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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Viomundo: Carta aberta a Fernando Henrique Cardoso

por Theotonio dos Santos 

O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999. Outro mito é que seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Um governo que elevou a dívida pública do Brasil de 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? O artigo é de Theotonio dos Santos.

Theotonio dos Santos, na Carta Maior, por sugestão do leitor King Childerico

Meu caro Fernando,
Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).

Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.
No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos.

TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização. O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?

Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito – Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição uns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.

Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já ocupado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizavam e ainda inviabilizam a competitividade de qualquer empresa.

Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criaram para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.

Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.

Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço
thdossantos@terra.com.br


(*) Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

FONTE: Lido no Viomundo do Azenha

Kotscho: De guerra em guerra, escalada da intolerância

Da guerra santa à guerra suja, a campanha presidencial de 2010, que entra hoje em sua última semana, graças a Deus!, registrou uma inédita escalada de intolerância. Jogaram nos ventiladores da velha mídia e da jovem internet todos os preconceitos, ódios, medos, calúnias, mentiras, baixarias, tudo o que o ser humano pode produzir de pior.

Ainda bem que agora falta pouco. A cada dia, lendo o noticiário do jornal no café da manhã, meu estômago foi ficando mais embrulhado e teve dia em que nem me deu ânimo de escrever nada. Tentei mudar de assunto, falar sobre futebol e até do Mickey, mas não adianta. Parece que as pessoas não estão mais nem lendo o que os outros escrevem.

De nada adiantaram meus reiterados apelos para que os leitores se ativessem em seus comentários ao assunto tratado no post, evitassem agressões e ofensas, não usassem o espaço para fazer propaganda eleitoral nem escrevessem suas mensagens só com letras maiúsculas, em caixa alta, como se quisessem gritar suas verdades.

Pela primeira vez, neste domingo, fui obrigado a deletar mais comentários do que publicar. Procuro manter aqui um mínimo de civilidade, mas fico cada vez mais assustado e enojado com o que leio nas áreas de comentários em outros blogs e mesmo sobre as notícias publicadas nos diferentes portais. Em matéria de escatologia e desrespeito, chegamos ao fundo do posso.

Nem dá mais para saber o que é publicação da grande imprensa ou panfleto apócrifo distribuído nas ruas, nos templos e nos botecos. Virou tudo uma massa disforme, mal cheirosa, escondida no anonimato ou brandida por nobres colunistas. Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem o que foi esta eleição de 2010 vão ter que colocar aquelas máscaras hospitalares.

Do alto do seu mais de meio século de competente e honesto jornalismo, sábio criador de jornais e revistas, combatente da boa luta, Mino Carta resumiu em poucas linhas qual foi o papel da imprensa nesta triste história:
“Não hesito em afirmar que nunca, na história das eleições pós-guerra, a mídia nativa permitiu-se trair a verdade factual de forma tão clamorosa. Tão tragicômica. Com destaque, na área de comicidade, para a bolinha de papel que atingiu a calva de José Serra”.

De fato, os sete minutos produzidos pelo Jornal Nacional na semana passada para provar que o candidato José Serra foi duramente alvejado por manifestantes do PT, no Rio de Janeiro, ao contrário do que mostraram as imagens do SBT, deverão constar no futuro de qualquer antologia de jornalismo de ficção.

Ao ser surpreendido pelo furo do concorrente, mostrando que a arma utilizada no atentado se limitou a uma bolinha de papel, o JN recorreu a uma foto de celular fornecida pela Folha, em que não se conseguia ver nada direito e buscou o depoimento de um perito para ”provar” que num segundo “ataque” teria sido utilizada munição muito mais letal.

A guerra suja tomou então o lugar da guerra santa que vinha alimentando a campanha oposicionista na passagem do primeiro para o segundo turno. O que falta ainda? Esgotado o arsenal do bispo de Guarulhos e do telepastor Malafaia, os dois candidatos fizeram carreatas pacíficas neste domingo no Rio e se encontram novamente esta noite no debate da TV Record.

São os penúltimos lances de uma campanha presidencial brasileira que, pela primeira vez, utilizou massivamente a internet, mas a experiência não foi das mais edificantes. Mais do que um novo e democrático meio para divulgar propostas dos candidatos, mobilizar as militâncias e angariar recursos, a rede serviu para espalhar o horror religioso, desconstruir adversários, disseminar o ódio.

Sobrou espaço, no entanto, para reflexões muito lúcidas como a do leitor JG Schneider, em comentário enviado ao Balaio às 8h52 de hoje, o primeiro que li ao abrir o computador:
“Até parece que a web vai virar uma igreja, uma Santa Web ou Santa Rede Mundial ou Igreja Mundial do Santo E-Mail. A princípio, até achava que era uma brincadeira, mas nestes últimos dias a coisa piorou e os tais “crentes do e-mail” estão se superando”.

Sim, por mais absurdo que pareça, muita gente acredita nas barbaridades que circulam na grande rede e ajuda a espalhar este lixo eletrônico.

Se não temos mais a nossa velha mídia para separar o joio do trigo _ e publicar o joio, como brincávamos antigamente, e acabou virando verdade… _ pergunto-me o que acontecerá a partir da semana que vem, depois da apuração dos votos, quando a vida volta ao normal? Em quem ainda poderemos acreditar?

FONTE: Blog do Kotscho

Dossiê do PSDB contra o PSDB - Entrevista com Alexandre Padilha

No ninho tucano hipocrisia pouca é bobagem - briga de cachorro grande

Até agora a grande mídia não trata o assunto do PSDB versus PSDB com a devida realidade de informações. Desde sempre tentou-se ao máximo jogar esse dossiê no colo do PT e da campanha de Dilma por várias razões. Hoje o jornalista Amaury Ribeiro Junior está prestando depoimento na Polícia Federal. Já se sabe há muito tempo na blogosfera que os dados levantados por Amaury já tranformou-se num precioso livro que não deixará pedra sobre pedra no PSDB quando for lançado após as eleições.

Afinal ele trata em pormenores de toda a sujeira de FHC, Serra e parentes na privataria que dominou o Brasil durante o Governo passado. Mas o que mais intriga e causa náuseas é observar que a grande mídia, o PIG não dá o nome correto ao caso que é sem sombra de dúvidas a criação de uma contra inteligência para proteger Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais do ex- governador de São Paulo e candidato da república José Serra. Simples assim: o dossiê da guerra interna do PSDB por poder.

Mas por que Globo, Folha, Estadão e Veja não colocam os pingos nos "is" e falam abertamente que é esse o nome do jogo? Alguém imaginaria o escarcéu que estaria no mundo do jornalismo tupiniquim se tal fato fosse por exemplo entre um Zé Dirceu e um Palocci?

Dá prá entender por que a nossa grande imprensa é medíocre a ponto de tornar-se piada nos veículos de comunicação mundo afora depois do caso "bolinha de papel"?

Abaixo entrevista ao Terra:

Para Padilha, "o feitiço vai virando contra o feiticeiro"


Juliana Prado
Direto de Belo Horizonte
Depois do susto assumido de não conseguir vencer as eleições presidenciais no primeiro turno, a campanha da petista Dilma Rousseff escalou alguns personagens para atuar na linha de frente na segunda etapa da disputa. Um dos escalados foi o ministro da Articulação Institucional, Alexandre Padilha, que chegou a se licenciar do cargo para atuar na campanha.

Homem de bastidores, conhecido pelo bom trânsito entre prefeitos, Padilha saiu do gabinete e foi parar nas ruas. Em Belo Horizonte, na sexta-feira (22) e no sábado (23), ele acompanhou Dilma em encontro com prefeitos e participou de um ato público na capital mineira. Mas, além de ir para uma pretendida linha de gol, também vem agindo como bombeiro. Nesta entrevista concedida ao Terra, na capital mineira, o ministro mostrou porque também foi chamado a apagar vários incêndios.

Repetindo um dos mantras preferidos do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores - "o nosso governo apura até o fim" - ele rebateu as investidas da campanha de Serra contra Dilma. Durante a conversa, provocou o adversário, insistindo na tese de que o tucano simulou uma agressão em evento na semana passada no Rio de Janeiro. Também voltou a questionar o fato de Serra não ter "explicado" a ligação com Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, e rebateu denúncias de que petistas teriam roubado um dossiê montado contra os tucanos. Sobre o caso, acusou de ser um "grande factóide" e de estar fazendo "o feitiço virar contra o feiticeiro".

Terra - Qual o motivo de a campanha investir tanto em Minas, uma vez que a candidata do PT apresenta vantagem no Estado, segundo as pesquisas?
Alexandre Padilha - Um evento como o que fizemos neste sábado em Belo Horizonte - mobilização em torno da Avenida do Contorno - mostra que os simpatizantes, os militantes, as pessoas de Belo Horizonte saem para a rua, vestem a camisa da Dilma e consolidam a imagem de que ela não só é mineira, de Belo Horizonte, mas que surge uma identidade dessa população com nossa candidata à presidência da República. É algo tradicional, que aconteceu nas várias campanhas que o PT fez em Belo Horizonte. A receptividade que nós sentimos nas pessoas, nos prédios, nas ruas é a mostra de que o clima mudou. Belo Horizonte virou. Existe agora um sentimento pró-Dilma muito forte, que os companheiros não viram no primeiro turno.

Terra - O sr. acredita que o fator Aécio Neves ainda preocupa, apesar de a campanha de Serra tê-lo tirado justamente do Estado em que ele tem mais influência, que é Minas, para atuar em outros locais do País?
Alexandre Padilha - O que eu acredito é que, no segundo turno, a relação é direta do candidato com o eleitor. As lideranças têm papel importante, respeito o papel de todas elas, principalmente aquelas que são de oposição, mas que buscam fazer uma campanha de alto nível, que não entram nos ataques, nas baixarias, mas a relação é mesmo direta com o eleitor. Este passa a ter a oportunidade no segundo turno de todo dia ver seu candidato na TV. Minas é a síntese do Brasil, que percebe que você não pode ter um projeto nacional pautado apenas e tendo como único horizonte a Avenida Paulista. O Estado percebe que tem que ter uma presidente da República que pense o Brasil como um todo e não com um horizonte restrito a uma parte do setor econômico do País.

