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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pressão de evangélicos não é por fé, mas por poder

Durante encontro com líderes religiosos em setembro, Dilma declarou ser contra o aborto


                                                                   Roberto Stuckert Filho/Divulgação

Durante encontro com líderes religiosos em setembro, Dilma declarou ser contra o aborto
Dayanne Sousa
A pressão de setores religiosos - principalmente evangélicos - sobre uma definição contra o aborto da campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT) não tem motivação religiosa, mas é uma forma de barganhar por poder, avalia a cientista Maria das Dores Campos Machado. Ela destaca que, neste segundo turno presidencial - nem Dilma, nem José Serra (PSDB) têm perfil religioso. Para ela, qualquer um dos dois tem chances de ganhar o apoio desses grupos por negociação.
- Eu percebo que existe um pragmatismo muito grande nos grupos religiosos. Eles sabem que estão lidando com dois candidatos que não são religiosos.

Para a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os pastores viram na polêmica uma chance de se estabelecerem na política.
- É um jogo e o que estas lideranças querem mostrar é que estão sendo reconhecidas.

Autora dos livros "Os Votos de Deus" e "Política e Religião", Maria das Dores é diretora de um núcleo de estudos sobre religião e política. Em entrevista a Terra Magazine, ela critica o uso da discussão em torno da descriminalização do aborto nas eleições. "O fato de isso aparecer na eleição, mostra como o debate na sociedade é incipiente". "Esse tema está sendo usado na eleição porque a sociedade não tem uma posição clara".

Leia a entrevista na íntegra.
Terra Magazine - O que a senhora está achando do fato de os votos dos religiosos entrarem no centro dessa disputa pelo segundo turno? A questão do aborto, principalmente, está se tornando crucial para os presidenciáveis.
Maria das Dores Campos Machado -
A religião sempre teve uma dimensão muito importante na cultura brasileira e aparece sempre em momentos importantes das eleições. Nos últimos anos, o movimento feminista conquistou alguns avanços junto ao Poder Executivo, há a questão do Plano Nacional de Direitos Humanos. Isso expressava um certo avanço dos setores mais progressistas do governo. O que há é uma reação dos grupos conservadores. Você não tem nenhum grupo religioso com uma única posição com relação às candidaturas que estão representadas agora. Tanto os evangélicos como os católicos estão divididos. Eles também percebem que a própria candidatura de José Serra também tem mais afinidade com posturas mais liberais. Ele já foi ministro da Saúde, tem medidas que facilitaram a contracepção de emergência.

Como é essa divisão?
No caso de Serra, os contatos que ele mantém são muito mais graças ao Geraldo Alckmin, que é um católico mais conservador, e alguns movimentos de renovação carismática muito ligados ao Geraldo Alckmin no interior de São Paulo. No caso de Dilma, a candidatura dela tem o apoio tanto do bispo Edir Macedo (líder da Igreja Universal) como do bispo Manoel Ferreira, que é uma grande liderança da Assembleia de Deus. Mas há uma grande resistência de grupos mais conservadores e grupos que não conseguem estabelecer um canal direto com as grandes candidaturas. Não se pode esquecer que os evangélicos têm um caráter muito pragmático. Eles sabem estabelecer uma separação entre o que é do mundo legislativo e o que é essa doutrina religiosa. Nesse sentido, eu acho que existe possibilidade de os dois candidatos conquistarem apoio desses grupos para além da visão ideológica ou da visão mais doutrinária de ser contra ou a favor do aborto. Eles sabem muito bem que eles estão lidando com dois atores políticos que não são religiosos, mas que podem dialogar com suas lideranças e podem dar um tratamento de ouvir mais essas lideranças na maneira de encaminhar o debate do aborto.

Mas essa possibilidade de negociar com os dois lados independe, então, da questão religiosa em si?
Eu percebo que existe um pragmatismo muito grande nos grupos religiosos. Até o final dos anos 90, o Lula era visto como um representante do "demônio" por vários pastores. Os pastores diziam que o Lula era endemoniado. Eu lembro que, na campanha em que o Lula foi vitorioso, o bispo Carlos Rodrigues disse: Nós criamos o veneno - que era considerar o Lula um demônio - nós vamos criar o antídoto. Existe por parte das lideranças certo pragmatismo. Uma vez convencidos de que as alianças políticas podem ser proveitosas para os seus grupos, eles podem rever toda a posição.

Mas esse apoio não iria, neste caso, ao candidato que se comprometesse a não descriminalizar o aborto?
Sim. O que eu estou querendo dizer é que esse tipo de intervenção - como o do pastor Malafaia (que declarou voto em Serra) - é criado em função de entenderem que eles estariam tendo uma maior capacidade de influência junto à Dilma ou ao Serra. Eu acho que há um pragmatismo aí por trás. Eu acredito que o pastor Silas Malafaia, quando declara o seu voto, ele é uma pessoa que faz a opinião pública. É um caráter extremamente pragmático. Eu acho que ele está aí tentando se cacifar no jogo da política. Ele não é só um ator religioso. Tem aí também um jogo das lideranças religiosas no sentido de serem reconhecidas enquanto atores políticos, atores que vão estabelecer uma série de acordos e vão ter acesso ao cenário político. A questão doutrinária é colocada na mesa para negociar ou para forçar um reconhecimento enquanto ator político.

Colocar essa questão do aborto às vésperas da eleição é uma ação eleitoreira? Em especial, o questionamento direto feito à postura da candidata Dilma por ela não ter se definido sobre o tema.
Existem coisas que acontecem dentro das igrejas. E existem coisas que, da Igreja, são levadas para a mídia. Que a mídia tem mais simpatia pela candidatura do Serra, isso é inegável. Mas, por exemplo, o Silas Malafaia está distribuindo CDs e DVDs contra o aborto. O que é curioso é que, por exemplo, não houve uma discussão em torno da homofobia - que também é um tema difícil. Por quê? Porque os homossexuais têm uma mobilização dentro da sociedade, então eles conseguem dar uma resposta de pronto, acionando a Justiça. Eles têm uma capacidade de mobilização muito maior que o movimento a favor do aborto. No caso dos homossexuais, por mais que os líderes religiosos sejam contra, eles não conseguem interferir nesse debate e nem trazer isso para o momento eleitoral. São temas que estão sendo usados porque a sociedade civil brasileira ainda não tem uma posição clara com relação ao aborto. Então, permitiu que esse tema fosse usado dessa forma.

FONTE: Terra Magazine

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Eleições Presidenciais: Levaram o debate para onde não interessa

Quem pauta a vida política nacional ainda é o PIG. Formado pelos maiores veículos de comunicação do país, são eles os responsáveis por disseminar como queiram e o que escolham de notícias ao conhecimento do público.

Rede Globo, Jornal Folha de São Paulo, Jornal O Estado de São Paulo e Revista Veja são os masters do PIG brasileiro. Os demais veículos país afora se pautam nesses quatro para repercutirem a pauta que eles elegeram.

Num momento único da história do Brasil, onde sem sombra de dúvidas chegamos a um pleito da dimensão de escolher um novo Presidente da República que irá comandar a 8.a Economia Mundial, que hoje vive uma estabilidade econômica de causar inveja tanto a Europa como aos E.U.A., nossa sociedade está debruçada na discussão de temas como religião, aborto e homossexualismo. Não se fala em outra coisa.

Mas pergunto: quando é que iremos discutir os verdadeiros temas que são imprescindíveis para uma sociedade que caminha a passos largos para tornar-se a 5.a maior Economia Mundial em 10 anos?

Quando é que iremos abordar temas relevantes sobre violência, saúde, educação, sustentabilidade, distribuição de renda, reforma tributária, reforma política, cidadania e tudo mais que comporta uma verdadeira e ampla agenda política?

Se continuarmos fazendo o jogo do PIG, onde eles fazem do Brasil um reality show nos moldes do BBB da Globo, onde os candidatos a presidencia são os confinados na pauta escolhida por eles, nós iremos é todos para o buraco.

Como diz o velho ditado: O que eles querem é ver o circo pegando fogo com o palhaço dentro.

Abaixo um vídeo compacto de uma entrevista de Ciro Gomes ao programa Jogo do Poder:



Leia abaixo alguns posts interessantes encontrados em blogs amigos e outros publicados aqui no "Essa é Minha Opinião" que abordam temas e idéias que o PIG não gostaria jamais de discutir.
Eles odeiam povo que se informa, pensa e vota contra eles.

