais gente bonita do que no Norte/Nordeste”

@LorenzoC_: “ADOREI O QUE A MAYARA PETRUSO DISSE. E XENOFOBIA É O CARALHO, ISSO QUE ELA DISSE É SIMPLESMENTE A VERDADE!”

@Pedroo_MG: “A cmo eu Queria Q o sul/sudeste se separasse do Norte/Nordeste. Pra até Q enfim Governo ñ ganhar eleição por dar esmola, e sim por projetos.”

@tayane_monteiro: “só nordestinos fdp pra vota na Dilma! Nordestino num serve pra NADA DE UTIL vem pra SP ENCHE O SACO e vota na merDilma”

@Mikafrauzola: “Bando de nordestinos FDP …..são tão burros, que qlqr idiota faz a cabeça dles….por isso q eu odeio nordestino…..”

@Mikafrauzola: “Tbm esse país é cheio de baiano morte de fome… por isso q ela ganhou….”

O que chama a atenção nessas barbaridades é que foram proferidas todas por jovens brancos, ao menos de acordo com as fotos deles nos perfis no Twitter em que foram publicados os textos acima. E, pelo que escreveram, fica claro que são paulistas.

O fato de jovens terem posições políticas e preconceitos tão formatados sugere que essa mentalidade decorre da criação que receberam dos pais, até mesmo quando as posições políticas deles não sejam do mesmo jaez das dos filhos.

Ninguém que pertença às classes médias altas e altas de São Paulo terá sido surpreendido pelo nível de xenofobia, de racismo e de intolerância – e mesmo de ignorância – de jovens que se julgam “inteligentes e estudados”, mas que escreveram textos compatíveis com os mais baixos níveis de instrução ou de civilidade.

Desde que me conheço por gente – e tendo nascido e crescido na classe média alta paulistana, entre a qual vivo até hoje – que ouço preconceitos contra os nordestinos, os quais, em meu Estado e na minha cidade – e, sobretudo, no bairro paulistano em que resido –, sempre foram chamados de “baianos”, sendo-lhes atribuído tudo que há de ruim por aqui.

Esse preconceito extremamente arraigado entre a elite paulista sempre esteve lá e sempre ficou fora da imprensa, que jamais denunciou fenômeno que data de décadas e décadas e décadas. A campanha de José Serra à Presidência, porém, teve o “mérito” de expor à luz do dia essas perversões de classe, de etnia e geográficas.

Só uma punição exemplar dos que cometeram esses crimes, portanto, pode começar a inibir, se não o preconceito deles, a difusão aberta de suas “idéias” odiosas e repugnantes, vertidas por jovens que têm tudo na vida e que consideram natural externar os preconceitos que lhes foram incutidos no ambiente familiar enquanto cresciam.

FONTE: Blog da Cidadania

PHA: Se ficar em SP, PSDB vai morrer embaixo da batina de um padre

Do samba e do progresso

No programa Record News-Atualidade de ontem à noite, este ordinário blogueiro teve o prazer de entrevistar Maria Inês Nassif, do Valor, e Mauricio Dias, da Carta Capital.

São provavelmente os melhores analistas políticos da imprensa brasileira, hoje poluída de colonistas (*) pesquiseiros.

E cassscateiros, diria o Sérgio Cabral (pai).

Mauricio e Inês concordam em que o Serra não vai largar o osso.

Clique aqui para ler sobre essa característica do rapaz: ele não larga o osso.

Os dois consideram que será necessária uma reforma partidária para que  a Oposição dê a volta por cima, depois de três derrotas acachapantes: duas do Serra e uma do Alckmin.

Os dois concordam em que Aécio vai ter que mudar de time, porque o Serra e o FHC se acham os donos da bola.

Clique aqui para ler o obituário de FHC, escrito divinamente por Mino Carta.

Mauricio, nesta Carta Capital, fez interessante análise sobre os quesitos de personalidade que levaram Dilma à vitória: capacidade de liderar, preparo e, sobretudo, sinceridade.

O que significa, “matematicamente”, que se comprova o que este Conversa Afiada sempre disse: o Serra é um blefe.

Ou um medíocre, como disse a Inês, na entrevista.

Este Conversa Afiada sempre disse que o Vesgo do Pânico tinha mais chance de ser Presidente, porque o Serra é paulista.

É o Datapadaria do Paulo Henrique Amorim, que plagia o Zé Simão.

A Inês foi a primeira a falar em “paulistismo”, ou a aversão ao próprio.

No programa de ontem, a Inês previu: quanto mais o PSDB ficar em São Paulo, mais reacionário será.

Porque São Paulo é o túmulo do samba e do progresso – diria o Vinícius de Morais.

Se o PSDB ficar em São Paulo, vai acabar sob a batina de um padre pedófilo.

Inimigo do aborto, é claro.

O padre e a Mônica Serra.

Em tempo: não esquecer que o Governador de São Paulo é da Opus Dei. Nem na Espanha.



Paulo Henrique Amorim

Mauro Santayana: Os perigos da soberba

Se o homem é a sua circunstância, a circunstância de José Serra é São Paulo. É conhecido o orgulho do grande estado, com desenvolvimento econômico que supera o de numerosos países europeus, sua cultura cosmopolita, e a oportunidade de realização pessoal de muitos dos que procuram ali a sua sorte. Todas essas qualidades do povo de São Paulo distanciam o estado do resto do país. Talvez por isso mesmo, as suas elites, ressalvadas as exceções, não saibam exatamente o que é o Brasil. Para isso, teriam que aceitá-lo. Da Avenida Paulista se vê melhor a City e a Place de la Bourse; seus telefones chamam mais Hong Kong e Shangai do que Aracaju e São Gabriel da Cachoeira. É provável que não seja exatamente assim, mas muitos paulistas dão ao resto do Brasil a impressão de que se sentem incomodados com a companhia dos demais estados.

Ainda agora estamos assistindo a uma dolorosa e inusitada campanha racista na internet, a partir de São Paulo, contra os nordestinos, a propósito da grande vitória de Dilma na região, embora os resultados eleitorais demonstrem que ela teria sido vitoriosa, mesmo que as eleições só ocorressem fora do Nordeste. A campanha ressuscita os fantasmas de 32, ao pregar, criminosamente, o separatismo. Esqueçamos, a fim de não turbar o raciocínio, a verdade de que São Paulo não se fez só: a inteligência, o trabalho e mesmo o capital dos demais brasileiros e dos imigrantes europeus ajudaram a erguer a sua economia.

Como a circunstância de José Serra é a que apontamos, temos a explicação para o desastrado pronunciamento que fez, diante da derrota. Faltou-lhe, naquele momento, a elegância que se espera dos grandes homens. Ele desdenhou o esforço feito – e reconhecido em todo o país – por Aécio, simplesmente ignorando-o. Agora, os mineiros se sentem outra vez afrontados.

Como Jânio, Serra falou em “forças terríveis”, anunciou, com suas metáforas, que continua candidato, falou em trincheiras, afirmou que o povo “não quis que fosse agora” e despediu-se com um “até breve”.

Alguns estão atribuindo a Aécio a derrota de Serra, embora o ex-governador de Minas tenha constrangido grande parte dos mineiros, ao solicitar votos a favor de quem os desdenhara, ao recusar a disputa democrática com Aécio junto às bases do PSDB. Aécio pode ter perdoado a Serra a aleivosia, mas os mineiros, não. E não se esqueça que Dilma nasceu em Belo Horizonte.

