sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Le Monde e LULA - Reconhecimento do Estadão

MÍDIA - A escolha de Lula pelo Le Monde.


Homenagem do Le Monde a Lula repercute no Estadão

Gilles Lapouge, o veterano correspondente do Estado de S. Paulo em Paris, comenta no jornal paulista desta sexta-feira (25) a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como 'personalidade do ano 2009' pelo jornnal Le Monde, que considera "o melhor periódico da França". Lapouge conclui, olhando a foto de Lula na capa do Monde, que a Providência desta vez "acertou em cheio", pois "valeu a pena". Veja o artigo.

Lula no jornal: 'Figura simpática'
O jornal Le Monde é o melhor periódico da França. Uma referência internacional. Na véspera do Natal, parte da sua primeira página foi ocupada por uma figura sorridente, simpática, simples - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este ano, com efeito, e pela primeira vez, o Le Monde nomeou o brasileiro "personalidade do ano", como faz na América Latina o Times.

O diretor do jornal explicou as razões. "Barack Obama? Ele merecia essa indicação no ano passado, mais do que este ano. Putin? Ou Mahmoud Ahmadinejad? Não, Le Monde pretende ser um jornal de reconstrução e de esperança. Na linha do "positivismo de Auguste Comte", ele toma o partido dos "homens de boa vontade".

Um retrato de Lula foi feito pelo correspondente do jornal no Brasil, Jean-Pierre Langellier. O fio condutor? O Brasil, que há tanto tempo tinha o rótulo interessante, mas deprimente de "país do futuro", encontrou finalmente o seu futuro. "Como um gigante por muito tempo adormecido, ele acorda, se endireita, se estica, descobre os seus músculos e olha longe, para além da sua própria imensidão, para o mundo, que aspira ser um dos principais protagonistas".

No texto, ele ressalta a espontaneidade do presidente. "Sua autoridade natural, seu carisma, seu humor despertam simpatia e respeito. Tão à vontade nas favelas quanto nas sessões de foto na primeira fila ao lado de chefes de Estado seus pares, Lula é popular aqui e lá".

Jean-Pierre Langellier destaca também a impressão que Lula provocou em outro homem fascinante, Barack Obama. Lula foi o primeiro dirigente americano a ir à Casa Branca e Obama recebeu-o, dizendo "ele é o cara". Mais adiante, acrescenta que "Lula foi o seu próprio herói. À força da inteligência, coragem e obstinação, ele se forjou um destino improvável que é um exemplo para os mais humildes".

Langellier fala dos discursos de Lula. "Sua trajetória fora do comum é confirmada por suas palavras. Quando ele evoca o destino dos camponeses do Nordeste obrigados a beber água suja do rio, ou a epopeia dos migrantes, desenraizados como ele e que se tornaram metalúrgicos na periferia de São Paulo, sua palavra é legítima". Mesmos nos raros momentos em que Lula se autoriza ser mais vulgar, sua palavra ainda assim tem algum peso. Como quando disse "quero tirar o povo da merda onde ele se encontra".

E Langellier continua com um desfile de sucessos e triunfos do Brasil, por exemplo em matéria econômica, mas insiste sobretudo na dimensão internacional que Lula quis, obstinadamente, se dar.

Há muito tempo, Lula declarou: "Quero mudar a geografia política e econômica do mundo. O Brasil não pode ficar sentado na cadeira esperando ser descoberto".

E seguem algumas etapas dessa subida do Brasil para as grandes cúpulas. A elevação do G-20, do qual Lula é um membro ativo, à condição de diretório informal da economia mundial e, depois, essa chacota de Lula: "Gostaria de passar à posteridade como o primeiro presidente brasileiro que deu dinheiro ao FMI. Emprestar para o FMI não é chique?". Em 2009, o Brasil emprestou US$ 1,3 bilhão ao Fundo Monetário Internacional.

Quando terminamos de ler o longo artigo de Langellier, voltamos à primeira página. E olhamos longamente a foto do presidente brasileiro.

E nos dizemos que a Providência ou o destino dos povos, tão cega, tão mal inspirada ou tão frívola no geral, desta vez acertou em cheio. Uma figura simpática como essa, realmente vale a pena.

Fonte: O Estado de S. Paulo
Lido no Blog de Um Sem Mídia

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

1ª Confecom: o Brasil que a mídia monopolista escondeu

Reproduzo artigo do Site "O Vermelho" com uma leitura-resumo sobre a Primeira Conferencia Nacional de Comunicação realizada em Brasilia neste mês de Dezembro. Claro que o PIG foi, é e será eternamente contrário á essa nova ordem proposta para a comunicação de massas no Brasil.
Mas vale lembrar que somos um povo independente de tudo, menos da mídia golpista e corporativista. Precisamos há muito tempo de informações verdadeiras, isentas, realistas e não de lavagem cerebral nem muito menos sermos adestrados como bichos pelos "mesmos de sempre".
(A televisão me deixou burro muito burro demais... agora todas coisas que eu penso me parecem iguais...- Titãs na música televisão de 1985).
Até agora é simplesmente assim que se comporta o PIG, fazendo o que bem entende com a cabeça da população. Mas esse quadro já está em profunda transformação.

Os barões da mídia tiveram que se confrontar, durante os debates da 1ª Confecom, com um Brasil ausente do noticiário impresso e eletrônico. É o Brasil real, inquieto, insubordinado e em profunda transformação, e do qual eles, os monopolistas da comunicação, não gostam.

Por José Carlos Ruy

E recusam debater. Antes mesmo da realização da Confecom (que reuniu em Brasília 1684 delegados, de todos as unidades da federação, entre 14 e 17 de dezembro) seis das oito entidades representativas dos grandes jornais, revistas e redes de televisão, anunciaram sua recusa em debater uma formatação democrática para o exercício do direito constitucional da comunicação, que os barões da mídia reduzem a um mero negócio privado que deve, em sua opinião, ficar ao abrigo da lei e de qualquer regulamentação.

Terminada a conferência, feito júpiteres olímpicos, lançaram seus raios condenatórios contra a reunião e contra os que participaram dela e aprovaram teses contarias aos interesses dos monopolistas. O jornal O Globo puxou uma ladainha patronal unânime ao caracterizar as medidas aprovadas "restritivas à liberdade de imprensa, de expressão e da livre iniciativa". O editorial do Jornal Nacional do dia 16 tentou — como era previsto — desqualificar a conferência. Alegou que sua representatividade estava "comprometida" pois "seis das mais importantes entidades empresariais" deixaram de participar dela por considerarem “as propostas de estabelecer um controle social da mídia uma forma de censurar os órgãos de imprensa, cerceando a liberdade de expressão, o direito à informação e a livre iniciativa, todos previstos na Constituição”.

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert, cujo principal membro é a Rede Globo) chamaram de “preocupante” e um “retrocesso” o resultado da conferência. A revista Veja, um notório baluarte dos interesses mais conservadores em nossa sociedade, comparou em seu site o modelo "da imprensa com que sonham os representantes formais da esquerda no Brasil" ao diário cubano Granma, e disse que a cara desse modelo "é de arrepiar". Para Veja, o resultado "do encontro foi um funesto documento que revela quão vigorosamente os impulsos totalitários correm na veia da maioria de seus signatários". O título do editorial da edição seguinte à Confecom (a Carta do Leitor da edição de 23/12/2009) assegurava: "Eles querem banir a liberdade de imprensa", com propostas "estapafúrdias" para "amordaçar a imprensa"; no final, pediu o enterro "do entulho autoritário, socializante e retrogrado produzido na Confecom". O Estado de S. Paulo, quase sempre sóbrio em seus editoriais, perdeu as estribeiras e disse que a medida mais sensata do governo seria, andar "para a lata do lixo" todas as propostas aprovadas pela Confecom.

O motivo de toda esta aversão fica nítido quando se examina a lista das principais teses aprovadas na semana passada em Brasília. Elas incluem desde a criação do Conselho Nacional de Comunicação (que o baronato midiático tenta desqualificar chamando-o de Conselho Federal de Jornalismo para lembrar a proposta que foi debatida em 2004 e teve repulsa geral), uma nova Lei de Imprensa, o código de ética para o jornalismo (com a garantia explícita do direito de resposta do acusado por matéria jornalística, a definição de abuso do direito de liberdade de imprensa e as penalidades no caso de transgressões devidamente comprovadas), a cláusula de consciência (inaceitável para os patrões, costumeiros em impor aos jornalistas pautas que afrontam sua consciência, sua ética e suas convicções), a cota de 10% da programação educativas, culturais, informativas e artísticas no rádio e na tevê e de 50% de programação nacional nos pacotes de tevê por assinatura, a redução de 30% para 10% a presença de capital estrangeiro nas empresas brasileiras de comunicação, além de medidas que favorecem a rádio e tevê comunitárias (as propostas aprovadas foram listadas no artigo “Veja quais foram as bandeiras históricas aprovadas na Confecom”, de Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação, republicada no Vermelho).

Um dos saldos da Confecom foi explicitar a alienação profunda dos monopolistas brasileiros da mídia em relação ao Brasil e a seu povo, cuja imagem real não é aquela que seus meios de comunicação noticiam. Os delegados presentes à Confecom (não só da sociedade civil, mas também muitos empresários pequenos e médios) reiteraram a exigência de democratização profunda deste chamado "quarto poder" constituído pela mídia. Ele é um dos únicos "poderes", ou uma das únicas "instituições", que não viveram as mudanças democráticas do quarto de século desde o final da ditadura militar de 1964, e que vivem ainda num mundo onde impera a lógica coronelística anterior mesmo à revolução liberal de 1930. O Brasil está mudando e precisa de uma comunicação atualizada com suas novas exigências de aprofundamento da democracia, salvaguarda dos interesses populares e nacionais, e defesa da nação. O que se assistiu em Brasília, durante 14 a 17 de dezembro, foi a manifestação de que a mídia dominante não serve para isso, e precisa ser mudada. Desse ponto de vista, a 1ª Confecom foi vitoriosa, principalmente pela aprovação de medidas capazes de subordinar o caráter empresarial da mídia à sua função constitucional de informar livre, ampla e multilateralmente.
Fonte: O Vermelho

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Como "Operar" o Direito no Brasil - Segundo Guilherme Hanesh

Lido no Blog Viomundo do Luiz Carlos Azenha.
















 21/12/2009 - 23:04
Lições sobre processo penal
Por Guilherme Hanesh, no
blog do Nassif

Lições de processo penal, conforme ensinamentos dos sábios advogados do banqueiro. Leitura obrigatória para qualquer estudante de direito:

1) Quando a coisa apertar no Juiz de primeira instância, promova uma campanha de difamação contra ele na imprensa, pague lobistas, jornalistas e assessores de imprensa para dizerem que o Juiz é isso ou aquilo, lance suspeição sobre casos passados, assassine reputações, utilize sites de assessoria jurídica para reforçar as teses e depois vá a qualquer tribunal superior e alegue suspeição do magistrado. A suspensão do processo é líquida e certa.

2) Se o Juiz de primeira instância estiver julgando rápido, estiver convicto dos crimes, entupa o escaninho dele de petições. 100, 200, 300, 600, não importa, desde que sejam muitas. Alguma delas o Juiz não vai conseguir responder adequadamente, alguma delas será esquecida na mesa de um assistente qualquer, e basta isso para que se diga que o Juiz não respeitou o direito de defesa. Depois, vá aos tribunais superiores e pronto. Direito de defesa assegurado, juiz sob suspeição, caso encerrado.

3) Quando quiser alegar cerceamento de direito de defesa, é fácil: plante em um ou dois veículos de imprensa amigos a história de que entre as provas está uma agenda telefônica de alguém com dados comprometedores sobre qualquer coisa. Depois, diga ao Juiz de primeira instância que você não está achando essa informação, mas que o dado “saiu na imprensa” e que constaria entre as provas. Peça para o Juiz mandar escanear todas as dezenas de milhares de páginas do processo, copiar não sei quantas vezes todos os CDs e DVDs, passar para um pendrive todos os arquivos eletrônicos, e se possível peça isso para o dia seguinte. O Juiz certamente vai dizer que isso é desnecessário ou protelatório. Vá então ao STF e peça para que um ministro qualquer mande colocar tudo em um caminhão e mandar para Brasília. É garantia de sucesso.

4) Quando a coisa estiver feia mesmo, lembre-se que acima do Supremo há ainda o Conselho Nacional de Justiça, que é um Supremo de um homem só. Ali pode-se resolver qualquer parada, desde uso de algema até suspeição de juiz.

5) Na semana que começarem a ouvir testemunhas e suspeitos dos crimes praticados, sobretudo se o crime for lavagem de dinheiro e evasão de divisas para fundos Anexo IV, é fundamental soltar na imprensa camarada umas notinhas do tipo “as provas foram mal interpretadas” ou “misturaram fundos brasileiros com estrangeiros” ou ainda “nossos advogados, fulano e ciclano, garantem que todos os cotistas estarão protegidos pois atestarão que nunca fizeram nenhum depósito no fundo de Cayman”. Enquanto o ser humano não desenvolve a habilidade da telepatia, essa é a melhor forma de combinar depoimento.

