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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Jornal da Tarde: Kassab cassado

Justiça Eleitoral cassa mandato de Kassab

Condenação por captação ilícita na campanha inclui a vice. Ambos seguem no cargo enquanto recorrem

Roberto Fonseca, Fabio Leite e Eduardo Reina -
Jornal da Tarde

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e a vice, Alda Marco Antonio (PMDB), tiveram o mandato cassado pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral, Aloísio Sérgio Resende Silveira, por recebimento de doações consideradas ilegais na campanha de 2008. A decisão, em primeira instância, torna Kassab o primeiro prefeito da capital cassado no exercício do mandato desde a redemocratização, em 1985. Como o recurso tem efeito suspensivo imediato, os dois podem recorrer da sentença sem ter de deixar os cargos.

Entre as doadoras consideradas ilegais estão a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) e empreiteiras acionistas de concessionárias de serviços públicos, como Camargo Corrêa e OAS. Ao todo, a coligação de Kassab e Alda gastou R$ 29,76 milhões na campanha, dos quais R$ 10 milhões são considerados irregulares pela Justiça. A sentença será publicada no Diário Oficial de terça-feira, quando passa a contar o prazo de três dias para o recurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Silveira disse neste sábado, 20, ao Jornal da Tarde que já julgou os processos de Kassab, nove vereadores e dos candidatos derrotados na eleição à Prefeitura em 2008, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), todos alvos de representação do Ministério Público Eleitoral (MPE), mas que não poderia informar quais dos réus foram cassados antes da publicação, na terça. Falta julgar o presidente da Câmara Municipal, Antonio Carlos Rodrigues (PR), e duas empresas acusadas de repasse ilegal.

O juiz afirmou, contudo, que manteve nas suas decisões o mesmo entendimento que levou à cassação de 16 vereadores no fim do ano passado. No caso, todos os políticos que receberam acima de 20% do total arrecadado pela campanha de fonte considerada vedada foram cassados. "Se passou de 20%, independentemente do nome, tenho aplicado a pena por coerência e usado esse piso como caracterizador do abuso de poder econômico na eleição, um círculo vicioso que dita a campanha e altera a vontade do eleitor", afirmou Silveira.

Além de cassar o diploma do prefeito e da vice, a sentença os torna inelegíveis por três anos. Dos 13 vereadores que aguardavam a decisão da Justiça Eleitoral, dez ultrapassavam o limite em doações consideradas ilegais. São eles: o líder do governo, José Police Neto (PSDB), Marco Aurélio Cunha (DEM), Gilberto Natalini (PSDB) e Edir Sales (DEM), da base governista, e os petistas Antonio Donato, Arselino Tatto, Ítalo Cardoso, José Américo e Juliana Cardoso, além de Rodrigues (PR).

 Fonte vedada

Nas decisões, Silveira considerou como fonte vedada de doação eleitoral empreiteiras que integram concessionárias de serviços públicos e a AIB. A entidade é acusada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de servir de fachada do Sindicato da Habitação (Secovi). Por lei, sindicatos não podem fazer doações a candidatos, comitês e partidos. Só da AIB a campanha de Kassab recebeu R$ 2,7 milhões. A entidade e o Secovi negam haver irregularidades.

"Um acionista, mesmo que minoritário, que tem faturamento de R$ 500 milhões, faz estrago numa campanha porque ele tira renda da concessionária. Embora seja um voto vencido, por conta da decisão do ministro Velloso, me convenceu", afirmou Silveira, citando decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Velloso favorável a essas doações nas eleições de 2006.

O inciso 3º do artigo 24 da Lei das Eleições (Lei 9.504/97) proíbe "concessionário ou permissionário" de fazer doações de qualquer espécie a candidatos ou partidos políticos. E embora a última manifestação do TSE, em 2006, tenha considerado legais doações de empresas com participação em concessionárias, votos proferidos no passado pelos ministros Cezar Peluso, Carlos Ayres Brito e Ellen Gracie repudiaram a prática.

‘Perplexidade’

Procurado pela reportagem, o advogado de Kassab, Ricardo Penteado, afirmou que a defesa do prefeito vai entrar com recurso no TRE que, diz ele, "deve resultar na reforma da sentença e na confirmação da vontade popular."

Penteado afirmou ainda que "as contribuições foram feitas seguindo estritamente os mandamentos da lei e já foram analisadas e aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral."

"Causa perplexidade e insegurança jurídica que assuntos e temas já decididos há tantos anos pela Justiça sejam reabertos e reinterpretados sem nenhuma base legal e contrariando jurisprudência do TRE e do TSE", completou.

Colaborou Rodrigo Burgarelli


FONTE: Viomundo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Risco de vir a público enovolvimento de Kassab e Serra com a propina de Arruda

Lí no Democracia e Política de Maria Tereza.

O texto a seguir é de Eduardo Guimarães:

"O post incompleto do Josias

Josias de Souza novamente escreveu um texto político quase realista. No fim do mês passado, então pela primeira vez no governo Lula ao menos cobrou com alguma propriedade o governador José Serra pelas enchentes.

Vale lembrar que esse blogueiro é o mesmo que, ano passado, xingou a ministra Dilma Rousseff e a ex-prefeita Marta Suplicy de vadias e vagabundas.

Enfim, desta vez o blogueiro escreve um post que novamente chega muito perto de ser honesto e esclarecedor. Só não chegou lá porque não foi escrito todo. Faltou uma parte crucial que explico depois do texto do Josias, logo abaixo:

"Cúpula do DEM teme que Arruda abra a boca e o baú

por Josias de Souza

A informação de que o STJ estava prestes a decretar a prisão de José Roberto Arruda chegou à cúpula do DEM na véspera, com antecedência de quase 24 horas.

Alertados, integrantes da Executiva do partido analisaram em segredo os efeitos do terremoto brasiliense sobre a sigla. No centro da encrenca estava Paulo Octávio, um filiado que o DEM evitara lançar ao mar em dezembro do ano passado, quando o panetonegate explodira.

A iminência da prisão de Arruda reacendeu uma divisão que eletrifica os subterrâneos do DEM. A tribo ‘demo’ está cindida em dois grupos. De um lado, a turma do “mata-e-esfola”. Do outro, a ala do “deixa-como-tá-pra-ver-como-é-que-fica”.

Foram à mesa algumas propostas. Entre elas a dissolução do diretório do DEM-DF e o desembarque coletivo dos filiados da legenda dos quadros do GDF.

Um dos participantes das conversas contou ao repórter uma passagem emblemática. A certa altura, um dirigente do DEM disse que, antes de tomar qualquer providência, conviria ouvir o vice-governador Paulo Octávio, mandachuva da legenda no DF. Abespinhado, um senador interveio: “Você não está entendendo. O Paulo Octávio tem que ser expulso do partido”.

Lero vai, lero vem o DEM optou por administrar a crise a golpes de barriga. No dia seguinte, quinta-feira (11) da semana passada, sobreveio a prisão de Arruda. E o vice Paulo Octávio foi à cadeira de governador.

Reacendeu-se o incêndio que o DEM imaginara ter apagado em dezembro, no alvorecer do escândalo. O DEM tenta apregoar a lorota de que lida com o seu mensalão com um rigor que o PT não foi capaz de imprimir ao mensalão dele. Porém... Porém, a firmeza do DEM tem a consistência de um pote de gelatina.

Mesmo a exclusão de Arruda foi às manchetes com a forma de uma pseudoexpulsão. A Executiva do partido deu tempo a Arruda para recorrer ao Judiciário. Malogrado o recurso, o DEM deu prazo ao governador para se desfiliar, antecipando-se ao vexame da expulsão. De resto, a cúpula do DEM decidiu fingir que Paulo Octávio estava limpo. Uma ilusão que se desfaz nos desvãos do inquérito do panetonegate.

Para complicar, em pleno recesso do Congresso, o diretório brasiliense do DEM, comandado por Paulo Octávio, saiu-se com uma nota de apoio ao pseudoexpulso Arruda. Liderada por Demóstenes Torres e Ronaldo Caiado, a turma do “mata-e-esfola” voltou à carga. Acenou-se com a hipótese de dissolução do diretório de Brasília e abertura de processo contra Paulo Octávio.

Sob o barulho, vicejou, de novo, a inação. Como explicar? Simples: o pedaço do DEM adepto à tese do “deixa-como-tá-pra-ver-como-é-que-fica” lida com a crise movida pelo medo. Medo de que Arruda, agora hospedado no PF’s Inn, resolva abrir a boca e o baú que armazena os segredos financeiros do DEM.

Único governador eleito pela legenda em 2006, Arruda tornou-se um grande provedor do DEM. No pleito municipal de 2008, a máquina ‘demo’ de Brasília borrifou verbas nas arcas de comitês de campanha instalados em várias partes do país. Arruda ajudou a forrar, por exemplo, o caixa de campanha de Gilberto Kassab, o prefeito ‘demo’ reeleito em São Paulo.

A direção do partido alega que todo dinheiro vindo de empresas fornecedoras do GDF ingressou nos livros do DEM pela porta da frente, mediante recibo. A turma de Arruda insinua que a coisa não foi bem assim. Uma parte do dinheiro teria transitado por baixo da mesa.

As hesitações da direção do DEM tonificam as suspeitas. Paira no ar a impressão de que, se resolver destravar os dois ‘Bs’ que lhe restam (boca e baú), Arruda pode produzir um novo escândalo, tão devastador quanto o primeiro."


Sem mais delongas, já vou explicando a tal incompletude do texto de Josias. Ele esqueceu de dizer as conseqüências não só de Arruda abrir a boca, mas de haver intervenção no DF: se Kassab for envolvido Serra também será, por mais que tentem blindá-lo. E isso aconteceria em plena campanha eleitoral."

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães em seu blog "Cidadania.com" [título colocado por este blog].

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carta Maior: Tragédias do marketing: o legado de Serra e Kassab em SP

Resultados de campanhas publicitárias que fizeram o eleitor acreditar no que não viu, as gestões de Kassab, principal obra de Serra em São Paulo, apostam na propaganda e desprezam o combate às desigualdades, único meio de melhorar a metrópole. Colado nos passos do governador José Serra (PSDB), de quem herdou a prefeitura, o governo de Gilberto Kassab (DEM) passa ao largo das questões em que a cidade é mais carente e frágil. De 2006 a 2009 a prefeitura cortou R$ 353 milhões em ações de combate a enchentes. 
A reportagem é de Antonio Biondi e Marcel Gomes, na Revista do Brasil.
O catador de papelão Francisco Oliveira de Lima, de 45 anos, morreu durante o sono no último dia 8 de dezembro. Foi soterrado pela lama que deslizou sobre sua casa, em uma área de risco no Jardim Elba, zona leste de São Paulo. Nem ele, nem ninguém tem culpa de ter caído naquela única noite um terço da chuva esperada para o mês inteiro. Mas ficou evidenciado que a cidade de São Paulo nunca esteve tão despreparada para prevenir ou minimizar tragédias decorrentes da triste combinação de intempéries com ocupação urbana desordenada. E áreas de conhecido risco acabam mais expostas com a inversão das prioridades na administração pública.

