segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Lula no Congresso do PCdoB

Sinceramente não me lembro de ter visto, ouvido, lido tantas grosserias a um Presidente da República ou qualquer outro político como o que acontesse com o Lula e não sou nenhum garotinho, pois nasci antes do golpe de 64.
Chega á ser deprimente o escárnio diário por todos os lados que se olhe.
Quando olho prá esse nordestino semi analfabeto, me vem á memória uma lembrança do meu velho e falecido pai que aportou em São Paulo nos idos de 1954, escorraçado pela miséria e a seca nordestina, buscando o milagre de uma vida melhor que essa metrópole vislumbrava e prometia.
O que me deixa mais indignado é que nessa terra separatista, grande parte dos que não se conformam com o sucesso do operário-presidente, são na sua maioria descendentes de nortistas, nordestinos e caipiras de norte a sul desse nosso Brasil. Para mim é como se cuspissem no seu próprio passado e na história de seus antepassados que rumaram para a cidade grande em busca de uma vida melhor. Mesmo que essa vida um pouco melhor fosse o único legado que poderiam deixar para os mesmos que hoje fazem deboches e escárnios do nordestino semi analfabeto que ocupa o cargo mais elevado da república.

Com a palavra o Presidente da República Federativa do Brasil:


"Obviamente que nós não temos a sapiência de um sociólogo. Ou de alguns... ou de alguns... esta semana, é engraçado, eu fui chamado de analfabeto, essa semana eu fui chamado de ditador porque indiquei a Dilma pelo dedaço e essa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano ... eu compreendo o ódio que isso causa.

Eu compreendo, porque o intelectual ficar assistindo um operário que só tem o quarto ano primário e nao tem vergonha de dizer... ganhar tudo o que ele imaginava que ele pudesse ganhar e não ganhou por incompetência... é muito difícil... é muito engraçado porque tem gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos de escolaridade que você tem. Não tem nada mais burro que isso. A universidade te dá conhecimento, te dá aperfeiçoamento.

Inteligência é outra coisa. É outra coisa. E a política é uma das ciências que exige mais inteligência do que conhecimento, muito mais inteligência. A inteligência de saber montar uma equipe não está no livro. Está na sensibilidade. A inteligência de saber tomar as decisões não está no livro, ela está no caráter, no caráter e no compromisso que tenha o dirigente que governa esse país. 

Mas de qualquer forma a vida é assim. As pessoas falam o que querem, ouvem o que não querem ... porque a vida é assim, a vida é dura. O que as pessoas não percebem é que diferentemente de qualquer outro presidente do Brasil, este presidente nunca precisou provar nada, porque a elite não tem o que provar.

Saiu um, não deu certo, entra outro, não deu certo, todos vão fazer um curso de dois ou três anos lá fora, volta, se candidata com a maior cara de pau outra vez.

Eu, eu tenho que provar a cada dia, desde que eu nasci, eu tenho que provar que tenho competência.
Porque eu tenho que provar. Porque sei o fracasso do Walesa na Polônia, foi eleito presidente da República e foi concorrer e teve 0,6% [dos votos], menos de 1%. E eu tenho clareza e tinha clareza e o PCdoB sabe disso, que se nós fracassassemos ia levar mais 150 anos para um operário pensar em ser candidato a presidente da República deste país".

domingo, 8 de novembro de 2009

CASO UNIBAN - A Culpada é a Vítima

Lí no Observatório da Imprensa o artigo de Lígia Martins de Almeida sobre o caso da aluna da Uniban e o desfecho lamentável culminante com sua expulsão.


Quando parecia que as mulheres vítimas de violência não seriam mais tratadas como culpadas – como ocorreu quando Doca Street matou a socialite Ângela Diniz – acontece o caso de Geisy Arruda, a estudante da Uniban, em São Paulo. A universitária foi expulsa da escola porque "buscou chamar atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa ação coletiva de defesa do ambiente escolar", conforme expresso no comunicado da Uniban com o título "A educação se faz com atitude e não com complacência", publicado nos jornais paulistas no domingo (8/11) [ver abaixo a íntegra do comunicado e a nota da União Nacional dos Estudantes sobre o episódio].
Os agressores – apenas seis estudantes e um funcionário foram identificados (embora mais de 600 tenham participado do tumulto) – foram suspensos temporariamente. Eles, ao contrário da moça, não foram acusados de "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade", ainda segundo o comunicado oficial.
No seu manifesto, a Uniban condena a moça e acaba encontrando mais um culpado. Quem? A mídia:
"A Uniban reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior, expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados. Nesse sentido, cabe aqui registrar o estranhamento da Uniban diante do comportamento da mídia, que, uma vez mais, perde a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre temas fundamentais como ética, juventude e universidade".
Pauta urgente
A mídia pode ser culpada por ter demorado a divulgar a história ou de perder a oportunidade de fazer uma longa matéria com esses estudantes que se transformaram numa turba disposta a massacrar a moça só porque ela usava um vestido curto. Mas, neste caso, a imprensa fez sua parte: divulgou a história, ouviu a vítima e, depois da decisão da Uniban, divulgou a repercussão do fato com educadores e entidades de defesa da mulher, que foram unânimes em condenar a atitude da universidade.
A Folha de S.Paulo ouviu também alguns universitários. Dos nove jovens entrevistados, só dois foram a favor da decisão de expulsar a moça, argumentado:
"Há locais e locais onde a gente pode usar certas roupas. Então, acho que a expulsão se justifica. A menina abusou." (Vestibulanda de 25 anos)
"É radical, mas tem que expulsar mesmo. Aquilo não é roupa para ir à aula. É um ambiente de respeito." (Vestibulanda de 23 anos).
Se os favoráveis à expulsão são em pequeno número, ainda assim merecem um estudo. Afinal, os agressores da moça na escola também eram minoria. O que esse episódio revela é o sintoma de alguma doença da sociedade que merece ser estudado. O que está acontecendo com os jovens para que eles se sintam tão agredidos pela colega que usa roupas curtas ou "provocantes", na opinião escola? Por que, ao se sentirem "ofendidos", esses mesmos jovens partem para uma atitude agressiva? Por que uma instituição universitária condena a vítima e premia os agressores com uma suspensão temporária?

Dizer que a agressão a uma jovem que usa roupas curtas é "defesa do ambiente escolar" abre um precedente perigosíssimo. Se a roupa curta incomoda a alguns, as preferências sexuais incomodam a outros, assim como a cor da pele ou a obesidade podem ser considerados inconvenientes – como mostra a matéria "A vida muito acima da média" (Veja nº 2138, de 11/11/2009).
O que a mídia precisa discutir, e com urgência, é o que este episódio tem de mais revelador – a volta da intolerância. Intolerância que abre caminho para comportamentos agressivos, censura, autoritarismo e todas as suas consequências.
***
Nota da Uniban
A educação se faz com atitude e não complacência
A Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL – dirige-se ao público e, especialmente, à sua comunidade acadêmica para divulgar o resultado da sindicância no campus de São Bernardo do Campo sobre o episódio ocorrido no dia 22 de outubro, fartamente exibido na internet e divulgado pelos veículos de comunicação.
A sindicância consoante com o Regimento Interno nos termos do artigo 216, parágrafo 5, e do artigo 207, da Constituição Federal, colheu depoimentos de alunos e alunas, professores, funcionários e da estudante envolvida, além de analisar vídeos e imagens divulgadas.
Os fatos:
Foi apurado que a aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade, e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento.
A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma, explícita, os apelos dos alunos que se manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos.
Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local.
Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima que havia criado.
Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar.
Em seu depoimento perante a comissão, a aluna demonstrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse, e estava acompanhada de dois advogados e uma estagiária vinculados a uma rede de televisão.
Decisão do Conselho Superior da Universidade:
Diante de todos os fatos apurados pela comissão de sindicância, o Conselho Superior, amparado pelo relatório apresentado e nos termos do Regimento Interno, decidiu, com base no Capítulo IV – Regime Disciplinar, artigos 215 e seguintes:
1 – Desligar a aluna Geisy Villa Nova Arruda do quadro discente da Instituição, em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade;
2 – Suspender das atividades acadêmicas, temporariamente, os alunos envolvidos devidamente identificados no incidente ocorrido no dia 22 de outubro.
A UNIBAN reafirma o seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior, expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados. Nesse sentido, cabe aqui registrar o estranhamento da UNIBAN diante do comportamento da mídia que, uma vez mais, perde a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre temas fundamentais como ética, juventude e universidade.
Para tanto, convida seus alunos e alunas, professores, funcionários, a comunidade e a mídia para um ciclo de seminários sobre cidadania em data a ser oportunamente informada.
Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL
***
Nota da União Nacional dos Estudantes (UNE)
Episódio de violência sexista acaba em mais uma demonstração de machismo
No dia 22 de outubro, o Brasil assistiu cenas de selvageria. Uma estudante de turismo da Universidade Bandeirante (São Paulo) foi vítima de um dos crimes mais combatidos na sociedade, a violência sexista, que é aquela cometida contra as mulheres pelo fato de serem tratadas como objetos, sob uma relação de poder desigual na qual estão subordinadas aos homens. Nesse episódio, a estudante foi perseguida e agredida pelos colegas, hipoteticamente pelo tamanho de vestido que usava, e só pôde deixar o campus escoltada pela polícia. Alguns dos alunos que a insultaram gritavam que queriam estuprá-la. Desde quando há justificativa para o estupro ou toleramos esse tipo de violência?
Pasmem, essa história absurda teve um desfecho ainda mais esdrúxulo. A Universidade, espaço de diálogo onde deveriam ser construídas relações sociais livres de opressões e preconceitos, termina por reproduzir lamentavelmente as contradições da sociedade, dando sinais de que vive na era das cavernas.
Além de não punir os estudantes envolvidos na violência sexista, responsabiliza a aluna pelo crime cometido contra ela e a expulsa da universidade de forma arbitrária, como se dissessem que, para manter a ordem, as mulheres devem continuar no lugar que estão, secundárias à história e marginalizadas do espaço do conhecimento.
É naturalizado, fruto de uma construção cultural, e não biológica, que os homens não podem controlar seus instintos sexuais e as mulheres devem se resguardar em roupas que não ponham seus corpos à mostra. Os homens podem até andar sem camisa, mas as mulheres devem seguir regras de conduta e comportamento ideais, a partir de um padrão estético que a condiciona a viver sob as rédeas da sociedade, que por sua vez é controlada pelos homens.
Esse desfecho, somado às diversas abordagens destorcidas do fato na mídia, demonstram a situação de opressão que todas nós, mulheres, vivemos em nosso cotidiano. Situação em que mulheres e tudo o que está relacionado a elas são desvalorizados e depreciados. A mulher é vista como uma mercadoria – ora utilizada para vender algum produto, ora tolhida de autonomia e direitos, ora violentada, estigmatizada e depreciada. É essa concepção que acaba por produzir e reproduzir o machismo, violência e sexismo, próprios do patriarcado. Tal concepção permitiu o desrespeito a estudante.
Nós, mulheres estudantes brasileiras, em contraposição a essa situação, estamos constantemente em luta até que todas as mulheres sejam livres do machismo, da violência, do desrespeito e da opressão que nos cerca.
Repudiamos o ato de violência dos alunos contra a estudante de turismo, repudiamos a reação da mídia que insiste em mistificar o fato e não colocar a violência de cunho sexista no centro do debate e denunciamos a atitude da universidade de punir a estudante ao invés daqueles que provocaram tal situação.
Exigimos que a matrícula da estudante seja mantida, que a Universidade se retrate publicamente e que todos os agressores sejam julgados e condenados não somente pela instituição, a Uniban, mas também pela Justiça brasileira.
Somos Mulheres e Não Mercadoria! 

Duas Crises Financeiras, Dois Resultados

Do Blog de Um sem Mídia uma realidade tão gritante e evidente que somente os "pouca memória" ou os "não atingidos" pelas crises do final do século passado podem tentar ver algo de positivo na gestão do FHC, em que era normal as frases pixadas: Fora FMI, Fora FHC. Porque será, não?

Elio Gaspari explica: governo Lula tem
discurso e a comparação lhe é favorável.

Vale a pena ler o artigo abaixo, corrobora o que este blog tem escrito sobre o mesmo assunto: a oposição não tem discurso e o governo poderá liquidar a fatura em 2010 com certa facilidade, se explorar justamente a compração feita pelo jornalista Elio Gaspari, em sua coluna deste domingo, publicada em diversos jornais do país.

Na crise de 97/99 o tucanato avançou no bolso da patuleia, na de 2008 Nosso Guia apostou no consumo

Um malvado devorador de números fez um exercício e comparou as iniciativas tomadas pelo tucanato durante a crise financeira internacional de 1997/1999 com as medidas postas em prática pelo atual governo desde o ano passado. Fechando o foco nas mudanças tributárias, resulta que os tucanos avançaram no bolso da patuleia, enquanto Nosso Guia botou dinheiro na mão da choldra.
Entre maio de 1997 e dezembro de 1998 o governo remarcou, para cima, as alíquotas de sete impostos, além de passar a cobrar um novo tributo.

A alíquota do Imposto de Renda do andar de cima passou de 25% para 27,5%. O IOF de créditos pessoais dobrou e aumentaram-se as dentadas nas aplicações. O IPI das bebidas ficou 10% mais caro, e a alíquota do Cofins passou de 2% para 3%. Tudo isso e mais a entrada em vigor da CPMF, que arrecadou R$ 7 bilhões em 1997.
A voracidade arrecadatória elevou a carga tributária de 28,6% para 31,1% do PIB. O produto interno fechou 1998 com um crescimento de 0,03% e a taxa de desemprego pulou de 10% para 13%. Em 1999, o salário mínimo encolheu 3,5% em termos reais.
A crise financeira mundial de 2008/ 2009 foi mais severa que as dos anos 90. Em vez de aumentar impostos, o governo desonerou setores industriais, baixou o IPI dos carros, geladeiras e fogões, deixando de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões nos primeiros três meses do tratamento.
Uma mudança na tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas, resolvida antes da crise, deixou cerca de R$ 5,5 bilhões na mão da choldra. A carga tributária caiu de 35,8% do PIB para 34,5%. Em 2009 o salário mínimo teve um ganho real de 6,4%.
O desemprego deu um rugido, mas voltou aos níveis anteriores à crise. Ao que tudo indica, a crise de 2008 sairá pelo mesmo preço que a de 1997/98: um ano de crescimento perdido.
As duas situações foram diferentes, mas o fantasma do populismo cambial praticado pela ekipekonômica de 1994 a 1998 acompanhará o tucanato até o fim de seus dias. O dólar-fantasia teve uma utilidade, ajudou a reeleger Fernando Henrique Cardoso. Ele derrotou Lula em outubro, e o real foi desvalorizado em janeiro.

Lula: Brasil cansou de ser o país do futuro

Luis Pinheiro
Direto de Londres
Especial para o Terra

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou diante de uma platéia de potenciais investidores financeiros reunidos em uma conferência organizada pelos jornais Financial Times e Valor Econômico em Londres, que o Brasil vive um momento de altas expectativas. "O Brasil cansou de ser o país do futuro", afirmou Lula.
Antes do presidente, os ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, apresentaram um quadro propício ao crescimento econômico sustentável do País nos próximos anos. 


O presidente disse que o País vive uma revolução silenciosa.
"Tem uma revolução silenciosa no Brasil, que é a recuperação da autoestima coletiva de um país. Esse milagre da transformação, que ainda não foi medido corretamente por economistas e institutos, está ocorrendo no nosso país ".
 

Crise mundial
Lula disse que a crise mundial, quando os Estados tiveram que ajudar bancos privados para salvá-los da bancarrota, provou que governos são extremamente necessários e atuantes para o desenvolvimento social e econômico.
"Quando tentávamos implantar o programa Luz Para Todos, em 2004, não havia interesse da iniciativa privada em levar energia elétrica a lugares de pouca ou nenhuma atividade econômica. Mas um cidadão, mesmo que perdido no meio da selva amazônica, tem o mesmo direito dos outros porque é um brasileiro".
Lula também criticou os líderes dos países desenvolvidos por não terem impedido que a crise chegasse ao nível que chegou, principalmente após a quebra do banco americano Lehman Brothers, ocorrida no ano passado.
"Imaginem se o presidente (George W.) Bush tivesse as informações corretas para evitar que o Leihman Brothers quebrasse? A crise não precisaria ter chegado a essa profundidade ".
Aproveitando para ressaltar a resposta do Brasil à crise, Lula afirmou que a estabilidade do País e as reservas acumuladas em decorrer da política econômica do governo ajudaram a responder à instabilidade internacional.


"O Brasil foi um dos últimos a entrar na crise e um dos primeiros a sair dela," afirmou. "O País já voltou a crescer e deve crescer muito mais nos próximos anos ".
A visita a Londres realizada pelo governo, que contou com Mantega, Dilma, o presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho considera o momento propício para a atração de investidores. Lula prometeu mais viagens para promover o Brasil, a começar pela confirmação de outro seminário a ser realizado no dia 3 de dezembro, na Alemanha. Ao final da palestra na capital britânica, Lula deixou um recado aos potenciais investidores.


"Cansamos de ser o país do futuro, por isso não queremos perder nenhuma oportunidade no século XXI. O Brasil vive um momento mágico pela expectativa que temos de nós".


Notícia lida no site Terra

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Comprovado: Mensalão surgiu com o PSDB no poder

Relator aceita 2ª denúncia contra Azeredo no mensalão tucano


Laryssa Borges
Direto de Brasília
O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou nesta quinta-feira a segunda denúncia, desta vez por lavagem de dinheiro, contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Segundo o ministro, há "fortes indícios, sérios e reveladores" de que o senador cometeu o crime de lavagem de dinheiro durante o esquema conhecido como mensalão mineiro. O STF avalia desde ontem se aceita a abertura de uma ação penal contra o senador pela participação no esquema que teria desviado dinheiro público para a campanha de reelição de Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998.

Na primeira parte do julgamento, na quarta, Joaquim Barbosa havia apontado haver evidências de que Azeredo tinha conhecimento e participação no desvio de recursos públicos para sua campanha, razão pela qual opinou pela abertura de ação contra o senador também pela acusação de peculato. Após o voto de Barbosa, outros dez ministros ainda precisam se manifestar para, por maioria, decidirem se acatam o pedido do Ministério Público Federal para transformar Azeredo em réu.

O ministro José Antônio Toffoli pediu vista do processo e interrompeu o julgamento. Toffoli pediu para suspender o julgamento depois que Azeredo afirmou que um recibo no valor de R$ 4,5 mil, anexado ao processo, seria falso.
"Esse documento me chama atenção porque eu preparei um voto, não vou revelar aqui minha posição, mas o substancioso voto trazido aqui por Vossa Excelência neste momento me chama atenção porque é o único documento que leva a uma vinculação material do acusado Eduardo Azeredo", disse o ministro. No intervalo da sessão, Barbosa limitou-se a dizer que o recibo veio anexado à denúncia do Ministério Público.

Relator do caso, Barbosa afirmou que o parlamentar e o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza utilizaram falsos empréstimos de estatais para supostamente aplicar em publicidade. Azeredo nega as acusações de caixa dois e diz que o mensalão mineiro nunca existiu.
"Os empréstimos constituem mera etapa do crime de lavagem de dinheiro de modo a conferir aparência lícita aos recursos públicos utilizados na campanha à reeleição", disse o ministro. "Constitui um indício bastante forte o fato de recursos financeiros oriundos dos empréstimos obtidos por Marcos Valério terem sido depositados, conforme os laudos periciais, na conta bancária do acusado (Azeredo). Os empréstimos em questão seriam quitados com os recursos das estatais, pelo menos parcialmente, ainda de acordo com os laudos periciais", disse Barbosa.

