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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Desgraça pouca é bobagem para o PIG: Mídia tenta ofuscar favoritismo de Dilma

Por Altamiro Borges

Âncoras e colunistas da mídia demotucana atingiram o orgasmo múltiplo nas últimas horas. Na televisão, por exemplo, é visível a alegria de Boris Casoy, Carlos Nascimento, Willian Bonner, Merval Pereira e Cristiana Lôbo, entre outros, com a realização do segundo turno das eleições presidenciais. Os espaços concedidos a José Serra, que obteve 32,61% dos votos (33.132.174), e a Marina Silva, que colheu 19,33% (19.636.337), são bem maiores e vistosos do que os cedidos a Dilma Rousseff, que quase venceu o pleito no primeiro turno – 46,91% dos votos (47.651.280).

As edições dos telejornais apresentam os derrotados como vitoriosos – festa dos tucanos em São Paulo e imagens angelicais da candidata verde – e mostram a candidata vitoriosa abatida, como se fosse a grande derrotada. O objetivo desta manipulação grotesca é animar a oposição de direita e desarmar os setores que apostam na continuidade da mudança. O esforço unificado da mídia é para tentar ofuscar o favoritismo de Dilma Rousseff no segundo turno. Ela tenta vender a idéia que será uma nova eleição, como se a realizada neste domingo não tivesse qualquer importância.

Moto-Serra e os votos verdes

De concreto, a oposição demotucana foi derrotada nas urnas. No início da campanha eleitoral, José Serra aparecia como franco favorito – com quase o dobro da intenção de voto da ex-ministra do governo Lula. Antes mesmo do horário eleitoral, ele perdeu milhões de votos e passou para a segundo colocação. A possibilidade de vitória no primeiro turno de Dilma Rousseff, que nunca disputou um pleito e era pouco conhecida da sociedade, era real. Ela só se inviabilizou na reta final graças ao fenômeno da chamada “onda verde”, em boa parte criada pela própria mídia.

Numa análise fria, sem a partidarização apaixonada da mídia demotucana, Dilma Rousseff é a franca favorita para vencer as eleições em 31 de outubro. Ela conseguiu colocar mais de 14,5 milhões de votos a frente de Serra. Dos 19,6 milhões de votos dados pelo eleitor seduzido pela verde Marina, ela precisa colher cerca de 4 milhões para ser eleita a primeira mulher presidente do Brasil. Nem o maior torcedor do tucanato, convertido recentemente ao eco-capitalismo, avalia que Serra conseguirá abocanhar aproximadamente 15 milhões de votos da candidata verde.

Derrota do bloco liberal-conservador

Os colunistas da mídia demotucana destacam apenas os fatores favoráveis a Serra. Dizem que agora Aécio Neves, que manteve com folga o governo de Minas Gerais, estará livre para fazer campanha. Mas ele nunca esteve preso. Se não abraçou na campanha do concorrente paulista foi por outros motivos. Afirmam ainda que Geraldo Alckmin, novamente eleito ao governo paulista, será um importante reforço para sua campanha – mas é bom não esquecer a traição que o mesmo sofreu na eleição para a prefeitura da capital paulista. A vingança pode ser maligna!

Já no caso de Dilma Rousseff, os colunistas da mídia direitista preferem ocultar seu favoritismo. Na primeira eleição em que disputou, ela teve o mesmo percentual de votos de Lula no primeiro turno de 2002 – após três tentativas castradas de chegar à presidência e uma sólida projeção nas lutas sindicais. Além disso, ela contará agora com vários governadores, senadores e deputados eleitos – a vitória do seu campo político nos pleitos estaduais foi acachapante. A correlação de forças se alterou nesta eleição, com a derrota do bloco neoliberal-conservador.

Em síntese, o favoritismo de Dilma Rousseff para o segundo turno é visível – só mesmo a mídia demotucana tenta ofuscá-lo com seus padrões de manipulação. Mas o favoritismo, por si só, não garante a vitória. O segundo turno exigirá muita energia. Será uma guerra sangrenta!

FONTE: Blog do Miro

Paulo Henrique Amorim: A turma que ia dar a surra no Lula perdeu

                                                   Foi assim que a Vanessa ganhou a eleição

No Amazonas, Vanessa do PC do B derrotou Arthur Virgilio Cardoso, aquele que derrubou a CPMF, mandou o Senado cobrir o VISA dele  em Paris e disse que ia dar uma surra no Lula.

Na Bahia, Walter Pinheiro e Lidice da Mata derrotaram Cesar Borges e Aleluia, carlistas e Golpistas.

No Ceará, o excelente deputado petista Pimentel derrotou o Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati na segunda vaga para o Senado.

Em Mato Grosso, Antero Paes e Barros, funcionário do Serra e Golpista de primeira hora, ficou em quarto.

Na Paraíba, Ephraim Moraes, outro Golpista do DEMO, foi derrotado.

Em Pernambuco assistiu-se a um espetáculo deslumbrante: Armando Monteiro e Humberto Costa derrotaram Marco Maciel (12%) e Raul Jungmann (8%).

Dois Golpistas abatidos numa eleição só.

No Piauí, também.

Mão Santa e Heráclito, ambos com 14%, foram solenemente derrotados.

Agora, finalmente, se saberá quem paga os advogados para Heráclito processar este ordinário blogueiro.

No Paraná, outro herói do Golpe na CPI dos Correios, Gustavo Fruet, foi devidamente derrotado para o Senado.

No Rio, César Maia, que ofereceu o Índio ao Serra e pretendia ocupar a extrema direita no Senado, perdeu para Lindberg e Crivella.

No Rio Grande do Sul, Rigotto, que persegue o jornalista Elmar Bones, ficou atrás de Paim e Ana Amélia.

Da bancada Golpista original, autêntica, 24 quilates, sobraram o Demóstenes (o do grampo sem áudio) e o Agripino, no Rio Grande do Norte.

Vão ter que trabalhar com o Aloysio Nunes Ferreira de São Paulo.

Porque em São Paulo, ficou zero a zero.

Martha entrou no lugar de Mercadante e o Aloysio no de Tuma.

Dilma vai controlar o Senado.

Em tempo: cabe registrar que dois candidatos a Governador in pectore do Serra, escolhidos pessoalmente pelo “dedazo” do Serra, foram devidamente trucidados, Jarbas, em Pernambuco e Gabeira, no Rio.

Em tempo 2: como brinde, veja aqui o vídeo com o  discurso de Arthur Virgilio Cardoso no Senado, ao dizer que ia dar uma sura no Lula.

Clique aqui para ler “Três criaturas de Serra já dançaram”.


Paulo Henrique Amorim

FONTE: Blog Conversa Afiada

Miro: Reconquistar o eleitor seduzido por Marina

Reproduzo artigo de Cláudio Gonzalez, publicado no sítio Vermelho:

Uma análise rápida dos resultados eleitorais para a eleição presidencial nos permite opinar que a candidata Dilma Rousseff (PT) só deixou de ganhar a eleição no primeiro turno pois uma parte de seus eleitores, na última hora, migrou para a candidata do Pv, Marina Silva. E este eleitorado está conecntrado principalmente na classe média urbana e na juventude. São eles que Dilma deve reconquistar para garantir uma vitória respeitável no segundo turno.

Com 99,9% dos votos apurados, a candidata Dilma Roussef tinha 46,9% dos votos, José Serra (PSDB) vinha a seguir com 32,6% e Marina Silva em terceiro lugar com 19,3%. Os demais candidatos não alcançaram 1% dos votos. Quem chegou mais perto disso foi Plínio, do PSOL, que obteve 0,9%. Eymael (PSDC), Zé Maria (PSTU) e Levy Fidelix tiveram cada um 0,1%. Ivan Pinheiro (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) tiveram tão poucos votos que com o arredondamento pontuam 0%.

Sete dias antes do primeiro turno, Marina Silva alcançava, na média das pesquisas, 15% dos votos válidos, enquanto Dilma tinha em média 53% e Serra 30%. Fica evidente que o crescimento da candidata verde na reta final deu-se subtraindo votos de Dilma. Isso aconteceu particularmente nas grandes cidades do Sudeste e entre o eleitorado mais jovem. Nos quatro estados do Sudeste Marina obteve mais de 20% dos votos. Dilma perdeu votos para Marina também entre eleitores evangélicos, submetidos nos últimos dias da campanha a uma avalanche de baixarias com viés moralista e religioso espalhadas pela internet por apoiadores do candidato tucano José Serra.

A perseguição implacável da grande imprensa contra a candidata de Lula também ajudou a subtrair apoios que a petista tinha entre o eleitorado de classe média, mais suscetível ao denuncismo da mídia.

Pesou também contra Dilma, creio eu, uma certa dosagem exagerada da presença de Lula nas atividades de campanha e na TV, o que acabou ofuscando a candidata. Ainda que tomar para si o legado deste governo seja o grande trunfo de Dilma, é preciso cuidar para que a campanha dê à ela mais autonomia e identidade, mostrando que Dilma será uma boa presidente por seus próprios méritos e não apenas porque Lula assim desejou. A ex-ministra tem qualidades de sobra para isso.

Classe média

O forte apoio de Lula fez o eleitorado do Nordeste e da maior parte do Norte, além do Rio Grande do Sul e quase todo o Sudeste (com exceção de São Paulo), continuar apoiando majoritariamente a candidata do PT. Mas Dilma viu sua liderança ser superada por Serra em SC, PR, SP e em quase todo o Centro-Oeste (com exceção de GO), além de três estados do Norte (RR, RO e AC). Nestes estados, a diferença entre Dilma e Serra foi pequena, mas sufiente para impedir a vitória no primeiro turno. A preferência por Dilma balança justamente naqueles setores e localidades que não conhecem bem ou não mantém vínculo direto com os projetos sociais e as realizações do atual governo.

Ainda que a internet agregue a opinião de um universo bastante reduzido de brasileiros, pode-se perceber pelas redes sociais que a chamada #ondaverde que levou Marina a uma votação próxima dos 20% cativou boa parte da juventude não-partidária, porém com tendências progressistas. Parte destes eleitores nunca pretenderam votar em Serra, mas precisarão ser cativados pela campanha de Dilma no segundo turno para que possam migrar da #ondaverde para uma #ondavermelha.

A oposição de direita, que dava como certa a derrota no domingo, sai psicologicamente fortalecida do primeiro turno, apesar de não ter conseguido ampliar seu eleitorado a ponto de ameaçar o favoritismo da candidata do governo. A candidatura de Serra não conseguiu empolgar novos setores do eleitorado, ainda está baseada, no geral, no eleitorado mais rico e conservador e naqueles que mesmo sendo das classes C, D e E ainda alimentam algum tipo de preconceito contra o PT.