Duas semanas depois, algumas áreas da zona leste ainda estavam submersas, e a população, sujeita a contaminações. Em algumas áreas alagadas a água da chuva se misturava a esgotos não tratado por problemas de bombeamento de uma estação da Sabesp, a empresa de saneamento do estado. E isso não é obra da natureza. Colado nos passos do governador José Serra (PSDB), de quem herdou a prefeitura, o governo de Gilberto Kassab (DEM) passa ao largo das questões em que a cidade é mais carente e frágil. De 2006 a 2009 a prefeitura cortou R$ 353 milhões em ações de combate a enchentes. Dados da liderança do PT na Câmara dos Vereadores mostram que, em vez de executar R$ 1,1 bilhão previstos para essa finalidade nos últimos quatro anos, o democrata utilizou R$ 751 milhões. Nesse mesmo período, empenhou R$ 216 milhões para dar publicidade a outros “feitos”.

O descaso assemelha-se à inépcia dos investimentos feitos pelo governo do Estado ao longo de mais de 20 anos para conter as enchentes do rio Tietê. Em 2009, Serra deixou de gastar R$ 114 milhões nas obras de desassoreamento da bacia do Tietê. E o Orçamento de 2010 prevê um corte de outros R$ 51 milhões para ações antienchentes. O Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, responsável pelas obras da calha do Tietê, terá R$ 42 milhões subtraídos dos seus investimentos. Na capital, o prefeito utilizou menos de 8% dos R$ 18,4 milhões previstos no Orçamento de 2009 para a construção de piscinões, que poderiam amenizar os efeitos das enchentes. E gastou R$ 80 milhões em publicidade. Para 2010, a equipe de Kassab prevê R$ 25 milhões para obras e gerenciamento de áreas de risco, um quinto do que pretende destinar a publicidade – R$ 126 milhões, novo recorde na história da cidade. Repetem-se no município as práticas de Serra, que este ano separou R$ 561 milhões para a rubrica comunicação. Em 2006, último ano antes de Serra, o estado despendeu em publicidade R$ 37 milhões.

A gastança tem objetivos. Kassab trabalha com a possibilidade de suceder Serra no governo do Estado. Nessa hipótese, também abandonaria a prefeitura antes do fim do mandato. Isso enquanto estiver nos planos do governador manter-se na briga pela sucessão de Lula – porque o temor da derrota já faz sua desistência ser cogitada. Na mesma toada, Serra abusa da verba publicitária para promover seu governo. Pois a opção, se desistir do Planalto, será tentar a reeleição. E, aí, interessa também a prefeitura sair bonita na foto, já que sua obra mais concreta foi ter deixado a cadeira para Kassab. Mesmo que o casamento não vá muito longe (o democrata já vê cara feia por parte de setores do PSDB), a lama da capital tende a espirrar na campanha tucana. Assim, a principal preocupação da dupla, que já conta com a omissão da mídia – pois não se vê notícia ruim sobre eles –, é a construção da imagem. Só não se sabe até que ponto o marketing competente que criou o Kassabinho de brinquedo bastará para fazer frente à desconfiança crescente da população. Impostos mais altos, privatizações e corte nos gastos com saúde e nas vagas de escolas e creches, falta de investimento em transporte coletivo, trânsito caótico, déficit de moradias, ausência de participação popular, coleta de lixo deficiente, abandono da população de rua, desmantelamento da Guarda Civil Metropolitana são apenas alguns carimbos da gestão.

A reportagem da Revista do Brasil fez um giro por todas as regiões de São Paulo, conversou com moradores, parlamentares e especialistas, e apurou que a cidade não carece somente de verbas, mas de rumo. A assessoria de imprensa da prefeitura não respondeu aos questionamentos sobre os problemas levantados. Os argumentos da administração foram extraídos do site da prefeitura e de depoimentos a outros veículos.

Prá inglês ver
Segundo o cientista político José Paulo Martins Jr., professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, as discrepâncias entre o proposto e o executado fazem do Orçamento municipal uma peça de ficção, e não há nenhum controle social sobre os gastos. “Os políticos fazem o que bem entendem, exercem o Orçamento de acordo com seus interesses”, aponta. Em 2009, por exemplo, foram previstos R$ 90 milhões para o início da construção de três hospitais: na Brasilândia, em Parelheiros e na Vila Matilde. Apenas R$ 43 mil foram gastos (na sondagem do terreno da Brasilândia). A saúde ainda é um dos setores mais carentes da cidade.

Atraso
A administração aposta no papel das Organizações Sociais (OSs) na gestão do setor, o que precariza o atendimento e reduz a pó os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), de universalidade, integralidade e equidade. Em hospitais entregues à administração de entidades religiosas existe até a denúncia de que são proibidos procedimentos de planejamento familiar, como laqueadura e vasectomia. Quanto à aposta da prefeitura nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), especialistas e técnicos do setor afirmam que, por um lado, o novo equipamento pode trazer aspectos positivos, como a resolução imediata de alguns problemas, além de aperfeiçoar a triagem dos pacientes. Por outro, peca por apresentar integração frágil com as demais unidades de atendimento do SUS. Muitas vezes, o paciente tem de ir da AMA para o hospital, ou voltar para um posto de saúde (UBS). A falta de continuidade – que leva ao enfraquecimento de ações como o Programa Saúde da Família – é outro problema.

Mais carros
No Conselho Municipal de Saúde, que define as políticas do setor, as disputas paralisaram por meses os trabalhos dos conselheiros. Reuniões são feitas sem a presença dos representantes da prefeitura, decisões foram desrespeitadas e conselheiros eleitos, não empossados. Os usuários, por exemplo, viram questionada a eleição de seus representantes pelo próprio secretário municipal de Saúde, que preside o conselho. Maria Cícera de Salles, representante dos usuários, avalia que a gestão atual da prefeitura “não quer o povo opinando, nem quer controle social”. Situação idêntica se dá no Conselho Estadual.

Desigualdade
Estima-se que existam 20 mil moradores de rua na capital. O número praticamente dobra em relação a 2003, quando o mesmo estudo constatou que essa população era formada por 10.400 pessoas. Os dados estão num censo dos moradores de rua feito pela Fundação Instituto de Pesquisas (Fipe) da USP. Contribuíram para esse quadro a mudança na política de assistência social e o fechamento de albergues. Uma pesquisadora do censo, que não quis se identificar, afirmou que o cenário de abandono nos pontos centrais da cidade é chocante: “Ninguém conhece a realidade dessas pessoas, a mídia não mostra. Os moradores reclamam do fechamento de albergues e dizem que são levados de um lado a outro pelas peruas do São Paulo Protege. Mas não há política de inclusão. Eles têm consciência disso, mas não têm como reagir”.

Lentidão
A análise pode ser reforçada também pelo fechamento da Boraceia, estação coletora de lixo reciclável, reconhecida pela ação reintegradora da população de rua. Ali, os catadores tinham abrigo até para seus cachorros. O projeto e 15 outras estações coletoras foram encerrados. Faz parte da linha higienista imposta à região central. Assim como a evacuação dos prédios São Vito, Prestes Maia e Mercúrio, que simbolizavam a resistência e a chance de as classes mais pobres viverem no Centro – mediante um projeto de recuperação dos imóveis para posterior inclusão em política habitacional que já não existe. Hoje, na avaliação da prefeitura, o projeto de revitalização do Centro vai criar investimentos, empregos, melhorias e moradias. Nesse sentido, a valorização da região do Mercado Municipal é estratégica, e os prédios populares na área devem dar lugar a estacionamentos. Selma Maria de Andrade morou 24 anos no Mercúrio. Ela conta que as famílias eram unidas e viviam perto de tudo. “Na primeira ordem de despejo, a polícia veio, minha perna bambeou, a vista escureceu, chorei, me senti humilhada”, lembra-se. “Teve gente que saiu apavorada, até saiu da cidade. Outros nem têm como alugar imóvel, porque a imobiliária acha que não vão pagar o aluguel.”

Paulo Garcia, diretor da Associação dos Comerciantes do Bairro da Santa Ifigênia, integra um dos grupos que resistem às propostas do prefeito de realizar uma concessão urbanística de um bairro inteiro, na região da Luz. Para a prefeitura, o projeto geraria uma transformação importante para o Centro e para o restante da cidade. “Para aprovarem esse novo projeto, fizeram uma campanha contra a região, como se ali só tivesse drogado e contrabandista”, acusa Garcia. Segundo o diretor, o prefeito Kassab não fala com a associação: “Ele está blindado pela mídia e por grandes gastos publicitários”.

Longe do Centro, a desatenção à questão da moradia não é diferente. A construção em sistema de mutirão, apontada por especialistas como uma das formas mais baratas e indicadas para enfrentar o déficit habitacional, apresentou queda de 75% entre 2004 (R$ 22,4 milhões) e o Orçamento de Kassab (R$ 5,8 milhões) para 2010.

Estelionato
Em 2008, imagens de Kassab entregando a Serra cheques gigantes estamparam jornais e campanhas. Um de R$ 200 milhões em março e outro de R$ 198 milhões às vésperas da eleição municipal. Os cheques “simbolizavam” partes do R$ 1 bilhão que a prefeitura investiria na expansão do metrô naquele ano. Outro bilhão seria repassado até 2012. Mas a verba não chegou por inteiro nem há garantia de que chegará. Naquele ano, a verba transferida para a Linha 5 - Santo Amaro não alcançou a metade da prometida. E em 2009 a prefeitura previa destinar R$ 218 milhões para a expansão do metrô, mas só repassou R$ 50 milhões, e agora em dezembro. Para 2010 estão previstos somente R$ 5 milhões, outros R$ 720

O teatro não para nos repasses parciais. A prefeitura ainda transferiu para o Metrô a continuidade do corredor Expresso Tiradentes, o trecho do velho fura-fila que irá da Vila Prudente a Cidade Tiradentes. O combate às desigualdades em São Paulo certamente tem nos investimentos em transporte coletivo um elemento central. Mas a prefeitura pretende investir cerca de R$ 4,4 bilhões em obras viárias nos próximos anos, priorizando a circulação de automóveis. O recurso daria para cerca de 20 quilômetros de metrô. Não é à toa que a velocidade média do tráfego nas horas de pico, que já foi de 27 km/h em 1980, hoje está em 17 km/h.