Na avaliação do ministro, a transação envolvendo Azeredo, empresas estatais de Minas Gerais e o grupo de Marcos Valério "não foi um ato comercial comum". "Essa autorização tinha por fim permitir a lavagem de dinheiro. Essa empresa de Marcos Valério não tinha nenhuma atuação formal na campanha. Ela só entra para a lavagem de dinheiro", disse. Conforme Barbosa afirmou, a procuradoria-geral detectou que "os recursos desviados das estatais foram transferidos para a campanha declarados como doação, quando na verdade vieram de peculato (desvio de recursos)".

Na primeira parte do julgamento, nesta quarta, Joaquim Barbosa já havia apontado haver evidências de que Azeredo tinha conhecimento e participação no desvio de recursos públicos para sua campanha, razão pela qual opinou pela abertura de ação contra o senador também pela acusação de peculato.
"Os crimes ocorreram e foram planejados com antecedência pelo acusado (Azeredo). Há indícios, ainda que provisórios, que apontam para a atuação dolosa de Eduardo Azeredo", afirmou Barbosa. "(O fato de que Azeredo) Tinha conhecimento do desvio (de recursos) e queria praticá-lo estão presentes na denúncia".

Nesta quarta, o magistrado elencara uma série de indícios que apontam a existência do esquema criminoso e a participação explícita de Azeredo na captação ilegal de recursos. De acordo com ele, além dos supostos patrocínios das estatais aos campeonatos esportivos serem "superfaturados" para dar margem ao caixa dois, depoimentos sobre o caso comprovam que o parlamentar tinha atuação direta na arrecadação de dinheiro para a campanha.
Com informações da Agência Brasil.  
Fonte: Site Terra

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Emir Sader: Perón, Getúlio e Lula

Um pouco mais de história contemporânea.

Blog do Emir, em Carta Maior

Quando acusou Lula de uma espécie de neoperonista, FHC vestia, em cheio, o traje da direita oligárquica latinoamericana. Que não perdoou e segue sem perdoar os líderes populares latinoamericanos que lhes arrebataram o Estado de suas mãos e impuseram lideranças nacionais com amplo apoio popular.
Os três – Perón, Getúlio e Lula – têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.

Foi o suficiente para que se tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais – brancas, ligadas aos grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores, discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas, contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos grandes proprietários rurais – nos governos dos três líderes mencionados – foram contemplados de maneira significativa.

Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.
A colocação em prática das chamadas políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso processo de conquisas de direitos por parte da massa da população, particularmente os trabalhadores urbanos.

Se tornaram os objetos privilegiados do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais dos EUA. Dos jornais oligárquicos – La Nación, La Prensa, La Razón, na Argentina, ao que se somou depois o Clarin; o Estadao, O Globo, no Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de Getúlio.
Não por acaso bastou terminar aquele longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros – particularmente norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955.

Mas os fantasmas continuaram a assombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus – tinham desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder – lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o Brasil.

O golpe militar argentino de 1955 inaugurou a expressão “gorila” para designar o que mais tarde o ditador brasileiro Costa e Silva chamaria, de “vacas fardadas”. A direita apelava aos quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio, até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo, legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em conivência com os governos dos EUA.

O peronismo esteve proscrito políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo – Hector Campora -, ele triunfou amplamente e – ao contrário de Sarney no Brasil – convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas.
No Brasil, o governo João Goulart foi vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos da “sociedade civil” financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada, convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em 1964.

Perón, Getúlio e, agora, Lula, têm em comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso popular. E o ódio da direita. Que usou todos os “palavrões”: populista, carismático, autoritário, líder dos ”cabecitas negras”, dos “descamisados” (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas, especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias donas de jornais, rádios e televisões.

É o ódio de classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro do que há de mais retrógado na direita latinoamericana – da UDN de Lacerda, passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um fim político coerente com seu governo e com seus amigos aliados.

A meta agora é vender o Brasil e passar a escritura

Lí no Viomundo esse artigo que conta bem a história política brasileira nos últimos 40 anos e sintetiza o cenário atual e seus atores. Vale a pena ler.

PSDB É BRIGA DE FOICE NO ESCURO – E TAPAS
por Laerte Braga


A quase totalidade dos fundadores do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) – os tucanos – saiu do PMDB em 1988. Dois anos antes do fim do mandato do último ditador, o general Figueiredo (terminou em 1984), foram realizadas as primeiras eleições diretas para governos estaduais desde 1965.

Franco Montoro, Leonel Brizola e Tancredo Neves foram eleitos governadores dos três maiores estados da Federação de mentirinha. São Paulo, Rio e Minas Gerais. O vice-governador de Montoro era Orestes Quércia.

Em 1986 o grupo do governador Franco Montoro (um homem decente), ao qual pertenciam José Serra (seu secretário de governo) e Fernando Henrique Cardoso (senador e derrotado por Jânio Quadros nas eleições municipais de 1985), tentou de todas as formas evitar a candidatura de Quércia ao governo do estado. Covas, Mário Covas, que já havia sido prefeito nomeado de São Paulo, era o preferido do grupo.

Quércia venceu-os na convenção do PMDB e FHC foi indicado candidato ao Senado. Não era propriamente uma candidatura à reeleição já que em 1978 perdeu para Montoro. Virou suplente já que a legislação à época assim o determinava em decorrência do expediente casuístico da sublegenda.

As eleições para o governo do estado de São Paulo em 1986 foram disputadas por Orestes Quércia (PMDB), Antônio Ermírio de Moraes (PTB) e Paulo Maluf (PDS). FHC, mesmo candidato a senador pelo PMDB, apoiou a candidatura de Ermírio de Moraes, até...

...Até que as pesquisas divulgadas três dias antes das eleições apontavam a vitória de Orestes Quércia. Quem tiver boa memória vai se lembrar que Ermírio e Maluf quase se atracaram num debate transmitido por uma rede de tevê e isso acabou beneficiando Quércia, já que, naquele momento, não existia a figura do segundo turno.

À véspera da eleição o candidato do PMDB Orestes Quércia fazia panfletagem numa montadora no ABCD paulista em companhia do então deputado Fernando Moraes (hoje autor consagrado de várias biografias). Num dado momento Fernando Moraes notou que o “fusca” de FHC estava chegando e o candidato ao Senado, sem nenhum constrangimento, típico dos amorais, achegou-se e juntou-se ao candidato favorito.

Ao perceber a chegada de FHC, Fernando Moraes virou-se para Quércia e disse-lhe o seguinte – “agora não tenho dúvidas que você venceu, olha quem chegou” –. Definição perfeita para o caráter oportunista do então senador e candidato.

O fato foi publicado na coluna PAINEL do jornal FOLHA DE SÃO PAULO.

José Serra naquele ano foi eleito deputado federal.

Em 1988, depois de tentar de todas as formas o comando do PMDB paulista e se insurgindo contra Ulisses Guimarães, o grupo de FHC e Serra saiu do partido e resolveu fundar o PSDB. Uma das explicações dadas de público é que o partido havia sido dominado em São Paulo por “corruptos”, no caso o governador Quércia e estava se desviando de seu caminho de partido popular, à esquerda. O PSDB, segundo seus fundadores, resgatava o extinto MDB, na linha de frente da luta por um Congresso Nacional Constituinte que não cedesse às pressões de grupos conservadores (PFL e outros) e o PMDB que, nos dois principais estados da Federação de mentirinha, São Paulo e Minas, estava em mãos de políticos “corruptos”, no caso Quércia e Newton Cardoso.

Mário Covas foi o relator da principal comissão do Congresso Nacional Constituinte, ainda no PMDB e FHC, também no PMDB, foi o autor da emenda que dispunha sobre tributação de heranças (quando foi presidente mandou esquecer desse negócio).

Em 1989 Covas foi indicado candidato do partido, já o PSDB, à presidência da República. No segundo turno, disputado entre Lula e Collor, foi dos primeiros a se postar ao lado de Lula, assim como Leonel Brizola e Ulisses Guimarães.

Covas veio a ser eleito governador de São Paulo em 1994, depois de derrotado em 1990 por Luís Antônio Fleury, candidato de Quércia. Havia sido eleito senador em São Paulo em 1986 e arrastara FHC na segunda vaga, estavam no PMDB. Naquela eleição Covas assombrou os especialistas com a votação que teve, mais de sete milhões de votos.

Em 1992, quando Collor começou a enfrentar dificuldades em seu governo e era visível que o desfecho não lhe seria favorável, o presidente convidou FHC para exercer funções semelhantes às de um primeiro ministro e de pronto o senador aceitou. Sem consultar partido, sem ouvir ninguém, aceitou. A ordem viera de Washington, da Fundação Ford, o projeto de Collor viria a ser aplicado por FHC com o mesmo nível de corrupção a partir de 1994. Não virou ministro por conta da oposição de Covas e nasceu aí mal disfarçada rivalidade entre os dois dentro do PSDB.

Serra sempre ao lado de FHC, sempre trabalhando seu projeto pessoal.

Pouco antes de virar ministro das Relações Exteriores o então senador FHC disse a alguns jornalistas que seria candidato a deputado federal, temia não ser reeleito para o senado nas eleições de 1994. Ministro das Relações Exteriores do governo Itamar Franco, em seguida ministro da Fazenda, construiu sua candidatura presidencial nos bastidores, iludindo e mentindo (o que sempre fez), à custa de intrigas, beneficiou-se do Plano Real e dos altos índices de aprovação do governo Itamar.

Eleito, entre outros, derrotou o candidato do PMDB, exatamente Orestes Quércia. José Serra foi nomeado Ministro do Planejamento. Em pouco mais de três meses bateu de frente (tem um temperamento do cão, além de ser traiçoeiro e mau caráter) com Pedro Malan, ministro da Fazenda. FHC chamou Serra e o ministro pediu demissão. Foi franca a confissão de FHC – “não posso demitir Malan” –.

Por que? Malan não era e nem é tucano. Malan não era amigo de FHC. Por que? Malan não fora indicado por FHC, mas pelos condutores externos e internos do processo neoliberal que resultou no desastre absoluto do governo tucano, nas privatizações e FHC era e é empregado desses condutores, digamos assim.

Serra voltou e no Ministério da Saúde quando se aproximavam as eleições de 2002 e os tucanos precisavam de um candidato. Aí, a essa altura do campeonato, já absorvido e na folha de pagamento dos mesmos grupos que pagaram e pagam a FHC.

Foi Serra quem armou a operação contra Roseana Sarney em cima de um esquema para beneficiar a si e favorecer a GLOBO. No exato momento que Roseana subiu nas pesquisas e ameaçou a candidatura do tucano, a Polícia Federal sob controle tucano trepou nas tamancas e armou todo aquele fuzuê contra Roseana. O jornalista Luís Antônio Magalhães, de credibilidade acima de qualquer suspeita, revela hoje que foi Serra quem mandou que Regina Duarte fizesse a declaração “tenho medo da eleição de Lula”.

O que acontece dentro do PSDB hoje é uma espécie de briga de foice no escuro entre José Serra e Aécio Neves pela indicação presidencial para as eleições de 2010. Tanto um como outro obedecem aos mesmos patrões. A disputa é só de poder. Se Aécio é um tresloucado controlado pela irmã, pelo vice-governador Anastasia, Serra é um ditadorzinho sem caráter algum, sem nenhum escrúpulo, cheio de ódio, que não admite qualquer tipo de contestação, paranóico e obcecado com o poder.

E ambos estão liquidando com seus estados, São Paulo e Minas. Os próximos governadores desses dois estados pagarão as contas dos absurdos cometidos com dinheiro público.

Quer dizer, o povo pagará a conta.

A notícia divulgada pelo jornalista Juca Kfhoury sobre o tapa dado pelo governador de Minas na namorada numa festa no Rio foi passada a jornalistas do País inteiro, a partir de jornalistas aliados de Serra. Joyce Pascowitch (tem ligações e caso com o governador de São Paulo). Se Aécio deu ou não deu o tapa é outra história. Serra e Aécio são dois perigos para o País. Dois políticos corruptos, sem escrúpulos. E Aécio vai carregar uma carga da qual nunca se livrará. Tancredo Neves, seu avô, tinha aversão a FHC e a Serra, considerando-os exatamente como são. Canalhas aproveitadores, oportunistas e doentios, no caso de Serra.

Orestes Quércia, hoje, é o principal aliado de Serra dentro do PMDB, principalmente o paulista, já que Michel Temer, presidente da Câmara, deve ser o vice na chapa de Dilma Roussef.

Como serão duas as vagas em disputa para o Senado (renovação de dois terços) em 2010, uma delas é de Quércia, isso no acordo com Serra, resta saber se o povo vai embarcar na canoa furada.

De Quércia, ex-corrupto para Serra, sobre tucanos, logo após sua vitória em 1986: “se um tucano estiver apertado para fazer xixi, entrar no banheiro e encontrar dois vasos, faz nas calças, não vai conseguir decidir-se a tempo” –.

Um e outro se merecem. Os corruptos se encontram muito antes do infinito. Não são paralelos, são congruentes.

Vem mais chumbo grosso contra Aécio e ele que se cuide. É que o mineiro resolveu entrar na briga pela indicação partidária. Uma coisa é certa. Aécio saber também dar o troco. Já avisou a Serra que se o indicado for ele, apóia outro candidato, Serra nunca.

Tucano tem esse negócio de raivinha, de ódio, de descabelar quando em jogo está o poder e o que o poder representa.

Não existe um que preste. Não é partido político, é quadrilha.

A meta agora é acabar de vender o Brasil e passar a escritura.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Racismo no Brasil? Sim existe!! Mais do que se imagina!



Aos poucos as máscaras da hipocrisia vão caindo por terra. Primeiro foi a reação destemperada de estudantes de uma universidade de SP contra uma aluna que decidiu assistir a aula com um vestido curto.
Agora no aeroporto de Aracaju uma médica (sim uma médica) descarrega toda sua ira e sentimento de superioridade sobre um funcionário (negro) de uma companhia aérea que não liberou seu embarque devido ao atraso da mesma. "Eu vou perder minha lua de mel por causa desse cachorro"!

Mesmo caracterizado crime de racismo, nada aconteceu a médica pois segundo o delegado não haviam provas suficientes para a decretação da prisão.

Abaixo o Link com a reportagem:
http://emsergipe.globo.com/mediacenter/busca.asp?modo=jornaldia&chave=setv2&data1=20091030&data2=20091030

A Petrobrás é Nossa!


De pensar que no (des)governo de FHC a Petrobrás esteve para ser privatizada e seu nome mudaria para Petrobrax, no que seria a maior referência de entreguismo e mais uma prova da traição dos "senhores" que mandaram por aqui nos últimos 500 anos.

Não aconteceu e hoje o Senado Federal acatou sugestão do atual Governo Federal sobre as reservas petrolíferas encontradas no pré sal e garante que tanto o petróleo como a Petrobrás é nossa. É do Brasil. Esse tipo de monopólio é muito bem vindo aos interesses do país e do povo. Chega de sonhar com o Brasil do futuro e comemorar já o Brasil do PRESENTE!

Comissão do Senado aprova monopólio do petróleo para União

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira sugestão da Federação Única dos Petroleiros (FUP), apoiada por movimentos sociais, de regulamentação da política energética nacional. O texto, que propõe o monopólio da União sobre a exploração do petróleo por meio da Petrobras, após o debate em quatro audiências públicas, passou a ser de autoria da CDH. A proposta agora será encaminhada à Mesa e tramitará no Senado como projeto de lei. As informações são da Agência Senado.

De acordo com a proposta, todos os direitos de exploração e produção de petróleo e gás natural em território nacional - parte terrestre, mar territorial, plataforma continental e zona econômica exclusiva - pertencem à União. O texto estabelece que todas as atividades econômicas relacionadas ao petróleo, ao gás natural, ao xisto betuminoso e a biocombustíveis - pesquisa e lavra, refinação, industrialização, importação e exportação, transporte marítimo e transferência ou estocagem - serão reguladas e fiscalizadas pela União e somente poderão ser exercidas pela empresa pública Petrobras.

O texto, considerado pelo relator, senador Paulo Paim (PT-RS), importante referência para as discussões em torno do petróleo no pré-sal, propõe também a aplicação dos recursos decorrentes da exploração e produção do petróleo, e que caberão ao Fundo Social Soberano, em educação, saúde e previdência públicas, na reforma agrária e em projetos de habitação popular.

A proposta também prevê a reabertura dos debates em torno dos blocos já ofertados no pré-sal e reforça a necessidade de fortalecimento da Petrobras como uma empresa pública, focada na defesa dos interesses do país, conforme resumiu o relator.

O projeto determina a rescisão das concessões para exploração e produção de petróleo e de gás natural realizadas com base na Lei 9.478/97, que trata da política energética nacional. São previstas indenizações de eventuais investimentos realizados pelos concessionários.

O projeto também prevê que, no prazo de um ano da publicação da lei, a União tomará as medidas necessárias à transformação da estatal Petróleo Brasileiro S/A em empresa pública. Ainda pela proposta, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) será um órgão fiscalizador da indústria do setor.

Impacto ambiental
O projeto garante ao Fundo Social Soberano a receita líquida auferida pela União com as atividades econômicas de exploração e produção, já excluídos os custos da atividade, o investimento e o re-investimento necessários à execução das políticas e diretrizes energéticas e à busca de fontes alternativas de energia renovável e limpa, e o aporte implicado pelo autofinanciamento. Do total da receita destinada ao Fundo, o equivalente a 5% poderá ser utilizado pela União para eventuais medidas de minimização do impacto ambiental dessa indústria.

De acordo com o projeto, as políticas nacionais para o aproveitamento racional das fontes de energia terão por objetivos preservar o interesse nacional, garantir o emprego dos recursos gerados pela atividade econômica no combate às desigualdades sociais e regionais, promover o desenvolvimento, ampliar o mercado de trabalho e valorizar os recursos energéticos, proteger os interesses do consumidor, proteger o meio ambiente, promover a conservação de energia e fomentar a indústria e a economia nacionais.

Na avaliação de Paim, a proposta do Poder Executivo para o setor "é um avanço em relação ao marco regulatório atual, mas está longe daquilo que os trabalhadores e os movimentos sociais reputam como ideal para o Brasil". Esse modelo ideal, segundo o senador, está consolidado no projeto aprovado nesta quarta-feira pela CDH.

Fonte: Site Terra

A volta de FHC ao Planalto Central

Reproduzo artigo de Mauro Santayana no Jornal do Brasil, em que ele demonstra sua visão dos personagens políticos e suas artimanhas, no caso o FHC.

A PLATAFORMA DO CANDIDATO

03/11/2009 - 23:45
Por Mauro Santayana

O recente artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso parece ter como único objetivo sua candidatura à Presidência da República. Observadores atentos da situação política suspeitam que, por detrás da indecisão do PSDB em escolher entre o governador de São Paulo e o governador de Minas, haja manobra do próprio Fernando Henrique, talvez com a aquiescência de Serra. Ambos atuariam como servidores dos poderosos interesses de São Paulo. Diante do impasse entre Aécio e Serra, e do provável crescimento da candidatura de Ciro e – quem sabe? – da própria Dilma, a saída seria a ida de alguns próceres do PSDB e de outras agremiações ao escritório político do ex-presidente, instalado com doações de empresários, no final de seu governo. Ali, apelariam para o patriotismo paulista de sua excelência, a fim de recuperar o poder.