Terra - A campanha tucana em Minas tem focado no movimento "Dilmasia", que pregou, no primeiro turno, o voto em Dilma e no governador eleito Antonio Anastasia (PSDB). Agora o PSDB tenta transferir esses votos para Serra...
Padilha - Eu tenho certeza que isso não dá certo, sabe por quê? Os prefeitos que votaram na Dilma no primeiro turno só têm agora mais motivos para votar nela no segundo. Quando um prefeito, inclusive de partidos de oposição, já optou pela Dilma no primeiro turno, ele tem mais motivos para optar por ela de novo. Acredito que não só vamos manter os que estiveram com ela no primeiro turno como também conseguir votos dos que apoiaram a Marina (Silva - PV).

Terra - Depois de investir pesado em Minas, existe alguma mudança de foco para a última semana de campanha?
Padilha - Temos algumas prioridades. Entre elas, consolidar a grande votação que tivemos no Norte e no Nordeste, e temos companheiros trabalhando nisso. A Dilma vai para o Nordeste essa semana, o presidente Lula também vai para o Nordeste esta semana...Também estamos disputando voto a voto em São Paulo e no Paraná, que são dois Estados em que o PSDB ganhou no primeiro turno, e, em Minas Gerais, temos essa grande prioridade por dois motivos. Primeiro, porque é o segundo maior colégio eleitoral do país, e segundo porque uma vitória em Minas é muito simbólica pois o Estado é a síntese deste Brasil diverso.

Terra - A presidenciável defendeu, em encontro com prefeitos, uma gestão municipalista. Por que então não fez uma investida nos municípios de médio e pequeno porte? Alguns prefeitos mineiros chegaram a dizer na campanha que o governo Lula só dá atenção a cidades com mais de 50 mil habitantes.
Padilha - Tanto fizemos para os municípios brasileiros que os prefeitos reconheceram o presidente Lula como o presidente mais municipalista da história desse país. Nós avançamos muito com os municípios. Nosso governo mudou a relação política, começou a respeitar todos os prefeitos e prefeitas independente dos partidos. Eu cuidei desde o início deste governo do Comitê da Articulação Federativa, que é uma instância que nós criamos, que pactuou os vários avanços. Para você ter uma ideia, o FPM (Fundo de Participação dos Municípios), quando a gente assumiu o governo, era de R$ 23 bilhões, agora é R$ 52 bilhões. Durante a crise econômica de 2009, pela primeira vez o governo federal tirou dinheiro do bolso para ajudar os municípios a recompor o FPM. Tem muito por fazer. E nós ajudamos os municípios com menos de 50 mil habitantes, tanto é que a Dilma está tendo a maior votação nestes municípios.

Terra - O presidente Lula adotou um discurso muito incisivo e duro na campanha, e por isso, foi muito criticado. Não houve certo exagero?
Padilha - Eu acredito que o povo brasileiro respeita muito o presidente Lula, tanto que as pesquisas todas de todos os institutos só mostram o crescimento da sua popularidade. O brasileiro entende as opiniões dele. E também, o presidente tem o direito de se indignar. Ele ficou indignado, num processo de debate para presidente da república - onde temos temas tão importantes para o país discutir, como o pré-sal, por exemplo -, com o fato de nosso adversário ocupar o programa eleitoral dele e os programas jornalísticos com uma grande encenação que ficou nítida, inclusive, pela internet. A internet e as redes sociais desmontaram a edição que foi feita, que tentou corroborar a encenação do adversário. O presidente se indignou naquele momento, porque, para nós, o mais importante é discutir as grandes questões.

Terra - Como o Planalto recebeu a decisão da justiça, divulgada neste sábado, de tornar o Gilberto Carvalho, que é chefe de gabinete do presidente Lula, réu no processo de cobrança de propina na prefeitura de Santo André?
Padilha - O Gilberto já respondeu e vai continuar respondendo e se defendendo na justiça e mostrando claramente que todas as acusações não conseguiram mostrar nenhuma prova. O nosso governo é um governo que apura até o fim. Mas quem denunciou tem que provar que é verdade. E se provar que é verdade, quem cometeu irregularidades vai ser punido prontamente. Nós apuramos até o fim. A Polícia Federal age para isso, tem autonomia para isso. Diferente do nosso adversário, que busca se esconder. Até hoje ele (Serra) não respondeu quais são as relações dele com o Paulo Vieira Souza, o Paulo Preto...Inclusive, toda vez que aparece o nome do Paulo Preto ele fica meio branco, assustado,dizem (riso). Uma hora fala que conhece, outra hora diz que não conhece...Ele tem que explicar. Ele tem um personagem que trabalhou no governo do Fernando Henrique Cardoso, trabalhou no governo de São Paulo, responsável por uma obra bilionária, o Rodoanel, e esse personagem diz "que não se larga um líder sozinho na estrada", e parece que eles não apuram nada. Não busca saber o que é isso. É uma frase que soa um pouco como chantagem...

Terra - E o que vocês têm a dizer sobre as declarações do jornalista Amaury Ribeiro Junior, que, em depoimento, jogou no colo de petistas a responsabilidade pelo roubo de um dossiê organizado por ele contra tucanos?
Padilha - Eu não vou interpretar qual o motivo por que essas coisas voltam a aparecer. Torço para que as pessoas não acreditem que isso possa mudar as eleições. Porque se acreditarem nisso vão ser derrotadas novamente. O que tenho absoluta consciência é de que as últimas revelações feitas pelo então jornalista do Estado de Minas só corroboram que a busca daquelas informações do candidato Serra não tinha nada a ver com a campanha da Dilma. Ele (Amaury) fez isso quando não existia ainda coordenação de campanha montada, a Dilma nem era a candidata do PT. Tinha até a candidatura do Ciro Gomes em jogo...Quando ele fez isso o que existia era uma disputa dentro do PSDB para definir quem seria o candidato deles...Não tinha nenhum vínculo com a campanha da Dilma ou do PT. Até a afirmação que atribuíram a ele no depoimento corrobora que ele não tinha essa ligação. Porque disse que alguém do PT foi lá e roubou as informações. Ora, se tinha ligação com a campanha, não precisava roubar. Eu acho que, de certa forma, a oposição tentou transformar isso num grande factóide e o feitiço vai virando contra o feiticeiro.

FONTE: Terra

Advogado do Rodoanel Trabalha para Paulo Preto

O escritório Edgard Leite Advogados, que presta serviço às empreiteiras que construíram o trecho Sul do Rodoanel, também trabalha para Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-assessor de José Serra (PSDB). De acordo com o Diário Oficial, Edgard Ermelino Leite, um dos responsáveis pelo escritório, defende Paulo Preto em ação contra Evandro Losacco, secretário estadual do PSDB. 

A filha de Paulo Preto, Priscila Arana, é uma das advogadas do escritório de Edgard Leite. O possível favorecimento na contratação das empreiteiras para o Rodoanel promovido por Paulo Preto, Priscila e Serra foi denunciado pelo PT ao MP (Ministério Público).

Edgard Leite defende Paulo Preto em ação de danos morais contra Lossaco, aberta após as declarações do tucano à revista “IstoÉ”. De acordo com a publicação, Losacco afirmou que Paulo Preto “sumiu” com R$ 4 milhões da campanha de Serra.

O advogado de Paulo Preto, José Luiz de Oliveira Lima, foi procurado e garantiu: “Não vejo problema nenhum na defesa. É normal, até porque a filha do Paulo Preto trabalha no escritório”.
Já o líder do PT na Assembleia Legislativa, Antônio Mentor, acredita que a contratação do escritório confirma a denúncia encaminhada pelo PT ao Ministério Público. “É a relação incestuosa que existe entre Paulo Preto, sua filha e o governo. É uma comprovação que existe jogo de interesses, o que reforça a nossa tese”, explica Mentor. 

A prestação de serviços do escritório de Edgard Leite às empreiteiras do Rodoanel foi confirmada em nota apresentada pelo próprio escritório. “O escritório presta, há mais de 10 anos, serviços jurídicos a praticamente todas as empresas privadas que compõem os consórcios contratados para a execução do trecho Sul do RODOANEL-SP”.

.Caso
;Paulo Preto entrou em cena na campanha após a candidata Dilma Rousseff (PT) citar reportagem da revista “IstoÉ” no debate da Band. Ex-diretor de Engenharia da Dersa, Paulo Preto teria feito caixa-dois com as empreiteiras e desaparecido com o dinheiro.
“Parece mesmo que ele sumiu. Desapareceu. Me falaram que ele foi para a Europa. Vi esse cara na inauguração do Rodoanel”, afirmou José Aníbal, ex-líder do PSDB na Câmara dos Deputados, à revista.

Meias
Em junho, Paulo Preto foi preso em flagrante com uma jóia roubada no shopping Iguatemi. No dia, o ex-deputado Celso Russomano (PP) encontrou Paulo Preto no 15° DP e afirmou: “Eu vi a prisão. Vi que a delegada estava sofrendo pressão para não mantê-lo preso. Parte do dinheiro apreendido com Paulo Preto estava em suas meias e no casaco, me apontaram os policiais”. O progressista afirma que encontrou Paulo Preto no DP por acaso”.

domingo, 24 de outubro de 2010

Nassif: Veja e a estratégia de Mister M

AS ILUSÕES PERIGOSAS DA REVISTA MISTER M

Veja blefa mais uma vez: não existe fita provando que Abramovai falou o que não disse. Não existe grampo legal nem perícia nem nada. Só cascata.