6) Aproveite, sempre, a época do recesso do Judiciário para entrar com pedidos de habeas corpus ou liminares. O recesso acontece duas vezes ao ano, em um total de quatro meses por ano, então a chance de conseguir aproveitar uma data festiva dessas é de 25%. É nessa época que as decisões são tomadas por um homem só, que fica mais fácil falar com o juiz, desembargador ou ministro, e conseguir uma canetada com pelo menos dois meses de validade.

7) Não se preocupe se a lógica disser que todas essas medidas são absurdas. Você está no Brasil. Aqui, há independência entre os poderes, desde que a independência seja o Judiciário dá palpite em tudo, o Legislativo é dependente do bolso de alguém e o executivo tem ministros bananas que ou dão guarida às teses dos bandidos plantadas pela imprensa amiga, sobretudo no caso envolvendo maletas de espionagem, ou são bananas a ponto de abaixarem a cabeça para o auto-proclamado “chefe” do Judiciário. E o presidente? Ah, se você der sorte, o presidente terá 75% de aprovação e estará sem nenhuma vontade de colocar a mão nesse vespeiro.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Juiz do STJ erra e favorece o banqueiro Daniel Dantas

Daniel Dantas - o banqueiro bandido segundo o Delegado Protógenes - recebe quase que um indulto de natal da justiça em São Paulo. Justiça? (sic).
Abaixo artigo do Maierovitch:

Daniel Dantas
Daniel Dantas

O Superior Tribunal de Justiça, por decisão cautelar do ministro Arnaldo Esteves Lima, da 5ª Câmara, (1) suspendeu  as apurações policiais relativas à Operação Satiagraha, (2) afastou o juiz Fausto de Sanctis e (3) paralisou todos os atos investigatórios e processuais em curso.

No jargão popular, “colocou-se tudo no congelador”. Tudo paralisado, no interesse do potente banqueiro Daniel Dantas, já condenado à pena de 10 anos de reclusão e mais R$12 milhões de multa patrimonial por consumada corrupção.

Por coincidência, a decisão judicial faz recordar uma certa interceptação telefônica referente à “quadrilha” do banqueiro Dantas, que, num restaurante da capital de São Paulo e com tudo filmado e gravado, quis corromper a polícia federal.

Da referida interceptação constou que Daniel Dantas apenas temia os juízes de primeiro grau, instância inicial. Nos tribunais superiores, acertava tudo.

O ministro Arnaldo Esteves Lima errou e minou, com a sua decisão, a segurança social, pública. Suspender toda a atividade policial diante de um oceano de indicativos de crimes graves, representa, no mínimo, um ato temerário, data vênia. Uma inversão tumultuária, contra o prevalente interesse público e à luz de veementes indícios de gravíssimos crimes.

Em outras palavras, com habeas corpus canhestro conferido a Daniel Dantas pelo ministro Gilmar Mendes, e confirmado por voto do relator Eros Grau, ambos do Supremo Tribunal Federal (STF), só faltava parar com a investigação e o processo. E Daniel Dantas, com a liminar do ministro Arnanldo Esteves Lima, conquistou, embora provisoriamente,  um “bill” (declaração) de indenidade.

Afastar um juiz cautelarmente por suspeição, tudo bem. Mas, não colocar outro no lugar, em substituição e para tocar atos urgentes, só favorece o infrator, ou melhor, a criminalidade operada pelos potentes.
Mais uma vez, Daniel Dantas obtém sucesso na Justiça.

Pano Rápido: Um pequeno aviso. Não estamos mais no tempo do obscurantismo. Portanto, decisão judicial pode ser comentada e criticada. Num Estado democrático, a decisão judicial tem de ser cumprida, mas não está imune à crítica.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–
Fonte: Blog Sem Fronteiras

Carta Maior: O embate entre o governo Lula e a Rede Globo

O embate entre Lula e a Globo poderia ser resumido como uma disputa pela verossimilhança, um bem escasso no mercado noticioso brasileiro. Ao participar quase que diariamente de atos ou eventos públicos, o presidente dialoga de forma direta com a população, estabelecendo um contrato de confiança que contrasta com a obstinação dos meios dominantes em montar um discurso noticioso divorciado dos fatos que, às vezes, beira a ficção. O artigo é de Dario Pignotti, publicado originalmente no Le Monde Diplomatique (Edição Cone Sul e Espanha).

No início da década de 1980, centenas de milhares de brasileiros cantaram em coro “O povo não é bobo, abaixo a rede Globo!”, quando a corporação na qual se apoiou a ditadura militar censurou as mobilizações populares contra o regime militar, utilizando fotonovelas e futebol para tentar anestesiar a opinião pública. Hoje, um segmento crescente do público brasileiro expressa seu descontentamento frente o grupo midiático hegemônico. Medições de audiência e investigações acadêmicas detectaram um dado, em certa medida inédito, sobre as relações de produção e consumo de informação: a credibilidade da rede Globo, inquestionável durante décadas, começa a dar sinais de erosão.

Contudo, é possível perceber uma diferença substantiva entre a indignação atual e o descontentamento daqueles que repudiavam a Globo durante as mobilizações de três décadas atrás em defesa das eleições diretas (1). Em 1985, José Sarney, primeiro presidente civil desde o golpe de Estado de 1964, obstruiu qualquer pretensão de iniciativa reformista relativa à estrutura de propriedade midiática e ao direito à informação, em cumplicidade com a família Marinho – proprietária da Globo, da qual, aliás, era sócio. O atual chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva, parece disposto a iniciar a ainda pendente transição em direção à democracia na área da comunicação.

No início de 2009, no Fórum Social Mundial realizado na cidade de Belém, Lula convocou uma Conferência Nacional de Comunicação. A partir daí, mais de 10 mil pessoas discutiram em assembléias realizadas em todo o país os rumos da comunicação e definiram propostas para levar para a Conferência, realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília. “É a primeira vez que o governo, a sociedade civil e os empresários discutem a comunicação; isso, por si só, já é uma derrota para a Globo e sua política de manter esse tema na penumbra (...) O presidente Lula demonstrou estar determinado a instalar na sociedade um debate sobre a democratização das comunicações; creio que isso terá um efeito pedagógico e poderá converter-se em um dos temas da campanha” (de 2010), assinala Joaquim Palhares, diretor da Carta Maior e delegado na Conferência.

O embate entre Lula e a Globo poderia ser resumido como uma disputa pela verossimilhança, um bem escasso no mercado noticioso brasileiro. Ao participar quase que diariamente de atos ou eventos públicos, o presidente dialoga de forma direta com a população, estabelecendo um contrato de confiança que contrasta com a obstinação dos meios dominantes em montar um discurso noticioso divorciado dos fatos que, às vezes, beira a ficção.

Lula configura um “fenômeno comunicacional singular; o povo acredita nele, não só porque fala a linguagem da gente simples, mas porque as pessoas mais carentes foram beneficiadas com seus programas sociais; isso é concreto, o Bolsa Família atende a 45 milhões de brasileiros que não prestam muita atenção ao que diz a Globo”, observa a professora Zélia Leal Adghirni, doutora em Comunicação e coordenadora do programa de investigação sobre Jornalismo e Sociedade da Universidade de Brasília.

“Por que Lula ganhou duas vezes as eleições (2002 e 2006), uma delas contra a manifesta vontade da Globo? Por que Lula tem uma popularidade de 80%?”, pergunta Adghirni (2), para quem “as teorias de comunicação clássica que estudamos na universidade não são aplicadas ao fenômeno Lula.Desde a teoria da ‘agulha hipodérmica’ até a da ‘agenda setting’, dizia-se que os meios formam a opinião ou pautam o temário do público, mas com Lula isso não ocorre: os meios de comunicação estão perdendo o monopólio da palavra”.

Por outro lado, como se sabe, a construção de consensos sociais não se galvaniza só com mensagens racionais ou versões críveis da realidade, também é necessário trabalhar no imaginário das massas, um território no qual a Globo segue sendo praticamente imbatível. A empresa do clã Marinho controla o patrimônio simbólico brasileiro: é a principal produtora de novelas e detém os direitos de transmissão das principais partidas de futebol e do carnaval carioca (3).

Frente à gigantesca indústria de entretenimento da Globo, o governo é praticamente impotente. Não obstante, a imagem do presidente-operário provavelmente ganhará contornos míticos em 2010, com o lançamento do longa-metragem Lula, o filho do Brasil, que será exibido no circuito comercial e em um outro alternativo (sindicatos e igrejas). O produtor Luis Carlos Barreto prevê que cerca de 20 milhões de pessoas assistirão à história do ex-torneiro mecânico que se tornou presidente, o que seria a maior bilheteria da história no país.

O balanço provisório da política de comunicação de Lula indica que esta tem sido errática. Em seu primeiro mandato (2203-2007), impulsionou a criação de um Conselho de Ética informativa, iniciativa que arquivou diante da reação empresarial. Após essa tentativa fracassada, o governo não voltou a incomodar as “cinco famílias” proprietárias da grande imprensa local, até o final de sua primeira gestão.

Em seu segundo governo – iniciado em 1° de janeiro de 2007, Lula nomeou Hélio Costa como ministro das Comunicações, um ex-jornalista da Globo que atua como representante oficioso da empresa no ministério. Mas enquanto a designação de Costa enviava um sinal conciliador aos grupos privados, Lula seguia uma linha de ação paralela.

Em março de 2008, o Senado, com a oposição cerrada do PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aprovou o projeto do Executivo para a criação da Empresa Brasileira de Comunicações, um conglomerado público de meios que inclui a interessante TV Brasil, para a qual, em 2010, o Estado destinará cerca de 250 milhões de dólares. O generoso orçamento e a defesa da nova televisão pública feita pelos parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) indicavam que Lula havia decidido enfrentar a direita política e midiática. Ao mesmo tempo em que media forças com a Globo – ainda que não de forma aberta -, Lula aproximou posições com as empresas de telefonia (interessadas em participar do mercado de conteúdos e disputar terreno com a Globo) e algumas televisões privadas, como a TV Record -de propriedade de uma igreja evangélica (4).

A estratégia foi tomando contornos mais firmes no final do mês de outubro quando Lula defendeu, durante uma cerimônia de inauguração dos novos estúdios da Record no Rio de Janeiro, o fim do ‘pensamento único’ capitaneado por alguns formadores de opinião (em óbvia alusão à Globo) e a construção de um modelo mais plural. Dias mais tarde, o mesmo Lula afirmava: “Quanto mais canais de TV e quanto mais debate político houver, mais democracia teremos (...) e menos monopólio na comunicação” (5).

Com um discurso monolítico e repleto de ressonâncias ideológicas próprias da Doutrina de Segurança Nacional (como associar qualquer objeção à liberdade de imprensa empresarial com ocultas maquinações “sovietizantes”), o grupo Globo lançou uma ofensiva, por meios de seus diversos veículos gráficos e eletrônicos, contra a incipiente tentativa do governo de estimular o debate sobre a atual ordem informativa, que alguns definem como um “latifúndio” eletrônico.

O primeiro passo neste sentido, assinala Joaquim Palhares, foi “esvaziar e boicotar a Conferência Nacional de Comunicação, retirando-se dela, dando um soco na mesa e saindo impestivamente para tentar deslegitimá-la”, movimento seguido por outros grupos midiáticos. O segundo movimento consistiu em articular um discurso institucional para fazer um cerco sanitário contra o contágio de iniciativas adotadas por governos sulamericanos como os da Argentina, Equador e Venezuela, orientadas na direção de uma reformulação do cenário midiático.

A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABERT) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) “temem que o que ocorreu na Argentina se repita no Brasil; eles vêem essa lei como uma ameaça e começaram a manifestar sua solidariedade com a imprensa da Argentina”, afirma Zélia Leal Adghirni. O receio expresso pelas entidades representativas dos grandes conglomerados midiáticos é o seguinte: se o descontentamento regional contra a concentração informática ganha força junto à opinião pública brasileira, poderia romper-se a cadeia de inércia e conformismo que já dura décadas e, quem sabe, iniciar-se um gradual – nunca abrupto – processo de democratização.

O inverso também se aplica: se o Brasil, liderado por Lula, finalmente assumir como suas as teses do direito à informação e à democracia comunicacional, é certo que essa corrente de opinião, atualmente dispersa na América Sul, poderá adquirir uma vertebração e uma legitimidade de proporções continentais.

NOTAS

(1) Esse objetivo finalmente foi frustrado pelo regime, socorrido pela Globo, que montou um simulacro eleitoral proibindo o voto direto, graças ao qual os generais deixaram o poder sem sobressaltos nem investigações sobre violações de direitos humanos.

