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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Análise do Terrorismo Midiático pré-eleições

Leio no Observatório da Imprensa artigo que trata da cobertura eleitoral pelos veículos de comunicação e as posições que até hoje estavam hipócritamente escondidas pelos donos da mídia do país. Quando Lula botou o dedo na ferida e deu nome aos bois, citando que a mídia brasileira está invariavelmente concentrada nas mãos de 08 ou 09 famílias os "Senhores da Imprensa" finalmente saíram do armário e deram a cara prá bater. Muito bom que se apresentem e tomem posição no importante papel que representam no país. Melhor ainda que percebam não serem hoje o que sempre julgaram ser: estar acima dos demais componentes de uma sociedade democrática, acima do bem e do mal, ditadores de regras e normas tão difíceis de serem seguidas por eles próprios. Afinal de contas, pimenta nos olhos dos outros é refresco.
 
Os riscos ocultos na radicalização da cobertura eleitoral da imprensa 
Carlos Castilho




    

Faltando alguns dias para o primeiro turno das eleições de 2010 já dá para perceber que há no ar uma sensação de cansaço em relação à avalancha de denúncias publicadas pelos principais jornais do país, envolvendo integrantes e ex-membros do governo Lula.

O recurso ao denuncismo é classico em periodos pré-eleitorais, mas a versão 2010 mostrou duas características marcantes:
1) Toda a imprensa entrou no jogo das denúncias ao contrário de eleições anteriores, quando geralmente havia um ou mais orgãos dissidentes;
2) Ficou também evidente que a blitzkrieg da imprensa tem como pano de fundo a preocupação de setores conservadores e tradicionais núcleos de poder político e econômico com a perda irreversível de posições estratégicas no cenário nacional.

O terrorismo midiático contra Dilma é quase idêntico ao promovido contra Lula antes de sua primeira eleição para a presidência em 2002. Ao longo dos últimos oito anos nada aconteceu no país que pudesse justificar o recurso aos velhos fantasmas. Pelo contrário, a gestão de Lula deu à classe média muito mais do que ela esperava de um governo petista.

Assim, ao que tudo indica, o ataque contra a candidatura Dilma tem mais a ver com fatores subjetivos do que com realidades concretas. A questão das denúncias de corrupção provavelmente tem um fundamento real porque o sistema político do país já incorporou o componente do mau uso do dinheiro público como uma rotina que independe do partido no poder.

As acusações e suspeitas de corrupção devem ser investigadas por uma questão de princípio e de sanidade política no país, sejam os envolvidos petistas ou não. O problema é que só uns poucos serão punidos porque esta é a tradição. Foi assim com as suspeitas de corrupção no governo FHC na privatização das teles, no mensalão do governo Lula, e por aí vai.

O problema não está nos fatos concretos, porque se eles fossem levados a sério, a imprensa seria moralmente obrigada a questionar todo o sistema político. A questão principal está na intencionalidade oculta nas denúncias. É aí que está o fato politico relevante e o que pode nos levar a entender melhor a situação e evitar a posição niilista, de duvidar de tudo e de todos.

A intenção por trás de toda a avalancha de denúncias só pode ser explicada pela tentativa de quebrar a sequência de governos petistas porque eles estão criando uma nova força política no país, formada por setores da classe média e de empresários beneficiados pelo crescimento do consumo interno.

Não se trata de um segmento social ideologicamente revolucionário. Muito pelo contrário. Ele é até conservador se formos analisar os valores que defende e que foram expressos por Lula, em várias ocasiões. O problema é que os novos emergentes sociais estão ocupando espaços que pertenceram a velhos caciques políticos e empresarios cujo poder vinha da concentração de renda no país.

Nos oito anos de Lula houve uma mínima distribuição de renda em favor das classes C e D, mas ela foi suficiente para exarcebar os temores das elites tradicionais, que ainda são muito fortes no controle do partido Democratas, por exemplo.

A avalancha de denúncias de atos de corrupção e abuso do poder no governo atual seria positiva para o país se ela gerasse uma nova postura nacional diante de um problema crônico. Mas a intencionalidade das ações oposicionistas mostra uma preocupação em gerar um clima de incerteza cujo principal desdobramento é uma radicalização de posições.

É aí que reside o grande perigo da situação atual, porque a radicalização pode criar um ambiente político onde a tendência é todos perderem. É o que o processo da Venezuela está mostrando, para citar um exemplo mais conhecido.

Lá são cada vez mais limitados os ambientes em que o diálogo é possível. Todos estão entrincheirados. A oposição antichavista não tem forças para derrotar o presidente venezuelano e este, por sua vez, não consegue o que Lula logrou, ou seja, uma mínima distribuição de renda capaz de fortalecer a musculatura econômica da classe média.

A imprensa é quase sempre uma vítima dos processos radicalizados porque, ao se envolver neles, ela acaba perdendo a credibilidade e a isenção. É o que está acontencendo na Venezuela e pode vir a se repetir no Brasil caso a obsessão antipetista de boa parte da mídia nacional continue ignorando o fato de que Lula não representa mais um partido, mas sim um novo contexto social e econômico das classes C e D, com benefícios indiretos para os segmentos B e A.

Perder a credibilidade num momento de transição para novos modelos de negócios na imprensa pode ser particularmente trágico para empresas jornalísticas que dependem de grandes audiências.

FONTE: Observatório da Imprensa

sábado, 25 de setembro de 2010

Imprensa Brasileira não é só Golpista. É também Terrorista!

              Abaixo post do Blog Acerto de Contas comentando a morte anunciada pelo PIG, do Senador Romeu Tuma que segue internado em São Paulo. 
              Essa é apenas mais uma prova do nível de apuração do que será noticiado no PIG. Não há apuração, simples assim. 
              Em jornalismo esse tipo de falha (neste caso imperdoável ao extremo) é conhecido como "barriga".
              Mas não é a primeira e nem a última barriga que o PIG dará. Porém muito pior que as barrigas, são as ilações, os golpes, as falcatruas, as notícias pagas ou simplesmente inventadas em favor de uns e detrimentos de outros. Por isso eu afirmo há muito tempo que a velha imprensa, além de golpista é terrorista. Ela te leva ao inferno na terra em poucos segundos.
            O PIG sem a menor sombra de dúvidas, é ator iniciante, participante ativo e incentivador da imoralidade e corrupção nas diversos níveis de poder na república.


tuma
Hoje à noite foi possível analisar o nível a que chegou a imprensa brasileira. Simultaneamente, três grandes veículos de comunicação deram o “furo” da morte do Senador Romeu Tuma, que está internado em São Paulo.

Primeiro foi o UOL, seguido da Folha e do Globo, que anunciaram a morte do Senador, e tão logo perceberam que se tratava de uma “barriga”, retiraram a “notícia” do ar. Provavelmente um chupou a falsa notícia do outro, e centenas de release blogs também publicaram o “furo”. Aliás, release blogs não faltam nos tradicionais grupos de comunicação.

Esse episódio lamentável mostra como está sendo feito o tratamento da notícia por parte da imprensa brasileira, que nem ao menos se dá ao trabalho de checar se o Senador estava vivo ou não.

Eu soube da “notícia” pelo Twitter, pois se espalhou rapidamente. Mas como no Twitter ninguém tem a obrigação de checar nada, coube aos portais o papelão de retirar a nota do ar.
O mais vergonhoso de tudo é que nem ao menos um pedido de desculpas foi ao ar. Nem do Globo, nem da Folha, e muito menos do UOL.


O pedido não deveria ser feito apenas aos leitores, mas aos familiares do Senador, que souberam da mórbida notícia dessa forma. O próprio filho, que estava em viagem pelo interior, soube da notícia por um colega, e só conseguiu saber da verdade algum tempo depois.

Mas como disse o leitor @fernandogomes69 no Twitter, “Romeu Tuma morreu, mas passa bem”.

Quem não está nada bem é a imprensa brasileira.

FONTE: Blog Acerto de Contas

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Miro: O jogo político após as eleições

Reproduzo artigo de Luis Nassif, publicado em seu blog:

Nessa reta final de campanha, o jogo político pós-eleições ficou algo confuso.

No início da campanha, o comitê de José Serra trabalhava com a idéia de ganhar em São Paulo pela diferença de 5 milhões de votos. Os mais otimistas falavam em 6 milhões. No PT, a estimativa mais otimista era perder de 2,5 milhões de votos. As pesquisas, até agora, tem apontado a possibilidade de Dilma vencer em São Paulo com diferença de 2,5 milhões de votos.

Por outro lado, há possibilidades concretas das eleições para governador irem para segundo turno. Mesmo confirmando o favoritismo de Geraldo Alckmin, haverá uma polarização das eleições em outras condições. E aí ficarão claras as vulnerabilidades tanto do PSDB quanto do PT paulistas: despreocupação com renovação, com a ampliação de alianças.

***

Em relação à política nacional, o quadro é complexo para a oposição. Numa ponta, haverá grande aumento da bancada tanto do PT quanto da base aliada. Na outra, haverá a necessidade da construção de uma nova oposição. E aí se esbarra em problemas criados pela campanha de José Serra.

Em geral, constrói-se um novo caminho político durante a derrota. Quando se percebe que a derrota é inevitável, a campanha do derrotado deve ser feita pensando no segundo tempo, no pós-eleições.