Não se deu continuidade à expansão dos corredores de ônibus. A SPTrans, responsável pela gestão do transporte por ônibus, foi contemplada com R$ 1,35 bilhão no Orçamento aprovado para o ano passado. Na prática, o valor caiu R$ 110 milhões. E para 2010 a proposta enviada aos vereadores prevê R$ 1,07 bilhão. Uma queda de R$ 280 milhões em um ano. O descompasso é prejuízo certo para a cidade e põe em xeque metas fixadas para 2012, por uma lei de 2002. Para tentar não ficar muito longe do que estabelece o Plano Diretor Estratégico, Kassab encaminhou duas medidas à Câmara dos Vereadores. A primeira, uma proposta de reforma do Plano, que ainda nem sequer foi regulamentado. “Antes de fazer uma revisão, é preciso cumprir o que estava escrito”, afirma o empresário Oded Grajew, um dos coordenadores do movimento Nossa São Paulo. A segunda, o pedido de aumento no IPTU de boa parte dos imóveis da capital a partir de 2010, com o objetivo de faturar mais R$ 564 milhões com o imposto, o que lhe rendeu o apelido de “Taxab”.

Falta diálogo
De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, atualmente cerca de 1,3 milhão de pessoas vivem em mais de 1.600 favelas. Essa população tem crescido a taxas de quase 4% ao ano. A administração considera que os programas de urbanização de favelas e revitalização dos mananciais são essenciais, e os benefícios – ambientais, sociais, de saúde e até de turismo e lazer –, muitos maiores que os problemas. Maria Gorete Barbosa, moradora do Parque Cocaia desde 1989, enfrentou em 2009 meses de grande preocupação, diante do projeto de revitalização da Billings, de Guarapiranga e outros mananciais. O projeto receberá aportes do município, estado e União que somam quase R$ 1 bilhão. E muitas famílias terão de deixar sua casa.

Gorete conta que, quando iniciaram as atividades ligadas ao projeto em sua região, ninguém tinha claro quais casas teriam de ser demolidas. “As pessoas não sabiam se iam sair ou se seriam beneficiadas.” De acordo com moradora, a prefeitura foi convencendo os moradores a assinar os papéis e a pegar o cheque oferecido, de R$ 5.600. “Quando fizemos manifestação, fechamos a avenida, alguns conseguiram R$ 8 mil, outros, cadastro para a CDHU”, recorda-se. Para ela, a prefeitura deveria explicar o que pretende fazer e discutir com as pessoas suas necessidades para obter nova moradia. “O diálogo com as comunidades e o respeito às pessoas são tão fundamentais quanto o investimento em saneamento, parques e recuperação das margens e áreas verdes.”

O diálogo está ausente também em outros setores. Em Cidade Tiradentes, bairro tão grande e populoso que faz jus ao nome, há muita vegetação nativa, mas poucas praças e parques. Na avenida dos Metalúrgicos concentram-se equipamentos como Centro Educacional Unificado (CEU), hospital, pontos de cultura, clubes, até um pequeno mercado municipal. A perder no horizonte, conjuntos habitacionais e moradias populares. Tito, do Núcleo Cultural Força Ativa, atuante na região, afirma que hoje o CEU – pensado na gestão da prefeita Marta Suplicy para ser um centro de atividades esportivas e culturais à disposição da comunidade – está ao deus-dará. Apesar de a cidade ter dobrado o número de unidades desde o início de 2005, o público das atividades culturais despencou, por falta de diálogo e de política para elas. “A piscina está vazia, o sol a pino, a molecada em casa. Aí invade, dá confusão”, diz. “A grande preocupação do CEU kassabiano é a polícia, não os instrutores, a linha política, a visão de cultura. Em termos de educação e cultura, não há diferença entre escolas de lata e CEUs”, lamenta Tito.

Não bastasse a descaracterização dos CEUs, a situação não foi melhor em creches e Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis). Em 2004 havia 44.796 crianças nas creches diretas (administradas pela prefeitura), 27.526 nas indiretas (apenas construídas pela prefeitura) e 40.344 nas particulares conveniadas. Em 2009, as diretas abrigavam 43.198 crianças e as indiretas e conveniadas, 114.829. No último ano de Celso Pitta, em 2000, as Emeis disponibilizavam 208 mil matrículas. Em 2004, final do governo Marta, 275.875. E, em 2009, 268.048. Estima-se que entre 35 mil e 45 mil crianças não estejam nas Emeis por falta de vagas.

Trabalho esvaziado
O Orçamento da administração direta aprovado em 2004 ficou em R$ 14,3 bilhões de reais, dos quais foram empenhados R$ 13,2 bilhões. Em 2009, chegou a R$ 24,1 bilhões. Apesar do substancial aumento, um dos setores nevrálgicos da administração viu despencar seus valores na gestão Kassab: a Secretaria do Trabalho. Chamada anteriormente de Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento e Solidariedade, a pasta então comandada pelo economista Marcio Pochmann, hoje presidente do Ipea, foi um dos destaques da gestão Marta. Em 2004, teve empenhados R$ 190 milhões. Para 2008, o Orçamento previa R$ 137 milhões para a secretaria, mas menos de R$ 40 milhões foram empenhados. Em 2009, destinava R$ 127 milhões, depois atualizados para R$ 130 milhões. Mas até 15 de dezembro apenas R$ 28 milhões haviam sido liquidados.

E as políticas de geração de emprego e renda nas regiões mais vulneráveis à pobreza – responsáveis por sensíveis melhoras nos indicadores de violência em anos anteriores – parecem continuar fora dos planos da gestão Kassab. No Orçamento 2010, a previsão para a Secretaria do Trabalho é de somente R$ 103 milhões. A se repetir o “hábito” de usar menos de 25% do planejado, como nos dois últimos anos, a expectativa
para os programas sociais é ainda mais desoladora do que o Orçamento permite prever.

Matéria publicada originalmente na Revista do Brasil
Lido na Carta Maior

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Kassab fala. Mas nunca diz nada!

Kassab é daquele tipo de pessoa que fala e não diz nada. 
Observe que seu discurso é sem conteúdo e nunca, nada do que diz esclarece qualquer coisa. 
É uma conversa de doido, onde um pergunta "batata" e o outro responde "tijolo".

Abaixo reproduzo uma parte de entrevista concedida por ele falando sobre "gestão e crise" que lí num post do Viomundo. E tente depois da leitura tirar alguma conclusão.

Bate papo com Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo

O que fazer para gerir um município neste período de crise?
É muito importante o estabelecimento de prioridades para que as pessoas não sofram necessidades por conta da crise. As prioridades devem sempre estar associadas para o campo social, na educação, na saúde, na assistência social. Para que a gente possa com menos recurso fazer o melhor possível com as pessoas mais carentes.

Os que mais sofrem são os municípios pequenos...
É importante haver uma integração de esforços dos governos estaduais e federal para que possa haver alternativa de recurso, sem aumentar a carga tributária, mas com transferência compatível com as necessidades básicas dos municípios, em especial os pequenos municípios.

O senhor vê alternativas para os pequenos municípios evitarem o agravamento da crise?

Repasses de outras formas sem aumentar a carga tributária, de parte dos Governos federal e estaduais.

Qual o grande desafio de quem administra uma cidade como São Paulo?

O maior desafio é você, com poucos recursos, superar as imensas dificuldades que temos, principalmente no campo social, na saúde e educação. Infelizmente, os investimentos nas últimas décadas não foram compatíveis com o que uma cidade da dimensão de São Paulo precisa. No momento em que a arrecadação baixa nós não podemos baixar o padrão da saúde e educação.

Por que a reforma tributária ainda não saiu?
A reforma tributária é fundamental. Nossa expectativa é que tenhamos no próximo governo não mais o seu adiamento. O presidente Lula não fez a reforma tributária e isso foi um grave erro da sua gestão. E até para ser justo o presidente Fernando Henrique também não fez a reforma tributária. E isso (a reforma) está se tornando inadiável. Espero que possamos ter na próxima gestão a reforma tributária.

Ao adiar reforma tributária, o presidente estaria evitando o embate entre os governadores do Nordeste e do Sudeste?

Acredito que sim. Mas eu não tenho preocupação em relação a isso (esse embate entre governadores).

O senhor cogita possibilidade de renunciar a Prefeitura para disputar o pleito de 2010?

Não. Continuarei na prefeitura.

FONTE: Viomundo

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Fome em SP: a gestão Auschwitz de Serra-Kassab

"crianças comem demais"


Mauro Carrara

Prefeitura paulistana paga R$ 0,76 por refeição para órfãos e abandonados


A política de racionalização de recursos na gestão Serra-Kassab faria inveja a Heinrich Himmler, bem como aos administradores diretos de Auschwitz: Rudolf Höss, Artur Leibehenschel e Richard Baer.
A ideia é sustentar a massa humana com migalhas. A ordem é gastar o mínimo com comida nos reformatórios e albergarias destinados aos excluídos.
A incompetência e a insensibilidade atingiram tal ponto em São Paulo que até os subprodutos da mídia monopolista são obrigados a noticiar os abusos e as indecências da dupla dinâmica.
Reportagem do "Agora", de 04/02/2010, assinada por Adriana Ferraz, mostra que Kassab reduz merenda de crianças carentes acolhidas por entidades sociais.
A cinco refeições do dia deverão ser adquiridas com mínimos R$ 3,80 na mais rica cidade da América Latina.
Segundo o capataz Gilberto Kassab, essa é a quantia necessária para se garantir a sobrevivência de uma criança ou de um adolescente, órfão ou em situação de risco, nos abrigos do município.
O jornal informa que desde 1o. de Janeiro a prefeitura deixou de entregar a merenda nas unidades e anunciou que cada uma terá de se virar com os míseros R$ 2.289 mensais. Cada uma atende, em média, a 20 menores.
A mudança foi imposta pela Secretaria Municipal da Assistência Social, responsável pela gestão dos convênios.
Até dezembro de 2009, as entidades recebiam da Prefeitura um lote mensal de alimentos, que incluía arroz, feijão, carne, frutas e verduras.
O abrigo Madre Mazzarelo, por exemplo, gastou em Janeiro R$ 5.900 em itens de alimentação, valor muito maior que o oferecido pelo alcaide.