Veja publicou uma reportagem de 1.581 palavras das quais apenas 14 realmente interessariam se fossem verdadeiras: "Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês". A suposta frase foi atribuída ao secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovai, ganhou destaque na capa da revista, que circulou no sábado, e reproduzida instantaneamente no programa de José Serra na TV.

Se fosse verdadeira, a frase revelaria um fato gravíssimo, de interesse público e com evidentes repercussões no processo eleitoral. Seria motivo para uma rigorosa investigação policial e uma ação do Ministério Público, com vistas a esclarecer que pedidos seriam esses, a quem aproveitavam, quais seriam os alvos, quem seriam os agentes e os mandantes da produção de dossiês.

Ocorre que nem a frase foi pronunciada nem Veja tem como sustentar a veracidade do que destacou na capa (gostosamente reproduzida por Estadão, Globo e Folha). A negativa de Abramovai está escondida no quinto dos nove longos parágrafos da matéria.

Trata-se de mais uma reportagem ao estilo Mister M, que tem caracterizado a produção recente da que já foi a mais importante revista brasileira. É o jornalismo ilusionista, que recorre a uma série de truques para distrair a atenção do leitor e fazê-lo acreditar nos poderes mágicos da reportagem mentirosa.

O primeiro truque, clássico, é socorrer-se do testemunho de sua fonte, o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Junior. Veja sabe que Tuma Júnior não tem credibilidade para sustentar uma acusação desse teor. Ele foi afastado do governo numa investigação sobre seu envolvimento na concessão fraudulenta de vistos a estrangeiros. É um rancoroso.

O outro truque de Veja é misturar o suposto de diálogo entre Abramovai e Tuma Júnior com uma fitalhada de conversas pela metade envolvendo o próprio Tuma, o ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto e sua chefe de gabinete Gláucia de Paula.

Veja recebeu mesmo algumas fitas. Malandramente, porém, a revista induz o incauto a acreditar que as 14 palavras atribuídas a Anbramovai fazem parte do mesmo lote de fragmentos de conversas gravadas.

Veja dá-se ao desplante de afirmar que as conversas teriam sido "gravadas legalmente", como tantas outras fitas que chegam às redações desviadas ilegalmente de inquéritos policiais e do Ministério Público. Nesse caso, a revista teria de informar de que inquérito ou ação penal elas teriam sido extraídas, mas não pode fazê-lo porque sabe que isso é falso.

Elas reproduzem fragmentos de conversas entre mais de duas pessoas. Não são grampos, são escutas ambientais, feitas por alguém presente no local da conversa – e Romeu Tuma Júnior é o mínimo múltiplo comum de todas essas conversas.

Se Veja tivesse a fita com a frase atribuída na capa a Abramovai – as 14 palavras que realmente interessam – este áudio já estaria circulando, no site da própria revista, na rede de blogs auxiliares da desinformação, na CBN, no Jornal Nacional e no programa de José Serra.

Antes que o desavisado preste atenção a esse detalhe, está na hora de chamar uma dançarina ao palco. Ricardo Bolina, o perito multiuso, entra em cena para atestar a veracidade das gravações obtidas com exclusividade por Veja. Seu lado é apresentado em fatias, é um biquíni que mostra muito mas esconde o essencial: ele não comprova coisíssima nenhuma.

Vamos exibi-lo quadro a quadro, como está no facsimile da revista:
1) O perito recebeu dois arquivos de áudio
2) O perito tem de verificar se as vozes de Luiz Paulo Barreto e Pedro Abramovai ocorrem nessas amostras e se houve algum tipo de montagem
3) O perito constata que não houve alteração ou trucagem nos arquivos
4) O perito constata que as vozes dos arquivos conferem com as de Abramovai e Barreto, numa comparação com entrevistas dos dois personagens veiculadas na televisão.

Percebeu o truque? Nem o perito diz nem veja mostra que o áudio examinado contém as 14 palavras que realmente interessam e que foram peremptoriamente negadas. Diz apenas que recebeu uma gravação com a voz de Abramovai dizendo sabe-se lá o quê.

Há muito tempo que Veja não faz jornalismo, faz prestidigitação, fiando-se em duas máximas: as mãos são mais rápidas que os olhos; se colar, colou.

É triste lembrar que esta já foi a mais importante e mais acreditada publicação da imprensa brasileira. Veja não passa hoje de uma revistinha mandraque, para iludir os incautos e os que pagam para assistir seu espetáculo mambembe.

Confira o laudo: 

Viomundo - Carlos Rodriguez: Quem semeia vento, colhe tempestade

A cada dia que passa, o cinismo do candidato tucano à presidência da República, José Serra, se supera. Totalmente obscena a sua declaração (feita após a patética encenação da bolinha de papel) de que o presidente Lula é o responsável pela violência na campanha eleitoral.

Este senhor se vale de velhos artifícios da direita. Primeiro, radicaliza em boatos, intrigas e desqualificações dos adversários, criando um clima pesado na campanha. Depois, despolitiza-a. Assim, não se discute a situação econômica  ou qualquer aspecto da vida do cidadão brasileiro. Ao contrário, envereda para temas que dizem respeito à vida íntima de cada um, como o aborto e a orientação sexual. A pauta passa a ser a baixaria e não o futuro do Brasil, a diminuição da miséria ou a melhoria da educação, da saúde e do desenvolvimento da sociedade brasileira. A oposição à Lula age assim, porque não tem projeto para o país e somente se vale do ódio e do rancor.

Aliás, o cinismo impera entre os demotucanos. No jornal Estado de S. Paulo de 24 de outubro, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, diz que “o PT é o partido da mentira, o PT é o partido da morte,  por causa do aborto. Engraçado, sobre o aborto feito por Dona Mônica Serra, mulher de José Serra, segundo relato de suas ex-alunas publicada no jornal Folha de São Paulo em 16 de outubro,o bispo de Guarulhos não abre o bico.

Curiosamente, o bispo D. Luiz é de São João da Boa Vista, onde atuava com o Sidney Beraldo, ex-deputado e ex-secretario de Gestão do então governador Serra, e mais recentemente um dos coordenadores da campanha a governador de Geraldo Alckmin, que tem fortes ligações com a Opus Dei, que age nas sombras. A omissão do bispo sobre o aborto de Monica Serra revela que essa questão é apenas um mote usado por esse grupo religioso para ir contra o PT.

Para completar o quadro dantesco, assistimos ao fundamentalismo religioso matar a religião e transformá-la em mero  instrumento eleitoral. Esta mistura acintosa de religião, num viés fundamentalista, e política é um perigo à sociedade brasileira, pois ameaça os pilares do Estado Laico.

O ódio contra o PT vem sendo trabalhado há pelo menos um ano. Todos devem se lembrar dos primeiros e-mails com a acusação ridícula de que Dilma seria terrorista. Por sinal, o termo terrorista, cunhado pelos militares durante a ditadura, é uma forma de adotar a ditadura militar. Aqui, vale lembrar que ao povo é dado o direito de resistir quando um governo se estabelece pela força das armas. Até na idade média, como é relatado na lenda  Robin Hood , já se sabia disso.

Homens e mulheres que foram torturados barbaramente e deram a sua vida pela democracia devem ser tratados como heróis. O termo terrorista significa aceitar que a tortura e barbárie sejam admissíveis como recursos para organizar uma sociedade. Claramente, para um republicano e democrata este argumento precisa ser rejeitado. Então perguntamos, por que os tucanos se valem de argumentos antidemocráticos para difamar uma heroína brasileira? Por que uma campanha baseada no ódio?

Há outros exemplos, como a campanha conservadora com uso da internet para difamar e caluniar e atacar a vida pessoal de Dilma Rousseff.

Lentamente a campanha de Serra pregou o ódio, inclusive de classe, e se valeu dele eleitoralmente para chegar ao segundo turno. Agora hipocritamente diz que o presidente da República faz uma campanha que estimula a violência, querendo se passar como vítima. Ora, Serra, quem semeia vento, só pode colher tempestade.

Se o candidato José Serra, em vez de despolitizar a campanha, discutisse projetos para o Brasil (o que ele infelizmente não possui), talvez os acontecimentos fossem outros.
Por fim, deixo para vocês este poema de Brecht, que mostra que a  violência não é o que os poderosos querem que seja visto como violento, mas as estruturas sociais ou situações plantadas com o apoio da mídia e da direita conservadora que resultam neste quadro conflituoso.

Pergunto, ainda, manipular informação e tentar reverter votos de forma abjeta não é uma violência?

PS: Curiosamente, a crítica contumaz da Globo sobre o episódio da violência da bolinha de papel , através do Jornal Nacional, ocorreu justamente no dia em que o Cade, órgão do governo federal, decidiu acabar com o monopólio da emissora  na transmissão do Campeonato Brasileiro.

Sobre a Violência, Bertolt Brecht
A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contém
Ninguém chama de violento.
A tempestade que faz dobrar as bétulas
É tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua
* Carlos Rodriguez , participante da Igreja Católica.

Paulo Henrique Amorim não perdoa no Conversa Afiada

Argentinos: esperteza do Serra lhe caiu na cabeça. Imprensa internacional escarnece do PiG (*)

Tem uma semana para ficar ainda pior

Argentinos debocham do #serrojas.

A bolita de papel lhe saiu mal.

Saiu no Clarin de Buenos Aires:

22/10/10 Fingió un golpe en la cabeza. Pero la TV mostró que sólo le pegó un bollito de papel. Lula, furioso.


Por Eleonora Gosman


San Pablo. Corresponsal


El presidente Lula da Silva se disponía a levantar el teléfono y hablar con el candidato opositor José Serra. Le iba a ofrecer su solidaridad frente a la supuesta agresión de la que habría sido objeto el ex gobernador de San Pablo. Pero las imágenes televisadas de los tumultos detuvieron el gesto presidencial y lo convirtieron en una encendida crítica. “Fue una farsa, una mentira descarada”, declaró ayer el jefe de Estado brasileño.