Espera-se que, passados os dias mais amargos do malogro eleitoral, José Serra recobrará a serenidade e entenderá que a sua biografia pode encerrar-se, sem nenhum desdouro, mesmo que não chegue à Presidência. Ele prestou assinalados serviços ao país, como líder estudantil, parlamentar e ministro da Saúde, e particularmente a São Paulo, como prefeito e governador, não obstante sua cumplicidade nas privatizações e na abertura do mercado financeiro. Para que volte a candidatar-se, é preciso que se dedique a conhecer realmente o Brasil. Conhecer não é visitar uma cidade ou outra, por algumas horas. É aceitar sua humanidade, ler os seus escritores, assimilar a fantástica sabedoria do povo, enfim, participar de seus sonhos, solidarizar-se e comover-se com seus sofrimentos – enfim, integrar-se em sua realidade.

Terminada a campanha, à vencedora cabe tomar a iniciativa de cicatrizar divergências sem a necessidade de compor interesses rasteiros por baixo de uma retórica elevada. Se São Paulo se orgulha em destacar-se do Brasil pela sua pujança econômica, Minas integra o todo brasileiro com alegria e sem qualquer constrangimento. Minas é o centro-oeste na margem esquerda do São Francisco; é o Nordeste nas duas margens do Jequitinhonha e na fronteira setentrional com a Bahia; é quase atlântica na Zona da Mata e no baixo Rio Doce. O conflito é entre a parcela mais soberba das elites paulistas e o resto do país. 
 
Lido no Conversa Afiada - Jornal do Brasil

Atenção Massa Cheirosa de São Paulo: Kassab defende aumento de 95% em seu salário

Salários de secretários podem subir de R$ 5.504 para R$ 21.705
 

São Paulo - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), defendeu nesta quarta-feira (3), aumento em seu salário e no de secretários municipais da capital paulista. "É uma questão de reajustar a prefeitura à realidade", afirmou o prefeito. A declaração foi feita durante anúncio da operação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para o GP Brasil de Fórmula 1. Para Kassab, com salários melhores, a equipe de secretários poderá gerir melhor o orçamento destinado às ações públicas da cidade.

Os vereadores de São Paulo discutem o projeto de lei nº 712/09, de autoria da Mesa Diretora da Casa, que prevê aumentar o subsídio mensal do prefeito, vice-prefeita e secretários municipais. Se o reajuste for aprovado pelo Legislativo, a remuneração de Kassab passaria de R$ 12.384 para R$ 24.117, reajuste de 95%, e a dos secretários de R$ 5.504 para R$ 21.705, o equivalente a 283% de aumento. O projeto já foi apresentado em 2009, mas não tramitou. À época, prefeitura e Câmara dos Vereadores tinham de lidar com a impopularidade da aprovação da correção da tabela do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Nesta quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa emitiu parecer de legalidade ao projeto.  “A Mesa Diretora tem obrigação constitucional de estabelecer esse teto para que, a partir deste valor, nenhum funcionário possa receber mais”, informou o vereador Celso Jatene (PTB), durante a sessão. O vereador Gilberto Natalini (PSDB), membro da CCJ, declarou que seu voto é estritamente em relação à legalidade do projeto. “A bancada do PSDB ainda não decidiu quanto ao mérito”, afirmou.

João Antonio, líder do PT na Câmara, também votou pela legalidade do projeto, mas garantiu que é absolutamente contrário ao mérito da propositura. “É um aumento inoportuno”, justificou.

FONTE: Rede Brasil Atual

Mauro Carrara: Derrotados tentam iugoslavizar o Brasil pela Internet

Primeiramente, estes são os derrotados: o PSDB, o DEM, o PPS, as Organizações Globo, a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, a Editora Abril, a TFP, a Opus Dei, os monarquistas, os falsos pastores evangélicos liderados por Piragine, a ala reacionária do episcopado católico e parcelas privilegiadas das classes médias urbanas do centro-sul do país.

Seguindo a velha cartilha golpista, essa confusa coligação quis ver na conduta dos setores progressistas uma ameaça à democracia. Seus líderes redigiram manifestos em defesa da unidade nacional, da liberdade de expressão e da tolerância. Meteram ali as assinaturas de celebridades e sub-celebridades da direita escancarada, da direita enrustida e de três ou quatro trânsfugas do esquerdismo.

Consumada a derrota eleitoral, porém, rasgaram logo suas cartas oportunistas e passaram a fomentar uma revolução separatista no Brasil. Toda a teatral civilidade da campanha foi prontamente substituída por racismo, preconceito e incitação à violência.

De forma articulada, a reação à vitória de Dilma Rousseff logo tomou as páginas das redes sociais na Internet. Centenas de jovens (e não jovens) que militaram nos batalhões do terror cibernético serrista passaram a propugnar um processo de secessão, mirando seus canhões especialmente contra o povo das regiões Nordeste e Norte.

Puseram-se a defender ferozmente uma guerra aos moldes daquela que destroçou a Iugoslávia nos anos 90. Naquela região, vale rememorar, o transe do ódio produziu como saldo uma economia destruída, enormes legiões de mutilados paranoicos e pelo menos 100 mil mortos.

Mayara Petruso, uma estudante de Direito paulista, filha da classe média alta, comandou o movimento de perseguição ao nordestinos. Na rede de relacionamentos Facebook, escreveu o seguinte:

- Afunda Brasil. Deem direito de voto pros nordestinos e afundem o pais de quem trabalhava pra sustentar os vagabundos que fazem filho para ganhar o bolsa 171.

Noutra postagem, fez apologia do crime e lamentou que a presidente eleita não tenha sido assassinada. Dilma é apelidada de “dragão” pelos grupos neofascistas da juventude serrista de São Paulo.

- Agora, passem fome, frio... É impressionante, quando precisamos de violência não a temos, pq ninguém pensou em matar o dragão?

Em outra mensagem, desta vez no Twitter, ela estimula seus pares de Internet a se juntarem numa cruzada de extermínio.

- Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado.

No dia seguinte às postagens, a jovem soube que a seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) entraria na Justiça de São Paulo com representação criminal contra a onda de ataques da qual fora protagonista. Aí, pediu desculpas, desconversou...

Na verdade, fechar o foco legal sobre Mayara deve se constituir num equívoco do ponto de vista jurídico. Milhares de outros jovens participaram dessas atividades de inspiração nazista. No Twitter, um certo Maxi Franzoi, por exemplo, escreveu o seguinte:

- O dia em que as nordestinas serem as mais gatas eu viro gay. Pegar nordestina não rola. Elas nem banho tomam, não chegou o chuveiro lá ainda.

Na rede Orkut, pertencente ao Google, as mensagens bombaram na comunidade “Eu odeio o Nordeste”, cujo texto de apresentação é o seguinte:

- Essa comunidade é pra quem odeia o nordeste, uma região fudida que só tem vagabundo, corno, puta, e que não da nada pro Brasil alem de políticos corruptos e mais um montão de coisas.

Ainda no Orkut, a movimentada comunidade “Brasil”, com mais de 1,3 milhão de membros, converteu-se num centro de difusão de ódio suprematista e secessionista. Um certo Jefferson, por exemplo, abriu um tópico com os seguintes termos:

- Brasil do Norte comunista – Brasil do Sul democrata – Separatismo já.