(2) A respeito da vitória de Lula nas eleições de 2006, ler Bernardo Kucinski, “O antilulismo na campanha de 2006 e suas raízes”, in. Venício Lima (compilador), “A mídia nas eleições de 2006”, Perseu Abramo, São Paulo, 2007.

(3) Em 1989, o então candidato à presidência Lula foi objeto de um golpe midiático, perpetrado pela Globo que, para impedir sua vitória, fabricou a candidatura de Fernando Collor de Mello, que deixaria o mandato em 1992, cercado de escândalos de corrupção. Dario Pignotii, “Globo: o partido mais poderoso do Brasil”, Le Monde Diplomatique, edição Cone Sul, Buenos Aires, setembro de 2007.

(4) Nos últimos anos, a TV Record, que pertence a neopetencostal Igreja Universal do Reino de Deus, arrebatou parte da audiência cativa da TV Globo, contra a qual iniciou uma guerra de denúncias. A Record veiculou um programa especial sobre a Globo, onde repassou seus vínculos com a ditadura. Por sua parte, a Globo denunciou calotes cometidos pela Record que, segundo investigações judiciais, estaria desviando dinheiro do dízimo dos fiéis.

(5) Luiz Inácio Lula da Silva, declarações na inauguração da nova sede do canal Rede TV, em Osasco, área metropolitana de São Paulo, 13/11/2009.

(*) Jornalista, Brasília, Doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo

Le Monde Diplomatique, edição Cone Sul.


Tradução: Katarina Peixoto

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Nassif : A inapetência administrativa de Serra

Luiz Nassif faz uma leitura sobre o Governo Serra em SP. Simplesmente perfeito.


Do Último Segundo

Coluna Econômica 21/12/2009

Independentemente das eleições do próximo ano, quando baixar a poeira permitindo uma avaliação serena de sua administração, o governador José Serra não entrará para a história da administração pública do Estado.
Pelo contrário, o balanço de três anos de gestão revela um mérito – administração financeira responsável – e uma falta de vontade de administrar poucas vezes vista no Estado.
Mesmo a Geraldo Alckmin – que tem lacunas como administrador – não faltava vontade de fazer, embora tivesse dificuldades evidentes para escolher o secretariado e definir políticas públicas inovadoras.
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No caso de Serra, um dos fatores que pesou foi o fato de, desde o início, estar com a cabeça na futura eleição para presidente da República. Com isso, toda sua energia passou a ser canalizada para articulações e para algo inusitado para um governante com sua responsabilidade: monitorar e responder às críticas da imprensa. Certa vez, em reunião do secretariado, admitiu que chega a gastar três horas por dia lendo os jornais e articulando reações ou respostas a pontos que não lhe agradam.
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Costuma dormir às quatro da manhã. De madrugada passa mensagens pelo Twitter – sistema de mensagens curtas da Internet. Dormindo tarde, começa a trabalhar tarde.
Seu dia não começa antes das 11 da manhã – em geral, em compromissos fora do Palácio Bandeirantes. Praticamente não participa das reuniões do Secretariado.
Cada Secretário encolheu-se em sua área, faz o seu trabalho sem que Serra tenha noção clara do que acontece no seu governo. Nas reuniões, seu único empenho consiste em cobrar a aceleração de obras, para poder entregar no decorrer de 2010.

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Entra no jogo apenas em momentos de crise. Quando isso ocorre, não raras vezes emperra o processo decisório com indecisões frequentes.
Na greve da Polícia Civil, por exemplo, permitiu que o caldeirão entrasse em fervura recusando-se durante semanas a receber representantes do movimento. Só tomou uma decisão quando eclodiram conflitos em frente do Palácio Bandeirantes. Na semana seguinte, aceitou sem pestanejar todas as reivindicações dos policiais – inclusive a de reduzir o tempo de trabalho para aposentadoria de 35 para 30 anos.

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Quando explodiu a crise mundial, industriais paulistas procuraram o Palácio Bandeirantes atrás de medidas que ajudassem a amenizar o desastre – especialmente em máquinas e equipamentos, setor que experimentou queda de 40% na produção.
Serra passou meses sem receber as lideranças. Aí a Abimaq (que representa os fabricantes) acertou um pacto com a CUT e a Força Sindical – que ameaçaram com uma manifestação em frente o Palácio. Só aí Serra aceitou algumas concessões tributárias ao setor, além de destinar uma verba – proveniente de recursos da venda da Nossa Caixa – para financiamento ao setor. Já era mês de março.
Se estivesse à frente do governo federal, essa demora teria sido fatal para a superação da crise.

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O resultado desse desinteresse se reflete no descontentamento que grassa em seu secretariado – no qual os Secretários são desestimulados a mostrar seu trabalho e Serra, por desconhecimento do que se passa, é incapaz de mostrar realizações na imprensa.

O caso Detran – 1

Logo no início do seu governo, foi estimulado por alguns secretários a tirar o Detran das mãos da Polícia Civil. Alguns funcionários, egressos do governo Mário Covas, lembravam-se do drama do governador. Necessitando de fundos de campanha, foi obrigado a aceitar a sobrevivência dos esquemas do Detran. Mas quando falava do tema, chegava a chorar de raiva e de impotência.

O caso Detran – 2

Com Serra entrando, o caixa de campanha fornido, foi-lhe sugerido limpar a área. Serra recusou com receio da reação da cúpula da Polícia Civil. “Até Pernambuco, de Jarbas Vasconcellos, fez essa limpeza “, contava-me um alto funcionário do secretariado de Serra. Hoje São Paulo é um dos cinco ou seis estados da Federação que ainda não conseguiu romper com os esquemas do Detran.

A gripe suína – 1

A dificuldade em gerenciar o Estado explode em vários outros episódios. Jamais recebeu lideranças de suinocultores no Palácio. Quando ocorreu o famoso episódio da gripe suína – na qual Serra gravou uma entrevista (que virou campeã do Youtube) relacionando a gripe com os porcos -, vendo o estrago convidou o setor para um almoço. Todos foram para o restaurante Varanda Grill e ficaram aguardando o governador.

A gripe suína – 2

Serra chegou atrasado, com uma equipe de TV a tiracolo. Mal cumprimentou os presentes, pediu um bife de carne suína, cortou um pedaço, levou à boca – tudo devidamente registrado pelos cinegrafistas – despediu-se secamente e foi embora. A intenção foi apenas a de registrar cenas, caso os adversários resolvessem explorar o tema na campanha.

Esvaziamento – 1

São Paulo tem as melhores universidades, os melhores institutos de pesquisa do país, as melhores empresas, a infra-estrutura mais completa, os melhores quadros intelectuais. Caso Serra ainda tivesse mantido a energia de outrora, poderia ter mudado a face do país a partir de São Paulo. Com sua inapetência administrativa, houve um afastamento gradativo dos melhores quadros do partido.

Esvaziamento 2

O grande desafio dos próximos anos será a recomposição da oposição, o renascimento do PSDB sob outra base. Aparentemente houve o esgotamento completo da geração que emerge das diretas. FHC já está fora do jogo; Serra joga sua última cartada. Mas o egocentrismo das velhas lideranças, o desaparecimento dos grandes vultos, como Franco Montoro, Mário Covas, impediram a renovação do partido. A nova geração surgirá apenas quando a velha for afastada pelo tempo.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Repercussão do Discurso de Lula na COP-15

Apesar do desfecho lamentável do (não) acordo da COP-15 para redução das emissões de gases na atmosfera e o controle do aquecimento global, as opiniões de especialistas foram muito favoráveis ao discurso do Presidente Lula e como não poderia deixar de ser, extremamente negativos com o desempenho pífio de Barack Obama.

Do Site Terra
Lúcia Müzell
Direto de Copenhague


Críticos elogiam Lula e falam em "decepção" sobre Obama

Um discursou logo após o outro no plenário da Conferência do Clima de Copenhague, na Dinamarca, mas os resultados das falas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama foram diametralmente opostos nos corredores do Bella Center, onde acontece o evento. Enquanto Lula entusiasmou os poucos otimistas que ainda restam no centro de conferências, Obama foi alvo de críticas e decepcionou os que esperavam que ele pudesse mudar o rumo das negociações na reta final.

As diferenças já puderam ser vistas durante os pronunciamentos: Lula teve quatro vezes o discurso interrompido por aplausos, enquanto Obama nenhuma vez - apesar de as palavras do americano serem as mais aguardado de todo o evento. Ao final dos discursos, mais uma vez as palmas enfáticas para o brasileiro se distanciaram dos aplausos meramente protocolares dispensados ao americano.

"O Lula mandou muito bem e abriu a porta para quem sabe as negociações tomarem outro rumo", disse Paulo Adário, um dos coordenadores do Greenpeace Brasil. Adário elogiou a postura de vanguarda que o Brasil assumiu, ao oferecer contribuição financeira para o Fundo Global de Mudanças Climáticas para os países pobres. "A gente sabe que o Brasil não é mais nenhum Haiti e vínhamos cobrando isso há anos do presidente. Ele fez o que a gente esperava dele."

O coordenador da ONG Vitae Civilis, Rubens Harry Born, destacou que a fala improvisada de Lula fez toda a diferença. "Ele foi ele mesmo, falou com o coração e passou uma mensagem muito legal de comprometimento. Acho que essa postura pode ter efeitos nas negociações", afirmou Born.
O francês Fabrice Bourger, membro da delegação do seu país, achou que o país deu um exemplo "sem precedentes" e que o discurso de Lula o aproxima ainda mais dos europeus. "Foi constrangedor para os outros países. Mas, sinceramente, nós não esperávamos outra coisa de Lula", afirmou Bourger. "Ele se destaca de todos os outros líderes com essa posição aberta ao diálogo, sem perder a firmeza e a determinação."

Obama: "mico da história"
Já as palavras em relação a Obama foram bem diferentes. "Arrogante", "estúpido", "burocrático" e autor de um "mico histórico" são apenas algumas das definições empregadas nos corredores da COP-15.
"Uma parte, foi de palavras da boca para a fora (como a frase de que "não se pode mais perder tempo" para salvar planeta). E a outra, um verdadeiro absurdo. Foi um mico histórico", disse Born. Para o coordenador da Vitae Civilis, Obama só reforçou o discurso intransigente que os Estados Unidos vinham defendendo na Cúpula do Clima e não trouxe nenhuma novidade. E ainda usou como desculpa para a falta de ação um argumento que todos os países democráticos poderiam utilizar, se quisessem: o de que não pode fazer nada sem a aprovação prévia do Congresso de seu país.

Adário, do Greenpeace, foi ainda mais duro. "A postura do Obama naquele púlpito foi socialmente arrogante e politicamente estúpida. Não está nem perto de assumir a posição de liderança que as pessoas esperavam dele", afirmou, destacando que as três condições impostas pelo americano para que assine um acordo - transparência, verificação das ações e metas de redução baixas - devem manter as negociações travadas.
Também a ausência de especificações sobre quanto os Estados Unidos estarão dispostos a contribuir para fundo internacional de financiamento decepcionaram. Obama garantiu apenas que o país vai entrar com recursos, mas não detalhou nem quanto, nem quando. Bourger, negociador francês, preferiu não se estender nos comentários, mas não escondeu a decepção. "Acho que os esforços da Europa não foram suficientes para mudar nem um milímetro da posição americana."

Também o ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou o presidente americano e disse que o seu discurso "foi uma desgraça". "O Obama foi muito frustrante. Parecia até que o Lula tinha mais responsabilidades do que ele no plano climático mundial, de tanto que o Obama falou mal.

COP-15
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizado de 7 a 18 de dezembro, que abrangeu 192 países,  reuniu-se em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O objetivo seria traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Discurso de Lula na COP-15 em 18.12.2009

Presidente Lula discursa durante a COP-15 onde chama á responsabilidade os principais países industrializados do mundo, maiores emissores de gases que contribuem negativamente para o aquecimento global. Foi interrompido quatro vezes por aplausos efusivos da platéia. 

Obama foi a decepção do encontro. 

Infelizmente o tão esperado acordo não foi possível, o que frustrou profundamente a maioria dos países participantes do encontro. E.U.A e China, os maiores poluidores mundiais não aceitaram comprometer-se com as metas ambicionadas e necessárias, ou seja, baixar as emissões dos gases que aceleram o efeito estufa e assim podermos controlar a elevação da temperatura para no máximo 2 Graus centígrados até 2020. 

Sem dúvidas o capitalismo é selvagem quando está acima das necessidades humanas. E.U.A. e China (Impérios) não estão nem um pouco preocupados com o futuro do planeta. Simples assim!!! 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Mais Um Blog Ameaçado! Virou moda....

O Bodega Cultural de meu considerado amigo Carlinhos Medeiros está sofrendo ameaças do PIG.
Lamentável os pseudo-jornalistas do PIG arrotarem diuturnamente asneiras a mil na mente das pessoas, mas a verdade lhes dói quando enfrentados e partem para a intimidação.

O Bodega e o Carlinhos teem meu total apoio. Não sei se ajuda, mas sózinho ele não está!