Comparação entre Governos Lula x FHC

A mídia a favor do retorno do neoliberalismo

Maria Inês Nassif fala sobre partidos e política

Evolução na Educação: Mais Mestres e Doutores

Democracia e as mudanças no Brasil

Reflexão Política 

Excelente análise sobre a importancia do Bolsa Familia

Eduardo Guimarães: O ovo da serpente midiática





Estou bastante preocupado com a real situação política vigente hoje no Brasil. O processo eleitoral que definirá o rumo do país de uma forma que creio permanente está sendo desfigurado por um fenômeno. Enquanto escrevo, não sei se ao terminar este texto ele já terá sido ultrapassado pelos fatos de tal que é a velocidade com que factóides políticos se sucedem na dita grande imprensa.

Quando terminar de escrever este texto, talvez já esteja na praça um novo grande escândalo que fatalmente será contra Dilma Rousseff e contra o PT. Some-se isso ao fato de não haver hipótese de qualquer denúncia contra José Serra surgir e ser veiculada da forma insistente usada contra o PT, que já vai hipnotizando a alguns. E se a denúncia vier desse PT, será tratada como “novo dossiê contra tucanos”.

Nas concessões públicas de rádio e tevê, a família Marinho, dona do poder de alcançar quase cem por cento dos brasileiros com as suas transmissões, manda seus empregados desfecharem ataques virulentos ao presidente da República e à sua candidata. E o que é pior: não só a eles, mas aos seus eleitores.

Integrante do grupo de comediantes Casseta e Planeta chamou o presidente da República de picareta, de ladrão, de burro etc. No boteco da esquina? Não, na Globo – uma concessão pública. Ali, analistas políticos tomam partido escancaradamente de Serra.  O jornal Folha de São Paulo, por sua vez, reedita na tevê propaganda dos anos 1990 com o óbvio propósito de comparar Lula a Hitler.

A serpente midiática colocou seu óvulo entre a sociedade civil. Na última quarta-feira, denunciei aqui o efeito maciço que as campanhas difamatórias de Globo, Folha, Veja e Estadão contra Dilma insuflaram em grupos de classe média alta, levando pessoas comuns a promoverem verdadeiros arrastões político-ideológicos intimidando a qualquer um que manifeste opiniões favoráveis à candidata do PT à Presidência.

O fundamentalismo religioso tem sido estimulado pelos grandes meios de comunicação eletrônicos e impressos, gerando milhões de e-mails e de panfletos contendo calúnias sobre a petista. Ataques à sua honra como mulher, acusações de ser homicida, prostituta, ladra se espalham e chegam a atingir, de forma estarrecedora, até a crianças.

Enfim, esta é a campanha eleitoral mais suja que vi. Nem em 1989 houve bombardeio igual. Os grupos religiosos que integram a máquina de difamação tucano-midiática não tinham expressão igual, àquela época. Tanto em número de patrulheiros quanto por falta de um instrumento como a internet. Talvez por conta da tecnologia, portanto, hoje esteja proliferando esse clima de caça às “bruxas comunistas”.

Se o eleitor de Dilma for do povo, será tachado de “desinformado” e de “burro” não só pela militância manipulada entre a sociedade civil como pelos “analistas” dos grupos econômicos do setor de comunicação supracitados; se for de classe média, será qualificado como “esquerdista de boutique” ou acusado de ter algum interesse escuso para assumir aquela posição política.

Enfim, há um processo que mergulha no seio da sociedade, em seu âmago, em cada estrato, em cada região. Nos comentários de leitores sobre o post bullying eleitoral, há relatos surpreendentes sobre as mais diversas formas de constrangimento dos eleitores de Dilma pelos de Serra, os quais superam os da adversária nas classes média-média e média-alta. São justamente os estratos em que está a maioria dos leitores de blogs como este.

Essa máquina difamatória e intimidadora se vê retroalimentada pelo noticiário, usado como “prova” de que Dilma, o PT e seus eleitores seriam todos “criminosos”, “assassinos”, “degenerados” etc.
Mesmo a mídia não dizendo que quem vota e sustenta publicamente seu voto em Dilma é criminoso, nas rodas de discussões mais descompromissadas qualquer um que defenda sua opção política pró-PT é chamado de “petralha”, termo que tem até um livro dando o perfil engendrado pelo autor para difamar qualquer cidadão que faça opção por esse partido.

O alcance desse processo é imprevisível. De um lado, eleitores de Dilma acuados pela propaganda. Em certos meios sociais, começa-se a ter medo de assumir o voto na candidata do PT. Hoje mesmo conversei com uma pessoa que trabalha em uma grande empresa e que pretende parar de escrever no Twitter porque teme ser demitida se descobrirem em quem pretende votar.

Diante de tudo isso, desse processo de inoculação de verdadeiro fascismo na sociedade por Globo, Folha, Veja, Estadão e assemelhados, fico me perguntando como enfrentar essa onda de intolerância, de ódio, de arrogância e de autoritarismo. Agora, se alguém quiser a minha opinião sobre como lidar com esse processo assustador, acho que não será possível fazê-lo com fleuma e produções cinematográficas.

FONTE: Blog da Cidadania

O jornal Estadão precisa se definir: Liberdade ou Censura?

Atualizando as 11:50Hs - Maria Rita Kehl perdeu sim o emprego no Estadão. Ao final do Post incluo entrevista dela concedida ao Terra Magazine.

Anteriormente mais cedo escreví: ("Abaixo transcrevo artigo que quase custou o emprego ou no mínimo a censura da psicanalista Maria Rita Kehl colunista do jornal "O Estado de São Paulo".)

Como o jornal é assumidamente partidário de José Serra, não aceita que em suas páginas, alguém possa dar uma aula de isenção política e visão diferente com relação ao atual Governo Federal, daquela que permeia corações e mentes da direita raivosa. 

Como alguém pode ousar falar bem por exemplo, do Bolsa Família ou da ascenção das classes D e E? Assumir que sim, este Governo teve êxitos? Isso é algo inconcebível. Ainda mais vindo de alguém com o peso de uma Maria Rita. A orientação agora é de que ela fale apenas de psicanálise. Ela melhor que ninguém sabe que só Freud explica essa atitude do Estadão. Afinal liberdade de imprensa não significa exatamente liberdade de pensamento nas páginas do reacionário jornal.

DOIS PESOS
Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

FONTE: O Estado de São Paulo

TERRA MAGAZINE:

Maria Rita Kehl: "Fui demitida por um 'delito' de opinião"

Bob Fernandes
A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo depois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a "desqualificação" dos votos dos pobres. O texto, intitulado "Dois pesos...", gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias.
Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo e o motivo de sua demissão:

- Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um "delito" de opinião (...) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?
Veja trechos do artigo"Dois pesos".
Leia abaixo a entrevista.

Terra Magazine - Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você...
Maria Rita Kehl -
E provocou, sim...

- Quais? - Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um "delito" de opinião.

- Quando? - Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).

- E por qual motivo? - O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussão (na internet), a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.

- Você chegou a argumentar algo? - Eu disse que a repercussão mostrava, revelava que, se tinha quem não gostasse do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável...

- Que sentimento fica para você? - É tudo tão absurdo...a imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo..

- Você concorda com essa tese? - Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado..

- ...Por outro lado...? - Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um "delito" de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (Senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expos uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

- Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições? - Acho que sim. Isso se agravou com a eleição, pois, pelo que eles me alegaram agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.

FONTE: TERRA MAGAZINE

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

2010 - Momento delicado da Democracia no Brasil - O fascismo está a 1000/km por hora

Abaixo reportagem do Terra nos conta sobre panfleto distribuído na campanha de Serra. Mais abaixo post lido no Blog do Miro e originalmente postada no Site Vermelho.

Indubitavelmente as eleições de 2010 serão as piores em vários aspectos da vida democrática, porém tem muitos leigos e simpatizantes do fascismo de direita que não sabem com qual tipo de forças estão lidando. Na verdade nem sabem que estão ajudando a disseminar o fascismo quando distribuem e-mails e "hoax" reacionários aos amigos de suas listas.

Seria importante avisar essas pessoas que com a Democracia não se brinca.

Mas como fazê-lo se os principais meios de comunicação do país são os primeiros e maiores em demonstrar um péssimo exemplo?

Cito-os para que não hajam dúvidas:
Rede Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e Revista Veja.