Apoios para o segundo turno

Ao discursar neste domingo após a confirmação do segundo turno, Marina Silva anunciou que defenderá a realização de uma plenária de seu partido, o PV, com segmentos sociais que a apoiaram, para decidir quem o partido vai apoiar. "O partido vai ter que fazer uma discussão nas suas instâncias e, por respeito aos que fizeram aliança conosco, vai ter de também convidá-los para debater as nossas posições", disse.

Marina mandou recados para a direção do PV, próxima do PSDB e inclinada a manifestar apoio imediato a José Serra. O PV participava da gestão tucana no governo de São Paulo e estava coligado com os tucanos no Rio de Janeiro.

"A nossa decisão será uma decisão que não tem nada a ver com a velha política que se apressa em manifestar uma posição só para vislumbrar pontos lá na frente", cutucou.

Por sua trajetória e seu perfil, a tendência pessoal de Marina é apoiar a candidatura do PT. Sem dúvida, seria uma grande ajuda para Dilma se Marina viesse a público manifestar seu apoio. Mas como essa é uma possibilidade incerta, resta à campanha de Dilma não perder tempo e já começar a construir discursos, propostas e iniciativas para buscar a adesão do eleitorado que votou em Marina no primeiro turno.

Precisa, também, capitalizar as importantes vitórias conquistadas pelos partidos da base de apoio do governo Lula nas disputas para governos estaduais, Senado e Câmara Federal. Revigorados pela vitória e desobrigados da tarefa de buscar a própria sobrevivência nas urnas, estes governadores, senadores e deputados eleitos devem ser chamados a dar uma contribuição ainda mais incisiva à vitória de Dilma no segundo turno do que deram no primeiro turno.

Em 2006, a campanha de Lula pela reeleição conseguiu, no segundo turno contra Geraldo Alckmin (PSDB), não só atrair os eleitores que deram votos a outros candidatos no primeiro turno, como também arrancou uma parcela considerável dos votos do próprio tucano. Fez isso desmascarando a candidatura da direita e mostrando aos eleitores os perigos que a volta ao passado neoliberal representa.

Agora em 2010, quando o encadeamento dos fatos mostram um quadro muito semelhante ao de 2006, não há motivos para que Lula, Dilma e seus aliados não lancem mão desta estratégia. Afinal, Serra, mais do que Alckmin, carrega consigo as marcas de um passado desastroso que o Brasil não quer de volta.

Eduardo Guimarães: Marina, as pesquisas e a comemoração do PIG




Bueno, vejamos por onde começar…

Há tanto há dizer – e tanta ansiedade para que seja dito – que me vi diante da dúvida sobre que assunto abordar primeiro. Imagino, então, que o melhor pode ser dar um panorama geral sobre os casos mais carentes de abordagem e, no decorrer dos próximos dias, ir detalhando o que direi agora sobre cada um deles.

E quais são esses casos? O que precisa ser abordado para que possamos seguir em frente e partir para o debate político do segundo turno? Penso que há três assuntos.

1 – O papel de Marina Silva na campanha eleitoral que, para ela, terminou ontem.
2 – Os erros de TODAS as pesquisas durante o processo eleitoral também de ontem.
3 – O significado e o pateticismo desse sorriso interminável pregado nas múltiplas caras do Partido da Imprensa Golpista (PIG).

Sobre o papel de Marina
Confirmou-se o que sempre se soube, que se tratava de uma “laranja” que serviria para inflar as intenções de voto dos adversários de Dilma de forma a garantir o segundo turno, esse lenitivo no qual Serra, o  PSDB e seus aliados na mídia sempre apostam para vencer o PT.
Marina foi a Heloísa Helena de 2010. Foi exaltada como a musa ética e a reserva moral da campanha, a quem a mídia concedeu a prerrogativa de tecer considerações desabonadoras sobre os adversários revestidas de um ar angelical de quem estava orando pelos pobres do mundo.
Como a congênere alaranjada, Marina se perderá nas teias do tempo e daqui a quatro anos terá que começar tudo de novo, provavelmente sem ser tratada com a mesma complacência pelos adversários.

Os erros das pesquisas
Em pesquisa de intenção de voto, para não dizer em estatística, o que vale é a tendência ao longo de uma linha de tempo. Há fatores imponderáveis como abstenção proposital ou acidental que pode ter sido gerada por falta de documentos, condições climáticas etc. Trata-se, pois, do imponderável por qualquer sondagem do eleitorado.
Em abril, quando o Movimento dos Sem Mídia representou contra TODOS os institutos de pesquisa na Procuradoria Geral Eleitoral por estarem todos sendo acusados pela grande imprensa e pela imprensa dita “alternativa”, havia uma divergência escandalosa nas pesquisas justamente porque, aos pares, os quatro maiores institutos apontavam para tendências divergentes.
Datafolha e Ibope, de um lado, e Sensus e Vox Populi do outro mostravam, respectivamente, ascensão de Serra e estagnação ou queda de Dilma e o contrário disso. Agora, na reta final, todos vinham apontando para queda de Dilma e subida de Serra ao longo das últimas semanas, depois de ela alçar do empate de sua candidatura com a da soma dos concorrentes, que lhe daria a eleição no primeiro turno.

É vigarice dizer que algum grupo de institutos, ou algum instituto isolado, errou mais do que o outro na reta final. Até porque, acho que não erraram. TODOS apontaram tendência de queda de Dilma.
Para este blogueiro sujo, ficou demonstrado, pois, que em um determinado ponto deste ano quem estiva dando tendências divergentes decidiu parar e ninguém acreditou que parou, incluindo quem escreve estas mal traçadas linhas.

A comemoração do PIG
O sorriso no canto dos lábios dos estafetas do PIG, sobretudo os da Globo, é idêntico ao dos tucanos que andaram desfilando triunfantes pelas tevês.
O que comemoravam? Terem perdido de pouco da Dilma.
Alguns tucanos, entre assumidos e enrustidos, contabilizam os votos de Marina como se fossem deles. Assim como fizeram com os de Heloísa Helena, Cristovam Buarque e outros que se dispuseram ao mesmo papel que a laranja verde se dispôs.
Quer dizer, então, que Serra acha que pode vencer a eleição? Bem, eu não dou lá muito crédito a um candidato que terminou o primeiro turno perdendo de longe de uma candidata que nunca disputou uma eleição na vida mesmo com toda a grande mídia e até a Justiça Eleitoral ajudando.
Como dizia o nosso irmãozinho Roberto Carlos, portanto, podem vir quente que nós estamos fervendo. Aguardem.

FONTE: Blog da Cidadania

Falando de política…

Por Leo Carrer do blog Antitelejornal
(…)
 
Ontem tivemos o primeiro turno das eleições, e como era mais ou menos previsto, deu 2° turno entre Dilma e Serra. Digo que era mais ou menos previsto pois, apesar da maioria das pesquisas apontar que Dilma ganharia no primeiro turno, desde os mais recentes debates eu já imaginava que isto não se concretizaria. O principal motivo pra isso se chama Marina Silva, que conquistou grande parte do eleitorado dos dois candidatos, sedentos por fugir desta polarização Dilma/Serra, sedentos por uma nova opção. Admiro muito Marina, acho que suas idéias sobre meio-ambiente fizeram a população refletir sobre vários pontos desta questão, hábitos e atitudes que temos que mudar se quisermos preservar nosso planeta e nossa espécie. Admiro sua preocupação e concordo plenamente em bater tanto na tecla ambiental, afinal de contas, nosso planeta está mudando e todos nós já estamos sentindo os impactos de tanta degradação ambiental. É uma questão de sobrevivência. 
Por outro lado, várias questões e pontos de vista me preocupam em Marina Silva. Infelizmente sua opção religiosa (evangélica) limita sua visão sobre muitas questões sociais importantes, como a liberação do aborto em casos de estupro, a união civil entre homossexuais e as pesquisas com células-tronco, além de muitas outras questões das quais, influenciados por sua visão religiosa, os chamados “crentes” tem posições extremamente retrógradas e conservadoras. Imagino a posição que um evangélico teria, por exemplo, em relação às religiões de matriz-africanas, as quais grande parte do segmento evangélico persegue todos os dias, ou sobre a educação, como poderiam influenciar nos ensinos de história e biologia, obrigando professores a eliminar discussões sobre darwinismo, por exemplo, ou implantando um ensino religioso para “catequisar” nossas crianças desde pequenas. Só de imaginar tais possibilidades já é motivo suficiente para me desesperar ante a possibilidade de termos um presidente evangélico em nosso país. Felizmente, parece que o estado laico se salvou dessa vez. Dilma e Serra, apesar de se dizerem católicos, não tem maiores ligações com a Igreja, nem deixaram qualquer brecha para pensarmos que se deixariam influenciar por sua religião na hora de tomar as decisões. Mais do que um embate entre dois candidatos, esta disputa é um embate entre dois partidos que já fizeram história em nosso país. Não se trata, portanto, de votar simplesmente na Dilma ou no Serra. Mas sim de votar no PSDB ou no PT, de escolher qual o modelo de governo queremos para os próximos oito anos. Fazendo um rápido retrocesso, sem recorrer a dados nem qualquer pesquisa, o que marcou a história desses dois governos?
O governo FHC foi marcado pela estabilização de nossa economia através do Plano Real, uma moeda forte e sólida, que acabou com a inflação e colocou nossa economia no rumo certo. Por outro lado, FHC ficou conhecido também por implantar à risca a cartilha neoliberal em nosso país. Pra quem nunca teve aula de teoria política, a teoria neoliberal é uma herdeira direta do liberalismo, teoria econômica que pregava a não intervenção do Estado na economia, ou seja, o governo deve deixar que as próprias leis de mercado regulem a economia. Além disto, a cartilha neoliberal tem uma série de outras recomendações, como privatizações em todas as áreas. e FHC seguiu à risca esta cartilha. Vendeu várias empresas que eram do governo, nas áreas de geração de energia e telefonia, entre outras. Na área da educação, FHC investiu pouco ou nada no ensino superior no Brasil, deixando as Universidades Federais num total descaso. Ao contrário, ele incentivou a abertura de faculdades particulares, que se multiplicaram, dificultando ainda mais o acesso à educação pelas familias de baixa renda. Na área social,movimentos sociais eram criminalizados, e não havia espaço para o debate com as minorias, como o movimento negro nem de mulheres por exemplo. FHC e o PSDB fizeram um governo voltado para as elites, deixando de lado as classes baixa e até mesmo a classe média, a mesma classe média que hoje faz campanha para o Serra. 
No governo Lula, a estabilidade econômica foi mantida, ao contrário de todos os prognósticos terroristas que diziam que o PT iria dar calote na dívida externa e colocar a economia do Brasil no buraco. Lula não fez nada disto, pelo contrário, solidificou ainda mais nossa economia, gerando empregos (estima-se que foram quase 9 milhões de empregos gerados por Lula, contra pouco mais de 800 mil na era FHC), aumentando nosso PIB e a taxa de crescimento do país (de pouco mais de 2% na era FHC para uma média de 3,5% ao ano). As empresas estatais, ao contrário do que acontecia no governo FHC, foram valorizadas e tiveram crescimentos consideráveis. A Petrobrás por exemplo hoje é uma das maiores e mais sólidas empresas de nosso país, tanto é que ações da petrobrás hoje são um dos melhores investimentos do mercado. Na área educacional, os avanços foram notórios. O investimento na manutenção e reforma das universidades existentes e a construção de novas universidades e centros tecnológicos. Só em Goiás foram quase 10 novos campus do CEFET construídos, espalhados pelo estado, além da construção e reforma de novos prédios da UFG, novas e modernas salas de aulas, além de um imenso Centro de Eventos. Leis importantes foram aprovadas, como a obrigatoriedade do ensino de história da Àfrica e do negro no Brasil, na tentativa de conscientizar desde cedo nossas crianças de nossa herança africana e da importância que teve e tem o povo negro em nossa história, numa tentativa de diminuir o racismo que é tão latente em nossa sociedade. A política de cotas em universidades é outra lei importante que pretende dar mais oportunidade para pessoas negras poderem cursar uma faculdade, visando melhorar as condições de vida dessa população, em sua maior parte integrantes das classes C e D, e que por conta do racismo cruel que vigora em nosso país, tem menos oportunidade de trabalho e de subir na vida do que uma pessoa branca nas mesmas condições. Isso demonstra que as minorias foram ouvidas e tem vez no governo do PT. Continuando no campo social, medidas sociais como o programa Fome Zero foram um dos grandes pilares do governo Lula. Lula implantou e fez funcionar o maior programa social jamais realizado por aqui, que é o bolsa-família, dando à população de baixa renda a oportunidade de sair da miséria, gerando renda e consumo, mesmo que baixos, a estas famílias (clique aqui para uma análise mais detalhada do programa Bolsa-Família). Enfim, Lula e o PT governou para o povo, para as classes baixas e médias, que hoje tem mais poder de compra do que tinham há oito anos atrás.
Portanto, cabe a nós escolher qual o modelo de governo queremos para o nosso país. Não se trata de votar no Serra ou na Dilma apenas. Trata-se de votar no PT ou no PSDB, e no projeto político que cada um deles tem para o nosso país, já deixados claro em seus respectivos governos.
 FONTE: Blog Antitelejornal