O movimento certamente é articulado, pois toma corpo justamente em canais de Internet que difundiram massivamente calúnias contra Dilma Rousseff durante o processo eleitoral. Os avatares associados à campanha de Serra são os mesmos agora dedicados a exigir ações de segregação e extermínio.

Essas manifestações não cessaram mesmo depois que os jornais divulgaram os mapas da votação por regiões, segundo os quais a candidata do PT teria sido eleita mesmo sem os votos das regiões Norte e Nordeste.

Serra foi derrotado em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul registrou-se vantagem mínima para o tucano (50% a 49%). Mesmo em São Paulo, considerado seu principal reduto, o representante do PSDB viu sua rival receber 46% dos votos. Fechando-se mais o foco, percebe-se massivo apoio à candidatura situacionista nos bairros da periferia paulistana.

Globo como origem da distorção

Boa parte desse delírio agressivo foi estimulado pela ficção cromática criada pela Rede Globo de Televisão, que insistiu em pintar totalmente de “azul” os Estados com maioria de votos para Serra, e em “vermelho” aqueles com vantagem para Dilma. Essa representação grosseira criou uma ideia de unanimidade do centro-sul em torno da candidatura do PSDB.

Na verdade, Estados como Rio Grande do Sul e Espírito Santo podiam ter sido pintados de “roxo”, considerada a diferença mínima entre os dois candidatos. O próprio Estado de São Paulo, da furiosa Mayara, poderia ter 46% de seu território tingido de vermelho.

A distorção Global, copiada pelos jornalões paulistas, imita o modelo de representação gráfica televisiva dos resultados de eleições presidenciais norte-americanas, em que o vencedor do Estado leva todos os votos dos delegados. Uma regra eleitoral sem qualquer conexão com a realidade brasileira.

No território das redes sociais, há que se responsabilizar também o Google (Orkut), o Facebook e o Twitter, sempre cegos a esse tipo de propaganda racista ou de incitação ao ódio. Convém lembrar que a comunidade orkutiana dos inimigos do Nordeste funciona livremente desde Fevereiro.

Do ponto de vista da inspiração, o movimento tem origem nos grupos de fanáticos que tomaram a direção da campanha serrista, especialmente no sul do país e em São Paulo. Esses sabotadores virtuais procuram repetir a fórmula das “revoluções coloridas”, financiadas há uma década pelo National Endowment for Democracy (NED), dos Estados Unidos. A entidade tem como missão oferecer suporte integral a operações de desestabilização em países governados pela esquerda.

As agressões pós-eleitorais deste 2010 deixarão feridas indeléveis na alma país. Por anos e anos, gerarão acusações, atritos e ressentimentos entre irmãos brasileiros. Na cena deste delito abominável, os futuros historiadores certamente encontrarão as digitais de José Serra e de seu bando de maus perdedores.
FONTE: Blog Beatrice

Hildegard Angel: Os três sinais de Dilma Rousseff ou Para bons entendedores, bastam os sinais


Dilma Rousseff, desde o anúncio de sua eleição, já deu pelo menos três sinais claros do que será seu governo e de quem ela efetivamente é...

Primeiro, foi em seu discurso após eleita. No momento em que se emocionou e os olhos marejaram, quando falou de Lula, ela demonstrou a pessoa reconhecida e leal que é. E a gratidão é uma das mais fortes evidências do bom caráter de uma pessoa. Só os grandes conseguem ser gratos...

O segundo sinal foi naquela mesma primeira noite quando, em vez de ir celebrar na festa especialmente preparada para recebê-la, preferiu ir abraçar o presidente Lula (“foi você quem inventou isso”) e depois seguir pra casa para dormir. Descansar. Sinal de que em seu governo não vai ter espaço pra oba-oba, e não será dessa forma que se conseguirá aproximar dela...

A terceira sinalização foi a mais forte e efetiva. Quando, rompendo uma tradição de todos os prresidentes deste país pós ditadura, não priorizou a Globo em sua primeira entrevista a uma rede de televisão. Coube ao telejornal da Record ser o primeiro a entrevistá-la. Só em seguida foi vista no Jornal Nacional. Dilma, assim, mostrou-se uma mulher altiva, sem medo, e que não se dobra os poderosos da grande mídia. Ela sabe o seu lugar. Assim como demonstrou respeito pelos que a trataram com imparcialidade...

Estou orgulhosa de meu voto. Tenho a convicção de que Dilma Rousseff será uma grande presidentA do Brasil!...

Maria Fro: Massa cheirosa deverá responder por crime de racismo

Pela segunda vez autoridades pernambucanas merecem os parabéns de todos os brasileiros decentes por fazer o que as autoridades sulistas parecem ignorar.
A primeira vez foi aqui com a pronta reação do Ministério Público, OAB e governo pernambucano. Agora, depois da vergonhosa onda preconceituosa no twitter (aqui e aqui), a OAB de Pernambuco novamente é ágil dando uma lição de cidadania ao país.
OAB reage a ataque ao Nordeste no twitter
Universitária de SP que iniciou ofensas deverá responder por crime de racismo
Alessandra Duarte, O Globo, via Dihitt
A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) entra hoje, na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de ataques aos nordestinos divulgada por meio do Twitter após a eleição de Dilma Rousseff.
No domingo à noite, usuários da rede de microblogs começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado à boa votação de Dilma na região.
A representação da OAB-PE é contra a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, uma das que teriam iniciado os ataques.
Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deverá responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.
Entre as mensagens postadas pela universitária, há frases como: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.
- São mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social da sua profissão. Como alguém com esse comportamento vai se tornar um profissional que precisa defender a Justiça e os direitos humanos? — diz Mariano.
Em julho deste ano, a seção pernambucana da Ordem já havia prestado queixa à Polícia Federal contra pelo menos dez usuários do Twitter, por mensagens ofensivas aos nordestinos após as enchentes na região.
- Essas redes sociais são meios de comunicação de alcance nacional, e crimes que ocorram nelas são de ordem federal. São ofensas que atingem a todos os nordestinos, existe um direito difuso aí sendo desrespeitado — completa Mariano, para quem o nível agressivo da campanha pela internet este ano, apesar de não justificar os ataques, pode tê-los estimulado.
No domingo, usuários do Twitter insatisfeitos com a vitória de Dilma começaram a postar frases como “Tinham que separar o Nordeste e os bolsas vadio do Brasil” e “Construindo câmara de gás no Nordeste matando geral”.
Como reação, outros usuários passaram a gerar uma onda de mensagens com “#orgulhodesernordestino”, hashtag que ficou entre os primeiros lugares no ranking mundial de temas mais citados no Twitter.”

FONTE: Blog Maria Fro

Miro: Serra plantou ódio; país colhe preconceito

Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:

O vídeo que reproduzo abaixo é de revirar o estômago. Mas faz um bem danado: lança luz sobre um Brasil que muitas vezes não gostamos de ver. O Brasil do ódio.

http://www.youtube.com/watch?v=tCORsD-hx0w
(Obs. deste blog: mesmo vídeo do post anterior do Essa é Minha Opinião - Xenofobia)

A campanha conservadora movida pelos tucanos, a misturar religião e política, trouxe à tona o lodo que estava guardado no fundo da represa. A lama surgiu na forma de ódio e preconceito. Muita gente gosta de afirmar: no Brasil não há ódio entre irmãos, há tolerância religiosa. Serra jogou isso fora. A turma que o apoiava infestou a internet com calúnias. E, agora, passada a eleição, o twitter e outras redes sociais são tomadas por manifestações odiosas.