Esses não tem nada a perder. Estão defendendo os seus interesses excusos.
Quanto ao povo que se deixa ludibriar, Deus os ilumine. Só quem não viveu uma Ditadura Militar é que pode brincar com a Democracia da maneira que vemos hoje. Mas tudo na vida tem limites.

TERRA:

Em encontro tucano, folheto pró-TFP traz críticas a Dilma


Claudia Andrade
Direto de Brasília
Durante encontro de aliados da campanha de José Serra (PSDB) à presidência da República, um folheto apócrifo circulou com mensagens contra a campanha de Dilma Rousseff (PT).
O pedaço de papel fala sobre um projeto de lei - o Plano Nacional de Direitos Humanos - interpretado como "um decreto preparatório para um regime ditatorial". "Você sabe o que é o PNDH-3? Se você é uma pessoa que pensa em votar na Dilma, conheça bem esse projeto antes de votar", começa a mensagem.

O texto continua dizendo que o projeto tem por objetivo "legalizar o aborto, acabar com o direito da propriedade privada, limitar a liberdade religiosa, perseguir os cristãos, legalizar a prostituição, manipular e controlar os meios de comunicação, acabar com a liberdade de imprensa, taxar fortunas".
O folheto diz que o eleitor poderá "mudar radicalmente o campo de batalha" contra o projeto. "Tudo vai depender de como se comporá o novo Congresso Nacional depois do resultado das urnas".

Ao final, a mensagem aponta para um site na internet - identificado com pertencente ao IPCO - e pede a divulgação da informação através das redes sociais da internet. O site indicado no folheto seria do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, antigo líder da organização católica ultraconservadora Tradição, Família e Propriedade, a TFP. O IPCO é descrito como "associação de direito privado fundado em 2006 por um grupo de discípulos do saudoso líder católico brasileiro"

MIRO:

Seita fascista (TFP) apóia Serra

Reproduzo matéria publicada no sítio Vermelho:

A candidatura presidencial de José Serra (PSDB-DEM-PPS) tornou-se um porto seguro para os setores mais reacionários da sociedade. Líderes religiosos obtusos, direitistas que enaltecem a ditadura militar, elitistas que disseminam preconceito contra a população pobre, além de racistas e machistas de todos os matizes correm para manifestar apoio ao candidato tucano.

Esta gente, que costuma ser apontada como os "4%" de brasileiros que não toleram o governo Lula, está ganhando espaço cada vez maior nas hostes serristas e pode acabar afastando de Serra o eleitor progressista, sem vínculos pártidários, que optou por Marina no primeiro turno e agora está em dúvida sobre em quem votar.

Panfleto circula em reunião de cúpula tucana

Demonstração clara desta aproximação com a extrema-direita foi relatada pelo jornalista Fernando Rodrigues, em seu blog. Segundo ele, um texto que incita militantes a divulgar na web que plano de Dilma inclui perseguir cristãos, legalizar aborto e prostituição circulou hoje na reunião de cúpula da campanha de José Serra, em Brasília,

Os tucanos distribuíram entre si um panfleto com instruções sobre como propagar uma campanha anti-Dilma na internet. Num dos trechos, recomenda aos militantes visitarem o site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, um dos fundadores da TFP ( Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade), uma das mais conservadores agremiações do país.

Esta organização prega, entre outras coisas, que seja proibido o uso de camisinha, que seja revogada a lei do divórcio, que só seja praticado sexo para fins reprodutivos, que as mulheres sejam submissas ao homem por lei, que cultos religiosos de origem africana sejam proibidos no Brasil. A TFP também dissemina preconceito contra as demais religiões não católicas, defende que o ensino religioso seja obrigatório no ensino público.

Em 1985, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou que em razão das "características esotéricas e fanáticas, e da idolatria ao seu fundador" a TFP não estava em comunhão com a Igreja Católica. Os bispos pediram aos católicos que não se juntem ou colaborem com essa organização.

No campo econômico-social a TFP defende abertamente a desigualdade de classes. Eles consideram as questões quilombola, indígena e ambiental como ataques ao direito de propriedade.

Calúnias x direitos humanos

O panfleto da TFP que foi distribuído na reunião tucana basicamente se refere ao PNDH-3 (Programa Nacional de Direitos Humanos), lançado pelo governo Lula no final do ano passado. Eis um dos trechos do panfleto divulgado na reunião tucana:

“O PNDH-3 é um projeto de lei que tem por objetivo implantar em nossas leis a legalização do aborto, acabar com o direito da propriedade privada, limitar a liberdade religiosa, perseguir cristãos, legalizar a prostituição (e onde fica a dignidade dessas mulheres?), manipular e controlar os meios de comunicação, acabar com a liberdade de imprensa, taxas sobre fortunas o que afastará investimentos, dentre outros. É um decreto preparatório para um regime ditatorial”.

O blog estava dentro da sala do centro de convenções Brasil 21 na qual se realizou o encontro tucano. Por volta das 16h10, antes de a imprensa ser admitida no recinto, uma mulher com adesivo de Serra colado no peito distribuiu o bilhete. “Pega e passa”, dizia.

Era do tamanho de um papel A4 dividido ao meio. Mais tarde, uma pequena pilha (cerca de 3 cm de altura) com esses panfletos foi deixada ao lado do local onde era servido café –e a imprensa teve livre acesso. Ao final, o texto recomenda: “Divulgue esta informação através das redes sociais da internet (blogs, Orkut...)”.

Segundo as assessorias do PSDB nacional e do candidato José Serra, a confecção do panfleto não tem relação com o partido nem com a campanha tucana. Ainda assim, o papel ficou à disposição de quem tivesse interesse em pegar. Os panfletos só foram retirados um pouco depois de o Blog ter perguntado à cúpula tucana a respeito do assunto.

Mulher de Roriz manifesta apoio a Serra em Brasília

Ao longo da campanha de Joaquim Roriz (PSC) ao governo do Distrito Federal e depois de sua mulher Weslian, o palanque montado para o presidenciável José Serra (PSDB) no DF teve efeito prático inócuo. O tucano não foi destaque nos programas eleitorais nem participou de comícios.

Mesmo assim, Weslian Roriz compareceu, nesta quarta-feira (6), ao encontro de aliados realizado em Brasília, para oficializar o pontapé inicial para a campanha do segundo turno.

A candidata, que disputará o segundo turno com o petista Agnelo Queiroz, disse que sua presença simboliza o seu apoio à candidatura de Serra à presidência da República. Questionada sobre uma possível participação do tucano em sua campanha, minimizou a questão: "se ele vier (ao DF), tudo bem. Se não vier, não vou me preocupar. Os votos dele já são meus", afirmou.

A candidata estava acompanhada de Maria Abadia, integrante tucana da chapa formada com o PSC, que não conseguiu se eleger para o Senado. E por Jaqueline Roriz, deputada federal e filha do casal, que assegurou sua vaga na Câmara dos Deputados.

Weslian também falou sobre sua participação nos debates televisivos no segundo turno e disse que sua presença está "mais para sim" do que para não, apesar de ainda não estar 100% acertada.

No primeiro turno, a mulher do ex-governador do DF participou de dois debates na TV e ganhou popularidade após cometer gafes e se perder durante suas respostas. 
Claudia Andrade Direto de Brasília para o Site Terra
*Observação minha: A reportagem esqueceu de citar que a gafe da candidata que apóia o Zé foi dizer "que defende a corrupção". Ato falho?? Serra está bem acompanhado!


20 anos de PSDB em SP: Tarifa de luz ficará 7,8% mais cara em 28 cidades de SP


Nem é questão de querer falar mal dos responsáveis pelos últimos 16 anos de mandato executivo no Estado de São Paulo e que foram brindados no último domingo com mais 4 anos á frente do Governo Estadual. Quem manda votar continuamente no PSDB?
Abaixo notícia do Terra: 

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um reajuste médio de 7,91% para a distribuidora paulista Bandeirante Energia. 
Os novos valores entram em vigor no dia 23 de outubro. Para os consumidores residenciais, o aumento será de 7,89% e, para as indústrias, de 7,93%. 
A Aneel explicou que os percentuais de reajuste da distribuidora refletem, entre outros fatores, a variação do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), além da variação de custos que a empresa teve no período de referência.
A Bandeirante atua em 28 municípios do Estado de São Paulo, nas regiões do Alto do Tietê e Vale do Paraíba, atendendo aproximadamente 1,5 milhão de clientes. 
Entre os municípios atendidos pela companhia estão: São Sebastião, Caraguatatuba, Guarulhos, Poá, Salesópolis, São José dos Campos, Taubaté e Pindamonhangaba.