A campanha de Serra mostrou uma enorme resistência do eleitorado a discursos raivosos. As últimas pesquisas “tracking” (pesquisas diárias com universo restrito de eleitores) mostra que no máximo se consegue uma migração de parte pequena dos votos de Dilma para Marina.

No debate da Mais TV, por exemplo, a emissora montou um laboratório presencial com 26 eleitores que tinham simpatias por algum candidato, mas não um voto definido. Quando o debate começou, Serra tinha 7 simpatizantes. Terminou com apenas um. Dilma terminou com 11, Marina com 10 e Plinio com 4.

***

Mesmo sabendo dessa falta de eficácia da agressividade, Serra acabou complicando enormemente a reconstrução da futura oposição.

Aécio Neves deverá assumir a liderança do processo. Embora seu discurso seja o da oposição civilizada, herdará um contingente de seguidores pequeno, mas fortemente influenciado pela raiva exarada pela campanha de Serra.

***

Outro ponto complicado será o papel da grande mídia – do eixo Rio-São Paulo.

Num momento de fortalecimento da mídia regional, da entrada de novos atores no mercado, da migração de parte das receitas publicitárias para a Internet, a grande mídia entra em uma armadilha. Envolveu-se mais do que devia na campanha e acabou jogando a derrota em seu colo, sem precisar.

A radicalização afastou parte dos leitores. A parte que ficou obviamente endossa a linha adotada. Mantendo a linha, terá dificuldades em ampliar o espectro de leitores. Mudando a linha, correrá risco de se indispor com leitores remanescentes.

E isso em um momento em que a catarse política foi tão violenta que, passadas as eleições, provocará uma espécie de cansaço na opinião pública em geral.

FONTE: Blog do Miro

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Conversa Afiada: Globo foi o maior dedo duro de 1964

Amigo navegante enviou ao Conversa Afiada essas duas páginas do Globo de 7 de abril de 1964.

É um documento histórico.

Atribuído a um grupo de democratas, o Globo publicou no dia 7 de abril de 1964, poucos dias depois da intervenção militar, a lista dos que tinham assinado um manifesto do Comando dos Trabalhadores Intelectuais.

Como hoje, o Globo do Dr Roberto colaborava com o Golpe: “chamamos a atenção de alto-comando militar para os nomes que o assinaram”.

É o dedo duro na sua manifestação mais cristalina.

Repare, amigo navegante, alguns dos nomes que o Globo queria mandar para a câmara de torturas:

Ferreira Gullar, Carlos Diegues, Arnaldo Jabour, Chico Anísio, Paulo Francis, Tereza Rachel, Jorge Zahar.

Que horror !

É a “Lista de Schindler” de sinal trocado: é a “Lista do Globo”, dos que deveriam ser cremados.

Viva o Brasil !


Paulo Henrique Amorim

Confira os documentos:


FONTE: Conversa Afiada


Eike Batista critica a Mídia. Dirão que ele é contra a liberdade de imprensa

Eike Batista falando sobre sua descoberta das redes sociais.

Até ele, um mega-empresário, está de saco cheio com as distorções de certa Mídia.

Por isso entendo o fato da Dilma ter desabafado; ela é alvo de mentiras diárias do PiG – o Partido da Imprensa Golpista (Globo, Folha, Veja e Estadão).

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Onde já se viu criticar a Mídia, senhor Eike?

Não pode criticar a Mídia no Brasil!

Ela é intocável: Critica todo mundo mas não pode ser criticada.

Apoiou a ditadura mas te chama de autoritário se você a criticar.

Quando a Petrobrás criou o Blog da Petrobrás, para se livrar das manipulações da imprensa, a Mídia disse que isso era um “atentado contra a liberdade de imprensa”.

Agora, o Eike Batista cria um twitter para… se expressar?!?! Onde já se viu isso!

São os jornalistas que tem de formar a imagem de Eike perante a opinião pública; e não o próprio Eike.

Ah, que saudade dos bons tempos, em que se tinha que beijar as mãos do Roberto Marinho para poder se expressar.

Hoje vivemos essa ditadura: empresário critica a mídia; presidente critica a mídia, blogueiro critica a mídia.

Boa era a década de 90, em que a mídia criticava todo mundo e ninguém tinha condições de criticá-la.

Os donos da Escola Base que o digam.

FONTE: Blog Se Discute

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Marco Aurélio Melo: Guerra e Paz

A melhor defesa é o ataque.

Fiquei pensando nesta frase ontem, quando voltava para casa à noite.
O que a velha mídia tem feito desde o início do processo eleitoral, é partir para o ataque.

Seria a forma de se defender do bombardeio que tem sofrido. Nunca antes na história desse país a imprensa foi desmascarada com tanta competência e eficiência.

Uma manchete não dura mais do que algumas horas e os jornais não conseguem mais "suitar" a reportagem no dia seguinte. Não dá tempo de repercutir as denúncias e informações "exclusivas" que eles veiculam.

Sabe por quê? Porque um exército de formiguinhas disseca as informações, confronta dados, pesquisa o passado dos informantes e desmonta factóides, a maioria deles feitos de afogadilho, por repórteres que ainda não dominam a técnica jornalística, ou pior, são preguiçosos e incompetentes.

Isso causa um desespero enorme nas chefias, porque não conseguem mobilizar recursos, nem para avançar, nem para se defender.

Por isso, o bombardeio como estratégia de defesa. Ao veicularem uma notícia nova por dia, independentemente de ser falsa ou não, ganham tempo, intimidam o adversário, forçando-o a se defender.

Até agora a velha mídia só conseguiu uma baixa expressiva: a ministra-chefe da casa civil, na semana passada. Mas as consequências foram inesperadas.

O presidente da República e seus auxiliares diretos formaram a convicção de que agora é guerra! Nada ficará sem respostas e a ordem é partir para cima, sejam quais forem as consequências.

Até a candidata situacionista se manifestou indignidada com a última manchete escandalosa do jornal Folha de S. Paulo.

Conclusão, se os barões da mídia insistirem nessa guerra serão arruinados por cento e cinquenta milhões de brasileiros que agora se veem representados.

Portanto, aconselho-os a encontrarem um interlocutor confiável rapidamente para começar o processo de paz na base do diálogo. Antes que seja tarde.

FONTE: Blog Doladodelá

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Associação Nacional de Jornais não tem moral para criticar Lula

 
Reproduzo artigo de Sônia Corrêa, publicado no blog Coisas da Soninha:

A ANJ (Associação Nacional dos Jornais), presidida pela ganhadora do “Troféu Corvo”, concedido pelo 1° Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, Judith Brito, do jornal Folha de São Paulo, lançou nota ontem criticando o presidente Lula por suas declarações durante um comício em Campinas/SP.

Lula teria afirmado que algumas notícias e reportagens veiculadas por alguns jornais e revistas do Brasil são uma vergonha. Lula também afirmara que o comportamento de certos veículos, em especial durante o período eleitoral, seria como de partidos políticos, em franca campanha.

A objetividade jornalística deveria ser um pressuposto para o exercício do ofício, entretanto, a neutralidade e a imparcialidade não existem em nenhum campo de atuação social. O olhar crítico, a partir do meio do qual recebemos nossa formação social, da ideologia para a qual nos associamos – mesmo que inconscientemente - determina a forma como vemos um mesmo fato. A subjetividade humana está presente em tudo o que olhamos.

Antes de mais nada é preciso termos clareza da inexistência de uma contemplação pura da realidade. Ela sempre transmitirá em seu interior as opiniões pessoais, convencionalismos arraigados, crenças e predisposições.

O problema é que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) se apresenta para a sociedade como mensageira da objetividade e embandeirada (sic) da liberdade de expressão e imprensa. Juram que suas notícias e reportagens estão alicerçadas na impessoalidade, neutralidade, imparcialidade. Tentam nos fazer acreditar que os fatos publicados são o fato em si, sem qualquer carga de julgamento, onde o dono do jornal, revista, rádio, TV, etc, não advêm ideologicamente, financeiramente, ou por relação de classe, sobre o conteúdo que é veiculado.

Por si só, produzir o conceito de uma imprensa sem lado, comprometida exclusivamente com “dizer a verdade”, já é passar para a sociedade um cheque sem fundo.

Por tudo isso é que a nota da ANJ é mais uma fraude contra a democracia, mas especialmente uma tramóia sobre aquilo que eles dizem fazer: falar a verdade. A nota encabeçada pela “corvo mor” da ANJ afirma que o presidente desconhece o papel da imprensa nas sociedades democráticas (até caberia uma bela discussão sobre democracia, mas deixo para outra oportunidade).

Tal afirmação contém mais um destes contrabandos intrínseco.

Neste assunto, Lula é PhD.

FONTE: Blog do Miro

domingo, 19 de setembro de 2010

Uma leitura obrigatória: Eduardo Guimarães do Movimento Sem Mídia


A legião dos degenerados



Se alguém disser aos barões da mídia que “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”, será chamado de tudo que a máfia da comunicação usa para desqualificar críticos. Contudo, o autor da frase é Joseph Pulitzer. Caso alguém não saiba quem foi ele, clique aqui para ler a sua biografia.

Pulitzer foi homenageado postumamente com a criação do Prêmio Pulitzer, a mais ambicionada premiação jornalística do mundo. Quem não se lembra da namorada do Super-homem, a repórter Lois Lane, arriscando a vida em reportagens perigosas na tentativa obstinada de ganhar o prêmio ao custo da própria integridade física?