Como se vê no vídeo acima, não foi só a tal Mayara (estudante de Direito!!!) que declarou ódio aos nordestinos. Há muitos outros. Com nome, assinatura. É fácil identificar um por um. E processar a todos! O Ministério Público deveria agir. A Polícia Federal deveria agir.

E nós devemos estar preparados, porque Serra fez dessas feras da direita a nova militância tucana. Jogou no lixo a história de Montoro e Covas. Serra cavou a trincheira na direita. E o Brasil agora colhe o resultado da campanha odiosa feita por Serra.

Desde domingo, muita gente já fez as contas e mostrou: Dilma ganharia de Serra com ou sem os votos do Nordeste. Não dei destaque a isso porque acho que é – de certa forma – uma rendição ao pensamento conservador. Em vez de dizer que Dilma ganhou “mesmo sem o Nordeste”, deveríamos dizer: ganhou – também – por causa dos nordestinos. E qual o problema?

E deveríamos lembrar: Dilma ganhou também com o voto de quase 60% dos mineiros e dos moradores do Estado do Rio. E ganhou com quase metade dos votos de paulistas e gaúchos.

Parte da imprensa – que, como Serra, não aceita a derrota e tenta desqualificar a vitoriosa - insiste no mapinha ”Estados vermelhos no Norte/Nordeste x Estados azuis no Sul/Sudeste”. O interessante é ver a votação por municípios, e não por Estados: há imensas manchas vermelhas nesse Sul/Sudeste que alguns gostariam de ver todo azulzinho.

No Sul e no Sudeste há muita gente que diz: “não ao ódio”. Se essa turma de mauricinhos idiotas quiser brincar de separatismo, vai ter que enfrentar não apenas o bravo povo nordestino. Vai ter que enfrentar gente do Sul e Sudeste que não aceita dividir o Brasil.

Serra do bem tentou lançar o Brasil no abismo. Não conseguiu. Mas deu combustível para esses idiotas. Caberá a nós enfrentá-los. Com a lei e a força dos argumentos.

FONTE: Blog do Miro

O derrotado 45 + Igreja Retrógrada + Mídia Golpista conseguiram dividir o país

Ou quem sabe deram uma forcinha para que seres humanos abomináveis sacassem suas máscaras e mostrassem o ser humano abjeto que são. Seus demônios são maiores do que imaginam as verdadeiras pessoas de bem.

Emir Sader: O pós-Lula é Dilma

Os brasileiros decidiram que depois do Lula querem a continuação e o aprofundamento do seu governo. Preferiram a Dilma – a coordenadora e responsável central pelo desempenho ascendente dos últimos 5 anos do governo, que desemboca no recorde de 83% de apoio e 3% de rejeição – para sucedê-lo.

O dilema colocado pelas eleições brasileiras era a definição sobre se o governo Lula seria um parênteses na longa história de dominação das elites no país ou se se constitui numa ponte para sair definitivamente do modelo
herdado e construir um Brasil solidário, justo e soberano.

Triunfou esta via, pelo voto majoritário dos brasileiros, prioritariamente os dos beneficiários das politicas sociais que caracterizam o governo de Lula: os mais pobres, os que vivem nas regiões tradicionalmente mais pobres – o norte e o nordeste do Brasil.

Foi um voto claramente direcionado pela prioridade do social que caracterizou centralmente o governo Lula. No país mais desigual do continente mais desigual, a maior transformação que o Brasil viveu nestes oito anos foi a diminuição da desigualdade, da injustiça, como resultado das políticas sociais do governo. Nunca havia acontecido, seja em democracia ou em ditadura, em ciclos expansivos ou recessivos da economia. Aconteceu agora, de forma contundente, transferindo para o centro da pirâmide de grupos na distribuição de renda, a maioria dos brasileiros.

Esse foi o fator decisivo para que, mesmo tendo praticamente toda a imprensa, em bloco, militantemente, contra seu governo e sua candidata, Lula e Dilma saíram vencedores.

A oposição, derrotada na comparação dos dois governos, buscou um atalho para chegar por outra via aos setores da população: a questão do aborto, valendo-se dos preconceitos reinantes e da ação de religiosos.

Conseguiram um sucesso efêmero, que levou a eleição para o segundo turno, mas uma vez que a politica voltou ao centro da campanha, a comparação entre os dois governos e a condenação das privatizações levaram à vitória da Dilma.

Que representa não apenas a eleição da primeira mulher presidente da república, mas também de uma militante da resistência contra a ditadura, presa e torturada pelo regime militar. Que representa o primeiro presidente que consegue eleger seu sucessor.

Depois da reeleição de Evo Morales e de Pepe Mujica sucedendo a Tabaré Vazquez, o Brasil se soma ao grupo de países que reafirmam o caminho da integração regional e não do TLC com os EUA, da prioridade das politicas sociais em relação ao ajuste fiscal, com Dilma sucedendo a Lula.

O povo brasileiro decidiu, em meio a fortes pressões do monopólio privado da mídia e de forças obscurantistas, que o pós-Lula terá na presidência do Brasil aquela que Lula escolheu para sucedê-lo, para continuar e aprofundar as transformações que tem feito o Brasil ser um país mais justo, solidário e soberano.


FONTE: Carta Maior

terça-feira, 2 de novembro de 2010

PHA: Elite redesenha o Brasil. SP é Sul. E Rio e MG caem para o Nordeste

No restaurante Fasano, esses são os eleitores da Dilma (pobre Portinari !)

A Secretaria de Educação – que paga o salário PSDB, o Pior Salário Do Brasil – do José Serra produziu um livro de Geografia com dois Paraguais.

Agora, a Geografia do PiG (*), me lembrou o Vasco, redesenhou as regiões do Brasil para justificar o racismo.

É mais ou menos assim a Nova Geografia Política do PiG (*).

Quem vota na Dilma é pobre, nordestino, semi-analfabeto.

Os “migrantes” do Serra, aqueles com quem, na Móoca, ele falava “normalmente”.

É o esmoler da Bolsa Vagabundagem, diria a Monica Serra, aquela que, segundo alunas, fez aborto.

Como a Dilma ganhou, além de massacrar no Norte e no Nordeste,  ganhou também no Rio e em Minas.

Teve 46% dos votos de São Paulo e 50% dos votos do Rio Grande do Sul, o PiG (*) e a elite branca (e separatista, no caso de São Paulo) se dedicam agora a criar uma Nova Geografia, diz o meu amigo Vasco.

São Paulo foi deslocado para a Região Sul Maravilha – de brancos, olhos azuis e fala levemente germânica ou italiana, línguas que se empregam nos Açores, como se sabe.

Lá, como demonstrou Fernando Henrique Cardoso, não há negro ( o Paulo Paim nasceu no Kenya, na mesma maternidade do Obama).

(Clique aqui para ler o artigo arrasador que o Mino escreveu sobre o FHC)

Na Nova Geografia Política da Elite de São Paulo, o Rio e Minas foram miseravelmente rebaixados à segunda divisão: a Região Nordeste !

É assim que fica a divisão do país em regiões – e em preconceito racial.