Há algo de podre no reino das pesquisas ou no reino das togas?

As pesquisas até a eleição em sua maioria não condizem com a realidade verificada na contagem dos votos, seja para maior ou para menor. Em SP o mais votado para o Senado estava em 3.o Lugar e quem encontrava-se em 2.o lugar não foi efetivamente eleito.

Para presidencia, Serra que beirava a casa dos 27% alcançou quase 34%. Marina que estava ao redor de 16% ficou com quase 20%. Talvez seja interessante elevar a taxa de erro para próximo de 5% e não os 2% para mais ou para menos utilizados por todos os institutos de pesquisa.

Não sei explicar os motivos que levaram milhões de eleitores por todo o país mudarem drásticamente suas intenções de votos da maneira como ocorreu em tão poucos dias. Há algo de muito estranho acontecendo debaixo dos nossos narizes ou minha inteligência me trai nesse momento de ressaca eleitoral.

Vou aguardar  artigos e estudos de especialistas sobre os resultados efetivamente apresentados pelo TSE que possam explicar o que a meu ver nesse momento, é uma barbeiragem tremenda dos principais institutos de pesquisas de opinião pública no país.

Enquanto isso, abaixo um post do Marco Aurélio Mello:

Teoria Conspiratória


Vamos supor que um "software malicioso" inocule no processo de apuração, ou seja, enquanto os dados da urnas eletrônicas são totalizados, no computador central do TSE, a informação que faça o sistema expurgar um de cada dez votos recebidos pela candidata A.

Isso quer dizer que, de cada cinquenta votos que ela viesse a receber, perdesse cinco.
Com quantos votos ela ficaria? 45, certo?

Suponhamos agora que esse mesmo sistema distribuísse esses votos de forma rigorosamente proporcional entre os candidatos B, C, D, E, F, G, H, I, os brancos e nulos.

Para a grande maioria dos eleitores a manobra seria absolutamente imperceptível, certo?
 O candidato B, que tivesse recebido 30 votos ficaria portanto com mais três; a candidata C, que tivesse recebido 18 votos, receberia mais dois e assim sucessivamente.

Ao final da apuração teríamos uma situação inquestionável.

Se considerarmos que apenas um instituto punha em cheque a decisão em primeiro turno e todos os outros não, incluindo-se aí pesquisas de boca de urna divulgadas minutos antes do início da apuração, a teoria conspiratória acima ganha mais contornos de veracidade.

Como não acredito no processo eleitoral brasileiro e desconfio de parte da elite (golpista) e seus prepostos, fico sinceramente em dúvida.

Esta talvez seja a razão pela qual há dez anos votar ou não, no meu caso, deixou de ser relevante.

Hoje, por exemplo, justifiquei porque estava fora do meu domício eleitoral. Nessas horas me lembro do bom e velho Brizola: - Cadê o papelzinho!!!!

Eduardo Guimarães: Só a esperança não vencerá o medo



Começo a escrever bem antes do fim da apuração dos votos. Neste momento, desenha-se um 2º turno. Ou seja: o bombardeio midiático teve maior êxito do que o previsto, como em 2002 e em 2006, e não foi possível vencer com a facilidade imaginada.

Ainda assim, vamos contextualizar as coisas: Dilma Rousseff era a única candidata que não tinha a perspectiva de ver tudo terminar no 1º turno e vence com larga vantagem o 1º, apesar da frustração de quem esperava ver o fim da disputa em 3 de outubro.

Nesta segunda etapa da eleição, pois, haverá que corrigir a rota da primeira no que diz respeito não só à campanha governista, mas à militância.

A campanha de Dilma optou por apanhar calada, sem se defender e, sobretudo, sem atacar. A mídia pôde tomar partido à vontade e a denúncia do partidarismo se resumiu a um discurso exaltado e destemperado do presidente Lula.

Já a militância, nos dias que antecederam a eleição registrava no Twitter e até em comentários nos blogs que estava com “medo” do 2º turno.

Convenhamos: ninguém vence uma luta em que entra com medo ou na qual se deixa espancar sem reagir. É luta, não campeonato de fleuma, do lado da campanha governista, ou uma terapia psicológica, no que se refere à militância.

Dito isso, vejamos qual é a situação de Dilma e de Serra na segunda rodada.
Dilma termina o 1º turno com quase metade dos votos válidos e Serra, com cerca de um terço. Os votos de Marina se dividirão entre os dois. Em que medida, ninguém sabe. Mas ninguém imagina que o tucano herdará todos os votos daquela que serviu para lhe gerar uma chance adicional na eleição.

Marina teve cerca de 1/5 dos votos válidos. Ora, Dilma só precisa de pouco mais de 1/4 desses votos para vencer a eleição em 2º turno. Não se imagina que ela tenha muito menos de 1/3 desses votos. E há os votos dos nanicos, ainda. O quase 1% de Plínio já está com Dilma.

Dilma continua a franca favorita para vencer a eleição, portanto. Mas se a sua campanha continuar deixando a mídia fazer o mesmo jogo do 1º turno, está demonstrado que a capacidade da população de compreender o jogo não é tão grande, sendo necessário, desta vez, enfrentar as acusações que virão pela mídia.

Este blogueiro já dizia que, de alguma maneira, estava dividido entre o desejo de ver a eleição terminar no 1º turno e o de ela ir para o segundo para que finalmente fosse denunciado o trabalho sujo que a imprensa golpista vem fazendo nesses anos todos.

Diferentemente de 2002 e de 2006, e sem o mito Lula na disputa, para enfrentar a máquina da direita midiática não será possível contar só com a esperança para vencer o medo. Quem terá que ajudar a vencê-lo, desta vez, será a coragem

FONTE: Blog da Cidadania

domingo, 3 de outubro de 2010

Paulo Henrique Amorim: jornal nacional pensa que o Brasil é um aterro sanitário

Na foto, a “pesquisa” do jornal nacional

Na véspera de uma eleição com 136 milhões de eleitores, o telejornal de maior audiência é uma sucessão de “resultados” de pesquisas eleitorais.

O programa foi quase todo dedicado a um conjunto de hipóteses realizadas por duas instituições com um histórico de manipulação e erro.

Ao longo mesmo dessa eleição, o Datafalha e o Globope foram flagrados num e noutro caso: manipular e errar.

O Datafalha sempre esteve – como hoje – na companhia do candidato da elite branca (e separatista) de São Paulo.

E o Globope é uma “subsidiária” da Globo e de seus interesses.

NENHUM PAÍS DO MUNDO LEVA PESQUISA ELEITORAL A SÉRIO. SÓ O BRASIL.

Nenhum !

Por que o Brasil leva a sério ?

Porque três famílias controlam o PiG (*) e duas das quatro maiores empresas de pesquisa.

Essas duas empresas de pesquisa desfrutam da audiência do PiG (*) – maior do que a  audiência dos dois outros institutos, a Vox e a Sensus.

A pesquisa casada com o PiG (*) – especialmente a Globo e, especialmente o jornal nacional – é uma arma política.

Do PiG (*) – ou seja, da elite branca (e separatista, no caso de São Paulo).

O PiG (*) e seus institutos de pesquisa são, por definição, imunes a revisão.

Não há como refazer uma pesquisa.

Mas, é possível suspeitar dos “critério técnicos” do Datafalha, sobretudo, o que mais erra.

O Datafalha ouve mais eleitores do Serra.

O pesquisador do Datafalha submete o entrevistado a uma sessão de tortura.

O Datafalha tem tanta relação com o IBGE quanto com o Census Bureau americano.

E o Datafalha pesquisa por telefone.

Todas essas observações já foram feitas pelos blogs sujos, como este ordinário blogueiro e o Luis Nassif, por exemplo.

Este ordinário blogueiro, como se sabe, trabalhou na Rede Globo, trabalhou em cobertura de eleições e é testemunha de como o Globope “fecha” pesquisa em cima da eleição.

O Fernando Henrique se elegeu prefeito por São Paulo pelo Globope.

E por que foi possível chegar a esse ponto ?

Por causa da provisória supremacia da Globo e do PiG (*).

Eles, juntos, de propósito e por incompetência, conseguiram desidratar o debate político do Brasil.