Como previu o visionário, parte da imprensa brasileira está corrompendo seu público fiel. Essa “imprensa cínica, mercenária e corrupta” foi edificada por empresários gananciosos como Roberto Marinho ou Otávio Frias de Oliveira, entre outros de triste memória que, para encurtar, lembro que fundaram e sustentaram a ditadura mais sangrenta e longeva que este país conheceu.

Hoje, depois de décadas e décadas em que Globos, Folhas, Vejas e Estadões perverteram a comunicação no Brasil, formou-se um público ainda minoritário mas que ameaça crescer até contaminar toda a sociedade.

As taras inoculadas por esses impérios de comunicação em certa parcela dos brasileiros se tornam mais evidentes entre os mais ricos, que não são necessariamente os mais cultos, mas que detêm recursos para pagar pelo jornalismo traficante de mediocridade e degeneração.

Venho tendo tais reflexões durante a leitura eventual de colunas de cartas de leitores dos jornais supra mencionados. A desonestidade intelectual de alguns desses leitores mostra no que aqueles veículos estão transformando o seu público.

Reproduzo, abaixo, exemplo frugal do que essas pessoas cometem. Sua retórica pervertida revela a legião de degenerados que uma autoproclamada “imprensa” está parindo. E com financiamento dos impostos de todos os brasileiros.

Não importa o tamanho do escândalo: nada atingirá o PT, na medida em que a eleição se faz por meio de votos de pessoas que não sabem ler ou escrever. Se ao menos no Estado de São Paulo fosse dada mais atenção à educação nos últimos 16 anos, talvez fosse diferente o quadro atual. A criança pobre de 16 anos atrás hoje é uma analfabeta por ter passado de ano sem saber ler ou escrever. Que o PSDB não culpe a ignorância do povo como se fosse consequência do acaso. MARCOS COSME PORTO (Campinas, SP)

Essa carta basta como exemplo. Foi publicada na última edição dominical da Folha e encerra o potencial necessário para exemplificar a corrupção moral que habita os dois lados – o do leitor e o de quem editou e publicou o que ele escreveu.

Tanto a Folha quanto o leitor certamente lêem as pesquisas do instituto Datafolha e, portanto, sabem que é mentira que só “pessoas que não sabem ler ou escrever” pretendem votar em Dilma Rousseff. Pelo contrário: ampla maioria dos mais escolarizados não só declara voto na nela como é o público mais decidido a fazê-lo.

Essa é uma tentativa do jornal e de seu leitor de disseminarem uma mentira, portanto. E para embeber esse ato vil em alguma verossimilhança, deixam o malandrão, ali, beliscar os tucanos. Mas ele sugere que o voto “ético” seria em alguma alternativa a Dilma, mesmo que seja em Marina Silva.
Tem sido uma tática recorrente da “imprensa”, nos últimos tempos. Acredita-se que o voto na laranja verde de José Serra levará a eleição ao segundo turno e que o tucano estaria nele, teoria que desconsidera a hipótese de que uma subida de Marina às custas de Dilma poderia levar a candidata do PV ao segundo lugar no pleito.

Mas esse foi só um exemplo. Há outros muito piores.

Os próprios trolls que infectam a blogosfera são produtos dessa “imprensa”. São anônimos que passam os dias na internet insuflando brigas, disseminando mentiras como a de que Dilma seria proibida de entrar nos EUA, de que seria “lésbica”, de que teria assassinado ou roubado bancos, de que teria sido “prostituta de terroristas” etc.

Essas pessoas que, gratuitamente – ou nem tanto –, afirmam haver provas das novas acusações pré-eleitorais da “imprensa”, são produtos da doutrinação de homens como Roberto Marinho ou Otávio Frias de Oliveira, que, por vias indiretas, assassinaram centenas de inocentes durante a ditadura militar.

A legião dos degenerados midiática é uma ameaça ao processo civilizatório, mas não é a causa. Donde se concluí que os democratas não devem gastar energia com sintomas da doença como os trolls ou o leitor da Folha acima, mas com a causa. O foco, antes ou depois da eleição, deve ser o de desmascarar a natureza “cínica, corrupta e mercenária” dos barões da mídia.

FONTE: Blog da Cidadania

Os fatos da razão e a razão dos fatos

Fernando Borges/Terra
A ex-ministra Erenice foi o braço direito de Dilma Rousseff na Casa Civil
A ex-ministra Erenice foi o braço direito de Dilma Rousseff na Casa Civil

Francisco Viana
De São Paulo (SP)

Numa situação de crise, qualquer que seja, três questões principais se impõem: o que podemos conhecer? O que devemos fazer? O que nos é permitido esperar quanto ao desdobramento dos cenários? No caso da repercussão na mídia das denúncias da revista Veja envolvendo a agora ex-ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e de seu filho, Israel, em suposto tráfico de influência, as respostas às questões em foco podem iluminar as sombras que pareciam se adensam no momento em que as eleições presidenciais chegam à reta final.

Contudo, antes de responde-las, é oportuno fazer um duplo registro: o governo agiu com presteza e determinação, evitando que a crise se transformasse numa crise de alcance eleitoral, neutralizando as tentativas da oposição de politizá-la. A ex-ministra, por sua vez, não lidou corretamente, em termos técnicos, com o problema. Em parte, porque recorreu mais à retórica, nas suas notas oficiais, do que a substancialidade dos fatos; em parte, porque não enfrentou a imprensa no olho no olho. Notas são para apoiar a comunicação objetiva, com o envolvido no processo, ocupando a linha de frente, sobretudo em casos de grande repercussão. Dai a queda da ex-ministra, ser previsível desde o primeiro momento. Faltou antecipação, faltou visão do que é uma crise de comunicação naquelas circunstâncias. O governo e a candidata Dilma Rousseff, vale repetir, tiveram atitudes corretas do ponto de vista da gestão do problema. E, melhor, agiram.

Agora vamos às questões comuns às crises com foco no case Erenice. O que podemos saber? Primeiro, é preciso desvendar as razões das denúncias chegarem a público justamente agora, quando as pesquisas mostram o candidato José Serra em queda livre e a candidata Dilma Rousseff se encontra em franca ascensão. Como a ex-ministra Erenice foi o braço direito de Dilma Rousseff na Casa Civil, é óbvio que o alvo não era Erenice, mas a candidata à presidência. E o noticiário está ai para mostrar. Com essa simples constatação, pode-se questionar porque, de repente, a grande imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro foi tomada de autêntico furor ético, transmitindo a sensação de que o atual governo é a encarnação do mal na gestão dos recursos públicos. Examinemos mais de perto o problema.

Tentou-se associar a candidatura Dilma à quebra de sigilo fiscal, à instabilidade institucional e buscou-se transformar seu passado de defensora da liberdade nos idos do regime militar, que a engrandece, em atividade terrorista, o que nunca existiu. Não deu certo. As pesquisas divulgadas nos últimos dias demonstram que o eleitor não caiu na armadilha que tentou induzí-lo a confundir fatos com versões dos fatos. Dilma disparou nas pesquisas. A ex-ministra Erenice surge então como alvo da vez e sua vida é escrutinada de alto à baixa com o único propósito de desqualificá-la e , com isso, atingir a candidatura Dilma. Também, não deu certo.

O que devemos fazer? Examinar os fatos e apenas os fatos, sem dissociá-los do contexto político-eleitoral. E, mais do que isso, entender que uma coisa é o desvio de conduta de uma autoridade ou de um familiar desta - que precisa ser investigado pelas autoridades , no caso da ex- Ministra -, outra é um projeto político. Há, é evidente, dois projetos antagônicos em jogo nessa eleição: de um lado, o projeto da candidatura Dilma, que inclui a participação popular e a soberania popular, orientando-se para a construção de uma sociedade moderna, plural, de outro, um projeto elitista, cujo rosto volta-se para o passado desde o começo. Examinado os fatos, pode-se facilmente concluir que as denúncias envolvem uma troca simbólica.

No passado, os conservadores esgrimiam a bandeira do anticomunismo, trincheira de onde iludiram parte da sociedade por meio século; agora, a bandeira é o combate à corrupção. A UDN recorreu à essa retórica por décadas, mas não passava de cortina de fumaça para chegar ao poder. Separar o que é fato, o que é manipulação política, em nada isenta a apuração do que realmente ocorreu ou vem acorrendo. O que seria um equívoco é confundir a razão dos fatos com os fatos da razão. A razão dos fatos é o jogo político, os fatos da razão é a apuração objetiva dos fatos reais, quer dizer, concretos.

O que nos é permitido esperar quanto ao desdobramento dos cenários? Os conservadores que se alinham em torno da candidatura José Serra, trabalham desesperadamente para chegar ao segundo turno. A mídia, em grande parte, (refiro-me especificamente à chamada grande imprensa) busca ocupar um lugar central como formadora da opinião do eleitor. Quer ser uma espécie de Farol de Alexandria dos tempos modernos. Age com tenacidade. Age com determinação. Criar narrativas e, com elas, transmite a mensagem de que os bons vão defender a sociedade contra os maus. A julgar pelas pesquisas, o cidadão brasileiro tornou-se refratário a esse tipo de jogo. A mídia tradicional, vale lembrar, não tem mais o monopólio da informação. As mídias sociais são hoje portadores de uma visão crítica e a vem intervindo com substância no debate político.