É assim que frequentadores dividem o Brasil no restaurante Fasano.

Trata-se, na verdade, de uma tentativa de desqualificar a vitória da Dilma por goleada, é sempre bom lembrar: 56% a 44%.

Mas, quem tratou disso com muito mais seriedade do que o Vasco, um bonachão, como se sabe, foi o Azenha:

O preconceito que se esconde por trás do mapa vermelho e azul

por Luiz Carlos Azenha

Nem de longe é uma tentativa majoritária. E a imensa maioria dos analistas tem dito isso: o mapa que divide o Brasil entre azul e vermelho não conta toda a história da escolha de Dilma Rousseff.

Mas o mapinha simplório e simplista serve aos que pretendem ligar Dilma Rousseff ao suposto “atraso” das regiões Norte e Nordeste. O preconceito sempre dá um jeito de reaparecer, sob outros disfarces.

Dilma teve 58% dos votos de Minas Gerais, mais de 60% dos votos do Rio de Janeiro, quase 50% dos votos no Rio Grande do Sul e quase 46% dos votos em São Paulo.

Se todos os votos dos dois candidatos no Nordeste fossem descartados, ainda assim Dilma venceria a eleição, mas dizer isso assim pode soar — ao gosto dos que semeiam preconceitos — como desqualificação do voto do nordestino.

Individualmente, os governadores Eduardo Campos, Jacques Vagner, Sergio Cabral, Cid Gomes, a família Sarney e o vice-presidente José Alencar foram os grandes cabos eleitorais de Dilma.

Quanto ao preconceito, foi o alimento de uma das candidaturas e não há de desaparecer assim, por encanto. Neste momento, serve às tentativas de “deslegitimar” o resultado das eleições.


Em tempo: O dia em que o preconceito tomou conta do Twitter:

Caros e caras,
Bem-informados que são, vocês devem ter visto essa notícia. Porém, o Limpinho a reproduziu e está passando pra frente.
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/11/31102010-o-dia-em-que-o-preconceito.html
É um absurdo… O Serróquio conseguiu catalisar todo tipo de preconceito e ódio.
Viva o Nordeste! Viva o povo brasileiro!


Em tempo 2: amiga navegante baiana me conta que uma cozinheira de estrelado restaurante de São Paulo chegou para a gerente (uma mulher, também) e disse que tinha acabado de saber que estava grávida, inesperadamente. A gerente, muito solícita, logo ofereceu: não, não se preocupe. A gente te manda para uma clínica, você faz o aborto rapidinho e a gente paga. E viva o Serra e a D. Monica !


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

FONTE: Conversa Afiada

Mas é muito sem-vergonha... essa revista Veja...

A  revista Veja soltou uma edição extra para bajular a nova presidenta eleita. Partindo de qualquer outra revista seria normal, mas partindo da Veja e da forma que fez, nunca vi tamanha cara-de-pau e tanta sem-vergonhice.



Depois de capas e mais capas seguidas acusando-a de ser uma espécie de megera que mandava fazer dossiês, e de fazer ilações sobre responsabilidade por atos de terceiros, traz um texto carregado de elogios bajuladores e nenhuma crítica. Termina o texto, abanando o rabo igual à um cachorrinho, querendo se safar de processos e com lobismo:
O pronunciamento, feito na noite de domingo em Brasília, mostrou uma presidente eleita senhora do lugar que agora ocupa e com plena consciência das prioridades políticas, econômicas e sociais do país. Mas, principalmente, salientou sua fé no papel presidencial de zelar pela Constituição e, consequentemente, pelo respeito aos direitos ali assegurados. Dilma reafirmou o respeito irrestrito à liberdade de expressão e seu reconhecimento de que “as críticas do jornalismo livre ajudam o país e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório”. Um grande começo.

Isso dois dias depois da edição de sábado passado (véspera da eleição), quando fez uma capa atacado o presidente Lula, com reportagens imbecis, tais como uma comparação de fotos com Fidel Castro.


Em busca de uma bolsa "famiglia" Civita

A famíglia Civita, dona da revista, desde os tempos da ditadura, sempre manteve o comércio de notícias como negócio, em estreita colaboração com o poder.

Verbas governamentais, empréstimos generosos, determinaram a linha editorial chapa-branca ou oposicionista.

Uma notícia desgastante pode ser atenuada. A versão simpática ao governo pode prevalecer sobre uma versão oposicionista, ou realista. Uma notícia capaz de gerar crises, pode ser encoberta com outra, como cortina de fumaça.

Quem não é "cliente" da revista, nem direito de ser ouvido com isenção, consegue. Quem é "bom cliente", só tem noticia negativa publicada com provas, e quando já vaza para outros órgãos de imprensa, e sem viés golpista e com direito de resposta.

O presidente Lula mandou às favas a revista. Não quis conversa. Não ficava almoçando com a famíglia Civita.

Deu um basta na relação de corrupção que existia entre a imprensa e o poder nos governos anteriores.

Agora, a revista "estende a mão" à nova presidenta eleita, mas não em gesto de boa vontade, e sim com o pires na mão, em busca de verbas governamentais, em troca de uma linha editoral mais chapa-branca.

É o bolsa "famiglia" Civita.

Que Dilma faça como Lula fez e mande a famiglia Civita passar o pires nas empresas privadas e privatizadas. Que vivam como empresa no capitalismo, em vez de mamar nas tetas do governo.

A revista escreveu sobre o compromisso de Dilma de zelar pela Constituição e, consequentemente, pelo respeito aos direitos ali assegurados.

Excelente: que sejam assegurados os direitos à honra de quem a tem assassinada por revistas como a Veja.

A revista esqueceu um detalhe importante: a Constituição impõe DEVERES também. O papel da presidente também é garantir que sejam cumpridos.

"Reaças" devem cancelar assinaturas

O que sobra de bom nisso tudo, é que os reacionários que lêem a revista não devem ter gostado dessa bajulação, e devem cancelar assinaturas.

Ou talvez, a falta de compromisso da revista com seus leitores reacionários seja um indicador de que nem eles existem em número significativo. Há suspeitas de que a revista não tem mais público, e vive de uma circulação artificial bancada por assinaturas de órgãos públicos como as compradas pelo governo do Estado de São Paulo na gestão Serra (PSDB), do governo do Distrito Federal, na gestão de José Roberto Arruda (Ex-DEMos), e da distribuição gratuita.

FONTE: Blog Os Amigos do Presidente Lula

Hildegard Angel: Lily Marinho também se sente eleita!

Hildegard, Dilma e Lily Marinho em almoço na casa da anfitriã no Cosme Velho

Acompanhada apenas do neto, Anthony, Lily Marinho acompanhou a apuração do segundo turno em sua biblioteca, no segundo andar da casa rosa do Cosme Velho, onde costumava assistir aos programas de televisão de mãos dadas com Roberto Marinho.

Quando, enfim, foi divulgado o resultado, ela se encheu de alegria e comentou com quem lhe telefonou logo em seguida: "Pela primeira vez eu me senti também um pouco presidenta da República". PresidentA, queridos, ela disse PresidentA, totalmente Dilma!...

Corajosa, Lily, a grande dama social do Brasil, abriu o Cosme Velho para celebrar Dilma, logo no início da campanha, antes do primeiro turno, indo na contra-mão de 99% de seu círculo de relações. Foi uma reunião de mulheres produtivas e inteligentes, com grande repercussão na imprensa.