O PiG (*) e especialmente a Globo não têm espaço para debater políticas públicas.

As tevês educativas e públicas foram devidamente desidratadas.

Os partidos políticos também desidrataram a política.

A política no Brasil se faz ao largo dos foros públicos, das arenas para confrontar ideias.

O PT saiu da rua.

O Governo Lula tirou o PT da rua.

E o PSDB tem medo da rua: quantos comícios fez o Serra nessa campanha ?

Resulta que as informações mais relevantes da campanha apareceram nos programas do João Santana no horário eleitoral da Dilma.

Desde o primeiro, ainda sem que a Dilma fosse candidata, quando o Santana pendurou o FHC no pescoço do Serra.

Tem culpa também essa excrescente legislação eleitoral.

Primeiro, revelou-se “imparcial”, como a Dra Sandra Cureau.

Segundo, inútil, porque teve que depositar a Ficha Limpa e os dois documentos no vácuo cinzento que fica entre as ilustres poltronas ministeriais do Supremo.

E terceiro, porque, com medo da parcialidade da Globo e do PiG (*),  permitiu que os partidos engessassem a cobertura da campanha – como fizeram com o debate.

Clique aqui para ler “por que o debate da Globo não presta”.

Só uma Ley de Medios dá jeito nisso.

Só uma Ley de Medios leva o debate para a rua.

Sem Ley de Medios, os eleitores da Dilma de hoje votarão no Berlusconi em 2014.

É o que o Wanderley Guilherme dos Santos também disse, em excelente artigo no Valor desta sexta-feira.

Vamos, então, esquecer que esta foi uma eleição entre uma candidata trabalhista e dois conservadores, unidos pelas tripas.

Vamos relevar as diferenças ideológicas, óbvias, entre trabalhistas e conservadores.

Quem diz que “esquerda” e “direita” acabaram é a direita.

Vamos ficar nas figuras públicas, nas personas em disputa.

Nada mais “televisivo”, nada mais “notícia” do que “personagem”.

De um lado, José Serra, uma “spent force”, diriam os professores dele em Cornell.

(Como é que um exilado político, que saiu do Chile de Allende, foi parar nos Estados Unidos, assim, numa “nice” ?)

Gasto, “força desgastada”, superado, ideologicamente envelhecido.

Ancorou-se em 2002, quando teve 39% dos votos (contra 61% do Lula) e achou que venceu a eleição.

Tanto que o PiG (*) sempre o tratou como “presidente eleito”, depois de 2002.

Faltava tomar posse.

O Serra não percebeu que o Brasil mudou com Lula.

Que o Lula engordou a Classe C.

Para os tucanos de São Paulo, costuma dizer o Paulo Henrique Amorim, a “Classe C” fica entre a Business e a Primeira.

A ascensão social é mais do que uma questão econômica, que o IBGE possa medir.

Isso tem a ver com política, com visão de mundo.

É “cidadania”, como o Lula repete.

Ou, como diria o Albert Hirschman, que o Fernando Henrique leu e finge que não leu: o consumidor vira cidadão.

(Por falar nisso: cadê o Fernando Henrique ? Não vai segurar a alça do caixão ?)

Essa poderia ser uma discussão interessante, em torno de candidatos e personagens da Classe C.

Mas, o jornal nacional preferiu fazer uma tournée aero-rocambolesca para mostrar o que o Brasil tem de pior.

Um esgoto sanitário em cada esquina.

Bom mesmo, que este ordinário blogueiro tenha visto, o jornal nacional só achou em … onde ?, amigo navegante ?

Em São Paulo !

Em Lençóis Paulista …

O PiG (*) e a Globo poderiam falar do “verdismo” da Marina.

Como fez o meu amigo Mauro Santayana: a candidata de duas caras.

Pela frente, a pobrinha que anda num jato de US$ 50 milhões.

Por trás, os americanos e o James Cameron.

Como foi a jestão da Marina no Ministério ?

Um desastre ecológico, uma British Petroleum.

Além de traíra, ela é uma péssima administradora.

Como aquele outro traíra, o Cristovão Buarque, que foi mandado embora a tempo de salvar o programa educacional do Lula.

Por que a urubóloga Miriam Leitão acusava a Marina Ministra de desmatar o Brasil e, depois, viu nela uma cruza de Joana D’Arc com Angelina Jolie ?

Clique aqui para ler “Lucia Hippolito vota na Marina. Por que a Globo trocou de candidato ?”.

(Este post chega a dizer – que absurdo ! – que as eleitoras da Marina usam Kelly bag com sandália haviana verde !

(Quá, quá, quá !)

A Dilma será a primeira mulher presidente da Brasil.

A Dilma será o primeiro presidente que é da primeira geração de imigrantes.

A Dilma será a primeira presidente que lutou na clandestinidade – e se orgulha disso ! – contra o regime militar.

E, muito importante, como ressalta o sábio Fernando Lyra – a Dilma se elege FORA da política partidária: ela nunca foi eleita para cargo nenhum.

Ela é uma renovação, nesse sentido também.

E o jornal nacional adora “pesquisa”.

O jornal nacional de sábado e a sucessão de DUAS  “pesquisas” por estado, com “margens de erro” que engolem tudo (manipulação, despudor, imprecisão técnica etc etc ), são reflexo de uma eleição sem política.

O jornal nacional trata a eleição – como tentou fazer do Brasil, na tournée aero-rocambolesca – como se fosse um aterro sanitário.

Onde nada germina.

O jornal nacional vai ver o que germina hoje à noite.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

A eleição em SP não está decidida

Por Altamiro Borges

Apesar da torcida escancarada da mídia demotucana, a eleição em São Paulo não está decidida. Haverá muita adrenalina no processo da apuração. Segundo o Ibope, o ex-governador Geraldo Alckmin, seguidor do Opus Dei, aparece com 51% dos votos válidos; o petista Aloizio Mercadante subiu para 33%, numa expressiva arrancada na reta final; Celso Russomanno (PP)tem 8%; Paulo Skaf (PSB), 6%; e Fabio Feldman, 2%. Eles somam 49% dos votos válidos, numa pesquisa em que a margem de erro é de 2%.

Há uma evidente "fadiga de material" com os 16 anos de reinado do tucanato em São Paulo. Mas o primeiro turno ainda não foi suficiente para mostrar à sociedade todos os estragos causados pela hegemonia do PSDB, que travou o desenvolvimento do estado - emperrou a tal locomotiva - e agravou os problemas sociais do povo paulista.

O segundo turno teria o mérito de evidenciar os enormes danos causados, que a mídia demotucana sempre blindou, num impressionante processo de proteção aos tucanos. A militância nas ruas, principalmente nas abandonadas periferias, será decisiva neste dia do voto na urna eletrônica. Há espaço para reverter muitos votos.

Disputa para o Senado

Prova de que é possível uma surpresa na disputa para governador é que pela primeira vez o candidato da direita à sucessão, José Serra, deverá sofrer uma derrota no estado. No início da campanha, os tucanos avaliavam que teriam cinco milhões de votos a mais na disputa presidencial. Até os partidos da base de apoio do governo Lula trabalhavam com a hipótese de 2,5 milhões de votos de diferença para o tucano. Agora, porém, as pesquisas indicam vitória de Dilma Rousseff em São Paulo.

Outra prova contundente da "fadiga dos tucanos" no estado se dá na eleição para o Senado. As pesquisas já confirmam a vitória de Netinho do Paula, do PCdoB, e de Marta Suplicy, do PT. A direita fez de tudo para evitar ficar de fora do Senado. Na reta final, ela concentrou todas suas fichas na campanha do tucano Aloysio Nunes.

Orestes Quércia, do PMDB serrista, abandanou a disputa e cedeu seu tempo na TV para o tucano. A Folha de S.Paulo chegou a "matar" o senador Romeu Tuma, num dos maiores crimes da mídia demotucana, talvez para tentar ajudar o candidato do PSDB. A onda de baixarias contra Marta e, principalmente, contra Netinho, foi nojenta. Mesmo assim, o tucanato ficará de fora do Senado no mais importante estado da federação.

FONTE: Blog do Miro

Aprofundando a democracia - Oito anos de mudanças

“Uma avaliação política dos oito anos do presidente Lula precisa ir além das escandalosas manchetes dos jornais e olhar em profundidade as mudanças iniciadas. Uma delas é a ação da Polícia Federal contra os poderosos; outra é o acelerado ritmo de realização de Conferências Nacionais, que já envolveram mais de 4,5 milhões de pessoas

Por José Carlos Ruy

Um estudioso que, no futuro, fizer a avaliação política do governo do presidente Lula, vai se defrontar com duas realidades distintas. Uma, à superfície, é a que estará reproduzida nas manchetes principais dos jornalões, que se referem às escandalosas acusações contra o presidente e seu governo durante os oito anos de seu mandato.

Contudo, se o pesquisador tiver realmente interessado em ir a fundo e procurar informações em arquivos policiais ou judiciários verá que as manchetes, levianas, na imensa maioria dos casos foram desmentidas pela investigação, pois eram, na verdade, armas da luta política da direita contra um governo que iniciou um processo de mudanças para aprofundar a democracia no Brasil e, para usar uma palavra em moda, republicanizar o Estado, o governo e os órgãos públicos. Isto é, colocá-los a serviço dos brasileiros, e não apenas de um pequeno grupo de privilegiados das classes altas da sociedade, como ocorreu no país na quase totalidade de sua história.

Nesse sentido, aquele pesquisador poderá descobrir que o governo do presidente Lula reconstruiu o Estado depois de mais de uma década de governos tucanos que fragilizaram as instituições públicas e os órgãos de ação governamental, seja na economia, na formulação de políticas públicas, nas relações exteriores, na garantia da soberania nacional. O exemplo sensível, neste particular, é o contraste entre os dois governos em relação às Forças Armadas brasileiras. Enquanto o governo de Fernando Henrique Cardoso sucateou as Forças Armadas e quase rendeu-se às pressões norte-americanas para reduzí-las a um mínimo meramente simbólico, o governo Lula reaparelhou nossa força militar e deu-lhe condições mais favoráveis para cumprir sua missão constitucional de defender a nação. Isso sem levar em conta a recuperação do papel do Estado para induzir o crescimento econômico, que foi abolido sob FHC e recuperado sob Lula, como se viu na capacidade brasileira de defender-se perante a grave crise econômica (a mais grave em 80 anos) desencadeada nos EUA em 2008.

Reaparelhou também a Polícia Federal (também sucateada durante os anos FHC), que pode cumprir sua função e agir contra ilícitos cometidos principalmente por gente que, até então, era vista como acima do bem e do mal e estava isenta de qualquer investigação por este organismo. Quem não se lembra do “engavetador geral da República” de FHC, o Procurador Geral Geraldo Brindeiro, cujas gavetas foram verdadeiros sepulcros para acusações graves contra altos figurões das altas esferas.