Economia: Assessor de Serra quer mudar modelo de exploração do pré-sal

Assessor sugere modelo antigo para pré-sal
Juliana Ennes | VALOR ECONÔMICO

David Zylberstajn, assessor técnico para a área de energia da campanha do candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse ontem que aconselha o candidato a desistir da proposta do atual governo de modificar o modelo de concessão de campos de petróleo para o modelo de partilha, no caso dos blocos do pré-sal.

Ele lembrou, no entanto, que o custo político da decisão é somente o candidato quem pode avaliar e é isso que deve nortear a decisão final de se adotar ou não o modelo de partilha no pré-sal.
“A minha opinião é pelo lado técnico, mas dentro do contexto político eu não sei. Eu aconselharia a deixar o que está funcionando bem do jeito que está. Se houvesse justificativa para mudar, tudo bem”, disse Zylberstajn.

O presidente da DZ Negócios com Energia e ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP) acredita que o modelo proposto não traz benefícios para o governo em termos de arrecadação. Além do fato de o governo receber sua parte em petróleo, e não mais em dinheiro.
“Não há nenhuma conta que diga que esse sistema é mais vantajoso financeiramente para o governo. Eu, particularmente, acho que qualquer que seja o governo, ter uma estatal comprando e vendendo petróleo é uma janela para a corrupção. É um modelo completamente estapafúrdio”, disse.

O assessor de Serra acredita que o regime de concessões seja melhor não somente em termos de arrecadação, mas tem também a vantagem de antecipar o recebimento dos recursos. “Você tem o bônus de assinatura. No sistema de partilha, você só vai receber lá na frente. Depois de ter descontado o que gastou com o campo, vai receber sua parte em óleo, que vai ter que ser vendido. Isso só vai gerar alguma coisa lá na frente. Enquanto, hoje, se licitar um campo, o governo coloca dinheiro no Tesouro hoje mesmo”, disse.

Ele lembrou que a obrigatoriedade de que a Petrobras opere ao menos 30% de todos os blocos do pré-sal traz um grande risco. De um lado, para a própria companhia, que fica obrigada inclusive a ter como sócias empresas que ganharem a briga, independentemente do desejo de se fazer uma sociedade. E é também ruim para o país, que fica preso à capacidade da estatal de investir.

Zylberstajn disse que o Rio de Janeiro precisa tomar cuidado para não virar um importador de equipamentos industriais de São Paulo, devido à escassez de mão de obra, a problemas de infraestrutura, aos meios instituicionais e a eventuais incentivos fiscais.

FONTE: Viomundo

Serra acusa Marina de "mensalão"

Hipocrisia pouca é bobagem...



No debate da TV Globo no primeiro turno, o demotucano José Serra, irônico e rancoroso, acusou Marina Silva de pertencer ao "governo do mensalão" e disse "você e Dilma tem muitas coisas parecidas". Agora, para abocanhar os votos verdes, o cínico faz rasgados elogios à candidata do PV. Confirma-se a história, conhecida até no ninho tucano, de que Serra não respeita ninguém nas suas ambições. De que é autoritário e destrutivo. Este vídeo deveria ser novamente assistido pelos que votaram em Marina.

FONTE: Blog do Miro

Viomundo: Quando a desinformação vira arma político-partidária todos perdemos

Por Conceição Oliveira: blog Maria Frô, twitter: @maria_fro
Relutei em entrar no debate sobre como a descriminalização do aborto está sendo usada pela direita raivosa ou dissimulada nesta campanha eleitoral, pelo simples fato de que independente de quem assuma a Presidência no Brasil esta não é uma decisão do EXECUTIVO, mas papel do CONGRESSO. É dele a tarefa de discutir projetos desta natureza.

Portanto, o que quer que cada candidato tenha dito durante a campanha eleitoral é sempre expressão de uma visão individual. Todos os candidatos inclusive, José Serra, – que tem a mania de reivindicar projetos que não são seus e se esquecer daqueles que, embora positivos, são espinhosos eleitoramente – no início da campanha trataram a temática do aborto como uma grave questão de saúde pública.

Ao longo da campanha eleitoral, uma outra campanha subterrânea que foi ignorada pela cúpula petista ganhou proporções perigosas, não apenas à vitória da candidata Dilma Rousseff, mas à democracia. Falo da campanha insidiosa levada a cabo por uma senhora que assina Doris Hipólito e responde ao mail dorisprovida@ig.com.br. Ela é uma das responsáveis pela disseminação na rede e no mundo offline de panfletos mentirosos sobre a candidata Dilma Rousseff e a questão do aborto, sobre a união civil de homossexuais e sobre outros tópicos do Plano Nacional de Direitos Humanos 3. Esta senhora além de disseminar notícias falsas como esta aqui, dissemina na rede visões conservadoras como a do jurista Ives Gandra, emitidas em canais de tevê, como se fossem um tratado isento de partidarismo, como se fossem a expressão da verdade.

Tal campanha omite que todos os princípios observados no PNDH3 estavam presentes nos PNDH anteriores aprovados durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Convido os leitores a ouvirem a entrevista do professor Paulo Sérgio Pinheiro que foi ministro do presidente Fernando Henrique Cardoso e responsável pela aprovação dos PNDH anteriores: CBN- Entrevista com Paulo Sérgio Pinheiro, membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e consultor do Programa Nacional de Direitos Humanos. Quando o assunto em pauta são os Direitos Humanos, professor Paulo Sérgio Pinheiro é uma das figuras públicas mais respeitáveis no país e internacionalmente. A entrevista é bastante didática e contribui para esclarecer que toda esta campanha insidiosa, mentirosa e perigosa que utiliza uma leitura atravessada dos princípios estabelecidos no PNDH3 de modo político-partidário contra o PT e a candidata Dilma Rousseff trata-se não da defesa da liberdade de expressão ou dos valores humanistas, mas de uma expressão reacionária contra os Direitos Humanos, promovida pela direta excludente e preconceituosa que não se conforma por estar fora do poder e está disposta a tudo para retomá-lo.

Convido ainda os leitores deste blog a ler o surpreendente relato do advogado Arnóbio Rocha sobre a agressão sofrida ontem na escola pela sua filha de 9 anos por colegas de classe ao declarar os votos de seus pais à candidata Dilma Rousseff: “Quando os pais transmitem seus ódios aos filhos contra Dilma, não estamos mais numa sociedade democrática rompem-se os laços
Por outro lado há uma reação na própria esquerda, incluindo um membro da Comissão Nacional da Comunicação do PT que acusa as feministas pelas eleições presidenciais terem ido para o segundo turno. Este é o mesmo primarismo dos que acusam as feministas paulistas pela não eleição de Netinho de Paula ao Senado.

Estamos vivendo tempos de grande confronto de idéias e projetos políticos, espero que a sociedade brasileira use de bom senso e que estabeleça os valores democráticos e o apreço à verdade como bandeira política.