Naquele momento, a partir daquele almoço, começou a se romper o círculo demonizante armado em torno da candidata do PT, numa campanha de infâmias espalhadas aos ventos da internet, como se verdades fossem. Lily tem, sim, um bom motivo para se sentir, também, um pouco presidentA do Brasil...

FONTE: Blog da Hildegard Angel

Quando o ódio e a presunção norteiam a conduta de almas preconceituosas

Sinto-me ainda esgotado pelos últimos meses de campanha eleitoral e o grave risco que todos (mesmo os que apoiavam o 45 derrotado) corríamos caso Dilma Roussef não fosse eleita para dar continuidade e aprofundar as reformas impetradas pelo governo de Luis Inácio Lula da Silva. Foi um trabalho árduo de formiguinha para desfazer pelo menos em partes as sujeiras da campanha oposicionista. Sem dúvidas alguns amigos ficaram pelo caminho e outras pessoas que demonstravam uma certa consideração pela minha pessoa devem estar me excomungando. Azar delas.

Finalmente com o resultado das urnas onde deveríamos comemorar, demonstrar nossa felicidade e tirar um peso descomunal das costas, ocorreu o inverso para os eleitores de Dilma em boa parte do país. Devido a campanha de ódio e separatismo levada a cabo pelo oposicionista mór, sentí-me como se estivesse vestido com a camiseta do Corinthians passando na frente do Parque Antartica após o término de uma partida de futebol qualquer do Palmeiras. Uso a figuração para demonstrar mais ou menos o que aconteceu com muitos eleitores da Dilma, obrigados a comemorar quase que no silêncio, pois os do outro lado não suportam perder.

Esse esgotamento misturado de tristeza por um lado devido ao pós eleitoral com seu evidente preconceito e alegria por ver Dilma eleita ainda está me trazendo reflexos, dentre eles a falta de vontade de escrever no meu blog ou mesmo postar artigos de outros amigos. Espero que logo passe esse momento de energia densa e negativa que se apossou de corações e mentes, mesmo tendo a convicção de que um abismo foi aberto no seio da sociedade brasileira.

Aproveito para desculpar-me pelas letras garrafais do último post, mas ela é um espelho do meu sentimento frente á imbecilidade e insensatez de pessoas que trazem em seu âmago a pobreza de espírito.

Ao 45 derrotado desejo apenas um bom dia de finados!

Abaixo post maravilhoso de Renato Rovai.

Mayara Petruso quer afogar nordestinos. Ela não é a única

mayara 2
A estudante de Direito Mayara Petruso atendendo ao chamado da campanha tucana que transformou a campanha numa guerra entre gente limpinha e a massa fedida, principalmente a que reside no Nordeste e vive do Bolsa Família, escreveu a seguinte mensagem na noite de domingo, logo após o anúncio da vitória de Dilma Roussef.

A estudante é uma típica paulistana de classe média alta. Um tipo que não gosta de estudar, adora consumir e que considera nordestino um ser inferior. Nada mais comum em almoços de domingo nos ambientes dessa elite branca paulistana do que ouvir gente falando coisas semelhantes ao que escreveu Mayara Petruso na sua conta no tuiter. Na cabeça da menina, ela não deve ter falado nada demais. Afinal, é isso que deve ouvir desde criança entre familiares e amigos.

Fui ao tuiter de Mayara para checar minhas desconfianças. E confirmei tudo que imaginava. Ela deve morar na região Oeste de São Paulo, onde vive este blogueiro há muito tempo e onde este preconceito é ainda mais latente do que em outras bandas da cidade. Digo isto porque uma de suas comunidades é a do “Parque Villa Lobos”. Se morasse na Mooca provavelmente ela nem se lembraria de tal parque. Se vivesse nos Jardins, citaria o Parque do Ibirapuera.

Mas há outras comunidades que revelam mais profundamente a alma da “artista” que escreveu o post mais famoso do pós-campanha. A elas: “Perfume Hugo Bossa, Eu acho sexy homens de terno, Rede Globo, CQC, MTV, Magoar te dá Tesão e FMU Oficial”.

FMU é a Faculdade Metropolitanas Unidas e pelo que li nos twetts de ontem, a moça faz Direito por lá. Nada contra a instituição ou aos que nela estudam, mas pela situação social da garota, ela deve ter estudado em escola particular a vida inteira e se fosse um pouco mais esforçada teria entrado numa faculdade onde a relação candidato/vaga é um pouco mais dura.

Ou seja, como boa parte dessa classe média alta paulistana, Mayara é arrogante, mas não se garante. Muita garota da periferia, sem as mesmas condições econômicas que ela deve ter conseguido vôos mais altos, deve já ter obtido mais conquistas do que a de poder consumir o que bem entende por conta da boa situação financeira da família.

Ontem, Mayara pediu desculpas pelo “erro”. Disse que afinal de contas “errar é humano” e que “era algo pra atingir outro foco” e que “não tem problema com essas pessoas”. Não desceu do salto alto pra se penitenciar. Preferiu fazer de conta que era uma coisa menor, ao invés de pedir perdão. Dizer que era um erro injustificável e que entendia toda a revolta que seu post produziu.

“MINHAS SINCERAS DESCULPAS AO POST COLOCADO NO AR, O QUE ERA ALGO PRA ATINGIR OUTRO FOCO, ACABOU SAINDO FORA DE CONTROLE. NÃO TENHO PROBLEMAS COM ESSAS PESSOAS, PELO CONTRARIO, ERRAR É HUMANO, DESCULPA MAIS UMA VEZ.”



Ela foi criada para isso. Para dispensar esse tipo de tratamento a nordestinos e pobres e por isso a dificuldade de ser mais humilde. É difícil para esse grupo social entender que este tipo de preconceito é crime. E que enseja um tipo de xenofobia que coloca quem o pratica no mesmo patamar de um tipo como Hitler. Ela odeia nordestinos. Ele judeus. A diferença é que ela não pode afogar de fato aqueles que vivem na parte de cima do mapa. Já o alemão pôde fazer o que bem entendia com aqueles que julgava ser um estorvo na sociedade que governava.

Mas Mayara é o produto de um tipo de discurso. Ela não merece ser responsabilizada sozinha por isso. Talvez seja o caso de alguma entidade vinculada à cultura nordestina mover um processo contra a estudante. Menos pra tirar dinheiro ou coisa do gênero, mais para utilizar o caso como exemplo. E fazer com que ela atue em espaços vinculados à cultura nordestina para aprender a ter mais respeito com a história e com o povo dessa região do Brasil.

Os verdadeiros culpados são outros. São aqueles que com seus discursos preconceituosos têm alimentado esse separatismo brasileiro. E em boa medida isso se dá pela nossa “linda e bela” mídia comercial e mesmo pela manifestação de um certo setor da política que sempre que pode busca justificar a vitória da aliança liderada pelo PT como produto do “dinheiro dado a essa gente ignara e preguiçosa que vive no Nordeste a partir do Bolsa 171”.

Mas também é produto de um tipo de comportamento velhaco que nunca foi combatido de forma educativa e que é alimentado diariamente nos ambientes familiares desta elite branca preconceituosa.
Cláudio Lembo sabia do que estava falando quando usou essa expressão.