Nos oito anos do governo de FHC, a Polícia Federal realizou apenas 28 operações. Sob Lula, até o começo de 2010, foram 1.033 operações – quase quarenta vezes mais! Elas prenderam 13.232 pessoas, 14.964 servidores públicos, entre eles 94 policiais federais. Foi uma novidade notável para os padrões costumeiros da realidade política brasileira: a Polícia Federal agiu contra juízes, policiais, auditores fiscais, agentes do Ministério Público Federal, prefeitos, governadores, parlamentares de todos os níveis, banqueiros, empresários – gente que até então estava pouco acostumada a prestar contas de crimes que cometeram à sociedade brasileira.

Essa nova realidade, que faz parte de um outro aspecto de significado mais profundo das mudanças iniciadas no governo Lula e que afetam vivamente a nova realidade política do país, poderá chamar a atenção daquele pesquisador.

Este aspecto não se limita à luta contra o crime e à ação contra membros das classes dominantes. Uma inovação, de natureza política e profundas consequências democráticas, foi constituída pelas conferências nacionais realizadas durante estes oito anos de mudanças.

Neste período, a concepção de democracia avançou no sentido de romper com a formalidade do voto, à qual os conservadores sempre se esforçaram para reduzir a participação popular. Além de se certificar da garantia do processo democrático e eleitoral em sua integridade, aquele pesquisador poderá também se surpreender com a intensidade da participação popular nas inúmeras conferências nacionais realizadas desde 2003. Elas já haviam ocorrido antes, mas se tornaram uma espécie de marca registrada da participação política do povo no último período. Um balanço divulgado no começo de 2010 mostra que foram realizadas 72 conferências durante os dois mandatos de Lula.

As conferências nacionais ocorrem desde 1941; no total são 109. Nos primeiros 62 anos, de 1941 a 2003, foram realizadas 37 e a média não chegou a uma a cada dois anos. Desde 2003 foram 72, com média anual de nove conferências. Essas, realizadas no atual governo, tiveram uma participação superior a 4,5 milhões de delegados. Quando for feita uma avaliação em profundidade das consequências de um movimento de tamanha envergadura, talvez se descubra que ele teve um papel acentuado no aprofundamento da democracia brasileira. Afinal, cada um daqueles delegados representava, na média, 42 cidadãos brasileiros e sua participação (que nunca foi aleatória, mas organizada) tem previsíveis repercussões na consolidação de uma liderança popular, múltipla e democrática, como nunca houve na história deste país. Pode estar aí, inclusive, a raiz da superação do papel dos chamados “formadores de opinião” tão lamentada pela mídia e pelos conservadores.

Outra consequência desse “conferencismo” (como disse, criticando estes encontros democráticos, o candidato da oposição à presidência da República, o tucano José Serra) pode ser constatada no volume de leis geradas a partir daqueles encontros. Nem tudo foi possível – a Conferência Nacional de Comunicação, por exemplo, enfrentou forte oposição conservadora; o Estatuto da Igualdade Racial só foi aprovado depois de mutilado, não se conseguiu ainda transformar em lei muitas decisões das conferências de saúde, e assim por diante.

Mesmo com essas limitações não é possível rebaixar a importância das conferências. Com elas, disse a professora Thamy Pogrebinschi, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de janeiro (IUPERJ), autora de um estudo sobre as conferências, “está em jogo uma alteração no modelo de democracia liberal” e isso coloca o Brasil na vanguarda mundial em termos de “práticas participativas de escala nacional”. A realização das conferências, disse ela, “pode fortalecer os mecanismos de representação”.

Nesse sentido, ela deu números à influência legislativa das conferências, contabilizando, até outubro de 2009, a tramitação no Congresso Nacional de 3.750 projetos de lei derivados delas.

A direita tem alergia a uma democracia com esse perfil, que vai além da manifestação do eleitor nas urnas e traz o cidadão para um protagonismo ativo e organizado, capaz de influir no governo e no parlamento. Esta talvez seja a principal marca democratizante do governo Lula que aquele pesquisador do futuro poderá registrar em sua avaliação deste passado promissor.”

FONTE: escrito por José Carlos Ruy e publicado no portal “Vermelho”
Lido no Blog Democracia e Política

Presidente do PV confessa voto em Serra

Por Altamiro Borges

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente nacional do Partido Verde, José Luiz de França Penna, confessou o que muitos eleitores verdes mais honestos já desconfiavam, mas evitavam tratar. Ele afirmou com todas as letras que dará total apoio ao tucano José Serra, caso haja um segundo turno nas eleicões presidenciais.

Sua declaração bombástica gerou desconforto no comando de campanha de Marina Silva, que teme que esta revelação quebre o "encanto" dos verdes. No final da tarde de ontem, João Paulo Capobianco, coordenador da campanha presidencial, enviou um e-mail à imprensa desautorizando “qualquer manifestação individual de membros do PV”.

A confissão de voto de França Penna não surpreende quem acompanha a trajetória do Partido Verde, a legenda emprestada de última hora à candidata Marina Silva. O próprio presidente do PV fez parte até poucos meses atrás das gestões de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) na prefeitura da capital paulista. Em vários outros estados, como no Rio de Janeiro, os verdes são fiéis aliados dos demos e tucanos.

Na lógica destes políticos oportunistas, que não têm nada de verdes, a candidatura presidencial do PV visava apenas cacifar o partido, em especial sua ala fisiológica. O PV é frágil politicamente; não tem estrutura e militância nos estados; conta com pouco tempo de TV. A chamada "terceira via" era encarada como uma forma de forçar o segundo turno, servindo como alavanca do demotucano. Marina Silva - mulher, de origem humilde e ex-ministra de Lula - caiu como uma luva nesta tática diversionista.

A precipitada declaração de França, num lapso de sinceridade, escancara esta tática diversionista e aumenta as tensões no comando de campanha de Marina Silva. Restará ao honesto eleitor verde, preocupado de fato com a estratégica questão ambiental, fazer uma análise consciente se o seu voto não está servindo a um moto-Serra.

FONTE: Blog do Miro

sábado, 2 de outubro de 2010

Serra, Gilmar Mendes e a Folha de São Paulo ou a República Velha

Lamentável o ponto a que chega um dos principais meios de comunicação pertencente ao Partido da Imprensa Golpista.  Cada vez mais a Folha de São Paulo está desacreditada. Seu engajamento na campanha oposicionista para a presidencia da república foi tão escancarada e descarada que não sabemos bem o que será de seu futuro. Porém já conhecemos o seu passado e seu presente.

Para um jornal que mente, que inflama, que acoberta, que incita, que distorce, que julgla e condena, e em seguida é veementemente desmentido, não podemos concordar com a auto-intitulação de "jornal isento".

Como a FSP é visivelmente desacreditada, até a reportagem-denúncia falando sobre a ligação telefônica de Serra ao ministro do STF Gilmar Mendes foi recebia com certa incredulidade tanto por aliados como por opositores.

Mas afinal de contas, houve ou não o tal telefonema? Onde estão os demais PIG´s defensores da ordem e moral, pais e mães da democracia(sic) brasileira? Nada na Veja? Nada na Globo? O Estadão está dormindo? Vão deixar a Folha de São Paulo sózinha nessa?

Seria esse um sinal de provável pedido de desculpas do "Otavinho" ao Lula por ter sido tão classista, rancoroso, preconceituoso, leviano e nojento com o governo e o país pelos últimos 8 anos?
Se for, sinto muito amigo. Agora é simplesmente muito tarde.Dilma vem aí.

Abaixo post do Blog "Amigos do Presidente Lula":

JURISTA COGITA IMPEACHMENT DE GILMAR MENDES

“O jurista e professor de Direito Wálter Fanganiello Maierovitch disse no seu blog que reportagem da Folha de S. Paulo - na qual diz que o ministro Gilmar Mendes, do STF, recebeu telefonema do tucano José Serra antes de interromper o julgamento sobre a exigência de dois documentos para votar - causou "perplexidade" na corte. "Já se fala, mas não se sabe se é o momento adequado, no impeachment do ministro Gilmar Mendes. É o que ecoa a "rádio corredor" do Supremo, caso seja comprovada a denúncia", escreveu. "O fato é grave porque coloca em jogo o direito de cidadania. Trata-se de um ministro do Supremo, que tem como obrigação a isenção."

ESPECIALISTAS VEEM 'IMORALIDADE' EM ATO DE MINISTRO

"É uma imoralidade, mas desgraçadamente faz parte dessa nossa história de privilégios", protestou ontem o jurista Luiz Flávio Gomes, referindo-se ao telefonema que o candidato à Presidência José Serra (PSDB) fez a Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), quarta-feira, antes que o ministro interrompesse julgamento do recurso do PT contra a obrigatoriedade de o eleitor exibir dois documentos na hora do voto. Para Gomes, "juiz não tinha que estar sujeito a esse tipo de telefonema no último minuto do jogo".

"Nesse item o PSDB perdeu feio", observa o advogado, ex-juiz de Direito.

"Se tiver havido o telefonema com esse propósito evidentemente preocupa muito na medida em que poderia pairar dúvida a respeito de como as decisões são tomadas nos tribunais", disse o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante. Se houve a ligação nesse sentido fica difícil de compreender, sobretudo para a sociedade”.

Marco Aurélio Melo: A Hora da Verdade


Ao contrário dos catastrofistas de plantão, considero que o mundo está mudando para melhor, cada vez mais rapidamente. Somos mais saudáveis, mais longevos, mais conscientes. 

Ainda que não consigamos frear de uma só vez a marcha da degradação do planeta, nem a ganância de poucos pelo acúmulo de poder político e econômico sobre tantos outros, a humanidade tem procurado mecanismos de controle, compensação e reequilíbrio. 

No entanto, nada disso oculta o fato de que para o universo somos apenas um mísero fragmento, um grão de poeira cósmica. Ainda assim, alimentamos a ilusão de ser mais do que realmente somos. 

Aconteça o que acontecer, o planeta seguirá sua órbita inexorável e continuará se transformando até o momento derradeiro (se é que há um), independentemente do nosso desejo e cobiça. 

É difícil crer que as coisas são assim e que nossa importância é ínfima diante do todo. Seja qual for a marcha que o tempo adotar, pessoas seguirão nascendo, crescendo e morrendo. Umas serão felizes, outras tristes. Umas exploradas, outras libertadas. 

E nada disso vai mudar o caráter efêmero da existência, cobrando de nós um sentido, às vezes num gesto, uma pequena ação que nos enobreça. 

Uma transformação que nos faça ainda mais iguais: como na solidariedade e na cooperação. Só há futuro na compaixão. 