Kassab: "crianças comem demais"
As creches também sofrem com a insensibilidade do gerente de Serra em São Paulo.
O dublê de SS no poder já tentou até mesmo cortar a quantidade de alimento oferecida em creches municipais.
Em Setembro de 2009, a Secretaria Municipal de Educação pediu aos pais de alunos que decidissem qual refeição sairia do cardápio: o café da manhã ou o jantar.
Na época, a prefeitura justificou a medida com outro disparate, a redução da carga horária de 12 para 10 horas.
Na época, os jornais, como o Agora, tiveram de noticiar a insensibilidade do prefeito. Para ele, as crianças simplesmente comiam demais...

A repercussão foi péssima e Kassab teve de voltar atrás.
Enquanto isso, não falta dinheiro para os caprichos tucanos, como a Calçada da Fama (lama), em Santa Cecília, cujas estrelas inaugurais foram destinadas a homenagear Geraldo Alckmin e o próprio José Serra.
Vale lembrar que Kassab corta radicalmente os valores destinados ao setor social justamente num momento de alta na arrecadação municipal.
A receita cresceu 3,5% em 2009.
FONTE: Blog Grupo Beatrice
Sugestão: que o Ministério Público faça Kassab e Serra sobreviverem com R$ 3,80 por dia. Caso suportem a provação, que se mantenha o valor. A Auschwitz paulistana aguarda o teste.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Água é para fazer a limpeza do mundo e dos imundos

Conheci em 1992 por força de circunstâncias profissionais, um cidadão muitíssimo boa gente, da classe média branca de olhos azuis de São Paulo, morador da parte nobre do bairro do Tatuapé para onde se mudou depois de seu divórcio. Deixou a mansão do Pacaembu para a ex-mulher e os filhos. Me lembro que naquela época ele era um fervoroso ativista e colaborador da candidatura de Paulo Maluf para a prefeitura de São Paulo e ainda do comitê de campanha do vereador Toninho Paiva da Zona Leste.

Depois de eleito Paulo Maluf para a prefeitura, esse cidadão foi empossado "Administrador Regional", como eram chamados naquela época os atuais "sub-prefeitos", para a Regional do Aricanduva.
Então vieram as primeiras chuvas e os alagamentos no Aricanduva (tão habitual naquela região no verão) e com eles o cargo de Administrador Regional também foi por água abaixo.
Hoje ele está totalmente afastado do ativismo político e somente cuida de seu patrimônio pessoal e seus orquidáreos espalhados por cidades próximas de São Paulo.

Quando há dois anos, foi eleito o "Poste" para prefeito e em meio á euforia do PIG pelo sucesso da dupla Batman&Robin em São Paulo - SP, recordei desse cidadão e me dei conta de que, assim como ocorreu com a Dona Marta (como o Kasságua ama chamá-la), seria só o tempo de esperar a natureza colocar as coisas em seu devido lugar de maneira natural, que a euforia do PIG e eleitores pela competência da dupla iria por água abaixo. E que cabeças rolariam de uma hora prá outra.
Mas juro que não imaginava que os (in)competentes não estavam fazendo o dever de casa como por exemplo a limpeza dos córregos e rios. Ainda mais assistindo massivamente as peças publicitárias exibidas na telinha sobre o projeto "córrego limpo". Coisa linda, pena que não condiz com a realidade.

A natureza trata de colocar em ordem de maneira sutil, aquilo que "espertos" tratam de esculhambar.
E nada como a água para fazer a limpeza das sujeiras do mundo e dos imundos!

Abaixo segue post de Eduardo Guimarães:

Por que São Paulo alaga
 
Está havendo uma ocultação criminosa de um fato inquestionável: a grande São Paulo (região que inclui a capital paulista e várias cidades limítrofes) está se afogando em água e excrementos, dezenas de pessoas estão morrendo, prejuízos econômicos incalculáveis estão ocorrendo a cada dia em razão de medidas – ou de falta de medidas – do governador do Estado e do prefeito da capital.
As informações que corroboram a assertiva acima foram divulgadas publicamente pelo site do jornalista Luiz Carlos Azenha através de trabalho memorável da também jornalista Conceição Lemes, que se dispôs a navegar de barquinho pelo infecto rio Tietê para saber o que de fato está acontecendo com uma obra de mais de um bilhão de reais, financiada com os impostos daqueles que estão vendo suas casas submergirem em incontáveis partes da região metropolitana de São Paulo.
Apesar disso, há um outro processo igualmente criminoso sendo empreendido pelas tevês abertas e pelas rádios e jornais paulistanos. Globo, Bandeirantes, SBT, Rede TV, Gazeta, Folha de São Paulo, Estadão, revista Veja, rádio CBN, rádio Eldorado, os portais de internet UOL, IG e G1, bem como muitos outros veículos, tentam, desesperadamente, vender a idéia de que essa catástrofe está acontecendo em São Paulo por culpa de São Pedro.
É mentira. Não existe nenhuma catástrofe natural em andamento. Com as medidas corretas, seria perfeitamente viável São Paulo não se afogar em água cheia de merda até nos bairros chiques de madames que, com imprensa amiga dos autores da proeza e tudo, já dizem que não votarão mais em Serra ou em Kassab “nem mortas”.
As razões pelas quais está acontecendo esta calamidade que milhões – eu disse MILHÕES – de paulistas estão vivendo está bem explicada na representação que o Partido dos Trabalhadores apresentou ao Ministério Público de São Paulo. Simplesmente as autoridades paulista e paulistana reduziram irresponsavelmente as verbas para ações do poder público que poderiam ter evitado o que está acontecendo.
Essa história de que supostamente está caindo do céu, exclusivamente em São Paulo, a maior quantidade de água desde o Dilúvio bíblico, e de que não haveria ações do poder público que evitariam o desastre, é mentirosa. E nenhum técnico respeitável dirá o contrário.
Haveria o que ter sido feito nos últimos cinco anos, sim. Não foi feito por redução de investimentos nas obras necessárias com concomitante aumento das verbas de publicidade oficial dos governos da capital e do Estado de São Paulo.
Essa é a verdade. Há pareceres técnicos de renomados especialistas que explicam didaticamente por que está acontecendo esta tragédia em São Paulo. Enquanto isso, a imprensa, que deveria estar ao lado da população, trata de acobertar os autores dessa tragédia.
Confio na verdade e na justiça. Senão nas dos homens, nas de Deus. Esses irresponsáveis que causaram todo esse sofrimento pagarão por seus crimes. Acredito que uma luz se fará sobre as mentes obscurecidas e dopadas dos paulistas e estes enxergarão como têm sido manipulados por meia dúzia de meios de comunicação tão culpados quanto os políticos que protegem.

Fonte: Cidadania.com

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

São Paulo: Porque 57% deixariam a cidade

Abaixo reproduzo post do Viomundo que explica em parte o sentimento da população e mostra claros motivos pelos quais, mais da metade dos paulistanos tem o desejo de deixar a cidade.
Em plena era da informação torna-se cada vez mais difícil manipular corações e mentes, mesmo que teóricos das relações humanas, desprovidos de inteligência, imaginem o contrário e sejam seguidos por déspotas como os que acabam com São Paulo, capital e estado há muito tempo.
Que raio de povo inteligente é esse que bota no comando de suas vidas políticos da estirpe de um Quércia, Fleury, Maluf, Pitta, Serra e Kassab?
Que sadomasoquismo é esse que permea os corações dessa população que tanto se orgulha de viver na locomotiva do país?

Kassab, a grande obra de Serra

Política
Tragédias do marketing

Resultados de campanhas publicitárias que fizeram o eleitor acreditar no que não viu, as gestões de Kassab, principal obra de Serra em São Paulo, apostam na propaganda e desprezam o combate às desigualdades, único meio de melhorar a metrópole

Por: Antonio Biondi e Marcel Gomes, na
Revista do Brasil

Publicado em 20/01/2010


O catador de papelão Francisco Oliveira de Lima, de 45 anos, morreu durante o sono no último dia 8 de dezembro. Foi soterrado pela lama que deslizou sobre sua casa, em uma área de risco no Jardim Elba, zona leste de São Paulo. Nem ele, nem ninguém tem culpa de ter caído naquela única noite um terço da chuva esperada para o mês inteiro. Mas ficou evidenciado que a cidade de São Paulo nunca esteve tão despreparada para prevenir ou minimizar tragédias decorrentes da triste combinação de intempéries com ocupação urbana desordenada. E áreas de conhecido risco acabam mais expostas com a inversão das prioridades na administração pública.

Duas semanas depois, algumas áreas da zona leste ainda estavam submersas, e a população, sujeita a contaminações. Em algumas áreas alagadas a água da chuva se misturava a esgoto não tratado por problemas de bombeamento de uma estação da Sabesp, a empresa de saneamento do estado.
E isso não é obra da natureza. Colado nos passos do governador José Serra (PSDB), de quem herdou a prefeitura, o governo de Gilberto Kassab (DEM) passa ao largo das questões em que a cidade é mais carente e frágil. De 2006 a 2009 a prefeitura cortou R$ 353 milhões em ações de combate a enchentes.
Dados da liderança do PT na Câmara dos Vereadores mostram que, em vez de executar R$ 1,1 bilhão previstos para essa finalidade nos últimos quatro anos, o democrata utilizou R$ 751 milhões. Nesse mesmo período, empenhou R$ 216 milhões para dar publicidade a outros “feitos”.

O descaso assemelha-se à inépcia dos investimentos feitos pelo governo do Estado ao longo de mais de 20 anos para conter as enchentes do rio Tietê. Em 2009, Serra deixou de gastar R$ 114 milhões nas obras de desassoreamento da bacia do Tietê. E o Orçamento de 2010 prevê um corte de outros R$ 51 milhões para ações antienchentes.
O Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, responsável pelas obras da calha do Tietê, terá R$ 42 milhões subtraídos dos seus investimentos. Na capital, o prefeito utilizou menos de 8% dos R$ 18,4 milhões previstos no Orçamento de 2009 para a construção de piscinões, que poderiam amenizar os efeitos das enchentes. E gastou R$ 80 milhões em publicidade.
Para 2010, a equipe de Kassab prevê R$ 25 milhões para obras e gerenciamento de áreas de risco, um quinto do que pretende destinar a publicidade – R$ 126 milhões, novo recorde na história da cidade. Repetem-se no município as práticas de Serra, que este ano separou R$ 561 milhões para a rubrica comunicação. Em 2006, último ano antes de Serra, o estado despendeu em publicidade R$ 37 milhões.