O cenário mais provável é que o eleitor não se iluda e se movimente na direção do real, não do rosto enganoso das aparências. A sociedade mudou. O eleitor torna-se a cada dia mais informado, mais consciente do que é a ética vivenciada com a verdade e a ética normativa do que se deve fazer, mas nunca se faz. Claro, a situação da ministra não deve ser subestimada e o governo deve agir com rapidez e transparência para prestar contas à nação. Essa é uma prática indispensável aos ritos democráticos, a todo instante. Não um recurso de circunstância. Pois o que está sempre em jogo é a legitimidade pública para o exercício do poder.

Mas há ainda uma quarta questão recorrente nas situações de crise. Quais as lições a serem assimiladas? A primeira, e mais essencial, é que o governante, o político, precisa ter conduta inatacável, pois o exercício da ética não é normativo, mas um confronto com o real. Nenhum ocupante do alto escalão de governo, seja qual for o governo, pode ter um familiar lobista. E se isto acontecer, o fato deve ser tornando público e deixado claro que a autoridade não tem qualquer vínculo com o familiar nos seus negócios. A segunda é que se tornou imperativo distinguir o que é uma ética verdadeiramente democrática e a ética retórica que joga de lado os projetos de efetiva dimensão social. O eleitor deve tomar cuidado para não se deixar iludir pela ética retórica.

Por fim, fica evidente mais uma vez o fato de que o conservadorismo político no Brasil é como uma cera rígida, extremamente apegada às sobras do passado e, por isso, indelevelmente resistente às luzes da modernização social. Sempre estão a vislumbrar uma luz ao longe para superar as complexidades da vida, mas quando podem iluminar a verdade que apregoam, alegam que as complexidades são muitas. E a luz misteriosamente se volatiliza. Por isso, não vêm a dimensão dos fatos, apenas o éter dos factóides, que o brasileiro aprendeu a rejeitar.
Leitura recomendada

EAGLETON, Terry. O problema dos desconhecidos: um estudo da ética. Tradução Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.



Francisco Viana é jornalista, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica (e-mail: viana@hermescomunicacao.com.br)
 
FONTE: TERRA MAGAZINE

sábado, 18 de setembro de 2010

Gilson Caroni: Som e fúria da velha imprensa

Em uma guerra onde cada queda nas pesquisas repercute como a perda de um exército do candidato tucano, a grande imprensa brasileira tem a reação previsível. Emissoras de televisão, jornais e revistas semanais se unem em grupos, deixando a confiança em uma improvável virada de José Serra se avolumar até atingir o êxtase nos estratos sociais que lhe dão sustentação rarefeita. Tal comportamento, onde todos os meios de comunicação atuam de forma orquestrada, em fina sintonia com os comitês de campanha, traduz a relação simbiótica entre o tucanato e as famílias que controlam os mecanismos de produção e difusão informativos. No estreitamento do processo, um projeta no outro seus interesses pessoais e políticos. Serra é a mídia. A mídia é Serra.

Cria-se uma vivência de alienação, situação de risco escolhida para se experimentar um novo cenário golpista. Neste clima, são negadas as dificuldades em se resolver os problemas sociais, políticos, econômicos e ideológicos de uma candidatura fadada a um “enterro de Gioconda”. É por esta anestesia da razão, alheamento da realidade, que se acentua a autoconfiança dos milicianos encastelados nas editorias de Política. Só assim acreditam que o desejo poderá ser satisfeito em um passe de mágica. Transitam pela animação da onipotência, acreditando possuir a força ilimitada dos deuses. Quando, no entanto, a história mostra o seu compasso, o efeito delirante dá lugar ao desconforto da depressão e do vazio ameaçador. Serra é a mídia. A mídia é Serra.

Não há espaço para o contraditório. Publicações que não fazem parte do pool tucano são censuradas no campo jornalístico. Escândalos são fabricados em escala crescente. Denúncias publicadas sem apuração. O contraditório inexiste. A imprensa golpista, involuntariamente, reaviva a advertência de Gramsci: enquanto o mundo velho não se finda e o novo não se afirma, a sociedade vive num estágio de morbidez latente, apta a produzir seus fenômenos mais perversos. Nesse interregno, os Mervais, Leitões, Noblats, Josias e Fernandos, entre tantos outros, fazem, ou tentam fazer, o retorno a uma formação política infantilizada, desagregada e primitiva.

Se for justa a indignação dos que militam no campo democrático, a perplexidade é imperdoável. Desculpem-me a sinceridade da pergunta, mas que tipo de comportamento vocês esperavam da mídia brasileira: isenção, equilíbrio, não alinhamento com a direita? Que os proprietários dos veículos fossem capazes de contrariar seus interesses financeiros e políticos em nome da cobertura lisa do processo democrático? O padrão editorial predominante em 1954 não se repetiu dez anos depois? Desde a eleição de Lula a que temos assistido? Por que razão ficamos esperando que agora fosse diferente?

Será que é preciso lembrar que continuamos vivendo em uma sociedade determinada pelos interesses de classe? E, quando se trata do principal, não podemos esquecer que somos o outro lado, os inimigos a serem derrotados, mais ainda a Dilma e o que ela representa simbolicamente. Ficar surpresos nos remete a uma ingenuidade inadmissível.

A credibilidade no jornalismo é puro mito, pura hipocrisia, recurso de marketing usado pelas empresas. Apesar de sabermos disso, esperamos, lá no fundo das nossas almas, que seja diferente, que a prática da mídia burguesa seja semelhante ao seu discurso publicitário, mas não é e não será jamais. A única forma de travar a batalha democrática no campo informativo é criar veículos eficientes, na forma e no conteúdo, que estejam a serviço dos interesses da maioria da população. E isto não é para “fazer a cabeça” do povão, mas simplesmente articular um discurso, uma argumentação contrária à estrutura narrativa da imprensa que representa o establishment. Se falarmos em luta pela hegemonia, como ignorar questões centrais?

Queremos “absolvição” por termos desconcentrado o mercado publicitário e realizado a Confecom? Creio que não. Para continuar reerguendo o país do descalabro, da frustração e da desesperança, o que podemos esperar senão som e fúria dos aparelhos ideológicos burgueses? A ausência de poder sobre a situação fará aumentar o rugido, o desejo destrutivo de forças que subestimaram a sociedade brasileira, que a ignora solenemente.

Todos os sinais de alarme já soaram. O velho Gramsci era do ramo. Ninguém poderá dizer, desta vez, que não foi alertado a tempo.

Renato Rovai: Vejismo, folhismo e globismo

Os principais veículos da velha mídia estão dando um novo show de anti-jornalismo. Não é nada novo. Foi exatamente assim em 2006. Foi exatamente assim em muitos outros momentos recentes.

A cada dia um novo factoide é lançado.

O de hoje busca ser sempre mais escandaloso do que o de ontem.

Reputações são destroçadas a partir de relações absurdas, realizadas sem o menor critério jornalístico.

Sem que haja compromisso algum com a verdade factual.

Nesses últimos dias alguns absurdos já tornaram pessoas inocentes em bandidos midiáticos.

O caso do analista Amarante é um deles.

O funcionário público foi achincalhado em manchetes de jornais como tendo quebrado 11 vezes o sigilo de Eduardo Jorge.

Quando ele desmontou a farsa, ninguém se desculpou.

Não importa quem esteja no caminho, se é para destruir o PT e Lula vale tudo.

Jornalismo não é isso.

É legítimo que os veículos impressos de comunicação tenham posições. No caso de veículos concessionários, não.

Esses são concessões do Estado. Ou seja, de toda a sociedade. Devem ser pautados pelo equilibro e pela independência.

A Globo quando decide fazer campanha contra um candidato e a favor de outro está incorrendo num crime. Poderia ser multada e até sofrer punições.

De qualquer maneira, a diferença entre ter posição e construir uma narrativa de fim de mundo para tentar mudar o rumo de uma eleição são coisas absolutamente diferentes.

É isso que Veja, Folha e Globo, em especial esses três veículos, têm feito.

Isso tem custado caro inclusive para alguns, como este blogueiro, que acabam tendo de gastar boa parte do seu tempo desarmando bombas.

Neste momento poderíamos estar trabalhando em coisas mais interessantes. Entrevistando pessoas para discutir o modelo de desenvolvimento que queremos, quais devem ser os planos para a educação do país avançar, quais seriam as políticas necessárias para um equilíbrio regional etc.

Mas não.

É necessário trabalhar para desmoralizar a fábrica de mentiras.

Aliás, falando em mentiras e verdades, o amigo já imaginou o que aconteceria se um candidato que apoiasse a Dilma ou o Mercadante fosse preso por ser acusado de participação no PCC? Já imaginou se ele aparecesse com uma Ferraria de 1,4 milhão e seu patrimônio estimado fosse de 100 milhões sem que ele tivesse como explicar a renda.

Pois é, isso aconteceu.

A matéria de hoje da Folha de S.Paulo tratou do assunto, mas não mostrou, por exemplo, a foto desse candidato, do PSC, abraçado a um candidato a governador.

Nem citou o nome desse candidato a governador de São Paulo.

Eu também não vou fazê-lo.

Porque sinceramente acho que Alckmin não faz parte do PCC.