Por isso, é chegada a hora de compartilhar. Domingo estaremos diante desta oportunidade, mais uma vez. 

E vamos triunfar!

FONTE: Blog DoLaDoDeLá

Miro: Matar a cobra no primeiro turno

Reproduzo artigo de Carlos Lopes, publicado no jornal Hora do Povo:

A eleição presidencial do próximo domingo será a mais nítida de nossa História, aquela que mais inescapavelmente refletirá a fisionomia do país. Há alguns anos um dos patriarcas do país, Barbosa Lima Sobrinho, afirmou que no Brasil só havia dois partidos: o partido de Tiradentes e o partido de Silvério dos Reis. Pois jamais uma campanha eleitoral expôs esta verdade de forma tão cristalina – com uma grandeza que vai até além da consciência de alguns dos seus participantes.

Será possível um retrato mais acabado – em todos os sentidos - de um silvério do que a deprimente figura de Serra? Em nosso país, jamais um candidato a presidente mostrou tanta falta de escrúpulos, tanta falta de limites de qualquer espécie. Não houve um dentre os seus antecessores como candidato do partido dos silvérios que chegasse a tais extremos nesse submundo moral.

Nenhum desses antecessores apresentou-se como realizador de tanta coisa que não fez. Jamais um deles mentiu tanto ao falar de sua vida anterior – de espetaculares realizações que não existiram e de outras, reais, com as quais nada teve a ver. Nunca, qualquer deles, prometeu coisas tão colossais quanto alucinadas, sempre de acordo com o auditório da vez, ainda que uma fosse antagônica à outra, e que todas estivessem em contradição com tudo o que Serra praticou em recentíssimo passado. Foi como se achasse possível ganhar a eleição com promessas de suborno – e um suborno monstruoso, de tão impossível.

Naturalmente, cada um mede os outros pela medida que tem de si próprio. Mas também nem um dos seus predecessores ultrapassou tanto a porteira da infâmia, da substituição da luta política pela difamação, pela aleivosia, pelo insulto, pela calúnia. Nem mesmo o paraninfo de todos eles, Carlos Lacerda – até aqui um energúmeno muito difícil de ser mesmo imaginado pelas novas gerações.

O melancólico fim da campanha de Serra, que, com toda a sua mídia, reuniu alguns gatos pingados, boa parte pagos para comparecer, abandonado até pelos seus pares – por que a traição seria fiel à traição? - reflete o repúdio do povo brasileiro a todos os silvérios. Serra é pior do que seus antecessores porque é tudo o que restou deles – moral, ideológica e até fisicamente, pois nos é impossível acreditar que aquele facies amargo, de repelente inveja e ressentimento, não seja a fachada de uma alma.

O povo não teve condições de impedir as corruptas privatizações, os roubos à propriedade coletiva para entregá-la a monopólios sobretudo externos, as propinas milionárias, a destruição da cadeia produtiva nacional, a dragagem do Tesouro, a devastação dos serviços públicos, a terrível hemorragia que durante anos impuseram ao país, em suma, tudo aquilo de que Serra é o representante, e foi executor.

Não esqueceremos o sofrimento de milhões de crianças, mulheres, idosos, homens capazes subitamente desempregados, gente sem ter o que comer, sem ter onde morar, sem ter como viver. Os que perpetraram esses crimes ainda não pagaram por eles.

Mas o Brasil sempre existirá enquanto o povo brasileiro existir. O dia de hoje é apenas o dia que antecede o de amanhã. Stefan Zweig estava certo: nós somos o país do futuro. Mesmo nos piores momentos. Não foi assim com Tiradentes?

A eleição de Lula, em 2002, foi o início da nossa recuperação. Era necessário que o povo tomasse em suas próprias mãos o seu país – como disse Getúlio Vargas em 1930 – para outra vez tirá-lo do sombrio abismo onde os silvérios o haviam embrenhado.

A eleição de Dilma é o resultado desse período - inicial, mas por isso mesmo mais difícil - de recuperação do Brasil. Naturalmente, essa foi a obra do presidente Lula – inclusive a escolha da pessoa certa, a sua principal colaboradora, para candidata à sua sucessão.

A vitória de Dilma será, pela terceira vez nos últimos anos, a vitória do partido de Tiradentes, aquele alferes que doou a sua vida para afirmar que “se quisermos, faremos, juntos, deste país uma grande Nação”. Talvez não seja fortuita a coincidência da candidata que nasceu na terra de Joaquim José e fixou residência, após anos de luta e resistência nas câmaras de tortura, no Estado de Getúlio Vargas.

O fato é que o povo, muito corretamente, percebeu em Dilma, como antes percebera em Lula, a condensação das esperanças que nos movem desde o século XVIII – isto é, aquelas aspirações que fizeram e fazem de nós uma nação. Por isso, sua candidatura extrapolou, logo na partida, qualquer partido institucional, inclusive o PT - que em nada ficou diminuído, pelo contrário - para tornar-se a candidatura de toda a nação, isto é, precisamente, a nação de Tiradentes e Getúlio. Tentar reduzi-la a menos que o partido de Tiradentes, seria, evidentemente, mera tacanhice que restringiria o seu terreno – e, assim, concederia esse terreno aos inimigos do país.

Devido a esse caráter amplo e profundo, nada – nem os recursos mais baixos do adversário, nem a cruzada mais despudorada da mídia reacionária e golpista - conseguiu deter o crescimento de Dilma.

Contra ela, esboroaram-se aquelas que são a principal e traiçoeira arma dos silvérios, as pesquisas eleitorais enganosas. Nas últimas, até o notório Ibope teve de convergir para os mesmos números que apontaram o Vox Populi e o Sensus: Dilma vence no primeiro turno, pelo menos com 55% dos votos válidos. O Datafolha, tão insensato quanto o seu dono, o perdulário Otavinho, estroina que dilapida a fortuna que o pai lhe deixou, ainda insiste no roubo – porém, mesmo essa repartição da “Folha de S. Paulo” começou a reajeitar seus números, devolvendo, no momento ainda pouca coisa, do que havia furtado nas preferências eleitorais de Dilma. A eleição se aproxima e o Otavinho quer fugir ao castigo.

A ascensão esplendorosa (o leitor vai nos permitir este altissonante adjetivo) de Dilma e a debacle fragorosa de Serra são os sinais mais recentes e retumbantes do novo período da História do Brasil iniciado por Lula. O povo viu em Dilma uma sucessora à altura. E tem razão. Vamos à eleição, que há ainda muita coisa para se fazer no Brasil.

FONTE: Blog do Miro

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Aviso à imprensa golpista, por Eduardo Guimarães



 
A Espada de Dâmocles, pintura de Richard Westall

Cumpre-me dar um aviso a determinados navegantes antes que tenham surtos golpistas e/ou ímpetos de usarem concessões públicas para favorecerem os candidatos a presidente que finalmente travarão o embate eleitoral no próximo domingo.

A representação do Movimento dos Sem Mídia requerendo investigação sobre uso eleitoral de concessões públicas de rádio e tevê por Globo e SBT, foi recebida pela Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) em 16/9 sob o número 100.0000.0120-19-2010-23.

O processo está em análise jurídica pela vice-procuradora-geral-eleitoral doutora Sandra Cureau, que deverá dar parecer sobre o caso na semana que vem, adotando, assim, os encaminhamentos cabíveis e exigíveis diante da gravidade da denúncia.

Houve atraso na apreciação da matéria devido à alegação pela PGE de que a nova representação do MSM foi equivocadamente apensada à nossa primeira representação sobre as pesquisas, protocolada naquela Procuradoria em abril último.

O processo do MSM, portanto, entrou na pauta da PGE nesta semana e, dessa maneira, só deve receber deliberação da PGE na semana que vem.

É até bom que seja assim. Eventuais novos crimes eleitorais de uso político de concessões públicas de rádio e tevê durante a reta final da eleição de domingo, visando favorecer ou prejudicar um ou mais candidatos, serão apensados ao processo.

FONTE: Blog Cidadania

Como canta Gilberto Gil: Marina, morena, Marina, você se pintou....

Marina faça tudo mas faça o favor... e por aí vai.

Claro que a musa inspiradora de tão bela canção do Gil não é a nossa amabilíssima candidata do PV á presidência da República. Já comentei anteriormente o que penso sobre essa senhora no post onde analiso o debate da Globo logo após o encerramento na madrugada de hoje:

"Ví uma Marina falante, vendendo a imagem de alguém que pensa a longo prazo, discutindo muito, porém com um discurso vazio, sem sentido, sem transmitir a menor segurança de viabilidade entre o que ela pensa e o que ela fala. Falar não significa necessariamente convencer os demais e para a "verde" do Gabeira, faltou alma. Ela está ainda muito verde. Menos, Marina... bem menos..."

Lí há pouco no Viomundo entrevista do cientista político Emir Sader, que sem dúvidas detém muito mais visão, conhecimento e informação sobre o assunto do que este humilde blogueiro, corroborar com minhas impressões sobre a dona da "onda verde". Bingo!

Leia abaixo:

“Marina é a falência do movimento ecológico brasileiro”

por Conceição Lemes

Pesquisa divulgada pelo Datafolha na terça-feira, 28, colocou em cheque, de novo,  a credibilidade do instituto, que já andava baixa.  Dizia que Dilma Rousseff (PT) caíra três pontos percentuais em relação ao levantamento realizado na semana anterior, quando tinha 49%. O candidato José Serra (PSDB) teria mantido 28% e Marina Silva (PV), subido de 13% para 14%.

“Enquanto as pesquisas em geral dão 10% de vantagem para Dilma em relação à soma dos outros candidatos, o Datafolha deu 4%. Enquanto o Datafolha cogita o segundo turno, Sensus, Vox Populi e Ibope continuam jurando que vai dar Dilma no primeiro turno”,  disse, em entrevista ao Viomundo, o sociólogo-político Emir Sader. “O mínimo que se pode dizer é que, na margem de erro, está havendo manipulação.”

Ao ser indagado sobre o que faremos até a reta final da campanha, Emir brincou: “Lexotan”. Depois, falando sério, afirmou: “Quem está empenhado num candidato, intensificar o trabalho. Mas, sobretudo, tentar desmentir os boatos, as falsidades que andam espalhando por aí”.

Eis a segunda parte da entrevista que nos concedeu.
Viomundo — Que falsidade o senhor destacaria?
Emir Sader – A mídia está passando uma imagem platônica da Marina, que não tem nada a ver. Na hora em que teve de enfrentar uma luta concreta, a Marina ficou contra os povos indígenas.