Para finalizar, reproduzo abaixo artigo da médica Fátima de Oliveira sobre a posição do Estado Brasileiro ao longo de algumas décadas diante da questão do aborto. É um texto sintético que nos permite ver como um Estado democrático age em relação às questões de saúde pública.
Respostas do Estado brasileiro à ilegalidade do aborto
(O artigo também pode ser lido na íntegra, formato PDF, aqui)
O Código Penal não pune o aborto em caso de gravidez resultante de estupro e para salvar vida da gestante (1940): “Só meio século depois foi instalado na cidade de São Paulo o 1º Serviço Público de Aborto Previsto em Lei, na administração da prefeita Luiza Erundina. Antes disso, apenas na Unicamp (Campinas, SP), sob a responsabilidade do dr. Aníbal Faúndes, as mulheres encontravam solidariedade para o aborto quando engravidavam pós-estupro. Há mais de uma década gestantes que não desejavam levar adiante uma gravidez na condição de ‘caixão ambulante’ de fetos anencéfalos recorriam a juízes e ao Ministério Público, que em geral autorizavam a interrupção. A liminar encerra tão injusta peregrinação (…) Todos os tratados, convenções e conferências do Sistema Nações Unidas não proíbem o aborto e instam os países membros a atenderem com dignidade os casos de abortamentos inseguros” [Oliveira, Fátima. "Interrupção de gestação: um direito". O Tempo, Belo Horizonte, 28/7/04].
1) Norma Técnica Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Meninas (1998), ministro da Saúde, José Serra, e coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher, a médica e feminista Tânia Lago;
2) Gestação de Alto Risco: Manual Técnico (1999), ministro da Saúde, José Serra, coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher, a médica e feminista Tânia Lago;
3) “Rever a legislação repressiva sobre o aborto: um compromisso do Brasil para com as mulheres”, documento da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, da Presidência da República, divulgado no dia 28 de setembro de 2003, por ocasião das atividades da Campanha 28 de Setembro, pela Descriminalização do Aborto na América Latina e no Caribe, no qual está escrito: “A legislação brasileira ainda não se adequou às recomendações do Plano de Ação da Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Beijing, em 1995, que considerou o aborto uma questão de saúde pública e apontou para a necessidade do abrandamento de leis repressoras (…) O governo brasileiro é signatário de documentos de Conferências das Nações Unidas que consideram o aborto um grave problema de saúde pública (Cairo, 94) e recomendam que os países revisem as leis que penalizam a prática do aborto inseguro (Beijing, 95). E reafirma neste 28 de setembro – Dia pela Descriminalização do Aborto na América Latina e no Caribe – estes compromissos. Ministra Emilia Fernandes. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres Presidência da República.”
4) Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (2004), ministro da Saúde, Humberto Costa, e coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher, a médica e feminista Maria José de Oliveira Araújo;
5) Seminário Internacional Políticas Públicas para as Mulheres na Área de Saúde: experiências Latino-americanas e do Caribe (25 a 27 de maio), idealizado e realizado pela Área Técnica de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, que resultou na criação do Fórum de Políticas Públicas para a Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe, espaço de intercâmbio de informações, experiências, articulação política e elaboração de mecanismos de cooperação entre os países membros, integrado por órgãos nacionais governamentais de mulheres e de saúde e organizações feministas nacionais e regionais (2004), ministro da Saúde, Humberto Costa, e coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher, a médica e feminista Maria José de Oliveira Araújo;
6) Pacto Nacional pela Redução da Morte Materna e Neonatal (2004), ministro da Saúde: Humberto Costa; e coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher: a médica e feminista Maria José de Oliveira Araújo; e
7) Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento (2004), ministro da Saúde: Humberto Costa, e coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher, a médica e feminista Maria José de Oliveira Araújo.
Ao mesmo tempo em que o governo responde às pressões do movimento feminista, ainda que tímida e lentamente, no tópico aborto (prevenção e atenção ao abortamento inseguro, das “Recomendações do Cairo”) o “núcleo duro” do governo silencia, e parece sucumbir diante das pressões diretas do Vaticano sob o governo do presidente Lula que, como sabemos, é um cristão/católico romano vulnerável. Em contraposição, e rompendo a ordem do governo de silenciar sobre o aborto, e entendendo que fazem parte de um “governo de coalizão nacional”, setores, notadamente Ministério da Saúde e Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, fazem a disputa ideológica no interior do governo.
Ao mesmo tempo, as forças conservadoras se movimentam também no Congresso Nacional, conforme quadro abaixo sobre Projetos de Lei sobre aborto apresentados em 2003, dos quais três mantêm o caráter restritivo e criminalizador (PL 809/03, 849/03 e 1.459/03), com aumento da pena (PL 1.459/03) e a instituição da legalidade da delação (PL 849/03). Considerando as antigas e novas proposições, o PL 1.135/1991 e o PL 21/2003 suprimem, no Código Penal, o artigo que criminaliza o aborto, portanto contam com o apoio do feminismo.

FONTE: Viomundo

TERRORISMO: A eleição mais suja que o Brasil já viu

Incrível. Recebí telefonema há pouco de uma amiga estarrecida com o teor de um e-mail recebido por ela, cujo pseudo-autor é Presidente do CREA. Ela me enviou o tal e-mail que parei de ler antes da metade pois é nítido que nenhum Presidente de qualquer instituição séria enviaria para o Presidente da República palavras e têrmos tão pesados por mais insano que fosse. 

Para quem tiver estômago procure nos sites de busca a palavra Otacílio M. Gumarães e Carta Aberta ao Presidente da República e vejam a que ponto chega a insanidade mental de determinados componentes reacionários de nossa sociedade.

Como relatei antes, não tive estômago para terminar a leitura e fui pesquisar na própria internet e encontrei o que já imaginava. Trata-se de uma mentira deslavada e o Presidente do CREA-CE cujo nome verdadeiro é Otacílio Borges Filho emitiu nota á imprensa sobre tal conteúdo.

Mas até aí a "coisa" já foi jogada no ventilador e para os mais leigos e principalmente classistas e separatistas o importante é que alguém lavou a alma ao falar mal de Lula e do PT, e aquilo que é uma mentira passa a ser verdade absoluta na cabeça das pessoas.

Porém o buraco é mais embaixo. As eleições deste ano sem a menor sombra de dúvidas é a pior, mais baixa, mais desavergonhadamente preconceituosa, infâme e separatista que já se ouviu falar na história brasileira, quiçá mundial. Beira as raias da loucura.

Em seguida fui ao Blog do Eduardo Guimarães e me deparei com o post abaixo. Estamos vivendo um momento delicadíssimo da democracia brasileira. Estamos sentados sobre barril de pólvoras e nem estamos percebendo o quanto a ordem pública e a sociedade como um todo está ameaçada.

O Terrorismo de Imprensa somado ao reacionarismo de direita na figura do candidato Serra, ultrapassaram de longe todos os limites possíveis e imagináveis.

Bullying eleitoral


Estou impressionado com um caso relatado pelo amigo Arnóbio Rocha, tuiteiro com quem dividi os corredores do hospital em que minha filha Victória e Letícia, uma das filhas dele, estiveram internadas ao mesmo tempo há alguns meses.

Esse caso dá uma idéia das barbaridades que estão sendo praticados nesta campanha eleitoral, que pode passar à história como uma das mais sujas que este país já viu depois da redemocratização.
Vale relatar que tudo se deve ao candidato da mídia, bem como a própria, não estarem aceitando limites sobre o que usar para vencer a eleição presidencial.

Arnóbio relata, via Twitter, bullying  que uma de suas filhas sofreu na escola em que estuda devido aos seus pais serem eleitores declarados de Dilma Rousseff.

O caso me parece extremamente grave. Inaceitável numa democracia. Este é o primeiro relato de dois que pretendo fazer hoje sobre o clima que o candidato José Serra, o jornal Folha de São Paulo, a Rede Globo, o Estadão e a revista Veja, entre outros, estão impondo ao país.

Arnóbio começa seu relato explicando o que é bullying: “Um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência  física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully – «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.

Segundo Arnóbio, sua filha de 9 anos estuda em uma escola cristã de classe média de São Paulo e foi vítima de “bulliyng pesado” por “defender Dilma”.  Teria sido importunada por coleguinhas cujos pais votaram em Serra, que debochavam dela alegando que o tucano teria “vencido” o primeiro turno e Dilma, “perdido”.

A garota, segundo o relato, teria revidado dizendo que havia “mais eleição” pela frente – bela resposta para uma criança de nove anos. Todavia, naquele momento os coleguinhas começaram a gritar “Dilma Assassina”, e que ela “foi presa”, que “roubava” e que “mata crianças”.

Agora a parte mais revoltante e assustadora: a filha de Arnóbio diz ter sido caçada, encurralada e recebido socos e pontabés, além de os agressores terem pisado na mochila dela enquanto gritavam insultos e deboches.

Quando a mãe da menina foi buscá-la na escola, encontrou a filha aos prantos tentando relatar  a agressão que sofrera.

Ainda segundo meu companheiro de hospital – alguém que tem a filha primogênita, de doze anos, sofrendo de leucemia -, este é o perfil dos pais dos alunos da tal escola: curso superior e salários, em média, de R$12 a 15 mil.

Arnóbio ainda assevera que “Nem em 1989 Collor ousou pregar o ódio de forma tão aberta” e que “Transformaram as eleições num inferno, em São Paulo”. E conclui dizendo que “não dá mais para ficar calado”.

Na classe da vítima dessa nova forma de bullying inventada pela campanha de Serra, o “bullying eleitoral”, dos 21 alunos 4 dizem que os pais votam em Dilma e todos estão sendo vítimas dos demais.