E porque sei que político tira foto abraçado com qualquer um.

Se fosse com a Dilma ou com o Mercadante que o sujeito estivesse abraçado, provavelmente você veria a foto na capa de todos os jornais.

E no Jornal Nacional.

Isso não é jornalismo.

É vejismo, folhismo e globismo.

Luis Nassif: O fim de um ciclo da velha mídia

Dia após dia, episódio após episódio, vem se confirmando o cenário que traçamos aqui desde meados do ano passado: o suicídio do PSDB apostando as fichas em José Serra; a reestruturação partidária pós-eleições; o novo papel de Aécio Neves no cenário político; o pacto espúrio de Serra com a velha mídia, destruindo a oposição e a reputação dos jornais; os riscos para a liberdade de opinião, caso ele fosse eleito; a perda gradativa de influência da velha mídia.

O provável anúncio da saída de Aécio Neves marca oficialmente o fim do PSDB e da aliança com a velha mídia carioca-paulista que lhe forneceu a hegemonia política de 1994 a 2002 e a hegemonia sobre a oposição no período posterior.

Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.

Fim de um período odioso

Restarão os ecos da mais odiosa campanha política da moderna história brasileira – um processo que se iniciou cinco anos atrás, com o uso intensivo da injúria, o exercício recorrente do assassinato de reputações, conseguindo suplantar em baixaria e falta de escrúpulos até a campanha de Fernando Collor em 1989.

As quarenta capas de Veja – culminando com a que aparece chutando o presidente – entrarão para a história do anti-jornalismo nacional. Os ataques de parajornalistas a jornalistas, patrocinados por Serra e admitidos por Roberto Civita, marcarão a categoria por décadas, como símbolo do período mais abjeto de uma história que começa gloriosa, com a campanha das diretas, e se encerra melancólica, exibindo um esgoto a céu aberto.

Levará anos para que o rancor seja extirpado da comunidade dos jornalistas, diluindo o envenenamento geral que tomou conta da classe.

A verdadeira história desse desastre ainda levará algum tempo para ser contada, o pacto com diretores da velha mídia, a noite de São Bartolomeu, para afastar os dissidentes, os assassinatos de reputação de jornalistas e políticos, adversários e até aliados, bancados diretamente por Serra, a tentativa de criar dossiês contra Aécio, da mesma maneira que utilizou contra Roseana, Tasso e Paulo Renato.

O general que traiu seu exército

Do cenário político desaparecerá também o DEM, com seus militantes distribuindo-se pelo PMDB e pelo PV.

Encerra-se a carreira de Freire, Jungman, Itagiba, Guerra, Álvaro Dias, Virgilio, Heráclito, Bornhausen, do meu amigo Vellozo Lucas, de Márcio Fortes e tantos outros que apostaram suas fichas em uma liderança destrambelhada e egocêntrica, atuando à sombra das conspirações subterrâneas.

Em todo esse período, Serra pensou apenas nele. Sua campanha foi montada para blindá-lo e à família das informações que virão à tona com o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr e da exposição de suas ligações com Daniel Dantas.

Todos os dias, obsessivamente, preocupou-se em vitimizar a filha e a ele, para que qualquer investigação futura sobre seus negócios possa ser rebatida com o argumento de perseguição política.

A interrupção da entrevista à CNT expôs de maneira didática essa estratégia que vinha sendo cantada há tempos aqui, para explicar uma campanha eleitoral sem pé nem cabeça. Seu argumento para Márcia Peltier foi: ocorreu um desrespeito aos direitos individuais da minha filha; o resto é desculpa para esconder o crime principal.

Para salvar a pele, não vacilou em destruir a oposição, em tentar destruir a estabilidade política, em liquidar com a carreira de seus seguidores mais fiéis.

Mesmo depois que todas as pesquisas qualitativas falavam na perda de votos com o denuncismo exacerbado, mesmo com o clima político tornando-se irrespirável, prosseguiu nessa aventura insana, afundando os aliados a cada nova pesquisa e a cada nova denúncia.

Com isso, expôs de tal maneira a filha, que não será mais possível varrer suas estripulias para debaixo do tapete.

A marcha da história

Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história.

Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.

Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.

Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar.

Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.

Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo.

Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra um deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.

E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.

Os novos tempos


A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância.

De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.

A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.

Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização.

As ameaças à liberdade de opinião

Dia desses, me perguntaram no Twitter qual a probabilidade da imprensa ser calada pelo próximo governo. Disse que era de 25% - o percentual de votos de Serra. Espero, agora, que caia abaixo dos 20% e que seja ultrapassado pela umidade relativa do ar, para que um vento refrescante e revitalizador venha aliviar a política brasileira e o clima de São Paulo.

Carta capital a um jornalista do futuro

Reproduzo artigo de Lula Miranda, publicado no sítio Carta Maior:

Prezado Jornalista,

Escrevo-lhe do Brasil, cidade de São Paulo, em meados de Setembro do ano de 2010 (a caminho da sagração da Primavera). Peço-lhe o máximo de paciência [a prosa será por demasiado extensa], cuidado, ponderação e desprendimento ao ler esse depoimento/testemunho. Intuo que um calendário, na parede à sua frente, registre um ano qualquer na segunda metade desse século XXI. Certamente, se tomar como parâmetro a realidade dos tempos que você vivencia aí, aquilo que chamaria grosseiramente de “übermídia”, achará absurdos, inacreditáveis mesmo, os fatos que passarei a lhe narrar. Mas, asseguro-lhe, trata-se da mais pura verdade (a tal “factual”).

Estou seguro de que o seu “olhar épico” propiciará um julgamento e uma visão mais eqüidistante e reveladora dos dias difíceis que vivemos por aqui. Remeto-lhe essa mensagem com a esperança de que zele para que parte da história da imprensa seja contada de forma a que esteja preservada a verdade dos fatos, como eles ocorreram realmente; para que não prevaleça apenas a versão deturpada daqueles que chamamos de “donos do poder” [ver Raymundo Faoro].

Aqui, nos dias que correm e, em verdade, desde sempre, os principais veículos de comunicação pertencem a cerca de meia-dúzia de famílias [sim, por incrível que pareça tal oligopólio existe e, o que é pior, ainda é permitido]. Dá para você imaginar o que disso resulta em termos de controle e manipulação da informação? Compreendo ser difícil você ter a mais remota idéia do que essa realidade que vivemos hoje significa [algo aos seus olhos tão distante, extemporâneo, atrasado, estapafúrdio e espúrio], mas…

Digo-lhe ainda outra [impropriedade]: os proprietários desses veículos são aqueles aos quais esses mesmos meios deveriam fiscalizar. Grandes empresários e/ou parlamentares são donos [ou sócios majoritários] dos principais jornais, revistas, redes de rádio e televisão, e suas retransmissoras – até portais de internet. Já pensou no absurdo dessa situação?! Ou seja: a raposa no encargo de tomar conta do galinheiro. Impensável, não?

Esses veículos trabalham em sintonia e em rede. “Claro! Como conseqüência do avanço da tecnologia das comunicações” – exclamaria você, inocentemente. Não propriamente, esclareço. A “sintonia” e a “rede” funcionam aqui com o seguinte significado e fim: todos os veículos, mancomunados, em “sintonia fina”, transmitem de maneira massiva a mesma versão dos fatos e, claro, só os temas e notícias que interessam à preservação do status quo. Estão todos a serviço dos conservadores de sempre, aqueles que querem manter as coisas exatamente como estão; os que defendem o estabelecido [os já citados “donos do poder”].

Captou a nuance da coisa? Tentando ser ainda mais claro: quando eles desejam se ver livre de algum ministro ou alto funcionário do governo que está atrapalhando seus negócios e interesses, ou mesmo se livrar de algum membro do partido desse governo (ou de um partido aliado do governo), ou ainda, em última instância, quando querem/desejam derrubar o próprio presidente começam a “operação bombardeio”. Exemplo de caso: um determinado veículo [por exemplo, a revista Veja, cuja tiragem já foi de um milhão de exemplares, hoje, caindo, na casa dos oitocentos mil] dá como matéria de capa um suposto escândalo contra determinado integrante da máquina pública. Então, na seqüência, o principal noticiário da rede de televisão [o jornal Nacional da Rede Globo – audiência também cadente] dá a notícia com pompa e circunstância. Em seguida, quase sempre de modo simultâneo, todos os demais veículos esquentam e repercutem essa matéria até transformar aquele “suposto” escândalo num fato consumado. Com esse ardil, aprenderam a forjar “novas realidades” ou “supra-realidades”, bem como “novas” lógicas e linguagens, muito semelhantes à “novilíngua” e ao “duplipensar” [ler “1984” de George Orwell].

Um dos dois maiores jornais daqui de São Paulo [com circulação em todo o Brasil], tamanho é o seu parcialismo às escâncaras, que foi recentemente ridicularizado, em escala global, com piadas e mensagens sarcásticas no Twitter [foi trending topic: com cerca de 50.000 mensagens postadas!]. Ou seja: exagerou tanto na dose que se tornou motivo de zombaria na rede. Sobre esse veículo pesquise os seguintes termos ou expressões: “ditabranda” e “ficha falsa da Dilma”. Veja a que ponto seus editores chegaram, a que nível baixaram! É de estarrecer.