Maurício Savarese, o pulha covarde, manda uma advogada me notificar...


Acabo de receber uma "intimidação" judicial, via e-mail, de uma advogada, (tipo cartas de escritório de cobrança) para que eu retire a postagem sobre a covardia de Maurício Savarese, que veio ao meu blog e fez ofensas impublicáveis à minha pessoa, anonimamente, por causa desta postagem aqui.

Não retiro uma vírgula, é minha opinião, nada nem ninguém vai me intimidar. A menos que me digam qual crime estou cometendo ao replicar a agressão de um pulha. Segue a "intimidação" judicial:

Prezado,

Tendo em vista a postagem efetuada no blog www.bodegacultural.com.br de sua autoria, na data so último dia 16 de dezembro, venho por meio deste notificar Vossa Senhoria para que no prazo máximo de 24 hrs (vinte e quatro horas), todo e qualquer material postado referente ao Sr. Maurício Savarese, seja devidamente retirado do ar, sob pena de serem tomadas as medidas judiciais cabíveis, haja vista a infração ao artigo 139 do código penal e artigo 5º, inciso X da Constituição Federal.

Em caso de dúvida entrar em contato no telefone 11-3224-0801

Kelly Regina Cinelli
Advogada
OAB/SP nº 276.571

Simples assim. Vejam o tamanho do poder que emana da pena da advogada da UOL. Senhora Kelly, estou disposto a negociar mediante pedido de desculpas de seu cliente. Vai mandar retirar meu blog do ar? Faço um milhão, já copiei todo o arquivo desta velha bodega. Vou pagar uma indenização milionária? Só se for com serviços prestados aqui na minha cidade, o que farei com muito prazer, mas lhe adianto que não tenho um puto no bolso, só a coragem e a dignidade de um nordestino (inegociáveis) disposto a digerir sua tentativa vã de me intimidar. Não é assim que se esfola um bode. Sabe o que é um bode? É o macho da cabra; cabrão, Pai-de-Chiqueiro. Uma boa conversa talvez me convença, armas não!

Viomundo: Ali Kamel inunda os pobres

Luiz Carlos Azenha do blog Viomundo faz uma leitura sobre a cobertura do JN no caso das enchentes em São Paulo.












Não foi por opção pessoal, mas por obrigação profissional. Vi a cobertura do Jornal Nacional sobre as novas enchentes em São Paulo, na quarta-feira (16).

Choveu muito. Choveu torrencialmente. Choveu oito dias em quatro horas, de acordo com o JN.
O JN dedicou boa parte das reportagens, com gráficos e tudo, a provar que os pobres invadiram o Jardim Pantanal e, portanto, merecem o que estão sofrendo.

Sim, sim, os pobres da zona Leste de fato invadiram as várzeas do Tietê. Mas, não foram os únicos. São Paulo fez oficialmente a opção de ocupar as várzeas do rio Tietê quando construiu a marginal Tietê sobre as várzeas que serviam para a expansão do rio durante a cheia.

Ali Kamel, não o ator pornô, o guia do Jornalismo Nacional, reprisou em São Paulo a teoria que gosta de pregar, sempre de forma dissimulada, no Rio de Janeiro: a remoção dos pobres.
Eles são um estorvo. Poluem o cenário.
A certa altura o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, aparece na reportagem para dizer que não pretende mais bombear as águas do lugar alagado. Na singela explicação para o descumprimento da promessa, uma fala risível: se a gente tirar a água, mais água vem. Ora, ele não deveria ter pensado nisso antes de fazer a promessa?

Chove muito. Os pobres estão onde não deveriam estar. E sofrem por isso.
Essa é a lógica da cobertura do Jornal Nacional: culpar a população.
Assim como o governador de São Paulo, quando fala no assunto, enfatiza: a culpa é da população, que joga lixo na rua.

Aliás, onde anda o governador José Serra? Ah, sim, não vale misturar o governador com assuntos tão prosaicos como a limpeza da calha do Tietê, uma verdadeira desocupação das várzeas que atinja também os ricos ou um sistema de controle de vazão dos rios Tietê e Pinheiros que não puna apenas os bairros pobres.
Ele está em Copenhague, resolvendo os problemas climáticos do planeta.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Advogada Brasileira na Suiça é Condenada

No início do ano tivemos o caso na Suiça envolvendo possível ataque xenófobo a uma advogada brasileira, mas que após diversas informações desencontradas ficou sob suspeição. Agora saiu a condenação da brasileira por ter forjado e mentido sobre um suposto ataque neonazista. 

Brasileira é condenada por forjar ataque de neonazistas

A Justiça de Zurique considerou culpada a advogada brasileira Paula Oliveira, 26 anos, por ter mentido à polícia suíça que havia sido vítima de um ataque de neonazistas, em fevereiro. Ela terá de pagar uma multa de 120 francos suíços por dia durante três meses, o que vai totalizar 10,8 mil francos (R$ 18.180). A informação é do jornal suíço 20 minuten.

Na época da suposta agressão, a brasileira disse à polícia local que foi abordada por um grupo de skinheads em uma estação de trem. Eles a teriam agredido e escrito a sigla SVP com uma faca em seu corpo. Paula disse ainda ter perdido os gêmeos que esperava após o ataque.

O caso gerou repercussão porque, inicialmente, se imaginava que Paula havia sido vítima de xenófobos. Entretanto, exames de corpo de delito indicaram que a brasileira foi a autora dos cortes no corpo e que não estava grávida. Dias depois, Paula Oliveira confessou a farsa. Hoje, a brasileira voltou a afirmar que foi vítima de um ataque e disse ter confessado por pressão da polícia e da mídia.

O advogado Roger Muller, que defende a brasileira, pediu a absolvição de Paula ao afirmar que ela não pode ser considerada responsável por seus atos e declarações. A defesa alega que Paula sofre transtornos neuropsicológicos provocados por uma doença autoinmune, o lupus sistêmico. "A doença exige muitas visitas médicas, muitos medicamentos e muitas terapias, que podem provocar delírios", disse.


Com informações da AFP. Site Terra

 

Serra e sua corda para se enforcar - bye bye vampire

Será mesmo que o bonitão que afunda São Paulo imagina que o povo é tão otário quanto ele e a Imprensa Golpista gostariam? O tempo lhes dirá! Que venha logo 2010!!

domingo, 13 de dezembro de 2009

EUA - O Porrete de Madame Clinton

Lí no Blog de Um Sem Mídia e reproduzo artigo de Mário Augusto Jakobskind do Direto da Redação.
Me chamou a atenção o fato da Rede Globo ter participação em master-negócios no "agribusiness".
Quer dizer, a toda poderosa vende uma imagem de ativista do "Green Peace" mas na verdade quer mais é que o mundo se lasque. Simples Assim?? É pura lama!!! (Destaques em negrito por minha conta.)

Acabaram-se as ilusões em relação ao governo Barack Obama. Isso, claro, para quem as tinha. Na América Latina, por exemplo, além das sete bases militares dos Estados Unidos na Colômbia, agora aparece a Secretária de Estado advertindo os países do continente.

Ao mais puro estilo dos tempos da política do porrete, Hillary Clinton alertou os governos que querem se aproximar do Irã para que “pensem duas vezes”. E continuou afirmando que "relacionar-se com o Irã é uma má idéia". A Secretária de Estado, sabidamente vinculada a setores mais conservadores do establishment estadunidense, quer que “os países latino-americanos reconheçam que o Irã é um dos maiores promotores e exportadores do terrorismo nos dias atuais". De quebra, para variar, a Secretária de Estado criticou a Bolívia, onde o presidente Evo Morales acabou de ser reeleito com cerca de 63%, e a República Bolivariana da Venezuela.

Na edição de um dos jornais da TV Globo, os âncoras fizeram eco à advertência e ainda por cima demonstraram certa indignação pelo fato de Hillary Clinton não ter citado o Brasil. Foi lembrado que Mahmoud Ahmadinejad passou 24 horas em Brasília etc e tal.

Na verdade, o Irã é um mero pretexto. Se não tivesse o Irã com Ahmadinejad apareceria outro argumento para atender os interesses estadunidenses. No fundo, o governo Barack Obama não se conforma que no continente americano haja governos que não se intimidam com pressões de uma potência que não aceita o fato de a América Latina estar dando o recado segundo o qual acabaram-se os tempos de a região ser um mero quintal ou pátio traseiro dos Estados Unidos.

Corria tudo bem nestas bandas quando governos subservientes aos interesses estadunidenses, como os de Fernando Henrique Cardoso, Carlos Menem, na Argentina, Gonzalo Sanchez de Lozada, na Bolívia e mesmo os atuais de Álvaro Uribe, na Colômbia, e Alan Garcia, no Peru obedeciam e obedecem a Wshington. E a mídia conservadora, cada vez mais conservadora, tenta de todas as formas demonizar os dirigentes latino-americanos que não rezam pela cartilha da subserviência.

Pouco antes das ameaças, Barack Obama recebeu o Prêmio Nobel da Paz, um prêmio um tanto o quanto desmoralizado desde quando há mais de 35 anos foi condecorado o então Secretário de Estado Henry Kissinger, um facínora internacional responsável por dar a maior força a regimes ditatoriais como o de Pinochet no Chile. Obama ainda por cima deixou muita gente perplexa ao falar de “guerra justa” quando recebia o galardão. Guerra justa é o tipo da terminologia que serve para justificar o expansionismo e a dominação. O Afeganistão e o Iraque que o digam.

Enquanto isso, em Copenhague, os países industrializados tentam ditar as regras do meio ambiente. Esquecem que o estado atual do planeta, visivelmente doente, se deve exatamente ao tipo de desenvolvimento consumista praticado em várias regiões. E na capital dinamarquesa, sob os holofotes da mídia circulam figuras como o especulador George Soros, que anda comprando terras em tudo que é canto, inclusive na Argentina e no Brasil, exatamente para tentar ganhar dinheiro com o etanol e outras cositas mais, violentando a natureza. E no mesmo encontro é anunciada a presença da senadora do Demo, Kátia Abreu, porta-voz do grande capital do campo. Como se Soros e esta senhora que lidera a bancada ruralista estivessem preocupados com a natureza. Logo eles que representam exatamente os predadores do planeta, juntamente com outras empresas do setor?

Mas aí, no socorro desses grupos aparecem empresas midiáticas, como a Agência Estado e a Globo Participações, associadas da Associação Brasileira de Agribusiness, que reúne poderosos grupos econômicos do setor. Ou seja, as referidas empresas midiáticas, que ditam regras, não são apenas apoiadoras de quem violenta o meio ambiente, mas partícipes e lucram com tudo isso. Mas isso a mídia conservadora não fala, prefere não ir a fundo da questão, porque se isso acontecer será prejudicial aos negócios do setor. Daí é preferível elaborar pautas que desviem da questão principal, ou seja, de que em Copanhegue está em jogo um confronto entre os agronegócios do mundo e os que querem conservar o Planeta e evitar que a Terra em pouco tempo se torne inabitável.

Pode-se imaginar o que vem por aí em matéria de relatório final do encontro de Copenhague.

Fonte: Direto da Redação.

sábado, 12 de dezembro de 2009

2010 - Escolha certo: Lula ou FHC

Programa político do PT que foi ao ar na última 5.a feira dá uma idéia de como será o embate entre a situação (PT) x oposição (PSDB) nas eleições presidenciais de 2010. Lula x FHC. Simples assim. Como diria PHA, bye-bye Serra 2010.

A escolha é sua. Lula ou FHC?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

El País: Lula o Personagem do Ano

Diferentemente do PIG Brasileiro (Partido da Imprensa Golpista) que só sabe atacar o Lula, mais um destacado veículo de comunicação internacional, o Jornal El País - antes a revista The Economist e o Le Monde já o fizeram - traduz para o mundo o que boa parte de insensatos tupiniquins não querem aceitar: o sucesso do Presidente Lula da Silva e o seu Governo. Mas é assim mesmo. Enquanto em casa não tem o valor reconhecido, lá fora demonstra claramente a que veio e que está no caminho certo.
Sorte do povo brasileiro, mesmo os que não o admitem. Terão o melhor final de ano de suas vidas.


Lula é escolhido personagem do ano pelo 'El País'


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido personagem do ano pelo jornal espanhol El País e qualificado pelo líder do governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, como "um homem cabal e tenaz", em um artigo publicado na quinta-feira no site da publicação.
O perfil de Lula fará parte de um suplemento especial elegendo "Os 100 do Ano" entre homens e mulheres ibero-americanos que marcaram 2009. O artigo será publicado pelo El País no domingo, mas foi antecipado por sua versão digital.