O presidente Lula tem sido beneficiado pelas circunstâncias, o que não é mau. Mas é inegável que ele é sincero na luta pela redenção de milhões de famílias pobres às quais, durante a história do país, foram negados o conhecimento, a dignidade e os salários justos. Ele conseguiu isso sem provocar a reação dos empresários inteligentes, que descobriram um mercado de consumo que não conheciam: o do próprio país. O reconhecimento popular pode ter inflado as velas do barco de Lula, que se sente estimulado a, tal como Pico de la Mirandola, discorrer sobre todos os assuntos e mais alguns. Mas, nisso, ele tem ótimo modelo no próprio weberiano Fernando Henrique. Trata-se de pecado menor, e, no caso de Lula, justificável em sua inigualável biografia de vitorioso. Ele, pelo menos, não se considera “mais inteligente do que vaidoso”.

O artigo de FHC é uma plataforma de candidato, com argumentos anacrônicos. Ele e outros identificam o “discurso ultrapassado dos anos 50” nos nacionalistas de hoje. Mas repete os de Lacerda contra Jango, no caso da falsa Carta Brandi, em que se denunciava (também) o propósito de instalar-se, no Brasil, uma república sindicalista sob molde peronista.

Há quem veja em seu artigo apenas a expressão de preconceito de intelectual contra o torneiro mecânico que está dando certo – mas isso seria reduzir a inteligência do acadêmico. É melhor deduzir que seu objetivo é mesmo o de se pôr como tertius na disputa. Ele já tentara a mesma manobra, na segunda eleição de Lula, quando dificultou a candidatura de José Serra, em favor de Geraldo Alckmin. Sabe que Serra poderá, sem dificuldades maiores, reeleger-se para o Palácio dos Bandeirantes. Entende que, sem a unidade do partido em torno de Serra ou de Aécio, faltarão votos para vencer o pleito. E – aí está o pulo do gato – sabe também que, para alguns empresários paulistas, nada melhor do que ter representantes tanto no Morumbi quanto no Planalto.

O ex-presidente duvida da memória de seus leitores, que não se esquecem do que foram as privatizações e o uso dos fundos de pensões, na operação que tornou o senhor Daniel Dantas um dos homens mais poderosos do Brasil. Quanto à Vale do Rio Doce, a nação compreenderia o seu silêncio, se ele evitasse tocar no assunto. Nunca, desde el-rei dom Manuel, houve doação de bem público de tal monta a um grupo de favoritos. Os interesses de São Paulo – também representados no governo Lula – conduzem a União, há quase 16 anos em violação ao pacto republicano da igualdade entre os estados, e continuarão por mais oito anos, se a manobra der certo. Dentro de 11 dias, a República fará 120 anos. Já é tempo para que se torne, tal como a quiseram então, uma Federação de direito e de fato.

Aécio recusa, como é da conveniência dos mineiros, a Vice-Presidência. Ele interpreta bem o sentimento de Minas que, desde o regime militar, vem dando credibilidade ao Planalto com seus vice-presidentes, e já se cansou disso. Castelo Branco buscou José Maria de Alkmin para endossar a ditadura inaugural; Costa e Silva recrutou Pedro Aleixo (menosprezado no episódio do AI-5); Aureliano serviu de avalista a Figueiredo; Collor foi atrás de Itamar e, por último, Lula teve que se valer de José Alencar para tranquilizar os meios empresariais.

O ex-presidente previa o caos, se Lula fosse eleito. A vitória do trabalhador provavelmente tenha salvado o país do caos. Se os programas do governo não houvessem aliviado a situação dos famintos e humilhados, teria sido impossível conter a explosão do desespero.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

NYT: "O BRASIL CHEGOU. MAS ONDE?"

Lí no Blog Democracia&Política:

"Não há marca mais quente no mercado mundial que o Brasil. Riqueza em matérias-primas, reservas de petróleo, algumas empresas de classe mundial e um presidente com uma séria reivindicação a ser o político mais hábil do mundo despertam paixão global.

Não mais considerado uma terra flagelada de samba e futebol, o Brasil é a potência do século 21 que todos querem cortejar. Vejam a concessão da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Confesso que estou esfregando os olhos. Desde que morei no Brasil, na década de 1980, fui otimista sobre as perspectivas brasileiras. Argumentei que o país deveria ser considerado uns EUA tropicais, e não apenas mais um país latino-americano.

Seu tamanho, sua capacidade de absorver imigrantes e sua cultura empreendedora o distinguem de seus vizinhos. Mas seus problemas -principalmente a pobreza e a violência- pareciam impedir uma reformulação radical da marca.

Esses problemas persistem. O recente tiroteio que deixou 40 mortos no Rio de Janeiro e derrubou um helicóptero da polícia foi dramático o suficiente para chamar a atenção à violência entre facções, que acaba com milhares de vidas todos os anos.

A pobreza e a grande riqueza estão lado a lado, com uma proximidade particular em muitas cidades brasileiras: o dinheiro da droga compra as armas que são as ferramentas (e símbolos de status) do negócio e corrompe a polícia mal paga.

Mas o capital internacional, intercambiável e móvel, ignora esse aspecto do Brasil.

Ele se concentra em outra realidade: a política estável sob Luiz Inácio Lula da Silva, uma economia que cresce 5% ao ano, um mercado de ações florescente, uma potência emergente do petróleo, um país rico em energia hidráulica e solar e pioneiro nos biocombustíveis.

O real avançou cerca de 35% em relação ao dólar neste ano. A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira.

O Brasil chegou, é o lugar aonde todos querem ir -e as crianças das favelas ainda morrem todos os dias em brigas por um par de tênis. Em certo sentido, o risco social foi descontado. Os administradores de fundos mundiais decidiram que o progresso do Brasil, sua "história de sucesso", não será desfeita pelas crianças das favelas com armas antiaéreas.

Dado que a passividade social parece ser uma condição contemporânea -a crise mundial não produziu grande rebelião social-, eles têm motivos para estar confiantes. A tecnologia amortece a raiva: ela isola e distrai.

Mas eu me preocupo. A crise global teve a ver com riscos subavaliados. Teve a ver com o contágio da dívida negociada em escala global. Teve a ver com cobiça enlouquecida entre aqueles com os meios para enlouquecer.

Foi sobre a compensação destinada a recompensar o retorno em curto prazo. Foi sobre dois mundos desconexos: o do árbitro de Wall Street e o do trabalhador de Detroit.
Um ano depois do início da crise, os mercados se recuperaram, e o capital flui novamente ao Brasil. Mas as divisões sociais são tão grandes como sempre.

Principalmente, nenhuma nova ideia sobre a economia global e suas inequidades ganhou força.

Até certo ponto, acho que o sucesso da Copa e da Olimpíada no Brasil dependerá do surgimento de um pensamento econômico factível e inovador -ou o mundo, em suas paixões, seguirá adiante cegamente."

FONTE: artigo de Roger Cohen, de Londres, publicado no The New York Times, e reproduzido hoje (02/11) na Folha de São Paulo.

Filho de FHC com a Jornalista da GLOBO e a realidade do jornalismo

Assunto meio antigo, porém para quem ainda não sabe ou não viu e até mesmo para requentar essa sujeira, porque sabemos que é preciso manter a memória em dia.


O Filho de FHC com uma Jornalista da Globo
Por Revista Caros Amigos 13/09/2004 às 01:19

Leia na íntegra, a reportagem que conta porque a mídia se calou sobre o filho de FHC fora do casamento com a então jornalista da Globo, Miriam Dutra. Caros Amigos, edição nº 37/abril de 2000.

Um fato jornalístico - 1.a Parte
por Palmério Dória, João Rocha (de Barcelona), Marina Amaral, Mylton Severiano, José Arbex Jr., Sérgio de Souza

Esta reportagem começou assim: o jornalista Palmério Dória ofereceu para Caros Amigos um artigo cujo título era: Presidente, Assuma!, referindo-se ao filho gerado do romance entre Fernando Henrique Cardoso e a jornalista Miriam Dutra quando o atual presidente da República era senador. A jornalista trabalhava, e trabalha ainda, para a Rede Globo, na ocasião como repórter em Brasília, hoje como correspondente em Barcelona, Espanha.

O artigo, depois de dizer que o casal era visto nas noites de Brasília a partir do final de 1988, contava em detalhes, revelados por testemunhas, a reação irada do então senador, com xingos à jornalista, expulsão da sala e um pontapé no circulador de ar, que foi parar longe, no dia em que ela foi ao seu gabinete participar-lhe a gravidez. Abordava em seguida a situação criada após o nascimento da criança, em 1991, quando a estrela do senador começava a brilhar na política, projetando contornos para uma candidatura à presidência da República. Citava a participação dos amigos Sérgio Motta e José Serra, cabeças do projeto presidencial, no episódio, primeiro conseguindo para a mãe e a criança um apartamento mais confortável na Asa Sul, onde ela já morava mais modestamente, e, depois, fazendo gestões junto ao diretor de jornalismo da Rede Globo, Alberico Souza Cruz, que é o padrinho do menino, no sentido de transferir a jornalista para Lisboa, o que se efetivou. Dizia ainda o artigo que, a certa altura, esses três personagens foram substituídos, no que o autor chama de corpo de bombeiros, por um conhecido lobista de Brasília, aparentado de Miriam Dutra que em determinadas rodas é chamado de o homem que sustenta o filho do presidente. Antes de encerrar o artigo, o autor pergunta por que tanto segredo, por que a conspiração de silêncio da imprensa em torno da história, listando uma série de políticos e personagens públicos que em casos semelhantes viram noticiados os fatos que haviam protagonizado.

Ao entregar o texto, o jornalista sugeriu que o ilustrássemos com uma foto de Miriam Dutra. E foi aí que as coisas passaram a tomar outro rumo.

Quando procuramos, por telefone, o Departamento de Documentação (Dedoc) da Editora Abril, que vende esse tipo de material, como todas as empresas jornalísticas, ficamos sabendo que lá havia uma única foto da jornalista da Globo, tirada da tela de uma televisão por um fotógrafo da revista Veja, que em 1994 preparava uma reportagem sobre o caso Miriam Dutra/FHC, candidato à presidência da República. Para isso a revista tinha enviado a repórter Mônica Bergamo a Lisboa. O funcionário do Dedoc tratou do assunto com naturalidade, pedindo que aguardássemos um minuto na linha enquanto ultimava os trâmites rotineiros para o envio da foto. Quando voltou ao telefone, desapontado disse que a foto não podia ser liberada, não sabia por quê. Pedimos que transferisse a ligação para a direção do Dedoc, que atendeu, se disse surpresa com o fato, que iria verificar o que estava acontecendo e nos ligaria em seguida. Depois de uma hora, ligou dizendo que realmente a foto não podia ser liberada porque era de autoria desconhecida, envolvia o nome da Globo e, assim, estava bloqueada.

Primeira providência: localizar o fotógrafo, que não estava mais em Veja, trabalha agora para o Correio Braziliense, jornal de Brasília. Ele confirma haver feito a foto para uma matéria de gaveta, no jargão jornalístico aquela matéria que espera a ocasião oportuna para ser publicada ou fica para sempre enterrada. Fiz a foto da televisão porque toda a imprensa tinha a matéria e, se um desse, todos davam, disse ele. Essa informação não só já havia transpirado de Veja, por outra via, como a direção da revista dissera à repórter enviada a Lisboa que ela estava indo procurar Miriam Dutra para que não corressem o risco de ser furados por alguém. De qualquer forma, na volta a repórter entregou um relatório com a entrevista feita com Miriam Dutra, que não quis revelar o nome do pai, disse que o pai não merecia aquele filho, deu detalhes do parto etc. e a matéria foi para a gaveta, apesar de a direção da redação estar dividida, votos a favor e contra sua publicação, prevalecendo ao final o não do diretor, Mario Sergio Conti. Sabe-se que houve ameaça à Abril, por parte da irmã de Miriam Dutra, Magrit, que por telefone disse que quebraria (financeiramente) a editora, caso a matéria fosse publicada.

As contradições apontaram definitivamente para a investigação. Íamos procurar saber como são, a partir de fatos, as relações entre o presidente da República e a mídia. Precedentes já havia, como o da época da reeleição, por exemplo, quando o presidente chamou a Brasília todos os donos dos grandes veículos para pedir uma ajuda em favor de sua candidatura quando em maio/junho de 1998 ela periclitou nas pesquisas de opinião pública.

Antes de qualquer coisa, precisaríamos ouvir Miriam Dutra, procurar confirmar o segredo de polichinelo, como dizem jornalistas que conhecem a história. E praticamente todos os diretores de redação à época das eleições de 1994 a conhecem, embora muitos, iríamos pedir a palavra de todos eles fossem argumentar que não publicaram a matéria porque a mãe da criança não havia procurado a imprensa nem a Justiça e só nessas circunstâncias as normas internas admitem a publicação. O que não é verdadeiro, sabe-se de pelo menos um fato semelhante a esse em que houve até exploração tendenciosa por parte da mídia, fato revelado também em época de campanha presidencial, a de 1990, envolvendo a filha do candidato Lula, trazido a público por um repórter do Jornal do Brasil que foi investigar a história e não porque algum dos envolvidos tivesse procurado a imprensa ou a Justiça.

Outro argumento de diretores de redação em defesa da não publicação da história que resolvemos contar é o de ela não ser um fato jornalístico. Esquisito não considerar fato jornalístico um presidente da República ter um filho fora do casamento com uma jornalista da Rede Globo.

Fomos, então, procurar Miriam Dutra, por intermédio de um jornalista brasileiro, João Rocha, que está morando em Barcelona. Eis o seu relato, de 30 de janeiro deste ano:

Descobri um Colegiado de Jornalistas onde havia um Centro Internacional de Jornalistas. Consegui achar Miriam Dutra em uma lista absolutamente equivocada: a de Madri, mas com um endereço de Barcelona. Fui até lá. É um bairro de classe média alta, na parte mais moderna da cidade. Achei a rua, mas penei para achar o prédio. Enquanto pedia informações na rua para localizar o número que buscava, encontrei acidentalmente um brasileiro. Um homem de seus sessenta e poucos anos, artista plástico paraibano. Havia deixado o Brasil em 1963, mas conservava intato o sotaque, mesmo falando catalão ou espanhol. Seu nome é Oto Cavalcanti, figura interessante, também se confundiu muito para achar o prédio que supostamente era no quarteirão em que ele morava. Quando falei que procurava uma jornalista brasileira, ele lembrou que a moça da banca de jornal havia lhe falado de uma jornalista brasileira da Globo vivendo por perto. Fomos até a banca. A moça se mostrou muito simpática até eu perguntar sobre Miriam Dutra. Aí ela mudou de expressão, de tom de voz e falou que Miriam já se havia mudado e que nunca mais a tinha visto. Perguntei outra coisa e ela simplesmente me ignorou, como se eu não pudesse saber de mais nada. Essa moça, eu soubera um pouco antes pela sua ajudante, tornara-se amiga de Miriam em suas compras diárias de jornais e revistas. Saí da banca com mais algumas informações, porém achando que o endereço que eu tinha estava errado e, além disso, sabendo que Miriam havia se mudado. Mas continuei procurando e perguntando para as pessoas. Todos desconheciam o número, exceto seu Manuel, porteiro português que trabalha há anos na região: Esse prédio fica naquele bulevar atrás do muro do Gaudí, todo mundo se perde. Já era noite e o muro estava iluminado. Lindo! E atrás dele estava o número 61 da rua Manoel Girona. Visivelmente um prédio de classe média alta. O porteiro não estava, mas a caixa de correio mostrava que Miriam não morava mais ali. Esperei que algum morador ou o porteiro aparecesse. Foi o tempo de um cigarro. Lá vinha ele, um típico catalão de uns sessenta anos. Foi dele que pude conseguir a mais rica descrição da nossa personagem. Me descreveu seus hábitos, jeito etc., coisas que um porteiro sabe como ninguém. Falou que ela mudara havia uns seis meses, para perto, e que não a via desde o Natal, quando tiveram uma ligeira discussão sobre as correspondências que ainda chegavam para ela e que já não queria receber. Foi aí que ele completou o perfil que eu estava montando desde que comecei a pensar na personagem: É uma pessoa muito fechada, apesar de ter sido sempre correta comigo. O que eu vou fazer se uma pessoa não quer deixar seus rastros?

Chegando em casa, organizei as anotações e quase joguei fora o número do telefone que supostamente seria o de Miriam, já que o porteiro me havia assegurado que a linha tinha ficado com o novo inquilino. Mas resolvi tentar: Alô?, eu ouvi, tomando um susto tremendo, e então perguntei em espanhol se era da casa de Miriam Dutra. Si, un momento. E ao longe: Mãããe! Era ele, Tomás. Com o coração disparado de quem busca algo durante tempos e encontra por acaso, não tive rapidez para fazer outra coisa que não esperar por Miriam. E ela atendeu: Hola?. É a Miriam Dutra?? Sim. Oi, Miriam, meu nome é João Rocha. Sou um jornalista brasileiro que está vivendo em Barcelona. A revista Caros Amigos está fazendo uma reportagem em que cita o seu nome e pediram que a procurasse para ouvi-la. E ela, meio transtornada: Cita meu nome? Em quê?? Olha, fala de um suposto caso que você teria tido com o nosso presidente da República, Fernando Henrique, e de um filho que teria resultado desse relacionamento. Pelo silêncio que se fez, esperava ouvir o telefone dela batendo no gancho, mas não. Veio a resposta: Olha, João, eu não vou falar nada sobre essa história. Eu não sou uma pessoa pública. Se vocês têm algo para perguntar, não é para mim. Perguntem para a pessoa pública.

A afirmação de Miriam Dutra era definitiva e, no mínimo, removia de vez a argumentação de jornalistas que não contam o que sabem escudando-se em manuais de redação. Seguiríamos sua sugestão de procurar a pessoa pública dessa história, mas só depois de ouvir todos os diretores de redação da época em que o caso aflorou mais fortemente, 1994, FHC candidato. Devíamos começar por Veja, de onde a lebre foi levantada a partir da foto proibida.

Palmério Dória conta sua tentativa:

Liguei para Mario Sergio Conti, que durante a primeira eleição de FHC era diretor de redação de Veja. Previa certa animosidade, porque naquela semana tinha saído em Caros Amigos um quadro comparativo que fiz entre famosos de ontem e de hoje. Portrait du Brésil: décadence avec desélégance?. Entre as quarenta comparações (por exemplo: JK/FHC; bossa nova/pagode; Ataulfo Alves/Alexandre Pires; mar de lama/Proer; Marta Rocha/Adriane Galisteu), sobrou para o autor do best-seller Notícias do Planalto: David Nasser/Mario Sergio Conti. Quer dizer, esperava animosidade mas não a tempestade que desabou: Mario Sergio, estou fazendo uma matéria sobre aquela história que todo mundo fala mas ninguém conta, o suposto filho do Fernando Henrique.... Palmério, você acha que eu vou mover uma agulha por você?? (ainda contendo a fúria) Você me comparou com o... David Nasser...? Tentei dizer algo em meio ao atropelo de impropérios que se seguiu: Mario, estou ligando para o cargo, você tinha a função de diretor de redação.... Eu não sou da sua laia. (berrando) Leve a sua calhordice até o fim! Berrando, desligou o telefone.

Em seguida, Palmério falou com mais três jornalistas que ocupavam posto de comando nas publicações em que trabalhavam durante a campanha presidencial de 1994:

Augusto Nunes, hoje dirigindo a revista Época, era diretor de redação do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Temos uma considerável convivência, começamos juntos no Estadão:

Augusto, falam que todos os jornalões e revistas tinham essa matéria e que, se um desse, todos dariam. Vocês tinham também, para a eventualidade? ?