No le faltaban razones para sentirse defraudado. Filmaciones de TV Record y del canal SBT confirmaron que en medio de una batahola entre militantes de la campaña de Dilma y de la de Serra, el postulante fue impactado por un pequeño bollito de papel en la coronilla . El tucano sintió apenas el roce y siguió su caminata por las calles de Río de Janeiro.


E uma publicação semanal subsidiária do jornal Le Monde, da França, ridiculariza a parcialidade do PiG (*) e das quatro famiglias que “não engolem um homem de educação elementar, proveniente de um estado pobre e que surgiu do sindicalismo”.

E pior: para o Tavinho, o pecado maior do Lula é não falar inglês (como se ele falasse …).

O PiG (*) ganhou dimensão Mundial.

As deidades provinciais devem estar felicíssimas.

É o que o Farol de Alexandria mais queria na vida: a Glória Universal.

Teve.

http://www.courrierinternational.com/article/2010/09/30/une-presse-tres-remontee-contre-lula

CAMPAGNE • Une presse très remontée contre Lula | Paul Jürgens | Courrier international

Dans le même numéro


N° 1039

30 sept.

Brésil : Le miracle Lula existe-t-il ?


France

Courrier international


© Courrier international

Trois semaines de suite, en septembre, Veja se déchaîne contre Lula (“supion” en portugais), surnommé “le poulpe”. Ici, le poulpe menace de tout engloutir :  1   Le service public : “Le parti du poulpe”.  2  L’argent des contribuables : “Le poulpe au pouvoir”.  3  Le palais présidentiel : “La joie du poulpe”.  4  A la une de Folha de São Paulo du 5 septembre, “Par la faute de Dilma, les consommateurs devront payer 1 milliard de reais”.  5  A la une d’Extra, le 1er septembre : “Lula est super”. Un titre ironique, alors que l’article est à charge.


DE RIO DE JANEIRO

Dans la dernière ligne droite de la campagne, le torchon brûle entre les grands journaux et le gouvernement. Ce phénomène s’est déjà produit lors de la réélection de Lula, en 2006, lorsque les classes moyennes aisées l’avaient lâché. Quatre grandes familles se partagent le contrôle des principaux médias : les Marinho, propriétaires du quotidien de Rio O Globo et de la toute-puissante Télé Globo ; les Mesquita de O Estado de São Paulo ; les Frias, de Folha de São Paulo ; et les Civita, de la maison d’édition Abril, éditeur du principal hebdomadaire, Veja. Ces grandes familles ne se sont jamais remises de l’élection de Lula, ce président peu instruit, venu d’un Etat pauvre et issu du synd

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
 
FONTE: Conversa Afiada

Miro: Revista Veja é criminosa. Processo já!

Por Altamiro Borges

Pela sexta vez em menos de dois meses, a revista Veja publica uma capa agressiva contra a candidata Dilma Rousseff. A famíglia Civita está obcecada e aciona os seus capachos - que envergonham o jornalismo - para produzir factóides. A edição desta semana, bem espalhafatosa, traz uma suposta escuta telefônica em que o secretário de Direitos Humanos, ligado ao Ministério da Justiça, teria reclamado das pressões que teria sofrido da ex-ministra para produzir dossiês contra José Serra.

"É grave usar esses métodos"

Dilma Rousseff, irritada, já rebateu as insinuações do panfleto serrista. "Eu nego terminantemente esse tipo de conversa às vésperas das eleições. Gostaria muito que houvesse, por parte de quem acusou, a comprovação e a prova de que alguma vez eu fiz isso. É muito fácil, na última hora, na semana da eleição, criar uma acusação contra a pessoa sem prova alguma. É grave usar esses métodos".

Mais indignado ainda, o secretário de Direitos Humanos, Pedro Abramovay, envolvido criminosamente pela revista no episódio, também repudiou as insinuações. Ele exigiu que a Veja apresente as provas. Já o ex-secretário, Romeu Tuma Junior, exonerado do cargo em agosto passado por suposta ligações com contrabandistas, não se pronunciou sobre o caso. Estranhamente, o seu telefonema é a prova principal da acusação.

Acusações sem prova e ilegais

Até agora, a revista não divulgou o áudio da conversa, não informou a fonte de sua informação - será uma escuta clandestina, ilegal? - e nem se dignou a ouvir os dois principais prejudicados pela acusação (Dilma e Abramovay). Disse apenas que a fita foi periciada pelo "especialista" Ricardo Molina, o mesmo que a TV Globo usou para falar sobre o segundo objeto que atingiu José Serra (além da bolinha de papel) e que ficou famoso por tentar incriminar o MST na chacina de Eldorado dos Carajás.

A matéria lembra outros factóide produzidos pela Veja, como a tal escuta telefônica contra o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Dantas (ou Mendes?), que até hoje não foi comprovada e até já caiu no esquecimento. A revista insiste em produzir material de campanha contra Dilma Rousseff. Não publica nenhuma capa em tom negativo contra o tucano Serra. E olha que não falta assunto - o homem-bomba Paulo Preto, a hipocrisia sobre o aborto de Monica Serra, as brigas Serra-Aécio.

A revista e o mensalão dos tucanos

Mas a Veja resolveu blindar, descaradamente, o demotucano. Até matérias publicadas no passado, com denúncias contra Serra, foram arquivadas. Não aparecem na campanha presidencial. As razões são evidentes. Em primeiro lugar, a revista defende a mesma plataforma política neoliberal. Em segundo, ela deve favores aos tucanos paulistas. Afinal, o governo Serra doou fortunas à Editora Abril, com a compra de assinaturas milionárias e farta publicidade. A promiscuidade lembra o pior tipo de "mensalão".

Na sua nota oficial, o secretário Pedro Abramovay exigiu a imediata apresentação de provas. "Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição", lamentou. Ele também ameaçou entrar com um processo contra a publicação da famiglia Civita. Não dá mais para aceitar calado os ataques irresponsáveis e criminosos da Veja. Isto só estimula a impunidade. A famiglia Civita precisa ser internada e a revista Veja merece ser processada, já!

Eduardo Guimarães: Sete dias de fúria midiática – buscando um cadáver




Os últimos lances de uma corrida presidencial pautada pela fúria midiática continuaram surpreendendo. Ao contrário do que se pensava, a ofensiva teatral da bolinha de papel saíra pela culatra, apesar daquela que talvez tenha sido a maior farsa já encenada neste país em termos de apoio publicitário a supressão e/ou inversão dos fatos em prol de José Serra.

No oitavo dia da furiosa campanha da mídia para eleger o candidato tucano, vazaram dados das pesquisas diárias que o PT encomendara aos institutos Vox Populi e Ibope. Os trackings, cuja função não consiste em apurar números precisos, mas, sim, tendências e reações do eleitorado, revelaram que aumentara a distância entre Dilma Rousseff e o adversário.

Chegou-se ao sétimo dia de irracionalidade cívica, ao domingo anterior ao domingo da eleição presidencial mais disputada em mais de duas décadas, em situação de quase esgotamento das opções de factóides para reverter os rumos da disputa. Serra não reage.

O país é tensionado pela mídia. Colunistas de grandes jornais, revistas, tevês, rádios, portais de internet saíram a insultar e a provocar petistas com suas zombarias triunfalistas, mas só até surgirem os sinais de que o tiro da bolinha de papel de dois quilos que os tucanos disseram que petistas atiraram contra Serra em um comício, saiu pela culatra.
A fúria midiática, como previsto, ia aumentando.

Na noite de 23 de outubro, dois dos blogs políticos mais lidos no país, o de Luiz Carlos Azenha e o de Rodrigo Vianna, repórteres da Rede Record, saem do ar no navegador Firefox. Ao acessar os blogs de qualquer outro navegador, não havia problema. Mas ao acessar naquele navegador específico surgia uma falsa mensagem de que aquelas páginas estavam “infectadas”.

Ao fim da tarde do oitavo dia de fúria, portais de internet informavam que houvera novo risco de confronto entre militantes do PSDB e do PT na cidade paulista de Diadema. Novamente, uma tropa tucana fora a um reduto petista fazer provocações enquanto a mídia serrista buscava vender que quem estava na frente é que tentava melar o jogo eleitoral.

Entendendo a estratégia do PSDB e da mídia, os militantes petistas em Diadema abriram caminho para que os tucanos marchassem através da manifestação adversária, e formaram um “cordão de isolamento” do avanço dos esbirros de Serra e dos seus figurantes contratados. Enquanto avançavam pelo meio dos petistas impassíveis, os tucanos proferiam insultos.

Ainda no sábado 23 de outubro, os mesmos portais de internet anunciavam que marchas petista e tucana poderiam se encontrar no Rio, em Copacabana, mas que os petistas, novamente, recuariam para não fazer o jogo dos adversários, cada vez mais dispostos a melar o jogo eleitoral por contarem com a mídia para inverter os fatos.

A marcha petista na cidade do Rio no sétimo dia de fúria midiática foi sabiamente adiada pelos organizadores para ocorrer depois da marcha tucana, convocada para o dia e a hora em que já se sabia que haveria a marcha dos adversários.

A análise mais detida do rumo das coisas sugere que só não foi tentado um tipo de factóide para chocar o eleitorado e induzi-lo a votar no candidato da direita midiática. Tentou-se de tudo contra Dilma. Escândalos sexual (ou homossexual), religioso, de corrupção, de prática de violência física, mas nada deu certo. Serra continua não reagindo eleitoralmente.