O encarregado de traçar o perfil do presidente brasileiro foi Zapatero, que lembra que o conheceu em setembro de 2004, após a incorporação da Espanha à Aliança Contra a Fome, liderada pelo presidente brasileiro, em uma cúpula organizada pelas Nações Unidas em Nova York. "A ocasião não podia ter sido melhor", disse.
O presidente espanhol considera que o Brasil "é um dos países emergentes que conta com uma democracia consolidada e está chamado a desempenhar nas décadas seguintes uma crescente liderança política e econômica no mundo, como já vem fazendo na América Latina com notável acerto".
O artigo de Zapatero afirma que "Lula tem o imenso mérito de ter unido a sociedade brasileira em torno de uma reforma tanto ambiciosa quanto tranquila. Está sabendo, sobretudo, enfrentar, com determinação e eficácia, os desafios da desigualdade, da pobreza e da violência, que tanto lastreou a história recente do País".

Ele diz que, "como consequência disso, sua liderança goza hoje no Brasil do respaldo e do apreço majoritários, mas mais importante ainda é a irreversível aceitação social de que todos os brasileiros têm direito à dignidade e à autoestima, por meio do trabalho, da educação e da saúde".
No plano internacional, o presidente espanhol afirma que nos sete anos da presidência de Lula, o Brasil "ganhou a confiança dos mercados financeiros internacionais, que avaliam a solvência de sua gestão, a capacidade crescente de atrair investimentos diretos, como as efetuadas por várias companhias espanholas, e o rigor com que administrou as contas públicas".

Zapatero define Lula como um "homem honesto, íntegro, voluntarioso e admirável". Após dizer que o Brasil ocupará em breve um lugar no Conselho de Segurança da ONU, que está a ponto de se transformar em uma potência energética e que em 2014 receberá a Copa do Mundo, Zapatero faz referência à reunião de outubro, em Copenhague, quando o Rio de Janeiro foi eleita cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
"Lula chorava de felicidade, como uma criança grande, porque o Rio de Janeiro acabava de ser escolhida cidade organizadora dos Jogos Olímpicos de 2016. A euforia que o inundava não o impediu de ter o valor necessário para vir me consolar porque Madri não tinha sido escolhida", afirma. "Não me estranha que este homem impressione o mundo."

Fonte: Terra

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Assim Pensa (e age) o Império

Palin pede a Obama que "boicote" Conferência de Copenhague

A ex-governadora do Alasca e ex-candidata à vice-presidência pelo Partido Republicano, Sarah Palin, pediu nesta quarta ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que "boicote" a cúpula sobre a mudança climática, que acontece em Copenhague (Dinamarca).

Palin se dirigiu a Obama em uma coluna de opinião publicada no jornal Washington Post. No texto, ela diz que o chefe de Estado não deveria fazer parte desta "conferência politizada".
"Nossos representantes em Copenhague deveriam lembrar que uma boa política ambiental é a que sabe pesar os custos e os benefícios, e não busca uma agenda política", escreveu a ex-governadora.
Palin também fez referência ao "Climagate", o escândalo gerado pelo roubo de e-mails comprometedores sobre a mudança climática trocados entre cientistas britânicos.

As mensagens, roubadas por um hacker que invadiu a rede da Universidade de East Anglia (Reino Unido), aparentemente apontam para uma suposta manipulação de dados para dar uma "aparência" mais grave ao aquecimento global.
Esses e-mails, segundo Palin, demonstram as falhas da cúpula em curso, e convidam ao "boicote" à reunião, já que "o programa impulsionado em Copenhague não vai mudar o clima, mas mudar para pior a economia" americana.

"Não podemos dizer com certeza que a atividade do homem causa mudanças climáticas", no entanto, "podemos dizer que qualquer possível benefício da proposta para a redução (das emissões) de gases estufa está longe de recompensar os custos econômicos", destacou a republicana.
Para a ex-governadora, Obama apoiará "as fraudulentas práticas científicas" em nome de um pacto que "não será um acordo para o povo americano".

Palin criticou a proposta anterior às cúpulas da Índia e da China, assim como a proposta de lei da Administração Obama para estimular a redução das emissões de gases estufa e compensá-las nos EUA.
"O que Obama realmente espera na volta de Copenhague é pressionar os democratas" para que aprovem essa lei, uma "legislação equivocada", que é "a última coisa de que os Estados Unidos precisam", escreveu a política.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

MÍDIA - O Mainardi não aprende

Reproduzo abaixo post do Blog de Um Sem Mídia onde o Conselho Federal de Psicologia responde a um colunista da Veja em tema relacionado á COFECOM - Conferência Nacional de Comunicação.
Quando existe isenção e profissionalismo a parte de interesses mesquinhos e egóicos é possível botar o dedo em riste na fuça de determinados sujeitos e organizações para que baixem a bola. Parabéns ao CFP!

MÍDIA - O Mainardi não aprende.

Altamiro Borges

Psicólogos internam o pitbul da Veja

Na sua edição de 18 de novembro, a revista Veja acionou seu pitbul para atacar a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que ocorrerá de 14 a 17 de dezembro. O panfleto da famíglia Civita nem sequer se dignou a informar aos seus leitores sobre o significado desta iniciativa. O silêncio da mídia sobre a Confecom é repugnante. Ao invés de informar, a revista preferiu rosnar e ninguém melhor (ou pior) do que o pitbul amestrado para isto. Basta lhe dar um osso!

No artigo “Porky’s contra a liberdade”, o colunista cometeu novamente seus exageros raivosos. “Um das propostas encaminhadas à Confecom pelo Conselho Federal de Psicologia é proibir a propaganda com pessoas de cabelos alisados”, ironizou. Ventríloquo de FHC, ele repetiu a besteira reacionária do “subperonismo lulista” para atacar a conferência, que só teria o apoio da “CUT, Abragay [haja preconceito!] e do Conselho Federal de Psicologia”. Ele também destila seu ódio tacanho contra Franklin Martins e Dilma Rousseff.

“Interpretação desonesta”

As asneiras preconceituosas e reacionárias do pitbul da Veja desta vez, porém, não ficaram sem resposta. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) divulgou nota criticando o texto. Só faltou solicitar a imediata internação deste sujeito patético. Reproduzo abaixo a nota:

Apesar de lamentável, não causa surpresa a interpretação de Diogo Mainardi sobre os temas apresentados pelo Conselho Federal de Psicologia para debate na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, publicada na coluna de Mainardi na edição 2139 da revista Veja.

O CFP reafirma suas propostas, que têm como eixo a necessidade de controle público sobre os meios de comunicação, entendido não como censura, como sugere Mainardi, mas como a existência de mecanismos para que a sociedade tenha incidência sobre como a mídia, importante elemento na formação das subjetividades das pessoas na contemporaneidade, produz e reproduz idéias, comportamentos e visões de mundo.

No texto que recebe a interpretação distorcida de Mainardi, o CFP aponta o papel dos meios de comunicação no reforço de um padrão estético único, que busca anular as variedades de formas de ser, de parecer, delimitando as características físicas reconhecidas como legítimas. Padrões de beleza inalcançáveis geram conflitos, sofrimentos, baixa auto-estima, transtornos de toda ordem.

No que se refere à proposta do CFP para a discussão das relações entre mídia e trânsito, de fato o CFP questiona a ode da publicidade à velocidade, comprovadamente relacionada ao problema dos acidentes e mortes no trânsito. Também propõe que se debata o papel da mídia na construção social do predomínio do transporte individual sobre o coletivo – mais ambientalmente sustentável, mais viável para as grandes cidades, como é amplamente sabido. Infelizmente, o recorte escolhido pelo colunista apenas ironiza esta importante discussão, que ao cabo questiona o fato de a publicidade no Brasil ser auto-regulada, sem que haja qualquer mecanismo de participação da sociedade neste tema que a concerne.

Não fosse a conhecida má vontade do colunista com qualquer movimento social, seria possível achar que houve dificuldades de interpretação. Mas não nos iludiremos a este ponto.

Críticas às propostas podem ser feitas e são bem vindas. Interpretações desonestas que visam a confundir os leitores só refletem a qualidade do jornalismo da grande mídia brasileira. Não era de se esperar outra reação de Mainardi e de Veja à Confecom.
Fonte: Blog do Miro.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Rodrigo Maia: "O PSDB não ganha nada sem o DEM"

Fala, ou melhor, chora Rodrigo Maia - Presidente do PFL ou DEM se assim preferirem.
Entre outras coisas ele deixa claro que o partido co-irmão PSDB, está enterrado acima do pescoço nessa parceria política. E mais, cobra reciprocidade, afinal de contas quando foi para proteger a corrupção de Yeda Crusius - Governadora do RS e do Senador e ex Presidente do PSDB Eduardo Azeredo, o PFL-DEM abraçou de coração o partido co-irmão. Portanto não é hora do PSDB dar uma de Judas, mas sim apoiar o PFL-DEM. Mesmo que para isso tenham que morrer abraçados. Ou morrerão separados, não importa.

Entrevista de Rodrigo Maia ao Jornal de Brasília - Fonte: Blog do Azenha

Rodrigo Maia confirma: "Arruda seria o vice do PSDB"
por Leandro Mazzini, no Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O presidente do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), passou uma semana de lamentações. O caso de corrupção no governo do Distrito Federal, onde o único governador democrata, José Roberto Arruda, dava sinais de que a administração seria um exemplo para o país, deixou a legenda à mercê de julgamentos dos arquirrivais petistas e desestruturou o partido. Nesta entrevista ao JB, Maia faz um breve balanço do caso, defende o DEM, desconversa sobre expulsar Arruda, revela que o governador era o maior cotado para ser um vice do candidato do PSDB à Presidência e, diante da debandada de aliados na esfera de Brasília – por enquanto – deixa recado aos aliados tucanos: “O PSDB não ganha nada sem o DEM”.

O DEM desfiliou o deputado federal Edmar Moreira (MG) por causa do escândalo da sonegação do castelo. O fato de o governador José Roberto Arruda ter contra si evidências muito mais fortes torna eminente a expulsão dele?
A questão da expulsão será colocada em votação na quinta-feira. Portanto, não devo adiantar resultados, porque eu estaria, vamos dizer assim, resolvendo o assunto e não dando direito de defesa ao governador. As questões são diferentes. Vou dar dois exemplos. Você citou o Edmar Moreira. Ele tomou a decisão de disputar a vaga na Mesa, fora da bancada do partido. Disputou avulso. Depois que se elegeu, teve o problema. Então o que aconteceu ali? Ele se insurgiu ao partido, não quis tomar uma decisão partidária, então o partido não tinha compromisso com ele, por decisão dele. O caso do Roberto Brant. Nós tínhamos convicção que errou naquele episódio (sobre o mensalão), mas que ele tinha um caminho para a sua defesa, e nós fizemos a defesa do Roberto Brant. O caso do governador Arruda é um caso com muitas imagens contundentes.

São evidências muito mais fortes...

Só que é um homem de partido. Então você tem a obrigação de garantir a ele o direito a defesa. Essa foi a decisão da maioria do partido e é isso que nós vamos dar, os oito dias, para que o partido decida.

Se ele continuar no partido e for à reeleição, o partido está disposto a arcar com esse peso de responsabilidade?
Vamos esperar a decisão de quinta-feira para poder avaliar o futuro. Não posso avaliar com a possibilidade de ele ser desligado do partido. Sei que o clima é muito ruim e que o clima de perplexidade dos membros da Executiva é muito ruim. Só depois de quinta, com a questão resolvida, posso avaliar qual é o futuro do partido no Distrito Federal.

Situações locais já ditam algumas tendências sobre as alianças. O PSDB, que é o maior aliado do DEM e que vai ter o candidato à Presidência da República, abandonou a coligação. O PSDB está pressionando na questão da expulsão do governador Arruda?
Não. O PSDB está pressionando politicamente quando antecipa a sua decisão. É um direito do PSDB pressionar nos estados em que achar que deve pressionar. Em alguns ele pressiona, em outros, não.

Mas e na questão do governador Arruda?
Ele não deve se envolver nisso, é uma decisão interna.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, conversou com o senhor sobre isso?
Se me procurasse para tratar de expulsão eu diria que é um problema do Democratas. Até porque nunca cobramos a expulsão de nenhum dos quadros do PSDB que tiveram problemas.

Quem, por exemplo?
O (senador) Eduardo Azeredo (MG), a (governadora) Yeda Crusius (RS). Ao contrário, eu fui ao Rio Grande do Sul conversar com a Yeda, fiz a defesa da boa gestão da governadora. Nós não temos que cobrar dos nossos aliados suas decisões internas. Cada um decide internamente o que for melhor para o partido.

O DEM e o PSDB são aliados incondicionais, principalmente na majoritária nacional. Como é que fica a coligação no ano que vem? Haverá essa coligação, o PSDB pode se eximir disso?
Pode ser bom para perder a eleição. O PSDB pode ficar sozinho.

O senhor acha que perde?
Eu tenho certeza que perde.

Mas o DEM vai dar o vice para o PSDB?
Nós vamos aprovar isso na convenção do partido.