FONTE: Blog do Rovai

Dilma se elegeria sem contar com Norte e Nordeste


ATENÇÃO AOS PRECONCEITUOSOS SEPARATISTAS DAQUI DO ESTADO DE SÃO PAULO (DOS QUAIS CONHEÇO VÁRIOS) E SUL DO PAÍS, ANTES DE SAIR POR AÍ DISSEMINANDO O ÓDIO DE CLASSES CONTIDO EM SUA ALMA PEQUENA E DE POUQUÍSSIMA SABEDORIA, VEJA ABAIXO OS NÚMEROS QUE ATESTAM: 

Dilma se elegeria sem contar com Norte e Nordeste

Dilma Rousseff (PT) interage com o público durante a coletiva após ser eleita. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil Após vitória, Dilma discursou emocionada sobre o papel da mulher na democracia

Eliano Jorge
Pessoas descontentes com a eleição da petista Dilma Rousseff atribuíram aos eleitores da região Nordeste peso decisivo no resultado do segundo turno, neste domingo (31). Porém, os nordestinos apenas aumentaram a vantagem que a futura presidente obteve no resto do País. Considerando apenas Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, ela somou 1.873.507 votos a mais do que o tucano José Serra.

E, antes que novos discursos discriminatórios - canalizados contra o Nordeste na internet - se direcionem a outro alvo fácil, o Norte, vale destacar que Dilma também ganharia a eleição sem o saldo positivo de 1.033.802 votos com que os nortistas lhe agraciaram.

O Sudeste, idealizado pelos críticos de nordestinos e nortistas como bastião do PSDB, deu à petista 1.630.614 eleitores a mais do que seu adversário. Esta quantidade supera em 839.695 votos a soma das vantagens que Serra teve no Sul, 656.485, e no Centro-Oeste, 134.434.

Embora o candidato tucano tenha acumulado 1.846.036 votos a mais do que Dilma em São Paulo, ele perdeu no segundo e no terceiro maiores colégios eleitorais do País, Minas Gerais e Rio de Janeiro, respectivamente com saldo negativo de 1.797.831 e 1.710.186.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O dia em que o preconceito tomou conta do Twitter

Ontem, dia do resultado das eleições presidenciais, que deveria ser um dia de festa da democracia, ficou marcado como um dia em que o preconceito e o ódio tomou conta do Twitter, tão popular que é no Brasil. Um dia em que os Nordestinos foram tratados de forma altamente discriminatória. Um dia para não ser esquecido.

No Brasil, é muito comum se escandalizar com preconceito contra negros e gays. Casos assim ocupam páginas de jornais, provocam discussão e tem o tratamento que merecem ter. Mas, infelizmente, ainda existe o preconceito com relação à região de procedência, que é algo ainda pouco levado a sério e divulgado pela imprensa. E é algo que me assusta pela proporção com que tem crescido.
Eu sou Nordestina, de Fortaleza, Ceará. Nascida e criada aqui, com todos os sotaques e trejeitos característicos da região. Falo “oxente” e “vixe”, porque cresci com estas palavras fazendo parte do meu vocabulário. E tenho um baita orgulho de ser cearense. Por nada sairia daqui, porque aqui é o lugar que eu amo e onde me sinto feliz, com seus defeitos e virtudes. Por isso, me senti muito ofendida e triste com as mensagens que vi ontem no Twitter.
Para quem não acompanhou, tivemos um espetáculo digno de Goebbels. Vergonhoso, repugnante, capaz de fazer qualquer nordestino se sentir mal. Ver pessoas incitando a discriminação, pessoas com estudo e conhecimento incompatível com suas palavras, me provocou uma profunda tristeza.
Vejam vocês a que nível chegamos:

Retirado daqui: http://twitter.com/#!/kewenpantcho/status/29339798428

Retirado daqui: http://twitpic.com/32tlvx
E a pior de todas:
@mayarapetruso
Retirado daqui: http://twitpic.com/32ted4
Há muitos mais. Basta fazer uma busca no Twitter por “Nordestino“. Me recuso a comentar estes tweets.
Para quem não sabe, isso dá cadeia. Quem diz é a lei 7.716, de 1989, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente. A lei afirma:
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência:
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.
III – a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores.
O preconceito tem que ser divulgado, não pode simplesmente ser aceito ou ignorado. O preconceito é crime e deve que ser tratado como tal. Não é porque uma pessoa nasceu em outra cidade, outro estado, outra região que será menos capaz do que você. Somos todos brasileiros, apesar das diferenças regionais.

Da mesma forma como muitos nordestinos são discriminados ao ir para o sul/sudeste, somos todos discriminados ao irmos para os Estados Unidos ou Europa, porque para eles tanto faz se você fala oxente, meu ou bah. Você é brasileiro e será taxado e julgado por isso. Agora imagine sofrer isso no seu próprio país.

Espero que você que é leitor do Mundo Tecno, reflita sobre isso. Tenho certeza de que, como meu leitores são pessoas inteligentes, irão se arrepender caso tenha falado alguma bobagem, e eu o desculpo por isso. Espero também que tenham consciência de que, no final das contas, nós estamos todos no mesmo barco.

Respeito ao próximo é o primeiro passo para vivermos em um país melhor. Então, vamos nos respeitar?

Dilma 56,1% vs 43,9% PIG - O Brasil é Vitorioso

O PIG com sua mortal máquina de triturar consciências, por muito pouco não causou um verdadeiro estrago na vida política e social da maior democracia da América Latina. Dilma Roussef venceu e tornou-se a primeira mulher a presidir este país continente de valores imensuráveis chamado Brasil.

Muito já se falou sobre essa campanha eleitoral e continuaremos discutindo ao longo dos próximos meses. Lula venceu, fez sua sucessora e todos sabemos o quanto foi combatido nessa guerra. É um predestinado, um vencedor, um estadista no mais puro conceito da palavra. 

Os últimos meses nos brindou com tudo que há de inimaginável e irracional no mundo (ou seria sub-mundo?) da política. Vimos, lemos e ouvimos coisas impensáveis vindas de pessoas que jamais poderíamos sonhar, mas é assim mesmo. Faz parte da vida democrática, independente dos meios excusos que não justificam os fins. Até o papa, responsável por uma igreja retrógrada, onde padres abusam sexualmente de crianças pelo mundo afora, vestiu-se de reacionário vestuto a querer influir no resultado do pleito eleitoral brasileiro. 

E é isso que os brasileiros devem se dar conta. Somos muito grandes, somos muito mais do que imaginamos, pois se forças ocultas e contrárias em todos os patamares sociais do mundo estão metendo o dedo em nossa cumbuca é por que sem sombra de dúvidas somos muito melhores e estamos muito acima daquilo que cada um de nós imaginamos.

Fico sinceramente muito triste em observar nesse pós eleitoral uma energia negativa voltada ao separatismo, ao racismo, reacionarismo e fascismo. Vejo pessoas do sul e sudeste desmerecendo os votos do norte e nordeste, como se não fossemos parte de um mesmo todo, de um único país amado e adorado por cada um de seus filhos, independentemente de ser sulista ou nortista, rico ou pobre. 