Enquanto o clima de beligerância entre petistas e tucanos cresce retórica e fisicamente, tevês, rádios, revistas, jornais e portais de internet simpáticos a Serra – assumidamente ou aparentemente – põem lenha na fogueira com uma chuva de acusações, insultos e zombarias contra um dos lados e com vitimização do outro.

A história ensina que campanhas para comover sociedades contra alguém ou alguma coisa muitas vezes apelaram a cadáveres, a crimes de sangue em que “não restassem dúvidas” sobre a autoria, ainda que processos legais requeiram tempo para condenar ou absolver sob convicção absoluta, impossível de ser formada em míseros sete dias de fúria midiática.

FONTE: Blog da Cidadania

Folha de São Paulo: Paulo Preto mudou contrato no Rodoanel e acelerou obras

O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, fez mudanças no contrato original das obras do Rodoanel um dia após assumir a diretoria de engenharia da estatal, informa o jornal Folha de S.Paulo deste domingo (24). 
 
De acordo com a reportagem, a alteração contratual assinada por ele permitiu que as empreiteiras mudassem o projeto da obra e até usassem materiais mais baratos. Segundo a Folha, a medida, definida em 2007, em acordo da Dersa com as construtoras, foi tomada para "acelerar" a construção do trecho sul a fim de entregar a obra até abril deste ano, quando José Serra (PSDB) deixou o governo paulista para se candidatar à presidência da República.

O jornal afirma ainda que a mudança contratual no Rodoanel inviabilizou cálculos que poderiam dizer se os pagamentos das obras correspondiam ao que havia sido planejado e executado, de acordo com avaliação do Ministério Público Federal, feita dois anos mais tarde. Ainda segundo a Folha, a negociação com as empreiteiras envolvidas nas obras do Rodoanel foi a principal tarefa de Paulo Preto, que teve a missão de não permitir que a "vitrine política" de Serra sofresse atraso.

A reportagem afirma que o acordo mudou radicalmente as regras de pagamentos das construtoras, que tinham sido fixadas na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB). De acordo com a Folha, as empreiteiras passaram a receber um preço fechado no valor de R$ 2,5 bilhões, ao invés de serem pagos conforme quantidade e tipo de cada serviço ou material usado na obra.

Ao jornal, a Dersa e Paulo Preto negaram que a obra tenha irregularidades. Segundo o ex-diretor, a mudança contratual em 2007 apresentou vantagens e qualidade do empreendimento foi garantida.

FONTE: Terra

A Folha dá Notícia e Ela mesma se Desmente na própria Matéria

É o ápice do jornalismo confuso, mentiroso e leviano que trás viés desinformante a lá Veja.
No post abaixo da Folha.Com a manchete informa quea campanha de Dilma limita os trabalhos de Marcelo Branco e no fim da matéria informa que nada mudou segundo a própria equipe de trabalho.

Para que passar 5 anos de sua vida numa faculdade de comunicação e no futuro precisar prestar-se a esse tipo de situação numa redação de jornal é o que minha fraca inteligência não consegue entender, mas deve ser degradante para qualquer ser humano com o mínimo de consciência fazer qualquer coisa por dinheiro. Lamentável usar seu talento dessa maneira com o simples intuíto de desconstruir os outros.

Campanha de Dilma limita ação de guru virtual

MÁRCIO FALCÃO
RANIER BRAGON

VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA 

 
Sem alarde, a coordenação da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência promoveu uma intervenção na área digital da campanha, especificamente na que faz a ponte com as redes sociais.
O setor era controlado até então pelo guru virtual Marcelo Branco, mas agora quem responde de fato pelas ações é a empresa Pepper Comunicação Interativa, que fez a campanha do presidente Lula em 2006, além de integrantes do próprio PT.

Outra mudança foi a contratação de João Wady Cury para mediar as demandas do marqueteiro João Santana com a equipe de informática.

A decisão foi motivada pela avaliação de que Branco e sua equipe não teriam identificado a campanha negativa contra Dilma na internet, apontada como um dos fatores para que a disputa fosse para o segundo turno.

Segundo essa avaliação, a equipe de Branco mostrou eficiência no contato com seus grupos nas redes sociais, mas não foi capaz de captar ações de "desconstrução de imagem" de Dilma.
Entre essas ações, estão os e-mails que acusavam a candidata de ter dito que nem Jesus Cristo lhe tiraria a vitória --fala que ela nega ter dito.

Agora, o comando das operações para identificar essas ações negativas está a cargo da equipe da Pepper, em conjunto com o marqueteiro João Santana.

Já a equipe de Marcelo Branco seguirá trabalhando nas redes sociais.
Ao longo da campanha, Branco proporcionou constrangimentos a Dilma, como promover uma mobilização pressionando para que ela participasse de um debate on-line e postar uma entrevista da candidata na qual ela cometia deslizes.

Ex-diretor-geral da Campus Party Brasil (evento de tecnologia), Branco, que foi levado à campanha por Dilma, também foi alvo constante de críticas por trabalhar isoladamente, sem harmonia com João Santana.

Ele não foi afastado, porém, por conta de sua boa relação com Dilma. 

Procurado pela Folha, Branco disse que estava em reunião e não poderia conversar com a reportagem. Coordenador-executivo do grupo ligado a Marcelo Branco, Roberto Andrade negou alterações na equipe. 

"Não fomos informados. Você deve perguntar [sobre a mudança] para quem te informou. A Pepper cuida do site oficial, nós continuamos cuidando das redes sociais. Tudo continua igual", disse. 

FONTE: Folha.Com

sábado, 23 de outubro de 2010

Como ficarão a Globo e a Veja depois das eleições?


Não é de hoje que o sistema Globo, mas de modo mais incisivo a TV Globo, resolveu partir para uma forma de ação e de atuação típicas de um grupo político. O grupo – famiglia Globo – pode até fazer acordos pontuais, mas tem uma clara definição de qual universo que ela ocupa e dentro do qual procura se mover.

Por não ser brasileiro, em verdade a postura pública do grupo é sempre um reflexo das determinações de fora – onde os ventriluquos que supostamente a administram em terras tupiniquins… Resgatando, por não ser brasileiro, o grupo não se sente comprometido com as aspirações do conjunto da sociedade. Construiu, conslidou e solidificou uma liderança que vai ruindo lentamente – mas enquanto não se esvai, continua disseminando a defesa de seus postulados como se eles fossem paradigmas de liberdade, igualdade e democracia.

A TV Globo está apostando alto na eleição de Serra. Sabe que a vitória de Dilma será um probelma a mais, pois como foi bem posto pelo Paulo Henrique Amorim, a Globo (ou seja, a extrema direita) perdeu o controle que tinha no Senado. A aposta da Globo envolve mentiras, montagens, edições e todo um arsenal de crimes que, tivéssemos uma Lei dos Meios de Comunicação, já a teriam tirado do ar tal a reiterada opção pela mentira.

Cabe lembrar, neste sentido, que a tag #globomente é, faz dias, líder mundial entre as mais citadas pelo twitter. A TV Globo, que vai perdendo audiência e com isso recursos privados e públicos (responsáveis pela saúde financeira), sabe que não terá como se recompor com Dilma. Por isso, chafurda cada vez mais no anti-jornalismo, abrindo espaço e dando notoriedade a figuras como Jabor, Molina, Miriam Leitão, Merval, Waack e outros que não passam de entes totêmicos a repetir o que lhes é mandado.

Talvez o ponto alto tenha sido a edição do ‘atentado’ sofrido por Serra. Amparado pela falta de credibilidade do perito Molina – que virou uma espécie de boca-de-aluguel – a Globo materializou umas das mais estapafúrdias criações do seu anti-jornalismo. A reação dos profisisonais de São Paulo após a exibição da matéria talvez tenha sido a mais clara demonstração de que a farsa era grotesca demais. Houve vaias e o assunto logo estourou na rede.

Resta mais uma semana.
Ainda há tempo para a Globo se superar.
Mas que a história da bolinha de papel mostrou o quão ridícula a ex-vênus platinada pode ser na defesa dos seus interesses.

Depois das eleições, restará o desafio de convencer alguns petistas do tipo do Suplicy, do Pallocci, do Rui Falcão, da Helena Chagas (que subitamente abandonou sua paixão pelos tucanos e virou porta-voz da Dilma), do Zé Dutra e outros inomináveis, de que, como disse o Lula, é possível viver sem a Globo. E que isto também chegue até ao pessoal de comunicação/marketing/publicidade da Secom e das empresas como BB, CEF, Eletrobrás, etc.

Veja – por que o governo ainda anuncia?
A Revista Veja é uma história a parte, mesmo sendo parte do mesmo sistema que foi estruturado para atacar o governo, atacar o PT e atacar o Brasil. De escola para bons jornalistas, a Veja transformou-se em depósito da escória do jornalismo. Profisisonais que, em troca do salário, aviltam a própria biografia – esmeram-se em desrespeitar as biografias alheias.

A edição desta semana volta a utilizar uma ferramenta fundamental: a acusação sem provas, o grampo sem áudio. Antes foi aquela palhaçada envolvendo Demóstenes Torres – uma das figuras mais patéticas do Senado – e o Gilmar Mendes (a quem muitos chamam de Gilmar Dantas) num grampo nunca provado, numa interceptação que nunca existiu. Foi uma ação criminosa envolvendo os três – Veja, Gilmar e Demóstenes – com o intuito claro de brecar a ação da Polícia Federal no cerco às ações criminosas que, de uma forma ou de outra, têm guarida em altas esferas…

A Veja, a despeito desta postura reiterada, ainda assim merece anúncios do Governo Federal. Qual a lógica desta insanidade? Já escrevi várias vezes que a Secom do Governo Federal é um depósito tucano, um entulho. Lá, o que não falta é a hipocrisia de quem assume um discurso ético – mas que não sobrevive a um lampejo de seriedade. Se a Dilma quiser mudar o Brasil, deve começar a mudar a perspectiva de um governo que injeta milhões numa publicação – e não é só a Veja, pois o mesmo acontece com o grupo RBS, a Folha, famiglia Marinho, Estadão (que inclusive conseguiu um financiamento privilegiado) – que pratica um jornalismo de esgoto.