Porém, reitero o devido registro, talvez até por se utilizarem desses artifícios antiéticos, capciosos, esses veículos estão perdendo, a cada dia, mais e mais leitores, condenados que estão ao descrédito – e, você bem sabe, a credibilidade é o maior patrimônio intangível de uma empresa de comunicação. A falta de credibilidade certamente os conduzirá, de modo célere, à bancarrota.

Peço-lhe desculpas, pois sei que falo sobre coisas que há muito deixaram de existir aí no seu tempo: revistas, jornais, televisão, Veja, Rede Globo etc. Imagino que aí, na segunda metade do séc. XXI, a internet holográfica (em 3D) e a blogosfera sejam as principais fontes de informação. Por aqui ainda vivemos a expectativa desse auspicioso “porvir”. Mas a blogosfera já se insinua como a ponte que nos auxiliará nessa grande e instigante travessia.

As redações dos grandes veículos da mídia, nos dias de hoje, têm, como se fossem supermercados, um verdadeiro estoque de falsas denúncias. Metaforicamente falando, são prateleiras e mais prateleiras onde estão dispostas, e muito bem organizadas [por partido, por grupo de interesse, por esfera de governo (federal, estadual e municipal), por cargo na hierarquia governamental etc.], denúncias diversificadas, “escândalos” variados. Tem escândalo para toda hora e ocasião.

“Mas não é exatamente essa a função dos jornalistas: vigiar governos, instituições e fazer denúncias?” – ponderaria você, com legítima razão. É verdade. Mas o “demônio” se esconde nos detalhes – como se diz por aqui. O problema é que os grandes veículos nos dias de hoje só fazem denúncias contra os partidos desse governo que aí está, de um perfil e estrato mais popular, e nenhuma crítica ou denúncia para valer contra os partidos das elites conservadoras, que desejam a todo custo e meios retomar o poder. Outra: a maior parte dessas denúncias é nitidamente falsa ou manipulada; muitas delas são “plantadas” pelas máfias da política e da imprensa, algumas são grosseiras “armações”. Acredite no que lhe digo.

Quem são/eram os “fornecedores” dessas denúncias ardilosas? Os jornalistas compactuavam/aceitavam esse estado de coisas? São perguntas mais do que legítimas, óbvias, e sei que você as está formulando nesse exato instante. Com relação aos fornecedores, num dado instante, houve uma deturpação do chamado “jornalismo investigativo”. Jornalistas passaram a se utilizar dos serviços de estelionatários e “arapongas” [inclusive ex-agentes da época da ditadura] que, por sua vez, se utilizavam de métodos similares aos utilizados pelas máfias – foi aí, tudo indica que, o jornalismo se irmanou ao crime e começou a cair em desgraça.

Já sobre o silêncio e cumplicidade, tenho uma teoria, pois testemunhei inúmeros casos: basta dar a um jornalista trinta, cinqüenta e até cem mil “dinheiros” [converta à moeda da sua época] de salário por mês que esse indivíduo, como num passe de mágica, se transforma e passa a falar com a voz do chefe, e a pensar com a cabeça do patrão. Os demais, os “focas” ou os jornalistas “proletários”, são, quase sempre, pessoas honestas, decentes, mas nada podem fazer por medo de perder o emprego (têm muitas bocas a alimentar – daí utilizar-me do termo “proletários”). Em face disso, creio, o mau-caratismo começou a prevalecer.

Tem também a questão do “mensalão” da mídia [“Mensalão” - rótulo que a grande mídia deu a esquema de caixa 2 dos partidos da base aliada ao atual governo]. Mas esse tema requer uma outra carta.

Sei que você deve estar pensando que tudo isso é absurdo, vergonhoso e se indagando como é possível que jornalistas e cidadãos em geral se submetessem a esse estado de coisas. Saiba que, para mim, é deveras constrangedor confessar-lhe que vivi nesses tempos de vergonha e infâmia. Porém, informo-lhe, apenas para registro, por mais incrível que isso possa lhe parecer, quando reclamávamos disso (perante o Congresso e as instituições) éramos estratégica e maliciosamente rotulados de “stalinistas”, de “inimigos da democracia”, e de que estávamos cometendo um atentado contra a liberdade de imprensa; redargüíamos, tentávamos explicar, incessantemente, diuturnamente, que estávamos indo em verdade, não contra, mas a favor desse “princípio dos princípios” – de nada adiantavam os nossos argumentos. Assim tentavam nos calar e impediam qualquer tentativa de democratização dos meios, ou mesmo qualquer embrionária iniciativa que visasse esse fim.

Veja bem, o que buscávamos era exatamente uma imprensa livre! Livre por princípio. Livre das sombras, das amarras e dos ditames dos interesses escusos dos patrões e seus grupos de pressão. “Utópicos”, “idealistas”, desejávamos exatamente uma imprensa livre, libertária e comprometida apenas com a verdade factual e a serviço de todas as classes [com ênfase, claro, nos desassistidos e nos trabalhadores]; a serviço do homem enfim. Acredite se quiser, mas, como disse, é a pura verdade.

Desculpe-me ter me utilizado de excessivo número de caracteres nessa comunicação. Ainda somos demasiadamente “prolixos” e pretensamente “literários”. Saudações de tempos pretéritos.

LIDO NO BLOG DO MIRO

A covardia do governo diante da mídia

Reproduzo artigo de Cláudio Gonzalez, publicado no blog Papillon:

Uma das vantagens de manter um blog pessoal é poder escrever sem o compromisso de ter de observar algumas normas de conduta que o exercício do jornalismo nos obriga a seguir. Este é um espaço livre, sem as amarras de um veículo de comunicação. Portanto, posso desabafar e questionar: até quando os covardes do governo Lula vão permitir ser esmagados pelo denuncismo midiático sem esboçar qualquer reação à altura? Qualquer um ligado ao governo que faça um mínimo comentário sobre os excessos da imprensa é imediatamente desautorizado. Gente do próprio Palácio do Planalto atende telefonemas de Lo Pretes e Bergamos da vida para desautorizar quem critica a imprensa.

Esta “denúncia” da Folha de ontem, repercutida com naturalidade espantosa em todos os veículos da grande imprensa, é tão escandalosamente falsa, montada, superficial… que se eu fosse um dos jornalistas que a assinaram, passaria o resto da vida envergonhado. Mas como o governo não reage – pelo contrário, dá corda para as ilações –, eles vão em frente. Acusações sem nenhuma prova e com inúmeros indícios de falsidade vão sendo reproduzidas aos borbotões e chega a um ponto tão surreal que ninguém mais sabe exatamente quais são as acusações ou onde está a infração. Fica no ar apenas a atmosfera de escândalo.

E o que faz o governo diante deste cenário? Simplesmente aceita a chantagem midiática, pois parece concordar que não há pecado maior para um político do que criticar a imprensa, mesmo quando ela comete um crime grave de calúnia e difamação com claros objetivos eleitorais. Eu gostaria muito de estar errado. Sei lá, talvez os que estão no centro do poder, como Franklin Martins, o Lula, o Marco Aurélio, o Santana… já tenham pensado em tudo, traçado um plano de reação que nós, pobres militantes que conhecemos apenas aquilo que a imprensa divulga, não podemos saber qual é para não atrapalhar o sucesso da empreitada.

Mas, infelizmente, desconfio que eles não têm plano nenhum. São apenas seres acovardados diante do poder da mídia. Aí ficamos nós aqui, fazendo papel de ridículos em nossos blogs, no Twitter, nas redes sociais, esperneando diante dos abusos da corja midiática, enquanto as “fontes palacianas” atendem com sorrisos o telefonema do jornalista da Folha e confirmam: “é, a Erenice errou no tom da nota, não podia ter atacado a imprensa e a candidatura do Serra como ela fez…”.

O governo Lula tem muitos méritos. Muitos mesmo. Mas sua relação covarde e de submissão em relação à grande imprensa é de dar dó. Parece que eles não aprenderam nada, absolutamente nada, com a crise política de 2005. Repetem os mesmos erros e se submetem pacificamente às pressões do mesmo denuncismo irresponsável e golpista. Ainda que isso não tenha conseguido, até o momento, produzir resultados eleitorais concretos – Dilma continua favorita – a mídia se fortalece de tal forma que os poderes Judiciário, Legislativo, Executivo e até os movimentos sociais acabam ficando sem armas para enfrentar os abusos da imprensa. Viram reféns de um quinto-poder sem limites, que se coloca acima do bem e do mal, destrói reputações, acaba com carreiras, prejudica negócios legítimos com a certeza da impunidade. Lembra muito um trecho daquele poema “No caminho com Maiakovski”:

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

FONTE: Blog do Miro

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Revista Veja: Fim do Jornalismo?

Está cada dia mais difícil acreditar nos veículos de comunicação que já foram "top of mind" do jornalismo brasileiro.

Uma pergunta que não quer calar:
Voce investiria em publicidade em veículos que cada dia mais estão com sua credibilidade em cheque?

O que leva empresas de renome internacional anunciar em determinados veículos de comunicação corruptos? 

Ou não é corrupção o que o PIG faz aberta e descaradamente com seu público e com seus clientes anunciantes?

Isso ainda pode  mesmo ser caracterizado como jornalismo?


