Um caso específico com relatório da Polícia Federal atribuído ao Delegado Protógenes quando da investigação da Operação Satiagraha - envolvendo o banqueiro Daniel Dantas - lança luz ás entranhas da guerra político-econômica em que grandes grupos empresariais, mídia, jornalistas, políticos, lobbystas e outros tantos cidadãos utilizam-se de muito dinheiro, influência e jogo pesado para atingir seus objetivos escusos que vão sem dúvidas contra os interesses da sociedade, que no final das contas é quem paga o pato.
Abaixo a conclusão do relatório de 84 páginas da Polícia Federal dá uma idéia clara do poder de persuasão dos veículos de comunicação de massa nessa intrincada rede de influências políticas.
Conclusão:
Conforme já mencionado, o objetivo deste trabalho foi realizar uma análise a respeito da influência exercida pelo grupo liderado por Daniel Dantas sobre determinados setores da mídia nacional e estrangeira. Em razão do fato de que esse é um setor estratégico, formador de opinião, as organizações lícitas ou ilícitas quando bem estruturadas, não dispensam a utilização dos meios de imprensa para se fortalecer, muitas vezes enfraquecendo seus oponentes,inclusive agentes do Estado.
Procurou-se mostrar, ao longo desta análise, que o Banco Opportunity tem acesso a jornalistas, seja por meio da empresa “Abre de Página”, seja em razão de contatos diretos estabelecidos pelo grupo.
As análises das interceptações telefônicas mostraram claramente a forma como profissionais de mídia são cooptados, orientados e remunerados para levar ao conhecimento do público as versões que interessam ao grupo de Dantas sobre os mais variados assuntos. Neste processo, Naji Nahas parece ser o intermediário entre jornalistas de Dantas.
O estudo de caso que abordou o ataque na mídia sofrido pelo ex-Presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, embora talvez não guarde relação direta com o grupo de Dantas, buscou dar uma dimensão, na prática, do poder que a imprensa exerce em favor de interesses quaisquer.
Independentemente de o senador ser ou não culpado dos crimes que lhe eram atribuídos, é inegável que ele sofreu uma intensa “guerra psicológica de informações” com o objetivo de fazêlo deixar a Presidência daquela Casa Legislativa. Tanto é assim, que os ataques cessaram após sua renúncia, como se os crimes supostamente cometidos por ele perdessem a importância de forma repentina, deixando de serem merecedores de reportagens de capa, como vinha ocorrendo até então.
A forma rudimentar como isso foi feito revela que o grupo a manipular a Revista Veja objetivava, tão somente, retirar o senador de sua função. Nem a cassação de seu mandato era relevante, o que se queria era apenas o controle político do cargo de Presidente do Senado.
Na parte referente às análises das notícias, buscou-se mostrar como o tema complexo que envolvia a Brasil Telecom, Telecom Italia, Oi, Telemar e todas as disputas envolvendo o sistema de telecomunicações do País, foi abordado em diferentes veículos de comunicação impressa.
Em cada reportagem, a intenção desta análise era conhecer o viés empregado para manipular os leitores, ora de forma explícita, ora sutil, com o fim de formar uma consciência coletiva.
Ressalta-se que o público alvo das matérias era composto por pessoas esclarecidas, que buscam informação em meios considerados idôneos.
Outro ponto de destaque é a presença do Ministro Roberto Mangabeira Unger no Governo Federal.
Obviamente, seria irresponsável afirmar que esta autoridade está a serviço de Dantas na Administração Pública, mas os vínculos estreitos entre ambos, principalmente considerando o passado do banqueiro e as sucessivas acusações de crimes que ele enfrenta, são particularmente desconfortáveis.
Finalmente, convém dizer que a proposta inicial da análise – identificar a manipulação da mídia por grupos econômicos – foi alcançada.
Pelas limitações do trabalho e em face da magnitude do tema, muitos elementos, naturalmente, não constam em seu conteúdo, mesmo porque nunca houve a pretensão de abarcar toda a problemática envolvida nesta questão.
A proposta era a de oferecer uma modesta contribuição para o esclarecimento deste tema, tão pouco debatido em nossa sociedade, principalmente em razão do caráter “sagrado” da liberdade de imprensa.
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