Arnóbio não quer revelar o nome da escola, no que julgo que está certo. Mas só até o ponto em que essa instituição tomar providências. Se tal não ocorrer, penso que ele deve tomar uma atitude. Não denunciar essa barbaridade equivale a aceitar ter a sua liberdade de expressão e de opinião desrespeitada.

Aguardemos…

FONTE: Blog da Cidadania

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Marco Aurélio Melo: O Estadão Afinou

Tenho atividade intelectual. 

Vendo minha força de trabalho, mas minhas convicções políticas não fazem parte da minha relação trabalhista. 

Por causa disso fui demitido em 2006, depois de quase dez anos de serviços prestados à maior emissora de televisão do país, tendo passado três outros anos numa emissora afiliada do mesmo grupo. 

Portanto, tive uma carreira de 12 anos interrompida por discordar da maneira como os patrões e seus vassalos manipulavam o noticiário seletivamente à favor do PSDB. 

Nunca houve nada que desabonasse minha carreira, consagrada com um dos mais importantes postos naquele que já foi o principal telejornal do país. 

Não me arrependo de nenhuma palavra do que disse e faria tudo outra vez, se preciso fosse. Também não sinto saudades. 

Era muito infeliz profissionalmente e não tinha consciência do tamanho da minha infelicidade. 

Em relação aos episódios de 2006 há farto material na imprensa alternativa da época, sobretudo na Revista Carta Capital, para quem quiser conhecer o outro lado que eles escondem da sua história de sucesso. E há também testemunhas oculares importantes sobre um momento obscuro do jornalismo brasileiro, entre eles: Carlos Dorneles, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna. 

Há outros que não vou revelar para poupá-los, já que foram preservados nos quadros da empresa sob forte amordaçamento. 

Estou dizendo tudo isso porque a memória voltou à tona depois que soube que o jornal O Estado de São Paulo decidiu dispensar uma de suas mais importantes colunistas, a psicanalista Maria Rita Kehl.

Foi ela a autora de um artigo demonstrando que a elite desqualifica o voto do mais pobre, como se ele fosse um cidadão de segunda classe em nosso país. 

Deixo em homenagem a ela um parágrafo do artigo que considero essencial: "
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos." 

Maria Rita é mais uma voz que se levanta contra os poderosos e é calada sumariamente. É essa gente que defende a liberdade de expressão e de imprensa no Brasil. Que tal?

P.S. Acabo de saber que o jornal afinou. Menos mal. 

FONTE: Blog DoLaDoDeLá

Ciro Gomes diz o que acha da "Veja"

Exclusivo: para Ciro Gomes, Veja está a serviço da escória brasileira

Deputado pensa que campanha da candidata não deve ser transigente com mentiras, enfrentando a questão de maneira clara e que não deixe espaços para boatos

Por: João Peres, Rede Brasil Atual
Publicado em 05/10/2010, 09:00

Brasília – Ciro Gomes está de volta à vida eleitoral? Difícil dizer. O deputado federal assegura que será um cabo eleitoral de Dilma Rousseff na disputa do segundo turno, mas evita entrar em detalhes.
Em se tratando do ex-ministro da Integração Nacional, a única certeza é de que surpresas não são exceção. Em entrevista à Rede Brasil Atual, Gomes garante que não guarda nenhum ressentimento de ter sido preterido pelo presidente Lula na disputa ao Planalto, mas admite ter sentido uma grande tristeza que, garante, já passou.

O deputado, que ficou uma temporada fora do país para curar as mágoas, esteve nesta segunda-feira (4) na reunião que reuniu parte importante da base aliada ao governo na discussão dos rumos da campanha do segundo turno. O ex-ministro mostrou que há uma característica sua que não muda: a língua afiada.

Confira a entrevista:

Qual será seu papel no segundo turno na campanha de Dilma?
Sou cabo eleitoral no Ceará.

E no resto do Brasil? O senhor é uma personalidade de projeção nacional.

Estou 100% à disposição para participar desse debate porque o Brasil está acima de tudo. Todo mundo sabe que fiquei muito triste por ver frustrada minha justa intenção de participar desse debate, mas para mim está tudo superado e o mais importante é ajudar o povo brasileiro a ver com serenidade qual o melhor caminho para o país. E estou seguro que o melhor caminho é a Dilma.

Dilma deixou muito marcado o tom de comparação entre os dois governos (FHC e Lula). E que agora é hora de enfatizar essa comparação. É esse o caminho?

Esse é um dos caminhos, mas é preciso também compreender porque 20% dos brasileiros, tudo gente boa, da melhor intenção, tudo gente progressista, trabalhadora, amada, porque não veio conosco no primeiro turno. Por que foi com a Marina? O que a Marina interpretou? Acho que uma certa frouxidão do PSDB acabou sendo replicada por certa frouxidão do PT, e tem uma parte de nós, brasileiros, que não gostamos dessa frouxidão.
Sei disso porque uma parte dessas pessoas já votou comigo em outras ocasiões. É classe média, estudante, jovens, gente preocupada com alguma intransigência. Não é de intolerância que estou falando, mas de intransigência em matéria de comportamento político.

Uma das questões que se tocou aqui é sobre quanto os boatos espalhados na reta final tiraram votos de Dilma. Esses boatos, ao serem disseminados por parte da imprensa, foram importantes nisso?
Perifericamente. Boato só prospera onde há perplexidades, vácuos, vazios. Como essa questão do aborto. É complexa, é delicada. Interagem com esse assunto questões religiosas, questões morais, éticas, sanitárias, emocionais, psicológicas. Questões terríveis.
E os políticos, por regra, detêm um oportunismo muito rasteiro a respeito deste assunto. Acho que esse é o vácuo. Quando você tem um vácuo e não tem clareza, o boato acaba prosperando mais do que devia.

E, claro, há o papel de uma parte da imprensa brasileira. E isso não é novidade, não temos que nos assustar com isso. Quem se enganou foi quem imaginou que haveria essa cordialidade que eu sempre soube que não haveria. Uma parte da imprensa brasileira tem preferência, o que é legítimo.
Apenas deveríamos ajudar o eleitor brasileiro a saber que a Veja é reacionária. É direito do povo brasileiro saber que a Veja é reacionária. A Veja deve existir, deve fazer o que bem entender. Se passar da conta, temos um sistema democrático que garante reparos no Judiciário, mas nada de ir contra a imprensa. A imprensa é sagrada para nós, democratas.

A Veja passou da conta no primeiro turno?
A Veja? A Veja passa da conta. Vive a serviço do que há de mais espúrio na sociedade brasileira. É isso que a gente deve explicar para as pessoas. Que a Veja tenha longa vida, mas que todos fiquem sabendo que a Veja não é uma observadora neutra da vida brasileira: ela está a serviço dos interesses internacionais, da privataria, da escória brasileira. Isso sempre foi. Desde que a turma de melhor nível saiu, virou isso (referindo-se a jornalistas mais antigos). Um instrumento de achaque.

Para a campanha de Dilma, como é melhor lidar com essa contra-informação?
Falar com o povo. Sincera e humildemente. Falar com o povo. Enfrentar. Isso sou eu que estou falando. Essa cordialidade só ajuda àquelas pessoas que têm as ferramentas clandestinas de mentir contra a vontade popular.

Resta algum ressentimento por ter sido preterido nessa disputa?
Não. Não tive ressentimento em momento algum. Tive muita tristeza, que é mais amargo do que ressentimento. Mas já passou.

FONTE: Viomundo

20 anos de PSDB em SP: policial militar é baleado em assalto na avenida Paulista

Cena normal do cotidiano da maior cidade brasileira. Nem é questão de querer falar mal dos responsáveis pelos últimos 16 anos de mandato executivo no Estado de São Paulo e que foram brindados no último domingo com mais 4 anos á frente do Governo Estadual.

Acontece que infelizmente "o inferno é aqui"! Mas mesmo assim o paulista segue elegendo essa corja para comandar o Estado mais rico da Federação. Então cenas como essas que ficavam restritas muitas vezes á periferia tornaram-se comuns no dia a dia do paulistano.

Esse tipo de coisa é excelente apenas para apresentadores do estilo Datena da Band. O Governo do Estado é o maior colaborador direto para programas de apelo popular daqueles em que escorre sangue pelas telas das TV´s.
Programas onde a polícia tornou-se "pop star". Onde delegados buscam os holofotes.

Alguma coisa deve estar errada. Mas o paulista não se dá conta disso. Acha normal.