Abaixo post do Viomundo:

Empresa acusada em reportagem da Veja nega existência de contrato



Curioso, isso. A reportagem-denúncia da revista Veja contra Erenice Guerra, que analisarei com maior cuidado nas próximas horas, tem como espinha-dorsal a publicação de um contrato. Teria acontecido no fechamento dele o pagamento de propina.
Porém, a empresa Via Net nega a existência do contrato reproduzido pela revista:

NOTA DE ESCLARECIMENTO
VIA NET EXPRESS TRANSPORTES LTDA, empresa de direito privado inscrita no CNPJ 02.701.816/0001-78, por seu advogado abaixo subscrito, vem esclarecer o que segue:
Em reportagem veiculada pela Revista Veja e demais meios de comunicação, a empresa Via Net Express Transportes Ltda é citada em reportagens que circularam nesse fim de semana.
Cumpre esclarecer que o sr. Fabio Baracat nunca foi sócio, procurador ou gestor, e tampouco pertenceu algum dia ao quadro de funcionários da empresa, fatos esses que podem facilmente ser comprovados.

A Via Net Express não conhece o contrato apresentado na reportagem, não assinou esse suposto contrato, não conhece a Capital Assessoria, não conhece seus sócios, nunca manteve qualquer contato e qualquer tipo de relação comercial com a mesma.

Por fim cumpre informar que a Via Net Express não possui nenhum tipo de contrato de prestação de serviços com o Correio, nem compra serviços de tranpostre aéreo nas aeronaves do Correio.
Para os transportes das mercadorias dos clientes da Via Net Express, esta utiliza as ofertas das cias aéreas disponíveis no mercado.

A Via Net Express, diante de todos esses fatos e principalmente das publicações envolvendo o seu nome buscará os esclarecimentos necessários, para em seguida adotar as medidas judiciais cabiveis.
São Paulo, 12 de setembro de 2010
Via Net Express Transportes Ltda.

Marcos Paulo Baronti de Souza

domingo, 1 de agosto de 2010

Por que cobertura política em campanha eleitoral dá nojo?

Reproduzo abaixo artigo de Marco Aurélio Mello analizando comportamento de um jornalista que fora cobrir um evento político. Demonstra claramente que apesar de formação acadêmica em comunicação, o profissional desta área não necessariamente pratica a comunicação no sentido exato da palavra.

DOLADODELÁ:

Aconteceu

O jovem repórter é escalado pelo maior jornal impresso do país para fazer a cobertura da campanha de um dos candidatos à corrida presidencial. Isso aconteceu há poucos dias. Ele vai a um evento e o que se vê impresso no dia seguinte é uma cobertura distorcida e muitas vezes inverídica sobre o que aconteceu.

Os coordenadores de campanha procuram o jornalista em outra ocasião e perguntam o que houve, já que o que ele presenciou não está retratado fidedignamente. E o repórter responde com uma certa ironia e malícia: - Pergunte para os que estão acima de mim.

Oras, como assim? O repórter assina um texto cujo conteúdo foi modificado pelos seus editores, tem o sentido do texto alterado e ainda assim aceita assinar a reportagem? E pior, considera que o problema não é dele? Que tipo de jornalista o colega pretende ser? Ele é, na melhor das hipóteses, cúmplice, ou não? Será que ele não pode pedir aos chefes para retirar sua assinatura do texto, com todo cuidado para que isso não o prejudique, uma vez que a versão modificada não retrata aquilo que presenciou?

Ou ele estaria tão envaidecido com a assinatura na página do jornal que é incapaz de renunciar a esse "mimo"? Digamos que ele seja obrigado a assinar e ponto, simples assim. Não haveria uma maneira de ele informar o constrangimento a alguém, um sindicato, uma organismo internacional, sei lá...

É possível termos chegado nesse grau de impostura?

Mas vamos pegar outro caminho. O jornalista é do tipo mau caráter, tem fome de ascensão ao poder e quer modificar um pouco as coisas a seu favor. Neste caso, quem fiscaliza um profissional desses? Qual conselho de ética pode julgá-lo? Como representar contra ele?

E por que os partidos políticos não o fazem? Primeiro, para não gerar enorme passivo legal durante a campanha e, depois, para não se indispor com o grande veículo que promove a fraude.

Quanto custa a deformação para quem faz, para quem consome e, pior, para quem é vítima dela? Um preço alto rateado entre todos nós eleitores, hipocritamente.

É por essas e tantas outras que cobertura política em campanha eleitoral dá nojo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Vale a pena relembrar afirmação de VEJA: Arruda - Ele deu a volta por cima

Creio que Asferlt, o "guru visionário" que dá assessoria futurista aos jornalistas da Editora Abril, dessa vez em particular a Revista Veja, deve estar desnorteado com o desfecho momentâneo do caso Arruda.

Em 15 de Julho 2009 na sua edição 2121 Veja afirmava:

Ele deu a volta por cima

"Depois de amargar uma imensa rejeição provocada por medidas de austeridade, o governador do Distrito Federal diz que é possível ser popular sem ceder às tentações do populismo"

Me pergunto: é prá rir ou prá chorar?
É esse o tipo de jornalismo independente praticado pelo PIG?

Me faz lembrar de outro veículo da mesma Editora Abril, a Placar, que em 2008 soltou uma matéria onde constava uma montagem fotográfica com Ronaldo treinando no Corinthians e a afirmação: "A foto é apenas uma montagem porque Ronaldo jamais irá jogar no Corinthians, mas nem por isso deixaremos de fazer piadas sobre esse tema. (sic)

Novamente pergunto: é prá rir ou prá chorar?
Que se passa com os pseudo-formadores de opinião em pleno século 21?

http://veja.abril.com.br/150709/ele-deu-volta-cima-p-015.shtml

O link acima remete para a maravilhosa reporcagem (comprada através de polpudas verbas publicitárias).
Ela ainda está na rede.
O mesmo não acontece com o link da matéria intitulada: Corinthians, Piada Fenômenal: http://placar.abril.com.br/jornal-placar/corinthians-corinthians-piada-fenomenal-132729-p.shtml

Clique e seja remetido automaticamente para: http://placar.abril.com.br/404/404.shtml (página inexistente).

E assim de barriga em barriga, onde interesses individuais excusos estão acima dos interesses coletivos, os corruptos e corruptores vão convivendo maravilhosamente em sociedades secretas.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Azenha: Mal Jornalismo do século 21

Convergência Digital: Mau jornalismo do século 21

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O fato de que você usa as mais modernas tecnologias da informação, de que sabe o que é e usa o twitter, está longe de isentá-lo de fazer mau jornalismo.
Eu não sei se algo se esconde por trás disso, se é a caça por uma manchete atraente ou simplesmente ruindade.

Atentem para a manchete do site Convergência Digital, que sugere que Marcelo Branco teria "vazado indevidamente" declarações do presidente Lula sobre o Projeto Nacional de Banda Larga.
Ora, tratava-se de uma reunião pública. Qualquer participante do encontro estava livre para sair dali e usar um telefone público, um blog ou dar uma entrevista falando sobre o encontro. O que Marcelo Branco fez, devidamente autorizado, foi usar o twitter durante a reunião, na qual o presidente da República expressou publicamente a posição do governo sobre a banda larga.

Assim, a ideia de que houve "vazamento" é, francamente, estúpida. Quando muito, houve furo de reportagem.
Em outro texto, o site sugere movimentos exóticos de especuladores em torno das ações da Telebras e tenta juntar pé com traseiro: o discurso público de um presidente da República "vazou" no Twitter e teria turbinado as ações da Telebras. Diz o texto:
Bovespa

Nesta quarta-feira,03, espera-se uma nova movimentação atípica com as ações da Telebras na Bovespa, as quais desde 2007 vêm sofrendo oscilações, à medida em que alguma informação é publicada na imprensa. De lá para cá, jornalistas têm sido constantemente assediados por investidores, sempre interessados em divulgar informações de bastidores que possam de alguma forma contribuir para manter a cotação desses papéis em alta.


Quem "espera" uma nova movimentação atípica? O Convergência Digital torce por uma movimentação atípica? Quem são os "jornalistas assediados"? Quem os assedia? Não seria o caso de denunciar os assediadores à Comissão de Valores Mobiliários, que supostamente investiga "movimentações atípicas" no mercado financeiro?
Vou "vazar" esse texto no Twitter, ok? Mas não contem para ninguém. É sigiloso.

FONTE: Viomundo

domingo, 31 de janeiro de 2010

Jornalismo e Catástrofe

Beto Almeida

"Será que o jornalismo não pode ir muito mais além do que reportar, muitas vezes com claro sensacionalismo, a estas tragédias? Será que não pode ajudar a elaborar uma consciência na sociedade sobre serem muitas destas tragédias perfeitamente previsíveis e evitáveis?

Começamos este ano cheio de catástrofes, lamentando perdas de vidas nas tragédias gigantescas como no Haiti, ou em outras de outro alcance em Angra dos Reis, no Estado de São Paulo relatadas pela tv e já somos obrigados a um questionamento aparentemente banal, mas nem tanto: será que o jornalismo não pode ir muito mais além do que reportar, muitas vezes com claro sensacionalismo, a estas tragédias? Não poderia ter outro papel? Será que não pode ajudar a elaborar uma consciência na sociedade sobre serem muitas destas tragédias perfeitamente previsíveis e evitáveis?