Não chegamos a ter. Claro que a questão foi levantada na redação: Fizeram uma sacanagem com o Lula, e agora como é que é? Mas quem fez a sacanagem com o Lula foi a Miriam Cordeiro. No caso do Fernando Henrique, a suposta mãe diz que não é. O filho tem um pai no papel, e ela não fala que Fernando Henrique é o pai. A Zero Hora nem partiu para levantar o assunto, que circulava realmente em todas as redações.

Aluízio Maranhão, diretor de redação do Estadão naquele tempo, hoje também na revista Época, garante que o jornal dos Mesquita não tinha matéria de gaveta sobre o caso:

Havia um obstáculo intransponível: ela nega. O rapaz, o registro do menino: ele tem um pai legal. Você vê o caso do Lula. A filha existe, a mãe assumiu, se deixou usar como munição política. Tem que ter algum BO (não Bom para Otário, mas Boletim de Ocorrência). Sendo verdade, termina servindo de munição. Isso vale para um suposto filho de um presidente e para um suposto consumo de drogas de um presidente. Você tem que ter provas e testemunhas com um mínimo de credibilidade. Não tem nada a ver com status social. Por todas essas razões, não chegou a ser tema de discussão, por absoluta falta de provas. Houve um momento em que o site do PDT fez circular uma matéria do Diário de Notícias, de Portugal, com a história. Foi malandragem com interesses político-partidários e decidimos não noticiar. E essa foi a decisão de todos os órgãos.

Hélio Campos Mello, diretor de redação de IstoÉ, comigo foi sempre de uma afabilidade total. Mas, toquei no assunto, adotou o chamado distanciamento crítico, tornou-se seco e objetivo: Não tenho uma história, não tenho a certidão de nascimento, não tenho uma mãe dizendo que o garoto é filho dele (o presidente). Alguém pode dizer: Ah, ele é parecido. O filho do Collor é quase um teste de DNA!

Palmério não perguntou, e o diretor de redação de IstoÉ talvez não tenha tomado conhecimento, mas sabe-se que um repórter da revista fez a matéria e ela foi engavetada, por instância do proprietário da editora, que disse:

Não sou louco, tenho negócios. Esse mesmo empresário já disse, em tom de brincadeira, para quem quisesse ouvir: Sou mesmo um bandoleiro da imprensa; os outros também são, mas não dizem.

Como estivéssemos entrevistando jornalistas, rapidamente a matéria passou a ser comentada nas redações, obviamente indo parar nos corredores do poder federal. Combinamos um jantar, numa churrascaria em São Paulo, com um jornalista que está trabalhando para o governo. Ele disse que havia uma preocupação com a matéria nos altos escalões, amigavelmente desaconselhando-nos a publicá-la. Fez ver que a editora, caso Caros Amigos saísse com a reportagem, podia enterrar a pretensão de conquistar anúncios ou qualquer serviço editorial da área governamental, que abertamente havíamos pleiteado com ele como pleiteamos junto a todo o tipo de empresas institucionais. Ao contrário, acenou, não saindo a matéria eram muito boas as chances de obtermos no futuro algum tipo de serviço editorial para órgãos públicos.

Em um almoço, numa cantina, também em São Paulo, Palmério Dória, que julgavam ser o único autor da reportagem, receberia, por intermédio de um amigo jornalista, convite para ir trabalhar na assessoria de imprensa da Petrobrás, no Rio. Perguntou ao amigo de quem partira o convite, o amigo declinou o nome do lobista aparentado de Miriam Dutra. Os lobbies em favor do silêncio começavam a convergir.

Um deputado federal da oposição liga para a redação pedindo o telefone particular de José Arbex Jr., editor especial de Caros Amigos. O telefone é fornecido. Arbex conta o diálogo ocorrido depois das saudações de praxe:

E aí, o que você manda??

Rapaz, eu queria te dar um toque, mas é em caráter pessoal.

Pode dizer.

Pois é, eu estava conversando outro dia com um cara que é muito ligado ao governo, e ele me disse que o pessoal estava preocupado com uma reportagem que a Caros Amigos está fazendo, o cara até me perguntou se eu sabia qual era a da Caros Amigos, se ela é do PT...

Do PT??

Pois é, rapaz, do PT. Eu falei que não, disse que não sabia nada sobre a Caros Amigos, até que passei numa banca de jornal e li o expediente da revista, e vi que conhecia algumas pessoas da redação. Por isso resolvi te ligar.

Sei, mas qual é a preocupação do governo?

Eles acham que vocês estão fazendo uma matéria escandalosa envolvendo o presidente. Eu acho que não é o caso, pois, conhecendo vocês, eu acho que não iriam por essa linha de sensacionalismo barato.

Ih, não é nada disso. Os caras, pra variar, estão mal informados. A reportagem não é sobre a vida do FHC, mas sim sobre a relação da mídia com o FHC, o silêncio cúmplice, essas coisas...

Ah, bom, eu sabia...

Mas eu não entendi muito bem qual é o toque que você disse que ia me dar.

É que eu vi que os caras estão preocupados, e como te conheço há muito tempo, e tem uma relação de confiança, apesar de talvez existirem divergências políticas, então resolvi conversar com você em caráter pessoal. Os caras estão muito preocupados, rapaz...

Eu te agradeço a confiança, mas a gente não vai promover nenhum sensacionalismo.

Nesse mesmo mês, fevereiro, liga para Sérgio de Souza, editor de Caros Amigos, o diretor de redação da revista Imprensa, Tão Gomes Pinto. Diz estar intercedendo em nome de Miriam Dutra, que lhe telefonara de Barcelona cheia de preocupação em relação à matéria e que ela queria falar com Sérgio. Pois não, respondeu Sérgio, dando ao interlocutor todos os seus números de telefone. O diretor da revista Imprensa, antes de desligar e depois de muito insistir sobre a preocupação de Miriam, disse que qualquer dia iria fazer uma visita à redação de Caros Amigos, que não conhecia ainda. Antes que se passasse meia hora, anunciam que Tão Gomes Pinto está na recepção, quer falar com Sérgio. Desce, cumprimentam-se, Tão vai repetir que Miriam está preocupadíssima mas que resolveu não telefonar para Caros Amigos. O tom resvala à dramaticidade. Sérgio pergunta se são amigos, Tão responde que conheceu Miriam nos tempos de Brasília, não chega a dizer que eram amigos. No meio da conversa, Sérgio, que tinha a informação de que Tão e o lobista aparentado de Miriam estavam naquele momento esgrimindo conjuntamente um lobby junto a uma empresa brasileira, pergunta se o diretor de redação da revista Imprensa conhece fulano de tal (dá o nome do lobista). Tão olha para o alto, como se buscasse na memória o personagem, até que, no timing certinho, diz que sim, mas que não vê o homem faz muito tempo, mais de ano. A pergunta faz com que a conversa se dilua, Tão chega a comentar, em tom cúmplice, que a nossa matéria devia ser feita pela revista Imprensa e despede-se fraternalmente, levando alguns livros da editora de Caros Amigos, a Casa Amarela, para divulgar em sua revista.

Diante disso, embora convictos de que se tratava de uma mentira encomendada pelo lobista, pedimos ao repórter de Barcelona que perguntasse a Miriam Dutra se ela havia pedido a intercessão do diretor de redação da revista Imprensa. O pedido a João Rocha, como o primeiro, foi feito por Mylton Severiano, que participava também da reportagem e é amigo do jornalista que vive em Barcelona. Mylton recebeu então o seguinte e-mail:

Logo depois de receber sua mensagem, encontrei um amigo brasileiro para ir almoçar. Na fila do restaurante, falávamos nosso portuguesinho despreocupado quando uma moça atrás de nós me cutucou no ombro: Vocês são brasileiros, não? E se apresentou:

Me chamo Tânia, sou de Brasília, estou fazendo doutorado aqui na faculdade.... Foi justo no momento em que me deu o estalo e, com aquele tipo de palavras que você não sente sair da boca, perguntei: Você é amiga da Miriam Dutra, não? E ela, surpresa: Ah, a Miriam, sou, como você sabe?? E eu, ainda naquele estado: É que ela me falou de você, que havia chegado há pouco tempo e que estava procurando apartamento para alugar.

Procurando apartamento? Não, imagina! Moro aqui há três anos! Nesse momento, o mundo se contorce e já não se entende mais nada. Mas, como eu, ela também fazia doutorado e, momentos depois, coincidências esclarecidas, resolvo puxar o assunto do filho do presidente e explico minha relação com Miriam: o interesse no suposto caso que Miriam supostamente teria tido com o presidente, do qual supostamente teria nascido um suposto filho, supostamente presidencial.

Suposto??, me interrompe a moça. Suposto, não! É do Fernando Henrique. Ela não te contou? É a cara do presidente!

Chegando em casa, ligo para Miriam. Quem atende novamente é Tomás: Péra um pouquinho. Maãããnhê!? Longa conversa, como havia sido a primeira, dessa vez contabilizada pelo cronômetro do telefone: uma hora e dez minutos. Quanto ao movimento de sugestão de silêncio, ela diz não ter a menor idéia de onde saiu. Fala que não tem nada a ver com isso e que a última pessoa com quem havia conversado sobre o assunto fui eu. Tão Gomes Pinto ela diz conhecer apenas profissionalmente, como jornalista respeitado, e que não tem nem sequer o telefone dele.

Comenta o contrato dela com a Globo, anual, de prestação de serviços no exterior, como há uns quarenta mais, acrescentando que veio por razões profissionais e por sua própria conta. Fala, também, em tom ameaçador mas brando: Se a revista publica uma coisa dessas, vai ter que provar. Sei dos meus direitos e conheço os meios jurídicos. Vai ter que provar. E, enfim, depois de eu muito cutucar, saiu: Tomás Dutra Schmidt, nascido no dia 26 de setembro de 1991 à zero hora e quinze minutos em uma maternidade de Brasília, batizado pela avó materna e registrado na mesma cidade somente no nome da progenitora.

Levando portanto sobrenomes iguais aos dela. A repórter e editora executiva de Caros Amigos, Marina Amaral, iria a Brasília para, além de solicitar uma audiência com a pessoa pública, tirar uma cópia, no respectivo cartório, da certidão de nascimento do menino. Antes, porém, como estava pautado, trataria de colher os depoimentos utilizados pelos grandes veículos para justificar o fato de nunca terem tratado do assunto.

Começa por Alberico Souza Cruz, atualmente na Rede TV!. A telefonista atende, Marina diz que deseja falar com ele, a ligação é transferida, atende voz masculina, Marina pede:

Por favor, o Alberico.
Quem gostaria de falar?

É Marina, da Caros Amigos.
Oi, Marina, tudo bem? É o Alberico.

Que bom, nem pensei que seria tão fácil falar com você... (risos)

Com prazer, pode falar.?
É um assunto meio delicado, mas, como vamos dar a reportagem na próxima edição, tenho de perguntar. A reportagem fala do filho da Miriam Dutra com...

Me desculpe, mas, sobre esse assunto eu não falo.
Mas a reportagem até diz que você é o padrinho do menino...

É, mas sobre esse assunto eu realmente não falo. Me desculpe. Até logo.

O sucessor de Alberico na direção de jornalismo da Rede Globo é Evandro Carlos de Andrade, ex-diretor de redação do jornal O Globo, função que exerceu de 1972 a 1995. Autoridade máxima e palavra final do jornal, seu depoimento para uma reportagem que põe em discussão as atitudes da imprensa diante de determinados fatos era de grande importância. No caso, principalmente porque foi na sua gestão que O Globo publicou, em 14 de dezembro de 1989, data em que a televisão transmitiria, à noite, o debate que decidiria a eleição presidencial em favor de Fernando Collor, o seguinte editorial, destacado na primeira página:

O direito de saber
O povo brasileiro não está acostumado a ver desnudar-se a seus olhos a vida particular dos homens públicos.
O povo brasileiro também não está acostumado à prática da Democracia.
A prática da Democracia recomenda que o povo saiba tudo o que for possível saber sobre seus homens públicos, para poder julgar melhor na hora de elegê-los.
Nos Estados Unidos, por exemplo, com freqüência homens públicos vêem truncada a carreira pela revelação de fatos desabonadores do seu comportamento privado. Não raro, a simples divulgação de tais fatos os dissuade de continuarem a pleitear a preferência do eleitor. Um nebuloso acidente de carro em que morreu uma secretária que o acompanhava barrou, provavelmente para sempre, a brilhante caminhada do senador Ted Kennedy para a Casa Branca para lembrar apenas o mais escandaloso desses tropeços. Coisa parecida aconteceu com o senador Gary Hart; por divulgar-se uma relação que comprometia o seu casamento, ele nem sequer pôde apresentar-se à Convenção do Partido Democrata, na última eleição americana.

Na presente campanha, ninguém negará que, em todo o seu desenrolar, houve uma obsessiva preocupação dos responsáveis pelo programa do horário eleitoral gratuito da Frente Brasil Popular de esquadrinhar o passado do candidato Fernando Collor de Mello. Não apenas a sua atividade anterior em cargos públicos, mas sua infância e adolescência, suas relações de família, seus casamentos, suas amizades. Presume-se que tenham divulgado tudo de que dispunham a respeito.

O adversário vinha agindo de modo diferente. A estratégia dos propagandistas de Collor não incluía intromissão no passado de Luís Inácio Lula da Silva nem como líder sindical nem muito menos remontou aos seus tempos de operário-torneiro, tão insistentemente lembrados pelo candidato do PT.

Até que anteontem à noite surgiu nas telas, no horário do PRN, a figura da ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, acusando o candidato de ter tentado induzi-la a abortar uma criança filha de ambos, para isso oferecendo-lhe dinheiro, e também de alimentar preconceitos contra a raça negra.

A primeira reação do público terá sido de choque, a segunda é a discussão do direito de trazer-se a público o que, quase por toda parte, se classificava imediatamente de baixaria.

É chocante mesmo, é lamentável que o confronto desça a esse nível, mas nem por isso deve-se deixar de perguntar se é verdadeiro. E se for verdadeiro, cabe indagar se o eleitor deve ou não receber um testemunho que concorre para aprofundar o seu conhecimento sobre aquela personalidade que lhe pede o voto para eleger-se Presidente da República, o mais alto posto da Nação.

É de esperar que o debate desta noite não se macule por excessos no confronto democrático, e que se concentre na discussão dos problemas nacionais.

Mas a acusação está no ar. Houve distorção? Ou aconteceu tal como narra a personagem apresentada no vídeo? Não cabe submeter o caso a inquérito. A sensibilidade do eleitor poderá ajudá-lo a discernir onde está a verdade e se ela deve influenciar-lhe o voto, domingo próximo, quando estiver consultando apenas a sua consciência.

Marina Amaral procurou o atual diretor de jornalismo da Rede Globo, sendo informada pela secretária que ele só responde perguntas por escrito. Assim foi feito, seguiram quatro perguntas: 1. se havia chegado ao jornal O Globo, por ocasião das eleições de 1994, a informação de que grandes veículos estavam preparando matéria sobre o filho gerado de um romance entre Fernando Henrique Cardoso e Miriam Dutra; 2. se o jornal discutiu o assunto; 3. se cogitou de também preparar uma matéria a respeito; 4. e se o editorial - O direito de saber? havia sido escrito por ele, Evandro Carlos de Andrade.

A resposta veio no dia seguinte, por fax, manuscrita e assinada:
1. Não chegou ao meu conhecimento. As perguntas 2 e 3 estão prejudicadas.

4. Não me recordo, provavelmente não fui eu o autor, uma vez que escrevi poucos editoriais durante minha permanência no Globo.

No mesmo dia, 20 de março último, Marina Amaral procurou, por telefone, outro diretor de redação, Otávio Frias Filho, da Folha de S. Paulo. Depois de explicar em detalhes a origem da reportagem do artigo de Palmério Dória à foto interditada, Marina perguntou a Otávio se a Folha cogitara fazer a matéria em 1994. Resposta:

Vou ter muita dificuldade em responder a contento porque a Folha considera que esse não é um assunto de interesse público, é um assunto de ordem afetiva, e a Folha não publica assuntos de ordem afetiva enquanto pelo menos uma das partes interessadas não se manifestar. Essa moça não se manifestou.

Mas e o caso da namorada do Pitta, que vocês publicaram recentemente? Havia interesse público?

A Folha não publica assuntos de ordem afetiva enquanto uma das partes não toma alguma providência jurídica ou não se manifesta publicamente, quando consideramos que o assunto não tem interesse jornalístico. No caso dessa moça que você está citando, não lembro o nome dela...

Marlene Beteguelli, a secretária. E a Marina de Sabrit, que vocês também publicaram, com ela desmentindo...

Pois é. Houve insinuações, mas não publicamos nada até que ela própria deu uma entrevista ao Jornal do Brasil, se deixou fotografar.

Mas a notícia do filho do Fernando Henrique chegou à redação da Folha? Vocês pensaram em investigar, em procurar os dois??

Havia fofocas de redação que circulam há muito tempo, mas não tivemos condições de investigar porque não tínhamos nem condições de afirmar se essas histórias eram verdadeiras.

Posso dizer que a história do filho é verdadeira pelas investigações que fizemos. Inclusive falamos com a moça, que nos aconselhou a procurar a pessoa pública dessa história.

Se você está me dizendo que é verdade, acredito, porque não tenho motivo para duvidar de você.

Independentemente desse fato, você acha que a mídia tem tratado o presidente Fernando Henrique Cardoso com, digamos, condescendência?

Independentemente disso? Sim.

De que forma se manifesta essa condescendência?

Acho que a mídia tem sido de todas as formas condescendente. Quando um presidente tem taxas de popularidade altas, a mídia acaba refletindo essa tendência. Foi assim com o presidente Sarney, com o Collor no primeiro ano de mandato, vem sendo assim com o Fernando Henrique pelo menos até o segundo semestre do ano passado quando suas taxas de popularidade caíram.

A Folha acompanhou essa tendência?

A Folha, salvo melhor juízo em contrário, tem se mantido numa posição mais autônoma, mais inquisitiva, mais incômoda mesmo. A Folha tem uma série de colunistas que manifestam uma posição contrária a essa simpatia da mídia. Essa simpatia é clara, tanto que ele próprio (o presidente) fez uma boutade no episódio dos grampos do BNDES dizendo que a mídia estava até exagerando no apoio. Agora, com relação a esse episódio desse suposto envolvimento de ordem afetiva, não é nossa política investigar. Isso envolve outros casos, há diversos precedentes, mas não consideramos esse um assunto jornalístico, de interesse público. É isso.

Marina Amaral transcreveu o diálogo telefônico e enviou-o a Otávio, como pedira o jornalista. E acrescentou novas perguntas, que foram respondidas via e-mail pelo diretor de redação da Folha:

1. A Folha foi procurada pelo presidente ou por algum de seus assessores com o pedido de não dar ouvido a boatos a respeito do filho com a jornalista Miriam Dutra?

Não.

2. A Folha foi convidada a participar, juntamente com outros grandes veículos, de uma reunião com o presidente durante a campanha eleitoral de 1994?

Não. Embora tenha havido vários encontros jornalísticos entre representantes do jornal e o então candidato, alguns deles, possivelmente, com a participação de jornalistas de outros veículos.

3. A Folha sofreu alguma pressão no governo FHC em função de sua posição de independência?

Não, exceto queixas e reclamações, aliás freqüentes, de auxiliares do presidente, mas sempre dentro dos limites do que me parece legítimo numa democracia.