Ônibus lotado


A gastança tem objetivos. Kassab trabalha com a possibilidade de suceder Serra no governo do Estado. Nessa hipótese, também abandonaria a prefeitura antes do fim do mandato. Isso enquanto estiver nos planos do governador manter-se na briga pela sucessão de Lula – porque o temor da derrota já faz sua desistência ser cogitada. Na mesma toada, Serra abusa da verba publicitária para promover seu governo. Pois a opção, se desistir do Planalto, será tentar a reeleição. E, aí, interessa também a prefeitura sair bonita na foto, já que sua obra mais concreta foi ter deixado a cadeira para Kassab.
Mesmo que o casamento não vá muito longe (o democrata já vê cara feia por parte de setores do PSDB), a lama da capital tende a espirrar na campanha tucana. Assim, a principal preocupação da dupla, que já conta com a omissão da mídia – pois não se vê notícia ruim sobre eles –, é a construção da imagem.
Só não se sabe até que ponto o marketing competente que criou o Kassabinho de brinquedo bastará para fazer frente à desconfiança crescente da população. Impostos mais altos, privatizações e corte nos gastos com saúde e nas vagas de escolas e creches, falta de investimento em transporte coletivo, trânsito caótico, déficit de moradias, ausência de participação popular, coleta de lixo deficiente, abandono da população de rua, desmantelamento da Guarda Civil Metropolitana são apenas alguns carimbos da gestão.

A reportagem da Revista do Brasil fez um giro por todas as regiões de São Paulo, conversou com moradores, parlamentares e especialistas, e apurou que a cidade não carece somente de verbas, mas de rumo. A assessoria de imprensa da prefeitura não respondeu aos questionamentos sobre os problemas levantados. Os argumentos da administração foram extraídos do site da prefeitura e de depoimentos a outros veículos.

Prá inglês ver


Segundo o cientista político José Paulo Martins Jr., professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, as discrepâncias entre o proposto e o executado fazem do Orçamento municipal uma peça de ficção, e não há nenhum controle social sobre os gastos. “Os políticos fazem o que bem entendem, exercem o Orçamento de acordo com seus interesses”, aponta.
Em 2009, por exemplo, foram previstos R$ 90 milhões para o início da construção de três hospitais: na Brasilândia, em Parelheiros e na Vila Matilde. Apenas R$ 43 mil foram gastos (na sondagem do terreno da Brasilândia). A saúde ainda é um dos setores mais carentes da cidade.

A administração aposta no papel das Organizações Sociais (OSs) na gestão do setor, o que precariza o atendimento e reduz a pó os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), de universalidade, integralidade e equidade. Em hospitais entregues à administração de entidades religiosas existe até a denúncia de que são proibidos procedimentos de planejamento familiar, como laqueadura e vasectomia.
Quanto à aposta da prefeitura nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), especialistas e técnicos do setor afirmam que, por um lado, o novo equipamento pode trazer aspectos positivos, como a resolução imediata de alguns problemas, além de aperfeiçoar a triagem dos pacientes. Por outro, peca por apresentar integração frágil com as demais unidades de atendimento do SUS. Muitas vezes, o paciente tem de ir da AMA para o hospital, ou voltar para um posto de saúde (UBS). A falta de continuidade – que leva ao enfraquecimento de ações como o Programa Saúde da Família – é outro problema. 

No Conselho Municipal de Saúde, que define as políticas do setor, as disputas paralisaram por meses os trabalhos dos conselheiros. Reuniões são feitas sem a presença dos representantes da prefeitura, decisões foram desrespeitadas e conselheiros eleitos, não empossados.
Os usuários, por exemplo, viram questionada a eleição de seus representantes pelo próprio secretário municipal de Saúde, que preside o conselho. Maria Cícera de Salles, representante dos usuários, avalia que a gestão atual da prefeitura “não quer o povo opinando, nem quer controle social”. Situação idêntica se dá no Conselho Estadual.
Desigualdade

Estima-se que existam 20 mil moradores de rua na capital. O número praticamente dobra em relação a 2003, quando o mesmo estudo constatou que essa população era formada por 10.400 pessoas. Os dados estão num censo dos moradores de rua feito pela Fundação Instituto de Pesquisas (Fipe) da USP.
Contribuíram para esse quadro a mudança na política de assistência social e o fechamento de albergues. Uma pesquisadora do censo, que não quis se identificar, afirmou que o cenário de abandono nos pontos centrais da cidade é chocante: “Ninguém conhece a realidade dessas pessoas, a mídia não mostra. Os moradores reclamam do fechamento de albergues e dizem que são levados de um lado a outro pelas peruas do São Paulo Protege. Mas não há política de inclusão. Eles têm consciência disso, mas não têm como reagir”.

A análise pode ser reforçada também pelo fechamento da Boraceia, estação coletora de lixo reciclável, reconhecida pela ação reintegradora da população de rua. Ali, os catadores tinham abrigo até para seus cachorros. O projeto e 15 outras estações coletoras foram encerrados. Faz parte da linha higienista imposta à região central.
Assim como a evacuação dos prédios São Vito, Prestes Maia e Mercúrio, que simbolizavam a resistência e a chance de as classes mais pobres viverem no Centro – mediante um projeto de recuperação dos imóveis para posterior inclusão em política habitacional que já não existe. Hoje, na avaliação da prefeitura, o projeto de revitalização do Centro vai criar investimentos, empregos, melhorias e moradias.
Nesse sentido, a valorização da região do Mercado Municipal é estratégica, e os prédios populares na área devem dar lugar a estacionamentos. Selma Maria de Andrade morou 24 anos no Mercúrio. Ela conta que as famílias eram unidas e viviam perto de tudo. “Na primeira ordem de despejo, a polícia veio, minha perna bambeou, a vista escureceu, chorei, me senti humilhada”, lembra-se. “Teve gente que saiu apavorada, até saiu da cidade. Outros nem têm como alugar imóvel, porque a imobiliária acha que não vão pagar o aluguel.”
Paulo Garcia, diretor da Associação dos Comerciantes do Bairro da Santa Ifigênia, integra um dos grupos que resistem às propostas do prefeito de realizar uma concessão urbanística de um bairro inteiro, na região da Luz. Para a prefeitura, o projeto geraria uma transformação importante para o Centro e para o restante da cidade. “Para aprovarem esse novo projeto, fizeram uma campanha contra a região, como se ali só tivesse drogado e contrabandista”, acusa Garcia. Segundo o diretor, o prefeito Kassab não fala com a associação: “Ele está blindado pela mídia e por grandes gastos publicitários”.

Longe do Centro, a desatenção à questão da moradia não é diferente. A construção em sistema de mutirão, apontada por especialistas como uma das formas mais baratas e indicadas para enfrentar o déficit habitacional, apresentou queda de 75% entre 2004 (R$ 22,4 milhões) e o Orçamento de Kassab (R$ 5,8 milhões) para 2010.
Estelionato

Em 2008, imagens de Kassab entregando a Serra cheques gigantes estamparam jornais e campanhas. Um de R$ 200 milhões em março e outro de R$ 198 milhões às vésperas da eleição municipal. Os cheques “simbolizavam” partes do R$ 1 bilhão que a prefeitura investiria na expansão do metrô naquele ano.
Outro bilhão seria repassado até 2012. Mas a verba não chegou por inteiro nem há garantia de que chegará. Naquele ano, a verba transferida para a Linha 5 - Santo Amaro não alcançou a metade da prometida. E em 2009 a prefeitura previa destinar R$ 218 milhões para a expansão do metrô, mas só repassou R$ 50 milhões, e agora em dezembro. Para 2010 estão previstos somente R$ 5 milhões.

O teatro não para nos repasses parciais. A prefeitura ainda transferiu para o Metrô a continuidade do corredor Expresso Tiradentes, o trecho do velho fura-fila que irá da Vila Prudente a Cidade Tiradentes.  O combate às desigualdades em São Paulo certamente tem nos investimentos em transporte coletivo um elemento central.
Mas a prefeitura pretende investir cerca de R$ 4,4 bilhões em obras viárias nos próximos anos, priorizando a circulação de automóveis. O recurso daria para cerca de 20 quilômetros de metrô. Não é à toa que a velocidade média do tráfego nas horas de pico, que já foi de 27 km/h em 1980, hoje está em 17 km/h.

Não se deu continuidade à expansão dos corredores de ônibus. A SPTrans, responsável pela gestão do transporte por ônibus, foi contemplada com R$ 1,35 bilhão no Orçamento aprovado para o ano passado. Na prática, o valor caiu R$ 110 milhões. E para 2010 a proposta enviada aos vereadores prevê R$ 1,07 bilhão. Uma queda de R$ 280 milhões em um ano.
O descompasso é prejuízo certo para a cidade e põe em xeque metas fixadas para 2012, por uma lei de 2002. Para tentar não ficar muito longe do que estabelece o Plano Diretor Estratégico, Kassab encaminhou duas medidas à Câmara dos Vereadores. A primeira, uma proposta de reforma do Plano, que ainda nem sequer foi regulamentado.
“Antes de fazer uma revisão, é preciso cumprir o que estava escrito”, afirma o empresário Oded Grajew, um dos coordenadores do movimento Nossa São Paulo. A segunda, o pedido de aumento no IPTU de boa parte dos imóveis da capital a partir de 2010, com o objetivo de faturar mais R$ 564 milhões com o imposto, o que lhe rendeu o apelido de “Taxab”.
Falta diálogo