Reitero aqui, inclusive, a estranheza de ver que o ‘Núcleo de Mídia’ é coordenado por alguém que num passado não muito distante, se vangloriava de ser anti-petista. Dizem que o Núcleo não manda nada, então a situação é ainda mais ridícula na medida em que mantêm uma estrutura (salas, telefones, funcionários, etc) que não possui valor e nem tem importância. Pior: pagam para alguém anti-petista e que tem ódio por comunicação comunitária e alternativa.

Já propus inclusive que se fizesse algo simples: que se veiculasse em cada anúncio na Veja o valor que o Governo pagou por aquele espaço. Desta maneira, o contribuinte poderia ver como um governo que tanto fez como o do Lula/PT às vezes gasta mal o seu dinheiro. Na verdade o meu dinheiro. O nosso dinheiro.

FONTE: Blog Passe Livre

Conversa Afiada: O problema da #globomente é o Senado. Ela não vai impedir a Ley de Medios

Nunca dantes na História deste país 

Ligo para o Vasco, marinheiro de longo curso, que acabava de atracar na baia de Cabrália.

- Vasco, e a Globo ?

- Alguma novidade ?, perguntou ele, invariavelmente cético.

- Rapaz, o jornal nacional perdeu a compostura. É o Golpe deslavado.

- Alguma novidade ?, ele insiste.

- Pêra aí, agora, é diferente: agora até os jornalistas do jornal nacional vaiam o Ali Kamel.

- Sempre vaiaram, só que não se ouvia.

- Sim, o Ali Kamel manda muito, mas só faz o que o patrão quer  – ou deixa fazer …

- Isso é irrelevante, meu filho, disse o Vasco, já impaciente.

- Como assim, ir-re-le-van-te ?

- A Globo está diante de um problema que jamais enfrentou.

- A perda da audiência, me antecipei.

- Não, meu filho. A perda do Senado.

- Do Senado ?, perguntei incrédulo.

- Veja bem, meu filho. Nunca dantes na História desta República a Globo deixou de controlar o Senado.

- É verdade …

- Perdeu o controle da Câmara, em algumas instâncias, mas o Senado sempre foi a última linha de resistência dela.

- É verdade, Vasco, que bom que você voltou de alto mar.

- A Globo chegou a nomear até seu Senador ad hoc …

- Sim, o Senador Evandro, chefe do escritório da Globo em Brasília.

- Ele é tratado de Senador …

- E agora, Vasco ?

- Agora, o Lula mudou a composição do Senado.

- É verdade, não contaremos com grandes tribunos. Aquele do cartão Visa de Paris, o tenho jatinho porque posso, o eterno Marco Maciel … O que ele pensa, mesmo, hein ?  É … o Lula fez um estrago.

- E aí a Globo perdeu dois movimentos. Primeiro, perdeu a capacidade de fazer leis. E, segundo, perdeu a capacidade de paralisar o Governo no Senado.

- O que significa … paralisar o Governo …

- Significa que a Globo perdeu a capacidade de usar o Senado para desestabilizar a República.

- É verdade.

- E, portanto, de impedir a Ley de Medios.

- É verdade !

- A Dilma vai herdar a maioria que o Lula deixou para ela fazer a Ley de Medios. Ele não fez, mas entregou o legado na bandeja.

- Vasco, qual foi a cachaça que você tomou em alto mar ? Mineira ou baiana ? Você está impossível !

- A Globo não vai poder fazer mais aquele ping-pong com o Senado. O Arthur Virgilio Cardoso denunciava, a Globo ia atrás. A Globo denunciava, o Arthur Virgilio Cardoso ia atrás …

- E com a Veja, com a Folha (*) …

- A última arma que resta à Globo é o jornal nacional.

- E o Ali Kamel.

- Debaixo de vaia.

Pano rápido.

Clique aqui para ler “Bendito 2.o turno”.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um  comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Desabafo de um Eleitor Tucano Desiludido com a Campanha

Originalmente postado nos comentários do Site Terra, na notícia de que prefeitos tucanos da Bahia decidiram apoiar Dilma Leia Aqui, o eleitor mostra seu desencanto com os rumos da campanha serrista.

Pró Serra 45

postado:
23/10/2010 - 20h05
AMIGOS TUCANOS!!!

Nos últimos dias veio a tona o que já se imaginava.
Quando do início do segundo turno, eu e mais 19 colegas, nos reunimos e criamos um comitê independente de apoio a candidatura de José Serra. Munidos das mais puras intenções tentamos concientizar aos apoiadores na Internet que uma campanha propositiva seria a maneira correta de capturar os votos de Marina Silva e que a baixaria só aumentava a rejeição de nosso candidato.

Fomos praticamente escurraçados da Internet, nos chamaram de petistas inrustidos e outros adjetivos, que não cabe explicitar. Então recorremos a coordenadoria da campanha de José Serra. Para nossa surpresa fomos muito mal recebidos, alias, fomos tratados como se fôssemos inimigos. Os argumentos eram muito simples, era preciso desqualificar o adversário, utilizando todos os meios possíveis, não importava os recursos.

Esta campanha de intrigas e baixarias era e ainda é, coordenada diretamente pelo senhor Índio da Costa dos Democratas. Fomos informados que para ajudar na campanha deveríamos estar alinhados com esta coordenadoria. Não aceitamos e nos afastamos para não nos chamarem de traídores.

Agora veio a tona o caso do Aborto da Mônica Serra, o roubo do Paulo Preto, o dossiê contra Aécio Neves e por último a farsa da bolinha de papel.

Nosso partido entrou num buraco sem fundo com José Serra e os Democratas. 

Não podemos concordar com isto, todo PSDBista que, como nós, preza pela ética, honestidade, coerência e a verdade não pode fazer campanha para esse grupelho que tomou de assalto nosso partido. Vamos juntos expulsar do PSDB essa corja do DEM, vamos juntar os cacos e nos preparar para em 2014 termos um partido com princípios para conquistar a presidência!!!

Um forte abraço a todos e desculpem pelo desabafo.

Rio de Janeiro RJ, 23 de outubro de 2010.
 
FONTE: Terra 

PDT denuncia fraude em AL e diz que mais de mil mesários votaram por eleitores no 1° turno

Carlos Madeiro
Do UOL Eleições
Em Alagoas
O PDT ingressou com uma ação no TRE-AL (Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas) pedindo investigação e medidas preventivas contra supostas fraudes ocorridas durante o 1° turno das eleições no Estado, no dia três de outubro. O partido denuncia que mesários teriam votado no lugar de eleitores em quase 20% das urnas eletrônicas, mas não faz acusação nominal contra qualquer candidato ou partido.

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Em Alagoas, o candidato do PDT ao governo, Ronaldo Lessa, está no segundo turno contra o atual governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Apesar de denunciar fraude no 1° turno, Lessa era apontado como terceiro colocado nas pesquisas feitas às vésperas da eleição e garantiu-se no segundo turno por uma diferença de apenas 4.818 votos (0,35 ponto percentual do total válido) do terceiro colocado, o senador Fernando Collor de Mello (PTB).

Segundo documento encaminhado ao TRE-AL na última terça-feira (19), o diretório nacional do PDT alega que em 1.065 seções (das 5.641 existentes em Alagoas) “a média de votos rápidos por minuto no período final [após as 16h] foi maior que nos outros dois períodos (8h-12h e 12h-16h)”.
O partido explica que leva em conta que voto rápido é aquele dura menos de 40 segundos entre a autorização do mesário e a confirmação do eleitor. O total de votos questionados não é informado na denúncia.

Ainda segundo o documento encaminhado à Justiça eleitoral, “o crescimento de voto rápido no período não foi encontrado nas demais 4.576 urnas usadas no 1° turno em Alagoas, sugerindo hipótese de emprenhamento de urna pelos mesários”.

O PDT alega ainda que quantidade de votos inseridos desta forma “tem potencial para alterar significativamente o resultado do 2° turno, e solicita que TRE adote duas medidas: “impedir votos de mesários” e “convocar os presidentes de mesas das referidas seções para esclarecimento quanto às implicações legais em votar no lugar do legítimo eleitor”.

Em ofício de resposta encaminhado ao diretório nacional do PDT nesta sexta-feira (22), o presidente do TRE-AL, Estácio Gama, informa que encaminhou a denúncia ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para que ele tome as providências que achar necessário, mas sugere ao PDT que seja “operacionalizada uma rigorosa fiscalização institucional” sobre os dados oficiais.
O UOL Eleições tentou contato com o MPE na noite desta sexta-feira, para que o procurador Regional Eleitoral, Rodrigo Tenório, comentasse as denúncias e informasse prazo para conclusão da investigação, mas não obteve êxito.

A reportagem também entrou em contato com a assessoria de imprensa de Teotonio Vilela Filho e foi informada que o candidato não havia se pronunciado sobre o caso.
Não é a primeira vez que um candidato questiona na Justiça fraude nas eleições em Alagoas. Em 2006, o candidato derrotado ao governo, João Lyra (PTB), questionou o resultado da votação, alegando fraude nas urnas eletrônicas. Lyra perdeu em todas as instâncias por unanimidade, que manteve o resultado que elegeu Teotonio Vilela Filho.