Viomundo – O senhor se refere à acusação de biopirataria feita à empresa do vice dela?
Emir Sader – Exatamente. O registro de frutas tropicais da Amazônia feito, com fins comerciais,  pela Natura, cujo presidente [Guilherme Leal] é o vice da chapa verde. A Marina ficou do lado dele contra os interesses e os saberes naturais dos povos indígenas, dos povos da Amazônia, ao dizer que a Justiça é que decidiria.
Tenho dúvidas sobre a “preocupação” ecológica da empresa. Qual a política salarial dela?  Qual a política para exploração dos recursos naturais? Qual a política da propriedade intelectual? Eu não vejo nada de significativo na prática social dela, que pudesse ter um caráter ecológico. A questão ecológica não é só preservar a floresta e os animais em extinção. Essa visão é muito pobre, reducionista.
Curiosamente,  até sair do governo Lula, a Marina era o diabo para a imprensa. Dizia que ela era quem mais prejudicava os projetos econômicos com suas picuinhas ideológicas.  Essa mesma mídia, agora, exalta a Marina, numa clara instrumentalização, que ela aceita de bom grado. Quando se fala da Marina real, do Serra real, aí é que se vê a verdadeira dimensão deles.

Viomundo – Quem é a Marina real?
Emir Sader – No Fórum Social Mundial, ouvimos o tempo todo que a questão ecológica é transversal. Ou seja, assim como na época anterior da esquerda se achava que a questão capital-trabalho cruzava tudo, a ecologia cruzaria tudo.
Logo, a graça da campanha da Marina seria fazer uma campanha em que ecologia cruzasse tudo. Só que ela deixou de ter uma agenda própria, passou a reagir a partir do denuncismo da direita, do bloco tucano-udenista. Chegou a dizer que a violação dos sigilos bancários da filha e do genro do Serra provocava fragilidade na sociedade brasileira. Tomara que fosse essa a nossa fragilidade. Para nós, o que fragiliza a sociedade brasileira é a violência, o desemprego, a miséria, a injustiça…
Nessa campanha, Marina só assumiu posições equidistantes do cerne da questão ecológica. Ela não desenvolveu no governo nem fora uma concepção ecológica do desenvolvimento. O discurso dela não quer dizer nada.
Ao falar de Belo Monte, por exemplo, ela emenda “mas a energia limpa…” Só que Belo Monte é energia limpa. A Marina não tem coragem de se colocar a favor de projetos como Belo Monte, mas também não tem capacidade de elaborar projetos alternativos. Acho que a Marina é a falência do movimento ecológico brasileiro.

Viomundo — Mesmo?
Emir Sader – Sim. O discurso dela pode parecer coerente no papel, mas quando você  questiona, é um vazio profundo. O estado brasileiro como é que vai ser? Qual o modelo desenvolvimento que propõe? Qual o papel do mercado interno? E da exportação? Como seria a política externa brasileira? E as políticas sociais?
São questões cruciais sobre as quais ela não tem nada a dizer — nem contra nem a favor do que está sendo feito. Nada.
Peguemos os transgênicos, uma questão grave. O que a Marina tem a dizer hoje? Vai acabar com eles, com exportação de soja e com a Monsanto? O  discurso dela s acaba sendo um blefe, já que os segmentos dos transgêncis são totalmente aparelhados pela direita, que hoje a apóiam.
Está na hora de provar a transversalidade da questão ecológica. Não vejo nada disso na campanha da Marina. Onde está a questão ecológica, estruturando o conjunto da plataforma dela? Não tem.
Ela fala em terceira via, mas qual é a política de emprego dela? Qual a política de salários? Qual a política de crédito?  Não tem nada. Ela não tem nada a dizer nem dos programas essenciais do governo, como o microcrédito, o Luz para Todos, o crédito  consignado.  É só blábláblá. O que aparece, para quem está olhando a campanha, é um esvaziamento da transversalidade da questão ecológica.

Viomundo – A mesma mídia que apedrejava a Marina, hoje a enaltece. O Serra nem fala. Para alavancar a candidatura dele e liquidar a da Dilma, a “grande” imprensa assassinou o jornalismo durante essa campanha…
Emir Sader — A questão não é ser a favor ou contra o Lula ou a Dilma. Quando você tem um governo com 80% de aprovação e olha a imprensa, uma coisa não corresponde à outra. A cobertura não reflete a formação democrática e pluralista da opinião pública. Eu não queria que falasse bem, eu gostaria que existisse o pluralismo, os pontos de vista realmente existentes na sociedade. Por outro lado, no governo Lula, avançamos pouco na questão mídia.

Viomundo Que avaliação o senhor faz  da política de comunicação do governo?
Emir Sader –  Houve um fracasso enorme. Daí a dificuldade de governar. Se deixou criar um denuncismo, centrado em escândalos, reais ou não, desproporcional, que acaba falsificando o próprio debate político, ou seja, o que mudou na sociedade brasileira para melhor ou para pior.  Às vezes dá a impressão de que o governo é um poço de escândalo. O que não é verdade. Isso se deve ao fracasso da política de comunicação do governo.
O interessante é que a massa da população sabe dessa manipulação. Tanto que vota a favor do governo, apesar da mídia. Nós temos de democratizar, desconcentrar, ainda três coisas fundamentais: o dinheiro, a terra e a palavra. São monopólios privados. Não haverá sociedade democrática sem se democratizar essas instâncias.

Viomundo – E o Judiciário?
Emir Sader – É muito ruim que tenha pessoas que se comportam como o Gilmar Mendes e a doutora Sandra Cureau. Estão tão empenhados politicamente que desmoralizam ainda mais o Judiciário.  São personagens que refletem a arbitrariedade da Justiça, que deveria ser um órgão justo. Por isso, a reforma do Estado é fundamental. Acho que o Judiciário tem de estar submetido a um controle social.
Há alguns dias a Folha, em editorial, disse que todo poder tem de ter limite. E quem coloca limite no poder mídia monopólica?  Quem coloca limite ao Judiciário?
Isso não vai cair do céu. Tem de ser definido em uma instância democrática. A doutora Cureau, como disse a Dilma, tem o direito de se manifestar como cidadã. Mas, ao dizer que o Lula está se empenhando ao máximo para eleger a Dilma, ela poderia dizer também que a imprensa está fazendo o máximo para eleger o Serra.
Acho que estão extrapolando o papel do Judiciário. Fazer uma leitura política de intenções é uma atitude totalmente indevida em relação aos juízes.

Viomundo – Para terminar, o que representa a eleição deste domingo?
Emir Sader — O que está em jogo é o governo Lula. No domingo, o povo vai decidir se o governo Lula foi um parêntese e, aí, as elites tradicionais voltam ao poder. Ou se o governo Lula vai ser uma ponte para a gente construir um país justo, solidário e soberano, tarefa que apenas começamos a fazer. Acho que o povo está optando claramente pela continuação do processo, apesar da direita espernear através dos seus órgãos da mídia.

FONTE: Viomundo

Eleições 2010: Os demos no inferno; até o diabo rejeita

Por Altamiro Borges

Vários estudos indicam que os demos – ex-Arena e ex-PDS no período na ditadura militar e ex-PFL no reinado neoliberal de FHC – caminham para o inferno na eleição deste domingo. O Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) estima que o partido perderá cerca de 20 deputados e elegerá só dois senadores. Reportagem do Jornal do Brasil, intitulada “A derrocada do DEM”, foi ainda mais dura nas previsões e já antecipa o fim desta legenda da direita nativa.

Segundo a jornalista Ana Paula Siqueira, “se antes era um dos maiores partidos do país, sempre presente nos governos, hoje o Democratas (DEM) amarga a redução de seu poder. Nas últimas eleições, o número de candidatos eleitos pela legenda diminuiu gradativamente. E, caso as urnas mantenham o que indicam as pesquisas eleitorais, o alcance do partido será ainda menor depois de 3 de outubro. Membros da legenda reconhecem a necessidade de mudança para alterar esse quadro e, entre as possibilidades, está o fim da dependência do PSDB” e o próprio fim da sigla.

A crise da direita nativa

Dos quatro candidatos a governador pelo partido, apenas dois teriam chances reais de ganhar: os senadores Raimundo Colombo, em Santa Catarina, e Rosalba Ciarlini, no Rio Grande do Norte. “Já entre os 12 candidatos da legenda ao Senado, apenas três podem alcançar a vitória: José Agripino Maia (RN), Marco Maciel (PE) e Demóstenes Torres (GO), único na legenda a liderar as intenções de voto para o cargo”, afirmou a repórter. Pesquisas recentes, no entanto, indicam que o “senador desde o império”, Marco Maciel, já dançou em Pernambuco.

A situação dos demos reflete bem a crise da direita brasileira. Fisiológico e corrupta, ela cresceu no período da ditadura, mamando nas tetas do Estado. Já na fase destrutiva do neoliberalismo, no reinado de FHC, ela virou apêndice da “burguesia moderna” do PSDB e tirou as suas vantagens eleitorais. A partir da eleição de Lula, o definhamento foi acelerado. Ela ainda tentou se travestir de ética. Mas, aos poucos, caiu a máscara destes direitistas, mais sujos do que pau de galinheiro. A reportagem do Jornal do Brasil descreve em detalhes esta trajetória declinante e fúnebre:

Declínio e extermínio

“Em 1998, o partido conseguiu eleger 152 deputados estaduais e uma bancada de 90 federais. Apesar de contarem com apenas cinco senadores, nove governadores foram eleitos naquele ano. Em 2002, os resultados pioraram. Enquanto 111 deputados estaduais foram eleitos, 41 a menos que no pleito anterior, a bancada federal caiu para 73 parlamentares. O número de governadores eleitos diminuiu para cinco. Mas, em compensação, 14 senadores foram eleitos. Nas eleições passadas, a tendência de queda se manteve com a eleição de 98 estaduais, 54 federais, seis senadores e um único governador” – José Roberto Arruda, no Distrito Federal.

A prisão do demo Arruda abalou ainda mais as expectativas do partido para este ano e enterrou de vez seu falso discurso ético. Já a indicação do deputado Índio da Costa, batizado de “indiota”, para vice de José Serra, confirmou as graves limitações da legenda. Ela envelheceu e seus novos dirigentes, na maioria filhos dos ex-coronéis do partido, são inexpressivos. A sigla é vista como um apêndice servil do PSDB. Na opinião de diversos especialistas, o DEM não tem mais futuro. O diabo, preocupado, já criticou o uso do apelido demos e avisou que não há vagas no inferno.

FONTE: Blog do Miro

Reta Final: O Destino de uma Grande Nação

Falta pouco, muito pouco para o embate eleitoral que decidirá o destino de milhões de pessoas, o destino de uma Nação deitada eternamente em berço explêndido que porém, há apenas 8 anos parece ter se decido a finalmente tomar seu lugar de destaque no mundo.