Nesse mesmo e-mail em que dá resposta às perguntas complementares de Marina, Otávio comenta a transcrição do telefonema:

A transcrição me parece OK, exceto pelo fato de que o discurso oral, quando transposto para o texto, sempre parece truncado e repetitivo. Imagino que você fará um copy para eliminar ou reduzir essa dissonância.

Dois detalhes: há uma resposta em que eu digo que: Havia fofocas de redação que circulam há muito tempo mas não tivemos condições de investigar porque não tínhamos nem condições de afirmar se essas histórias eram verdadeiras. Devo ter me expressado mal. Quis dizer que não investigamos por não vermos legitimidade na pauta, conforme dito anteriormente. E que não sabemos sequer se esses fatos são verdadeiros. O porque não tem sentido na frase.

Outro detalhe: Sarney desfrutou de grande popularidade enquanto durou o Plano Cruzado.

É isso. Um abraço.

Mylton Severiano também está empenhado na coleta de depoimentos. Marca uma conversa com Mino Carta na redação da Carta Capital, revista da qual Mino é o diretor. Começa com a mesma pergunta feita a todos: por que falam do filho deste e daquele, menos do filho de FHC com Miriam Dutra? Mino faz uma colocação e lembra de um episódio:

A questão é pertinente. Eu saí da IstoÉ em agosto de 1993. Dois anos antes, o Fernando Henrique me liga na redação:

Olha, Mino, está correndo uma história cabeluda, que enxovalha a mim e a minha família, por favor, se isso chegar aí, não dá nada, não publica não. Eu disse: tá bom, que esse tipo de coisa não me interessava mesmo. Eu nem sabia o que era.

E conta a Mylton Severiano que perguntou ao pessoal da redação de Istoé: Mas que história é essa que o Fernando Henrique me liga pra pedir que não publique?? E lhe disseram que vários jornalistas da IstoÉ tinham visto os dois no Piantella, nesses restaurantes de Brasília, às vezes em turma, às vezes a sós. E acrescenta:

Eu, pessoalmente, Mino jornalista, tenho receio de tocar nesses assuntos. Mas, em relação a Pelé, Lula... Jesus Cristo, é legítimo, é pertinente propor a questão. Pelo fato em si. O caso do Lula era diferente. Estava viúvo, solteiro. E o Fernando Henrique é casado.

Mylton cita o editorial do Globo sobre o direito de saber. Mino diz:
Uma das obrigações da mídia é fiscalizar o poder, inclusive a vida privada, particular. O perfil: tantos anos, é homossexual; se é grosseiro, quero saber. Se espancou a mulher, quero saber. Se dá em cima de mulher fora do casamento, quero saber. Agora, eu, como repórter, não me sinto bem com esse tipo de assunto.

Mylton pede que Mino explique melhor por que disse ser pertinente a questão que estamos levantando. Resposta:

Sim, a história do filho do Fernando Henrique você pode até perguntar se é verdade. Mas, sendo verdade, é pertinente querer saber por que não publicam. Como foi possível levantar aquela do Lula? Aquilo foi terrível. Completamente diferente. Ele estava solteiro, viúvo. Saía com a moça e, naturalmente, quando um homem sai com uma mulher, acabam fazendo o que todos sabemos. Ele não queria o filho. Foi uma desgraça. Agora, por que Lula e não Fernando Henrique? Por que Pelé e não Fernando Henrique? Existe? Então, por que não falar? Se é figura pública e dá em cima das mulheres, não sabe se portar. Vai envergonhar o país mais cedo ou mais tarde, se se torna figura representativa do país dele. Eu não estou falando dele, estou falando de qualquer um.

Mylton lhe diz:

Mas isto se aplica a ele, depois de tudo o que apuramos e todo mundo sabe.

Então..., falou Mino, rindo irônico.

Depois de falar com Mino Carta, Mylton Severiano ia telefonar para outros dois jornalistas de publicações importantes. Conversas velozes. Primeiro com Celso Kinjô, editor-chefe do Jornal da Tarde, do qual Mino foi o fundador. Celso lhe disse que nunca pensaram em fazer matéria no JT. A posição da casa é não tocar em assuntos pessoais. Uma ocasião um repórter levou uma foto do filho de Orestes Quércia e ela ficou na gaveta. A casa é escrupulosa em relação a esse tipo de assunto, não está escrito mas nem merece tratamento editorial. Disse também não lembrar qual foi o tratamento da casa com relação a Miriam Cordeiro, em 1989.

Depois, com Marcelo Pontes, alto escalão no Jornal do Brasil em 1994, fazia o Informe JB. Trabalha hoje no gabinete do Ministério da Fazenda. Mylton conta:

Foi perceptível ao telefone seu desconforto quando anunciei o assunto. Eu havia dito à secretária que falava em nome da Caros Amigos. Mas atendeu logo. Ficou repetindo: 94, 94, 94, que que eu fazia no JB? 94, 94, 94.... Lembrou-se então de que fazia o Informe. Mas o jornal fez matéria?

Mas eu não posso falar pelo jornal. Ouvi boatos, boatos, estou dizendo, não tinha nenhuma prova. Nem considerei que esse assunto de vida pessoal fosse publicável.

Mas nós sabemos que outras publicações foram atrás.

Ah, me parece que o JB publicou algo sim, feito pelo Maklouf. Tá bom? (louco para se livrar de mim).

Agradeci, um abraço, desliguei.

Na penúltima semana de março, Palmério Dória foi ao Rio de Janeiro, tratar de outros assuntos profissionais com um grupo de jornalistas, do qual faz parte um colunista muito importante da imprensa carioca. Era uma sexta-feira, dia do chamado pescoção nos jornalões, quando os colunistas caçam notas a grito. O colunista queria saber de Palmério se Miriam Dutra abriu ou não abriu (sobre a paternidade do menino), dizendo, depois de uma longa conversa, que ia dar uma nota em sua coluna no final de semana. Voltou a ligar mais tarde, perguntando quantos anos a Caros Amigos ia fazer. Palmério procurou no jornal do sábado, do domingo e da segunda. Nada. Na tarde da própria segunda encontraram-se em mais uma reunião do grupo, à qual o colunista chegou dizendo, na frente de dois outros jornalistas: Em dez anos de coluna, nunca passei por uma situação como essa!? E contou que alguém do alto escalão do jornal chegou a ele com a nota na mão e disse que ela só poderia sair com autorização do primeiro homem da empresa.

Faltavam poucos nomes para completar a lista de depoimentos de jornalistas, antes de Marina Amaral solicitar a audiência com a pessoa pública, com o que encerraríamos a reportagem.

Faltava falar com quem em 1994 dirigia o Diário Popular, de São Paulo, Miranda Jordão; com Ricardo Noblat, do Correio Braziliense; e com o chefe da sucursal da Folha de S. Paulo em Brasília, Josias de Souza.

Mylton Severiano liga para Miranda Jordão, hoje no jornal O Dia, Rio de Janeiro. O diálogo:

Alô.

(Me identifico como da Caros Amigos, tudo bem? Tudo bem.) Estou trabalhando numa matéria sobre o filho do Fernando Henrique com a Miriam Dutra... ?

Filho o quê?

O Tomás Schmidt, filho do Fernando Henrique e da nossa colega Miriam Dutra.

Não estou sabendo de nada.

Bem, nós temos a informação de que o Diário Popular, em 1994, você estava lá, teria feito ou tentou fazer a matéria, através do Cláudio Humberto.

Nunca. Não tínhamos relação alguma com o Cláudio Humberto. ?

Bem, pode ser uma informação furada, mas você sabe da história, não?

Não, nunca soube de nada. (cortante)

Que interessante. Bom, se você nunca soube, está bem. Muito obrigado.

Marina Amaral vai a Brasília, já telefonara de São Paulo cinco dias antes à procura de Ana Tavares, assessora da presidência da República. Tinha sido atendida por um dos membros da assessoria, Geraldo Moura. Sem adiantar o assunto, Marina disse que queria marcar uma entrevista com Ana. Geraldo se mostrou surpreso: Entrevista com ela?? Mas respondeu que provavelmente não haveria problema e que daria um retorno. Não deu. Assim que chegou em Brasília, no dia 22 de março, Marina localizou o cartório o Marcelo Ribas, no Edifício Venâncio 2000 em que fora registrado Tomás. Tinha o nome completo do menino, da mãe e a data e horário do nascimento, que a própria Miriam Dutra dera a João Rocha em Barcelona. Tirou a cópia, que é um documento público, pagando por ela 1,90 real.

Por telefone, depois entrevistou Josias de Souza, diretor da sucursal da Folha em Brasília.

Na matéria que estamos fazendo, percebemos que há um tabu referente ao assunto do filho do presidente Fernando Henrique com a jornalista Miriam Dutra. Argumenta-se que o assunto é privado, que não tem interesse jornalístico. Me chamou a atenção que você e o Gilberto Dimenstein tenham tratado disso no livro que escreveram sobre a campanha de 1994 (A História Real - Trama de uma Sucessão, editora Ática-Folha de S. Paulo). O assunto tem interesse jornalístico?

Abordei esse assunto em ocasiões em que me pareceu claro o interesse jornalístico. Uma vez foi na própria Folha, na coluna da página 2, durante a campanha eleitoral de 1998. O PDT havia explorado o fato de forma eleitoreira no site do partido. Aquilo me pareceu jogo sujo de campanha. Fiz, então, uma analogia com outros casos, envolvendo inclusive chefes de Estado, como o Mitterrand. Fiz uma comparação com a cultura jornalística brasileira, a meu ver mais evoluída nessa matéria. Nos Estados Unidos, por exemplo, qualquer bobagem sexual relacionada a presidentes e candidatos é supervalorizada pela mídia. Acho que esse tipo de assunto só deve ser abordado quando há relevância jornalística. Como no caso do PDT, que decerto tentou reeditar procedimento sujo utilizado antes por Collor, na disputa contra o Lula. No livro que escrevi com o Gilberto, o assunto veio à tona porque descobrimos que a dona Ruth Cardoso havia se isolado em Nova York pouco antes de Fernando Henrique decidir se seria ou não candidato à presidência. Um dos motivos que fizeram com que ela se isolasse foi o receio de que esse caso fosse explorado durante a campanha eleitoral. Entendemos que não havia por que evitar o assunto. Decidimos dar a ele o tratamento jornalístico que julgamos adequado.

Mas a Folha diz que não trata de assuntos de ordem privada...

Veja, a posição da Folha é que essas questões têm de ser tratadas à luz do interesse jornalístico. Um bom exemplo é o caso do namoro do Bernardo Cabral e da Zélia, dois ministros de Estado, em que um liberava verba para o outro, ou seja é assunto de interesse público. A vida privada de um político tem relevância se de algum modo passar a interferir na sua atividade como homem público.

Mas e a filha do Maluf, as namoradas do Pitta?

Não há uma fórmula. Há uma linha geral, um princípio a ser observado. A publicação depende da análise de caso a caso. A filha do Lula foi transformada em assunto jornalístico pelo Collor. O tema dos supostos relacionamentos extra-conjugais do Pitta vieram à tona graças ao rompante de Nicéa.

No caso da Miriam Dutra, vocês investigaram, falaram com ela?

Falamos com várias pessoas que tinham relação com o fato. Para nós, era relevante checar a veracidade da história.

E vocês conseguiram apurar?

Isso foi apurado, sim.

Marina só conseguiria falar com Ricardo Noblat, o último da lista, depois da volta a São Paulo. Por telefone.

Estamos fazendo uma reportagem sobre as relações da mídia com o presidente Fernando Henrique Cardoso...
Eu soube. É boa reportagem. Me diz uma coisa, a moça confirmou?

Nós falamos com ela e tentamos falar com o presidente. Você assumiu a direção do Correio em fevereiro de 1994?

É, fevereiro de 94.

E nunca ouviu falar de um filho de Fernando Henrique fora do casamento?

Eu ouvi esse assunto por aí. Depois fiquei sabendo que a Veja tinha ido conversar com o presidente e com a jornalista, apurado nas duas pontas, e que ambos negaram. Aí, como não tinha prova, não tinha por que apurar, tanto que a matéria da Veja não foi publicada. Se você tivesse uma outra prova, poderia ser. Em mesa de bar, jornalista comenta...

Você leu o livro publicado no final de 1994 pelos jornalistas Josias de Souza e Gilberto Dimenstein?

Confesso que não. Por quê? Ali conta?

Conta. Na parte em que comenta que dona Ruth se isolou em Nova York, lembra?

Acho que lembro, sim, o Fernando Henrique foi falar com ela. Mas conta mesmo? Não estou me fazendo de bobo, é que eu não sabia mesmo. Você falou com eles?

Falei com o Josias, ele confirma o que escreveu.

Confirma? E por que a Folha não publicou?

Porque considera assunto de vida privada. Você publicaria?

Mas eles falaram da filha do Maluf, das namoradas do Pitta... Aqui em Brasília, um jornal evita muito entrar na vida pessoal, a não ser que vire um fato supercomentado. A gente não publica nem fitas, aqui temos um código de ética muito rigoroso. Mesmo aquelas fitas grampeadas que todo mundo deu, a gente só deu depois de uns dias para explicar para o leitor: está ocorrendo uma crise por causa de umas fitas... e diz o teor; nós nem publicamos aquelas transcrições que todo mundo publicou. Mas a Folha disse o quê?

Nada muito diferente do que você disse, assunto de vida privada. Você acha que o fato de um presidente ter um filho fora do casamento é um assunto jornalístico?

Mas aí você está fazendo uma afirmação que eu não posso comentar.

Não estou fazendo uma afirmação, estou fazendo uma pergunta. ?

Não, eu não posso responder isso em tese porque sei de que tese você está partindo. Não posso falar de um fato que eu não apurei, não que esteja duvidando de você, mas aí eu não posso.

Está bom, Noblat, muito obrigada.

Obrigado, eu. Boa noite.

Marina não conseguira uma entrevista com Ana Tavares, muito menos uma audiência com o presidente. Eis o esperado mas curioso anticlímax da reportagem, narrado por ela:

No dia 22 de março, já em Brasília, liguei novamente para Ana Tavares e novamente Geraldo Moura me atendeu. Marina, fui eu que falei com você a outra vez. Você queria conversar com a Ana, né? Infelizmente não vai ser possível porque a agenda dela está uma loucura, ela nem tem vindo aqui, porque está preparando uma viagem do presidente. Mas nem por telefone, dez minutinhos? Não, está impossível mesmo. Mas você pode falar comigo, eu também faço parte da assessoria da presidência.

Explico então que estamos dando uma matéria que fala das relações do presidente Fernando Henrique com a mídia analisando o episódio do filho dele com a jornalista da Globo, Miriam Dutra, e acrescento que estou cumprindo minha obrigação como jornalista, já que a própria Miriam havia nos dito que procurássemos a pessoa pública dessa história. E explico: É por isso que preferia falar com a Ana Tavares pessoalmente, é um assunto delicado. Ele responde, efusivo: Não, nem tem problema, essa história surge periodicamente desde 1983... Pondero que em 1983 o garoto nem tinha nascido. Ele corrige: Não, 1993, desde que entrei aqui. Nós temos uma orientação sobre isso, mas nesse caso vou falar com o presidente e depois telefono para você, diz, simpático.

Uma hora depois ele me liga, o tom de voz completamente mudado. Bastante seco, diz: Nós desconhecemos esse assunto. Pergunto se essa é a resposta da assessoria ou do presidente. Ele: Não se pode falar com o presidente sobre esses assuntos através da assessoria porque a assessoria só trata de assuntos institucionais da presidência. Pergunto então com quem devo falar para que minha pergunta chegue ao presidente. A resposta: Cabe a você, como repórter, encontrar uma maneira de falar com o presidente. Até logo.


URL:: http://www.carosamigos.com.br

>>Adicione um comentário

Comentários


MÃE DE FILHO DE FHC é de Florianópolis SC
FHC é o pai 13/09/2004 16:36



Esta matéria da Caros Amigos já teve ampla repercussão aqui em Floripa , não na mídia é claro.
Os pais de Miriam Dutra , mãe do filho de FHC , mora até hoje na Av. Hercílio Luz em Florianópolis.
Ela é uma coitada , recebeu grana da GLOBO sem trabalhar na Europa para abafar o caso (recebe até hoje essa pensão vitalícia ou seria fhtícia). Canalha
mesmo é o Fernando Henrique Cardoso que nunca assumiu o filho.


D. Ruth nunca me enganou!
Dêmocles 14/09/2004 18:19

Quer dizer então que Dona Ruth é corna mansa, né? Ela nunca me enganou, com aquela de uva chupada e cuspida..
E certamente exigiu que FHC não assumisse o filho. Grande intelectual de merda, esta mulher.
O que a burguesia paulistana não faz por um naco de poder!


O filho da pátria
Lais Dias Gonçalves 10/07/2005 22:47
laisgoncalves@uol.com.br

Esta história é a mesma: filho bastardo de intelectual, poliglota e sociólogo não pode aparecer na mídia. É feio, pega mal espalhar. Filho bastardo de metalúrgico, sem diploma universitário, mulato e nordestino é mais feio ainda. É um pecado inominável. Todo mundo deve saber. A mídia tem obrigação moral de espalhar aos quatro ventos e ainda cair de pau em cima dele.Brasil é isso aí...


Consultaram a Ruth?
Moralista 08/02/2006 05:52

Isso diz respeito a moral. Já perguntaram quantos anos FHC tem de casado? Consultaram a dr. Ruth Cardoso? Quem melhor que a mulher para achar este suposto fato imoral ou não? A imprensa tem que se pautar pelo interesse público, e a matéria, na verdade, se pautou pelo sensacionalismo ao cavoucar a vida pessoal de uma pessoa de reputação ilibada sem ir no cerne da questão.


Míriam Dutra
Magda 30/05/2007 22:14
magdaalfi@gmail.com

Bom , gente estou a procura da Míriam Dutra , é uma história meio longa e ao mesmo tempo triste.
Minha tia que se chama Lurdes , veio da Bahia grávida, chegando aqui em Brasília, ela conseguiu um emprego em uma casa de família ,onde minha tia deu a Luz a uma criança , como a minha tia não tinha condições de cuida - la deu sua família a seus chefe, e passou à cuidar de sua filha como sendo tratada como sua babá.
Então a minha tia está à procura de Míriam para olhar em seus olhos e revelar quem é sua verdadeira mãe.
Deixando bem claro que a minha tia , não quer nada dela não apenas ter o prazer em da um abraço em sua filha.
se alguém puder me ajudar agradeço desde ja.

Magda


FHC IMPUNE PELA IMPRENSA...QUANTO CUSTOU ?
Jay Anthony Vaquer 15/09/2007 11:46
jvaquer@juno.com
http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2004/09/290293.shtml?comment=on#comment

Fernando Henrique Cardoso "defendeu o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado".
Por que ele FHC não se afastou da presidência da República quando nasceu seu filho Thomás com a Miriam Dutra também jornalista da TV Globo, concessionária pública, que mantém mãe e filho em Barcelona, em um exílio já de 15 anos? É a Globo quem paga a pensão
Com uma diferença gravíssima. Renan registrou a filha. FHC não registrou o filho, ao menos até há pouco, quando a revista "Caros Amigos" publicou a certidão de nascimento de Tomás, filho de três pontinhos. É um festival de impostura.
E neste país do blá-blá, o Brasil das brincadeiras e da falta do que fazer. Que horror! O negócio é festa e eleição. Cuidam únicamente do poder, do cuidado pela coroa. Assistimos ao longo dos anos as cidades brasileiras se favelizando e os brasileiros sem nada. No entanto, o PSDB do FHC cuidam de tirar o Renan para ver se facilitam as próximas eleições. Meu Deus, precisamos importar brasileiros, mas de onde?