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, atualmente cerca de 1,3 milhão de pessoas vivem em mais de 1.600 favelas. Essa população tem crescido a taxas de quase 4% ao ano. A administração considera que os programas de urbanização de favelas e revitalização dos mananciais são essenciais, e os benefícios – ambientais, sociais, de saúde e até de turismo e lazer –, muitos maiores que os problemas.
Maria Gorete Barbosa, moradora do Parque Cocaia desde 1989, enfrentou em 2009 meses de grande preocupação, diante do projeto de revitalização da Billings, de Guarapiranga e outros mananciais. O projeto receberá aportes do município, estado e União que somam quase R$ 1 bilhão. E muitas famílias terão de deixar suas casas.
Gorete conta que, quando iniciaram as atividades ligadas ao projeto em sua região, ninguém tinha claro quais casas teriam de ser demolidas. “As pessoas não sabiam se iam sair ou se seriam beneficiadas.” De acordo com moradora, a prefeitura foi convencendo os moradores a assinar os papéis e a pegar o cheque oferecido, de R$ 5.600. “Quando fizemos manifestação, fechamos a avenida, alguns conseguiram R$ 8 mil, outros, cadastro para a CDHU”, recorda-se.
Para ela, a prefeitura deveria explicar o que pretende fazer e discutir com as pessoas suas necessidades para obter nova moradia. “O diálogo com as comunidades e o respeito às pessoas são tão fundamentais quanto o investimento em saneamento, parques e recuperação das margens e áreas verdes.”
O diálogo está ausente também em outros setores.
Em Cidade Tiradentes, bairro tão grande e populoso que faz jus ao nome, há muita vegetação nativa, mas poucas praças e parques. Na avenida dos Metalúrgicos concentram-se equipamentos como Centro Educacional Unificado (CEU), hospital, pontos de cultura, clubes, até um pequeno mercado municipal. A perder no horizonte, conjuntos habitacionais e moradias populares.
Tito, do Núcleo Cultural Força Ativa, atuante na região, afirma que hoje o CEU – pensado na gestão da prefeita Marta Suplicy para ser um centro de atividades esportivas e culturais à disposição da comunidade – está ao deus-dará. Apesar de a cidade ter dobrado o número de unidades desde o início de 2005, o público das atividades culturais despencou, por falta de diálogo e de política para elas. “A piscina está vazia, o sol a pino, a molecada em casa. Aí invade, dá confusão”, diz.
“A grande preocupação do CEU kassabiano é a polícia, não os instrutores, a linha política, a visão de cultura. Em termos de educação e cultura, não há diferença entre escolas de lata e CEUs”, lamenta Tito. Não bastasse a descaracterização dos CEUs, a situação não foi melhor em creches e Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis).
Em 2004 havia 44.796 crianças nas creches diretas (administradas pela prefeitura), 27.526 nas indiretas (apenas construídas pela prefeitura) e 40.344 nas particulares conveniadas. Em 2009, as diretas abrigavam 43.198 crianças e as indiretas e conveniadas, 114.829. No último ano de Celso Pitta, em 2000, as Emeis disponibilizavam 208 mil matrículas. Em 2004, final do governo Marta, 275.875. E, em 2009, 268.048. Estima-se que entre 35 mil e 45 mil crianças não estejam nas Emeis por falta de vagas.
Trabalho esvaziado

O Orçamento da administração direta aprovado em 2004 ficou em R$ 14,3 bilhões de reais, dos quais foram empenhados R$ 13,2 bilhões. Em 2009, chegou a R$ 24,1 bilhões. Apesar do substancial aumento, um dos setores nevrálgicos da administração viu despencar seus valores na gestão Kassab: a Secretaria do Trabalho.
Chamada anteriormente de Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento e Solidariedade, a pasta então comandada pelo economista Marcio Pochmann, hoje presidente do Ipea, foi um dos destaques da gestão Marta. Em 2004, teve empenhados R$ 190 milhões.  Para 2008, o Orçamento previa R$ 137 milhões para a secretaria, mas menos de R$ 40 milhões foram empenhados.
Em 2009, destinava R$ 127 milhões, depois atualizados para R$ 130 milhões. Mas até 15 de dezembro apenas R$ 28 milhões haviam sido liquidados. E as políticas de geração de emprego e renda nas regiões mais vulneráveis à pobreza – responsáveis por sensíveis melhoras nos indicadores de violência em anos anteriores – parecem continuar fora dos planos da gestão Kassab.
No Orçamento 2010, a previsão para a Secretaria do Trabalho é de somente R$ 103 milhões. A se repetir o “hábito” de usar menos de 25% do planejado, como nos dois últimos anos, a expectativa para os programas sociais é ainda mais desoladora do que o Orçamento permite prever.

Fonte: Viomundo

domingo, 31 de janeiro de 2010

Sou Anti-PT, pronto e acabou!

Navegue livremente por sites de notícias do esquadrão do PIG e depois de algumas matérias, mesmo as que não sejam tão claramente tendenciosas, e observe o nível de comentários dos leitores anti-lulistas ou anti-petistas ou anti-sei lá o quê.
Não há necessidade de ser um comentário dos seguidores do Tio Rei nem do Nardi.
Pode ser de qualquer outro, desde que seja em veículos do PIG.

Normalmente a fala vem carregada de preconceito, de racismo, de facismo, de superioridade, de separatismo e de indignação. Muitas vezes chega ao ponto de você se perguntar se tem alguém que pensa mesmo daquela maneira. Imagine-se convivendo com um ser humano assim próximo de você, seja na faculdade, no condomínio ou no seu trabalho? Será que isso explica ataques xenófobos ou racistas justamente num país tão mesclado de povos e culturas como o nosso?

Como diria uma grande amiga psicóloga:
Existe tantos neuróticos aqui fora que se estivessem do lado de dentro de um manicômio, sem dúvidas não sairiam jamais...

Abaixo comentário num PIG que trazia uma charge sobre Serra e Kassab e as enchentes de São Paulo.
p.s. Juro que estranho muito esse PIG estar detonando a "dupla de gestores" (mesmo que de leve) nos últimos dias....

Comentário: (Rio do Sul - SC)
"A ordem para achincalhar e emporcalhar o governador José Serra, e em menor escala o prefeito Gilberto Kassab, partiu do comando maior da comunistralha petista, durante a semana que passou. Desmentidos em sua anterior tentativa de comparações entre o competentíssimo governo FHC e a sombra lulática mal enjambrada dele, pelos números apresentados até em foros internacionais como o Fórum Econômico Mundial de Davos, a canalha petralha passou a massificar suas caganças em cima das consequências dos 37 dias chuvosos que São Paulo já teve, só de meados de dezembro de 2009 para cá, registrando a maior marca histórica desde que se fazem medições. Na cabeça insana dos comandantes da esbórnia, haveria resultados eleitorais na exploração das tragédias meteorológicas. A Al Qaeda eletrônica dos tontos macaCUTes do blog foi instruída para agir conforme a determinação da cúpula, de modo que nem adianta contestar a esbórnia aqui no blog. Ela é paga apenas para repetir insanidades maiores. Vão danar-se..."


Pois é, se levar para uma consulta, sem dúvidas que não sai mesmo...

PROPAGANDA: O MODO DEMOTUCANO DE GOVERNAR

Blog Democracia e Política:

"Para Kassab é tudo pela propaganda

Os quadros publicados pela revista Época são significativos da prioridade número um de Kassab. Publicidade e propaganda têm verbas equivalentes à soma de todo o dinheiro previsto para construção de piscinões, corredores de ônibus, obras de emergência contra enchente, para áreas de risco e construção, ampliação e reforma de equipamentos para saúde.

É significativo também o montante em dinheiro alocado à propaganda na prefeitura de Kassab, quando comparado com os gastos federais e estaduais. Kassab gasta proporcionalmente 11 vezes a mais em publicidade que o governo federal e o dobro do que gasta o próprio Serra (o que já é mais que o triplo do gasto federal em publicidade!).

A cada R$1.000 do orçamento, são gastos por Kassab em publicidade R$4,55. Serra gasta em propaganda R$1,62 e o governo federal R$0,40. Os dados são da revista Época."

Essa é Minha Opinião: Talvez isso explique e deixe muito claro os motivos desta dobradinha admnistrativa mal fadada de São Paulo ser tão acobertada pelo PIG. É dinheiro que não acaba mais nos cofres da Mídia Golpista! Lamentável...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Folha: Obra em Córregos não Reduz Enchentes

Fico feliz em constatar que a Folha de São Paulo está trazendo um mínimo de informações realistas aos seus leitores sobre a catástrofe que assola a Capital devido as chuvas. Porém estranho muito que apenas a Prefeitura seja citada e que o candidato á presidente da república seja poupado. 

Folha:
Após reformas feitas pela prefeitura, locais continuam alagando; outros, que não inundavam, passaram a transbordar
A Folha visitou 13 córregos que foram reformados e encontrou problemas em dez deles; em caso mais grave, obra estreitou o rio
Leonardo Wen/Folha Imagem
Criança em parque ao longo do córrego Cruzeiro do Sul-Mirim, na zona leste de São Paulo; canalização não dá conta do volume de água

TALITA BEDINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

Córregos reformados pela Prefeitura de São Paulo na gestão Gilberto Kassab (DEM) com o objetivo de reduzir as inundações não ajudaram a resolver o problema das enchentes. A Folha visitou 13 obras recentes do projeto Córrego Limpo, feito em parceria com a Sabesp, e constatou que, em alguns locais, a situação até piorou: casas que antes não alagavam agora passaram a inundar.

Para a urbanista que estuda políticas públicas para rios, Luciana Travassos, projetos têm pouco verde e muito concreto. Canalização da água também favorece as enchentes, diz.
O córrego Rio das Pedras, na Capela do Socorro (zona sul), ficou mais estreito no ano passado para dar lugar a um parque com pouco verde e muito concreto. O parque deveria funcionar como área de lazer e "barrar" a água do córrego que eventualmente transbordasse.
Mas agora, quando chove mais forte, ele não suporta toda a água, que invade as casas. "Nunca vi isso aqui. Desde que eles diminuíram o córrego, alaga sempre", diz Geraldo Egídio, 54, que tem um bar na rua Virgínia Maria da Conceição -um dos 68 novos pontos de alagamentos divulgados pela Folha no início deste mês.
Só em janeiro, quando houve recorde de chuvas fortes, os imóveis da rua inundaram seis vezes - a última no sábado.

Na zona leste, campeã de chuvas no ano passado, as obras do córrego Cruzeiro do Sul-Mirim (em São Miguel Paulista) também estão prejudicando a população. Uma parte dele foi canalizada, mas a tubulação não dá conta durante as chuvas mais intensas e a água vaza, com muita força, por tampas que ficam nas calçadas.
A área no entorno do córrego ganhou calçadas novas, quadras e uma pista de skate. O cheiro de esgoto também diminuiu por causa das ligações feitas pela Sabesp. Mas na chuva da última terça, a casa da fotógrafa Nadir Lima, 46, foi invadida pelas águas, que atingiram um metro de altura. Anteontem, ela decidiu aterrar a entrada da casa para deixá-la mais alta e dificultar a inundação. "Nunca houve isso aqui. Por fora está tudo lindo, mas por dentro está tudo errado", diz. "Melhor era deixar tudo aberto, que a água ia embora."