Mas depende de o PSDB aceitar.
Eu aprovo na minha convenção, o partido é a favor ou contra a coligação com o PSDB, sim ou não. Depois eu voto: o partido vai indicar o vice ou não? Se o partido, na sua convenção, indicar o vice, e se a convenção do PSDB indicar outro vice, não tem aliança.

José Roberto Arruda era um nome para ser vice?
Ele seria. Era o nome para ser vice. Infelizmente, não é mais.
Quem pode aparecer de vice?
Tem o senador José Agripino (RN), a senadora Kátia Abreu (GO), alguns nomes que podem compor bem uma chapa. Poderia até ter candidato a presidente se a nossa decisão no início do ano fosse a candidatura própria.

Mas então é fato que o DEM vai dar o vice ao PSDB?
É difícil que não seja assim.

Como estão as conversações nos estados?
Nessa última semana a situação ficou muito concentrada em Brasília, mas estávamos caminhando bem. Temos problemas em alguns estados, mas tem alguns estados já resolvidos.

O governador Arruda pressionou os senhores na reunião?
Não é verdade.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Emir Sader: "O Efeito Tequila Tucano"

Li no Democraci&Política e reproduzo abaixo:

"Em primeiro lugar, em continuidade com a política do governo FHC, o Brasil teria aprovado a ALCA – a Área de Livre Comércio para as Américas. O Brasil estaria submetido ao livre comércio, ao contrário dos processos de integração regional. O Mercosul teria terminado, não existiriam o Banco do Sul, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa.

As conseqüências atuais podem ser constatadas na forma como um país que assinou um Tratado de Livre Comércio com os EUA e o Canadá, como o México, e outro, de tamanho proporcional, como o Brasil, que teve papel destacado na inviabilização da ALCA e optou pelos processos de integração regional. O presidente do México, Felipe Calderón, tinha convidado a Lula para que os dois países fossem juntos ao FMI. Lula respondeu que nosso país não precisa mais disso e, ao contrário, terminou fazendo empréstimos ao FMI.

Ao assinar um TLC com os EUA, o México passou a ter mais de 90% do seu comércio exterior com esse país – nem sequer tem importância o comércio com o Canadá. O país não teve efeitos positivos, ao contrário, retrocedeu, sob os efeitos da livre circulação dos capitais norteamericanos no país. Pioraram os índices sociais, aumentou a imigração para os EUA.

Mas o pior viria depois, com a crise: pode-se imaginar o tamanho da recessão em que se envolveu o México – menos 7% do PIB, menos 16% da produção industrial neste ano – e os seus efeitos prolongados sobre uma economia que se tornou absolutamente dependente do vizinho do norte – onde se originou a crise e onde ela se revela de forma mais acentuada e prolongada.

Enquanto isso, o Brasil, assim como os países que privilegiaram a integração regional, saiu rapidamente da crise e voltou a crescer, além de, pela primeira vez, impedir que os pobres pagassem o preço da crise, ao manter as políticas sociais, seguir elevando o poder aquisitivo dos salários e os empregos formais.

Além disso, se diversificou o comércio internacional do Brasil – a China é o nosso primeiro parceiro comercial, não mais os EUA -, fazendo com que, pela primeira vez, se supere uma crise internacional sem depender da recuperação da economia norteamericana, da européia ou da japonesa, que seguem em recessão. Se intensificou também muito o comércio interrregional, entre o Brasil, a Argentina, a Venezuela, a Bolívia e os outros países dos processos de integração regional.

O terceiro eixo que favoreceu a recuperação da crise é a expansão do mercado interno de consumo popular, que não deixou se crescer durante a crise.

Nenhum desses três fatores – diversificação do comércio internacional, intensificação do comercio regional e expansão do mercado interno – estaria presente se os tucanos – FHC, Serra, Alckmin – continuassem governando. O quadro mexicano é a cara triste e angustiante que teria o Brasil, se os tucanos estivessem governando o país.

Esse é o tema que estará em jogo nas eleições do ano próximo. Por isso Aecio Neves diz que “será um candidato pós-Lula e não anti-Lula”, que “não nos convem (aos tucanos) comparar números e Serra pretende ter um perfil próprio, querendo desvincular-se do governo de que foi ministro durante oito anos. Mas o caráter plebiscitário das eleições é inevitável, um plebiscito entre dois Brasis, o de FHC e Serra contra o de Lula e de Dilma."

FONTE: escrito pelo filósofo e cientista político Emir Sader, em seu blog, e reproduzido hoje (06/12) no portal "Vermelho".

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um deserto de idéias - Luiz Carlos Azenha

Lí no blog do Azenha essa profunda reflexão sobre o que realmente importa. O Futuro!
Tipo de leitura que vale a pena voltar várias vezes e refletir.

Viomundo - Luiz Carlos Azenha

Tenho amigos progressistas e conservadores. Que se acreditam revolucionários, reformistas ou reacionários.
Dentre eles, os críticos conservadores do governo Lula se dividem em dois grupos: os que replicam o discurso dos colunistas da mídia corporativa -- contra o assistencialismo e o personalismo, por exemplo -- e os que acreditam que Lula é simplesmente "de mau gosto", como legítimo representante de um operariado pequeno-burguês cujo horizonte intelectual estacionou na esquina entre Zezé de Camargo & Luciano e o jipe importado de segunda mão do Silvio Pereira.

Rejeito essa segunda linha crítica mais até do que a primeira, porque acredito ser resultado de puro preconceito de classe e porque envereda pela crítica de costumes. Se é disso que se trata, porque Lula seria pior que Serra, representado por Bonner, Tas e Kamel, nossos subintelectuais cuja matriz de pensamento se parece com um carimbo produzido em Miami?

Minhas próprias críticas ao governo Lula são muitas e minhas dúvidas sobre o futuro do pacto político promovido pelo presidente da República são maiores ainda. É possível sustentar uma coalizão com os setores mais retrógrados da sociedade brasileira e, ao mesmo tempo, formular e colocar em prática as políticas públicas necessárias a criar empregos de qualidade, investir em tecnologias limpas e energeticamente menos intensivas e criar centros de conhecimento para explorar comercial e industrialmente a biodiversidade da Amazônia e da Amazônia Azul?

Seria a engenheira Dilma Rousseff a pessoa melhor preparada para fazer isso? Teria a engenheira Dilma Rousseff a sensibilidade social de um sanitarista como José Gomes Temporão? Minha esperança, francamente, é de que a engenheira "desenvolvimentista" tenha preservado suficientemente em si a mulher e mãe. Digo isso porque não acho que nós, brasileiros, precisamos exatamente de um "trator" em 2010, mas de alguém com sensibilidade social e conhecimento gerencial para lidar com os grandes fossos que separam os brasileiros: ricos e pobres, homens e mulheres, brancos e negros, com e sem terra, os incluídos e os não incluídos no mundo digital.

Incorporar as mulheres ao mercado de trabalho com os mesmos direitos dos homens parece uma tarefa prosaica, mas não é. Entender que as adolescentes da periferia buscam a maternidade porque a maternidade é algo que dá a elas protagonismo social exige uma compreensão que vá além dos números e das planilhas. Quando a família brasileira muda de composição e passa ser liderada muitas vezes pela mulher, é preciso calibrar os programas sociais para levar isso em conta. Investir em uma rede nacional de banda larga é preciso não apenas pelo efeito político, mas porque reduz distâncias em um país continental e incentiva novos empreendimentos,  "virtuais"; isso requer, do político, uma antena sintonizada no século 21.
Eu juro que gostaria de ter a mesma expectativa em relação à oposição mas, sinceramente, não tenho. Quais foram as grandes ideias colocadas em prática no governo por José Serra ou Aécio Neves? Costumo fazer essa pergunta a meus amigos conservadores mas não aceito como resposta planos de governo ou de campanha... Como se sabe, o papel aceita tudo.

Olho para São Paulo, onde vivo, e me pergunto todos os dias: quais foram as grandes ideias que os tucanos desenvolveram ao longo de 16 anos no poder para lidar com os problemas da maior metrópole do Brasil? Aparentemente, tudo o que fizeram, em nome de libertar o "espírito selvagem" dos paulistas, foi desonerar o grande capital para que ele pudesse se acumular à vontade Brasil afora, comprando terras, explorando minérios e a mão-de-obra barata de outros estados. O que, para a elite paulistana, não é pouco. (Particularmente, o governo Serra me parece um governo de homens brancos para homens brancos).

Como não canso de constatar, acompanhando de perto a mídia paulistana, aqui em São Paulo tudo acontece "por acaso": é culpa da chuva, do "excesso de veículos", da baderna de camelôs arruaceiros. A ideia de que haja um governo e de que ele deva ser responsabilizado por coisas "prosaicas" como o trânsito infernal, as enchentes e o metrô lotado não se aplica aos tucanos paulistas. Curiosamente, os próprios moradores de São Paulo costumam achar que tudo isso está dado, que não tem jeito, que sempre foi e sempre será assim.
Ora, se os tucanos governam São Paulo há 16 anos, não deveriam ter as melhores ideias e as grandes soluções para o resto do Brasil, se aceitarmos que São Paulo é de fato a "locomotiva" do Brasil? Mas, não. Cobramos o Lula e o PT pelas grandes ideias nacionais que os tucanos não apresentaram em São Paulo.
Podemos questionar o governo Lula por não ter institucionalizado as mudanças, como fizeram outros governos da América Latina; podemos questioná-lo por avançar menos do que era o desejável; por fazer concessões aos banqueiros e aos latifundiários. Mas, e a alternativa?

Vou dar um exemplo de quando eu morava nos Estados Unidos, nos anos 80, um período em que os principais centros urbanos do país estavam dilapidados pela fuga da principal base de contribuintes para os subúrbios (o equivalente à fuga da elite paulistana para as cidades muradas de Alphaville, onde ela se tranca com educação, segurança e saúde privadas, enquanto a população em geral se explode em Heliópolis).
Um programa tripartite -- federal, estadual e municipal --, adotado no governo Clinton, dava incentivos fiscais para que empresas se instalassem em determinadas regiões das cidades, desde que se comprometessem a contratar mão-de-obra local. Contratada, essa mão de obra local tinha salário para comprar apartamentos parcialmente financiados com dinheiro público. Não foi o único fator, mas foi um fator importante para o renascimento de regiões inteiras das grandes cidades americanas, em Boston, Baltimore, Nova York e outros lugares.

Eu juro que esse tipo de solução, "de mercado", era o mínimo que eu poderia esperar de um grupo político paulista, preocupado com a mobilidade e a renovação urbanas, depois de 16 anos governando a maior metrópole do país. Mas, o que vemos em São Paulo? As mesmas ideias de Paulo Salim Maluf: não há obra viária que não seja capaz de empurrar o problema para o próximo governo. Governo? Que governo? Quem mandou morar em São Paulo? Nós, paulistas e paulistanos, simplesmente abdicamos de cobrar dos governos locais as soluções que cobramos do governo federal. Olho para São Paulo e, francamente, vejo um deserto de ideias, com a justificativa de que que "governo atrapalha", quando na verdade a inexistência dele está a serviço de alguns poucos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Kassab: Esse menino não é uma gracinha??

Como a Hebe se referíria ao Kassab: - Não é uma gracinhaaaa??

Sim, sim. O Poste é uma gracinha. Deu prá fazer humor agora o menino (há controvérsias) do Serra.
É muita hipocrisia prá um mané só. A quem será que esse tipo de político se apresenta? Ah já sei, para os otários que os elejeram para administrar a maior cidade e o maior estado do País. Francamente....
O circo pegando fogo e o esperto tirando sarro da cara do povo. Eita que isso sim é um choque de gestão DEMOníaca!

Deu prá fazer stand up agora Tio??
"....apesar das acusações desgastarem a imagem do partido e darem munição ao PT, "vai ficar claro com o tempo que é uma questão isolada"....

Sim sim, respeitável público. É uma questão isolada. Na verdade o isolamento nem começou ainda. Isolado mesmo ficará seu futuro político e de toda a quadrilha, lindinhooo.... Afff

Fonte: Terra
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), disse, nesta quinta-feira, que a parceria entre DEM e PSDB é "sólida" e não deverá ser afetada pela denúncia de um esquema de propina para aliados do governo do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). "Ela existe em São Paulo e em diversos outros municípios e continuará existindo", afirmou Kassab. A informação é da Rádio Jovem Pan.

O prefeito disse ainda que, apesar das acusações desgastarem a imagem do partido e darem munição ao PT, "vai ficar claro com o tempo que é uma questão isolada". O suposto mensalão do governo de José Roberto Arruda, cujos vídeos foram divulgados neste fim de semana, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolveria empresas de tecnologia para o suposto pagamento de propina a deputados da base aliada.

Igreja Renascer: Kassab Autoriza - Justiça Veta

Quando o poder executivo faz vistas grossas para determinados assuntos, ou melhor mostra-se despreparado para as funções que se espera dele, ou sendo mais claro e objetivo, é um poder corrupto que está pensando apenas em seus benefícios ($$$$$$$), é necessário que o poder judiciário entre em ação e desautorize a falcatrua.