Quem diria que em plena Avenida Paulista, a maior vitrine financeira da América Latina, os bandidos estariam apavorando. Definitivamente perderam o medo da polícia. Na verdade eles sabem melhor que os cidadãos comuns o quanto a cidade está abandonada.

Mas o que esperar de um Governo que tem acordos com a facção criminosa que domina o Estado?

Abaixo reportagem do Terra:
Brasil - 16h08 -  Dezenas de pessoas acompanham a movimentação nas proximidades de uma agência de turismo onde um segurança foi baleado nesta .... Foto: Thiago Fenolio/Futura Press  
Foto: Thiago Fenolio/Futura Press

A polícia informou também que três homens invadiram a agência, levaram uma quantia não informada e fugiram atirando.
Um soldado da Polícia Militar (PM) de São Paulo, ainda não identificado, levou três tiros por volta das 12h30min desta terça-feira durante um assalto a uma agência de turismo na avenida Paulista, em frente à estação de Metrô da Consolação, na região central da cidade. Segundo a PM, o soldado, que estava à paisana, foi alvejado no tórax, na axila e na perna.

A polícia informou também que três homens invadiram a agência, levaram uma quantia não informada e fugiram atirando. Um funcionário da empresa foi ferido com uma coronhada, sendo medicado e liberado em seguida. O PM está internado no Hospital de Clínicas de São Paulo.

FONTE: Terra

Aliados do PT propõem 'artilharia' contra ataques no 2º turno

Em reunião com governadores e parlamentares aliados eleitos, a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, e o presidente nacional petista, José Eduardo Dutra, discutiram nessa segunda-feira (4) a montagem de um "grupo de artilharia" para debater, na nova etapa do processo eleitoral, ataques que a presidenciável venha a sofrer até o dia 31 de outubro.

A estratégia, que englobaria tanto acusações da campanha do tucano José Serra quanto informações veiculadas pela imprensa, é semelhante ao que se chamou de "central anti-boatos" na campanha do ex-governador de São Paulo.

O grupo terá, além de ministros de Estado, governadores e parlamentares eleitos em primeiro turno, de acordo com avaliação petista, grande influência no combate à disseminação de notícias desfavoráveis à ex-chefe da Casa Civil.

O grupo de artilharia, sugerido por José Eduardo Dutra, atuaria de forma simultânea a um "grupo de diplomacia", que pode ter os mesmos aliados, para manter contatos com lideranças políticas e angariar apoio de setores que não votaram em Dilma no dia 3 de outubro.

FONTE: Terra

Chega a ser hilário constatar PSDBistas que votaram na "Petista Verde" contra Dilma

                Quando se deram conta de que o Zé levaria um chocolate no primeiro turno, os muitos PSDBistas que conheço ou mesmo aquela turma que nem é favorável ao Zé, mas que se autodenomina "Anti-PT" voaram em peso para os braços da petista verde, Marina Silva que tem mais de 30 anos de história de vida ligada ao PT.

                Claro que Marina após desligar-se foi buscar vida própria e se alinhou no PV, porém não acredito que ela tenha passado por uma lagavem cerebral tão eficaz ou que tenha realmente ficado tão deslumbrada com o poder capitalista, a ponto de abandonar suas convicções esquerdistas de uma fiel lutadora pelo bem estar social.

               De que adianta pregar que devemos olhar o planeta e buscar a sustentabilidade, se utilizamos ferramentas capitalistas e econômicas que colaboram o tempo todo para exterminar a sua espécie mais importante: o ser humano?

               Sem dúvidas voar num jatinho de 50 milhões de dólares é de balançar o caráter de qualquer ser humano, ser vista e aclamada como uma celebridade sem dúvidas mexe profundamente no égo até da mais puritana evangélica, mesmo porque ela nunca foi uma Madre Tereza de Calcutá.

               Mas daí a se render definitivamente a sedução do poder e das benesses que o capital oferece em detrimento de sua conduta e posições durante uma vida toda, é outra história.

                A própria bíblia nos lembra claramente o que acontece com determinadas pessoas que são apresentadas e alçadas ao patamar da fama, luxo e dinheiro:

"Deus conhece o pensamento dos homens que são "a vaidade"Salmo 94

Abaixo reportagem do Terra:

Lula entra nas negociações por apoio de Marina a Dilma


Laryssa Borges
Direto de Brasília
Principal puxador de votos para a campanha da petista Dilma Rousseff à presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrará nas negociações em busca do apoio da senadora verde Marina Silva, detentora de mais de 19% dos votos válidos no primeiro turno das eleições e responsável por barrar a vitória da ex-ministra da Casa Civil no último domingo (3).

"A coordenação de campanha, o presidente, todo mundo vai conversar. Vamos fazer conversas com a Marina, tanto os ministros que foram colegas dela e os governadores que foram colegas dela", disse o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

"Entendemos que o eleitorado que foi às urnas no domingo votar em Marina tem muito mais identidade com a nossa história. Vamos mostrar que foi bom, por tudo que vivemos nesses últimos 40 dias de muitos ataques, sofremos. Na verdade devemos fazer uma autocrítica. Alimentamos um debate que terminou por produzir um sentimento na sociedade de que era bom ter um segundo turno para todo mundo aprender, poder fazer um debate muito mais tranquilo no segundo turno", disse o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos.

O presidente Lula, cujo temperamento de ataque ao tucano José Serra foi condenado por aliados, deverá, além de ser um dos principais interlocutores junto a Marina, retomar um clima mais ameno na segunda etapa do processo eleitoral, nos moldes do "Lulinha Paz e Amor" em 2002.

"O Brasil vai ver no segundo turno um presidente Lula muito paz, amor e vitória", disse o governador pernambucano. Ele afirmou que, em eventos da campanha, "a participação do presidente no segundo turno se dará na mesma proporção que se deu no primeiro turno".

Entre aliados, não há a preocupação de que os tucanos tenham escalado o presidente Fernando Henrique Cardoso como interlocutor junto a Marina Silva. "Toda vez que o FHC entra na campanha a gente comemora", resumiu um interlocutor de Lula.

Lição
Apesar de a candidata Dilma Rousseff ter negado um clima de "já ganhou" durante a reta final do primeiro turno, o governador Eduardo Campos admitiu que a realização de um segundo turno representa "uma lição" para a campanha de Dilma.

"Uma lição no Brasil para que a gente pudesse ter mais debate no segundo turno, esclarecesse mais. (A campanha foi alvo de) muitos ataques (...), fomos vítimas de uma campanha que lembra o século 19, uma campanha fascista de calúnias. Isso fez com que parte do eleitorado que estava nos apoiando desse um passo atrás para dizer 'eu tenho oportunidade de ter mais 30 dias de debate, por que não vou ter?' Pediram debate", disse, destacando que a nova rodada de disputa rumo ao Palácio do Planalto será "uma oportunidade de desfazer muitas das versões de uma campanha fascista que tomou conta do Brasil nos últimos dez dias, com mentiras, com agressões colocadas em relação a nossa candidata".

Diretor do Sensus: "Efeito Marina" foi menor do que parece

Para Ricardo Guedes, a chamada onda verde não foi a principal responsável pelo segundo turno

                                                                        Raphael Falavigna/Terra
Para Ricardo Guedes, a chamada "onda verde" não foi a principal responsável pelo segundo turno
Dayanne Sousa

Nem o crescimento de Marina Silva (PV) no dia da eleição presidencial foi tão grande, nem os institutos de pesquisa erraram por não determinar com clareza que haveria segundo turno, afirma o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes. Para ele, a abstenção mais alta nas regiões Norte e Nordeste em comparação com outros locais é que provocou as discrepâncias entre o que previram as pesquisas - inclusive a de boca de urna - e o resultado final.

- O "efeito marina" é muito menor do que se supõe. Foi algo localizado em grandes capitais como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, mas não influiu em mais que 2% nos resultados de Dilma Rousseff (PT).

Marina terminou as eleições com 19,33% dos votos válidos, mais do que os quatro principais institutos de pesquisa indicavam em seus levantamentos mais recentes. Pesquisa Datafolha, um dia antes da eleição, dava a ela 17% dos válidos. Considerando-se, porém, todo o universo do eleitorado (incluindo votos nulos, brancos e não comparecimento/sem opinião), Marina teve 17,65% enquanto as pesquisas davam a ela 16% dos votos no total do eleitorado.