A canalização de parte do córrego do Sapé, no Butantã (zona oeste), também trouxe dores de cabeça para os moradores. O cano que passa debaixo de uma praça não aguenta a água, que agora extravasa pelas bocas de lobo. Anteontem, em uma nova enchente, o auxiliar de manutenção Fernando Pacheco, 39, fazia as contas do prejuízo causado pela chuva da última terça. "Perdemos estante, guarda-roupas, meu carro não funciona mais", listava.

Muito concreto
"A ideia de fazer parques nas margens dos córregos é muito boa. Eles têm a função de reter a água. Mas quando o parque mal tem vegetação não resolve. É como construir uma avenida", diz Luciana Travassos, ex-pesquisadora do Lume (Laboratório de Urbanismo da Metrópole), da USP, especialista em parques lineares. A canalização, diz ela, é outro problema. "O córrego vira um tubo grande embaixo da rua. Chove muito, ele enche, a água faz pressão e volta pelo bueiro."

Os bueiros também se tornaram um problema depois da reforma do córrego Ponte Rasa, em Ermelino Matarazzo (zona leste). Lá não foi feito parque, mas duas bocas de lobo que levavam a água da rua para o córrego foram tapadas. A água da calçada não consegue mais escoar e invade ruas e imóveis.
A prefeitura também tapou a saída de outro bueiro, que passava embaixo de uma casa. Resultado: o solo ruiu e levou a parte dos fundos da residência.

Dos 13 córregos visitados pela Folha, dez tinham problemas, incluindo esgoto irregular, falta de manutenção e muros de contenção baixos -tudo isso contribui para enchentes.

Fonte: Folha de São Paulo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

FBI: GILBERTO KASSAB SERÁ A BOLA DA VEZ

Lí hoje no Democracia e Política:


Arruda e José Serra Maquiavel

Do "Festival de Besteiras da Imprensa":

"Teoria da conspiração do FBI sobre o caso Arruda ganha mais uma evidência

No dia 30 de novembro de 2009, publiquei a minha teoria da conspiração sobre o caso Arruda.

Resumindo, a “detonação” do Arruda faz parte da estratégia do Serra de colocar o DEM “no seu devido lugar” e impor a chapa Serra-Aécio.

Ontem [27/01], o G1 informou que o Arruda vai processar o Noblat, por ter publicado em seu blog o seguinte:

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), anunciou na noite desta quarta-feira (27) que vai ingressar na Justiça com ações criminal e civil contra o jornalista Ricardo Noblat.

“Em seu blog, Noblat publicou na data de hoje (27/01/10) afirmação de que o Governador teria oferecido o valor de ‘R$ 4 milhões a cada deputado Distrital que vote contra o impecheament dele’, diz a nota divulgada pelo governo do Distrito Federal.”


Qual a evidência da teoria da conspiração do FBI?

O Noblat é amigo do Serra!

Ora, o Noblat jamais publicaria algo que não fosse para ajudar na estratégia do Serra.

O Noblat não escreve nada ao acaso ou por motivos meramente jornalísticos; tudo o que ele escreve tem motivação política.

O Arruda, por sua vez, sabe que foi “detonado” na estratégia serrista.

Por isso, o recado público de que vai processar o Noblat.

Na verdade, o que ele está fazendo é dizer para o Serra: 'aguarde, vai ter troco!'

Em algum momento essa história virá à tona. Enquanto ela não vem, fiquemos com as evidências, que estão cada vez mais fortes.

As evidências da teoria da conspiração do FBI: farta cobertura do escândalo, com muita imagem, pelos principais veículos das Organizações Serra; a não publicação do caso Arruda, pelos jornais de Minas Gerais – denunciada neste blog -; o silêncio do Serra após a explosão do escândalo; a renúncia do Aécio (candidato preferencial do DEM à presidência) à pré-candidatura no PSDB; e, mais recentemente, a declaração do DEM de apoio formal ao Governo Arruda.

O jogo ainda não terminou, muito sangue ainda vai rolar em baixo da ponte…

Bola da vez: Gilberto Kassab."

FONTE: publicado hoje (28/01) no blog "Festival de Besteiras da Imprensa", de Augusto da Fonseca.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Lula e as enchentes em São Paulo

Direto do Viomundo - do jornalista Luiz Carlos Azenha, íntegra do discurso de Lula em cerimônia do aniversário da cidade de São Paulo, conforme reprodução da Folha.

Atualizado em 25 de janeiro de 2010 às 22:24 | Publicado em 25 de janeiro de 2010 às 22:19
Discurso do presidente da República (conforme reproduzido na FolhaOline) em cerimônia em 25.01.2010, em São Paulo:

"Receber a medalha 25 de Janeiro me deixa muito mais do que feliz, me deixa orgulhoso. Feliz, porque entendo esta homenagem como um reconhecimento, não ao cidadão Luiz Inácio Lula da Silva ou ao presidente da República, mas aos novos tempos que vivemos hoje no Brasil. Um tempo em que o governo federal, os governos estaduais e as prefeituras e capitais, pequenas e grandes cidades se unem para trabalhar em prol daquele que é a razão de existir dos governos e dos governantes: o povo deste país.

Esta medalha simboliza o sucesso de uma parceria que está acima dos interesses políticos imediatos. Ela é mais uma prova de que não há aliados ou adversários quando o que está em jogo é a melhoria da qualidade de vida das pessoas, é o futuro de uma cidade, de um estado ou o futuro de um país.

E é assim, feliz e honrado, com reconhecimento, que quero dedicar esta medalha às diversas gerações de imigrantes que vieram de muitos países e dos mais diferentes cantos do Brasil, sobretudo do Nordeste, para ajudar a construir a grandeza desta extraordinária cidade. Da maioria deles jamais saberemos os nomes, mas é preciso ter consciência de que o concreto desta metrópole que os acolheu contém o suor de homens e mulheres que vieram de longe, deixando para trás terra natal, amigos e, muitas vezes, famílias inteiras.

Vieram como puderam, venderam o pouco que tinham, quem veio de longe, veio de navio, quem veio de perto, como eu, veio de pau-de-arara, outros vieram de ônibus... E chegaram munidos da força do trabalho e do sonho, ferramentas sem as quais São Paulo não teria se tornado o que é. Trouxeram também seus sotaques, suas manifestações culturais, seus diferentes modos de enxergar o mundo. Enriqueceram a diversidade desta grande metrópole. E assim São Paulo cresceu, não apenas do ponto de vista econômico, mas também e, sobretudo, do ponto de vista humano, e não há riqueza maior do que esta.

A verdade é que os imigrantes aprenderam a amar esta cidade, talvez por se reconhecer um pouco nas fachadas de espelhos dos edifícios modernos que ajudaram a erguer, nas indústrias que ajudaram a construir, nos comércios que ajudaram a abrir. Mas creio que eles amam esta cidade, sobretudo, porque São Paulo os recebeu com os braços abertos e se esforçou para dar a eles as oportunidades que buscavam.

Eu sou, como vocês sabem, apenas um desses imigrantes que chegaram um dia a São Paulo e aqui tiveram a oportunidade de construir uma vida digna e um futuro melhor. Aqui encontrei muitos de meus amigos e companheiros. Aqui ampliei meus horizontes, e sempre levarei comigo grandes recordações do período em que morei aqui.

É por tudo isso que hoje, mais de 50 anos depois de ter pisado pela primeira vez nas ruas da cidade, que ainda amo esta metrópole e seu povo com o entusiasmo de quem acaba de conhecê-los. Eu, meu caro prefeito Kassab, cheguei na cidade de São Paulo dia 13 de dezembro de 1952. Até então, eu tinha sete anos de idade. Não parei para morar em São Paulo, fui para Santos, onde morei até 1956 e depois retornei à capital paulista, em [19]56.

Aqui, eu fui morar na Vila Carioca, fui morar ali na frente do IBC, na rua Ouro Verde, 1.156, que dava enchente todo final de ano. Não é de hoje que dá enchente. Naquele tempo - eu trabalhava no Armazéns Gerais Columbia - a gente muitas vezes não ia trabalhar porque a Presidente Wilson enchia e, obviamente, que eu gostava porque eu não tinha que trabalhar naquele dia.

Depois eu mudei, Kassab, para um outro lugar, para me livrar da enchente, porque não era a Vila Carioca que enchia, era a Presidente Wilson. Eu me mudei para a Ponte Preta, ali, divisa da Vila Arapuá com São Caetano, ali na Vila São José. Mudei para uma casa novinha, Kassab, cheirava a tinta, isso no mês de junho. No mês de dezembro e janeiro peguei três enchentes, de entrar um metro e meio dentro de casa. E era engraçado, porque ia dando enchente, a gente ia jogando cascalho na rua e as casas iam ficando para baixo. As casas iam ficando cada vez mais para baixo da rua, e a gente fazia uma mureta, colocava uma porta de ferro, na perspectiva de que aquilo não fosse dar mais enchente. E a desgraça de uma enchente é que a outra é maior, e a água já aprendeu o caminho das pedras.

Aí, eu mudei para a Vila São José, em São Caetano, rua Padre Mororó, acho que era 148. No primeiro ano que eu mudei, meu caro Cláudio Lembo, uma enchente de um metro e meio dentro de casa. Aí eu mudei para o Jardim Patente. Sabe onde é o Jardim Patente? A parte alta, quando você vem pela Estrada das Lágrimas, que você passa a Ponte Preta, você sobe; ali é o Jardim Patente. Ali foi o primeiro lugar alto que eu morei, que não deu enchente no tempo em que eu morei.

Depois eu fui morar no Parque Bristol, na rua Verão. Era uma pirambeira de barro, que você não queira nem saber o que era. Eu me lembro que em uma campanha, Serra, de 1974, se não me falha a memória - 1974 ou [19]72 - não sei qual é o político, foi lá na Vila... no Parque Bristol, onde eu morava, na rua Verão, e colocaram uma guia, colocaram poste, e que ia arrumar. Acabaram as eleições, recolheram tudo aquilo, Serra, e nós ficamos sem a guia e sem os postes.

Foi aqui em São Paulo que eu aprendi grande parte do que eu sei hoje. Não sei muito, mas aprendi aqui em São Paulo. E eu confesso a vocês que tem poucas cidades do mundo que oferecem o que São Paulo pode oferecer, em qualquer aspecto. De vez em quando a gente lê muito sobre a violência em São Paulo, no Rio de Janeiro, e a gente tem a impressão de que não tem coisa boa, e eu sou... tenho a convicção de que São Paulo tem muito, muito mais coisa melhor do que coisa ruim, e que, muitas vezes, as coisas boas não aparecem. Tem poucos lugares que oferecem a qualidade, a quantidade e a diversidade de comida que oferece São Paulo; de oportunidades de trabalho que São Paulo oferece; de cinema que São Paulo oferece; de cultura, como um todo, que São Paulo oferece. Tem poucos lugares do mundo que oferecem isso.