Contrariando tudo que a história deste país já viu, um ex-operário ascendeu ao cargo mais alto da República e conseguiu dar um novo sentido na forma de governar o Brasil. Não cabem dúvidas de que hoje tanto aqui como no exterior, sómos vistos com outros olhos. Muito foi conquistado, mas apenas a mediocridade pode levantar o dedo em riste apontando inúmeros problemas ainda não solucionados no país com a maior desigualdade social da américa latina.

Só mesmo a torpeza e a mediocridade de 500 anos de desmandos e aproveitamento de uma elite separatista e excludente, querer que os resultados até aqui alcançados - e que não foram poucos - pudessem ser resolvidos em míseros 8 anos.
Aí já é jogar com a inteligência e sensibilidade de qualquer ser humano.

Importante é que finalmente o Brasil está nos trilhos. Compete ao próximo eleito dar continuidade e aprofundar as reformas necessárias para elevar o Brasil a condição de país "desenvolvido".
Mãos á obra.

Abaixo artigo de Marcos Coimbra do Instituto de Pesquisas Vox Populi:

O "povão e a nova maneira de avaliar os candidatos

“A premissa da democracia eleitoral, na sua acepção contemporânea, é a liberdade do eleitor para definir seu voto. Cada um faz o que quer com ele. Consulta a consciência, toma sua decisão e a deposita na urna (no Brasil, digita o número de seu escolhido). Uns não são mais livres que outros. Ninguém é obrigado a votar como os demais e nem a selecionar seus preferidos da mesma maneira que os outros.

Não cabe discutir critérios de escolha. Não existe o modo certo de votar e o errado. Algumas pessoas definem seu voto levando em conta elementos que outras desconsideram. É possível que uns pensem ser fundamental algo que outros têm certeza que é irrelevante. Só os muito arrogantes acham que todos deveriam usar o critério deles.

Daqui a três dias, faremos uma eleição presidencial diferente das anteriores. Nela, os eleitores estão sendo convidados a pensar de uma nova maneira: avaliar os candidatos pelo que representam e não pelo que são no plano pessoal.

Nossa cultura política sempre privilegiou a personalidade e as características pessoais dos candidatos como elementos diferenciadores na tomada das decisões de voto. Até hoje, quando se pergunta, nas pesquisas de opinião, o que é mais importante na hora de escolher determinado indivíduo para um cargo (especialmente no Executivo), a maioria dos entrevistados responde sem titubear: “a pessoa do candidato”.

Essa primazia da dimensão individual leva a que as campanhas se transformem em passarelas nas quais os candidatos desfilam, disputando os olhares e as preferências. Qual o mais preparado? Quem fala melhor? Qual o mais “preocupado com os pobres”, o mais “maduro”, o “mais honesto”?

É um modelo de decisão ingênuo e estressante para o eleitor comum. Que certeza pode ter de que consegue enxergar o “íntimo” dos candidatos, seus verdadeiros sentimentos? Como escolher, se todos se metamorfoseiam naquilo que procura? Se todos se exibem de maneira parecida e falam coisas praticamente idênticas (pois todos mandam fazer pesquisas de “posicionamento” e se orientam por elas)? Como separar o joio do trigo, o bom candidato do mau?

Nestas eleições, muita gente ainda pensa dessa maneira, mas há uma nova, posta na mesa pelo principal ator de nosso sistema político. Nela, o foco da escolha deixa de ser o artista e passa a ser a obra.

Por muitas razões, Lula foi levado a apresentar essa proposta ao eleitorado. Talvez porque não tivesse, do seu lado, a opção da candidatura de um “notável”, talvez porque calculasse que teria mais sucesso desse modo, ele terminou propondo uma mudança na lógica da escolha. Ao invés de cotejar biografias e personalidades, que a eleição fosse uma comparação dos resultados obtidos pelos partidos no exercício do poder.

Goste-se ou não de Lula, essa proposta é uma inovação em nossa cultura. Ela oferece uma base racional para a escolha, na qual várias ilusões saem de cena. O mito do “herói solitário”, do “candidato do bem”, capaz de reformar sentimentos e prioridades, é apenas um, mas dos mais importantes. Chegou a eleger um presidente há 20 anos.

A candidatura Dilma foi sempre o inverso disso. Ela convocou as pessoas a considerá-la pelo que representava, não por seus atributos pessoais. Sua mensagem era clara: “Olhe para o que proponho, para quem está comigo, para o que fizemos no governo, de certo e de errado. Faça o mesmo com meu adversário principal. Compare e decida”.

Serra começou a campanha acreditando que os eleitores continuariam a pensar com o modelo de antes, baseado na disputa de biografias. Sua experiência e história bastariam para elegê-lo, se isso ocorresse.

Visivelmente, a hipótese não se confirmou. A vasta maioria do eleitorado até admite que seu currículo é melhor que o de Dilma. Mas pensa em votar levando em conta outros fatores.

Nestes últimos dias, uma nova encarnação da forma antiga de escolher está em voga: a “onda Marina”. Ela tem tudo que conhecemos de algumas candidaturas do passado: a “solidão”, a “sinceridade”, a “boa vontade”. Perguntada sobre como governaria, é franca: com os “bons” dos dois lados. Ou seja, está sozinha.

Só um romantismo quase pueril acreditaria que é possível governar assim. Mas é tão arraigada a fantasia a respeito das “pessoas de bem que mudam o mundo da política” que muita gente, especialmente na classe média metropolitana, se seduz por ela.

O “povão”, mais realista, olha isso tudo com descrença.”

FONTE: Lido no Viomundo do Azenha

Conversa Afiada: Dilma preside debate da Globo. Serra não foi. Estava no telefone

Serra depois de trucidar a Dilma: as olheiras se encontraram com as gengivas
O debate da Globo seria “decisivo”.

Segundo o PiG (*) e seus colonistas (**), no debate da Globo o jenio ia trucidar a Dilma.

Foi o oposto.

Dilma desmoralizou a platéia tucana, quando riu por ela dizer que todas as doações da campanha estavam registradas.

Dilma fica melhor quando vai para o ataque.

Não tem nenhum Ricardo Sérgio nas finanças da campanha da Dilma.

Dilma explicou muito bem o papel das UPPs no combate à violência urbana.

Dilma explicou os planos de expansão das ferrovias.

E, mais importante, ela explicou por que vai fazer um Governo de coalizão com o PMDB.

Dilma falou como Presidenta.

O Serra não foi ao debate.

Quando conseguiu se articular, além da manifestação autônoma de seu dedo anular direito, o jenio não foi mais do que um “prático em contabilidade”, como diz o meu amigo mineiro.

O amigo navegante se perguntaria – se conseguiu ficar até o fim – o que a Bláblárina Silva fez ali, além de enunciar o óbvio: tudo é “muito grave” !

Como ela explicaria que um anúncio da Natura entrou no break comercial do debate ?

Esquisito, não, amigo  navegante ?

E o Serra ?

O que ele tem a oferecer ?

Por que ele quis ser Presidente, além de querer ser ?

Esse tipo de debate não vai a lugar nenhum.

Amanhã, este Conversa Afiada pretende comparar o debate presidencial no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo.

Candidato não sabe fazer pergunta.

Quem sabe fazer pergunta é jornalista.

Mas, no Brasil, os candidatos e os partidos precisaram se proteger dos jornalistas, invariavelmente partidários e, na maioria, tucanos.

Deu nisso.

Um debate inócuo.

Em 2002, o Serra também anunciou que ia esmagar o Lula no debate final da Globo.

De fato, conseguiu.

O Serra esmagou o Lula na eleição por 39% a 61%.

Foi o que aconteceu agora.

O Serra massacrou a Dilma.

E vai perder no primeiro turno.

O Serra, desde 2002, tem 30%.

Bye-bye Serra forever.

Em tempo: Serra criou o Bolsa Família, o genérico, o programa anti-Aids, a bússola, a energia a vapor, o telescópio e o avião. A Lei da Gravidade, porém, é concepção original do Fernando Henrique.

Em tempo 2: falta esperar o que o Ali Kamel vai fazer na edição do debate. E o que o Lula poderia fazer, se o Kamel manipulasse a edição.

Em tempo 3: ninguém perguntou ao Serra sobre o telefonema ao Gilmar. Não deixe de votar na trepidante enquete: o que acontece se você telefonar para o Gilmar.

Em tempo 4: aos 20 minutos desta sexta-feira, Serra era um caco. A máscara da derrota. As olheiras, finalmente, se encontraram com as gengivas. Um encontro triunfal.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

FONTE: CONVERSA AFIADA

Debate da Globo: Nada Muda

Saí por um momento do meu boicote á Rede Globo e depois de tirar as teias de aranha do controle remoto sintonizei a PIG-mór para acompanhar o último debate para Presidente da República.

Ví um Plínio inteligente, porém um pouco perdido em meio aos papéis com temas e perguntas, demonstrando um bonito radicalismo que infelizmente não comporta a atual realidade brasileira.

Ví um Serra desanimado, meio borocochô, repetitivo e nada preparado para ser um chefe do executivo de uma nação grandiosa como o Brasil. Esqueceram de avisá-lo que não está concorrendo a uma prefeitura. Ainda me pergunto como e porque figuras desse nível ainda conseguem ser eleitos para administrar o mais rico Estado da Federação. Acho que isso nem Freud explica.

Ví uma Marina falante, vendendo a imagem de alguém que pensa a longo prazo, discutindo muito, porém com um discurso vazio, sem sentido, sem transmitir a menor segurança de viabilidade entre o que ela pensa e o que ela fala. Falar não significa necessariamente convencer os demais e para a "verde" do Gabeira faltou alma. Ela está ainda muito verde. Menos, Marina... bem menos...

Ví uma Dilma segura e ao mesmo tempo um tanto intranquila, talvez ciente da responsabilidade que o Governo atual depositou em suas mãos como representante da continuidade. Isso ao mesmo tempo em que é obrigada a se apresentar na casa do inimigo número um do jogo democrático no Brasil. Uma das empresas mais fortes e representante do radicalismo de direita, mãe do golpe de 64.
Além disso deve ter passado por sua cabeça as sujeiras todas que foram criadas pela Globo nas edições de debates anteriores pelos últimos anos.

Mesmo assim, num debate morno e sem muitas surpresas Dilma saiu-se bem e não há dúvidas que no próximo domingo dia 03 de Outubro será eleita a primeira mulher Presidente da República Federativa do Brasil. Se esperavam (os golpistas) alguma coisa do debate atual para poder melar as eleições de domingo, sinto muito mas por melhor editado que seja, dalí não sairá uma "bala de prata".

Que assim seja!

Em tempo: o controle remoto voltou para o cestinho de bugigangas não utilizadas aqui em casa.