Absurdo.
Marcela Sampaio - Maceió, Alagoas, 15/10/2007 23:59
marcela.sampaio@hotmail.com
http://www.fotolog.com/marcelasampaio

Concordo inteiramente com a reportagem no que diz respeito ao fato de que a vida particular de pessoas públicas não interessa a ninguém. Mas a partir do momento que fatos da vida dela passam a interferir de algum modo na vida das pessoas a que ela serve, mesmo que seja trazendo à tona traços de seu caráter, é preciso, sim, que esses fatos sejam apurados e mostrados à sociedade. Não é admissível que outros casos parecidos tenham sido revelados por grandes veículos e esse não. Isso reforça o fato de que é o jornalismo (ou a mídia em geral) que gera os acontecimentos ao salientá-los ou não. É uma pena. Comento agora porque só esses dias tive conhecimento do fato.


Miriam nos procurepor favor
Rosângela alves 05/03/2008 12:24
rosan.fig@hotmail.com

Miriam a sua verdadeira mãe,quer muito te ver e ela não anda muito bem,vc a conhece á dona Lurdes que vc acha que foi sua babá é sua mãe,e quer te revelar.61 3372-2993.Por favor alguém que a conhece nos ajude.


E a concorrência "televisiva" da Globo, por que não divulga?
Hélio Eduardo Lucas 26/05/2008 12:18
heliolucas94@yahoo.com.br

E a concorrência "televisiva" da Globo, por que não divulga alguma matéria sobre esse assunto? Entendo que a parte que coube ao jornalismo impresso que luta por um jornalismo sério neste país já foi feita pelo pessoal da "Carso Amigos". Mas e quanto aos canais de televisão (aberta ou fechada), por que ninguém se manifesta em relação a esse assunto? É no mínimo estranho. Será que todos temem alguma retaliação por parte de "alguém"? Acho que já passou da hora de alguém produzir um jornalismo que combata de frente o lado "escuro" do jornalismo, que vemos todos os dia em toda a mídia brasileira (televisão, jornal impresso, rádio, internet). Programas como "Observatório da Imprensa" precisam ser mais divulgados, precisam "estar na boca do povo". Chega de tanta porcaria circulando por aí, tanta apelação para se conquistar maior pontuação no ibope, etc e tal... SIMPLESMENTE, CHEGA!!!

Hélio Eduardo Lucas


Facebook do guy
Loou 11/04/2009 16:15

Se colocar na net, encontra o Facebook dele:
http://www.facebook.com/people/Tomas-Dutra-Schmidt/516013462

Num é a cara do pai?

domingo, 1 de novembro de 2009

O velho FHC e seu jeito rabugento de ser!

Fiz questão de reproduzir aqui porque demonstra claramente a visão deste ícone da inveja, intriga e babaquice das quais tucanóides país afora são verdadeiros mestres.

Para onde vamos?

por Fernando Henrique Cardoso*, no Zero Hora

A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da terra”, de riqueza fácil que beneficia a poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

Só que cada pequena transgressão, cada desvio, vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advenha do nosso Príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o país, devagarinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos.

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista” deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental em uma companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem qualquer pudor, passear pelo Brasil às custas do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Essa supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Em pauta, temos a transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no orçamento e minguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo TCU. Não importa: no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha casa, minha vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que tivesse se esquecido de acrescentar “l’État c’est moi”. Mas não esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições, sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Ora dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso, os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil, os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas – mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo antes que seja tarde.

*Ex-presidente da República

GLOBO E JEREISSATI (PSDB) VÃO CORTAR RELAÇÕES BRASIL - NOVA IORQUE?

Pois é! Alguns até podem, outros nem pensar. Como sempre o jornalismo tupiniquim tem seus dois pesos e duas medidas!

Bloomberg,o bilionário. Alguém vai dizer que ele é ditador?

"Eu abordei aqui a reação provinciana do Senador Tasso Jereissati e o editorial furibundo de O Globo contra a entrada da Venezuela, terceiro parceiro comercial brasileiro, no Mercosul. Agora, por um dever de coerência, acho que eles deveriam propor o fim de qualquer relacionamento comercial brasileiro com empresas instaladas em Nova York e reivindicar a suspensão de vistos para os brasileiros que quiserem ir à cidade.

É que os jornais anunciam que o prefeito (e milionário) Michael Bloomberg mudou a lei municipal e conseguiu a aprovação, num referendo, para um terceiro mandato. Ao contrário do que aconteceu na Venezuela, porém, Bloomberg fez como Fernando Henrique fez no Brasil para criar a reeleição: nada de consulta em referendo para saber se o povo concordava.

Isso valeu-lhe um comentário com comparação semelhante do jornalista Clyde Haberman, no The New York Times:

"O homem que voltou a consultar o povo era o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Ainda que seja severamente criticado nos Estados Unidos, descrito como déspota e até mesmo como um bufão, ele fez aquilo que o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, não teve coragem de fazer. E venceu, da mesma forma que muitos cidadãos de Nova York imaginam Bloomberg teria vencido, caso depositasse mais fé no eleitorado. No domingo, os venezuelanos aprovaram em um referendo o direito do presidente e outros ocupantes de cargos eletivos a se eleger quantas vezes quiserem para um mesmo posto.

Perguntaram ao prefeito um dia desses se a experiência venezuelana o havia levado a reconsiderar a forma pela qual alterou a lei de limitação de mandatos na cidade. A questão irritou Bloomberg. Hoje em dia, prepotência em entrevistas coletivas se tornou sua marca registrada. “O que temos nós a ver com Hugo Chávez?”, ele rebateu.

Bloomberg usa sua própria fortuna, estimada em 17,5 bilhões de dólares, para dominar a campanha eleitoral. Calcula-se que tenha gasto, do bolso, cerca US$ 100 a 140 milhões. Seu rival, o democrata Bill Thomson, investiu US$ 6 milhões."

Sei que Jereissati tem uma simpatia natural por Bloomberg: ambos viajam nos seus próprios jatinhos, “porque podem” [Obs: a diferença é que Jereissati ousou abastecer o seu jatinho com dinheiro público, dinheiro das passagens oficiais do Senado...]. Mas espero ver, antes da eleição de terça-feira, um editorial de O Globo e um discurso do senador contra este “ditadorzinho latino americano” de Nova York."

FONTE: publicado hoje (01/11) no blog "De um sem mídia", copiado do "Blog do Brizola Neto" [exceto o pequeno adendo entre colchetes, colocado no último parágrafo por este blog, sobre o abastecimento do jatinho de Jereissati com dinheiro público]

Do blog Democracia&Política

sábado, 31 de outubro de 2009

Generosidade no dia de Finados

Lí no blog do Azenha e reproduzo iluminismo do jornalista Jeferson Melo.

“E aí vocês vão compreender porque a figura do chamado formador de opinião pública, que antes decidia as coisas nesse país, já não decide mais”. A aguda simplicidade da frase do presidente Lula, dirigida aos jornalistas que cobriam um evento em São Paulo, guarda uma verdade complexa e diz respeito à série de mudanças que atingem e redefinem, numa velocidade espantosa, o modo como se opera a comunicação social nesse início de século.

A constatação que os ditos formadores de opinião perderam importância mexeu com os brios da “mídia” brasileira, principalmente por expor um fato amplamente comprovado. Os “formadores de opinião” alcançaram alguma importância no início da década de 90, mas hoje, quase 20 anos depois, se tornaram irrelevantes. O próprio presidente Lula e sua popularidade estratosférica são o melhor exemplo da verdade contida no enunciado.

Assim como estabilizou sua aprovação popular na casa dos 80%, o presidente alcançou a unanimidade entre os articulistas, editorialistas, colunistas, comentaristas, pauteiros e até entre editores e repórteres da chamada grande imprensa. Quase todos, diariamente, se dedicam a atacar, distorcer e criticar negativamente todos os atos e ações do governo. E quando isso não é possível, a solução recorrente é a omissão dos fatos. E, mesmo assim, não se altera a percepção dos brasileiros.

A estratégia das empresas de comunicação brasileiras é adotada no momento em que o acesso à internet se expande e se consolida no país. Nesse meio, um turbilhão de informações está disponível ao cidadão, que pode ter acesso à fonte primária da notícia, além de opiniões distintas e variadas sobre qualquer tema de interesse. Gratuitamente. Os jornais, ao contrário, editorializaram a notícia e eliminaram a diversidade de opinião. Nos veículos brasileiros, independente de quem assina, o conteúdo pertence à mesma matriz ideológica. Uma ladainha monótona, com conclusão previamente conhecida. Não comporta análises, nem reflexões. É dispensável.

A última pesquisa Ibope Nilesen On Line mostra que 64,8 milhões de brasileiros já acessam a internet. Concomitantemente, o país registra a maior mobilidade social de sua história, com mais de 30 milhões ingressando na classe média. Gente que passou a consumir bens e produtos, entre os quais, a informação. E não é informação de jornal, porque estes registram retrações históricas de vendas, chegam aos números de tiragens de jornal de bairro. Também não é a informação veiculada nos velhos telejornais, que perdem o monopólio da audiência.

A lenda em torno do poder dos formadores de opinião ganhou corpo na década de 90, quando ainda vigorava a chamada “teoria da pedra no lago”, que recorria à imagem para comprovar que uma opinião emitida por determinada pessoa ou veículo se difundia através de ondas concêntricas para atingir parcela significativa da população. Com os blogs, sites, portais, páginas de relacionamentos, grupos sociais pendurados na internet, a água do lago perdeu a serenidade.

Receptores se transformaram em emissores. O lago é apedrejado diuturnamente. É uma babel onde o editorial, artigo ou reportagem da última edição faz tanta onda quanto a postagem de alguns blogueiros. Com a força que a crítica da mídia ganhou na internet, opiniões ou notícias publicadas pelos veículos tradicionais alcançam alguma relevância quando são alvos da desconstrução por parte dos blogs dedicados ao tema. Esse processo, estimulado pela falta de compromisso com a verdade por parte de quem noticia, mina o maior patrimônio de um veículo de comunicação: a credibilidade.

A internet produziu outro fenômeno, que é a difusão da informação de maneira colaborativa. Determinado assunto é debatido por diversas pessoas, que oferecem detalhes, novidades, opiniões e abordagens distintas sobre a questão em pauta. Tece-se uma rede ou uma corrente de opinião, cujos elos são mais fortes e perenes que ondinhas no lago. São recorrentes os exemplos em que os navegantes interferiram no rumo dos veículos ou no curso da história.

Casos como a farsa em torno dos atentados de Madri, em 2004, cuja versão que atribuía a autoria ao ETA para favorecer a eleição de Jose Maria Asnar foi desmentida. E também a coleção de pseudo-fatos gerados pela Folha de São Paulo, que incluem a tentativa de amenizar a ditadura militar no Brasil, classificando-a como “ditabranda”, neologismo do ditador Pinochet; o spam com a ficha fajuta da ministra Dilma Rousseff; ou o mexerico sobre “agilizar” processos na Receita Federal. Todos provocaram correntes de protestos e também de chacotas tendo como alvo o próprio jornal.

Uma rápida observação na escalação do time dos formadores de opinião brasileiros endossa a observação do presidente. O grupo se reduz a figurinhas carentes de credibilidade e adestradas para repetir um discursinho ultrapassado. Alguém, além dos senadores do DEM ou do PSDB, leva a Veja e seus colunistas a sério? Qual a importância das “análises” de Miriam Leitão ou de Lúcia Hipolyto, inimigas da lógica e divorciadas da realidade. Arnaldo Jabor, macaqueando asneiras na tela da TV influencia algo além do discurso do Agripino Maia para um plenário vazio? Ou o formador de opinião é o Willian Bonner, interpretando uma expressão indignada após exibir mais uma reportagem com discurso do presidente Lula. Dora Kramer e Eliane Catanhede, quando muito, incomodam suas manicures com seus discursos.

Engana-se quem pensa que o presidente Lula jogou uma pá de cal no formador de opinião. Ao expor a irrelevância alcançada por essa turma, ele generosamente depositou flores em túmulos abandonados.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Em Plena Universidade Uma Lição de Imbecilidade

Aconteceu em São Bernardo do Campo, cidade da Grande São Paulo no campus da UNIBAN - Universidade Bandeirantes. Uma jovem foi brutalmente hostilizada pelos estudantes por(pasmem), usar um vestido muito curto. Não sei nada a respeito do padrão moral dos que protestaram, muito menos sobre suas preferências sexuais ou até mesmo sua formação em moda/estilo.
O que me deixa perplexo é a selvageria, a brutalidade, a intolerância, o preconceito, a falta de percepção partindo justamente de um seleto grupo de pessoas que imaginávamos ter uma mente, digamos assim um pouco mais aberta. Lembrando que apenas 3% da população brasileira tem o ensino superior completo.
Qual a lição que fica?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Rede Globo (Drogas) e os Anunciantes


1 - Líder de audiência televisiva em horário Nobre
2 - Empresa anunciante líder do seu segmento
3 - Agência de Publicidade
3 - A matéria
4 - Telespectador ávido pelas últimas notícias e informações

1 - Sou líder de audiência no horário em rede nacional. Alcanço os mais longíncuos lugares deste enorme país informando diariamente milhares de pessoas das menores as maiores cidades, desde o mais iletrado até os doutores e pessoas das camadas mais altas da sociedade.

2 - Sou anunciante em horário nobre. Escolhi a líder de audiência para anunciar porque apesar do investimento elevado, tenho a certeza de que alcançarei milhares de pessoas que irão se interessar pelo meu produto e consequentemente terei retorno financeiro garantido.

3 - Sou a responsável pela conta do meu cliente e com a verba destinada pelo mesmo, devo buscar ferramentas e veículos que possibilitem o maior volume possível de inserção (comerciais) de seu produto para que ele possa se manter líder de seu segmento.

4 - Sou a matéria jornalística, a informação, aquilo que irá prender a atenção do telespectador que todos os dias se mantém ligado na empresa líder de audiência. Devo ser a mais terrível possível, guardada as devidas proporções, para que eu consiga atingir os corações e mentes dos telespectadores que acompanham o noticiário. Cada dia, ou mesmo por um certo período eu me transformo. Posso ser uma crise política, posso ser um acidente, posso ser um crime de pedofilia,enfim posso ser o que eu quizer. Ou melhor, posso ser aquilo que pessoas formadas em comunicação social escolhem para poder prender a sua atenção. Essas pessoas estudaram, são profundas conhecedoras do comportamento humano e sabem que vocês seres humanos tem uma forte ligação e queda com as tragédias, com os infortúnios, com as desgraças e isso faz com que eu vá de encontro ao que vocês desejam lá no seu íntimo, lá no seu inconsciente. Eu sou a matéria jornalística que prendo a sua atenção. Não preciso ser exatamente fiel, verdadeira, isenta. Na verdade raramente eu sou. Sou usada para prender sua atenção e na maioria das vezes formar a sua opinião com relação á assuntos que estão ligados aos interesses que não são os seus. Ok! confesso que sim, sou usurpadora. Voce não faz idéia dos interesses, dos joguetes, dos conluios, dos acordos de bastidores, das falcatruas que são impetradas na calada da noite com o simples intuíto de manipulação das massas. Eu sinceramente falando, sou detentora de um poder excumunal. Construo e destruo reputações. Levanto e derrubo sistemas de governos e até mesmo os próprios governos. E eu posso passar muito tempo martelando a mesma idéia na sua cabeça de maneiras diferentes para levá-lo a concordar em gênero, número e grau com a minha convicção. E não se engane: faço isso por interesse próprio.

4 - Sou o telespectador. Chego em casa e encontro minha esposa de mal humor, as crianças brigando, um caminhão de reclamações ao meu redor. Na empresa tenho que lidar com um chefe rabujento, intragável que passa o dia a comentar sobre crise e dificuldades financeiras. Rumores de que haverá cortes a qualquer momento e corro o risco de perder meu emprego. Sentado no sofá ligo a TV e sintonizo a líder de audiência para buscar um pouco de alento, ouvir as notícias e quem sabe ter uma informação de que as coisas estão melhorando e assim vislumbrar uma luz no fim do túnel.

Ao fim do noticiário, dirijo-me aos meus aposentos e da sala ouve-se um único tiro.

Opinião: Alguns segundos de filmes publicitários com pessoas lindas sorrindo de felicidade o tempo todo ao passear no último lançamento da industria automobilística, aquele gerente de banco sorridente e amável preocupado com o bem estar de seu cliente, a imensidão de árvores plantadas por determinada empresa mineradora para compensar o dano ambiental causado por décadas á fio, a família feliz e sorridente sentada á mesa de jantar degustando uma massa saborosa... Não representam nada diante da realidade, nem muito menos diante do estrago causado pelo noticiário sombriamente predatório e infeliz da LIDER DE AUDIÊNCIA!

Lula na Rede Record

Parte do discurso do Presidente Lula na inauguração do RECNOV, complexo televisivo para a produção de novelas, seriados e filmes da Rede Record no Rio de Janeiro.
Ontem 28 de Outubro.
Vale a pena conferir.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Media On: "jornalistas terão de perder arrogância", diz Benton

Um recado para o PIG. Só eles não perceberam ainda a ladeira abaixo que estão trilhando.



Vagner Magalhães
Direto de São Paulo
Site Terra

Com o avanço da internet, a sobrevivência dos jornais impressos está em risco e os jornalistas terão de mudar a sua postura profissional. A opinião é de Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos. Ele participa nesta noite do 3° MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, em São Paulo. O debate "Como o jornalismo de qualidade pode sobreviver e prosperar na era da internet" é moderado pelo jornalista Ricardo Lessa, da Globonews.

"Os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agir com seres humanos. A transição vai ser muito difícil para a maioria. Ainda temos muito a escrever, principalmente em investigar casos de corrupção. A internet treinou as pessoas para que elas recebessem as informações de uma forma social. Os repórteres tem de parar de encarar o seu público como um estorvo. Os jornalistas encaram os e-mails de um leitor como algo chato, principalmente quando endereçados ao editor. É hora de a voz institucional desaparecer. Os jornalistas online tem de encarar o leitor em primeira pessoa e dizer: 'isto nós sabemos e isto nós não sabemos'".

Ele afirma que, por exemplo, não assina jornais há bastante tempo. "A forma com que as pessoas recebem as notícias está mudando muito. Eu não assino jornal há muitos anos. Não tem nada a ver com grande jornalismo ou não. Nós nunca tivemos um jornal nacional nos Estados Unidos. Temos um país muito grande. Por isso a concorrência era mais restrita, o que levou a monopólios. Ter o monopólio no mercado nessas cidades, faz com que haja monopólio de preços. E quem quiser anunciar ali, tem de pagar o que eles exigem", diz. "As pessoas tem hoje outras possibilidades e as exploram. Não estão interessadas em pagar o que é a elas imposto".

De acordo com ele, certo tipo de jornalismo não será mais possível nos negócios. "O fato de o mercado não comportar isso, não quer dizer que o jornalismo investigativo vai deixar de existir. Muito mais pessoas queriam ver os anúncios, o cinema, do que as matérias investigativas".

Benton diz que hoje, o número de jornalistas em impressos dos Estados Unidos está nos mesmos níveis de 1971, 38 anos atrás. "O que temos hoje são cerca de 40 mil jornalistas nos EUA nessa área. Em 1992, eram 60 mil. A questão econômica ajudou nisso, mas o ponto central é o avanço da internet. Os jornais brasileiros estão hoje em melhores condições do que os do meu país".