FONTE: UOL

Só mesmo Serra + Paulistas inconformados do PSDB esperam por Aécio

Paulista é bicho engraçado. Normalmente impedernido, oriúndo de seu imaginário de que aqui é o melhor dos mundos, que somos a locomotiva da nação e que tudo depende exclusivamente do que quizermos. Assim é e age grande parte do povo paulista, principalmente aquele que se julga acima dos demais. Quer um exemplo mais claro? José Serra. Ele é o Sol. O retrato exato do paulista mais retrógrado! Porque então se ajoelham agora em busca de socorro de Aécio Neves em MInas? Porque não aceitaram as prévias que ele tanto buscou? Simplesmente por que paulista é assim: Eu sou bom, o resto que me acompanhe e aproveite as migalhas...

O ataque serrista à imprensa mineira



Enquanto isso, o Estado de Minas dá de ombros para tanta raiva. Enquanto o circo pega fogo, resolve fazer uma justa homenagem a Pelé. Mas sabe que fez um estrago nos gramados  paulistas do tucanato: "Melhor assim!", deve estar pensando a direção do periódico.
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Na esfera política, jornalistas globais e imprensa paulista, de filiação serrista, estão em fúria contra o jornal Estado de Minas. Quando não em fúria, amuados, ressentidos.
A raiva dos jornais paulistas (Estado e Folha) se expressa pelo insistente silêncio em relação à origem da contra-investigação motivada pelos golpes duros que Serra pretendia dar em Aécio.

Mas é do Rio, mais precisamente do Globo, que vem a demonstração mais nitida de ira: Ricardo Noblat vem afirmando em seu twitter que o jornal "Estado de Minas não faz jornalismo" (em referência à nota do EM sobre o caso, em que diz que "faz jornalismo", que já é, por sua fez, uma resposta jocosa à imprensa serrista)

Isso porque o periódico não divulga os relatórios entregues pelo jornalista Amaury Ribeiro JR. Como se fosse a primeira vez que um jornal guardasse informações para a melhor hora.

A estratégia de Noblat é desacreditar o jornal e os jornalistas mineiros pelo que não divulgaram. "Se não mostra, é  porque não tem provas", afirma. Nem o foca mais ingênuo cairia nessa argumentação.
Enquanto isso, o Estado de Minas dá de ombros para tanta raiva. Enquanto o circo pega fogo, resolve fazer uma justa homenagem a Pelé. Mas sabe que fez um estrago nos gramados paulistas do tucanato: "Melhor assim!", deve estar pensando a direção do periódico.

A rede toda comenta o caso. Hoje a Carta Capital mostrou detalhes na guerra intra-partidária. Há pouco, mais um trecho do depoimento do jornalista à Polícia Federal,  veio a público pelo Terra. Fica cada vez mais difícil esconder não tanto a reação aecista: mas a falta de limites serristas contra companheiros dos próprios partidos.

A frase de Noblat, vê-se, portanto, não se dirige à investigação de Aécio, mas às provas contra Serra.

NÃO MEXA COM MINAS, QUE MINAS REAGE
Mas o que mais impressiona é que a tucanagem paulista e seus jornalistas já tinham sido alertados que qualquer ameaça não ficaria sem resposta. E ameaças foram muitas, como se estivessem lidando com ingênuos.

Para citar duas, relembramos de alguns ataques sofridos por Aécio Neves quando intencionou disputar a candidatura tucana: a divulgação de que teria agredido a namorada, por Juca Kfouri, e a grosseria do artigo de Mauro Chaves ("Pó pará, Governador)" publicado pelo Estadão em fevereiro de 2009.

Seguiram-se muitos ataques, principalmente, da imprensa paulista contra Aécio Neves. E seguiram-se também alertas consistentes de que as tentativas de humilhação não ficariam sem resposta.

Nesta semana, o jornal Hoje em Dia lembrou um episódio que deixava claro que as relações entre tucanagem mineira e paulista não estavam bem desde 2008. Aconteceu  durante as comemorações de 80 anos do veículo concorrente:
"O assunto dominante na noite foi o recado a José Serra dado, indiretamente, em discurso pelo diretor do jornal (O Estado de Minas), Álvaro Teixeira da Costa: 'Não mexa com Minas, que Minas reage' - referência à possível espionagem de (Marcelo) Itagiba contra Aécio Neves'".

Só depois da desistência de Aécio, é que jornalistas paulistas começaram a afagar o ex-governador de Minas, quase implorando que ele fosse o vice na chapa. Aécio ignorou, ironizou e cuidou da sua candidatura ao Senado. O recado veio por um editorial do EM: "Minas à reboque não!"
O clima voltou a esquentar por conta da negativa de Aécio. Quase os mesmos jornalistas divulgaram diversas notas criticando a postura de Aécio nas eleições, que ignorava  insistentemente o sufoco de Serra.

Ontem, Noblat reclamou que Aécio em vez de ajudar Serra em Minas, vinha fazendo campanha no Nordeste. O jornalista sabe que, sem Minas, não há qualquer chance para Serra.
E, com informações jogadas no ventilador, ficou tudo mais difícil. A culpa, devem estar pensando os jornalistas serristas, é dos mineiros. Para variar.

Enquanto isso, a imprensa mineira reage. Mas com reportagens sobre Pelé, mostrando que o Rei, apesar de ter feito carreira em São Paulo, nasceu em Minas.
Quer recado mais direto?

FONTE: Blog do Nassif

IstoÉ: Os santinhos de uma guerra suja - Parte 1

A poucos dias da eleição, a campanha de José Serra se aproxima de grupos ultraconservadores e reforça a tática do ódio religioso. O oportunismo político divide a Igreja e vira caso de polícia

Alan Rodrigues e Bruna Cavalcanti
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BAIXARIA
A Polícia Federal apreendeu 2 milhões de cópias do panfleto
acima numa gráfica de militantes tucanos em São Paulo
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?Eu gostaria de chamar a atenção para este papel que estão distribuindo na igreja. Acusam a candidata do PT, em nome da Igreja. Não é verdade. Isso não é jeito de fazer política. A Igreja não está autorizando essas coisas. Isso não é postura de cristão.? Cara a cara com José Serra e sua equipe de campanha, frei Francisco Gonçalves de Souza passou-lhes um pito. O religioso comandava a missa em homenagem a São Francisco, no sábado 16, em Canindé, no sertão cearense. Meia hora após o início do culto, Serra tinha chegado à basílica, onde se espremiam cerca de 30 mil devotos, atraídos à cidade para uma tradicional romaria. O candidato tucano, acompanhado do senador Tasso Jereissati e de outros correligionários, estava em campanha. Em tese, aquele seria um palanque perfeito para alguém que, como Serra, tem peregrinado por templos religiosos se anunciando como um cristão fervoroso. Enquanto ele assistia à missa, barulhentos cabos eleitorais distribuíam panfletos. Os papéis acusavam Dilma Rousseff de defender ?terroristas?, o ?aborto? e a ?corrupção?. Frei Francisco resolveu reagir ao circo e, então, o que era para ser uma peça publicitária do PSDB transformou-se num enorme vexame. Sob aplausos dos fiéis, o franciscano pediu que Serra e Jereissatti não atrapalhassem a cerimônia e que se retirassem, se não estavam ali para rezar. Jereissatti, descontrolado, passou a gritar que o padre era um petista e tentou subir no altar. As cenas gravadas pelas equipes de tevê de Serra jamais seriam usadas na campanha.
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MULTIUSO
Kelmon Souza mora na sede da Associação Theotokos
A saia-justa em Canindé foi apenas o primeiro sinal de que a estratégia tucana de apelar a preconceitos religiosos e difamação estava começando a dar errado. Um dia depois, no domingo 17, no bairro do Cambuci, região central de São Paulo, a Polícia Federal apreendia dois milhões de panfletos anti-Dilma numa gráfica pertencente à irmã e ao sobrinho de Sérgio Kobayashi, um dos mais influentes coordenadores da campanha do PSDB. A partir daí, pouco a pouco, vinha a público a armação de uma guerra suja comandada pela central de boatos instalada no comitê central de Serra. É a maior campanha de mentiras já montada em uma eleição. Os panfletos apreendidos evidenciavam que os tucanos montaram um bureau especializado em divulgar difamações, reunindo profissionais da mentira com a tarefa de espalharem boatos envolvendo principalmente sexo e aborto. Com tentáculos no submundo da campanha eleitoral, este aparelho utiliza-se de setores radicais geralmente afeitos à sombra da atividade política institucional: integralistas, monarquistas da direita extremada e setores ultraconservadores da Igreja (leia quadros acima e ao lado). Ao contrário do que pressupõe a biografia oficial de Serra, esses fatos demonstram que para tentar vencer a eleição o ex-governador paulista fez parceria até com grupos que sempre estiveram ao lado do autoritarismo.

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OPINIÃO
Dilma, cercada por repórteres,
condena o uso da religião na campanha

IstoÉ: Os santinhos de uma guerra suja - Parte 2

A poucos dias da eleição, a campanha de José Serra se aproxima de grupos ultraconservadores e reforça a tática do ódio religioso. O oportunismo político divide a Igreja e vira caso de polícia

Alan Rodrigues e Bruna Cavalcanti
 A ordem para encomendar o material à gráfica ligada aos tucanos partiu de dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele é antigo conhecido do PSDB, amigo declarado de seu conterrâneo Sidney Beraldo, deputado estadual pelo partido e um dos coordenadores da campanha de Serra em São Paulo. Nas conversas de sacristia, dom Luiz tem fama de ser um homem ?maquiavélico? e ?implacável?. Padres o descreveram à ISTOÉ como alguém que não aceita opiniões divergentes e já criou situações embaraçosas para constranger e afastar subordinados que questionam seu radicalismo. Para fazer os contatos com a gráfica dos Kobayashi, dom Luiz contou com a ajuda do ex-seminarista Kelmon Luís da Silva Souza. Frequentador da Catedral Metropolitana Ortodoxa, na zona sul de São Paulo, Souza também é presidente da Associação Theotokos, um grupo católico ultratradicionalista, e membro do autodenominado Partido Monarquista Brasileiro. Em 2006, um dos parceiros do ex-seminarista que atua numa organização integralista (leia quadro abaixo) doou R$ 3,5 mil para a campanha do deputado federal Índio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa de Serra. Quando a atuação de Souza e dom Luiz tornou-se pública, os dois se enclausuraram. Nos próximos dias, no entanto, terão de prestar depoimento à Polícia Federal, investigados por crime eleitoral, calúnia e difamação.