O Kassab autorizou a reconstrução do templo da Igreja Renascer em Cristo que desabou no início do ano. A justiça vetou, conforme nos informa matéria do Terra.
Eu estranho apenas o fato dessa notícia estar tão escondida, mas tão escondida que se não fizermos esforço não nos damos conta de que a corrupção acontece tão descaradamente em São Paulo a tal ponto que torna-se necessário um Juiz dizer assim:
--Kassab, pega leve aí amigo. Vocês precisam ser um pouco mais discretos...

Redação Terra:
A Justiça de São Paulo suspendeu nesta quinta-feira o alvará da Prefeitura que permitia à Igreja Cristã Apostólica Renascer em Cristo reconstruir sua sede na avenida Lins de Vasconcelos, na zona sul da Capital. O prédio desabou no dia 18 de janeiro, causando a morte de nove pessoas e deixando centenas de feridos.

A multa fixada pelo juiz em caso de descumprimento da liminar pela Igreja Renascer é de R$ 50 mil por dia.
A liminar foi concedida em ação civil pública movida pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo, na qual a promotora Mabel Tucunduva Prieto afirma que o alvará não poderia ter sido concedido em razão de a Igreja Renascer ter descumprido uma série de normas ao longo dos últimos anos, quando ocupou o prédio, um antigo cinema, cujo teto, reformado, ruiu no acidente de janeiro. Ainda segundo a promotora, a prefeitura permitiu a reconstrução sem observar a legislação em vigor, o que traz sérios prejuízos ambientais e urbanísticos.

O juiz da 10ª Vara da Fazenda Pública, Valentino Aparecido de Andrade, concedeu a liminar porque "uma edificação irregular, como a da igreja da co-requerida, não poderia ser reconstruída em face de vedação expressa do Código de Obras do Município de São Paulo".

Sobre a responsabilidade da prefeitura, o magistrado afirmou que "a Municipalidade de São Paulo, contudo, fez tábua rasa de tais exigências de sua Legislação, autorizando uma indevida transmudação (transferência) na classificação do uso do imóvel com o único objetivo de facilitar a aprovação do projeto de reconstrução".

Tarso Genro: Temos US$ 3 Bilhões á repatriar

Notícia do Terra dá conta de uma parte de grana brasileira que saiu do país via corrupção. E essa é talvez somente a ponta do iceberg.

O Brasil tem atualmente US$ 3 bilhões de origens diversas no exterior para serem repatriados, disse nesta quinta-feira o ministro da Justiça, Tarso Genro, durante palestra na Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), em Porto Alegre (RS). Sem dar nomes, disse apenas que há dinheiro de "várias figuras importantes".

O levantamento do Ministério da Justiça diz respeito apenas a valores localizados, mas ainda não congelados, que são originários de operações financeiras e de outros tipos de delitos cometidos no País e que geraram essa remessa de dinheiro para o exterior.

"US$ 3 bilhões é um valor significativo e que faz inveja a qualquer caixa de qualquer cidade e de qualquer Estado. Isso (valor) é o que temos conhecimento, fora o que ainda vamos ter conhecimento pelo acionamento dos nossos laboratórios de lavagem de dinheiro que estão sendo espalhados pelo Brasil", afirmou.

Tarso esteve na Suiça, em novembro, para negociar a repatriação para o Brasil de R$ 28 milhões desviados por fiscais do Estado do Rio de Janeiro no caso conhecido como "propinoduto".
O processo de investigação foi aberto pelo governo brasileiro depois de detectados depósitos suspeitos em bancos suíços, atribuídos a servidores da Administração Tributária do Rio de Janeiro. O dinheiro devolvido irá para os cofres da União, com a possibilidade de parte dele ser repassada ao governo fluminense.

Fonte: Terra

AS "ORGANIZAÇÕES SERRA" SÃO CO-RESPONSÁVEIS PELAS SITUAÇÕES DE CORRUPÇÃO NO PODER PÚBLICO

"Lí no blog Democracia&Política artigo do Augusto Fonseca do blog FBI - Festival de Besteiras da Imprensa - e reproduzo abaixo. 
Sem dúvidas o autor não está exagerando nada de nada em suas tão sábias avaliações! 
Em meio a tudo isso o que mais me chama atenção é o fato dos jornalões estarem tão indignados com o DEMO, que como todas as crianças do jardim da infância sabem, é o braço direito e aliado de carteirinha do PSDB e da direita mais direita e reacionária brasileira. 
Porque atacam o DEMO e protegem o PSDB, se são unha e carne, dinheiro e cueca?"

FBI: As Organizações Serra 

"O caso Arruda vai se tornando um fato de comoção pública, com a capacidade de amplificação da imprensa, em especial da poderosa Organizações Serra (Globo, Folha, Estadão e Veja, entre outros).

A quantidade de vídeos em exposição na internet pode até levantar a suspeita de que o Durval foi contratado pelas Organizações para produzi-los. Mas não é disso que quero falar.

A comoção nacional leva as pessoas a se indignarem com todos os políticos, como se todos fossem corruptos. Tudo besteira!

Como já disse em post anterior, a desmoralização da política interessa ao projeto de hegemonia da imprensa, que deseja recuperar o poder que tinha até 2002 e voltar a mandar no executivo, no legislativo e no judiciário.

O projeto de hegemonia da imprensa – desenvolvido pelas Organizações Serra – é, na verdade, o projeto de hegemonia de grande parte da elite econômica brasileira, aliada a interesses estrangeiros e, hoje, representado pelo PSDB, com a conivência do DEM e do PPS. A essa aliança denominei de Lado Obscuro da Força, comandado por Dart Serra.

Portanto, acabar com a credibilidade do PT, do PMDB e de parte do DEM – se for útil para o projeto, como eu acredito piamente que seja – tem importância estratégica para a ampliação da hegemonia desses segmentos.

O PSDB está fora porque ele é o representante político desses interesses. Não é a toa que o mar de corrupção no Rio Grande do Sul, com a governadora Yeda Crusius (PSDB), não mereceu destaque algum da imprensa.

Da mesma forma, os escândalos do governo Serra sequer emergem num cantinho qualquer do grande noticiário.

As Organizações Serra, através dos seus principais representantes, a cada evento desses, vem pedir punição, porque as pessoas com menos discernimento político querem linchamento e pena de morte. Pensam que, com isso, não haverá mais corrupção.

Punição é necessária e tem ocorrido. Há uma grande lista de cassados, investigados e punidos.

O que mostra a insuficiência para resolver o problema central: como são financiadas as campanhas eleitorais em conjunção com votação em pessoas e não em partido.

Grande parte da busca incessante por recursos para financiamento de campanhas está ligada a esses dois aspectos.

Não haverá saída, nem redução significativa da corrupção, enquanto não for votada e implantada a necessária reforma política, enviada pelo governo Lula e estacionada no Congresso Nacional, que propõe financiamento público de campanha e voto em lista.

Afirmo que as Organizações Serra são co-responsáveis por essa situação institucionalizada da corrupção na medida em que não querem a reforma política.

Se quisessem, com o seu poder de convencimento, aliado à força política do presidente Lula e do PT que desejam essa reforma, ela aconteceria.
 

Ao contrário, sempre que se fala em financiamento público de campanha e voto em lista as Organizações Serra vêm com centenas de entrevistas, artigos e matérias mostrando que isso é um absurdo.

E porque ela não quer?

Porque a base política das Organizações Serra se elege, em grande parte, com financiamento privado e caixa 2.

Estou exagerando?"

FONTE: publicado hoje (03/12) no blog "FBI - Festival de Besteiras da Imprensa", de Augusto da Fonseca.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Jornal Nacional (Defeca Geral)


É muito prá minha cabeça ver o quão sórdido e lamentável é o "Padrão Globo de Jornalismo". Na verdade, esses cretinos transvestidos de jornalistas e comunicadores de massa, não passam de uns debilóides que fazem jornalismo para outros que eles julgam debilóides. Estão atrasados com um pé no século passado e fazendo jornalismo impresso e televisivo para um país que não existe mais.
O Brasil mudou, mas os crápulas (i)responsáveis pela comunicação de massas no país estão afundando cada dia mais na sua sordidez e mesquinhez por não terem capacidade de enxergar um palmo na frente do nariz.
Então, é um festival de idiotices a todo instante nas páginas da "veja da ed. abril", na folha de são paulo, no estado de são paulo, no globo, na revista época, na revista istoé, na bandnews, na cbn (a radio que toca o terror), na rede bandeirantes e etc e tal.

Vão pro inferno todos eles por imaginar que o povão é mesmo babaca, como afirmou o willian bonner, que comparou os telespectadores do "jn" com o Holmer Simpson, um mal informado e de baixo raciocínio que vive atirado numa poltrona comendo sem parar e assiste tv sem capacidade de dicernimento.

A televisão (guardadas raríssimas excessões) é um LIXO. A grande imprensa é um LIXO. E querem fazer daquele que deveria ser seu maior patrimônio (o telespectador, o leitor, o cliente dos seus clientes), um bando de idiotas que são teleguiados e mantidos como gado. Estão redondamente enganados.
Criem vergonha nessa cara suja e honrem os diplomas e juramentos feitos na conclusão do curso de jornalismo. Sejam menos micróbios e mais humanos. A plebe agradece!

Maldita internet, educação e inclusão social - lamentam eles.

Abaixo a transcrição da verdadeira entrevista do Presidente Lula respondendo sobre o Mensalão dos DEMOS do DF. Em tempo: (des)governador de SP, Zé do Pedágio - diga-me com quem andas que lhe direi quem você é. (Toda reflexão até aqui faz parte do "Essa é Minha Opinião")!

Não foi como noticiado

O destaque de uma frase do presidente Lula para dar títulos a notícias em portais e sites da internet está levando analistas e leitores a interpretações equivocadas.
Para tirar dúvidas quanto às respostas dadas pelo presidente às perguntas da imprensa sobre a operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, que investiga denúncias de corrupção no Governo do Distrito Federal, com suposto envolvimento do governador José Roberto Arruda, reproduzimos o trecho integral da entrevista -- em vídeo e texto:
 

Jornalista: Presidente, como é que o senhor está acompanhando o escândalo envolvendo o governador Arruda, no Distrito Federal?
Presidente: Eu não estou acompanhando, eu não estou acompanhando, porque está na esfera da Polícia Federal. Se está na esfera da Polícia Federal, o Presidente da República não dá palpite. Espera a apuração, para depois falar alguma coisa. Vamos aguardar…
Jornalista: As imagens não falam por si ali, Presidente?
Presidente: Não, mas vamos aguardar. Imagem não fala por si. O que fala por si é todo o processo de apuração, todo o processo de investigação. Quando tiver toda a apuração, toda a investigação terminada, a Polícia Federal vai ter que apresentar um resultado final, um processo, aí anuncia. Aí você pode fazer juízo de valor. Mesmo assim, quem vai fazer juízo de valor final é a Justiça. O Presidente da República não pode ficar dando palpite, se é bom, se é ruim. Vamos aguardar a apuração.
Jornalista: Existem suspeitas, por exemplo, de que esse escândalo tenha vinculações também com questões de financiamento eleitoral. O Brasil já discutiu essa questão da reforma do financiamento eleitoral, mas não avançou. Como é que se resolve esse problema recorrente?
Presidente: Olha, eu tenho duas propostas, já, que eu mandei para o Congresso Nacional. Eu já mandei duas mini reformas políticas para o Congresso Nacional. Agora, não é o Poder Executivo que vota, no Congresso Nacional. Nós já mandamos… No ano passado mandamos uma. Mandamos uma, agora, com sete pontos importantes para serem votados, um deles é o financiamento público. Eu espero que o Congresso Nacional tenha maturidade para compreender que grande parte dos problemas que acontecem com dinheiro é a questão da estruturação partidária no Brasil. Então, vamos mudar urgentemente e fazer uma reforma política. Eu acho que a reforma política é condição fundamental para que a gente tente evitar que problemas como esse continuem ocorrendo no Brasil.
Fonte: Blog do Planalto

 

E a Yeda, heim, Serra??

O Bicho tá pegando, como se diz no linguajar popular da periferia. Porém assuntos nada periféricos incendeiam a cena político-nacional e abestaiado me lembro apenas que 2010, o ano das eleições ainda nem começou. Aí sim é que o Bicho vai pegar como nunca antes na história desse país.