- Tem um pouquinho que pode ser atribuído à onda verde? Pode. Mas o tanto que ocorreu imprevisível em relação a ela é de 1,75, absolutamente dentro da margem de erro!
Como explicar, então, a diferença das previsões em relação à Dilma, líder nas pesquisas? Guedes afirma que está concluindo um estudo a respeito, mas aponta a abstenção maior no Nordeste e Norte como o fator determinante.

Segundo os cálculos de Guedes, a abstenção somada a votos brancos e nulos no Nordeste foi igual a 29,34% dos eleitores da região. O Norte teve abstenção de 25,03 enquanto a média brasileira foi de 25,19% e no Sul foi de 21,13%. Isso prejudicaria Dilma, uma vez que ela tem uma porcentagem maior de votos entre os eleitores nordestinos.

- Isso desproporciona o voto. Nós vamos agora ponderar o que ocorreu nas eleições como se a abstenção tivesse sido a mesma em todas as regiões. Aí nós teríamos os resultados corretos do que seria se a abstenção fosse uniforme. Eu acredito que os resultados que nós vamos obter serão equivalentes aos da boca de urna do Ibope - explica Guedes.

Os possíveis motivos dessa abstenção, porém, são difíceis de explicar. "Não foi a chuva, porque só choveu no sudeste e centro-oeste onde o Serra ganhou", brinca o pesquisador.

FONTE: Terra

Igreja incentiva fiéis a não votar no PT. Quanto a pedofilia dos padres, qual é a posição?

Reproduzo post do Blog Maria Frô sobre o posicionamento e orientação da Igreja Católica contra votos na candidta Dilma Rousseff e o PT de maneira geral. Lembrando que esse tipo de restrição foi feita também por dirigentes aos Evangélicos. Na visão das Igrejas Dilma e o PT são uma ameaça á vida. De maneira geral a religião teve um peso enorme nas decisões de votos do eleitorado neste primeiro turno.

Eu estranho muito o posicionamente político da Igreja Católica, mesmo sem o aval explícito da CNBB. Diz a entidade que não aprova o debate político ou discussões sobre esse ou aquele candidato. Se for assim, a entidade maior representante da Igreja Católica no Brasil demonstra não ter o mínimo domínio e representatividade sobre seus subalternos.
Da maneira que está, cada um faz o que bem entender e pode, como é sabido, incentivar uma campanha política de acordo com suas conviccções pessoais usando o nome de Deus.

E em nome de Deus eu gostaria sinceramente de saber o que tem a me dizer a CNBB e seus quadros distribuídos pelo Brasil afora sobre as questões relacionadas por exemplo a um tema muito contundente:
           "O que tem a me dizer essas instiuições religiosas que em nome de Deus abominam determinados candidatos por entenderem que estes são satisfatórios a legalização do aborto (mesmo que não haja nenhuma declaração oficial de tais candidatos nessa questão), quanto a disseminação da prática mundo afora, da "pedofilia infantil"  praticada por padres (representantes de Deus) da Igreja Católica Apostólica Romana? É esse o seu respeito a vida?

Por fim, hipocrisia pouca é bobagem...

Abaixo o post:
Regional Sul 1 da CNBB trabalhou contra voto ao PT
Maria Inês Nassif, no Valor Online, via Luis Nassif e RSUrgente
04/10/2010

Incrustado na Zona Sudeste da cidade de São Paulo, o Parque São Lucas esconde a única igreja do Brasil da Congregação do Oratório São Filipe Neri. Fundada pelo padre Aldo Giuseppe Maschi em meados do século passado, a igreja até hoje realiza missas em latim, abolidas mundialmente pelo Concílio Vaticano II, em 1963. Na sexta-feira, o jovem padre Paulo Sampaio Sandes rezou a missa da tarde, de costas para os fieis, com a concessão ao português de três Aves Marias e uma Salve Rainha. O coro, de cinco beatas, também preferiu o latim.
O padre Paulo faz parte de uma congregação tradicional, é contra o aborto, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais de homossexuais. Entendeu a recomendação da Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) como uma ordem: expor, na homilia, no dia da eleição, o suposto veto da Igreja Católica à candidata Dilma Rousseff (PT), estendido a todos os candidatos do Partido dos Trabalhadores, e distribuir, na saída da missa, a carta onde explicitamente a regional descarta o voto católico nos candidatos que defendem o aborto, em especial, e nomeadamente, nos petistas. “No dia das eleições eu vou distribuir a carta lá fora, mas a carta é muito explícita em relação aos candidatos, não vou falar o nome deles na homilia”, disse o padre, depois da missa, confessando constrangimento com a determinação da Regional. “O próprio Dom Odilo Scherer diz que não devemos falar de nomes de candidatos”.
A recomendação da Regional Sul 1, que abrange as dioceses do Estado de São Paulo, foi uma “trama”, segundo o bispo de Jales, Demétrio Valentini, da Regional Sul I da CNBB, urdida de forma a induzir os fiéis paulistas a acreditarem que a CNBB nacional impôs um veto aos candidatos do PT nessas eleições. “Estamos constrangidos, pois a nossa instituição [a Igreja] foi instrumentalizada politicamente com a conivência de alguns bispos”.
A regional, que abrange as dioceses do Estado de São Paulo, recomendou às paróquias que distribuíssem o “Apelo aos Brasileiros”, uma longa carta em que acusa o PT de, mancomunado com o “imperialismo demográfico” representado por fundações norte-americanas que financiam programas de controle familiar, apoiar o aborto, e pediu aos padres que “alertassem” os fiéis para não votarem na candidata a presidente Dilma Rousseff, nem em qualquer outro petista. “A Presidência e a Comissão Representativa dos bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua reunião ordinária, acolhem e recomendam a ampla difusão do apelo a todos os brasileiros e brasileiras elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1″, dizem o site da regional e o site da diocese de Guarulhos.
O presidente da Sul 1 da CNBB, Dom Nelson Westrupp, não respondeu a questões que foram enviadas pelo Valor por e-mail por orientação da sua assistente, Irmã Maurinea. O bispo de Guarulhos, Dom Luis Gonzaga, um dos articuladores do movimento antipetista na Igreja, em julho, no artigo “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, recomendou “aos verdadeiros cristãos católicos” não votarem em candidatos que apoiam o aborto e, em especial, recusarem o apoio a Dilma e ao PT.
Do ponto de vista da hierarquia católica, a recomendação e o documento dos dirigentes da Regional Sul da CNBB não têm validade. No dia 16, a Conferência deixou claro isso, numa nota oficial: “Falam em nome da CNBB somente a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência. O único pronunciamento oficial da CNBB sobre as eleições/2010 é a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada pela 48ª Assembleia Geral da CNBB, deste ano, cujo conteúdo permanece como orientação neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País”, diz. O cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, em 20 de agosto, enviou um comunicado a todos os padres de dioceses esclarecendo que os representantes da Igreja não devem se envolver publicamente na campanha partidária, nem “fazer uso instrumental da celebração litúrgica para expressão de convicções político-partidárias”. Sugere que orientem os fiéis a votarem em candidatos afinados com os princípios cristãos, “sobretudo no que diz respeito à dignidade da pessoa e da vida, desde a sua concepção até à sua morte natural”, mas alerta para que não indiquem nomes.
Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales, foi o bispo que reagiu de forma mais direta e clara ao que chama de “trama” da Regional Sul 1 da CNBB. À sua diocese, tem encaminhado sucessivos artigos contra o documento da regional. “Não é bom para a democracia que alguns decidam pelos outros (…) Mas é pior ainda para a religião, seja qual for, pressionar os seus adeptos para que votem em determinados candidatos, ou proibir que votem em determinados outros em nome de convicções religiosas (…) Portanto, seja quem for, bispo, padre, pastor, ninguém se arrogue o direito de decidir pela consciência do outro, intrometendo-se onde não lhe cabe estar”, no artigo “Pela liberdade de consciência”, divulgado no dia 19.
A CNBB nacional acabou encerrando sua participação no episódio com a nota em que desautoriza qualquer decisão contrária à da Assembleia Geral, que não vetou candidatos ou partidos. A direção da Conferência está em Roma. Em São Paulo, remanescentes da Igreja progressista estão pasmos. “Nunca houve uma campanha eleitoral com tanta manipulação da religião”, lamenta um deles, lembrando que isso aconteceu também, e fortemente, com a Igreja Evangélica.
 FONTE: Lido no Blog Maria Frô