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A distribuição de panfletos caluniosos em paróquias que estão sob a jurisdição de outros bispos provocou um racha na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. ?O embate ideológico que existiu nos primeiros anos da CNBB, mas estava ausente nas últimas décadas, ameaça voltar após as eleições?, avalia dom Pedro Luiz Stringhini, bispo de Franca. Fiéis não param de telefonar e mandar e-mails para a Cúria Diocesana de Guarulhos condenando o comportamento de dom Luiz. Eles questionam: se os cofres da igreja estão quase vazios, com que dinheiro o bispo vai pagar a encomenda dos panfletos que beneficiam Serra? ?Na segunda-feira, recebi uma ligação de dom Luiz pedindo desculpas pelos transtornos?, contou à ISTOÉ Paulo Ogawa, administrador da gráfica que trabalha para o PSDB. ?O Kelmon também telefonou?, disse ele. ?Garantiu que eu não ficaria no prejuízo e que a fatura do material apreendido pela PF, no valor de R$ 30 mil, poderia ser enviada porque a igreja iria pagar.?

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POLÍCIA
Cardozo (PT) pede que a ligação dos tucanos com a gráfica seja apurada
As acusações contra Dilma que aparecem nestes panfletos são idênticas às divulgadas pela central de boatos dos tucanos na internet. No bureau de difamação instalado no QG tucano trabalham 30 ?troleiros?, como são chamados os militantes que rastreiam e espalham pelas redes de computadores propagandas negativas e calúnias sobre a candidata do PT. O comitê da campanha de Serra ocupa quatro andares do antigo Edifício Joelma, no centro de São Paulo. No térreo fica o chamado baixo clero, que recebe informações de militantes que estão nas ruas e busca cooptar lideranças de diversos segmentos, como o dos religiosos. É ali que trabalham operadores como o pastor Alcides Cantóia Jr. Ele coordena com afinco o grupo dos evangélicos que, entre seus trunfos, se orgulha de ter conseguido a adesão do pastor Silas Malafaia, do Rio de Janeiro, estrela de um dos vídeos mais ferinos contra Dilma. Na última semana, o grupo foi encarregado de oferecer benefícios financeiros às igrejas e seus projetos sociais, uma forma de compra de votos que deverá ser investigada pelo Ministério Público Eleitoral. O cérebro do bureau fica no 20º andar do Joelma, ninho dos tucanos mais poderosos. A avalanche de baixarias que eles produzem é tão intensa que o PT já recebeu mais de cinco mil denúncias sobre mensagens e vídeos ofensivos à candidata petista. Apesar de toda essa estrutura, o presidenciável Serra procura se apresentar como vítima e cinicamente afirma que foi o PT que colocou o debate sobre o aborto na pauta eleitoral. Não foi (leia reportagem acima).

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Para combater a disseminação de calúnias, a coordenação da campanha de Dilma criou, na semana passada, uma espécie de disque-denúncia em 59 cidades brasileiras. ?Há indícios veementes de que os panfletos apreendidos pela PF foram produzidos pela campanha de nosso adversário?, disse o deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP). ?A despesa é por conta da diocese de Guarulhos, que tem pleno direito a manifestar-se sobre questões que considera relevantes?, retrucou Serra. A alegação do tucano não é verdadeira, como explica o advogado Eduardo Nobre, especialista em direito eleitoral: ?Entidade religiosa não pode fazer doações para candidatos ou partidos políticos. Os bispos que assinaram o manifesto podem ser processados por calúnia e difamação e ser obrigados a pagar multa.?
A campanha eleitoral rasteira deste ano é um marco na história do País. A onda de mensagens preconceituosas pulverizada na internet pelos grupos ultraconservadores agora aliados dos tucanos debocha do poder de dicernimento do eleitorado. Recorrendo a artimanhas subterrâneas, foge ao debate de questões vitais para o avanço do Brasil. O volume e a rapidez de propagação de falsidades são inéditos. E não há dúvida de onde partem: após o primeiro turno, numa reunião da cúpula tucana em Brasília, foi distribuído um panfleto com instruções de como propagar uma campanha anti-Dilma na internet. Num dos trechos, há recomendação para que militantes visitem o site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, um dos fundadores da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), um dos grupos mais arraigados ao conservadorismo no País.
Apostando no peso do voto religioso, a central de boatos de Serra parece usar métodos da inquisição e fazer campanha para a sucessão de Bento XVI ? e não de Lula. Uma das providências desses militantes tucanos foi distribuir ?santinhos? com a foto e a assinatura de Serra, junto à inscrição ?Jesus é a verdade e a justiça?. Panfletos como este, porém, acabaram irritando muitos católicos. Menos de uma semana depois do vexame de Canindé, o evidente uso e abuso tucano de armações com radicais de ultradireita já dava sinais de fadiga. As feitiçarias e os supostos pecados começavam a recair sobre quem se esmerou em propagá-los. ?A Igreja não tem a tutela nem a missão de dominar a consciência política do povo?, disse padre Júlio Lancellotti, na terça-feira 19, durante um ato de apoio de juristas e intelectuais à candidata petista. O religioso e escritor Frei Betto fez coro: ?Bispos panfletários não falam em nome da Igreja nem da CNBB. É opinião pessoal, só que injuriosa, mentirosa e difamatória.?
Colaborou Francisco Alves Filho

A hipocrisia do aborto

Teoria e prática de Mônica Serra
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Nesta campanha, o casal Mônica e José Serra rompeu a fronteira entre o público e o privado ao dar conotação eleitoreira ao tema do aborto. Quando retirou o procedimento da categoria de saúde pública ou de foro íntimo, o casal abriu um flanco na própria privacidade. Serra vinha condenando de forma sistemática a descriminalização ao aborto. Mônica, por sua vez, havia sido ainda mais incisiva, intrometendo-se no assunto durante uma carreata com o marido em Duque de Caxias (RJ): ?Ela (Dilma) é a favor de matar as criancinhas?, disse a um ambulante que apoiava a candidata do PT. Não demorou para que o relato de um aborto feito por Mônica quando Serra vivia exilado no Chile virasse assunto público. O caso foi trazido à tona pela bailarina e coreógrafa Sheila Canevacci Ribeiro, 38 anos, ex-aluna de Mônica no curso de dança da Universidade de Campinas. Ao lado do marido, o antropólogo italiano Massimo Canevacci, Sheila assistia em sua casa a um debate entre os presidenciáveis quando Dilma Rousseff questionou Serra sobre ataques feito por Mônica. Surpreendida, Sheila se lembrou em detalhes de uma aula de psicologia ministrada em 1992 por Mônica para a sua turma na Unicamp. Ao discorrer sobre como os traumas da vida alteram os movimentos do corpo e se refletem no cotidiano, Mônica contara ao pequeno grupo de alunas do curso de dança que ficara marcada por um aborto que precisou fazer na época da ditadura, devido às condições políticas adversas em que vivia. ?Fiquei assustada com o duplo discurso de minha professora?, afirma Sheila, que na manhã seguinte colocou uma reflexão sobre o assunto em sua página na rede social Facebook.
A coreógrafa acreditava estar compartilhando a experiência com um grupo de amigos, mas o texto se espalhou, ganhou as páginas dos jornais e até uma nota oficial da campanha de Serra negando o aborto. Já Mônica e Serra não fizeram qualquer desmentido sobre o caso. Na sequência, Sheila recebeu milhares de apoios, mas também críticas, incluindo a de ter traído sua antiga professora. ?Foi ela quem traiu minha confiança como aluna e mulher?, diz a coreógrafa. ?Ela não é a mulher do padeiro, do dentista. Ela é a mulher de um candidato a presidente da República. O que ela fala e faz conta.?
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As atitudes das personalidades públicas contam tanto que chegam a provocar temor. Colega de classe de Sheila, a professora de dança C.N.X., 36 anos, também se lembra do depoimento de Mônica na universidade, mas pede para não ser identificada. Recém-aprovada em concurso de uma instituição federal, ela acredita que, se eleito presidente, Serra pode prejudicar sua carreira. Quanto à aula de 1992, C.N.X. conta que o grupo de alunas não chegava a dez e estava sentado em círculo quando Mônica comentou que um dos fatores que tinham alterado sua ?corporalidade? foi a vivência na ditadura e a necessidade de fazer o aborto. ?Ela queria ter o filho, não queria ter tirado?, diz a professora de dança. ?E eu fiquei muito chocada com o depoimento, pois na época era muito bobinha?, completa C.N.X., que passara no vestibular com apenas 16 anos e pela primeira vez vivia longe da família.
Na opinião da professora de dança, nada impede que, de 1992 para cá, Mônica tenha mudado de ideia: ?Mas ela não pode ser hipócrita. Sabe que o aborto é uma experiência traumática.? Trata-se também de um tabu no País, embora 5,3 milhões de brasileiras entre 18 e 39 anos tenham feito pelo menos um aborto, de acordo com o Ministério da Saúde. Mais da metade das brasileiras que se submete ao procedimento acaba internada devido a complicações da intervenção. Como se não bastasse, pode ser condenada a pena de um a três anos de detenção, como prevê o Código Penal de 1940, exceto para os casos de estupro ou de risco de morte da mãe. A mudança dessa lei ? ISTOÉ defende a descriminalização do aborto ? pode ser o primeiro passo para acabar com a hipocrisia e transformar a interrupção da gravidez em uma questão de saúde pública e de foro íntimo.