Espero que o tempo apague e dissolva mais essa hipocrisia, uma maldita herança perpetrada por um ser humano(?) baixo, vil, egóico, rivalista, vingativo, absorto em sua decadência que tem como hábito praticar a mais baixa forma de convivência com seus pares. Não vou citar o nome do candidato derrotado. Não merece essa reverência de minha parte. Deve apenas entregá-lo ao esquecimento e perceber que o Brasil hoje está maior que ontem e que a democracia está muito bem protegida, entregue em boas mãos. O povo venceu a mentira e a hipocrisia.

Viva a Democracia, Viva Lula da Silva, Viva Dilma Roussef, Viva para todo sempre o Brasil!

Abaixo post do Miro:

O Brasil de Dilma: mãos à obra

Reproduzo artigo do professor Laurindo Lalo Leal Filho, publicado no sítio Carta Maior:

A vitória de Dilma Roussef é um recado da sociedade às forças conservadoras que tentaram, por vários meios, impedir que isso acontecesse. Entre eles destaque-se os meios de comunicação, transformados em partido político, sem base social mas ainda com grande poder persuasivo.

Foram eles os responsáveis pela realização do segundo turno em 2006 e 2010. Sem mandato, julgam-se no direito absoluto de impor à sociedade suas visões de mundo, defendendo interesses restritos à classe social da qual são parte e porta-vozes. Trata-se de uma distorção incompatível com o jogo democrático.

O presidente Lula disse, em excelente entrevista à Carta Maior (com Página 12, da Argentina e La Jornada, do México), estar decidido a se empenhar, fora do governo, no trabalho de "primeiro convencer o meu partido de que a reforma política é importante, (...) e depois, convencer os partidos aliados de que a reforma política é importante. Se tivermos maioria, poderemos votar a reforma política, eu diria, nos próximos dois anos".

Tarefa imprescindível, sem dúvida. O Brasil vive sob o descompasso existente entre os avanços econômicos e culturais alcançados nos últimos oito anos e um sistema político arcaico, perpetuador de privilégios. Executivos comandados por presidentes populares, afinados com as aspirações maiores da sociedade, tiveram sempre a fustigá-los interesses mesquinhos articulados por máquinas políticas instaladas no legislativo, mais suscetível ao voto não-ideológico. Situações geradoras de crises históricas que levaram, por exemplo, Getúlio à morte e Jango ao exílio.

Lula não foi exceção e só sobreviveu graças a sua incontestável habilidade política. Daí o seu empenho em, além de eleger a sucessora, dar a ela a possibilidade de governar com um Congresso menos hostil. Talvez essa tenha sido a maior exasperação da mídia ao perceber que muitos dos seus aliados e representantes tradicionais não voltariam, como não voltarão, à Câmara e ao Senado no ano que vem.

No entanto, o país não pode mais ficar à mercê das circunstâncias de ter, como hoje, um presidente disposto a enfrentar nas urnas esses adversários. Para isso são necessárias novas formas, modernas e democráticas, de se fazer política no Brasil. Financiamento público de campanha, equilíbrio nas representações parlamentares estaduais na Câmara e voto em lista, distrital ou misto, são pontos de partida para a discussão proposta pelo presidente Lula.

Mas a reforma não terá efeitos práticos se os meios de comunicação seguirem tendo o absurdo papel político-eleitoral de hoje. Não há democracia que resista por muito tempo ao poder que tem quatro famílias de estabelecer a agenda política nacional. Derrotadas, graças à força de um governo que as superou nas ruas e nas praças, nada garante que não voltem ainda mais dispostas a apoiar - como já fizerem em outras oportunidades - aventuras golpistas.

Não é tarefa fácil. Exige alta dose de competência e muito sangue frio. Qualquer ação corretiva nessa área é chamada de censura por aqueles que defendem seus privilégios com unhas e dentes. Se arvoram senhores da liberdade de expressão, de falarem o que querem, obrigando todos os demais ao mutismo.

Com a força das urnas, o novo governo pode acelerar algumas das iniciativas esboçadas na gestão que se encerra. A mais urgente é dar ordenação legal ao setor da radiodifusão, verdadeira terra de ninguém, sem lei e sem ordem. O governo Lula deixará para a presidente Dilma o embrião desse projeto calcado nas experiências mais avançadas existentes hoje em todo o mundo e, claro, sintonizadas com a realidade brasileira. Não é possível seguirmos, na era da digitalização e da crescente convergência dos meios, com leis que tratam separadamente as telecomunicações e a radiodifusão. E, esta, além disso datada de 1962, época da chegada do vídeo-tape e da TV em preto e branco.

Quando o mundo convergia suas legislações para adaptar os marcos legais a realidade tecnológica, o Brasil no governo tucano as separava para permitir a privatização das telefônicas e preservar os privilégios dos radiodifusores. Está mais do que na hora de acabar com isso.

Cabe lembrar que já em 2007, o documento final do 3º Congresso Nacional dos Partidos dos Trabalhadores propunha "a imediata revisão dos mecanismos de outorga de canais de rádio e TV, concessões públicas que vêm sendo historicamente tratadas como propriedade absoluta por parte das emissoras de radiodifusão. Esta atualização passa pelo cumprimento da Lei, haja vista a flagrante ilegalidade em diversas emissoras, por maior transparência e agilidade nos processos e pela criação de critérios e mecanismos para que a população possa avaliar e debater não somente a concessão, mas também a renovação de outorgas".

O PT deve se juntar à luta da sociedade organizada para concretizar os preceitos da Constituição Federal de 1988 que estabelecem a proibição do monopólio na mídia e definem como finalidade do conteúdo veicular a educação, a cultura e a arte nacionais.

Que tal começar já, discutindo e aprofundando essas questões no período de transição do governo Lula para o governo Dilma? Passo fundamental nesse sentido é dotar o Ministério das Comunicações de transparência absoluta, aberto à sociedade e aos seus reclamos quanto, por exemplo, a qualidade dos serviços prestados pelas empresas de rádio, televisão e telefonia. Tornando-o partícipe da elaboração e encaminhamento de projetos de lei voltados para a democratização das comunicações, hoje restritos a outras àreas de governo, como as Secretarias Especiais de Direitos Humanos e de Comunicação da Presidência da República.

Mas um novo Ministério das Comunicações é apenas parte do enfrentamento do problema. Por se tratar de questão-chave para a democracia a empreitada deve ser vista como prioridade absoluta do governo como um todo. Só assim haverá massa crítica e força suficientes para avançarmos no projeto nacional de banda larga oferecido por sistema público, acabarmos com a propriedade cruzada dos meios de comunicação, ampliarmos a abrangência de cobertura da TV Brasil e das emissoras de rádio da EBC, garantirmos a aplicação do dispositivo constitucional referente a obrigatoriedade de um percentual de programas regionais na televisão, criarmos uma agência reguladora para os serviços de radiodifusão capaz de, por exemplo, coibir a violação constante dos direitos humanos cometidos no rádio e na TV, entre tantas outras tarefas urgentes.

Sem esquecer a necessidade, prioritária, de impulsionarmos a existência de um grande jornal diário nacional, capaz de oferecer ao brasileiro uma outra visão de mundo, comprometida com a solidariedade e a justiça social, como fazia a Última Hora na metade do século passado.

Vamos buscar aquilo que de melhor o século 20 nos legou para, com a distribuição mais justa e acessível das novas tecnologias, passarmos a oferecer melhor não só as nossas riquezas materiais, mas também nossos preciosos bens simbólicos, fundamentais para a elevação do grau de civilidade do nosso país.

FONTE: Blog do Miro