Segundo Benton, "a busca da qualidade no jornalismo online é crescente e com o passar do tempo deve chegar no mesmo padrão dos jornais que temos hoje. Porém, a internet, em sua opinião, possui inúmeras opções que o jornal não tem. "Se o jornal publicar uma bela foto de uma flor, será apenas uma bela foto. A internet poderá mostrar a mesma foto em terceira dimensão, por exemplo".

De acordo com ele, as redes sociais, como o Twitter e o Facebook, devem crescer cada vez mais. "Com elas uma pessoa apenas pode propagar as suas ideias para outras. A pessoa não precisa sequer buscar. Ela as recebe, cadastrando previamente o contato. Isso muda muito a forma de as pessoas receberem essas informações".

Nassif: Oposição abandonou o barco da midia

"Um dos fenômenos mais ridículos dessa longa noite de insanidade política dos últimos anos, foi a terceirização da política pelo PSDB. Aqui analisei esse fenômeno, que é facilmente explicável.

Por Luis Nassif, em seu blog:

José Serra assumiu a herança de FHC. Juntos, vieram colunistas políticos e econômicos adeptos da internacionalização, do suposto papel civilizatória dos mercados, do racionalismo vesgo contra qualquer forma de gastos sociais, tendo como tacape um iPod que repetia mantras, slogans e refrões. Jamais conseguiram entender o país como um todo, composto de mercados eficientes, sim, mas também de políticas públicas, políticas sociais, indústria, agricultura, movimentos sociais.

As ideias de Serra não batiam com o reducionismo deles. Em vez de cumprir o papel de líder, convencendo-os de que os tempos mudaram, de que esse neoliberalismo exacerbado era coisa velha até para os mercadistas empedernidos, que política e política econômica são feitas com pragmatismo e não com ideologização de porta de banco de investimento, o neo-Serra decidiu não entrar em nenhuma dividida. E se eximiu da função básica de qualquer candidato a líder: fornecer o fio condutor das ideias capaz de organizar o discurso de seus liderados.

Com o campo das ideias em aberto, sem ninguém para os coordenar, a comitiva midiática desembestou. Imersos em um ataque continuado de megalomania, colunistas se viram como os novos heróis da civilização cristã ocidental, que fez com que as meninas daqui, colunistas culturais e de variedades dali, colunistas políticos e econômicos, até cronistas de costumes, poetas e produtores musicais do eixo Paulista-Ipanema se transmudassem em condutores de povos. Disseminando o quê? Slogans, preconceitos e fel.

Imagino meus amigos colunistas políticos e econômicos em um palanque lavando as mãos com álcool depois de cumprimentar qualquer um do “povo” – aliás, único ponto em comum com Serra. Só o fato de se lembrarem que um dia foram povo já os deixa com crises existenciais profundas. E foram eles que passaram a “ensinar” ao PSDB como falar para o povo e como falar para a elite.

No continente, todas as políticas neoliberais geraram derrotas políticas estrondosas e o advento de governos populares (como Lula), ou populistas (como Chávez). No campo popular, essa insensibilidade sepultou partidos e governantes. No campo dos conceitos, o neoliberalismo virou pó com a eclosão da crise.

E nossos condutores de povos, conhecendo apenas o ambiente restrito e auto-referenciado de suas fontes, pretendendo orientar a oposição sobre como se comunicar com o Brasil. Mal conhecendo a Avenida Paulista e o Itaim, queriam expelir regras para o país. O Brasil se tornou o museu da cera desse neoliberalismo de orelha de livro.

Agora, caiu a ficha da oposição. E as meninas, impossíveis, passam a puxar a orelha de todo mundo, do governador A, que teve um gesto de gentileza aqui; do B, que compareceu a uma cerimônia com Lula ali; do C, que não xingou o Judas do presidente acolá.

A oposição abandonou os condutores de slogans. Porém, tarde demais para reconstruir seu discurso político.

O grande desafio, daqui para frente, será a construção de uma nova oposição, provavelmente de centro-direita – elemento fundamental para o aprimoramento das instituições nacionais. A atual, morreu. Ou melhor, suicidou-se."

FONTE: escrito pelo jornalista Luis Nassif, em seu blog, e reproduzido hoje (27/10) no portal "Vermelho".

Rui Daher - Noves Fora

Publicado no Blog Terra Magazine hoje 27 de Outubro.


Entre 5 e 7 mil pés de laranja. A precisão da mídia ficou por conta apenas da imagem que, tantas vezes repetida, parecia buscar a permanência eterna. O trator visto assim do alto - salve Paulinho da Viola - mais parecia um brinquedo passando por cima de enfeites perfeitamente enfileirados e espaçados.

A ação de militantes do Movimento dos Trabalhadores sem Terra que ocupavam fazenda arrendada pela Cutrale visava chamar atenção para um impasse judicial que discute a titularidade daquelas terras com o INCRA. O feitiço virou contra o feiticeiro e o foco acabou se concentrando no ato de vandalismo do MST.

Tomemos a pior hipótese, mesmo sabendo que a mídia não é de facilitar as coisas para o MST. Foram sacrificadas sete mil laranjeiras em plena produção e prontas para a colheita. Conta pra cá, pra lá, produtividade, espaçamento, número e peso de caixas por pé médios, conclusão: cerca de dois milhões de frutos podem ter sido destruídos.

Sem dúvida um crime que recebeu a condenação quase geral da sociedade e levou o movimento a ganhar uma CPI que os aparelhos ruralistas tentavam, sem êxito, obter.

Espanta-me pensar em tantas alternativas de protesto sem que fosse necessário agredir a natureza e que, certamente, trariam repercussão maior e positiva. Por exemplo: convidarem-se para a inauguração do Club A do transfigurado apresentador Amaury Jr.

Mas, então, noves fora, a história se esgota com a perda das laranjas, as imagens tristes e a CPI? Nada disso. O fato merece discussão mais ampla.

Comecemos pela Cutrale, empresa emblemática do cartel que existe no setor e há muito tempo responsável por milhões de laranjas perdidas em razão dos preços que paga pelo produto e que não cobrem os custos dos produtores, dos contratos com cláusulas leoninas, e das constantes mudanças de regras nas épocas de colheita.

A partir dos anos 1990, a citricultura nacional passou a ser prejudicada por um cartel que faz da destruição do pomar pelo MST doce veneno. O complexo citricultor é um dos mais cartelizados do País, mas nem por isso dá CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico), cadeia, ou CPI.

A indústria se concentra em quatro empresas (Citrovita, Cutrale, Fischer e Louis Dreyfus) que, em parceria com grandes engarrafadoras (Coca, Pepsi, etc.), controlam o processo desde a produção da fruta até o suco nos supermercados.

Em menos de quinze anos, mais de 20 mil citricultores abandonaram a cultura em São Paulo. Alguns se mudaram para o complexo sucroalcooleiro, um pouco mais brando. Hoje, a indústria da laranja já produz 50% do produto que processa.

Claro que ouviremos da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação, incensada no último artigo do ex-ministro Roberto Rodrigues, na Folha, como excepcional defensora da agropecuária nacional, que a balança comercial, patatipatatá.

Não acreditem. Não é de hoje que o Brasil é líder na produção e exportação de laranja. Com uma vantagem. Antes do cartel isso se espalhava com força por um universo de pequenos e médios produtores altamente capacitados que residiam em municípios citricultores gerando emprego e renda. A industrialização podia ser feita através de cooperativas, como a FRUTESP, e os preços eram negociados entre o campo e a indústria com mediação do governo, balizados pelo mercado internacional. Nada disso existe mais.

Exercer o poder econômico dessa forma também é ato de vandalismo. Com repercussões muito maiores.

Não esperem que isso dê em CPI. E se desse, todos sabemos como terminaria.

Rui Daher é administrador de empresas, consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

domingo, 25 de outubro de 2009

Aprendizado da Rede Globo

Não acompanho novelas, quase não assisto aos programas ditos humorísticos da grande rede, nem realitys ou domingões, porém nas raras vezes que ligo a TV e sintonizo a rede globo o que me chama atenção são as lições de vida que ela transmite, incute, verbaliza e banaliza:

Eu aprendo que posso ser um sacana, um garanhão que pode pegar todas as mulheres ao seu redor, posso ser um golpista sem escrúpulos e que o dinheiro tudo pode, justifica os meios e me dá status.

Minha mulher aprende que pode ser uma vadia vez ou outra, pode me trair, não cuidar da sua honra e dar mais valor as futilidades e prazeres momentâneos no seu dia a dia.

Meu filho fica confuso e aprende que pode ter a opção sexual que lhe vier á cabeça independente de ser menino ou menina e que é até charmoso nos dias atuais assumir publicamente a sua vontade, independente da sociedade ao redor.

Minha filha sabe que a vulgaridade faz parte da vida das mulheres de uma maneira charmosa e que ser chamada de cachorra é algo natural e de certa maneira a destaca das demais do seu convívio. Ela sente-se uma pop star.

A TV nos deixa burros e brutos todos os dias, mas não nos damos conta!

SP: engenheiro diz que Nova Marginal se esgotará rapidamente

Tudo muito bonito quando se passa na marginal tietê aqui em São Paulo e se vê máquinas trabalhando a todo vapor nas obras de ampliação de pistas. Alguém acredita que há solução para o caótico trânsito da metrópole, apenas com essa ampliação de pistas? Abaixo entrevista ao Terra de especialista em engenharia de tráfego.
Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

O sufoco que o paulistano vai viver até fevereiro do próximo ano, quando cinco pontes da Marginal Tietê serão fechadas parcialmente para obras, trará uma recompensa pequena quando as obras estiverem prontas. Essa é a opinião do consultor em engenharia de tráfego e transportes Horácio Augusto Figueira, para quem a obra de ampliação da Marginal Tietê, que ganhará três novas faixas de rolamento em cada sentido, estará saturada rapidamente.

Na opinião dele, o grande erro na execução do processo foi não se utilizar nenhum metro do novo espaço que priorizasse o transporte coletivo. "É uma política equivocada. Se você tem uma moto, vou te dar uma faixa exclusiva. Se você comprar um carro, vou te dar novas faixas. E para o transporte coletivo, nem um metro está sendo feito", afirma. Segundo ele, com o aumento do espaço para os carros, veículos que hoje não trafegam pela Marginal vão passar a fazê-lo. "A demanda reprimida é muito grande. Quando começar a andar um pouco, muita gente vai passar a usar o veículo e fica de novo tudo parado", afirma.

Desde as 23h da última segunda-feira as pontes da Freguesia do Ó, da Casa Verde e da Vila Maria passaram por alterações na circulação e bloqueios parciais de faixas para a realização de obras de ampliação da Marginal Tietê, via expressa que passa pelas zonas norte, oeste e leste de São Paulo. A ponte do Limão terá interdição parcial a partir do dia 1º de novembro. A das Bandeiras, a partir do dia 7 de novembro. A reforma das pontes é necessária para que as novas pistas possam passar sob elas. A previsão é de que todas estejam liberadas ao tráfego em 8 de fevereiro, para o reinício do ano letivo.

Nesta sexta-feira, a Dersa, que administra as marginais, liberou para o trânsito os dois primeiros trechos da obra de ampliação das pistas. São 3,4 quilômetros de extensão de um total de 15 quilômetros que integram a nova pista central, resultado das obras de ampliação que tiveram início em junho. Estes dois trechos estão localizados no sentido Ayrton Senna-Castelo Branco. O primeiro, de 2,2 km, situa-se entre a Ponte da Freguesia do Ó e a Ponte da CPTM. O segundo, de 1,2 km, tem início 200 metros antes da Ponte do Tatuapé e vai até a saída da Rodovia Presidente Dutra.

Leia os principais trechos da entrevista:

Terra - Essas interdições todas de uma vez são a melhor solução para a cidade? Havia como se fazer isso de outra maneira?
Horácio Augusto Figueira
- É uma questão de consenso. Vai se gastar ali uma fortuna sem se fazer um quilômetro de faixa exclusiva de ônibus. Com a demanda reprimida, as três faixas ali vão ser ocupadas rapidinho. Essa gestão tem agido assim: se você tem uma moto, vou te dar uma faixa exclusiva. Se você comprar um carro, vou te dar novas faixas. E para o transporte coletivo nem um metro está sendo feito. Na marginal está faltando a questão do transporte coletivo. Aí você vai perguntar, onde é que você iria colocar o corredor aí? Poderia ser do lado do rio. Pegar uma faixa ali, com ultrapassagem, com passarelas ligando um lado ao outro da marginal. As pontes poderiam ser usadas como acesso a passageiros. Como é o trem da CPTM ao longo da Marginal Pinheiros, que não cruza para o outro lado do rio, mas leva até a esquerda.

Terra - O custo de R$ 1,3 bilhão se justifica, sob a lógica de que o transporte coletivo não foi priorizado? -
Figueira - Vamos ver o custo disso. Quando a obra foi anunciada, o orçamento para ela seria de R$ 1,3 bilhão. Parece que esse valor até já aumentou. Mas vamos falar desse primeiro número, para não levar muita pedrada. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a ocupação média dos veículos em São Paulo é de 1,4 passageiro por veículo. A capacidade de cada uma dessas faixas, por hora, é de mais menos 1,5 mil veículos. Ou seja, se passarem nove mil veículos nas seis faixas por hora, eles vão transportar cerca de 12,6 mil pessoas nesse intervalo. Uma hora de pico corresponde a cerca de 10, 12% dos que passam ali o dia todo. Vamos usar 10 para a conta ficar mais simples. Serão pelo menos 126 mil usuários transportados diariamente pelas novas faixas.

Terra - A qual custo?
Figueira
- É onde eu quero chegar. Se dividirmos o valor da obra pelo número de beneficiados, serão cerca de R$ 10 mil por cliente atendido diariamente nesse sistema. Qualquer corredor em um sistema nos padrões da marginal, sem semáforos, com ônibus biarticulado, utilizando paradas com ultrapassagem, seria capaz de transportar 21 mil pessoas por sentido a cada hora, no pico. Isso utilizando apenas uma faixa. Um corredor desse tipo poderia ser implantado a um custo de até R$ 400 milhões. Vamos imaginar o seguinte, em setembro, tudo operando. Os caminhões não rodam na marginal. Estou sendo utópico. As dez faixas - incluindo as que já estão em operação - vão transportar no máximo 21 mil pessoas por hora. Ou seja, custa 10 vezes mais por passageiro atendido e ocupa 10 vezes mais espaço para transportar a mesma quantidade de seres humanos. A pergunta que eu faço é? Que cidade a gente quer?

Terra - Na sua opinião, houve discussão suficiente para a realização da obra?
Figueira
- Parece que foi meio atropelado e que o projeto está sendo tocado junto com a obra para se encaixar no calendário político. Independente da obra estar planejada há um ano, ela foi acelerada. Por essa lógica, o automóvel fica com nove décimos do viário para transportar metade da demanda. Isso é criminoso, é cruel. Espero estar errado na Marginal. A ponte estaiada não durou uma semana. Foi o prazo para começar a ficar congestionada.

FONTE: Redação Terra em 25.10.09

sábado, 24 de outubro de 2009

Eduardo Guimarães(Brilhante)

Esse texto lí no Blog do Eduardo Guimarães, um indivíduo que considero um verdadeiro fora de série.
Aqui ele aborda mais um tema contundente, que existe e faz parte da nossa vida e história, mas que porém não gostamos de olhar para ele.
Nem mesmo quando ele passa a ser a nossa pauta jornalística e televisiva, incrustado no nosso cotidiano medíocre.... Deus Salve o Brasil!

VEJAM O QUE FIZERAM

Eduardo Guimarães

Este texto, dirijo àqueles que, à diferença de pessoas como eu, semearam o que agora toda esta sociedade colhe, mas que, hipócritas, tentam fazer crer que o que acontece hoje da Rocinha a Heliópolis, da Barra da Tijuca aos Jardins, começou agora.

Eu vos acuso de não terem sensibilidade social, de quererem se locupletar à custa da miséria de legiões de brasileiros que mal e porcamente sobrevivem nos guetos onde vós os segregastes, à custa dos que não têm escolas para que seus filhos tenham uma chance na vida, porque, quando governantes fazem boas escolas para o povo, dizeis que são “caras”.

Eu vos acuso de exigirem dos governantes que, em vez de prisões que recuperem essa meninada perdida, mandem os infratores, ainda imberbes, para masmorras onde se tornarão profissionais do crime, feras enlouquecidas, e vos acuso de só prenderem os pobres, sobretudo os pobres e os pretos, e, mais ainda, os pobres, pretos e nordestinos.

Eu vos acuso de sustentarem o tráfico de drogas deixando, por omissão, que vossos filhos e filhas, mimados e sem valores, passem pelas bordas das favelas e comprem o veneno que os levará até a agredir trabalhadoras pobres, a queimarem mendigos vivos, a desembestarem pelas ruas com as máquinas infernais que lhes foram doadas por seus papais e mamães tão amorosos.

Eu vos acuso de combaterem com unhas e dentes cada mínima tentativa de direcionar uma fração irrisória de vossas fortunas para o sustento (físico e espiritual) dos miseráveis, e de fazerem isso em um dos dez países de maior concentração de renda do mundo.

Eu vos acuso de pregarem o ódio racial chamando os nordestinos de “baianos” em São Paulo e de “paraíbas” no Rio, mesmo esse indivíduo não sendo da Bahia ou da Paraíba, contanto que tenha traços de negro mais acentuados. Eu vos acuso, pois, de racismo.

E eu vos acuso de negarem o racismo ao escreverem livros dizendo que vós não sois racistas, pois, como sabem, são raros os negros e mestiços que admitem em vossos palácios e festas.

E vos acuso, por fim, de quererem calar os que vos acusam ao monopolizarem a comunicação de massas, e de terem conseguido fazê-lo completamente por toda a história até que surgisse a internet e não pudessem mais impor censura total.

Por todas essas acusações é que vos digo: vejam só o que fizeram com o Rio, com São Paulo, com Porto Alegre, com Recife, com o país todo ao negarem aos mais pobres a mais tênue esperança de vencer na vida apesar de condição social, cor da pele e região do país.

Agora, colheis o que plantastes. Não reclamai, portanto.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Fracassomaníacos

Como sempre o iluminado Emir Sader em suas reflexões dotadas de sabedoria.
Lí no blog Democracia&Política.

FRACASSOMANÍACOS

"A invenção se deve às ironias com que FHC tentava desqualificar o debate. Conhecedor que era, se dedicou a essa prática, alimentada pelo despeito, o rancor e a inveja de ver seu sucessor se dar muito melhor do que ele. E os tucanos se tornaram os arautos da fracassomania, porque o governo Lula não poderia dar certo. Senão, seria a prova da incompetência, dos que se julgavam o mais competentes.

Lula fracassaria porque não contaria com a expertise (expressão bem tucana) de gente como Pedro Malan, Celso Lafer, Paulo Renato, José Serra, os irmãos Mendonça de Barros, entre tantos outros tucanos. O governo Lula não poderia dar certo, senão a pessoa mais qualificada para dirigir o Brasil – na ótica tucana -, FHC se mostraria muito menos capaz que um operário nordestino.

Por isso o governo Lula teria que fracassar economicamente, com a inflação descontrolada, a fuga de capitais estrangeiros, o “risco Brasil” despencando, a estagnação herdada de FHC prolongada e aprofundada, o descontentamento social se alastrando, as divergências internas ao PT dividindo profundamente ao partido, o governo se isolando social e politicamente no plano interno, além do plano internacional.