Então, eu sou grato à cidade de São Paulo, sou grato à cidade de São Paulo, porque foi aqui que eu tive o meu primeiro emprego, foi aqui que eu vesti meu primeiro macacão, foi aqui que fundei um partido e, portanto, eu só tenho que agradecer a São Paulo.

Eu, Kassab, quero, em público, reconhecer minha gratidão pelo fato de você ter me condecorado com esta Medalha 25 de Janeiro. E queria, Kassab, que nós assumíssemos um compromisso de que a gente pudesse dar um presente a São Paulo. Eu dizia para o Kassab, agora a pouco, que nós precisamos - o governo federal, o governo estadual e o governo municipal - não apenas com relação a São Paulo, mas com relação às regiões metropolitanas deste país, eu acho que está na hora de a gente sentar e tentar encontrar uma alternativa definitiva para resolver o problema das enchentes, para resolver o problema da saúde, para resolver o problema do transporte e o problema da segurança.

Não é culpa do prefeito, do governador ou do presidente individualmente. Possivelmente, seja culpa de todos nós, que precisamos sentar com muito mais gente, e a gente tentar oferecer uma alternativa para melhorar a qualidade de vida desse povo, que sofre todo ano, todo ano. Pode ser o prefeito do PT, do PC do B, do PSDB, do DEM, pode ser... Todo ano vai ter enchente em São Paulo se a gente não tomar uma atitude de saber que custa caro a gente começar a mudar essa situação.

Nós vamos apresentar, agora, dia 26 de março, um novo PAC para 2011-2015, porque nós precisamos colocar dinheiro no orçamento e eu gostaria imensamente, Kassab, que o prefeito da cidade de São Paulo estivesse presente, para que a gente pudesse definir quais as coisas prioritárias para a cidade de São Paulo. Eu tenho a convicção de que fazendo alguma coisa em São Paulo, a gente está fazendo pelo Brasil inteiro. É bem possível, que nem todo paulista, Serra, conheça o Brasil, é bem possível que nem todo paulista conheça o Brasil. Mas eu acho difícil que tenha um brasileiro que não conheça São Paulo.
Muito Obrigado, Kassab, e parabéns!"

Fonte: Viomundo

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ao receber prêmio, Lula fala das enchentes que viveu em SP

Lula recebe medalha de Kassab em SP Foto: Ricardo Matsukawa/Terra Lula recebe medalha de Kassab em SP
25 de janeiro de 2010
Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo
Ao receber a medalha 25 de Janeiro das mãos do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou em seu discurso das enchentes que viveu na capital paulista, quando morou na cidade. Lula afirmou que pretende se reunir com o prefeito e com o governador José Serra (PSDB) para estudar obras que ajudem a diminuir o problema durante as chuvas de verão.

"Cheguei em São Paulo pela primeira vez há mais de 50 anos. O primeiro lugar em que morei aqui foi na vila Carioca (zona sul). Sofri muito com a enchentes lá. Depois decidi me mudar para a Ponte Preta, na divisa com São Caetano. Lá passei por três outras enchentes, com até 1,5 m de água dentro de casa. Em seguida, me mudei para a vila São José, em São Caetano. Também alagava. Só depois que eu fui para o parque Bristol (zona sul), que era um lugar alto, é que me livrei das enchentes", disse.

"Sabemos que o problema das enchentes não é exclusivo do prefeito. Já tivemos várias administrações aqui, inclusive do PT, e é um problema recorrente. É preciso unir esforços para resolver essa situação", afirmou Lula.

A fala de Lula deixou o prefeito Gilberto Kassab com ar de constrangimento, já que a cidade tem sofrido com o problema desde dezembro. A região do Jardim Pantanal, na zona leste, está há mais de 49 dias com água dentro de algumas residências.

"É preciso tentar oferecer uma solução para melhorar essa situação. Todo ano tem enchente em São Paulo. Vamos lançar o novo PAC para o período de 2011 a 2015 e quero me reunir com o governador de São Paulo e com o prefeito da cidade para discutir quais serão as obras prioritárias nesse sentido", afirmou.
Kassab comentou o assunto: "os desafios são grandes e temos que fazer esforços para superá-los. O compromisso do presidente de incluir obras de drenagem para São Paulo entre os anos de 2011 e 2015 mostra que ele tem compromisso com a cidade, e foi isso que fez que ele recebesse a medalha que foi oferecida hoje".

A medalha 25 de Janeiro, criada pela prefeitura no final do ano passado, é entregue para pessoas que se destacaram na ajuda ao crescimento da cidade. Em sua primeira edição, ela foi entregue ao governador de São Paulo, José Serra, e ao presidente Lula. A cerimônia ocorreu no prédio da prefeitura e faz parte da comemoração do aniversário da cidade.

Fonte: Site Terra

domingo, 24 de janeiro de 2010

Eduardo Guimarães: A Bala de Prata da Mídia





A expressão “bala de prata” foi criada para identificar, por metáfora, as denúncias de última hora que a imprensa costuma fazer contra políticos dos quais não gosta às vésperas de eleições, os quais, geralmente, costumam pertencer ao PT, com destaque para Lula. É uma expressão que será registrada nos livros de história. 

Essa prática remonta a cerca de vinte anos. Desde então, dificilmente não é usada em qualquer eleição que interesse mais ao controle que a direita exercia e perdeu sobre o país há mais de sete anos. E, por fadiga de material, na eleição presidencial de 2010 essa arma dos conservadores está prejudicada. As razões e as evidências disso são o que este post pretende explicar.

Todos estão vendo, entre desconfiados e perplexos, que a mídia (tevês, rádios, jornais e portais de internet – as revistas da grande mídia ainda relutam em aderir à prática), a partir de meados de 2009, começou a dar notícias desfavoráveis aos tucanos e pefelistas*. 

Até o Jornal Nacional passou a dar algumas dessas notícias. Sobretudo depois do desmoronamento do PFL (dito DEM, contra o qual a mídia aceitou usar a expressão “mensalão do DEM”, quando, para o PSDB, era “mensalão mineiro”).

Mas se você, leitor, pegar a Folha de São Paulo deste sábado, por exemplo, cairá de costas. Há vários textos criticando não só Kassab, mas também Serra (!?). A novidade, que raríssimas vezes ocorreu na última década, é a de que, agora, os colunistas do jornal também o criticam.

A explicação para tal mudança de atitude está num processo que começa a acontecer de forma mais visível e que a mídia tentou impedir que prosperasse, mas que, ao que parece, não conseguiu.
Dois são os fatores que provocaram esse surto de “isenção” midiática. Um deles foi a sorte – ou o azar, dependendo do ponto de vista. E o outro foi a revolução da internet, que permitiu que discursos políticos e denúncias que sempre foram sufocados pela mídia tivessem como se espalhar. 

O azar foi de Serra e de Kassab. As chuvas trouxeram as provas de suas incompetências e mentalidades atrasadas tanto política quanto administrativamente, com seus slogans ultrapassados e obras faraônicas e ineficientes, no melhor estilo malufista, sempre tentando enganar a população confiando no apoio da mídia decorrente de serem de direita.

Ser de direita, há que ressaltar, foi o que levou essa mídia a cometer loucuras como a de o Estadão ajudar a fazer de São Paulo o que ela é hoje apoiando Maluf contra Luiza Erundina nos anos 1990, em eleição para prefeito da cidade.

A mídia ainda resistia a dar a “isenção” que o público exige mesmo com sucessivas pesquisas de opinião, feitas nos últimos sete anos, mostrando que, quanto mais os Marinho, os Frias, os Civita, os Mesquita e seus seguidores batiam em Lula, mais ele ganhava popularidade. 
O recado eleitoral da população dado na eleição presidencial de 2006, quando esta população reelegeu Lula depois de a mídia chamá-lo de bandido por dois anos, foi ignorado. E continuou sendo ignorado quando os mais escolarizados passaram a apoiar Lula em maioria mesmo com a mídia batendo nele sem parar.

Durante 2009, mesmo com a pré-candidatura Dilma Rousseff crescendo e se consolidando paulatinamente, Globos, Folhas, Vejas, Estadões  e subordinados continuaram usando todo tipo de golpe sujo contra a ministra e contra o presidente Lula, seu “padrinho político” – falsificaram ficha policial contra ela e acusaram o presidente de maníaco sexual, entre outros. 

Pela primeira vez, portanto, ocorre uma inflexão nesse quadro. Notícia veiculada no fim da última quinta-feira de que o instituto Vox Populi detectou queda vertiginosa da intenção de voto em Serra no Rio e, talvez, informações privilegiadas sobre a pesquisa nacional fizeram com que a mídia, nos últimos dias, ficasse cada vez mais “isenta”.
O problema dessa mídia é que ela aposta sempre na burrice. Não quer aceitar a premissa de que a população está conseguindo enxergar o que ela faz. Acha que se atirar contra os dois lados por algum tempo, conseguirá forjar a “bala de prata” com que pretende fulminar Dilma pouco antes da eleição presidencial deste ano.

*Como vocês sabem, para mim pefelista sempre será pefelista, pois “democratas” eles nunca foram e jamais serão.


Blog: Cidadania.com

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Poste Falante

Mais uma vez, a fala emplumada de políticos como a do nosso digníssimo Prefeito de São Paulo, que fala mas não diz nada.
"É a maestria da soberba e do discurso vazio tentando explicar a descoberta da pólvora: ".

Ele é um Gênio do Século XXI.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Demo no Comando de São Paulo

Apenas 8 (oito) dias de um "new comand" do Demo na 3.a maior cidade do planeta e temos notícias prá lá de agradáveis quanto á gestão municipal.
A cidade está mesmo perfeitíssima!

Tenho absoluta certeza que era justamente isso o que o eleitorado que compareceu as urnas em outubro passado (sessenta e poucos dias atrás) desejavam de seu futuro emplumado prefeito quando o elegeram com uma chuva de votos!

Nariz de palhaço é pouco para quem acredita nos 'pseudovagais'!

02/01/2009 - 09h27

Kassab fala em crise, mas terá o maior nº de secretários entre as capitais do país

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u485358.shtml

Kassab adia novas obras e congela R$ 6,9 bilhões em SP

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u487548.shtml

Muitíssimo agradecido em nome dos otários que votaram em V.Excelência, (o que não é o meu caso - vá de retro)!!!!