Lí no Viomundo do jornalista Luiz Carlos Azenha:

Serra opina sobre Arruda, mas continua calado sobre Yeda Crusius
por Ayrton Centeno, em Brasília Confidencial
Desde sempre em silêncio sobre as múltiplas denúncias que há muitos meses atingem a governadora tucana do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, o governador paulista José Serra (PSDB) animou-se ontem a considerar gravíssimas as acusações ao governador José Roberto Arruda, do DEM – um de seus principais aliados no governo e principal parceiro para as eleições de 2010.
 Yeda é uma vidraça e tanto. A tucana que faz o governo mais tumultuado que o Rio Grande do Sul já experimentou, desde a República Velha, somente se livrou de um pedido de impeachment por obra da maioria que mantém na Assembléia Legislativa e de uma postura contida da imprensa local. Antes das chuvas que flagelam o estado, houve uma enxurrada de denúncias de corrupção que arrastou Yeda para um buraco aparentemente sem fundo, tornando-a a mais impopular entre todos os 27 governadores, com mais de 60% de rejeição.
As atribulações de sua gestão com a atividade policial começaram com os R$ 44 milhões surrupiados do Detran. Mas foi só o começo. Veio logo a mal explicada aquisição da mansão da governadora e, mais tarde, o uso de dinheiro público para compra de móveis particulares. Depois do rompimento com seu vice, Paulo Feijó, este bandeou-se com armas e bagagens para a trincheira oposta. Feijó fez mais: gravou uma conversa cabeluda do chefe da Casa Civil de Yeda, César Busatto, dizendo-lhe como o dinheiro público era tratado. Explicou a Feijó que um partido pequeno no estado, como o PSDB, dependia, para governar, do apoio de siglas poderosas como o PP e o PMDB. Entende-se do diálogo que o PP extrairia seus recursos do Detran – o que mais tarde veio à tona com a operação Rodin, da Polícia Federal – enquanto o PMDB faria o mesmo com o Banrisul – banco do Estado. Feijó tornou pública a conversa com Busatto, este caiu e o Governo Yeda perdeu um pouco mais de credibilidade.
Ao longo de quase três anos de administração, a governadora colecionou problemas e cultivou inimizades. Secretários estaduais e dois diretores do Detran saíram atirando. Amigo de Yeda dos tempos de campanha, como um de seus coordenadores, o empresário Lair Ferst partiu para o ataque, após perder parte do butim do Detran. Mais de 20 nomes do primeiro escalão pediram demissão ou foram defenestrados, muitas vezes levados de roldão pelas denúncias de corrupção.
Agora, mais dois secretários de Yeda – Marco Alba, da Habitação, e Rogério Porto, da Irrigação – aparecem no inquérito da Operação Solidária, também da PF, como cabeças do esquema de fraudes nas licitações. Não é demais lembrar que a operação ganhou este nome devido ao lema “Administração Solidária”, da Prefeitura do município de Canoas, então governada pelo PSDB, e onde a Polícia Federal primeiro flagrou a falcatrua das licitações arranjadas.
Como se não bastasse, aliados desde sempre como o PMDB e o PP vêem-se cada vez mais enrascados. Estão nesta situação os deputados federais Eliseu Padilha (PMDB) e José Otávio Germano (PP), os deputados estaduais Frederico Antunes (PP), Luiz Fernando Záchia, Alceu Moreira e Marco Alba, os três do PMDB.
Há também um cadáver em cena. Até hoje, a estranha morte do ex-chefe da representação do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcanti, não foi esclarecida. Seu corpo apareceu boiando no lago Paranoá. Suicídio ou homicídio? “Marcelinho”, como o chamava Yeda, sabia bastante sobre os bastidores da gestão tucana. Era fevereiro de 2009 e ele morreu poucos dias antes de depor ao Ministério Público Federal.

domingo, 29 de novembro de 2009

O FILHO DO BRASIL E O FDP DA 'FOLHA

Por Marco Piva, no "Vi o Mundo".

É difícil acreditar que afirmações insidiosas ganhem tanto destaque nas páginas de um dos maiores diários do país e tudo fique como sempre esteve. Troca de acusações, exageros verbais e fofocas são ingredientes naturais da política em qualquer parte do mundo - menos nas ditaduras, onde as piadas sobre os governantes não costumam terminar em sorrisos. Nas democracias, jovens ou velhas, a liberdade de expressão é um valor inerente ao indivíduo e à sociedade. Inclusive, se paga caro quando, em nome dela, se cometem injustiças. Mas, o que fazer quando, por motivos inconfessáveis, alguém se dispõe, do nada, a usar uma aparente proximidade com certos personagens para lhes assacar ilações comprometedoras da honra, sejam elas autoridades ou não?

Este é o caso de Cesar Benjamin, colunista da 'Folha', em primeiro lugar, e, em segundo, ex-fundador do PT. Esta ordem é importante porque nossa vida é a soma de experiências passadas aplicadas no presente. É assim que vislumbramos ou sonhamos com o futuro. Ao receber, generosamente, uma página inteira do primeiro caderno para suspeitar da conduta moral do presidente da República, Benjamin faz um jogo deselegante e que, de tão pífio, o ridiculariza. Como a afirmação que faz não passa de uma tolice ainda juvenil que não resiste à menor checagem com os personagens envolvidos no episódio (os companheiros detidos à época e os acompanhantes do almoço), o papel a que ele se presta revela bem a natureza de seu caráter perturbado (não é fácil ser preso aos 17 anos e ficar confinado por outros sete). Mas, além disso, expõe claramente qual é o nível de jornalismo ao qual estamos submetidos no Brasil. Um jornalismo aliado das fofocas pequenas em nome de uma moralidade sabidamente impossível, cujo objetivo é a desconstrução da política como ferramenta de realização nacional.

A operação está clara. O jornal não pode assumir a acusação e “terceiriza” sua responsabilidade. O que vier depois disso é lucro porque, se alguém tiver que ir à Justiça para responder pelo que escreveu, este alguém será o articulista, e não o veículo. Enquanto isso, a “versão pega e se expande”. É muito óbvio o mecanismo. E com a extinção da Lei de Imprensa, tão festejada pelos donos da mídia, não é difícil imaginar por quanto tempo e qual resultado se alcançará em uma ação por danos morais em função desse tipo de artigo.

Desde que boa parte da imprensa comercial decidiu voltar um século atrás em sua maneira de fazer jornalismo e se transformar em partido político, a sociedade brasileira fica, a cada edição, mais pobre de informação. A liberdade de expressão deixa de ser um valor para cada um e para todos para ser usada em uma cruzada moralista que busca atingir apenas aos adversários. Não fosse assim e o filho ilegítimo de FHC não teria sido ocultado e negado por 18 anos.

É a velha máxima: aos amigos, o acolhimento; aos inimigos, a lei. Mas, de qual lei falamos? Exatamente da lei da dissimulação que tudo permite em nome da liberdade. Este cinismo moderno sufoca o verdadeiro debate porque impõe uma agenda que não combina com as aspirações individuais e coletivas por uma democracia que seja respeitada, ampliada e consolidada.

O que faz Cesar Benjamin com seu artigo senão tentar chamar os holofotes para si em nome da liberdade que tem, como colunista do jornal, e assim escrever o que bem entende? Esta técnica não é nova e, atualmente, temos vários exemplos semelhantes em outros jornais e revistas. O que espanta é a naturalidade com que é feita a afirmação de que o presidente Lula teria tentado molestar sexualmente um “menino do MEP” em seu período de cárcere, entre 19 de abril e 20 de maio de 1980.

À incredulidade de imaginar que alguém possa escrever isso impunemente se soma a dúvida do que efetivamente pode estar por trás dessa informação. “Mania de perseguição”, dirão alguns. “Lá vem a tese da conspiração”, dirão outros. Pode ser. Mas, quando se vive com um jornalismo de esgoto, tudo é possível. Sinceramente, Benjamin por Benjamin, prefiro o Walter. Este, que assina o artigo em espaço generoso na Folha, é apenas subproduto de um rancor mal analisado por ele mesmo. A única coisa que ele acerta é a diferença entre quem são os filhos do Brasil e quem é o filho da puta."

FONTE: escrito por Marco Piva, jornalista, e publicado hoje (29/11) no portal "Vi o Mundo", do jornalista Luiz Carlos Azenha - Lido no Blog Democracia & Política - Negritos por minha conta.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lúcia Hippolito : PSDB na Berlinda

O que será que está se passando com os formadores de opinião do PIG? Será que já estão prevendo uma possível surra da oposição nas eleições 2010 para Presidente da República?
Lúcia Hipólito em seu Blog chega á uma conclusão (muito tardia) mas sem dúvidas, realista.
Ela questiona a competência dos gestores do PSDB/Demo em São Paulo. Vale lembrar que o PSDB está no comando do Estado de São Paulo há quase 15 anos.

A chamada da matéria/opinião: Competência Tucana na Berlinda.

Como não existe possibilidade de divulgação do conteúdo sem autorização expressa da RG, deixo apenas o link para o blog da moça: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito/

"Entre outras coisas, ela afirma que o desabamentos das vigas do Rodoanel que está sendo contruído em São Paulo atinge em cheio o égo dos tucanos que se imaginavam superiores e com um diferencial ao governo Lula: - competência em gestão pública??- (sic)".

Porque a Globo sustentou a amante e o filho do FHC?

Marco Aurelio Melo trabalhou por 12 anos na Globo. Conhece bem o funcionamento interno do poderio e suas realações com o mundo real. Ele criou o blog DoLaDoDeLá onde conta histórias de maneira inteligente e dissimulada. Porém o conteúdo é real. Mas se perguntarem, ele nega!

Pergunta que não quer calar: Porque a Globo sustentou a amante e o filho do FHC?

Os jornais informam errado. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não decidiu oficializar o reconhecimento do filho que teve com a jornalista Miriam Dutra, da TV Globo. 

Ele já o fez, num cartório em Madrid, na Espanha, onde vive a 'correspondente' da emissora. O nome do jovem já foi, inclusive, incluído no testamento do ex-presidente, que não quer que os filhos fiquem brigando por herança, depois que ele partir desse para o outro mundo. 

Tomas Dutra Schmidt, de 18 anos, vive em Washington e ligou assustado para mãe hoje, depois de receber mais de quinhentos convites pelo Facebook (uma rede de relacionamentos pela internet, que é mania no Brasil, depois do Orkut). Os convites vieram, depois que 'coincidentemente' o jornal Folha de S. Paulo trouxe a notícia no primeiro caderno, pela jornalista e colunista da Ilustrada, Mônica Bergamo. 

Oficialmente, Fernando Henrique nega, porque não quer dar publicidade ao caso, considerado uma questão íntima, de família. 

Até seria, não fosse o caso dele ter se transformado em presidente da República e a Miriam passar todo este tempo 'exilada' sozinha, recebendo salários da família Marinho, detentora de uma concessão de serviço público. 

Hoje, Tomas tem 18 anos e sente na pele como é viver segregado e escondido. Quanto ao ex-presidente, na idade em que está, faz mais do que bem pacificar o seu passado. Quem sabe sua nova namorada, uma jornalista (mais uma?) não esteja ajudando-o neste doloroso processo. 

Sinto por eles, pelos filhos, mas sinto imensamente pelo país, que exige explicações sobre a relação promíscua de silêncio que se deu entre a grande imprensa e o ex-senador, ex-ministro de Estado e ex-presidente da República.

Folha de São Paulo: ESCOMBROS TUCANOS

"Que não tenha morrido ninguém foi "um milagre", disse o próprio governador de São Paulo, ao observar, in loco, o resultado do desabamento de três vigas do Rodoanel sobre a rodovia Régis Bittencourt, na noite de sexta. "Milagre" não é uma palavra que costuma frequentar o vocabulário do engenheiro José Serra, adepto obcecado da razão. Ele falou ainda em "barbeiragem" a ser esclarecida, o que soa quase como um eufemismo. "Negligência criminosa" não seria mais adequado?

Registre-se que, sim, lamentavelmente uma pessoa morreu na madrugada de sábado depois de um acidente provocado pelo congestionamento na rodovia.

Aguardemos as investigações, mas o que por ora já se sabe não é nada republicano.

Relatório do Tribunal de Contas da União havia apontado várias "irregularidades graves" nas obras do trecho sul do Rodoanel. Entre elas, a substituição do material das vigas definido em contrato por outro, mais barato.

Apesar dessa e de outras tantas maracutaias técnicas, o TCU viu indícios de superfaturamento pesado na obra. OAS, Mendes Jr. e Carioca Engenharia, do consórcio responsável pelo trecho, nada disseram até o momento. O silêncio traduz o descaso arrogante com que empreiteiras desacostumadas à luz do dia tratam a opinião e a coisa pública.

Como não lembrar da tragédia ainda recente na linha 4 do metrô, em janeiro de 2007? Não foi a mesma negligência criminosa que deu origem à enorme cratera para onde foram tragados seis carros e morreram soterradas sete pessoas?

Conseguirão os tucanos concluir uma obra de porte em São Paulo sem cometer desastres pelo caminho?

Não há retórica da competência ou do bom gerenciamento que resista aos escombros monumentais que esses seletos homens públicos são capazes de produzir. Os tucanos precisam compatibilizar a boa imagem que fazem de si mesmos com as imagens que a realidade insiste em nos exibir."

FONTE: texto de Fernado de Barros e Silva publicado hoje (16/11) na Folha de São Paulo.