A imprensa se encarregou de propagar o fracasso do governo Lula. Ricardo Noblat, apresentando o livro de uma jornalista global, afirmava expressamente, de forma coerente com o livreco de ocasião, que “o governo Lula acabou” (sic). A crise de 2005 do governo era seu funeral, os urubus da mídia privada salivavam na expectativa de voltarem a eleger um dos seus para se reapropriarem do Estado brasileiro.

FHC gritava, no ultimo comício do candidato do seu partido, que havia relegado seu governo, com a camisa para fora da calça, suado, desesperado, “Lula, você morreu”, refletindo seus desejos, em contraposição com a realidade, que viu Lula se reeleger, sob o cadáver político e moral de FHC.

Um jornalista da empresa da Avenida Barão de Limeira relatava o desespero do seu patrão, golpeando a mesa, enquanto dava voltas em torno dela, dizendo: “Onde foi que nós erramos, onde foi que nós erramos?”, depois de acreditar que a gigantesca operação de mídia montada a partir de uma entrevista a um escroque que o jornal tinha feito, tinha derrubado ao governo Lula.

Ter que conviver com o sucesso popular, econômico, social e internacional do governo Lula é insuportável para os fracassomaníacos. Usam todo o tempo de rádio, televisão e internet, todo o espaço de jornal para atacar o governo, e só conseguem 5% de rejeição ao governo, com 80% de apoio. Um resultado penoso, qualquer gerente eficiente mandaria a todos os empregados das empresas midiáticas embora, por baixíssima produtividade.

Como disse, desesperadamente, FHC a Aécio, tentando culpá-lo por uma nova derrota no ano que vem: “Se perdermos, são 16 anos fora do governo...” Terminaria definitivamente uma geração de políticos direitistas, entre eles Tasso, FHC, Serra - os queridinhos do grande empresariado e da mídia mercantil.

Se Evo Morales dá certo, quando o FHC de lá – o branco, que fala castelhano com sotaque inglês -, Sanchez de Losada, fracassou, é derrota das elites brancas, da mesma forma que se Lula dá certo, é derrota das elites brancas paulistanas dos Jardins e da empresa elitista e mercantil da Avenida Barão de Limeira."

FOMTE: texto do filósofo e cientista político Emir Sader publicado no site "Carta Maior".

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DIA DO PROFESSOR EM SÃO PAULO

Essa parte não aparece nos jornais que defendem o presidenciável Zé Pedágio.

Professores e profissionais da área de educação de São Paulo fizeram hoje (15), Dia do Professor, manifestação em frente à Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República, pedindo melhores salários para a categoria.

O Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado (Udemo) havia proposto que os professores participassem do protesto nus, mas o que se viu na Praça da República, no centro de São Paulo, foram cerca de 200 pessoas usando aventais que simulavam, com desenho, o formato do corpo humano. Alguns dos manifestantes também usaram narizes de palhaço no protesto.

"É o nu pedagógico. É uma metáfora em relação à situação educacional no estado de São Paulo, que é uma calamidade. É o desnudamento dessa educação deletéria que temos em São Paulo", afirmou o presidente do sindicato.

Segundo a presidente do Sindicato de Supervisores do Magistério Oficial do Estado de São Paulo, Maria Cecília Mello Sarno, o objetivo da categoria com o ato de hoje foi mostrar que não há nada para comemorar no Dia do Professor.

"Não tivemos nenhum reajuste no governo de José Serra, a não ser a incorporação de duas gratificações, o que dá um reajuste pífio de menos de 5% nos vencimentos", reclamou Maria Cecília. Ela informou que os professores e profissionais da educação do estado reivindicam reajuste para recompor perdas salariais desde 1998, o que corresponde a 27,5%.

A Agência Brasil procurou a Secretaria Estadual de Educação, que, no entanto, não se pronunciou sobre a manifestação.

Obs. deste blog: E por acaso em alguma área de gestão destes ignóbeis demotucanos existe o mínimo de satisfação condizente com a realidade e o caos da cidade e do estado?
Onde estará o Bóris para dizer na cara do Serra: Isto é um vergonha!!! (Sei que isso jamais seria dito por ele, pois é mais um vendido aos interesses elitistas).

Emir Sader e a Folha!

Lí no blog "Democracia&Política e reproduzo neste espaço:

"FOLHA" É CONTRA O FORNECIMENTO GRATUITO DE UNIFORMES ESCOLARES
Os Frias defendem democracia contra as crianças brasileiras

"Na semana passada a empresa "democrática" prestou mais um serviço à democracia brasileira, ao desmascarar o governo federal, que pretende – de forma demagógica, populista, com recursos públicos – cometer mais um crime contra a democracia: doar gratuitamente uniformes escolares para 50 milhões de crianças.

A família Frias é uma família "democrática". O pai, democraticamente, legou ao filho a direção da empresa que dirigia há décadas, para garantir que continue sendo uma empresa defensora da democracia.

O filho, desde então, é democraticamente reeleito pelo Comitê Editorial para dirigir a empresa do seu pai. Escreve democraticamente os editoriais do jornal para expressar a opinião da empresa, sem consulta aos jornalistas – que ele mesmo escolhe e demite para democraticamente trabalhar na empresa.

Em nome da democracia, a empresa emprestou graciosamente seus carros para serem usados pela Oban – Operação Bandeirantes -, que zelava, durante a ditadura militar, pela democracia, em nome da qual – com o apoio entusiasta dos jornais da empresa – deu o golpe militar de 1964 -, seqüestrando, torturando, fuzilando, desaparecendo pessoas que se opunham à democracia. Assim a democracia brasileira foi salva de um governo eleito – antidemocraticamente – pela maioria do iletrado (tanto assim que não consome os produtos da empresa Frias) povo brasileiro.

Na semana passada a empresa democrática prestou mais um serviço à democracia brasileira, ao desmascarar o governo federal, que pretende – de forma demagógica, populista, com recursos públicos – cometer mais um crime contra a democracia: doar gratuitamente uniformes escolares para 50 milhões de crianças. Não importa o fato, mas que, alem de gastar recursos dos impostos que a empresa não paga ao governo, fazê-lo em ano eleitoral (dois dos quatro anos do mandato são eleitorais, o que deveria fazer com que um governo democrático se abstivesse desses atos populistas pelo menos durante a metade do seu mandato, cumprindo com os mandatos democráticos do Estado minimo).

Danem-se os 50 milhões de crianças. Afinal, não são consumidores das mercadorias produzidas pelas empresas Frias, não consomem automóveis do ano, não viajam três vezes por ano ao exterior, não bebem uísque importado – em suma, não são leitores que interessem às agencias de publicidade que mantêm, com a propaganda dos seus produtos, a família e suas empresas. Danem-se então. As grandes empresas têm o direito democrático de seguir recebendo isenções, subsídios, créditos, etc., durante os quatro anos dos mandatos, porque seus proprietários e acionistas são pessoas isentas, que só pensam nos interesses do Brasil, não se deixariam levar, de forma mesquinha, nas suas preferências eleitorais, por medidas justas que um governo democrático deve tomar, para resguardar as empresas privadas, democraticamente.

Mas as criancinhas, os seus pais, sedentos de vantagens governamentais para venderem seus votos, sem consciência cívica, serão vitimas dessas medidas que só prejudicam a classe média dos jardins paulistanos, quando acabam tendo que pagar algum imposto, para vê-lo ser desviado para uma obra assistencialista.

Bem fez o candidato democrático dos Frias à presidência, que quando passou fugazmente pela prefeitura de São Paulo, teve tempo de corrigir o abuso dos recursos públicos da sua sucessora petista, que havia doado gratuitamente os uniformes para as crianças das escolas municipais. Esse desperdício foi rapidamente corrigido pelo democrático tucano – perdão pela redundância, tucano é sinônimo de democrata -, que instituiu a publicidade nos uniformes das crianças das escolas públicas.

Mas como se trata de um democrata com critério, proibiu que esses uniformes portassem publicidade de bebidas alcoólicas e de cigarros. As crianças poderiam circular com publicidade de bancos, do McDonald, de empresas de telefonia, dos jornais e revistas dos Frias. Poderiam assim, além de contribuir para as arcas da prefeitura, democraticamente, para que fossem construídos viadutos e tuneis para o eleitorado tucano, se sentir como corredores de Fórmula 1, povoados de publicidades.

Esse o destino que o serrista-friista promete para as 50 milhões de crianças que venham a receber os uniformes que, de forma antiditatorial, o governo federal, na sua ânsia incontida de corromper o espírito do povo ignorante e conquistar seus votos, pretende com essa medida que, felizmente para a democracia, a democrática família Frias denunciou."

FONTE: escrito pelo filósofo e cientista político Emir Sader e postado originalmente no Blog do Emir. Reproduzido ontem (14/10) nos portais "Carta Maior" e "Vermelho".

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Le Monde - Lula Inventa Universidade do Século 21

Até me assustei agora pela manhã quando ví essa notícia no Site Terra.
É tanta sacanagem e má notícia com relação ao Governo Federal que até o momento ainda não estou acreditando que estão repercutindo algo de positivo, mesmo que tenha sido publicado num jornal francês.

Aleluiaaaaaaa

Na edição desta quarta-feira, o jornal francês Le Monde publica uma elogiosa reportagem sobre educação no Brasil, na qual afirma que, com sua política para a área, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "inventa a universidade brasileira do século 21".

Em um caderno especial sobre educação, o correspondente do jornal em São Paulo, Philippe Jacqué, afirma que o presidente Lula deu "um sopro de oxigênio ao ensino superior" e multiplicou, desde 2002, planos para dinamizar as universidades do país.

O Le Monde cita como exemplos a Universidade Federal do ABC, em São Paulo, criada em 2005, para "formar os engenheiros do futuro" e as inovações da Universidade Federal do ABC, "na zona operária onde Lula começou sua carreira".

"O governo federal não economizou na Universidade ABC. Meio bilhão de euros foi injetado. Desde 2005, pelo menos 280 professores foram contratados, todos titulares de um doutorado".

Reformulação total
O Le Monde afirma também que a equipe jovem de professores, com idade média de 35 anos, corresponde ao desejo de reformular totalmente o modelo universitário brasileiro.

"Na Universidade ABC, não há departamentos de disciplinas, mas centros de pesquisas multidisciplinares para facilitar a cooperação". Outra inovação da Universidade ABC, segundo o diário francês, é a criação de 300 bolsas de iniciação à pesquisa por ano.

O jornal afirma ainda que o presidente Lula desenvolveu instrumentos para facilitar o acesso ao ensino universitário. "Com apenas 4,9 milhões de universitários (16% dos brasileiros entre 18 e 24 anos), o país não soube até o momento democratizar o seu ensino superior", escreve o Le Monde, afirmando que é a classe média alta, em grande maioria, que tem acesso às 200 instituições de ensino superior público e gratuito.

O jornal lembra que o sistema universitário brasileiro, "seletivo", favorece alunos com maior poder aquisitivo, que são mais bem preparados porque puderam estudar nas melhores e mais caras escolas privadas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Emir Sader fala e Sempre DIZ!

"A mídia mercantil (melhor do que privada) tem um critério: o que for bom para o Lula, deve ser propagado como ruim para o Brasil. A reunião de mandatários sulamericanos em Bariloche – que o povo brasileiro não pôde ver, salvo pela Telesul, e teve que aceitar as versões da mídia – foi julgada não na perspectiva de um acordo de paz para a região, mas na ótica de se o Lula saiu fortalecido ou não.

O golpe militar e a ditadura em Honduras (chamados de “governo de fato”, expressão similar à de “ditabranda”) são julgados na ótica não de se ação brasileira favorece o que a comunidade internacional unanimemente pede – o retorno do presidente eleito, Mel Zelaya -, mas de saber se o governo brasileiro e Lula se fortalecem ou não. Danem-se a democracia e o povo hondurenho.

A mesma atitude têm essa mídia comercial e venal diante da possibilidade de o Brasil sediar as Olimpíadas. Primeiro, tentaram ridicularizar a proposta brasileira, a audácia destes terceiromundistas de concorrer com Tóquio, com Madri, com Chicago de Obama e Michelle. Depois, passaram a centrar as matérias nas supostas irregularidades que se cometeriam com os recursos, quando viram – mesmo sem destacar nos seus noticiários – que o Rio tinha passado de azarão a um dos favoritos, graças à excelente apresentação da proposta e ao apoio total do governo. Agora se preparam para, caso o Rio de Janeiro não seja escolhido, anunciar que se gastou muito dinheiro, se viajou muito, para nada. Torcem por Chicago ou outra sede qualquer, que não o Rio, porque acreditam que seria uma vitória de Lula, não do Brasil.

São pequenos, mesquinhos, só veem pela frente as eleições do ano que vem, quando tentarão ter de novo um governo com que voltarão a ter as relações promíscuas que sempre tiveram com os governos, especialmente com os 8 anos de FHC. Não existe o Brasil, só os interesses menores, de que fazem parte as 4 famílias – Frias, Marinho, Civitas, Mesquita – que pretendem falar em nome do povo brasileiro.

O povo brasileiro vive melhor com as políticas sociais do governo Lula? Danem-se as condições de vida do povo. Interessa a popularidade que isso dá ao governo Lula e as dificuldades que representa para uma eventual vitória da oposição. A imagem do Brasil no exterior nunca foi melhor? A mídia ranzinza e agourenta não reflete isso, porque representa também a extraordinária imagem de Lula pelo mundo afora, em contraposição à de FHC, e isto é bom para o Brasil, mas ruim para a oposição.

O que querem para o Brasil? Um Estado fraco, frágil diante das investidas do capital especulativo internacional, que provocou três crises no governo FHC? Um país sem defesa ou dependente do armamento norteamericano, como ocorreu sempre? Menos gastos sociais e menos impostos para ter menos políticas sociais e menos direitos do povo atendidos? Um povo sem autoestima, envergonhado de viver em um país que eles pintam como um país fracassado, com complexo de inferioridade diante das “potências”, que provocaram a maior crise econômica mundial em 80 anos, que é superada pelos países emergentes, enquanto eles seguem na recessão?

São expressões das elites brancas, ricas, de setores da classe média alta egoísta, que odeia o povo e o Brasil e odeia Lula por isso. Adoram quem se opõem a Lula – Heloísa Helena, Marina, Micheletti -, não importa o que digam e representem. Sua obsessão é derrotar Lula nas eleições de 2010. O resto, que se dane: o povo brasileiro, o país, a situação de vida da população pobre, da imagem do país no mundo, da economia e do desenvolvimento econômico do Brasil.

O que é bom para o Lula é ruim para eles e tentam fazer passar que é ruim para o Brasil. É ruim para eles, as minorias, os 5% de rejeição do governo, mas é muito bom para os 82% de apoio ao Lula."

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vagabundagem até na Paixão Nacional - O Futebol

Sem comentários! Apenas reproduzir já basta. Que vergonha... Até no futebol???

Confira a íntegra da carta escrita por Zezé Perrella:

Vergonha e Indignação:

"A partida entre Cruzeiro e Palmeiras entrou para a relação dos grandes absurdos do futebol brasileiro em 2009. Não há como aceitar que os escabrosos erros cometidos pela arbitragem de Evandro Rogério Roman sejam considerados normais e aceitáveis em um só jogo. Causa ainda mais perplexidade o fato de ser apenas uma equipe penalizada: coincidência ou má intenção?

Ao se falar desse árbitro, só resta imaginar que se trata de uma pessoa leviana.

E são os acontecimentos que nos levam a pensar assim. Por mais absurdo que isso possa fazer parte da história do futebol brasileiro, mesmo após o escândalo envolvendo o árbitro Edilson Pereira de Carvalho.

No Campeonato Brasileiro de 2009, na partida entre São Paulo e Cruzeiro, dia 31 de maio, no Morumbi, Evandro Rogério Roman teve sua primeira atuação caótica e reprovável em nossos jogos. No primeiro tempo, validou um gol escandaloso do atacante Washington, depois que o jogador do time paulista puxou pela camisa o volante Henrique. Nesse mesmo jogo, Roman ainda confirmou um gol marcado pelo Dagoberto em posição de impedimento e deixou de punir a perseguição ao atacante Kléber, que sofreu quatorze faltas. O desempenho de Evandro Rogério nessa partida foi reprovado por toda a crônica esportiva.

Diante de erros tão estapafúrdios, o presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Corrêa, reconheceu a lastimável performance do senhor Roman e anunciou o afastamento do mesmo do Campeonato Brasileiro. Mas, pasmem: Evandro Rogério ficou longe dos campos por apenas uma rodada.

Para surpresa ainda maior, o responsável pelo quadro de árbitros da CBF designou a volta de Evandro Rogério Roman ao apito em partidas do Cruzeiro no jogo frente ao Grêmio, no Estádio Olímpico, no dia 2 de agosto. E, para a nossa incredulidade, esse senhor voltou a ser lesivo contra o clube mineiro ao expulsar dois de nossos atletas em lances considerados normais no futebol, segundo a imprensa nacional.

Mesmo assim, a Comissão de Arbitragem e seu presidente parecem gostar de brincar com a cara de pessoas, clubes e torcidas. Para a partida contra o Palmeiras, quando o Cruzeiro pode ter jogado suas últimas esperanças de conseguir uma vaga na Copa Libertadores de 2010, pela terceira vez no Campeonato Brasileiro foi designado esse mesmo árbitro. De novo quero perguntar: apenas coincidência?

Poderia ser, caso Rogério Roman tivesse sido correto em suas marcações e se mostrado imparcial. Mas não foi o que vimos. Desta feita, pelo menos três pênaltis claros deixaram de ser marcados a favor do Cruzeiro. Novamente perdemos um jogo importantíssimo com esse cidadão no apito. De forma capciosa, o senhor Roman já nos tirou nove pontos nessa disputa. Mas, muito mais grave do que seus desacertos é a suspeita que fica no ar em relação à idoneidade dessas pessoas que têm poderes no futebol.

O cheiro de armação e manipulação parece estar novamente presente na cabeça de todos que acompanharam a partida. Suspeita que se torna ainda mais fundada depois que, na semana passada, a imprensa denunciou que o senhor Sérgio Corrêa tem despachado todas as sextas-feiras da sede da Federação Paulista de Futebol. Se for verdadeira essa acusação, tal postura nos parece gerar constrangimentos e ser antiética.

Também é inaceitável ouvir o senhor Sérgio Corrêa dizer que está fazendo uma grande reciclagem na arbitragem do futebol brasileiro e que os resultados vão surgir em 2014. Ora, quer dizer que até lá, o principal campeonato nacional, mostrado para diversos países do mundo, vai servir de laboratório?

O presidente da Comissão de Arbitragem, que inegavelmente persegue o Cruzeiro Esporte Clube, se mostra uma pessoa despreparada, sem competência, omissa e de pulso fraco. Ao anunciar hoje uma nova punição ao Evandro Rogério Roman, esperamos que esse senhor não fraqueje como em outras oportunidades e retorne com o apitador para o futebol.

Em pelo menos duas outras ocasiões, o mesmo juiz já foi punido pela Comissão. Em 2003, por ter tido uma arbitragem calamitosa em jogo entre Corinthians e Goiás pelo Campeonato Brasileiro, e em 2008, por "erros generalizados em lances básicos" na partida entre Londrina e Engenheiro Beltrão, segundo o próprio Sérgio Corrêa.

Aliás, será que também não chegou a hora de a Comissão passar por uma reciclagem e ser presidida por uma pessoa que realmente entenda de arbitragem, que tenha coragem para tomar decisões, que seja isenta, coerente, que saiba punir, cobrar e dar exemplo?

O senhor Sérgio Corrêa está longe de ter esse perfil.

Atenciosamente,

Zezé Perrella

Presidente do Cruzeiro Esporte Clube"