Se é verdade que terremotos não são evitáveis , também é verdade que a humanidade já possui a capacidade científica para prever e indicar com precisão quais as áreas onde ocorrerão. Exemplo disso, é que o geólogo Patrick Charles, do Instituto de Geologia de Havana e o sismólogo John Bellini, do Instituto de Sismologia dos EUA, na Conferência Internacional de Geoologia do Caribe, em 2008, previram a inevitável ocorrência de um terremoto de grandes proporções na cidade de Porto-Príncipe, embora não fosse possível definir a data.

O que foi feito com as previsões e os alertas destes cientistas? Foram levadas a sério? É verdade que o Haiti está vitimado por um verdadeiro terremoto social há décadas, causado pelo colonialismo que transformou a primeira República das Américas e o primeiro país a abolir a escravidão num poço de miséria . Poço construído por ações políticas e econômicas concretas, não pelas forças da natureza.

Por exemplo, a França, ex-colonizadora do Haiti, cobrou uma dívida dos haitianos, sob ameaça de intervenção armada, equivalente ao que hoje seria a quantia de 20 bilhões de dólares! Os EUA apoiaram todas as ditaduras mais sanguinárias que aquele país teve que suportar, como a da criminosa dinastia Duvalier que, ao ser derrotada pela luta do povo haitiano, fugiu com sua fortuna para os bancos da Suíça. E tem gente que quer apontar a Suíça como país exemplo de civilização, quando é um grande cúmplice dos maiores roubos e crimes praticados contra a humanidade.

Jogo da mentira e do disfarce

As tragédias nos morros se repetem ano a ano a cada chuva intensa evidenciando a falta de políticas públicas para coordenar as ocupações urbanas de acordo com o critério científico e educativo. Prevalecem os interesses do lucro sobre os da sociedade que se vê destituida de informações, de segurança e de valores seguros para promover a cidadania. Tudo que falta no jornalismo que se esmera na construção das catástrofes e não nas explicações das suas razões profundas.

O jornalismo tem diante de si o desafio de ir mais além do que a simples constatação e exploração sensacionalista e mesquinha das tragédias humanas. Os administradores públicos são em muitos casos os grandes culpados por estas perdas de vidas. Acaso não sabemos que em 2007 já havia a determinação de autoridades competentes para a demolição daquela Pousada Sankai, em Angra dos Reis, por estar em área de risco? O governador do Rio de Janeiro chegou a baixar decreto flexibilizando e facilitando a ocupação de encostas na região, quando deveria agir no sentido contrário.

Da mesma forma, vale relacionar que os moradores do Morro da Carioca, também em Angra, ocuparam aquela área imprópria para a habitação quando houve a privatização e demolição da indústria naval no início dos anos 90. Desempregados dos estaleiros os trabalhadores subiram os morros porque não tinham outro lugar para morar e viver, e foi ali que viram muitos de seus entes queridos perder a vida.

Não é tudo isto perfeitamente evitável??? Claro que sim! Se as autoridades de São Paulo não investem na retirada dos entulhos da calha do Tietê – e política pública negligente deveria acarretar responsabilidade criminal - torna-se perfeitamente previsível que enchentes ocorrerão, provavelmente seguidas de morte e destruição.

Que não se culpe a natureza se os responsáveis pelas políticas públicas não se organizam para a prevenção, para a adaptação das cidades, para políticas habitacionais capazes de dar dignidade, conforto e segurança á população.

Por último vale lembrar que cientistas russos detectaram que em 2036 o asteróide gigante Apophis irá chocar-se com a Terra, sendo previsível grande destruição dada a magnitude do astro. Pois já estão desenvolvendo tecnologias para alterar a trajetória do asteróide de modo a evitar o choque.

Em Cuba, furacões são previstos e com o uso intenso e inteligente dos meios de comunicação, a mobilização dos sindicatos e organizações sociais, chega-se a deslocar até 10 por cento da população cubana em poucas horas, reduzindo radicalmente as perdas de vidas ante as gigantescas tempestades naturais. É a força da consciência e da organização sociais ante a natureza.

A ocupação dos grandes centros urbancos, obedecendo sempre o interesse econômico, voltado para a agressividade contra a natureza , cria as bases das catástrofes, mas, quando estas chegam, os verdadeiros culpados não são apontados, mas dissimulados em forma de desvios estratégicos decorrentes das explicações falsas para descrever os acontecimentos. Fazer confusão e alienação é o resultado prático do jornalismo de catástrofe sob um sistema que elimina a qualidade de vida.

No entanto, este mesmo furacão que passou por Cuba, também passou pelo Haiti e pela Guatemala em 2008, causou centenas e centenas de mortes em cada um destes países. É a diferença das políticas públicas praticadas. Da mesma forma, quando o furacão Katrina chegou a Nova Orleans, mesmo tendo sido previsto com boa antecipação, nenhuma política pública preventiva foi adotada pelo governo do sinistro George Bush , mesmo com todos os recursos materiais e tecnológicos que o país mais rico do mundo possui .

Resultado: centenas e centenas de vidas se perderam injustificadamente por falta de prevenção do governo dos EUA que, no entanto, não reluta em gastar bilhões de dólares em operações militares em qualquer parte do mundo onde possa estar.

O que foi feito com a previsão dos geólogos Patrick Charles e John Bellini que haviam afirmado: os moradores de Porto Príncipe deverão se preparar para um inevitável terremoto de largas proporções? Os EUA que agora ocupam militarmente o Haiti, antes tinham cortado toda a ajuda humanitária ao país. A França também.

O que não poderia ter sido feito com apenas uma fatia de recursos esterilizados no inútil salvamento de bancos que estão seguindo a mesma política financista especulativa irresponsável se este dinheiro tivesse sido utilizado para o deslocamento preventivo da população da capital haitiana, para a construção de novos núcleos habitacionais com técnicas apropriadas para resistir terremotos?

Em muitos países usam-se estruturas de bambu para a construção já que por sua flexibilidade adaptam-se aos tremores de terra e a eles resistem. Por que os avisos dos cientistas não foram ouvidos? Por que a mídia não deu o mesmo destaque a este aviso como deu à morte de um pop star?"

FONTE: escrito por Beto Almeida e publicado no site "Carta Maior". Reproduzido no portal "Vermelho". O autor é jornalista, membro da Junta Diretiva da Telesur e presidente da TV Cidade Livre de Brasília.

Postado no Democracia & Política

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Terrorismo no Brasil

O terrorismo não é algo que está tão longe de nós como imaginávamos.
É normal pensarmos que trata-se apenas de homens-bombas lá para os lados do oriente médio, ou atentados com carros repletos de explosivos e outras coisitas mais, muito longe do brasil varonil.
País de muita fé e religiosidade intrínseca, agradecemos aos céus por sermos tão abençoados e estarmos livres dessas tragédias das quais ouvimos falar diariamente.

Mas será que estamos mesmo livres do terrorismo?

É óbvio que não!
O verdadeiro terrorismo está plantado em nosso cotidiano, em nossa vida diária e simplesmente nem nos damos conta.
Vão me negar que a maneira como é conduzida a nossa vida política não é fruto de terrorismo?
Uma máfia política que está há tanto tempo no poder ditando regras, mamando desde sempre e metendo a mão nos cofres públicos não são terroristas?
O modo como a grande mídia manipula as informações não é um ato de terrorismo contra o estado de direito e a vida dos cidadãos?
Jornalistas, colunistas, donos de grandes empresas de comunicações e políticos retrógrados que controlam nossas cidades e estados são tão ou mais terroristas do que os grupos assim denominados que conhecemos pelo mundo afora.

Dias atrás o próprio Presidente da República em entrevista exclusiva á revista Piauí deixou claro que não dá a mínima bola para a grande imprensa. Não lê jornais como a Folha de São Paulo, O Globo, o Estadão, JB e nem revistas como Veja e Exame. Não assiste Jornal da Record e nem muito menos o Jornal Nacional. Não sabe bem quem é Miriam Leitão e não se lembra quando foi a última vez que ouviu algo de Bóris Casói ou Arnaldo Jabor.

Mordidos de raiva e perplexos diante desta afirmativa do Presidente da Republica, a mídia ficou ainda mais voráz na sua intenção de introduzir o pânico e o terror na cabeça da população.
Eles estão indignados pois imaginavam que eram audiência no palácio do planalto, que seriam lidos, ouvidos ou assistidos no mais alto escalão do poder.

Mas será que o Presidente está errado em buscar fontes alternativas de informação?
Se até ele quer se proteger do terrorismo é porque alguma coisa não cheira bem nas redações e nem nas salas de edições dos jornais televisivos.

Sim, o terrorismo está implantado para bombardear-nos diariamente com péssimas notícias. Informações desvirtuadas para gerar o pânico e fazer-nos borrar de medo com o apocálipse que caminha á passos duros.

Qualquer notícia positiva é tratada com desdém na vóz de Willian Boner.
Mas as negativas são enfatizadas quando ele mexe sua sombrancelha de maneira assustada passando temor de que não resta nada que possamos fazer a não ser entregar nossa vida nas mãos de Deus.

Fique ligado nesses terroristas e você vai se dar conta de que não vale á pena viver. Melhor mesmo é explodir ou entrar em depressão profunda já que a vida vai escoando pelo ralo.

Qual seria a intenção da mídia terrorista e golpista ao ocultar informações, inverter notícias, enfatizar desgraças e passar uma idéia de que estamos indo de mal a pior diariamente?